Mostrar mensagens com a etiqueta Loucura. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Loucura. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Carta aberta de um americano, agente russo, a Vladimir Putin

Paul Craig Roberts
Independentemente do que se pense ou deixe de pensar acerca de Donald Trump, o facto é que nunca antes desta refrega eleitoral, nem mesmo durante os anos da II Guerra Mundial, se verificou uma tão ampla e violenta campanha contra (ou mesmo a favor) um candidato presidencial nos Estados Unidos. Se pensarmos em termos de Ocidente, essa campanha não foi menos virulenta, nem menos enviesada na Europa. Entre nós, não dei conta de um jornal, muito menos de um canal de televisão, que fosse sequer longínquamente neutro na disputa. Não dei conta de um político, de um jornalista que fosse pró-Trump antes de conhecerem os resultados eleitorais, o que, em circunstâncias "normais", seria, até estatisticamente, impossível. Por cá, só dei conta desta expiação. No grande esquema das coisas, a cadeia RT foi - é - a grande excepção. Conhecidas as relações, pelo menos financeiras, com a Rússia de Putin, as acusações à RT, que já vêm desde o seu início, subiram imenso de tom. Tornaram-se até histéricas. Não foi a Rússia de Putin acusada de interferir e mesmo manipular a campanha eleitoral, por exemplo, promovendo ataques informáticos para revelar emails embaraçantemente reveladores? E agora que a media tradicional, foi derrotada fragorosamente pelos novos canais e redes de comunicação, que mais se haviam de lembrar que descobrir websites de "notícias falsas"? De chegar ao ponto de o parlamento europeu acusar a RT de ser um desses canais e "recomendar" intervenções para remediar a irradiação de "notícias falsas"? Paul Craig Roberts ganhou a distinção de ter sido indicado como um dos mais de 200 websites de "mentiras". Resolveu, em conformidade, escrever uma carta a Vladimir Putin cuja tradução me pareceu pertinente. Ei-la:

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

A guerra ao cash é uma ameaça à liberdade e é a antecâmara da expropriação

Está em curso uma campanha de desinformação por parte do establishment que visa banir progressivamente a utilização das notas e moedas, começando pelas de mais elevada denominação. A ideia que é vendida ao público é que o dinheiro físico, já só sendo marginalmente necessário, possibilita certas formas de criminalidade - comércio de substâncias proibidas, "lavagem" de dinheiro, actividades terroristas - como ainda permite a subsistência de uma economia paralela de produtos e bens legais (na realidade formada de mercados verdadeiramente livres) e, consequentemente, que as pessoas que dele participam paguem os impostos que são "devidos".
Os media tradicionais papagueiam esta "narrativa" sendo raríssimos os casos que salientam que a eliminação do dinheiro físico - isto é, a sua total digitalização - significaria em primeiro lugar o fim da privacidade pois toda a nossa vida ficaria integralmente exposta nos registos bancários; por outro lado, a possibilidade de expropriação pura e simples das poupanças das pessoas no sistema bancário seria uma tentação irresistível para entidades - banca e estados - que estão falidos ou para lá caminham. O artigo que se segue, da autoria de Simon Black, expõe esta questão de forma entendível para não iniciados e propõe algumas medidas de salvaguarda que cada um poderá seguir.
Esta é uma questão, a meu ver, absolutamente determinante. Tenha medo, caro leitor, e mantenha junto de si o montante em cash que a situação aconselhará a cada um.

17 de Fevereiro de 2016
Por Simon Black

Imagem Sovereign Man
Isto está a começar a tornar-se muito preocupante.

O movimento para a proibição do "cash" ("dinheiro vivo"), e, em particular, das notas de denominação mais elevada como a de 500 euros e a de 100 dólares, está seriamente a ganhar força.

Na Segunda-feira, o presidente do Banco Central Europeu revelou, de forma enfática, estar activamente a ponderar o abandono progressivo da nota de 500 euros.

Ontem [dia 16], um ex-secretário do Tesouro [dos EUA], Larry Summers, publicou um artigo de opinião no Washington Post cujo tema versava sobre o modo de acabar com a nota de 100 dólares.

Economistas proeminentes e bancos juntaram-se ao coro e defenderam o fim do cash nos últimos meses.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Nevoeiro do deleite

Fonte

A novela política está a começar. A promoção da ansiedade no presente, que resulta da intriga e jogo políticos, terá como desfecho uma solução apresentada e aceite como necessária. Como fundamental para salvar o país da instabilidade, dando continuidade a uma narrativa que suporta a mais disparatada tentativa alquímica de desatar o nó do presente. Político e económico.

A imagem (ver nota) que dá início a este comentário ilustra bem que direcção seguimos para concretizar a inflação de sucesso a nível europeu. Que teima em não chegar. Nem o sucesso nem a inflação! E Portugal também está à mesa a jogar. Muito exposto às consequências negativas de tais políticas.
Depois de ler e reler os números, alguém aceita que teremos pela frente um futuro de "esperança e sucesso"? A sério?
Há alguém que defenda a loucura desta política monetária e financeira, esperando corrigir os males feitos? A sério?
Que farão os próximos a sentar-se na cadeira do "poder" quando este foguetão queimar todo o seu combustível? Alguém responde?

Do outro lado do Atlântico, pouco falta para que se retome a loucura das políticas monetárias expansionistas. Hipótese que, dado o adiamento relativo às taxas de juro e às "coincidências" a vermelho no gráfico abaixo, parece muito credível.


Os cérebros procuram, avidamente, a velocidade de cruzeiro. No meio do nevoeiro...


Nota: o artigo que enquadra o primeiro gráfico (e está acessível na ligação) é, julgo, de leitura obrigatória para acender um farol contra o nevoeiro.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

As 10 piores previsões económicas de sempre

Traduzido por mim do Zero Hedge, onde se poderá tirar partido das ilustrações que acompanham o texto original (aconselhável até porque será bem mais divertido). Sem ter acesso a qualquer espécie de inside information, nem conhecendo Tyler Durden (o autor do post) de lado nenhum, apostaria que a oportunidade deste artigo não é alheia à extrema exuberância que se vem verificando na generalidade das principais bolsas, em muitos mercados imobiliários, em leilões de arte, etc., sem esquecer as bitcoins... Para não voltar a socorrer-me de Peter Schiff para sublinhar as semelhanças com a situação de 2007/2008, veja-se que também Nouriel Roubini, um keynesiano, vê bolhas no sector imobiliário (17!) pelo mundo fora [em português, aqui]. Os links abaixo foram por mim acrescentados.
10) Ben Bernanke, em 10 de Janeiro de 2008 - "Nas circunstâncias actuais, a Reserva Federal não prevê uma recessão".

Poucos meses depois, os Estados Unidos entraram numa das piores recessões de sempre.

9) Herbert Hoover, em 1928: "Os Estados Unidos estão mais perto do triunfo final sobre a pobreza do que alguma vez sucedeu na história de qualquer país."

A Grande Depressão começou um ano depois. As cotações das acções perderam quase 80% sob a sua presidência [1929-1933].

8) James Glassman e Kevin Hassett (autores do livro: DOW 36.000), em 1999: "As acções estão agora no meio de uma escalada única até atingirem um patamar muito mais elevado - na vizinhança dos 36.000 pontos do índice industrial Dow Jones."

Segundo as suas estimativas, o Dow Jones deveria chegar aos 36.000 pontos. Os anos seguintes ficaram marcados pela bolha da internet, com o Dow a cair dos 10.000 para os 7.200 pontos.

7) George W. Bush, em 15 de Julho de 2008: "Podemos ter confiança nos alicerces de longo prazo da nossa economia ... Penso que o sistema está basicamente sólido. É verdadeiramente o que penso."

Esta frase foi pronunciada exactamente dois meses antes da falência do Lehman Brothers.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Espiando o presidente dos Estados Unidos

Num esclarecedor texto dotado do vigor usual do juíz Andrew P. Napolitano - Spying on the President -, passa-se em revista o que já se conhece do mega-escândalo da espionagem levada a cabo pela NSA. Este terá agora conhecido um pico (não digo zénite porque há ainda muito por conhecer) quando se concluiu que até o presidente dos EUA foi espiado pela própria NSA! (Não recordo que George Orwell ou Joseph Heller tenham chegado a tanto!) Napolitano proporciona-nos ainda uma perspectiva histórica da espiral vertiginosa em direcção ao Estado de Vigilância focando dois momentos notáveis da história americana: um mais recente - a "Guerra ao Terrorismo" lançada em sequência dos acontecimentos de Setembro de 2001 -, que justificaria o infame "Patriot Act" e um outro que nos leva a recuar 100 anos até à "Era Progressiva" em que, e por exemplo, foi criada legislação como o Sedition Act (em 1918) que serviu, para condenar (em 2013!) Chelsea (ex-Bradley) Manning.

Lamentando as limitações da minha tradução, aconselho vivamente a leitura do original.
Quando a chanceler alemã, Angela Merkel, comemorou a inauguração da nova embaixada dos EUA em Berlim, em 2008, ela não poderia imaginar que estava a abençoar o local de trabalho do maior e mais eficaz magote de espiões americanos fora dos EUA.

Andrew P. Napolitano
Isto parece saído de um filme de série B, mas é o que tem acontecido nos últimos 11 anos: a NSA tem vindo a usar Merkel para espiar o presidente dos Estados Unidos. Sabemos agora que a NSA escuta e grava as chamadas telefónicas do telemóvel de Merkel desde 2002. Em 2008, quando a nova embaixada abriu, a NSA começou a utilizar técnicas mais sofisticadas que incluiam não apenas a sua escuta, mas também o seu seguimento. Merkel usa o seu telemóvel com mais frequência que o telefone fixo, e utiliza-o para comunicar com o marido e com os seus famíliares, com a liderança do seu partido e com os seus colegas e funcionários do governo alemão.

Ela também usa o telemóvel para falar com líderes estrangeiros, entre os quais terão estado o presidente George W. Bush e o presidente Obama. Pelo que se conclui que a NSA - que Bush e Obama ilegal e inconstitucionalmente autorizaram a obter e a conservar cópias digitais de todas as conversas telefónicas, mensagens de texto e e-mails de toda a gente nos EUA, bem como de centenas de milhões de pessoas na Europa e na América Latina - tem escutado os telefonemas de ambos os presidentes americanos sempre que estes conversaram com a chanceler.

Poder-se-ia entender a propensão da NSA para escutar as conversas daqueles líderes estrangeiros que nos quisessem fazer mal. E seria de esperar que o fizessem. Mas o ímpeto em escutar a liderança dos nossos aliados não tem qualquer utilidade perceptível. Pelo contrário, alimenta a desconfiança entre as nossas nações e, no caso de Merkel, exacerba as memórias da Stasi que tudo via e tudo escutava, organização que era a versão alemã oriental da KGB que comandava o estado policial desde o final da II Guerra Mundial até ao seu colapso em 1989. Merkel foi criada na Alemanha de Leste e tem uma repulsa pessoal pelo conceito de estado de vigilância omnipresente.

Obama aparentemente não tem essa repulsa. Poder-se-ía pensar que ele não esteja contente com o facto de os seus próprios espiões o terem estado a escutar. Esperar-se-ia que ele tivesse conhecimento disso. Não por mim, afirma o general Keith Alexander, o director da NSA, que contestou alegações dos media segundo as quais ele informara Obama acerca da rede de espionagem da NSA na Alemanha no Verão passado. Ora, ou o presidente soube disto e nega-o, ou ele é insuperavelmente ignorante quanto às forças que lançou sobre nós e sobre si mesmo.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Haverá uma saída?

No dia em que finalmente foi divulgado pelo governo o famigerado "guião da reforma do estado" (que ainda não tive oportunidade de ler) será oportuno reflectir com Walter Wlliams sobre se facto há uma saída - Is There a Way Out? - para o declínio que, na realidade, já há muito atravessamos (embora os efeitos só recentemente tivessem eclodido). Não há muitas razões para estar optimista. A tradução é minha.
De acordo com uma recente sondagem da Fox News, 73% dos americanos estão insatisfeitos com o rumo do país, um aumento de 20 pontos desde 2012. Os americanos sentem que há muita coisa errada na nossa nação, mas a maioria não tem a menor ideia da verdadeira natureza do nosso problema. Se a tivessem, a maioria teria pouco estômago para aquilo que seria necessário fazer para estancar o nosso declínio nacional. Analisemo-lo.

Walter E. Williams
Entre dois terços e três quartos da despesa federal, em violação da Constituição dos EUA, podem ser descritos como o resultado do processo pelo qual o Congresso retira os rendimentos ou a propriedade a um americano para dar a outro o que não é dele. O leitor perguntará: "Williams, o que quer dizer com isso?" O Congresso não tem recursos próprios. De resto, não existe Pai Natal nem fada dos dentes para lhe proporcionar receitas. O facto do Congresso não possuir recursos seus obriga-nos a reconhecer que a única maneira do Congresso poder dar a um americano um dólar é a de primeiro - através da intimidação, de ameaças e coerção - confiscar esse dólar a um outro americano através do código fiscal.

Se um qualquer americano fizesse privadamente o que faz o Congresso de forma pública, ele seria condenado como um ladrão comum. Tirar o que pertence a um americano para dar a outro é roubo, e o destinatário é um receptor de propriedade roubada. A maioria dos americanos sofreria uma significativa angústia e uma dissonância cognitiva se se vissem a si mesmos como destinatários de bens roubados, de modo que o roubo levado a cabo pelo Congresso tem de ser eufemizado conferindo-lhe um nome respeitável. Esse nome respeitável é "direito social" [entitlement]. O dicionário Merriam-Webster define entitlement como "a condição de ter o direito de ter, fazer ou conseguir alguma coisa". Por exemplo, eu tenho o direito a entrar na casa que possuo. Eu tenho o direito de conduzir o carro do qual sou proprietário. A questão difícil é saber se eu também tenho o direito àquilo que o leitor ou qualquer outro americano possui.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Espanha - Défice tarifário? Pois que se taxe o sol!

Fazendo jus ao princípio universal de actuação dos governos de «criar problemas para depois os "resolver"», o executivo liderado por Mariano Rajoy descobriu uma maneira de minorar os efeitos do gigantesco défice tarifário - actualmente na ordem dos 28 mil milhões de euros! - decorrentes da verdejante e irresponsável política energética adoptada desde 2003, que se tornou uma das imagens de marca dos governos de Zapatero (a par de aeroportos sem aviões e de troços de linhas de AVE (a sigla do TGV nos nossos vizinhos) sem passageiros...).

Repare-se que, conforme dados do próprio governo, que sendo o preço médio de produção do MW/h em Espanha de 50€, o preço é 90€ se a sua origem for eólica e de 450€ no caso de ser produzido a partir de painéis fotovoltaicos! E quanto à capacidade (nominal) de produção de electricidade os números são igualmente espantosos: para um pico de procura na ordem dos 43 GW, existe uma capacidade instalada de 100 GW, ou seja, 43%, o que demonstra uma ineficiência brutal de todo o sistema encarecendo-o brutalmente!

Quando se atinge o grau de loucura a que se chegou, ou melhor, que os governos deixaram chegar e promoveram, as propostas de solução (?!) são de tal modo exdrúxulas que nem se acredita, como esta de taxar todos os detentores de painéis solares, obrigando-os a ligar-se à rede eléctrica (e pagar o imposto respectivo) sob pena de suportarem multas de milhões de euros se não o fizerem.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Antes e depois

Por Michael Ramirez

Peter Schiff à RT: os EUA estão intoxicados em dívida

Como alguém comenta na página do YouTube onde o vídeo está publicado,
"How pathetic is it that as an American we must watch A RUSSIAN news outlet to see a journalist actually ask the correct questions? This sums up perfectly the malicious secrecy involved in the collaboration between the federal government, the American financial markets, and the American media who allows this partnership to operate in the shadows."
Mesmo sabendo nós que a RT está longe de ser alheia aos interesses de Putin, também creio que é exactamente assim. Grande entrevista de Peter Schiff!

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Energia barata ou energia verde - é impossível ter ambas as coisas

Já tinha pensado em publicar uma tradução do texto que Matt Ridley assinou na sua coluna regular no Times londrino, no passado dia 26 de Setembro - "Cheap energy or green energy - you cannot have both". Esta notícia de ontem convenceu-me que havia utilidade em fazê-lo. É uma história dolorosamente parecida com a nossa aquela que Ridley conta relativamente ao Reino Unido, ilustrando na perfeição o conúbio, que tantas vezes aqui tenho referido, entre os governos e os interesses especiais, no caso as empresas do sector energético. Apesar da propaganda, as "rendas excessivas" não nasceram do céu; antes foram proporcionadas, propositadamente, pelos governos às empresas que Henrique Neto apontava como pertencendo ao "regime". Vale a pena ler Matt Ridley para melhor ficar a perceber a mecânica da coisa e ilustrar o que é o crony capitalism.
A hipocrisia pode ser uma coisa fantástica quando bem feita. Passar, como sucedeu com Ed Miliband, em quatro anos, do ministro que insistia em que os preços da energia deviam subir - de modo a que os não-competitivos produtores de energia verde pudessem ser atraídos para o fornecimento de electricidade - para passar a ser o líder da oposição que defende o congelamento dos preços da energia é uma dupla pirueta de tal ordem que faria inveja a Torvill e Dean [famoso par inglês de patinagem artística no gelo nos finais nos anos do séc. XX].

Recorde-se que este é o próprio arquitecto da nossa actual política energética, o homem que manobrou a suicidariamente dispendiosa Lei das Alterações Climáticas através do parlamento; o homem que ainda esta semana se comprometeu a descarbonizar toda a economia britânica (não apenas o sector eléctrico) em 2030, o que significa que não será permitido a ninguém que aqueça a sua casa usando gás.

Terá ele comparado, recentemente, o preço do aquecimento eléctrico com o do aquecimento a gás? A diferença tenderá a crescer cada vez mais. Em 2030, grande parte da electricidade virá, em teoria, das eólicas offshore, a quem está prometido um preço três vezes maior do que é pago às centrais a gás na produção de electricidade. Assim, Miliband está a dizer-nos para triplicar, e congelar, as nossas facturas de aquecimento ao mesmo tempo.

"Não existe um futuro com energia de baixo custo", afirmou Miliband enquanto Secretário de Energia, em Julho de 2009, insistindo para que aprendêssemos a viver com preços da energia mais elevados. "Podemos trabalhar juntos a partir deste congelamento de preços para fazer funcionar o mercado no futuro. Ou podemos reforçar na opinião pública a ideia que vós sois parte do problema e não da solução", palavras de Miliband, o líder da oposição, ameaçando ontem [25 de Setembro de 2012] as empresas produtoras de energia eléctrica.

Num presciente parágrafo intitulado "E adivinhem quem vai levar um tiro?", um relatório de Abril do Liberum Capital [um banco de investimentos], sugeria que quando a crise do preço da energia chegasse, o governo da altura iria fazer recair a maior parte da dor financeira nos investidores insistindo para que estes cortassem nos seus lucros. Esse dia chegou, bem cedo. Miliband efectivamente admitiu que tentará eliminar o [ou pelo menos parte do] retorno dos investidores sobre o capital em vez de assumir quaisquer culpas pelas enormes facturas que irão conduzir as pessoas à pobreza energética.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Serão as armas o problema?

O Prof. Walter Williams volta a debruçar-se sobre o tema do controlo de armas em "Are Guns the Problem?" fazendo, como é nele habitual, recurso à hard evidence (à prova dos factos) para colocar perguntas incómodas aos estatistas (e.g., "progressistas") que têm a presunção de poder comandar e regular os comportamentos humanos pela via da legislação, o mesmo é dizer, da coerção, ao invés da promoção de valores morais que provaram com a decantação do tempo (a escola pública encarrega-se disso). Tal como com as drogas, vã tentativa. A tradução do seu texto é da minha responsabilidade.
Walter E. Williams
"De cada vez que acontece uma tragédia na sequência de um tiroteio, surgem mais apelos ao controlo de armas. Examinemos alguns factos históricos. Em 1910, a Associação Nacional de Armas [NRA] conseguiu criar 73 clubes de tiro, seus afiliados, no ensino secundário. A segunda edição do Manual do Escuteiro, de 1911, tornou a qualificação no programa de tiro júnior da NRA numa condição prévia para a obtenção de uma medalha de mérito de boa pontaria. Em 1918, a empresa Winchester Repeating Arms Co. estabeleceu a sua própria Winchester Junior [meu realce] Rifle Corps. O programa cresceu para 135 mil membros em 1925. Na cidade de Nova Iorque, abriram clubes de tiro em diferentes escolas secundárias - Boys, Curtis, Commercial, Manual Training e Stuyvesant. Com tantas armas nas mãos de jovens, observaram-se então os níveis de violência juvenil que vemos hoje?

E quanto à disponibilidade de armas? Os catálogos e revistas das décadas de 1940, 1950 e 1960 estavam cheios de anúncios de armas dirigidas às crianças e aos pais. Por exemplo, "O que cada pai deve saber quando um menino ou menina quer um arma" foi publicado pela Fundação Nacional dos Desportos de Tiro. O catálogo de vendas por correspondência da Sears, de 1902, tinha 35 páginas de anúncios de armas de fogo. As pessoas limitavam-se a enviar o seu dinheiro e a receber uma arma de fogo de volta pelo correio. Durante a maior parte da nossa história, uma pessoa podia simplesmente entrar numa loja, praticamente em qualquer lugar no nosso país, e comprar uma arma. Poucos estados se incomodavam sequer em impor restrições de idade relativas à compra de armas.

Estes e outros factos históricos deveriam fazer com que nos interroguemos: por que razão - num momento da nossa história quando as armas estavam prontamente disponíveis, quando a uma pessoa apenas bastava entrar numa loja ou encomendar uma arma pelo correio, quando não havia verificação de antecedentes criminais pelo FBI, nem períodos de espera, nem exigências de licenciamento - não havia então a frequência e o tipo de violência armada que às vezes observamos hoje, quando o acesso às armas está mais restringido? As armas são armas. Se elas fossem capazes de assumir comportamentos, como algumas pessoas parecem sugerir, deveriam ter feito então o que estão a fazer agora.

Os costumes, as tradições, os valores morais e as regras de etiqueta, e não apenas as leis e regulamentos governamentais, são o que fazem uma sociedade civilizada, não as restrições relativas a objectos inanimados. Estas normas de comportamento - transmitidas pelo exemplo, pela palavra boca a boca e pelos ensinamentos religiosos - representam um corpo de sabedoria destilada através de séculos de experiência, de tentativa e erro, e pela observação do que funciona. O benefício de haver costumes, tradições e valores morais como um meio de regular o comportamento é que as pessoas se comportam devidamente mesmo quando ninguém as está observando. Por outras palavras, é a moralidade que é a primeira linha de defesa da sociedade contra o comportamento incivilizado.

Os padrões morais de conduta, bem como a punição rigorosa e rápida de comportamentos criminosos, têm estado sob cerco no nosso país há mais de meio século. Os valores morais absolutos foram abandonados como um princípio orientador de vivência. Fomos ensinados a não fazer julgamentos, que um estilo de vida ou valor é tão bom como qualquer outro. Mais frequentemente do que não, o ataque aos padrões morais tem sido orquestrado pelo establishment educativo e pelos progressistas [progressives]. A polícia e as leis nunca poderão substituir essas restrições sobre a conduta pessoal de modo a produzir uma sociedade civilizada. Na melhor das hipóteses, a polícia e o sistema de justiça criminal são a última linha desesperada de defesa de uma sociedade civilizada. Quanto mais incivilizados nos tornamos mais leis são necessárias para regular o comportamento.

O pior é que, em vez de se tentar regressar ao que funcionava, os progressistas querem substituir o que funcionava com o que soa bem ou parece plausível, como mais cadeados nos armeiros, maiores períodos de espera e leis mais restritas relativas à posse de armas. Depois há as insanes "soluções" progressistas, como a "tolerância zero" para com os jogos no recreio das escolas nos intervalos das aulas como brincar aos polícias e ladrões e aos cowboys e aos índios e a gritar "bang bang", desenhar uma pistola, imitar uma arma a partir de peças de Lego, e cortar com os dentes um biscoito [Pop-Tart] na forma de uma arma [link]. Esse espécie de loucura pura - que se concentra sobre um objecto inanimado como uma arma ao invés de se concentrar na moralidade, auto-disciplina e carácter - irá continuar a produzir resultados decepcionantes."

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Até quando?

Foi hoje divulgado, pelo londrino British Medical Journal Open, um artigo onde se retrata a evolução, ao longo das duas décadas precedentes, de um conjunto de indicadores (preço de venda na ruagrau de purezaquantidades apreendidas pelas autoridades policiais) construídos a partir de dados governamentais de diferentes países, relativos à oferta no mercado ilegal de drogas (cannabis, cocaína e opiáceos como a heroína ou o ópio).

A conclusão a que chegam os seus autores é a seguinte: no período considerado, "aumentou a oferta das principais drogas ilegais, como resulta do declínio geral nos preços e de um aumento geral na pureza de drogas ilegais" (minha tradução).

O corolário só pode ser um: de nada valeu a "guerra às drogas" (iniciada por Nixon) para diminuir o consumo destes estupefacientes apesar das astronómicas somas de dinheiro despendidas e, pior, do recurso generalizado à prisão de milhões de consumidores cujo único crime (?) foi o de se terem prejudicado a si próprios, ao mesmo tempo que se promovia o enriquecimento e multiplicação das mafias e da violência sem limites e da corrupção.

A loucura de muitos, demencial e profundamente estatista, segundo a qual seria possível controlar os comportamentos das pessoas através de proibições e do enjaulamento massivo irá durar até quando?

O Público dá um tratamento minimamente decente a esta notícia aqui.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Jim Rogers: End the Fed!

A "grande experiência" em que os politburos dos principais bancos do mundo inteiro embarcaram, consistindo num exercício de planeamento central socialista a que o capitalismo é completamente alheio, consiste numa combinação de emissão ilimitada de moeda (por isso, sem fim possível) e da manipulação das taxas de juro que directamente controlam para níveis praticamente de zero, irá provavelmente acabar numa "grande implosão". Jim Rogers, numa mini-entrevista, exemplifica essa loucura monetária que o leva - por cortesia especial de Greenspan e Bernanke - a defender a extinção do Fed tal como aconteceu aos seus dois antecessores no séc. XIX:



Transcrição da entrevista da jornalista Manta Badkar (MB) a Jim Rogers (JR):

MB: Since May the tone from the Federal Reserve has been significantly more hawkish. Do you think they're heading in the right direction? What do you expect?
JR: I hope that in goodness they stop printing money. Note that this the only time in recorded history that all the major central banks in the world are trying to debase their currency at the same time. The japanese said: we will print "unlimited" - that was their word, unlimited amounsts of money. So in Washington they said: wait a minute! We can do that! So we've started to print a trillion dollars a year. A trillion dollars a year! So the english said, wait a minute guys, we can do it! The europeans said "we will do whatever is necessary", that's their term. It's absurd what's going on. It's got to end some day. The market is gonna force it to end and then they're going to come to their senses.
MB: How do you think Ben Bernanke did it?
JR: Absolute disaster! Between Greenspan and Bernanke, I mean, as you probably know, America's had three central banks. The first two disapear. Between Greenspan and Bernanke this is is going to disappear too because they'be ruined it. I mean, they printed staggering amounts of money. They've ruined the balance sheet, the balance sheet is gone full of government bonds, it has more than qradupled in five years. Bernanke is going to go down in history as an absolute disaster!
P: Who do you think the next Fed Chairman should be then?
JR: Nobody. Should abolish the Federal Reserve. The world without a central bank has problems but with this central bank... look at the people they are talking about! I mean, it's all more of the same milk! There's nobody who understands the problem. They all want to print money for their friends and they hope that's can save things until the next guy comes along and prints money.

A demência do salário mínimo - parte II

Continuação do artigo de Thomas Sowell publicado no dia 17 de Setembro na Townhall (1ª parte):
Thomas Sowell
Os resultados de um inquérito levado a cabo junto de economistas norte-americanos mostraram que 90% deles consideraram que as leis do salário mínimo conduzem ao aumento da taxa de desemprego entre os trabalhadores menos qualificados. A inexperiência é, frequentemente, o problema. Apenas cerca de 2% dos americanos com mais de 24 anos de idade ganhava o salário mínimo.

Os defensores das leis do salário mínimo justificam normalmente o seu apoio a essa legislação pelas suas estimativas de quanto "necessita" um trabalhador de modo a que tenha "um salário digno", ou pela utilização de um qualquer outro critério que preste pouca ou nenhuma atenção ao nível de saber-fazer do trabalhador, à experiência ou à produtividade geral. Deste modo, não é de estranhar que as leis de salário mínimo fixem salários que expulsam muitos jovens do mercado de trabalho.

O que é surpreendente é que, apesar da acumulação de evidências ao longo dos anos dos efeitos devastadores das leis do salário mínimo sobre as taxas de desemprego dos adolescentes negros, os membros do Conclave dos Congressistas Negros (CBC) continuem a votar a favor de tais leis.

Certa vez, há anos atrás, durante uma discussão confidencial com um membro do CBC, perguntei-lhe como era possível que eles apoiassem as leis do salário mínimo.

A resposta que obtive foi que os membros do CBC faziam parte de uma coligação política e, como tal, eram supostos votar a favor das iniciativas que os outros membros da coligação pretendessem, tais como as leis de salário mínimo, para que dessa forma os outros membros da coligação viessem a votar favoravelmente as iniciativas pretendidas pelo CBC.

Quando perguntei o que poderiam os membros negros do Congresso obter em troca do apoio às leis do salário mínimo que compensasse sacrificar gerações inteiras de jovens negros a enormes taxas de desemprego, a discussão terminou rapidamente. Talvez tenha sido veemente quando fiz aquela pergunta.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

A demência do salário mínimo

Em resposta a mais uma investida dos proponentes de leis (federais e estatais) fixando salários mínimos obrigatórios mais elevados para "estimular" a economia americana, Thomas Sowell vem, mais uma vez demonstrar a sua insustentabilidade lógica e até mesmo empírica no seu artigo - "Minimum Wage Maddness". Como por várias vezes tenho assinalado neste blogue, Sowell é uma personagem muito perigosa para os defensores do "politicamente correcto" e para todos aqueles que tomam os desejos por realidades.  A par com Walter Williams, é negro, nasceu pobre, teve de interromper os estudos e começar a trabalhar em empregos modestos (mais do que um em simultâneo) conseguindo por fim chegar à universidade e ser de há muito hoje uma das referências intelectuais mais marcantes nos Estados Unidos. Já publicou bem para cima de 30 livros (lista).

Que ele possa ajudar a combater uma das mais persistentes falácias que, embora mil vezes já refutada, sempre "regressa" fazendo tábua rasa da lógica e das terríveis consequências da sua aplicação. (A tradução que se segue do artigo citado é da minha responsabilidade.)
Thomas Sowell
As cruzadas políticas pelo aumento do salário mínimo estão novamente de volta. Os defensores de leis sobre o salário mínimo atribuem frequentemente a si próprios o crédito de terem mais "compaixão" para com "os pobres". Mas raramente se preocupam em verificar quais são as consequências reais da aplicação de tal legislação.

Um dos mais simples e mais fundamentais princípios económicos é que as pessoas tendem a comprar mais quando o preço é mais baixo e menos quando o preço é mais elevado. No entanto, os defensores da legislação sobre o salário mínimo parecem pensar que o governo pode aumentar o preço do trabalho sem reduzir a quantidade de trabalho que virá a ser contratada.

Quando passamos dos princípios económicos aos factos concretos, o caso contra a legislação sobre o salário mínimo é ainda mais forte. Os países com legislação sobre o salário mínimo, quase invariavelmente, têm maiores taxas de desemprego do que os países que a não têm.

A maioria dos países tem hoje leis do salário mínimo, mas nem sempre assim aconteceu. As taxas de desemprego foram muito inferiores em locais e tempos em que não havia leis do salário mínimo.

A Suíça é uma das poucas nações modernas que não tem uma lei do salário mínimo. Em 2003, a revista "The Economist" relatava: "o desemprego na Suíça aproximou-se de um máximo de cinco anos ao atingir 3.9% em Fevereiro". Em Fevereiro do corrente ano, a taxa de desemprego na Suíça foi de 3.1%. Uma recente edição da "The Economist" evidenciava uma taxa de desemprego na Suíça de 2.1%.

A maioria dos americanos hoje nunca viu taxas de desemprego tão baixas. No entanto, houve um tempo em que não havia lei federal do salário mínimo nos Estados Unidos. A última vez que tal ocorreu foi durante a administração Coolidge [Agosto de 1923 a Março de 1929], quando a taxa de desemprego anual chegou a um valor tão baixo como 1.8%. Quando Hong Kong era uma colónia britânica, não havia lei do salário mínimo. Em 1991, a taxa de desemprego era de menos de 2%.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Nigel Farage faz aquecer (ou gelar?) Durão Barroso

Hoje, no dia em que se conheceram os valores referentes a Agosto da série (iniciada em Novembro de 1996) de valores das temperaturas recolhidas por satélite por meio de sistemas de detecção remota (Remote Sensing Systems, ou RSS), é possível constatar - como o fez Christopher Monckton - que, com esta série de dados, há 202 meses (16 anos e 10 meses) que se verifica um aquecimento global da ordem dos... ZERO graus! Foi este o dia que Durão Barroso, alvo favorito de Nigel Farage no Parlamento Europeu (que o primeiro faz inteiramente por merecer), escolheu para invocar um "consenso albanês" de 99% (!) dos cientistas climáticos, poucos dias depois de o seu próprio Comissário para a Indústria ter denunciado o "sistemático massacre industrial" em boa parte imputável ao exorbitante custo da energia eléctrica na Europa, consequência de anos e anos de adopção e prática de uma fanática agenda "verde".

sábado, 7 de setembro de 2013

Mas afinal de quem é esta guerra?

É a pergunta que Patrick J. Buchanan formula em mais um artigo em que defende vigorosamente a auto-exclusão dos EUA de um envolvimento na guerra civil Síria que grassa há mais de dois anos - "Just Whose War Is This?". Neste artigo, Buchanan foca importante aspectos internos dos EUA que raramente são focados. A tradução, como habitualmente, é da minha responsabilidade.
"Na Quarta-feira [dia 4 de Setembro], John Kerry disse ao Senado para não se preocupar com o custo de uma guerra americana na Síria.

Os sauditas e os árabes do Golfo, confortados com um rotundo barril de petróleo, vendido aos consumidores americanos a 110 dólares, irão pagar a conta dos mísseis Tomahawk.

Será que chegámos a isto - soldados, marinheiros, fuzileiros e aviadores norte-americanos, agindo como mercenários de sheiks, sultões e emires, quais Hessianos [mercenários de Hessen, Alemanha] da Nova Ordem Mundial, contratados para levar a cabo a matança pelos sauditas e pela realeza sunita?

Ontem [5ª feira], também, surgiu um relatório espantoso no Washington Post.

A Conferência dos Presidentes das Principais Organizações Judaicas Americanas [link] juntou-se com o lobby israelita AIPAC [link] numa campanha pública a todo o gás em favor de uma guerra dos EUA contra a Síria.

Marvin Hier do Centro Simon Wiesenthal e Abe Foxman da Liga Anti-Difamação invocaram o Holocausto, tendo Hier acusado os EUA e a Grã-Bretanha de não terem conseguido salvar os judeus em 1942.

No entanto, se a memória for útil, em 1942 os britânicos estavam a combater Rommel no deserto e os americanos recolhiam ainda os seus mortos em Pearl Harbor e morriam em Bataan e Corregidor.

A Coligação Judaica-Republicana, também financiada por Sheldon Adelson, o magnata do casino de Macau, cuja preocupação pelas crianças que sofrem na Síria é uma espécie de lenda, está também a apoiar a guerra de Obama.

Adelson, que desembolsou 70 milhões de dólares para derrubar Barack, quer a sua recompensa - a guerra à Síria. E ele está a consegui-la. O Presidente da Câmara dos Representantes, John Boehner, e o líder da maioria, Eric Cantor, já a saudaram e nela se alistaram. Sheldon, o mais rico de todos os ricos financiadores políticos, está a comprar uma guerra para si próprio.

E todavia, será realmente inteligente que organizações judaicas coloquem um selo judeu numa campanha para arrastar a América para uma guerra que a maioria de seus compatriotas não quer travar?

segunda-feira, 25 de março de 2013

A insanidade da política energética europeia: está a chegar a conta

Christopher Booker tem sido uma presença regular neste blogue praticamente desde o seu início. Jornalista da velha escola tem dedicado a sua vida ao fact-checking, coisa que em Portugal duvido que alguma vez tenha existido e que, pelo menos pelo mundo ocidental, está em vias de extinção nos MSM (Mainstream media). Sozinho, ou em parelha com Richard North, dedicou todo o seu esforço ao exame minucioso dos sucessivos pânicos (amplificados pelos media e assim compelindo os políticos a "fazer alguma coisa") de que o "aquecimento global" constitui, certamente, o zénite da irracionalidade ruinosa. Muita atenção dedicou também à génese da União Europeia e ao modo como ela se desenvolveu, estudando aturadamente o seu "método" e, desse modo, antevendo sem dificuldade o evoluir do monstro globalista de Bruxelas.

A crónica que se segue, publicada no sábado passado na coluna que mantém no Telegraph, é de um brilhantismo difícil de igualar, constituindo prova adicional que os governantes britânicos, Labour ou Tory, ainda que vocalmente em fricção com os "colleagues" da "Europa", se têm limitado a isso mesmo: a uma modulação mais ou menos estridente no tempo para ocupar as manchetes. Entretanto, o declínio ocidental, e em particular o europeu, prossegue, aparentemente irreversível. (A tradução do texto é minha, bem como os realces introduzidos.)
Imagem retirada daqui
Enquanto a neve do mais frio mês de Março desde 1963 continua a cair, ficámos a saber que temos armazenado gás para nos manter aquecidos apenas para 48 horas, e que o primeiro responsável pela nossa segunda maior companhia de electricidade, a SSE, alertou para o facto de que a nossa capacidade geradora [de produção fiável de electricidade] ter caído para níveis tão baixos que podemos esperar, a qualquer momento, cortes no fornecimento de energia eléctrica ["apagões"]. A tempestade perfeita parece pairar sobre nós.

A grotesca gestão da política energética da Grã-Bretanha pelos políticos de todos os partidos, de perseguir as suas quimeras infantis do CO2 induzido pelo aquecimento global e das ventoinhas eólicas, tem vindo a constituir, provavelmente, o maior acto de irresponsabilidade política da nossa história.

Três novos eventos da semana passada trouxeram-nos de novo a bolha louca do faz-de-conta em que estas pessoas vivem. Sob a Directiva da União Europeia das Grandes Instalações de Combustão [link], perdemos mais duas grandes centrais electroprodutoras alimentadas a carvão, a Didcot A e a Cockenzie, capazes de contribuir com nada menos que um décimo das nossas necessidades médias de energia eléctrica. Vimos atribuída a uma empresa estatal francesa, a EDF, autorização para despender uma verba planeada de 14 mil milhões de libras na construção de dois novos reactores nucleares em Somerset, mas em que a empresa diz que a sua conclusão só ocorrerá num horizonte temporal de 10 anos, se lhe for garantido um subsídio que irá duplicar o preço de sua electricidade. Em seguida, escondidos em letras pequenas no Orçamento, surgiram novos números para o imposto em rápida escalada que o Governo irá apresentar na próxima semana que recairá sobre cada tonelada de CO2 emitido pelas centrais alimentadas a combustíveis fósseis, que em breve acrescentarão milhares de milhões de libras às nossas contas de energia eléctrica todos os anos.