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sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Masterclass - Grant Williams

"Coisas que te fazem exclamar: hmmmm"

O vídeo que hoje publicamos é mais uma pérola de Grant Williams. Este trabalho foi apresentado no evento "Mines & Money" que decorreu em Londres em Dezembro último.
O título da apresentação encapsula a ideia principal do estado presente da percepção comum acerca do mercado dos metais preciosos: "Ninguém quer saber".
A qualidade (quantitativa e qualitativa) na apresentação dos dados, o humor e a ironia com que Williams desarma qualquer apaixonado-pela-economia-de-papel são razões mais do que suficientes para justificar o exercício reflexivo de Williams.

A análise coloca em contexto vários dados, comparando especialmente os diferentes veículos de investimento comuns face aos riscos implícitos do presente económico e financeiro. Bem como os mecanismos do estabelecimento do preço dos metais preciosos, especialmente do ouro e das acções das empresas de mineração e dos seus activos.

Atravessando a análise está a ideia de que, de algum modo e a qualquer altura, a disponibilidade e a oferta dos metais no Ocidente tem de mudar radicalmente. É a matemática... e é neste ponto que relembro o facto de metade das reservas de ouro portuguesas (aproximadamente 191 toneladas) estarem depositadas no Banco de Inglaterra. Mas - atenção - estão depositadas segundo o estatuto de "Depositado", ou seja, não fazem parte de uma reserva física. Esse é que é o problema.
Dado o estudo e os dados aqui perspectivados, a hipótese desse ouro poder estar a fazer parte de um grande jogo de papel ou geringonça contabilística deve ser equacionado.

Esperemos que antes do dia em que a matemática se fizer sentir. Ou antes que todos passem a querer saber.


segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Radar

Numa altura em que pelo Ocidente se divulgam "notícias" de carácter negativo acerca do ouro (em dólares e de natureza sintética, note-se!), pela China e dos cofres da Shangai Gold Exchange (SGE) saíram mais de setenta e três toneladas de ouro na semana de 20 a 24 de Julho de 2015 - sim mais de 73 toneladas de ouro físico numa semana, não sintético (ETF´s)! - para os cofres de investidores privados.
E porque recentemente se divulgaram as reservas oficiais chinesas do mesmo metal (1,658 toneladas), convém ter presente que, entre produção própria e aquisições no mercado internacional, os investidores chineses arrecadaram qualquer coisa como 5,964 toneladas de ouro para o período entre 2010 e 2014.
Não se estranha que estes números - verdadeiramente estonteantes - fiquem à sombra das "notícias" ocidentais acerca do perfil do investidor chinês, após a incrível descida na sua bolsa de valores?

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Movimentações Tectónicas

Indícios da geopolítica do futuro


Tem vindo a mostrar-se no palco da verdade oficial, lenta mas paulatinamente, a criação do Banco Asiático de Investimento e Infraestruturas (AIIB). Este banco, que já ultrapassa os quarenta países subscritores, é a resposta chinesa ao Banco Mundial, por um lado, e ao facto dos americanos não terem dado cumprimento às mudanças no regime de quotas e composição dos Direitos Especiais de Saque (SDR´s) do FMI a que estão obrigados desde 2010 (referências nossas aqui, aqui e aqui).

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Citação do dia (173)

"O crescimento da bolsa de ouro de Xangai (SGE) para se tornar a maior plataforma de transacção física de Ouro do mundo, fornece provas convincentes de que o futuro para o ouro é estritamente físico.
Acompanhando a mudança dos mercados do Ocidente para Oriente, a expansão de fortes plataformas de transacção de ouro na Ásia trará uma melhoria nas condições de descoberta dos preços, da liquidez, da transparência e eficiência do próprio mercado; estas melhorias transformarão a paisagem do mercado global do ouro.
Como elemento importante que é a China assumirá, com justiça, o seu lugar no mercado mundial do ouro."

Aram Shishmanian, (CEO World Gold Council) após a abertura da negociação internacional na SGEI

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Cavalos Furtivos

Moldar percepções e expectativas

Gaston Phoebus, "Livre de Chasse" (1387)


O artigo que a seguir se publica foi traduzido e editado por mim a partir do original (mais longo e rico), cuja leitura se recomenda vivamente.
“O Cavalo Furtivo”, Ben Hunt - 21 de Julho de 2014

“Na guerra, a verdade é a primeira vítima” – Ésquilo

O cavalo furtivo é uma técnica de caça muito antiga onde o caçador consegue uma vantagem importante ao esconder-se atrás de um cavalo (ou da sua representação), levando a presa a considerar familiar ou natural o que está a ver. E a presa não sabe quantos pés tem o cavalo.
Os mercados de hoje estão atafulhados com cavalos furtivos, não para proceder a triviais aquisições hostis, mas para estabelecer objectivos macroeconómicos que são motivados politicamente. Seja o uso das palavras para criar representações furtivas ou o investimento num determinado activo para montar o mesmo cavalo furtivo, os governos são, hoje em dia, muito mais manipuladores do que em qualquer outra altura desde os anos 30. Muito pouco é o que parece nos mercados de hoje.
E sim, nós somos as presas. Somos nós os veados.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Citação do dia (168)

"A ameaça externa à estabilidade política chinesa vem do propósito explícito das recentes políticas monetárias: disfarçar o crescimento real anémico através da inflação dos activos financeiros. É uma solução brilhante para o problema político do baixo crescimento aqui no Ocidente, porque a nossa estabilidade política não depende de um crescimento económico robusto. Enquanto pudermos evitar um claro crescimento negativo (e isso até se aceita enquanto puder ser explicado pela metereologia) e pudermos inflacionar os preços dos activos financeiros que suportam o nosso desequilibrado sistema, talvez possamos crescer alguma coisa ou pagar a dívida pela via da inflação. Ou não.
A dívida pode estacionar por aí... essencialmente para sempre... desde que não haja um choque exógeno. Um sistema financeiro moribundo, onde o crédito é tratado como um bem que o governo deve assegurar, é um desfecho aceitável no Ocidente porque as nossas eleições e poderes políticos não estão comprometidos com um forte crescimento económico. Estes poderes centram-se em questões sociais e noções de identidade. Focam-se na preservação da riqueza, dos benefícios e dos direitos. São tudo coisas importantes no contexto político do Ocidente.
Para a China? Nem por isso."

“O tipo que aceita” – Ben Hunt

sábado, 12 de abril de 2014

Suplantados

Os pessimistas Ocidentais pelos entusiastas Asiáticos

Nos meios de comunicação convencionais ocidentais não há referência aos extraordinários números e dinâmicas relativas ao mercado do ouro físico na Ásia. Não há notícia daquela suplantação entusiástica. A procura pelo dinheiro verdadeiro e sólido para os lados do oriente parece não interessar às centrais de informação na Europa ou nos EUA. Isto não pode ser um acaso. Se tivermos em consideração o que a seguir se apresenta, mais óbvio esse facto se torna. Não pode ser por acaso.
No final apresenta-se uma pequena entrevista para demonstrar como é possível compreender o que se passa na Índia e na China, no que diz respeito à moeda, ao ouro, à economia e à política. Convido os leitores a considerem o que poderá ser diferente, aqui no ocidente, face aos tópicos abordados nessa entrevista.
Nas últimas semanas têm-se tornado públicas análises dos números do mercado dos metais preciosos na Ásia. Para podermos compreender um pouco do que se está a passar, consideremos os seguintes dados: