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sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Citação do Dia (204)

"As minhas posições políticas inclinam-se cada vez mais para a Anarquia (filosoficamente compreendida, isto é, a abolição de qualquer controlo e não o anarquismo de homens barbudos a lançar bombas). Ou então para uma Monarquia sem fundamento constitucional. Eu prenderia qualquer pessoa que usasse a palavra Estado (em qualquer sentido que não fosse a referência abstracta à Inglaterra e aos seus habitantes, uma coisa que não tem poderes, direitos ou consciência).(...) Se pudéssemos regressar a usar nomes pessoais, isso faria muito bem. Governo é um substantivo abstracto que significa o processo de governo e deveria ser uma ofensa escrevê-la com letra maiúscula ou usá-la na referência ao povo.
Se as pessoas criassem o hábito de se referirem aos ´conselheiros do Rei Jorge, ou o Winston e o seu grupo`, isso faria maravilhas pelo clarificar do raciocínio e reduziria a assustadora vitória do ´poder dos Outros`. "

J.R. Tolkien, "Letter to Christopher Tolkien, 29 November 1934"

sábado, 16 de junho de 2018

Mais um dia de Libertação de Impostos


Este calendário teima em andar - vagarosamente, para que não se dê por ele - para adiante. Um dia de cada vez. Movimento lento, mas inexorável. Será?

quinta-feira, 8 de março de 2018

Citação do dia (203)

"Ao autorizar que o governo interfira, desumana e implacavelmente, com todas as opiniões que possam existir, estamos a ceder o direito de interpretar o pensamento e a permitir a extracção de conclusões. Para dizê-lo mais directamente, significa abdicar da razão e do raciocínio, que seriam aquilo mesmo que deveria ser a base da oposição ao governo.
Isto é equivalente ao rápido estabelecimento do despotismo."

Benjamin Constant, "On freedom of thought"

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Aquiles e a tartaruga



Diferentes velocidades. Diferentes riscos. Diferentes filosofias.
Fonte e contexto (com ligação para relatório de fundo de investimento) - aqui.

Acrescente-se este dado: a libra inglesa tem desvalorizado 11,5% por ano face ao ouro desde 2003.

Cada um julga por si.

sábado, 13 de janeiro de 2018

Master Class - Leemon Baird

"A descentralização segura da informação está ao nosso alcance."

A sessão que hoje aqui apresentamos retoma a temática tecnológica e as potencialidades que ela nos parece oferecer. A velocidade a que os desenvolvimentos acontecem é, sem dúvida, estonteante, mas acreditamos que o esforço de lhes entender as dinâmicas e os sentidos pode facilitar-nos a avaliação que o tempo, em última instância, determinará.
A entrevista que propomos é conduzida por Demetri Kofinas (cujo podcast e discussões acompanhamos) e permite uma apresentação intensa e desafiadora da visão de Leemon Baird (já por aqui o tínhamos destacado, mas pode-se aceder a uma outra pequena síntese aqui).
A visão que aqui se apresenta e discute mistura, por um lado, o fazedor-sonhador e o teórico-sistematizador, mas também o cidadão-utilizador das ferramentas tecnológicas digitais. Baird parece ter "a pele a jogo", como diria Nassim Taleb. Isso só torna a sua visão mais valiosa.

Os pontos fortes desta conversa são, do nosso ponto de vista os seguintes:
- a comparação entre as diferentes soluções tecnológicas para os "balanços públicos descentralizados" (Decentralized Ledger Technologies - DLT) - bitcoin/blockchain versus hashgraph;
- a exploração dos múltiplos fins para esses "balanços públicos descentralizados", especialmente aqueles que, através do hashgraph, têm as qualidades estruturais para responder a exigências muito importantes (como a rapidez, a justiça e a segurança);
- como podem as pessoas estar juntas apenas digitalmente - novas formas de socialização;
- a facilidade e ausência de custos de uma nova cidadania digital - criação de novos mundos digitais de interacção;
- escapando à necessidade da publicidade e do controlo que ela encerra nos meios digitais através da multiplicação dos nós/servidores múltiplos que o hashgraph possibilita;
- como podem os inovadores dar um profundo alcance positivo às ideias que querem concretizar - descentralizar em segurança é o caminho;
- a criação de criptomoedas é uma pequena parte deste movimento.

As ideias que Baird aqui partilha podem não ser, aparentemente, diferentes das que os proponentes de novas soluções tecnológicas oferecem no momento do ciclo como este em que vivemos. Porém, julgamos que, optimismos ingénuos à parte, a substância do que aqui se discute é muito promissor. E não sacrifica as ideias que por aqui tão valorizamos, especialmente no que diz respeito à defesa da liberdade, da privacidade e da promoção da concorrência entre os pólos de poder.

Aos nossos leitores, reiteramos os votos de um excelente 2018.
Boas reflexões.

sábado, 4 de novembro de 2017

Master Class - Hans-Hermann Hoppe

"Importa escrutinar o pensamento que o politicamente correcto desdenha"


Por razões que não são fáceis de identificar, por vezes, não damos o suficiente destaque às ideias daqueles pensadores que são fundamentais para nós. De certo modo, sinto que isso acontece relativamente a Hans-Hermann Hoppe. Assim, selecciono para a nossa rubrica "Master Class", duas das suas mais recentes intervenções.

A primeira foca-se na determinação consequente dos argumentos e dos passos que deverão estar presentes na consideração de quem problematiza os temas da Liberdade, da Paz e do futuro. Para além disso, Hoppe procede a um esclarecimento e distinção entre os diferentes movimentos e discursos políticos que são, intencionalmente segundo o autor, confundidos com o Libertarianismo. Assim como a distinção cirúrgica e irónica das consequências que resultam de cada um dos principais movimentos nos Estados Unidos e não só (sejam a alt-right ou os diferentes populismos).

A segunda palestra tem uma marca pessoal mais vincada. E é pessoal no sentido em que descreve e enquadra factos vividos na primeira pessoa. Episódios reveladores de que o principal conflito a desenrolar-se nas últimas décadas nas sociedades ocidentais é político, é cultural e tem consequências morais impossíveis de esconder. Evidentes indícios de discriminação (grande chavão para o politicamente correcto, mas apenas face a causas que lhe são queridas), de desvalorização da investigação independente nas academias americanas e mesmo de ostracismo de que Hoppe (e Rothbard) foi alvo.

Uma viagem à condição de quem opta pela independência e radicalidade da sua investigação. Independente, pois não se intimida em buscar as explicações que o poderoso bloco ideológico dominante se esforça por esconder ou atacar. Radical, dado que, pelo escrutínio racional diligente, se buscam as raízes dos problemas e os mais originais rasgos de resposta. Fica aqui a ligação para o fórum que Hoppe e Kinsella dinamizam.
Contra o cânone.

Para nós, esta é a viagem que vale a pena fazer. Mesmo.
Boas reflexões.


segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Democrático: o processo e o resultado

Foto: Reuters

Sem euforias, importa registar a importante vitória no referendo de ontem na Catalunha. E, não obstante as análises que se possam fazer do ponto de vista das contabilidades políticas e institucionais, é claro que a vitória que tem o sentimento de identidade e independência na sua base é inegável. E isso é de monta.
É um sinal promissor, especialmente porque foram várias as técnicas de condicionamento dos resultados. Fosse por parte do governo central espanhol, fosse pela elite dos tecnocratas europeus.
Ameaças de vária ordem visaram disciplinar esta vontade de mudança: fosse o congelamento de depósitos dos catalães pelo Banco Central espanhol, fossem as declarações e a conduta dúbia de instituições europeias. Ou a ameaça por parte do ministro dos negócios estrangeiros de que, caso o sim ganhasse, os catalães perderiam a nacionalidade espanhola.
Esta última é o exemplo de como, perante uma necessidade de mudança, quem tem medo de perder o poder o exerce de forma gratuita, neste caso mostrando como trunfo de negociação, como algo irrecusável e inquestionável, aquilo mesmo que importa questionar.
Nem a suspeita (entretanto negada) de que o Banco de Espanha teria retirado o ouro da Catalunha na última semana, chegou para perturbar a mente dos votantes.
Nada neste processo parece ter perturbado os democratas de causas nobres, sempre prontos a manifestar a sua indignação perante uma violação das liberdades democráticas.
A esses mestres do politicamente correcto importa perguntar: esta vontade, eleitoralmente confirmada, de secessão é democrática?

terça-feira, 14 de julho de 2015

Citação do dia (189)

Os homens, por natureza, revoltam-se contra a injustiça de que são vítimas. Assim, quando o roubo é organizado pela lei para o proveito daqueles que fazem a lei, todas as classes roubadas procuram, de algum modo, alcançar – por meio revolucionário ou pacífico – o poder de fazer a lei.
De acordo com o seu grau de discernimento, estas classes roubadas podem evidenciar um ou dois propósitos para o domínio do poder político: ou querem terminar esse roubo legalizado, ou querem ter parte nele. Condenada está a nação em que, entre as vítimas desse roubo legalizado, prevalece este último propósito e elas alcançam o poder de moldar a lei! Até isso acontecer, os poucos que praticam o roubo legal sobre a maioria, mantêm essa prática limitada àqueles que podem influenciar a lei. Mas, entretanto, a participação na elaboração da lei torna-se universal. E os homens procuram equilibrar os conflitos entre os seus interesses através do roubo generalizado e, em vez de eliminar as injustiças presentes na sociedade, estes homens generalizam a injustiça.
Assim que os grupos, que até aqui eram vítimas do roubo, ganham poder político, logo estabelecem um sistema pleno de retaliações face a outros grupos. Eles não destroem o anterior sistema de roubo legal, antes vão replicar os seus antecessores nesse roubo. Mesmo quando isso é contra os seus próprios interesses.

Frédéric Bastiat, "A Lei"

sexta-feira, 10 de abril de 2015

O nefando nexo entre "a guerra contra as drogas" e a "guerra global contra o terrorismo"

Sendo o título auto-explicativo, proponho-vos sem mais delongas a leitura do artigo de Adam Dick (minha tradução) aconselhando vivamente o seguimento dos links ("originais") inseridos no texto, particularmente o último de que se reproduz a imagem do seu cabeçalho.

Um excelente fim-de-semana!
8 de Abril de 2015
Por Adam Dick


Quando o presidente George W. Bush anunciou a “guerra global contra o terrorismo” em 2001, ele não teve de a começar do zero. De facto, o desenrolar da guerra do governo dos Estados Unidos contra as drogas, que o presidente Richard Nixon anunciara trinta anos antes, facilitou em muito a nova guerra de Bush. Duas revelações desta semana proporcionam novos exemplos do nexo existente entre as duas guerras.

Foto daqui

Primeiro foi Brad Heath, na quarta-feira, no USA Today, quem noticiou que, de 1992 até 2013, a agência americana Drug Enforcement Administration (DEA), registou e armazenou "praticamente todos" os telefonemas com origem na América tendo por destino uma longa lista de países. No seu pico, a recolha massiva incidiu nas chamadas telefónicas entre os EUA e mais de 100 países. Segundo o artigo, nos países que estiveram na lista "por diversas vezes", incluem-se a maioria dos da América do Sul, América Central e as Caraíbas, assim como o Canadá, México, Itália, Afeganistão, Paquistão, Irão e outros países na Europa, Ásia e África.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Em defesa das sweatshops

Um dos mais persistentes mitos, que perdura até hoje no Ocidente, consiste na vilificação do sistema económico que possibilitou o crescimento sustentado per capita, fenómeno desconhecido na História até às revoluções agrícola e industrial (por comodidade, digamos, antes de 1800).  Mais do que a Marx ou a Dickens, estou convicto que é ao "progressista" complexo ideológico-educativo estatal que cabem as maiores responsabilidades na manutenção desta nefasta porque errada leitura histórica. Perspectiva que transpõem para as sweatshops do século XXI quando estas são, afinal, o passaporte para uma prosperidade que de outro modo seria impossível (como sucedeu na migração para as cidades - e para as fábricas - do século XIX fugindo da miséria e morte prematura). Pouco mais de 10 minutos que creio valerem mesmo a pena (vídeo legendado em português europeu).


quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Citação do dia (152)

"O mais premente não é que o Estado ensine, mas que deixe ensinar. Todos os monopólios são detestáveis​​, mas o pior de todos é o monopólio da educação."

Frédéric Bastiat (in "Maudit Argent!", 1849)

Não é o capitalismo, é a cupidez

Na esteira do último post, um excerto, em minha tradução, do final do artigo ontem publicado de Juan Rámon Rallo (conviria lê-lo todo) a propósito da ladainha do "capitalismo selvagem" que segundo alguns (muitos) andaria por aí, nomeadamente na boca do Sr. Martin Schultz o qual, como sabemos, há muito manobra, de resto às escâncaras, com o fito na cadeira de Durão Barroso:
Infelizmente, o que é realmente "selvagem" no Ocidente não é o capitalismo, mas a cupidez e a sede de poder dos nossos políticos e dos grupos de pressão que aqueles servem. Longe de recuperar os saudáveis princípios liberais ​​em que floresceu e prosperou a Europa - a descentralização institucional, o comércio livre, o dinheiro honesto baseado no ouro, a baixa tributação, a livre concorrência dos mercados e, acima de tudo, a preocupação em colocar limites ao poder político - a casta política eurocrática está a impor aqueles antivalores que já levaram, em repetidas ocasiões, a que a Europa sucumbisse - a centralização imperial, o mercantilismo, o monopólio monetário de carácter inflacionário, a tributação confiscatória, o colete de forças intervencionista e corruptor dos mercados e, acima de tudo, a demolição da maioria dos contrapesos institucionais que contribuíram para restringir a expansão do poder político.

A liberdade e o bem-estar dos europeus passa necessariamente por reduzir e limitar fortemente os seus mastodônticos Estados, começando com o desmantelamento desse nocivo megaEstado da UE enxameado de políticos que, como Schulz, apenas sabem atribuir o fracasso do estatismo desbocado  de que padecemos a um inexistente capitalismo selvagem, com o propósito de continuar a parasitar a riqueza gerada pelas famílias e empresas europeias.

O nosso modelo deveria ser a pacífica, descentralizada e próspera Suíça, não o dos militaristas, centralistas e estatistas dos impérios napoleónico e bismarckiano. Liberdade de circulação para as pessoas, mercadorias e capitais, sim; burocracia estatal bruxelense, não.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Walter Williams: em defesa da liberdade, o recurso à secessão

O conflito entre os defensores da liberdade e aqueles que a ela se opõem quando insistem em submeter pela força os que a prezam, é, hoje, na análise de Walter E. Williams, insolúvel na América que conhecemos. Em sua opinião, o caminho possível, e desejável, é o da secessão pacífica por via da separação em estados onde nuns se viessem a acolher os defensores do controlo e administração das vidas privadas enquanto noutros se agrupassem os que se opõem veementemente ao actual (e crescente) intervencionismo estatal sufocante dos espíritos livres.

A tradução do artigo, intitulado Parting Company, é da minha  autoria com excepção do trecho transcrito de O Federalista, que segue a tradução de Viriato Soromenho-Marques e João C. S. Duarte (2ª Edição da Fundação Calouste Gulbenkian, 2011).
Eis uma questão que já formulei no passado e que necessita ser revisitada. A menos que se pretenda confundir e não esclarecer, ela tem por resposta um simples sim ou não. Se um grupo de pessoas prefere um forte controlo e administração governamentais das vidas das pessoas, enquanto outro grupo prefere a liberdade e pretende ser deixado em paz, deverão ser obrigados a entrar em conflito entre si correndo o risco de derramamento de sangue e perda de vidas de modo a impor as suas preferências ao outro grupo? Sim ou não. A minha resposta é não; eles devem ser capazes de se separar pacificamente e cada um deles seguir o seu caminho.

Walter E. Williams
O problema que a nossa nação enfrenta é muito parecido ao de um casamento em que um dos parceiros, de forma reiterada, ignora e quebra os votos matrimoniais. Além do mais, o parceiro transgressor não tem qualquer intenção de emendar o seu comportamento. É certo que o casamento pode permanecer intacto, enquanto uma parte tenta impor a sua vontade sobre a outra e se envolve na desonestidade sem escrúpulos e na retaliação. Ao invés da dominação ou da submissão por uma das partes, ou da violência doméstica, uma alternativa mais pacífica reside na separação.

Creio que a nossa nação chegou a um ponto em que existem demasiadas diferenças irreconciliáveis entre aqueles americanos que querem controlar outros americanos e aqueles americanos que querem ser deixados em paz que a separação é a única alternativa pacífica. Tal como num casamento onde os votos se quebraram, os nossos direitos garantidos pela Constituição dos EUA têm sido grosseiramente violados por um governo instituído para os proteger. Estas violações constitucionais têm aumentado independentemente de o controlo de Washington ter estado nas mãos dos Democratas ou nas dos Republicanos.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Citação do dia (149)

"Compelir um homem a subsidiar com os seus impostos a propagação de ideias em que ele não acredita e deplora é algo de pecaminoso e tirânico."
Thomas Jefferson

sábado, 28 de dezembro de 2013

Mises e a defesa da família

Minha tradução do texto de Llewellyn H. Rockwell, Jr., Mises on the Family, que muito fica a dever àquela outra levada a cabo por Leandro Roque. 
G. K. Chesterton dizia que a família era uma instituição anarquista. Queria ele dizer que a sua formação não depende de nenhuma acção do estado. A sua existência flui das realidades fixadas na natureza do homem, com a forma aperfeiçoada pelo desenvolvimento de normas sexuais e pelo avanço da civilização.

Esta observação é consistente com a brilhante discussão sobre a família que Ludwig von Mises levou a cabo na sua obra-prima Socialism [link], publicada pela primeira vez em 1922. Por que razão Mises abordou a família e o casamento num livro de economia que refutava o socialismo? Ele compreendeu - ao contrário do que sucede com muitos economistas de hoje - que os opositores da sociedade livre têm uma ampla agenda que normalmente começa com um ataque a esta absolutamente crucial instituição burguesa.

Imagem retirada daqui
"De há muito que propostas para transformar a relação entre os sexos andam de mãos dadas com planos para a socialização dos meios de produção", observa Mises. "O casamento é para desaparecer juntamente com a propriedade privada... O socialismo promete não apenas o bem-estar - riqueza para todos - mas também a felicidade universal no amor."

Mises observou que Woman and Socialism [link], de August Bebel [um dos fundadores do SPD alemão], um hino ao amor livre publicado em 1892, foi o panfleto esquerdista mais lido do seu tempo. Este elo de ligação do socialismo à promiscuidade tinha um propósito táctico. Acaso não se acreditasse na fantasia da prosperidade surgida de um passe de mágica, pelo menos poderia haver a esperança numa libertação da responsabilidade sexual e da maturidade.

Os socialistas propunham um mundo no qual não haveria impedimentos sociais ao prazer pessoal ilimitado, em que a família e a monogamia seriam os primeiros obstáculos a derrubar. Poderia este plano funcionar? Sem hipótese, sustentou Mises: o programa socialista para o amor livre é tão impossível quanto o seu programa económico. Ambos contrariam as restrições inerentes ao mundo real.

À boleia da mensagem do Grande Ditador

Disclaimers: a) nada me liga a Simon Black exceptuando o facto de ser um leitor diário do seu blogue Sovereign Man que muito aprendi a apreciar. Se hoje veiculo um seu conselho específico em matéria financeira é porque creio (para quem pode, claro) ser de elementar prudência segui-lo; b) não me parece que o país que Black refere como estando numa "tendência decrescente" seja Portugal.

Também eu, como várias vezes por aqui tenho feito eco, desconfio profundamente da exuberância que se continua a manifestar nos mercados bolsistas, accionistas e obrigacionistas, sem que descortine quaisquer fundamentos sólidos de um crescimento económico sustentado não assente em "estímulos" artificiais.  Não se cria riqueza imprimindo dinheiro ou pelo aumento do endividamento. Simon Black diz que já não escaparemos ao inferno em 2014. É dele a previsão, mas não a creio disparatada.

O texto que se segue é a minha tradução do artigo de ontem publicado no Sovereign Man:
Chile, 27 de Dezembro de 2013

Em Setembro de 1939, seis dias após o Reino Unido ter declarado guerra à Alemanha, Charlie Chaplin começou a rodar o que viria a ser um dos seus filmes mais épicos de sempre... e o primeiro filme sonoro da estrela do cinema mudo.

Tratava-se de um projecto corajoso - o "Grande Ditador" satirizava directamente Adolf Hitler.

No final do filme, Chaplin enfrentou a câmara e fez um discurso sobre princípios intemporais - a paz, o respeito mútuo, a liberdade de nos defendermos de homens perversos que aspiram a liderar nações.

Isto fez com que Chaplin não tivesse ganho amigos em Washington onde se ansiava pela manutenção da neutralidade oficial.

E pagou bem caro por isso - o Grande Ditador marcou o início de toda uma década de turbulentos problemas entre Chaplin e o governo dos EUA.

O director do FBI, J. Edgar Hoover, abriu um dossier sobre Chaplin e lançou uma campanha de difamação para manchar a sua imagem pública. Os principais meios de comunicação rapidamente ajudaram à "festa", ao acusarem Chaplin de ser um simpatizante comunista.

Acabariam por encontrar numa lei obscura um pretexto para o levar a tribunal e à prisão.

Chaplin ganhou o caso em julgamento... por pouco... mas acabou arrastado na  anti-comunista caça às bruxas do senador Joseph McCarthy.

Na sua autobiografia, Chaplin resume os seus problemas com o governo dos EUA:
"O meu prodigioso pecado foi, e ainda é, ser um não-conformista. Embora eu não seja um comunista, recusei-me a enfileirar-me nos que os odiavam... Em segundo lugar, opus-me à Comissão das Actividades Anti-Americanas - uma designação desonesta desde logo, suficientemente elástica para envolver o pescoço e estrangular a voz de qualquer cidadão americano cuja opinião honesta fosse minoritária."
Chaplin atingiu o ponto de ruptura quando, enquanto cidadão britânico, percebeu que seria de facto expulso da Terra dos Livres. Como ele escreveu,
"A minha reentrada naquele infeliz país teve pouca importância para mim. Gostaria de lhes ter dito que quanto mais cedo me livrasse daquela atmosfera sitiada de ódio , melhor, que eu estava farto dos insultos e da pomposicade moral da América e que todo o assunto foi terrivelmente entediante."
Ele levou a sua família para a Suíça e viveu o resto dos seus dias num cenário idílico, perto de Genebra.

Havia apenas um problema. A totalidade da substancial riqueza de Chaplin estava nos EUA. E ele esperou demasiado tempo - até ser exilado do país - para sequer pensar em colocar no estrangeiro algum capital.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Uma vasta conspiração bem real, desta vez não precedida de nenhuma "teoria"

Tenho, com frequência e não menos veemência, procurado fazer eco da atenção que se exige a todo o amante da liberdade para o progressivo caminhar em direcção a Estados de Vigilância cuja sofisticação e, sobretudo, abrangência indiscriminada fariam uma qualquer STASI ficar roxa de inveja. Tal como já tinha sucedido com o caso Manning, também Edward Snowden mereceu entre nós muito mais acinte que aplauso e, lamento dizê-lo, não apenas nos media do mainstream, o que já se esperaria, mas também na generalidade da blogosfera e, claro está, da esmagadora maioria da intelligentsia doméstica. Parece-me evidente existir uma relação entre a extrema leniência com que a cobertura destes casos foi tratada e tem sido tratada com o facto de o actual ocupante da Casa Branca ser quem é.

Ao nível dos estados europeus a hipocrisia com que têm tratado as revelações de Snowden é imensurável. Depois dos "arroubos" iniciais quanto ao carácter "intolerável" da espionagem levada a cabo pela NSA a residentes - e politicos! - desses países, eis que rapidamente se percebeu que realmente de meros arrufos se tratavam passadas umas semanas. Pois se até se ficou a saber que a NSA espiava por conta de serviços secretos europeus! Como de costume em matérias de "indignação", a França, pela voz do locatário do Eliseu, foi das primeiras e mais contundentes na retórica. Viu-se, agora mesmo, o que ela valia. Uma vergonha. (Ver, a propósito, o contundente e certeiro post de Gabriel Silva).

Perceba-se, de uma vez, que este não é um assunto próprio dos que se interessam pelo exotismo americano. Diz-nos respeito a todos, ou pelo menos àqueles que se opõem à servidão. Que este texto do juiz Andrew Napolitano possa contribuir para melhor esclarecer o que está em causa. Foi com esse intuito que o procurei traduzir.
«Os leitores desta página estão bem cientes das revelações que se foram sucedendo nos últimos seis meses sobre a espionagem levada a cabo pela Agência de Segurança Nacional (NSA). Edward Snowden, um ex-empregado de um fornecedor da NSA, arriscou a vida e a liberdade para nos informar da existência de uma conspiração governamental para violar o nosso direito à privacidade, um direito garantido pela Quarta Emenda.

Andrew P. Napolitano
A conspiração que ele revelou é vasta. Envolve o antigo presidente George W. Bush, o presidente Obama, membros dos seus gabinetes, cerca de uma dúzia de membros do Congresso, juízes federais, gestores e técnicos de empresas americanas de computadores servidores e de telecomunicações, e milhares de empregados da NSA e dos seus fornecedores que manipularam os seus companheiros de conspiração. Todos os conspiradores concordaram entre si que qualquer deles cometeria um crime caso revelasse a conspiração. O sr. Snowden violou esse acordo de modo a respeitar o seu juramento de ordem superior de defender a Constituição.

O objectivo da conspiração é o de emascular todos os americanos e muitos estrangeiros quanto ao seu direito à privacidade a fim de prever o nosso comportamento e tornar mais fácil encontrar aqueles que entre nós estão a planear provocar o mal.

Uma conspiração é um acordo entre duas ou mais pessoas para cometer um crime. Os crimes consistem na captura de mensagens de correio electrónico, SMS e telefonemas de todos os americanos, no seguimento dos movimentos de milhões de americanos e de muitos estrangeiros através do sistema GPS nos seus telemóveis, na apreensão dos registos bancários e das facturas dos serviços das utilities [electricidade, gás, água, etc.] da maioria dos americanos em violação directa da Constituição, e em pretender estar a agir no quadro da lei. O pretexto é que o Congresso de algum modo terá reduzido o padrão para definir espionagem que está estabelecido na Constituição. É, obviamente, inconcebível que o Congresso possa mudar a Constituição (só os estados o podem fazer), mas os conspiradores queriam fazer-nos acreditar que isso tivesse sucedido.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

The Man With the Plan

Não é de agora que Robert P. Murphy percebeu que o combate pela liberdade passa, necessária e nuclearmente, pela educação. Quando escreveu, em 2010, Lessons for the Young Economist (e respectivo livro do professor), era nisso que estava a pensar ao dirigir o seu esforço para a população pré-universitária. E que diferença abissal que ele representa para os miseráveis manuais de Economia ministrados no secundário! De algum modo, antecipou-se ao ambicioso Ron Paul Curriculum, agora em construção (com especial contributos de Gary North e Thomas E. Woods Jr.), que pretende abranger todos os graus de ensino, incluindo o "pré-escolar", até ao ingresso no ensino universitário. A Internet é, naturalmente, o canal privilegiado.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

A difícil relação do Papa Francisco com a Economia

está bem ilustrada nas palavras que se seguem do juiz Andrew Napolitano, em tradução minha, publicadas no Washington Times de ontem com o título Pope Francis should be saving souls, not pocketbooks ("O Papa Francisco devia estar a salvar as almas, não as carteiras"). Napolitano, um assumido membro da igreja católica romana, que lamenta em particular os caminhos que esta tomou no pós-Vaticano II, é duro mas piedoso para com Francisco. Por isso, vai rezar por ele.

Não sendo eu religioso (embora tenha há muito abandonado um implícito activismo ateísta), não posso evidentemente negar a matriz judaico-cristã da civilização ocidental que nos marca e a importância, a que devemos reverência, em justa medida, da Tradição. Não há, ou não creio que haja, qualquer contradição no reconhecimento deste facto e na simultânea defesa vigorosa da livre interacção entre as pessoas. É este o aspecto que mais me interessa neste artigo (como também já sucedera aqui). Regressarei em breve ao tema a propósito de um excerto da encíclica Rerum Novarum, de 1891, que João Miguel Tavares esta semana recordava.
Qual é o problema mais grave no mundo de hoje? Será que é a guerra, a fome, o genocídio, a violência sectária, o assassinato, a matança de bebés no útero? Qualquer uma destas respostas seria considerada racional. Quando recentemente fizeram esta pergunta ao papa Francisco, ele respondeu: "O desemprego dos jovens".

Andrew P. Napolitano
É evidente que o desemprego entre os jovens é um problema sério. Em algumas regiões dos Estados Unidos, o país mais rico do mundo, atingiu os 25%. Estas são pessoas que já não frequentam a escola a tempo inteiro e ainda não têm 30 anos de idade. É um problema para eles e para as suas famílias, para as suas comunidades e para os estados sociais que os estão sustentando. Será este, todavia, o pior problema no mundo? Será um problema da Igreja Católica Romana? Será algo para o qual o papa tem competência para comentar ou resolver?

Os comentários do papa ao desemprego dos jovens foram recentemente retirados do site do Vaticano. Mal isso sucedeu, logo o Santo Padre fez publicar a sua primeira exortação apostólica - uma doutrina papal formal, por oposição aos agora famosos comentários feitos de improviso na parte de trás de um avião mas porém feitos on-the-record -.

A sua exortação diz respeito à economia e revela uma ignorância perturbadora. Digo isso com respeito e deferência. Digo isso também como um católico romano tradicionalista que lamenta a diluição pós-Vaticano II de tradições sagradas, do enfraquecimento do ensinamento moral e da trivialização das práticas litúrgicas. Digo igualmente isto, porém, como um firme crente de que o Papa Francisco é o Vigário de Cristo na Terra e, como tal, personifica a autoridade magisterial da Igreja. Ele é moral e juridicamente capaz de falar ex cathedra - isto é, de modo infalível - mas apenas após exame e depuração dos ensinamentos tradicionais da Igreja e somente em matérias que afectem a fé e a moral.

Graças a Deus, por assim dizer, que a sua autoridade de magistério está limitada à fé e à moral, porque em matéria de economia, ele anda bem longe do alvo.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Citação do dia (147)

Aqueles que querem "distribuir a riqueza" quase invariavelmente  procuram concentrar o poder. Isso acontece com demasiada frequência, e em demasiados países diferentes pelo mundo fora, para que seja uma coincidência. O que é mais perigoso? As desigualdades na distribuição da riqueza ou a concentração do poder?
Thomas Sowell (in Random Thoughts, minha tradução)