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sexta-feira, 9 de maio de 2014

Sistema educacional e falência moral

Coisas deste tipo (como deste) têm vindo a reproduzir-se como uma praga infestante cujo único antídoto - o garrote financeiro - não descortino coragem para fazer accionar. Um dos produtos resultantes é um certo tipo de jornalismo (?), de que o extraordinário Público é um expoente, como novamente se evidenciou na edição de hoje em mais uma extraordinária peça. Salvaguardadas algumas proporções (embora sem exagerar), foi a leitura de uma "experiência educativa" no New York Times Magazine que levou Thomas Sowell a escrever o artigo que me propus traduzir. É a minha forma - oblíqua, é certo - de me afastar do unanimismo, explícito e implícito, à "obra" de Veiga Simão e seus seguidores. 
7 de Maio de 2014
Por Thomas Sowell
Falência Moral

Caso se pretenda ficar com uma ideia da falência moral do nosso sistema educacional, é ler um artigo da edição de 4 de Maio da New York Times Magazine, intitulado "A História de Duas Escolas".

Thomas Sowell
O artigo não endereça o tema da falência moral. Mas é ele próprio um exemplo da falência moral que está por trás dos muitos falhanços da educação na América de hoje.

Alguém teve a brilhante ideia de pôr em contacto crianças de uma escola secundária pública de uma zona habitacional de pessoas de baixo rendimento no Bronx com crianças de uma escola secundária privada cujo custo de frequência ascende a 43 mil dólares anuais.

Quando os jovens de origem social modesta visitaram a escola privada chique "ficaram simplesmente esmagados”, de acordo com o New York Times. Uma criança correu pelo campus fora a chorar. Aparentemente, as outras sentiram-se “profundamente desencorajadas com as suas próprias circunstâncias".

Que tipo de bem terreno obtiveram estes jovens com esta experiência? Felizmente que ninguém se mostrou suficientemente insensível para me levar a uma excursão a uma escola particular chique durante o tempo em que eu crescia no bairro de Harlem.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

A fraude da discriminação de género no trabalho

Um dos filões, aparentemente inesgotável, que vem alimentando o intervencionismo estatal é o de uma espécie de meta-guerra perpétua à discriminação onde têm cabido as “causas fracturantes” (muito caras à esquerda caviar e às franjas chiques dos partidos do poder) e, muito em especial, a vastíssima discriminação pelo sexo de género. O recurso ao vocábulário bélico não é em vão. Usando por aferidor o Google, até aqui têm sido pouco mais que esporádicas entre nós as referências à “guerra contra as mulheres”; mas talvez não esteja enganado em antever uma próxima vaga de fundo no Rectângulo. É que do outro lado do Atlântico uma busca por “war on women” devolveu-me 29,8 milhões de resultados. E este resultado não é alheio – é mesmo um dos temas que está a dar nos dias de hoje na América - o apadrinhamento que tem recebido do inquilino da Casa Branca.

O Prof. Mark Perry – que aborda regularmente este tema - há um par de semanas que se vem dedicando a desmontar com denodo uma suposta discriminação salarial de género contra a qual Obama se insurge e pretende combater (o seu post de ontem é particularmente revelador). Tal como Perry, também Thomas Sowell acusa Obama de fraude estatística nesta "guerra". Daí o título do seu artigo de ontem – Statistical Frauds. A mim, confesso, interessa-me bem mais a componente lógica da sua argumentação resumida no convite com que termina o seu artigo e que me motivou a publicar uma sua tradução de minha exclusiva responsabilidade.
15 de Abril de 2014
Por Thomas Sowell

Fraudes estatísticas

A "guerra contra as mulheres" é um slogan político que, na realidade, é uma guerra contra o senso comum.

É a uma fraude estatística que Barack Obama e outros políticos recorrem quando afirmam que as mulheres ganham apenas 77% do que os homens auferem - e que isso se deve à discriminação.

Thomas Sowell
Tratar-se-ia certamente de discriminação se as mulheres fizessem o mesmo trabalho que os homens, durante o mesmo número de horas, com a mesma formação e experiência, e se fossem também iguais nas restantes coisas. Porém, ao longo das últimas décadas, estudos sucessivos têm repetidamente mostrado que não são iguais nessas coisas.

A repetição constante da estatística dos "77%" não altera essa realidade. Apenas tira partido da ignorância de muitas pessoas - algo em que Barack Obama tem sido muito bom em muitos outros temas.

E se se comparassem as mulheres e os homens que são iguais em todas as características relevantes?

Em primeiro lugar, isso raramente é possível porque as estatísticas necessárias nem sempre estão disponíveis para todo o leque de actividades profissionais e para a gama completa de diferenças entre os padrões das mulheres e dos homens no mercado de trabalho.

domingo, 9 de março de 2014

Citação do dia (156)

"É provável que o maior mito relativo aos mercados advenha da sua própria denominação. Temos tendência a pensar num mercado como se de uma coisa se tratasse quando, de facto, respeita às pessoas que se envolvem em transacções económicas nos termos e modalidades em que mutuamente acordam. Neste sentido, é possível contrastar um mercado com o planeamento central ou a regulação governamental. Com demasiada frequência, todavia, quando um mercado é percepcionado como sendo uma coisa, é considerado como um mecanismo impessoal, quando na realidade é tão pessoal quanto as pessoas que nele participam. Esta concepção errónea permite que terceiros procurem retirar a liberdade às pessoas para transaccionar entre si nos termos que mutuamente acordarem, e apresentar essa restrição à sua liberdade como se tratasse de resgatar as pessoas dos "ditames" do mercado impessoal, quando, na verdade, isso corresponderia a submetê-las aos ditames de terceiros."

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Citação do dia (148)

"One of the sad signs of our times is that we have demonized those who produce, subsidized those who refuse to produce, and canonized those who complain."

Thomas Sowell

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Citação do dia (147)

Aqueles que querem "distribuir a riqueza" quase invariavelmente  procuram concentrar o poder. Isso acontece com demasiada frequência, e em demasiados países diferentes pelo mundo fora, para que seja uma coincidência. O que é mais perigoso? As desigualdades na distribuição da riqueza ou a concentração do poder?
Thomas Sowell (in Random Thoughts, minha tradução)

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

A "novidade" das coisas velhas

Tenho dedicado vários posts à reforma no sector da saúde que constituiu a maior bandeira eleitoral de Obama - o "Affordable Care Act" ou, no seu petit nom, "Obamacare". A mastodôntica extensa regulamentação associada e os efeitos que está já a provocar fazem do Obamacare um verdadeiro case study, de que temos tido o "privilégio" de testemunhar a secular lógica estatista e os padrões da  sua metastização.

Foi com esse propósito que procurei traduzir o recente artigo de Thomas Sowell - "An Old 'New' Program".
Thomas Sowell
Como tantas coisas que parecem novas, o ObamaCare [1] é, sob múltiplas formas, vinho velho em garrafas novas.

Por exemplo, quando confrontado com o facto de, em consequência do ObamaCare, milhões de americanos poderem perder o seu actual seguro de saúde, os seus defensores dizem que isso só é verdade quando aquelas pessoas estão "sub-seguradas" [com menores coberturas que o "padrão" mínimo que a nova legislação tornou obrigatório para as apólices de seguros de saúde].

Quem decide o que é um "sub-padrão"? Haverá algo mais velho do que a ideia que uma elite exaltada sabe o que é bom para nós, melhor do que nós próprios? Obama usa a retórica do "para a frente", mas ele está de facto a andar para trás, recuando a uma época em que déspotas diziam a todos o que era e o que não era melhor para eles.

O ObamaCare é igualmente velho de uma outra forma. Um dos motivos fundamentais que explica por que os seguros médicos privados se tornaram tão caros é que os políticos, estado após estado, têm vindo a impor quais as coberturas que estes seguros devem abranger, independentemente do que as pessoas pretendam.

Um seguro de cobertura total, que abranja desde tratamentos para a calvície até operações para mudança de sexo, é muito mais caro do que um seguro que apenas cubra as doenças graves que podem absorver as poupanças de uma vida. Agora [com o ObamaCare] essas obrigatoriedades passaram do plano dos estados para o plano federal.

O seguro é um contrato para lidar com riscos É uma forma cara e contraproducente para pagar coisas que não são riscos - como os checkups anuais, que se sabe antecipadamente que irão ocorrer em cada ano.

O seu checkup anual não custa menos pelo facto de ser coberto pelo seguro. Na verdade, até custa mais, porque a pessoa segurada tem que pagar prémios que abranjam não apenas o custo do próprio checkup, como também os custos administrativos da empresa seguradora.

Se o seguro automóvel cobrisse o custo de pagamento das mudanças de óleo, isso tornaria as mudanças de óleo mais baratas ou mais caras? Obviamente mais caras, uma vez que mais pessoas teriam que ser pagas para se envolverem na transacção, em vez de, simplesmente, se pagar directamente do bolso de cada um [proprietário de uma viatura] às pessoas que lhe mudaram o óleo.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Sowell: Janet Yellen faz as perguntas certas mas dá as respostas erradas

Thomas Sowell é uma referência frequente por estas bandas ainda que eu nem sempre concorde integralmente com ele (por vezes, até discordo em absoluto). No entanto, a sua lucidez aliada a uma invulgar capacidade para colocar ao alcance do leigo questões que outros procuram furiosamente obfuscar, alegando que a complexidade exige a utilização de um linguajar inintelegível, a clareza dos seus textos é admirável. Como exemplar é o seu exercício permanente de fact-checking como forma de sustentar a sua argumentação e daí o recurso frequente que faz à análise dos factos históricos.

No texto que assina hoje na Townhall a propósito da indicação de Janet Yellen para chairman do Fed, escolheu para o seu título uma pergunta: "A Return to Keynes?". Há fortes razões para supor que a resposta seja afirmativa (como Ron Paul também o assinala) embora o simples exame histórico contemporâneo - revisitando mitos extraordinariamente resilientes - devesse ser suficiente para que o keynesianismo fosse morto e enterrado. De vez. Como pelo contrário assistimos ao seu constante ressurgimento, talvez a resposta possa estar em que mais que o keynesianismo seja o estatismo a doença cancerígena de que padecemos e cujas metástases não param de crescer, pelo menos nos países ocidentais (que vêm pagando com o seu secular declínio).

Como é habitual, a tradução é da minha responsabilidade.
"A nomeação de Janet Yellen para chefiar o Sistema de Reserva Federal desencadeou uma onda de histórias nos media. Uma vez que ela será a primeira mulher a ocupar esse cargo, apenas podemos que isso não vá significar que qualquer crítica ao que ela venha a fazer não seja atribuída a discriminação sexual ou a uma "guerra contra as mulheres".

A Reserva Federal tornou-se num jogador determinante na economia americana que necessita de muito mais escrutínio e crítica do que tem recebido, independentemente de quem a lidera.

Janet Yellen, um ex-professora de economia em Berkeley, proclamou abertamente as suas opiniões sobre política económica, opiniões que merecem uma análise muito cuidadosa. Ela pergunta: "Será que as economias capitalistas funcionam no pleno emprego, na ausência de uma intervenção permanente e rotineira [por parte do Estado]?" E ela responde: "Claro que não".

Janet Yellen representa o tipo de keynesianismo económico que em tempos foi amplamente dominante no domínio teórico e na política económica como se se tratasse de uma religião nacional - até encontrar duas coisas: Milton Friedman e a estagflação da década de 1970.

No auge da influência keynesiana, acreditava-se que os decisores políticos governamentais poderiam escolher um judicioso trade-off [uma solução de compromisso] entre a taxa de inflação e a taxa de desemprego. A este trade-off foi dado o nome de Curva de Phillips, em homenagem a um economista da London School of Economics [que desde então nunca mais se ouviu falar...].

O professor Milton Friedman, da Universidade de Chicago, atacou a Curva de Phillips, nos planos teórico e empírico. Quando o professor Friedman recebeu o Prémio Nobel de Economia - o primeiro de muitos a ir para os economistas de Chicago, que eram os principais críticos da economia keynesiana - pareceu que a ideia da existência de um trade-off entre a taxa de inflação e a taxa de desemprego tivesse sido abandonada.

O descrédito último da teoria da Curva de Phillips foi o aumento da inflação e do desemprego, em simultâneo, na década de 1970, no que veio a ficar conhecido por "estagflação" - uma combinação de inflação crescente e de uma economia estagnada, com elevado desemprego.

Não obstante, os economistas keynesianos encenaram um regresso político durante a administração Obama. A nomeação de Janet Yellen para dirigir a Reserva Federal é o exemplo que coroa aquele regresso.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

A demência do salário mínimo - parte II

Continuação do artigo de Thomas Sowell publicado no dia 17 de Setembro na Townhall (1ª parte):
Thomas Sowell
Os resultados de um inquérito levado a cabo junto de economistas norte-americanos mostraram que 90% deles consideraram que as leis do salário mínimo conduzem ao aumento da taxa de desemprego entre os trabalhadores menos qualificados. A inexperiência é, frequentemente, o problema. Apenas cerca de 2% dos americanos com mais de 24 anos de idade ganhava o salário mínimo.

Os defensores das leis do salário mínimo justificam normalmente o seu apoio a essa legislação pelas suas estimativas de quanto "necessita" um trabalhador de modo a que tenha "um salário digno", ou pela utilização de um qualquer outro critério que preste pouca ou nenhuma atenção ao nível de saber-fazer do trabalhador, à experiência ou à produtividade geral. Deste modo, não é de estranhar que as leis de salário mínimo fixem salários que expulsam muitos jovens do mercado de trabalho.

O que é surpreendente é que, apesar da acumulação de evidências ao longo dos anos dos efeitos devastadores das leis do salário mínimo sobre as taxas de desemprego dos adolescentes negros, os membros do Conclave dos Congressistas Negros (CBC) continuem a votar a favor de tais leis.

Certa vez, há anos atrás, durante uma discussão confidencial com um membro do CBC, perguntei-lhe como era possível que eles apoiassem as leis do salário mínimo.

A resposta que obtive foi que os membros do CBC faziam parte de uma coligação política e, como tal, eram supostos votar a favor das iniciativas que os outros membros da coligação pretendessem, tais como as leis de salário mínimo, para que dessa forma os outros membros da coligação viessem a votar favoravelmente as iniciativas pretendidas pelo CBC.

Quando perguntei o que poderiam os membros negros do Congresso obter em troca do apoio às leis do salário mínimo que compensasse sacrificar gerações inteiras de jovens negros a enormes taxas de desemprego, a discussão terminou rapidamente. Talvez tenha sido veemente quando fiz aquela pergunta.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

A demência do salário mínimo

Em resposta a mais uma investida dos proponentes de leis (federais e estatais) fixando salários mínimos obrigatórios mais elevados para "estimular" a economia americana, Thomas Sowell vem, mais uma vez demonstrar a sua insustentabilidade lógica e até mesmo empírica no seu artigo - "Minimum Wage Maddness". Como por várias vezes tenho assinalado neste blogue, Sowell é uma personagem muito perigosa para os defensores do "politicamente correcto" e para todos aqueles que tomam os desejos por realidades.  A par com Walter Williams, é negro, nasceu pobre, teve de interromper os estudos e começar a trabalhar em empregos modestos (mais do que um em simultâneo) conseguindo por fim chegar à universidade e ser de há muito hoje uma das referências intelectuais mais marcantes nos Estados Unidos. Já publicou bem para cima de 30 livros (lista).

Que ele possa ajudar a combater uma das mais persistentes falácias que, embora mil vezes já refutada, sempre "regressa" fazendo tábua rasa da lógica e das terríveis consequências da sua aplicação. (A tradução que se segue do artigo citado é da minha responsabilidade.)
Thomas Sowell
As cruzadas políticas pelo aumento do salário mínimo estão novamente de volta. Os defensores de leis sobre o salário mínimo atribuem frequentemente a si próprios o crédito de terem mais "compaixão" para com "os pobres". Mas raramente se preocupam em verificar quais são as consequências reais da aplicação de tal legislação.

Um dos mais simples e mais fundamentais princípios económicos é que as pessoas tendem a comprar mais quando o preço é mais baixo e menos quando o preço é mais elevado. No entanto, os defensores da legislação sobre o salário mínimo parecem pensar que o governo pode aumentar o preço do trabalho sem reduzir a quantidade de trabalho que virá a ser contratada.

Quando passamos dos princípios económicos aos factos concretos, o caso contra a legislação sobre o salário mínimo é ainda mais forte. Os países com legislação sobre o salário mínimo, quase invariavelmente, têm maiores taxas de desemprego do que os países que a não têm.

A maioria dos países tem hoje leis do salário mínimo, mas nem sempre assim aconteceu. As taxas de desemprego foram muito inferiores em locais e tempos em que não havia leis do salário mínimo.

A Suíça é uma das poucas nações modernas que não tem uma lei do salário mínimo. Em 2003, a revista "The Economist" relatava: "o desemprego na Suíça aproximou-se de um máximo de cinco anos ao atingir 3.9% em Fevereiro". Em Fevereiro do corrente ano, a taxa de desemprego na Suíça foi de 3.1%. Uma recente edição da "The Economist" evidenciava uma taxa de desemprego na Suíça de 2.1%.

A maioria dos americanos hoje nunca viu taxas de desemprego tão baixas. No entanto, houve um tempo em que não havia lei federal do salário mínimo nos Estados Unidos. A última vez que tal ocorreu foi durante a administração Coolidge [Agosto de 1923 a Março de 1929], quando a taxa de desemprego anual chegou a um valor tão baixo como 1.8%. Quando Hong Kong era uma colónia britânica, não havia lei do salário mínimo. Em 1991, a taxa de desemprego era de menos de 2%.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

O quadro mental da esquerda (4)

Termino hoje a publicação da Parte IV (depois das Partes I, II e III) da série de artigos assinados por Thomas Sowell, sob o título The Mindset of the Left que pedi emprestado para encimar os quatro posts das respectivas traduções que entendi poderem ser interessantes aos leitores deste blogue.

Nesta derradeira parte, Sowell evoca a sua experiência pessoal para ilustrar, através de um exercício contrafactual - simples, mas poderoso - como as políticas "abelhudas/metediças" da esquerda (o mesmo é dizer, da esmagadora maioria da intelligentzia) acabam quase invariavelmente por produzir resultados opostos àqueles inicialmente propagandeados. 

No cerne da visão da esquerda do mundo está a suposição implícita de que mentes nobres e magnânimas - como as dos seus defensores e intérpretes - podem tomar melhores decisões relativamente às outras pessoas do que essas pessoas podem alcançar por si próprias.

Esta arbitrária e infundada asserção está subjacente ao vasto espectro de leis e políticas criado ao longo dos anos, que vai desde a reabilitação urbana ao ObamaCare.

Uma das muitas cruzadas internacionais levadas a cabo pelos "abelhudos" ["busybodies"] da esquerda tem sido a de exercer pressão para limitar as horas de trabalho das pessoas de outros países - especialmente dos países mais pobres - em negócios operados por empresas multinacionais. Um grupo de acompanhamento internacional assumiu a tarefa de assegurar que as pessoas na China não trabalhem mais que as 49 horas semanais legalmente prescritas.

Por que razão grupos de acompanhamento internacionais, dirigidos por americanos ou europeus ricos, poderiam imaginar saber o que é melhor para as pessoas que são muito mais pobres do que eles, e com muito menos opções à sua disposição, é um dos muitos mistérios da elite abelhuda.

Como alguém que saiu de casa aos 17 anos de idade, sem diploma do ensino secundário, sem experiência de trabalho e sem competências específicas, passei vários anos aprendendo da maneira mais difícil o que é realmente a pobreza. Um dos tempos mais felizes durante esses anos foi um breve período em que eu trabalhava 60 horas por semana - 40 horas entregando telegramas durante o dia e 20 horas de trabalho a tempo parcial numa oficina durante a noite.

Por que estava eu feliz? Porque, antes de ter encontrado esses empregos, eu tinha despendido semanas desesperadamente à procura de um qualquer emprego, enquanto as minhas parcas economias minguavam, literalmente, até ao meu último dólar, até ter finalmente encontrado o emprego a tempo parcial, à noite, na oficina mecânica.

Eu tinha que andar vários quilómetros da pensão onde morava no Harlem até à oficina  que ficava logo abaixo da ponte de Brooklyn, de modo a poupar até ao último dólar para comprar pão à espera que chegasse o dia de pagamento.

Quando depois encontrei um emprego a tempo inteiro para entregar telegramas durante o dia, o dinheiro conjunto dos dois empregos era mais do que eu alguma vez antes tinha conseguido. Eu pude pagar a renda em atraso que estava a dever pelo meu quarto, e comer e andar de metro na ida e volta do trabalho.

Eu consegui até mesmo pôr algum dinheiro de lado, por precaução, para acorrer a uma hipotética dificuldade futura. Foi a coisa mais próxima do nirvana para mim.

Graças a Deus que não houve abelhudos que me impedissem de trabalhar mais horas do que eles achassem que eu deveria trabalhar.

domingo, 7 de julho de 2013

O quadro mental da esquerda (3)

Continuando a divulgar a série de artigos assinados por Thomas Sowell relativa à explicitação do "Quadro mental da esquerda" (Partes I e II), chega a vez de o autor se pronunciar sobre a grande bandeira da esquerda da batalha da "desigualdade" (o que faz a meu ver de forma sinteticamente admirável), constrastando a retórica inflamada com os resultados concretos de perto de mais de 2 séculos de história e mesmo após o fragoroso colapso dos países comunistas. E porém, apesar dos mais abjectos fracassos e da dimensão sem par dos crimes cometidos, a retórica da  esquerda persiste. Em particular onde antes se reconhecia "The Land of the Free". The Mindset of the Left: Part III .
"O problema fundamental da esquerda política parece residir no facto de o mundo real não se encaixar nos seus preconceitos. Por isso ela vê o mundo real como estando errado nele identificando o que necessita ser mudado uma vez que, aparentemente, os seus preconceitos não podem estar errados.

Thomas Sowell
Uma fonte interminável de injustiças para a esquerda reside no facto de que alguns grupos estarem "sobre-representados" em profissões desejadas​​, instituições e escalões de rendimentos, enquanto outros grupos estão "sub-representados".

De toda a indignação e revolta com que isto é expresso pela esquerda, poder-se-ia pensar que fosse impossível que grupos diferentes pudessem ser simplesmente melhores a fazer coisas diferentes.

E todavia os corredores do Quénia continuam a ganhar uma parcela desproporcional das maratonas nos Estados Unidos, e as crianças cujos pais ou avós vieram da Índia têm vencido a maioria dos concursos americanos de ortografia nos últimos 15 anos. E será que há alguém que não se tenha ainda dado conta que há anos que os principais jogadores profissionais  de basquetebol são negros, num país onde a maioria da população é branca?

A maioria das lentes fotográficas líderes do mundo têm - há gerações - sido projectadas por pessoas japonesas ou alemãs. A maioria dos líderes mundiais no corte de diamantes têm sido ou os jainistas da Índia ou os judeus de Israel ou de outros lugares.

Não só as pessoas mas também as coisas têm sido manifestamente desiguais. Mais de dois terços de todos os furacões no mundo inteiro ocorrem no centro dos Estados Unidos. A Ásia tem mais de 70 picos montanhosos de altitude superior a 6000 metros e a África não tem um único. Constituirá notícia o facto de que uma parcela desproporcional de todo o petróleo do mundo se situar no Médio Oriente?

Livros inteiros poderiam ser escritos acerca dos desiguais comportamentos ou desempenhos das pessoas, ou acerca das desiguais configurações geográficas em que raças inteiras, nações e civilizações se desenvolveram. No entanto, os preconceitos da esquerda política marcham intrépidos, proclamando razões sinistras para justificar o facto de os resultados não serem iguais entre as nações como no seio de cada nação.

sábado, 6 de julho de 2013

O quadro mental da esquerda (2)

Em continuação de O quadro mental da esquerda, apresento agora uma tradução da 2ª parte da série de artigos que Thomas Sowell publicou recentemente nos últimos dias sobre o tema. Depois de na Parte I se ter debruçado sobre a origem histórico-filosófica da "apropriação" da condição "natural" do exercício de poder por parte da esquerda ("justificada" por Rousseau), Sowell aborda agora um tema essencial: o da pobreza ou, mais exactamente, da constante redefinição do seu conceito para, numa lógica aparelhística, diabólica e feroz, promover a incessante "necessidade" de intervenção política. Em paralelo, ilustra os múltiplos exemplos de importantes grupos sociais e étnicos que, profundamente desconfiados dos governos, conseguiram escapar à armadilha da pobreza e alcançarem a ascensão social e o correspondente aumento de bem-estar. Para Sowell, a palavra-chave é uma: trabalho.
"Os líderes da esquerda em muitos países têm promovido políticas que permitem aos pobres ficarem mais confortáveis na sua pobreza. Mas isso levanta uma questão fundamental: quem são os "pobres"?

Thomas Sowell
Se se usar uma definição burocrática da pobreza de modo a incluir todos os indivíduos ou famílias abaixo de um certo nível de rendimento arbitrariamente estabelecido pelo governo, então é fácil obter os tipos de estatísticas acerca dos "pobres" que são armas de arremesso veiculadas nos media e na política. Mas traduzirão essas estatísticas uma relação estreita com a realidade?

A "pobreza" já teve em tempos um significado concreto - uma quantidade insuficiente de comida para ingerir, ou vestuário ou abrigo insuficientes para proporcionar protecção contra os elementos, por exemplo. Hoje significa o que os burocratas do estado, que definiram os critérios estatísticos, escolherem fazer significar. E eles têm todo o incentivo para definir a pobreza de uma forma que inclua suficientes pessoas para justificar a despesa do estado social.

A maioria dos americanos com rendimentos abaixo do nível oficial de pobreza tem ar condicionado, televisão, possui um veículo automóvel e, longe de passar fome, os seus membros são mais prováveis do que outros americanos de vir a sofrer de excesso de peso. Mas uma definição arbitrária de palavras e números dá-lhes acesso ao dinheiro dos contribuintes.

Este tipo de "pobreza" pode facilmente tornar-se um modo de vida, não apenas para os "pobres", mas para os seus filhos e netos.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

O quadro mental da esquerda (1)

Thomas Sowell, em The Mindset of The Left ("O Quadro Mental da Esquerda") oferece um explicação para o entendimento da persistência de tantos mitos, sucessivamente refutados para sempre re-emergirem. A história pessoal de Sowell, um negro de origens muito humildes que todavia se viria a tornar num dos intelectuais de direita mais importantes da sociedade americana, torna-o bem habilitado para o efeito. Este é o primeiro de uma série de artigos que procurarei traduzir tentando com isso alargar o âmbito possível dos leitores. Mas, como frequentemente repito, nada como ler o original. Talvez possa mesmo ser um contributo para entender a inexistência de uma direita nos países ocidentais e, desde logo, em Portugal.
"Quando os vândalos adolescentes são designados de "jovens problemáticos" pelas pessoas situadas no quadrante político à esquerda, isso diz-nos mais sobre a mentalidade da esquerda do que sobre estes jovens arruaceiros.

São raros os vestígios de provas de que os vândalos sejam seres perturbados e, frequentemente, há amplas evidências de que eles estão de facto se divertindo enquanto criam problemas e perigos aos outros.

Porquê então a desculpa pré-fabricada, de designar os criminosos juvenis de "jovens problemáticos" enquanto os assassinos em massa são simplesmente considerados "insanes"?

Desde pelo menos o século XVIII que a esquerda se tem esforçado para evitar enfrentar o simples facto do mal - que algumas pessoas muito simplesmente optam por fazer coisas que elas sabem ser erradas quando as cometem. Todos os tipos de desculpas, da pobreza a uma infância infeliz, são utilizados pela esquerda para explicar e desculpar o mal.

Todas as pessoas que conseguiram sair da pobreza ou de infâncias infelizes, ou de ambas, e se tornam seres humanos decentes e produtivos, são ignoradas. Tal como acontece quando aos males cometidos por pessoas criadas no seios da riqueza e do privilégio, incluindo reis, conquistadores e senhores de escravos.

Por que razão o mal tem sido um conceito tão difícil de aceitar para muitos na esquerda? A agenda básica de esquerda é mudar as condições externas. Mas e se o problema for interno? E se o problema real for a perversidade dos seres humanos?

Rousseau negou isto no século XVIII e a esquerda tem vindo a negá-lo desde então. Porquê? Por autopreservação.

Se as coisas que a esquerda quer controlar - as instituições e as políticas governamentais - não forem os factores mais importantes na origem dos problemas do mundo, então qual o é papel que sobra para a esquerda?

terça-feira, 28 de maio de 2013

Desfazendo as lavagens ao cérebro aos universitários

Para conseguir anular o ideário politicamente correcto veiculado na generalidade das universidades, a proposta de Thomas Sowell, em Undoing the Brainwashin, é "simples": levando-os a leituras selectivas e decisivas. Não podendo falar por experiências de vida que não a minha, não escondo o meu cepticismo quanto à possibilidade de a "receita" fornecida poder chegar ao grosso da população universitária (e com certeza que o mesmo se passará com Sowell). A única batalha que poderá fazer a diferença centra-se na intelectualidade e essa "avança" (ou recua) de uma forma, a meu ver muito semelhante, à que Thomas Kuhn descreve em A Estrutura das Revoluções Científicas - por "paradigmas". De qualquer modo, pelo menos para a pequena comunidade que frequenta estas paragens, parecem-me úteis as referências de Thomas Sowell que já incluí (quase todas) no meu pipeline de leituras futuras. A tradução é minha.
Nesta altura do ano, com o regresso a casa dos estudantes universitários para as férias de Verão, muitos pais poderão aperceber-se de quantas ideias politicamente correctas os seus filhos adquiriram no campus. Alguns desses pais poderão perguntar-se sobre como anular algumas das lavagens ao cérebro que se tornaram tão comuns no que são supostas ser instituições de ensino superior.

A estratégia utilizada pelo general Douglas MacArthur, que tanto êxito obteve no Pacífico durante a Segunda Guerra Mundial, pode ser útil neste bem diferente tipo de batalha. O General MacArthur conquistou as suas vitórias, minimizando as vítimas - algo que também é desejável nos confrontos de ideias no seio da família.

Em vez de combater os japoneses em cada uma das ilhas-fortaleza à medida que os norte-americanos avançavam em direcção ao Japão, MacArthur enviou as suas tropas em batalha apenas para aquelas ilhas que eram estrategicamente cruciais. Com o mesmo espírito, os pais que pretendam conseguir devolver os seus endoutrinados filhos à realidade não necessitam de tentar combater cada uma das ideias loucas que lhes foram transmitidas pelos seus professores politicamente correctos. Bastará demolir algumas crenças cruciais, expondo o seu absurdo, para que possam desferir um golpe na credibilidade geral dos professorais flautistas [alusão à personagem dos irmãos Grimm].

quinta-feira, 9 de maio de 2013

A novilíngua e a tentativa de destruição da faculdade de pensar

Thomas Sowell, em artigo ontem publicado sob o título Words That ReplaceThought, discorre sobre o ataque cerrado a que está sujeita a faculdade de pensar. Ainda que o conteúdo do seu texto verse especialmente a realidade americana, creio não estar muito distante, observadas as devidas proporções, do que por aqui venho classificando de "pensamento mágico". Por esse motivo, pareceu-me poder ser interessante proporcionar uma tradução do seu texto (como habitualmente, da minha responsabilidade).
Thomas Sowell
Se alguma vez vier a ocorrer uma competição de palavras visando substituir o vocábulo "pensamento", "diversidade" deverá ser reconhecida como a indiscutível campeã mundial.

Não será necessária a mais ténue prova ou o recurso a um único passo de lógica, quando alguém escrever, com entusiasmo, acerca dos supostos benefícios da diversidade. A mera ideia de testar esta maravilhosa e mágica palavra contra algo tão desagradável quanto a realidade sugere algo de sórdido.

Se alguém perguntar se as instituições que promovem a diversidade 24 horas por dia conseguem obter melhores ou piores relações inter-raciais que as instituições que o não fazem, daí só poderá resultar para esse alguém ser tido por uma má pessoa. Apresentar evidências sólidas de que os locais obcecados com a diversidade têm piores relações inter-raciais é correr o risco de se ser rotulado de incorrigível racista. O pensamento livre não é livre.

O Supremo Tribunal dos Estados Unidos decidiu que o governo tem um "interesse imperioso" na promoção da diversidade - aparentemente mais imperioso que a exigência constante da 14ª Emenda referente à "igual protecção" de todos perante a lei.

Como é que um país racialmente homogéneo como o Japão consegue ter uma educação de alta qualidade sem o ingrediente essencial da diversidade, para a qual existe, supostamente, uma necessidade "imperiosa"?

De modo contrário, por que razão a Índia, uma das nações etnicamente mais diversas da Terra, tem hoje um registo de intolerância intergrupal e de letal violência que é pior que o que existia no nosso Sul nos dias de Jim Crow [link]?

O simples acto de se colocarem tais perguntas faz com que surjam acusações de tácticas indignas e motivos demasiado rasteiros para serem dignos de resposta. Não que os crentes ferverosos da diversidade pudessem de qualquer modo responder.

Entre as palavras candidatas a tornar o pensamento obsoleto, logo após "diversidade", está a palavra "justo".

Aparentemente, todos têm direito a um justo quinhão da prosperidade de uma sociedade, seja trabalhando 16 horas por dia para ajudar a criar essa prosperidade, seja não fazendo mais que viver à custa dos contribuintes ou a depender da mendicidade ou do crime para arranjar uns quantos dólares.

Aparentemente devemos-lhes algo, simplesmente por nos podermos agraciar com a sua presença, mesmo que sintamos que poderíamos muito bem passar sem eles.

No outro extremo da escala dos rendimentos, é suposto que os ricos paguem a sua "justa parte" de impostos. Mas em nenhum dos extremos da escala dos rendimentos se define a "justa parte" como sendo um determinado número ou proporção, ou outra qualquer forma concreta. É apenas um sinónimo político para "mais", embrulhado numa sonoridade retórica moralista . Na realidade, "justo" significa apenas mais poder arbitrário para o governo.

Uma outra palavra que desactiva o pensamento é "acesso". Das pessoas que não conseguem satisfazer os padrões do que quer que seja, da admissão à universidade à concessão de um empréstimo hipotecário, frequentemente se diz que lhes foi negado o "acesso" ou a oportunidade.

Mas igualdade de acesso ou igualdade de oportunidades não é o mesmo que igual probabilidade de sucesso. Aos republicanos não lhes são negadas iguais oportunidades para votar na Califórnia, embora na realidade as hipóteses de um candidato republicano conseguir ser eleito na Califórnia sejam muito menores que as hipóteses de eleger um democrata.

Pela mesma razão, se a todos for permitido apresentar candidaturas à admissão na universidade, ou à concessão de um empréstimo hipotecário, e se as suas candidaturas forem todas avaliadas pelos mesmos padrões, então todos têm igualdade de oportunidades, mesmo se o idiota da aldeia tiver uma menor probabilidade de entrar na Ivy League [link] e alguém com um mau historial de crédito tiver menos probabilidade de que lhe emprestem dinheiro.

"Acessível" é uma outra popular palavra que serve como um substituto para pensamento. Dizer que todos têm direito à "habitação a preços acessíveis" é muito diferente de dizer que todos devem decidir que tipo de habitação ele ou ela consegue pagar.

Os programas governamentais de promoção de "habitação a preços acessíveis" são programas destinados a permitir a algumas pessoas que decidam que habitação pretendem e a forçar as outras pessoas - contribuintes, proprietários ou quem quer que seja - a absorver uma parte do custo de uma tomada de decisão onde estes não tiveram voz.

De modo mais geral, fazer com que diversas coisas sejam "acessíveis", de maneira alguma aumenta a quantidade de riqueza numa sociedade acima do que sucederia fossem os preços "proibitivamente caros". Pelo contrário, os controlos de preços reduzem os incentivos para produzir.

Nada disso constitui matéria transcendente. Mas se cada um não parar para pensar, não importa ser-se um génio ou um idiota. Palavras que impeçam as pessoas de pensar, reduzem até mesmo pessoas inteligentes ao patamar de idiotas.

sábado, 27 de abril de 2013

Leis de controlo de armas: mais pensamento mágico em acção

Thomas Sowell, em The Fact-Free Gun-Control Crusade, desmantela os argumentos (?) daqueles que periodicamente ensaiam, em cada episódio de matança pública levada a cabo por loucos e terroristas de múltiplas matizes, a proibição efectiva de meios de defesa pessoal e da propriedade dos cidadãos contra as acções de criminosos que atentem contra a sua vida e a dos seus bem como da sua propriedade.

Num mundo onde a estatística de há muito reina, tentando "vender" relações de causa-efeito a partir de meras correlações (onde o impulso para a batota é por vezes irresistível..,), Sowell sublinha a notável ausência de "estudos" na oratória dos promotores do desarmamento dos cidadãos ("para o seu próprio bem", claro). O pensamento mágico que subjaz  ao estatista segundo o qual um qualquer papel, proibindo isto ou aquilo, levará (!) os facínoras e criminosos a absterem-se de se comportar segundo a sua natureza - acaba invariavelmente por levar a resultados opostos aos anunciados. Por vezes, caso da Lei Seca ou da Guerra às Drogas, o resultado trágico é o de transformar milhões de pessoas, até então pacíficas, em "criminosos"; simultaneamente,  surgem e desenvolvem-se os gangs que são os directamente beneficiados pelo proibicionismo.

A tradução é da minha responsabilidade.
No meio de toda a acalorada e emocional defesa do controlo de armas, já alguém ouviu falar de uma única pessoa que tenha apresentado provas convincentes de que leis mais rígidas de controlo de armas tenham efectivamente reduzido os homicídios?

Thomas Sowell
Pense-se em todos os estados [dos EUA] e comunidades no seu seio, bem como nos países estrangeiros, que tenham leis de controlo de armas muito apertadas ou, pelo contrário, sejam pouco restritivas ou até mesmo inexistentes. Com tantas variantes e tantas fontes de informação disponíveis, certamente que, algures, haveria provas irrefutáveis de que leis mais restritas de controlo de armas reduziriam de facto a taxa de homicídios. E se leis mais rígidas de controlo de armas, na realidade, não reduzem a taxa de homicídios, por que razão estamos então correndo em direcção a tais leis após cada tiroteio que obtém a atenção dos media? Já alguma vez os meios de comunicação social mencionaram estudos que tenham apresentado evidências de que as taxas de homicídio tendam a ser maiores em locais com leis de controlo de armas mais restritas?

O inconfessável segredo está em que as leis de controlo de armas, na realidade, não controlam armas. Elas desarmam os cidadãos cumpridores da lei, tornando-os mais vulneráveis perante os criminosos, que permanecem armados em desrespeito a tais leis. Na Inglaterra, os crimes à mão armada dispararam com o quase desaparecimento da posse legal de armas sob as leis cada vez mais severas de controlo de armas nos finais do século 20 (ver o livro Guns e Violence [: The English Experience] [link], de Joyce Lee Malcolm). Mas o controlo de armas tornou-se numa daquelas cruzadas, baseadas em suposições, emoções e retórica onde os factos são dispensáveis.

O que quase ninguém menciona é que as armas são utilizadas para defender vidas assim como para ceifar vidas. Na realidade, muitos dos horrendos massacres a que assistimos através dos meios de comunicação social terminaram quando alguém apareceu munido de uma arma e pôs fim à matança. O Instituto Cato estima que aconteçam mais de 100 mil utilizações defensivas de armas de fogo por ano. Impedir que cidadãos cumpridores da lei se defendam a si próprios pode custar muito mais vidas do que as que se perdem nos episódios de tiroteio que os media divulgam. As vidas salvas por armas de fogo não são menos preciosas apenas pelo facto de os media não lhes prestarem atenção.

Muitas pessoas que nunca dispararam uma arma nas suas vidas e nunca enfrentaram perigos que ameaçassem a sua vida sentem-se, não obstante, qualificadas para impor restrições legais que podem vir a revelar-se fatais para outros. E os políticos, ansiosos por "fazer algo" que lhes confira publicidade, sabem que os votos dos ignorantes e dos ingénuos continuam a ser votos.

Virtualmente nada do que está sendo proposto na legislação de controlo de armas é susceptível de reduzir as taxas de homicídio. Restringir a capacidade dos carregadores   das armas à disposição dos cidadãos cumpridores da lei não irá restringir a capacidade dos carregadores dos que não são cidadãos cumpridores da lei. Essas restrições apenas significam que é mais provável que seja o cidadão cumpridor da lei a ser o primeiro a ficar sem munições. Qualquer um teria que ser um atirador de eleição para afastar três invasores da sua casa com apenas sete tiros dirigidos contra alvos móveis. Mas sete é o número mágico de balas permitido num carregador segundo as novas leis de controlo de armas do estado de Nova Iorque.

As pessoas que apoiam tais leis parecem despreocupadamente assumir que estão a limitar os danos que podem ser causados ​​por criminosos ou doentes mentais - como se os criminosos ou os loucos se preocupassem com tais leis.

Proibir as chamadas armas de assalto não passa de uma farsa, para além de uma fraude, porque não existe uma definição concreta do que é uma arma de assalto. É por isso que têm que ser especificadas pelo nome tantas armas nestas proibições - e as especificadas como sendo a banir não são tipicamente mais perigosas do que as outras não especificadas. Algumas pessoas pensam que "armas de assalto" significam armas automáticas. Mas as armas automáticas foram proibidas há décadas. A proibição de armas de feia aparência, parecidas com "armas de assalto", pode trazer benefícios de ordem estética, mas não reduzirá minimamente os perigos para a vida humana. Ficar-se-á tão morto quanto acontecerá se se for assassinado com uma arma de aparência muito simples.

Uma das perigosas inconsistências de muitos, se não da maioria, dos cruzados pelo controlo de armas é que aqueles que são os mais entusiastas por retirar as armas do alcance dos cidadãos cumpridores da lei frequentemente não estão tão preocupados em manter os criminosos violentos atrás das grades. A indulgência para com os criminosos há muito que faz parte do padrão dos fanáticos pelo controlo de armas de ambos os lados do Atlântico. Quando o desejo insaciável para reprimir os cidadãos armados cumpridores da lei se combina com uma atitude de indulgência para com os criminosos, dificilmente pode ser surpreendente quando as leis de controlo de armas cada vez mais restritas forem acompanhadas pelo aumento dos índices de criminalidade, incluindo assassinatos.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Ignorância e leis de controlo de armas

Há uma tendência que parece irresistível na generalidade das sociedades ocidentais, a meu ver crescentemente suicidária para a liberdade, para pretender mudar os comportamentos das pessoas através do poder estatal (pela força) recorrendo a uma infinitude de adjectivos "positivos" como "saudável", "seguro", "(não) discriminatório", "harmonizado", "humanitário", "solidário", "civilizacional", etc. A cada vez mais maior profusão (e confusão) legal e para-legal é, simultaneamente, o melhor indicador da consequente diminuição da liberdade de actuação do indivíduo. Há pouco, muito apropriadamente, Austin Petersen socorria-se do título do livro de Joel Salatin para constatar: "Everything I want to do is illegal".

Confesso que me escapa como pessoas inteligentes e de boa-fé continuam a alimentar a crença romântica e jacobina de que é possível mudar o comportamento das pessoas através de uma cada vez maior diarreia legislativa que diariamente jorra das folhas oficiais. No que deram as diferentes "Leis Secas"? No que deu e continua a dar a guerra às drogas? Na criminalização e encarceramento de milhões, na formação de gangs criminosos e assassinos de monstruosa violência que não mostram quaisquer dificuldade em adquirir todas as armas que acham necessárias (quando não com apoio estatal, vide fronteira EUA/México...), tudo isto produzindo enormes manchas endémicas de corrupção venal, quando não activamente criminosa, bem no centro das agências estatais.

Que não se entenda (ou queira entender) o significado histórico da 2ª Emenda, enquanto direito fundamental do cidadão americano para impedir o regresso de tiranias como a britânica, percebe-se embora se lamente. Já me espanta a olímpica indiferença dessas pessoas - e em especial dos intelectuais - face a conhecidas declarações de Hitler ou Estaline sobre a matéria e a recusa em delas retirar as únicas conclusões lógicas.

O muito incómodo, para o establishment "liberal" americano, Thomas Sowell, por ser negro, por ter nascido na Carolina do Norte, por ser filho de uma criada, por ter vindo depois viver para o bairro de Harlem em Nova Iorque, por ter tido de abandonar os estudos aos 17 anos, etc., e por ser um crítico feroz de Obama, desmonta aqui, ainda uma vez mais, a tese de que a publicação de leis de controlo de armas mais severas significariam menores crimes nas ruas e menos assassinatos. Nada mais falso, sustenta Sowell. Como sempre, eventuais erros de tradução do artigo são da minha inteira responsabilidade.

Será que de cada vez que acontece um trágico tiroteio é inevitável que ressurja a estridente ignorância estridente dos defensores do "controlo de armas"?

A falácia chave das chamadas leis de controlo de armas reside no facto de tais leis não as controlarem na realidade. Elas simplesmente desarmam os cidadãos respeitadores da lei, enquanto as pessoas propensas à violência com facilidade encontram armas de fogo.

Se os zelotas do controlo de armas tivessem algum respeito pelos factos, há muito que teriam descoberto isto pois, ao longo dos anos, demasiados estudos factuais se sucederam para que reste alguma dúvida que as leis do controlo de armas não apenas são inúteis como contraproducentes.

Lugares e épocas com as mais severas leis de controlo de armas foram, frequentemente, lugares e épocas com altas taxas de homicídios. Washington, D.C., é um exemplo clássico, mas é apenas um entre muitos.

A taxa de posse de armas é maior nas áreas rurais que nas urbanas, mas a taxa de homicídios é maior nas áreas urbanas. A taxa de posse de armas é maior entre os brancos do que entre os negros, mas a taxa de homicídios é maior entre os negros. Para o país como um todo, o número de pistolas [registadas] dobrou nos finais do século XX, enquanto a taxa de homicídios caiu.

Os poucos contra-exemplos apresentados pelos zelotas do controlo de armas não resistem a um escrutínio. O seu ponto referido mais convicto talvez seja o de a Inglaterra ter leis de controlo de armas mais restritas que os Estados Unidos e menores taxas de homicídio.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Citação do dia (93)

"The more I study the history of intellectuals, the more they seem like a wrecking crew, dismantling civilization bit by bit -- replacing what works with what sounds good."

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Citação do dia (90)

"The welfare state is the oldest con game in the world. First you take people's money away quietly, and then you give some of it back to them flamboyantly."
Thomas Sowell

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Citação do dia (87)

"The first lesson of economics is scarcity: there is never enough of anything to satisfy all those who want it. The first lesson of politics is to disregard the first lesson of economics."
Thomas Sowell