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terça-feira, 23 de agosto de 2016

Um teste à força. Das convicções.


Aproveito para deixar uma citação de Josh Crumb. Tão simples quanto lúcida (daqui):

"O ouro não faz as pessoas ricas, a dívida e o papel-moeda é que as faz pobres."

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Citação do dia (168)

"A ameaça externa à estabilidade política chinesa vem do propósito explícito das recentes políticas monetárias: disfarçar o crescimento real anémico através da inflação dos activos financeiros. É uma solução brilhante para o problema político do baixo crescimento aqui no Ocidente, porque a nossa estabilidade política não depende de um crescimento económico robusto. Enquanto pudermos evitar um claro crescimento negativo (e isso até se aceita enquanto puder ser explicado pela metereologia) e pudermos inflacionar os preços dos activos financeiros que suportam o nosso desequilibrado sistema, talvez possamos crescer alguma coisa ou pagar a dívida pela via da inflação. Ou não.
A dívida pode estacionar por aí... essencialmente para sempre... desde que não haja um choque exógeno. Um sistema financeiro moribundo, onde o crédito é tratado como um bem que o governo deve assegurar, é um desfecho aceitável no Ocidente porque as nossas eleições e poderes políticos não estão comprometidos com um forte crescimento económico. Estes poderes centram-se em questões sociais e noções de identidade. Focam-se na preservação da riqueza, dos benefícios e dos direitos. São tudo coisas importantes no contexto político do Ocidente.
Para a China? Nem por isso."

O tipo que aceita” – Ben Hunt

sábado, 26 de outubro de 2013

As economias não são destruídas num único dia

O texto abaixo é uma tradução minha do artigo de Nicolás Cachanosky, "Economies are Not Destroyed in a Day" (de onde roubei o título para o post), publicado ontem no Mises Institute. Originalmente escrito em língua espanhola e ainda que direccionado ao público argentino, porque nele se inspeccionam conceitos comummente invocados no linguajar comunicacional de hoje (entre outros, "crescimento económico", "recuperação económica", "capacidade de produção", etc.), creio que a sua leitura também permite lançar luz sobre a leitura da evolução verificada na realidade económica portuguesa. Em particular, indicando razões para o medíocre crescimento económico verificado na década passada apesar dos elevados níveis de investimento.
"No começo deste mês, o principal jornal conservador da Argentina, La Nación, publicou um editorial não assinado comparando a economia da Argentina à da Venezuela. A publicação concluiu que à medida que a liberdade económica na Argentina diminui, e que prossegue a adopção do que Chávez designou por "socialismo do século XXI", a Argentina está cada vez mais parecida com a Venezuela. Será isto verdade? Irá a Argentina sofrer o mesmo destino que a Venezuela, onde a pobreza está a aumentar e o papel higiénico pode ser considerado um luxo?

As semelhanças das regulamentações e problemas económicos que ambos os países enfrentam são realmente impressionantes, apesar das diferenças óbvias entre os dois países. No entanto, quando as pessoas são confrontadas com as semelhanças, é comum ouvir respostas como "mas a Argentina não é a Venezuela, temos mais infra-estruturas e recursos".

São as transformações institucionais, no entanto, que definem o destino a longo prazo de um país, não a sua prosperidade no curto prazo.

Imaginemos que Cuba e a Coreia do Norte se tornavam, de um dia para o outro, nos dois países que em todo o mundo mais defendiam o livre mercado e a intervenção estatal limitada. Os dois países alcançariam de imediato as liberdades civis e a liberdade económica, mas teriam ainda que acumular riqueza e desenvolver as suas economias. A mudança institucional afecta imediatamente a situação política, mas uma nova economia exige tempo para que possa ganhar forma. Por exemplo, quando a China abriu partes da sua economia aos mercados internacionais, o país começou a crescer, e estamos agora a assistir aos efeitos de décadas de relativa liberalização económica. É verdade que em muitas áreas na China continuam em falta liberdades significativas, mas hoje haveria uma China muito diferente caso [o governo chinês] se tivesse recusado a mudar as suas instituições há décadas atrás.

O mesmo ocorreria se um dos países mais ricos e desenvolvidos do mundo adoptasse as instituições cubanas ou norte-coreanas de um dia para o outro. A riqueza e o capital não se desvaneceriam em 24 horas. O país iria passar de um processo de acumulação de capital para um processo de consumo de capital e poderia levar anos ou até mesmo décadas a esgotar os cofres da riqueza anteriormente acumulada. No interim, o governo teria os recursos para jogar o jogo do socialismo populista bolivariano (i.e., venezuelano) e desfrutar da riqueza, das estradas, da infra-estrutura eléctrica e das redes de telecomunicações que foram o resultado das realidades institucionais do passado, mais orientadas à economia de mercado.

De acordo com o Índice de Liberdade Económica no Mundo do Instituto Fraser, a Argentina ocupava o 34º lugar no ano de 2000. Em 2011, no entanto, a Argentina caíra para 137º, ao lado de países como o Equador, o Mali, a China, o Nepal, o Gabão e Moçambique. Não há nenhuma dúvida de que a Argentina desfruta de  maior desenvolvimento e riqueza do que aqueles outros países. Mas poderemos continuar a ter a certeza de que essa será a situação daqui a 20 ou 30 anos? A presidente argentina é conhecida por ter afirmado que gostaria de tornar a Argentina num país parecido com a Alemanha, mas o caminho para se tornar numa Suíça ou numa Alemanha implica a adopção de instituições do tipo das suíças e das alemãs, que não é o que a Argentina está a fazer.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Matt Ridley: O pessimismo deslocado de Sir David Attenborough

Já em tempos alinhavei no EI (por exemplo, aqui) algumas linhas sobre o marco histórico - que ocorreu por volta de 1800 - que permitiu, por razões ainda hoje acerrimamente discutidas entre académicos, ultrapassar o que se costuma designar por armadilha malthusiana. Refiro-me ao resultado de um conjunto de circunstâncias - entre outras, as Revoluções Industrial e Agrícola, o desenvolvimento de novas instituições, a expansão e defesa dos direitos de propriedade e, segundo Deirdre [ex-Donald] McCloskey, da "vitória dos valores éticos burgueses" - que vieram a permitir a ocorrência, em simultâneo, de um espantoso aumento populacional acompanhado de uma ainda mais extraordinária melhoria nas condições de vida das populações (ainda que de forma muito assimétrica na linha do tempo).

Independentemente do peso relativo de cada um dos factores "explicativos" para a evolução verificada na explosão demográfica e no rendimento per capita não creio que haja dúvida de que a impressionante evolução tecnológica, que continua em aceleração, ocupará um lugar muito importante na explicação do dinamismo económico que se verifica, sustentadamente, de há pouco mais de duzentos anos para cá. (E todavia os "modelos" econométricos fogem do "factor tecnológico", como o diabo da cruz - de facto, como modelar a mente humana? - o que, por si só, deveria ser suficiente para descartar a sua utilidade prática para efeitos futuros).

O profundo pessimismo que Thomas Malthus veiculava - compreensível com o olhar então contemporâneo para tudo o que (não) se passou nos milénios anteriores - continua hoje vivíssimo, em boa medida associado ao culto da Mãe Natureza e do espantalho do "esgotamento de recursos" e concomitante abominação, implícita quanto não explícita, da espécie humana que, a não ser sustida no seu crescimento, melhor, sem garantir o seu (radical) decréscimo, porá fim ao objecto de culto e, posteriormente, do própria espécie humana.

Creio que Sir David Attenborough não subscreve integralmente (pelo menos, de modo público) as teses catastrofistas, sucessivamente desmentidas pela realidade, de um Paul Ehrlich ou de uma Rachel Carson e das legiões dos seus seguidores. Não obstante, ainda que de uma forma mais subtil e visualmente muito mais atraente, Attenborough tem feito passar ao longo dos anos uma espécie de "nostalgia por antecipação" nos seus documentários/séries que, naturalmente, procura suscitar "tomadas de consciência" e uma "urgência em fazer algo" (por parte dos governos, evidentemente) para prevenir a destruição da Mãe Natureza. No texto que se segue (minha tradução e meus realces), Matt Ridley, autor do famoso "O O[p]timista Racional" explica que há razões bastantes, já hoje, para que Sir David Attenborough pelo menos atenue o seu pessimismo e que, não obstante a sabedoria (?) convencional, não há incompatibilidade entre crescimento económico e conservação/desenvolvimento da natureza, bem pelo contrário.
Numa acção de promoção da sua iminente nova série acerca da evolução dos animais, Sir David Attenborough afirmou, numa entrevista esta semana, pensar ser impossível que possa ocorrer uma redução da população humana durante este século e que "temos sorte em estar a viver agora, porque as coisas irão piorar". As pessoas irão olhar para trás, daqui a 100 anos, "para um mundo que estava menos apinhado de gente, que estava cheio de maravilhas naturais e que era mais saudável".

É uma opinião comum, a dele, que eu em tempos partilhei. Ele deseja que as pessoas desfrutem dos espaços abertos e das abundantes manadas de caça que ele tem tido a felicidade de observar. Para que isso possa suceder, ele acha que é vital que se reduza a população humana.

De um modo muito polido, diria que eu agora discordo, de forma apaixonada, das duas premissas da sua argumentação. É realmente muito provável, ao invés de impossível, que a população esteja a diminuir nos finais deste século e é igualmente bastante provável que as pessoas nessa altura vivas venham a dispor de mais regiões selvagens para explorar e de mais fauna para admirar relativamente ao que sucede hoje.

A taxa de crescimento da população mundial reduziu-se sensivelmente a metade, tendo passado de mais de 2% por ano na década de 1960 para cerca de 1% agora. Até mesmo o número total de pessoas, que anualmente se soma à população anual, tem vindo a cair de há perto de 30 anos para cá. Se estas reduções continuarem, esse número chegará a zero por volta de 2070 - daqui a pouco mais de 50 anos. Nas últimas décadas, a taxa de natalidade baixou em todo um mundo. A fertilidade no Bangladesh passou de quase 7 filhos por mulher em 1960 para pouco mais de 2 hoje; no Quénia, de 8 para 4.5; no Brasil, de 5.7 para 1.8; no Irão, de 6.8 para 1.9; na Irlanda, de 3.9 para 2.

Ainda faz parte da sabedoria convencional que a única maneira de conseguir diminuir o crescimento demográfico implica agir maldosamente para com as pessoas, embora por motivos nobres. Seria necessário necessário coagi-las, suborná-las, envergonhá-las ou educá-las para terem menos filhos contrariando as suas preferências. Um país - a China -, reduziu de facto a sua taxa de natalidade com medidas coercivas sob a forma da política do filho único. Outro - a Índia -, tentou introduzir a esterilização forçada na década de 1960, em troca de ajuda alimentar dos Estados Unidos, mas [o seu Governo] foi derrotado pelo protesto popular e pela democracia, factores desconhecidos na China.

No entanto, em todos os outros países, o controlo voluntário da natalidade provou ser uma arma mais eficaz que a coerção, e a taxa de natalidade desceu igualmente de forma rápida. Isto sucedeu porque aconteceram coisas boas: crescimento económico, emancipação feminina e, acima de tudo, a conquista da mortalidade infantil. Contanto que as mulheres tenham algum tipo de acesso aos meios de controle de natalidade, um dos melhores factores preditivos de uma taxa de natalidade decrescente é uma taxa de mortalidade infantil em queda. Logo que as crianças parem de morrer na infância, as pessoas passam a planear famílias menos numerosas. Assim que pensem que as suas crianças irão sobreviver, começam a investir nelas, em vez de optar por ter mais filhos.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Para ver não basta olhar mas ajudaria havendo vontade

Pela n-ésima vez, surge algo como isto: Governo cria grupo para potenciar crescimento da economia. Andamos nisto há décadas ouvindo os sucessivos governos apontar as baterias à "burocratização" e a protestar as suas intenções de "facilitar", "potenciar" e "desbloquear" a vida aos empreendedores/investidores. Como se houvesse outra entidade, que não o Estado, que a outra coisa não se dedica que não seja exactamente a de burocratizar, dificultar, bloquear e, por conseguinte, a "despotenciar" sob o manto diáfano da "regulação" e da correcção das "falhas de mercado".

Não dei por ter havido eco na imprensa dos dados referentes ao Índice de Liberdade Económico de 2013, publicado pela Heritage Foundation. Sumariamente, são os seguintes os índices agregados considerados que, de há muito, apontam para a circunscrição das nossas maleitas crónicas, todas elas, evidentemente, sob a alçada do Estado - gigantesca despesa estatal e consequente rapacidade fiscal; rigidez do mercado de trabalho, corrupção e fraca protecção dos direitos de propriedade, fraco desempenho no licenciamento de actividades económicas. E se houvesse dúvidas sobre a real intenção do actual governo para "mexer" a sério neste quadro, coisas como esta ou esta deveriam desfazê-las ao observador medianamente atento,.


Ler mais acerca da Economia portuguesa.
Consultar o  índice de 2013.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Da banalidade do PIB ao Produto Privado Interno Bruto

Encorajado por várias reacções positivas que tenho recebido quanto à publicação de traduções de alguns textos por mim escolhidos, ouso hoje dar agora um passo correndo o risco de alienar aqueles leitores que muito justamente abominam o "economês" até porque, para aqueles que se sujeitam à regular tortura mediática, são impiedosamente bombardeados com ele. Refiro-me, em concreto, à omnipresença do PIB a que tudo se pretende reduzir e cujo agregado, tipicamente, os governos tentam manipular na incessante busca de anúncios de um salvífico (e tantas vezes pífio) "crescimento". Daí que tenha achado que o breve ensaio de Robert Higgs que me propus traduzir possa ser útil para melhor se entender a verdadeira obsessão em que nos encontramos rodeados relativamente à evolução daquele agregado económico e esclarecer alguns (grandes) equívocos sobre o mesmo.

Robert Higgs
Higgs que, recorde-se, começou por ter recebido uma formação, que chegou mesmo à obtenção de um Phd em economia, segundo o paradigma neo-clássico (ou seja, um tanto grosseiramente, num quadro de um keynesianismo recauchutado), começa por recordar-nos que não foi pacífica a definição do conceito de PIB especialmente quanto à inclusão da despesa governamental no seu cálculo (Simon Kuznets, o grande impulsionador do sistema de contas nacionais, pelas quais recebeu o Nobel da Economia, foi contra essa inclusão). Enumera em seguida, explicando, algumas das principais razões que justificariam a sua exclusão do cálculo para concluir pela naturalidade da sua adopção pelos governos na configuração que se mantém desde a sua criação - faz jeito ao governo (a TODOS os governos) serem "promotores" e "agentes activos do crescimento".

Isso leva-o a construir e a calcular um novo "conceito" - o Produto Privado Interno Produto - na tentativa de melhor isolar o verdadeiro crescimento do produto interno - aquele produzido no sector privado. A conclusão que retira, após a análise da evolução do PPIB nos últimos 12 anos nos EUA é, não surpreendentemente, lúgubre.
"Nas décadas de 1930 e 1940, quando o moderno sistema moderno de contas  nacionais para a determinação do rendimento e do produto [NIPA] estava sendo desenvolvido, o "perímetro" do produto nacional foi um tema calorosamente debatido. Nenhuma questão provocou mais debate do que esta: deve o produto governamental ser incluído no produto bruto? Simon Kuznets (Nobel de Economia de 1971), o americano que deu o mais importante contributo para o desenvolvimento do sistema de contas nacionais, tinha grandes reservas quanto a incluir todas as compras de bens e serviços governamentais no produto nacional. Ao longo dos anos, outros elaboraram sobre as razões que ele então adiantou e outras razões foram entretanto aduzidas.

Porquê excluir o produto estatal? Em primeiro lugar, as actividades estatais podem ser vistas como dando origem a produtos intermédios em vez de produtos finais, mesmo que o governo seja fornecedor de serviços valiosos como o de fazer valer os direitos de propriedade privada ou o de promover a resolução de disputas. Em segundo lugar, porque não sendo os serviços públicos, na sua maioria, vendidos nos mercados, os seus preços não são determinados por eles [não resultam da interacção entre a procura e a oferta] para que possam ser usados no cálculo do seu valor total àqueles que deles beneficiam. Em terceiro lugar, porque muitos serviços públicos surgem por motivos políticos e não de motivações económicas ou de instituições, alguns deles podem ter pouco ou nenhum valor. De facto, alguns comentadores - onde se inclui o autor destas linhas - foram até ao ponto de  afirmar que alguns serviços públicos têm valor negativo: se lhes fosse dado escolher, as pessoas vitimizadas por esses "serviços" estariam dispostas a pagar para se livrar deles.

domingo, 12 de agosto de 2012

Banqueiros, economistas, políticos e jornalistas

Neste artigo, publicado no Guardian há umas semanas atrás e assinado pelo economista de persuasão keynesiana, Duncan Weldon (discípulo do hagiográfico Lord Skidelsky), intenta-se desacreditar aqueles que vêm defendendo, em número ainda modesto embora paulatinamente crescente, o retorno, mesmo mitigado, a mecanismos de ligação entre a emissão monetária e o ouro como forma de evitar a manipulação irrestrita das moedas por parte dos bancos centrais sem qualquer espécie de controlo externo (democrático ou qualquer outro fora do inner circle dos banqueiros centrais e da grande banca).

Gary North, lendo enumerados naquele artigo os argumentos usuais do establishment contra aquelas vozes (entre as quais a do ex-presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick) que, num crescendo assinalável, vêm defendendo que a solução dos problemas económicos não reside no activismo de "impressão" de dinheiro digital, vê mais uma oportunidade para os refutar (o que faz aqui). North observa o que, muito raramente é assinalado: foi exactamente no período em que vigorou, de forma generalizada  internacionalmente, o padrão-ouro - nos 100 anos anteriores à eclosão da I Grande Guerra - que se verificou o maior crescimento económico. Na parte final do artigo, que vale a pena ler na íntegra, North adianta uma explicação para os exorcismos públicos, como o levado a cabo pelo Sr. Weldon, contra os heréticos que contestam os supostos benefícios de uma moeda infinitamente "elástica" (o argumento que, historicamente, "justificou" o abandono do padrão-ouro):
"Every political class needs its court prophets. Every banking establishment needs politicians who do their bidding. Young men who are not good in physics or chemistry or engineering see their career opportunities at Oxford and Cambridge. They major in economics. The smart ones become bankers. The less smart ones become economists.

The ones who are not smart enough to major in economics major in politics and become politicians.

The bankers hire the economists to tell the politicians what to think."

The economics graduates who are not good enough to get hired by the big banks go into financial journalism."

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Václav Klaus: só mudanças fundamentais poderão retirar a Europa da crise em que está mergulhada

Só agora tive oportunidade de ouvir na íntegra a intervenção de Václav Klaus, em Londres, no passado dia 3 de Maio, em evento organizado pelo Grupo Brugges, a que o insurgente Filipe Faria aludiu aqui e aqui. Klaus, economista de profissão, sucessivamente ministro das Finanças (na sequência imediata da Revolução de Veludo), primeiro-ministro, presidente do parlamento e, desde Março de 2003, presidente da República Checa, voltou a não desiludir: defensor de posições que reconhece como minoritárias - seja quanto ao federalismo europeu, seja quanto à ideologia "verde" e, em particular, a doutrina do "aquecimento global", seja quanto à defesa de uma economia de mercado de onde o Estado se deve o mais possível afastar (ou ser afastado). Enumerou oito linhas de actuação para que a Europa possa retomar, de forma duradoura, a prosperidade e o crescimento económico:
  1. Get rid of the unproductive and paternalistic Soziale Marktwirtschaft [Economia Social de Mercado] augmented, which means, farther undermined by the growing role of the green ideology;
  2. We should accept, our politicians should accept, that economic adjustment processes take time and that the impatient politicians and governments usually make things worse. The politicians shouldn’t try to mastermind the markets, to micromanage the economy, to “produce” growth by government stimuli and incentives. Let the market function;
  3. We should start making comprehensive reductions of government expenditures and forget flirting with solutions based on tax increases. These reductions, these budgetary reductions, must dominantly deal with mandatory expenditures because discretionary spending cuts are as a long term solution, quantitatively, more or less insignificant;
  4. We should stop the creeping but constantly expanding green legislation. The greens must be stopped from taking over much of our economy under the banner of such flawed ideas as the global warming doctrine;
  5. We should get rid of the centralization, harmonization, standardization of the European continent and after half a century of such measures start decentralizing, deregulating and de-subsidizing the economy;
  6. We should make it possible for countries which are the victims of the European monetary union to leave it and to return to their own monetary arrangements…;
  7. We should forget such plans or projects as a European fiscal union not to speak about ostentatively anti-democratic ambitions to politically unify Europe;
  8. We should return to democracy which can exist only at the level of nation-states not at the level of the whole continent. It requires returning from supranationalism to intergovernmentalism…

O vídeo contém a palestra inicial de Klaus, cerca de 21 minutos, seguindo-se depois um período de perguntas e respostas. Eu viu-o até ao fim dei por bem empregue o meu tempo.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Em defesa da deflação

Com o anúncio do lançamento no mercado da primeira geração de processadores com transístores 3D, dei-me conta que passaram 30 anos (no dia 23 deste mês) sobre o lançamento do ZX Spectrum, máquina que desencadeou uma revolução – a da massificação e ubiquidade do computador tornas possíveis pelo  preço relativamente acessível com que foi lançado no mercado, assim se juntando às "linhas" branca e castanha existentes no lar (o modelo que comprei em 1984, o de 48K, custou-me cerca de 35 contos1).

Sete anos depois do Spectrum, comprei nos finais de 1990 o meu primeiro PC, um 286, com 20 Mb de disco duro e 2 Mb de RAM. Custou-me 450 contos (monitor de 14" incluído)2 a que houve que juntar mais 50 contos para a impressora de agulhas.

Nos dias que correm é possível comprar equipamento incomensuravelmente mais poderoso pelos mesmos montantes. Só que a unidade, em vez do "conto", passou entretanto a ser o euro (1/5 daquela). Pelo meio, reduziu-se imenso o número de construtores, mas nem por isso a concorrência tem sido menos "feroz" o que tem proporcionando, aos consumidores e às empresas, num contínuo incessante, cada vez melhores produtos cada vez mais baratos (em termos reais e até nominais). Para aqueles que ostentam credenciais académicas nominalmente respeitáveis e que têm um medo terrível da deflação, há aqui um fenómeno que deveria merecer uma explicação de sua parte ainda por cima tratando-se de um mercado onde a regulação tem estado, no essencial, arredada. 

Ouve-se mesmo, de boa parte do establishment, a defesa de uma maior inflação como veículo instrumental para "resolver a crise da dívida". O facto de a inflação corroer destruir as poupanças acumuladas e atingir em cheio os que vivem apenas de salários e pensões não lhes oferece, sequer, uma objecção ética. O que o establishment sabe - e aí não se engana - é que a inflação beneficia directamente os devedores em prejuízo dos credores e, sendo os estados os principais devedores, lógico é que os defensores do intervencionismo nas economias a favoreçam.

Em defesa da deflação, pois. Em defesa do movimento natural e não manipulado dos preços como consequência do aumento da produtividade e das inovações tecnológicas.
________________________________
1Usando os dados disponibilizados pelo PORDATA, utilizando como deflator o IPC (sem habitação) e tomando 1984 como ano base, tal significaria que um custo, actualizado aos preços de hoje, 4,5 vezes maior, ou seja, 790 euros.

2Consultando a mesma fonte, isso equivaleria hoje a 972 contos, o mesmo é dizer, uns portentosos 4860 euros!

quinta-feira, 5 de abril de 2012

FMI: 3ª avaliação

Divulgado o relatório do FMI sobre a 3ª avaliação ao programa de assistência a Portugal. No original, aqui.

Duas notas (§42 e §43, na página 28) de aviso à "navegação" governamental relativamente à necessidade, que persiste - que se acentua - de melhorar drasticamente, e num prazo limitado, a competitividade da nossa economia, externa e internamente:
«The reforms to date, however, are at best a down payment towards the comprehensive set of reforms needed to address Portugal’s growth and competitiveness problems»

«The policy framework in particular remains constrained by the absence of supply-side reforms with a near-term payoff.»

domingo, 1 de abril de 2012

Uma anti-distopia

No DN, Alberto Gonçalves assina hoje (1 de) Abril em Portugal. Um excerto (meu realce):
«Após impor a redução drástica na quantidade de freguesias e de municípios, o Governo recusou patrocinar o desleixo das autarquias que sobraram. Confrontado com as súplicas para que o Estado central patrocinasse dois mil milhões de euros das dívidas do poder local à banca, cerca de um sexto da dívida total, Pedro Passos Coelho parafraseou o que, com liberdade poética, um jornal disse que Gerald Ford disse à falida câmara de Nova Iorque em 1975: vão morrer longe.

Apesar da reacção furiosa da ANMP e de Miguel Relvas, que depois de demitido por razões familiares passou a assinar um comentário regular na TVI muito crítico para com os seus ex-colegas, a decisão não surpreendeu ninguém, vinda de um Executivo que privilegia a opção pelos cortes na despesa em lugar do saque aos contribuintes. Aqui e ali, sucedem-se as medidas de contenção, traduzidas na abolição de centenas de institutos públicos e similares, nas privatizações da RTP, da CP e da TAP, na partilha da Vespa de Pedro Mota Soares por parte de sete ministros e nos "cortes" no funcionalismo e nas nomeações.

Talvez o "corte" mais polémico, a extinção do Ministério da Economia vem permitindo a redução do défice sem perturbar a recuperação da actividade económica e da confiança dos consumidores. Desde que se viram entregues a si próprias, as pequenas, médias e grandes empresas sobreviventes depressa adquiriram uma inédita capacidade de se desenrascar no mercado interno e, frequentemente, no externo. Graças a estes progressos e a uma revisão a sério do código laboral, o desemprego continua a cair a pique. Álvaro Santos Pereira, que entretanto regressou ao Canadá, foi dos raros portugueses a emigrar no primeiro trimestre do ano.»

sexta-feira, 23 de março de 2012

Matt Ridley: O Optimista Racional

Um ataque frontal - mas civilizado - aos neo-malthusianos, profetas de um Apocalipse que teima em não se concretizar (apesar dos esforços de muitos...). O debate que se segue aos primeiros 15 minutos do video é igualmente bem interessante.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Revisitando os "bonecos" de Medina Carreira

ou, como sinteticamente Ramiro Marques escrevia há umas semanas atrás, «[o]u damos cabo do estado social ou ele dá cabo de nós». Foram estes os reflexos que me ocorreram após a leitura do texto de George Bragues, "Portugal’s Plight - The Role of Social Democracy", artigo integrante do mais recente número da revista The Independent Review.

Com efeitoé inevitável recordar a (infelizmente falhada) evangelização de Henrique Medina Carreira sublinhando que os nossos problemas actuais não são exclusivamente decorrentes da nossa adesão ao euro e consequente perda do instrumento de política monetária. O gráfico seguinte, representativo da evolução da taxa de crescimento do PIB nos últimos 100 anos (média móvel de 10 anos) é indicador seguro disso mesmo a partir de 1974/1975:


À parte os keynesianos, será impossível não encontrar uma correlação (inversa) entre esta evolução do crescimento económico e o peso das despesas do Estado no PIB onde, em 35 anos, passámos de 20%   para 50 % do PIB (a França precisou de 77 anos para idêntica evolução).


Este facto conjugado e agravado pelos sucessivos (37) défices do orçamento do Estado após 1973, vindos de um período de excedentes orçamentais (apesar das três frentes de guerra em simultâneo),


de que resultou uma dívida pública acumulada que, em percentagem do PIB, já ultrapassou os níveis da bancarrota de 1892:


Para que possamos voltar a crescer, é necessário que se possa reiniciar um processo de acumulação de capital que, por sua vez, depende da inversão da desastrosa tendência da taxa de poupança


o que impõe - é absolutamente vital - que consigamos sair de um ciclo de défices públicos para um de fortes superavits. A poupança privada, também por essa via, retomará (já está a suceder) patamares superiores.

Leitura complementar: Nenhuma economia consegue financiar o Estado Social.
____________
Nota: os dois últimos gráficos são retirados do blogue Desmitos; os anteriores, do ensaio referido no texto.

sábado, 26 de novembro de 2011

O boom de empregos não-verdes

é o título deste artigo do Wall Street Journal, de hoje, onde se aborda a inutilidade, obscenamente dispendiosa, com que os governos pretendem dirigir, antecipando, o curso da Tecnologia e da Economia e, naturalmente, da História, exercitando aquela máxima de que os "homens de estado" tanto reclamam: "a sobreposição da Política aos mercados". Um excerto:
So President Obama was right all along. Domestic energy production really is a path to prosperity and new job creation. His mistake was predicting that those new jobs would be "green," when the real employment boom is taking place in oil and gas.
(...)
The ironies here are richer than the shale deposits in North Dakota's Bakken formation. While Washington has tried to force-feed renewable energy with tens of billions in special subsidies, oil and gas production has boomed thanks to private investment. And while renewable technology breakthroughs never seem to arrive, horizontal drilling and hydraulic fracturing have revolutionized oil and gas extraction—with no Energy Department loan guarantees needed.
(...)