Mostrar mensagens com a etiqueta Irão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Irão. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 19 de abril de 2016

Novos indisciplinados?


Muita tinta se tem dedicado à condução da realidade económica global. Isso é particularmente evidente na contenção e reorientação dos movimentos do preço do petróleo. 
Como em outros tempos, o número de intervenientes no jogo global a este respeito aumentou com o recente descongelamento do Irão. Se a isso juntarmos uma encruzilhada muito congestionada na Ásia emergente, então o desenrolar da peça fica mais congestionado. De mais difícil antecipação.
E o Irão a reorganizar as dinâmicas das alianças dos seus inimigos, juntando do outro lado da mesa um estranho grupo - Venezuela, EUA e Arábia Saudita (só para citar alguns). 
Delicioso. E pedagógico.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Como lidar com os génios da lâmpada iranianos?

Com a recusa do Reza Khan em adoptar um estatuto de país "neutral" colaborante para com os Aliados durante a II Guerra Mundial, britânicos e soviéticos invadiram o Irão em Agosto de 1941. A ideia era tomar o controlo do que ficou conhecido como o "Corredor Persa", servido pela linha de caminho-de-ferro trans-iraniana, ligando o Golfo Pérsico ao Mar Cáspio. O xá foi obrigado a abdicar em favor do seu filho Mohammad Reza Pahlavi cuja atitude foi bem mais colaborante (declararia guerra à Alemanha em Setembro de 1943). Ficava assim assegurada uma rota para o fornecimento de petróleo à Grã-Bretanha e para o abastecimento, especialmente de armas, à União Soviética. A interferência estrangeira no país, incessante pelo menos desde o início do século XX, ajudou a propagar os sentimentos nacionalistas, em particular, a percepção de uma grande injustiça na partilha dos lucros da exploração do seu principal recurso natural - o petróleo - dominada por interesses britânicos na então designada Companhia Anglo-Iraniana do Petróleo. Os britânicos recusaram ceder uma partilha a 50%-50% (como então acontecia no reino saudita) e, em Março de 1951, as duas câmaras do congresso iraniano decretaram a nacionalização do sector. No mês seguinte, o muito popular Mohammad Mossadegh, que tinha tido um importante papel naquela decisão no parlamento, foi eleito primeiro-ministro e empossado pelo xá. Os britânicos, entretanto, vendo os seus interesses afectados viriam a pedir ajuda aos "primos", que não se fizeram rogados. As autoridades americanas, onde então pontificavam os dois irmãos Dulles (John Foster, secretário de Estado e Allen, director da CIA) sob Eisenhower, meteram mãos à obra (após um primeiro sucesso na Guatemala) e, em seguida a uma primeira tentativa falhada, à segunda dar-se-ia o sucesso da "Operação AJAX", como a própria CIA iria reconhecer em documentos desclassificados em 2013. Pela sua "intermediação", os EUA reservaram para as suas petrolíferas 40% da "nova" Companhia Nacional Iraniana dos Petróleos, restando 40% para as britânicas (a BP nasceria nesta altura) e 20% para outras companhias europeias. Mossadegh tinha sido por sua vez sido deposto num golpe (Agosto de 1953) e detido em prisão domiciilária até ao fim dos seus dias. Os britânicos aperceberam-se tarde demais que teriam feito melhor em ter aceitado o que lhes tinha sido proposto inicialmente. Seguiram-se 26 anos tirânicos de "modernização dirigida" (com a segurança possibilitada pela selvática SAVAK) segundo, assim  se alegava, os padrões ocidentais. Quando, na sequência da Revolução Islâmica de 1979, o xá foge do país, ninguém o quer receber de bom grado, nem sequer os EUA. Em paralelo, decorria a crise dos reféns americanos (que, provavelmente, ditou o desfecho da disputa ente Jimmy Carter e Ronald Reagan negando ao primeiro o segundo mandato). Em 1980, o Iraque invade o Irão assim se iniciando uma longa carnificina que duraria oito anos. Os americanos intervieram abertamente ao lado de Saddam Hussein ao longo de toda a guerra. Esta terminaria em Agosto de 1988, inconclusiva. Em Julho desse mesmo ano, o navio americano Vincennes derrubou (acidentalmente, crê-se) com um míssil um avião civil iraniano tendo daí resultado a morte dos seus 290 ocupantes. George H. Bush declararia na altura: "Eu nunca pedirei desculpa pelos Estados Unidos. Nunca. Não quero saber dos factos para nada."

Já vai longa a introdução, mas pareceu-me relevante dar algum contexto histórico prévio, porventura menos conhecido por alguns leitores, ao artigo de Eric Margolis cuja leitura vos proponho hoje. Um artigo cujo conteúdo se afasta em muito da narrativa incessantemente "martelada" pelos media convencionais.
11 de Abril de 2015
Por Eric Margolis


O acordo alcançado em Lausanne, na Suíça, pelo Irão e cinco potências lideradas pelos EUA, aparenta dizer respeito à capacidade nuclear.

Eric Margolis
Na verdade, o tema real em questão não foi o das armas nucleares, que o Irão não possui, mas antes o potencial poder geopolítico do Irão.

O Irão, um país de 80,8 milhões de habitantes, foi, como o génio da história, fechado numa lâmpada pelas sanções impostas por uma coligação liderada pelos EUA desde a revolução islâmica de 1979, que depôs o corrupto regime monárquico de Reza Pahlavi. O Xá tinha sido devidamente instruído para ser o guardião dos EUA no Golfo.

Mais de uma dúzia de tentativas americanas para derrubar o governo islâmico em Teerão redundaram num fracasso. Washington recorreu à sabotagem e à guerra económica, tentou estrangular as principais exportações do Irão, petróleo e gás, desestabilizar o seu sistema bancário, e impedir as importações do que quer que fosse, de máquinas a vitaminas.

terça-feira, 17 de março de 2015

Quem de facto combate o Estado Islâmico no terreno

Foram as constantes interferências de ordem externa que transformaram grande parte do Médio Oriente no atoleiro letal que hoje conhecemos. Primeiro, pelo retalhar da história e geografia milenar através da criação de fronteiras totalmente arbitrárias após o fim do império Otomano. Depois, porque o controlo da incrível riqueza em petróleo da zona tudo justificava. Um dos marcos desse intervencionismo foi o golpe que em 1953 depôs o democraticamente eleito Mohammed Mossadegh no Irão e instalou no trono Reza Pahlavi (uma "teoria da conspiração" finalmente reconhecida pela CIA, 60 anos depois). Em 1979, com a fuga do Xá e a instalação de um regime para-teocrático, o Irão passou a ser demonizado, guerreado, ostracizado, e sujeito a pesadas sanções económicas. Com o apoio explícito dos EUA - logístico, militar e de informações - Saddam Hussein atacou o Irão (também com armas químicas que, como a CIA igualmente confirmaria, eram do perfeito conhecimento americano), daí resultando uma guerra que durou oito anos (1980-1988) e causou 400 mil mortos. Com George W. Bush, o Irão foi catalogado como pertencente a um "eixo do mal" que tem persistido até hoje, reforçado com novos membros. Como os neocons nunca esconderam, o Irão é o "grande prémio".

Não deixa portanto de ser irónico que da 2ª guerra do Iraque tenha resultado um fortalecimento de facto da posição estratégica do Irão, ou, talvez melhor, do Islão xiita. Como não deixa de ser do domínio do factual que são os xiitas, e em particular Assad (aqui, numa entrevista recente à RTP), quem de facto tem combatido no terreno essa entidade difusa que dá pelo nome de Estado Islâmico bem como as diversas declinações da Al-Qaeda na região como é o caso da Frente al Nusra. É esta a leitura, lúcida e serena como é habitual, que Pat Buchanan faz da situação actual ao deflectir a retórica tonitruante dos neocons e de Netanyahu, também preocupado com a sua própria sobrevivência no poder em Israel, que tudo estão a fazer para torpedear as negociações em curso com o Irão relativas ao seu programa nuclear.

10 de Março de 2015
Por Patrick J. Buchanan


Patrick J. Buchanan
América, temos um problema.

No sangrento e caótico Médio Oriente, salvo raras excepções como a dos curdos, os nossos amigos ou não conseguem ou não querem combater.

O Exército Livre da Síria claudicou. As forças do movimento Hazm na Síria, armadas pelos Estados Unidos, desmoronaram-se depois de serem alvo da perseguição pela Frente al Nusra. O exército iraquiano, treinado e equipado por nós, fugiu de Mosul em grande debandada até Bagdad. Os turcos poderiam aniquilar o ISIS na Síria, mas não irão combater. A Arábia Saudita e os países árabes do Golfo enviaram zero militares para combater o ISIS. Ficaram-se por um punhado de ataques aéreos.

Consideremos agora o que os nossos velhos inimigos já fizeram e estão a fazer.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

O que não se disse acerca do Iraque (e assim continua a suceder)

Pelo menos os mais antigos frequentadores do blogue terão presente o contador macabro inscrito na coluna da direita sob a epígrafe "As acções têm consequências". É raro o dia que não dou conta de por lá haver "actividade" apesar de os jornais já praticamente terem deixado de se preocupar com as notícias da trágica sucessão de mortos e feridos que não mostra sinais de abrandar (bem pelo contrário, apesar de as próprias Nações Unidas terem retirado do seu website um "contador oficial" que mantinham desde 2003). Estranhamente (<sarcasmo/>) também não dou conta que os media se interroguem quanto à súbita "calmaria" no morticínio sírio (apesar disto) logo que, numa curva inesperada e in extremis, se regressou ao lá de cá da "linha vermelha". Mas nem por isso deixa de haver quem pretenda prosseguir na tresloucada doutrina intervencionista persistindo em alcançar o "Grande Prémio": a guerra contra o Irão.

É este o tema do artigo de Ron Paul que me propus traduzir, a propósito da visita que Nuri al-Maliki, primeiro-ministro do Iraque, fez a Obama na semana passada em Washington.
Por Ron Paul
3 de Novembro de 2013

Outubro foi o mês mais mortífero no Iraque desde Abril de 2008. Nesses cinco anos e meio, não só não houve qualquer melhoria nas condições de segurança no Iraque como, pelo contrário, elas se tornaram muito piores. Mais de 1000 pessoas foram mortas no Iraque no mês passado, na sua grande maioria civis. Outras 1600 ficaram feridas, com os carros-bomba e os tiroteios a continuar a mutilar e a assassinar.

Enquanto o Iraque pós-"libertação" mergulha na espiral descendente, o primeiro-ministro Nuri al-Maliki esteve em Washington na semana passada a suplicar por mais ajuda dos Estados Unidos para ajudar a restaurar a ordem numa sociedade destruída pela invasão dos EUA em 2003. A Al-Qaeda conseguiu avanços recentes significativos e o Iraque necessita de mais ajuda militar dos EUA para combater a sua influência crescente, disse Maliki ao presidente Obama na reunião que tiveram na sexta-feira passada.

Obama prometeu trabalhar em conjunto com o Iraque para enfrentar a crescente presença da Al-Qaeda, mas o que não foi dito foi que antes do ataque dos EUA não havia Al-Qaeda no Iraque. O aparecimento da Al-Qaeda no Iraque coincidiu com a ataque dos EUA. Alegaram que tínhamos que combater o terror no Iraque, mas a invasão dos EUA resultou na criação de redes terroristas onde antes não havia nenhuma. Que desastre.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Eric Margolis: Síria - o objectivo último é o Irão

Eric Margolis, escreve que o "Buldózer americano está pronto para começar a rolar" e crê haver fortes razões para supor que o objectivo último é o Irão como aliás Wesley Clark publicamente já tinha deixado nas entrelinhas. A tradução é da minha autoria.

Importante (e inteligente) desenvolvimento de última horaRússia pede à Síria para entregar arsenal químico para evitar ataque dos EUA.
"Recordando os massacres e destruição durante a guerra da independência da Grécia durante a década de 1820 do Império Otomano, Victor Hugo escreveu na altura: "Os turcos passaram por aqui. Está tudo está em ruínas e todo o mundo está de luto".

Hoje, as nações em ruínas e sob luto são o Iraque, o Sudão, o Afeganistão e, em menor grau, a Líbia, todos desmembrados ou divididos pela força do poderoso Império americano ["American Raj"].

A Síria é claramente o alvo seguinte do buldózer imperial americano. Após dois anos de uma brutal rebelião, armada e financiada pelos EUA e seus aliados regionais, a Síria enfrenta agora a devastação.

A campanha de ataques aéreos e de mísseis irá esmagar a força aérea síria, os tanques, a artilharia e as comunicações. Israel está preparado para esquadrinhar as ruínas da Síria.

Pura comédia negra. Roubando desavergonhadamente a propaganda da administração Bush, a Casa Branca de Obama tem vindo de facto a advertir que as armas químicas sírias (a maioria das suas matérias-primas proveniente da Europa) representam uma ameaça terrível para os Estados Unidos. A Síria adquiriu armas químicas para enfrentar o grande arsenal de armas nucleares de Israel, originalmente fornecidas pela França.

Não actuar equivalerá a um outro apaziguamento à la Munique, adverte Obama. Mas o Congresso dos EUA não podia agir porque ainda estava de férias de Verão.

O presidente Obama até concedeu que não havia urgência em agir. O importante era, segundo declarou, que a "credibilidade" dos Estados Unidos estava em jogo. Os políticos invocam a credibilidade como uma desculpa depois de terem cometido um enorme erro - em especial, as insensatas "linhas vermelhas" de Obama na Síria que encurralaram o presidente num beco [numa box] criado por ele mesmo.

sábado, 7 de setembro de 2013

Mas afinal de quem é esta guerra?

É a pergunta que Patrick J. Buchanan formula em mais um artigo em que defende vigorosamente a auto-exclusão dos EUA de um envolvimento na guerra civil Síria que grassa há mais de dois anos - "Just Whose War Is This?". Neste artigo, Buchanan foca importante aspectos internos dos EUA que raramente são focados. A tradução, como habitualmente, é da minha responsabilidade.
"Na Quarta-feira [dia 4 de Setembro], John Kerry disse ao Senado para não se preocupar com o custo de uma guerra americana na Síria.

Os sauditas e os árabes do Golfo, confortados com um rotundo barril de petróleo, vendido aos consumidores americanos a 110 dólares, irão pagar a conta dos mísseis Tomahawk.

Será que chegámos a isto - soldados, marinheiros, fuzileiros e aviadores norte-americanos, agindo como mercenários de sheiks, sultões e emires, quais Hessianos [mercenários de Hessen, Alemanha] da Nova Ordem Mundial, contratados para levar a cabo a matança pelos sauditas e pela realeza sunita?

Ontem [5ª feira], também, surgiu um relatório espantoso no Washington Post.

A Conferência dos Presidentes das Principais Organizações Judaicas Americanas [link] juntou-se com o lobby israelita AIPAC [link] numa campanha pública a todo o gás em favor de uma guerra dos EUA contra a Síria.

Marvin Hier do Centro Simon Wiesenthal e Abe Foxman da Liga Anti-Difamação invocaram o Holocausto, tendo Hier acusado os EUA e a Grã-Bretanha de não terem conseguido salvar os judeus em 1942.

No entanto, se a memória for útil, em 1942 os britânicos estavam a combater Rommel no deserto e os americanos recolhiam ainda os seus mortos em Pearl Harbor e morriam em Bataan e Corregidor.

A Coligação Judaica-Republicana, também financiada por Sheldon Adelson, o magnata do casino de Macau, cuja preocupação pelas crianças que sofrem na Síria é uma espécie de lenda, está também a apoiar a guerra de Obama.

Adelson, que desembolsou 70 milhões de dólares para derrubar Barack, quer a sua recompensa - a guerra à Síria. E ele está a consegui-la. O Presidente da Câmara dos Representantes, John Boehner, e o líder da maioria, Eric Cantor, já a saudaram e nela se alistaram. Sheldon, o mais rico de todos os ricos financiadores políticos, está a comprar uma guerra para si próprio.

E todavia, será realmente inteligente que organizações judaicas coloquem um selo judeu numa campanha para arrastar a América para uma guerra que a maioria de seus compatriotas não quer travar?

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Pat Buchanan: "A única coisa que aprendemos da história é que não aprendemos com a história"

Nas vésperas de ainda mais outra aventura guerreira (a caminho do Irão?) sob um amplo beneplácito bipartidário, entusiasta ou complacente, Patrick J. Buchanan defende, convincentemente, que o Congresso deveria impedir o presidente Obama de iniciar a participação aberta dos EUA na guerra civil síria. Congress Should Veto Obama’s War é o título da sua mais recente peça que procurei traduzir (algo livremente).
"O Congresso não tem um conjunto muito significativo de responsabilidades fundamentais", disse Barack Obama na semana passada numa espantosa observação.

De facto, na Constituição, o Congresso aparece como o primeiro poder do estado federal. E entre os seus poderes, enumerados, estão: o poder de tributar, o de cunhar moeda, o de criar tribunais, o de promover a defesa comum, o de criar e financiar um exército, o de manter uma marinha e o de declarar a guerra.

Mas, ainda assim, talvez o menosprezo de Obama seja justificado.

Senão, considere-se o amplo assentimento do Congresso às notícias de que Obama decidiu atacar a Síria, um país que não nos atacou e contra o qual o Congresso nunca autorizou uma declaração de guerra.

Porque está Obama a fazer planos para lançar mísseis de cruzeiro sobre a Síria?

De acordo com um "alto funcionário da administração (...) que insistiu no anonimato", o presidente Bashar al-Assad usou armas químicas contra o seu próprio povo, na semana passada, em dois anos de guerra civil na Síria.

Mas quem delegou nos Estados Unidos a autoridade para andar pelas ruas do mundo a dar coronhadas em maus actores? De onde vem a autoridade para o nosso presidente imperial traçar "linhas vermelhas" e dar ordens a países para que não as cruzem?

Nem o Conselho de Segurança nem o Congresso nem a NATO nem a Liga Árabe autorizaram o lançamento de uma guerra contra a Síria.

Quem outorgou a Barack Obama o papel de Wyatt Earp da Aldeia Global?

Além do mais, onde está a prova de que foram usadas armas de destruição maciça e que só Assad pôde ter ordenado a sua utilização? Tal ataque não faz qualquer sentido.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

O Homem Mais Perigoso do Mundo

Com o som do rufar dos tambores de guerra a aumentar significativamente esta semana (veja-se, por exemplo, aquiaqui ou aqui) Patrick J. Buchanan tenta apelar à sanidade. A tradução, algo livre, é minha.
No Outono, os jornais dos EUA irão dedicar inúmeros centímetros de colunas de artigos assim como as redes de TV reservarão intermináveis horas revisitando o mês mais perigoso da história da república, se não mesmo do mundo.

A decisão de Nikita Khrushchev de, secretamente, instalar em Cuba mísseis balísticos de médio alcance, equipados com armas nucleares, começou a formar-se na sua mente algum tempo antes, talvez em Abril de 1961.

Foi nessa altura que o novo e jovem presidente dos EUA, John F. Kennedy, promoveu o desembarque de uma brigada de cubanos com a intenção desta se vir a tornar a vanguarda de um exército de guerrilha tendo em vista o derrube do regime de Fidel Castro.

A Baía dos Porcos tornou-se uma metáfora para a loucura irresponsável e para o fracasso.

Khrushchev tinha ordenado a um exército de tanques que entrasse em Budapeste para esmagar a Revolução Húngara de 1956 e assistiu, atónito, à recusa de um presidente dos EUA em usar seu poder para eliminar uma base soviética situada a 90 milhas da costa da América.

Em Junho, Kennedy encontrou Khrushchev em Viena e foi verbalmente atacado. Em Agosto, Khrushchev voltou a testar Kennedy construindo um muro para separar Berlim Oriental e selar o sector soviético. Os berlinenses que procuravam fugir foram baleados.

Kennedy ordenou um ano de mobilização dos reservistas.

Moscovo, em seguida, quebrou uma moratória sobre testes atmosféricos de armas nucleares, fazendo explodir uma gigantesca bomba de 57 megatoneladas no Árctico.

Em meados de Outubro de 1962 os mísseis soviéticos estavam em Cuba. O seu raio de alcance de 2400 quilómetros colocava Washington, D.C., ao seu alcance.

O chefe da Força Aérea era o general Curtis LeMay, ex-chefe do Comando Aéreo Estratégico, que se gabava da actuação da sua frota de B-29 durante a guerra do Pacífico, "Nós incendiámos, cozemos e assámos até à morte mais pessoas em Tóquio naquela noite de 9 para 10 de Março da que foi reduzida a vapor no conjunto de Hiroshima e Nagasaki."

LeMay queria bombardear e invadir Cuba, mesmo depois de Khrushchev ter retirado os mísseis. Quando Mao Zedong denunciou o recuo de Khrushchev, chamando à América "um tigre de papel", Khrushchev terá recordado a  Mao que "Este tigre de papel tem dentes nucleares." Mao, alegadamente, teria então indicado a sua disposição para perder 300 milhões de chineses numa guerra nuclear se tal guerra acabasse com os Estados Unidos.

Estes foram tempos graves e de homens perigosos. O que leva a esta recitação de como era o nosso mundo há 50 anos é a história da mais recente capa da The Weekly Standard, "O Homem Mais Perigoso No Mundo."

A foto da capa é do Ayatollah Ali Khamenei, o "homem com uma missão" no Irão, de quem se diz estar tentando obter uma bomba atómica e que "abomina os Estados Unidos num grau superior ao de Stalin, Mao, Tojo e Hitler em conjunto." Se este "líder supremo obtiver armas nucleares, será necessário um milagre para que ele não conduza estupidamente o seu país à guerra."

O objectivo último do artigo de 5000 palavras é: Tenha medo. Tenha muito medo deste homem.

sábado, 7 de julho de 2012

Uma síndrome perigosa

Patrick J. Buchanan assina Iran Derangement Syndrome. Eu tento, mais uma vez, uma tradução que cumpra os mínimos. Querendo o leitor ajuizar da qualidade dessa tentativa, aceite também a referência ao artigo de Philip Giraldi (ex-quadro da CIA), igualmente na American Conservative, intitulado Iran Guilty, Facts Be Damned.
"O Irão não pretende ter a bomba atómica, cuja posse é inútil e perigosa e constitui um grande pecado do ponto de vista intelectual e religioso."

Foi desta forma que o líder supremo Ayatollah Ali Khamenei declarou em Fevereiro que a posse por parte do Irão de armas atómicas seria um pecado mortal contra Alá.

É também unânime a opinião da comunidade dos serviços de informações dos EUA, declarada em 2007 e afirmada em 2011, que o Irão abandonou quaisquer programas para construir armas nucleares.

Estará o Ayatollah mentindo? Estará todo o conjunto dos serviços de intelligence dos  EUA errado?

As instalações do Irão, em Natanz, onde o urânio é enriquecido a 5 por cento, e em Fordow, onde é enriquecido a 20 por cento - em ambos os casos abaixo do limiar necessário para a construção de armas - estão sob controlo constante das Nações Unidas. O Irão ofereceu-se para entregar o seu urânio enriquecido a 20 por cento e a parar o enriquecimento a esse nível, se o Ocidente fornecer isótopos para a sua medicina nuclear e levantar algumas das sanções mais gravosas.

No deal, afirmam os Estados Unidos. O Irão deve renunciar, completamente, ao enriquecimento e por tempo indefinido.

Este é o ponto problemático nas negociações. O Irão alega que, como signatário do Tratado de Não-Proliferação das Armas Nucleares, tem o direito de enriquecer urânio para fins pacíficos. Neste aspecto, o povo iraniano apoia o seu governo.

Poderá este impasse ser motivo para uma guerra?

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Ciberguerra

Depois do Stuxnet parece que há outro bicharoco à solta lá pelo Irão. Enquanto o primeiro visou instalações e equipamentos ligados à produção de urânio enriquecido, agora parece ser a vez da indústria petrolífera.

domingo, 25 de março de 2012

A guerra interminável

Entrevistado por Bill Moyers, Andrew J. Bacevich, a quem já me referi em "Perseguindo a paz perpétua através da perpétua guerra" a propósito do seu esplêndido Washington Rules, explana a tese segundo a qual as recentes administrações americanas enveredaram pela guerra permanente - literalmente, sem fim - ainda que, com Obama, tenha entrado em vigor o recurso, crescente, à "Opção C"1: o recurso ao assassinato selectivo, à escala mundial, sem qualquer escrutínio público ou autorização prévia por parte do Congresso, se necessário for mesmo sobre cidadãos americanos, recorrendo aos drones e às special ops, mandando às urtigas quaisquer considerações pelo respeito pela soberania dos países onde essas operações possam ocorrer. Uma interessantíssima entrevista quando os tambores de guerra voltam a rufar relativamente ao Irão.


1Na análise de Bacevich, o "Plano A", sob a administração Bush, consistiu na aplicação da doutrina do "Shock and Awe" no Iraque. Quando esta falhou, seguiu-se o "Plano B" - "The Surge" - que já apenas pretendia limitar os efeitos da temível insurgência no Iraque. Posteriormente, já sob Obama, foi também aplicado no Afeganistão, com o "sucesso" conhecido.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O rufar dos tambores de guerra

Há uma semana atrás, numa audição perante um comité do Senado, Leon Panetta, secretário da Defesa dos EUA, afirmou "não haver indicações que o Irão esteja a construir uma arma nuclear" e, até, que "queira construir uma arma nuclear" enquanto o General Ronald Lee Burgess, director da Defense Intelligence Agency, por sua vez, testemunhou que "o Irão não pretende intencionalmente iniciar um conflito" (video). James Clapper, Director da National Intelligence, perante o mesmo comité, não disse coisa diferente (video) ainda que o seu interlocutor não seja da mesma opinião... O General Martin Dempsey, Chefe do Estado Maior conjunto das forças armadas dos EUA, declarou que "o regime iraniano não decidiu enveredar [...] pelo esforço de militarizar as suas capacidades nucleares" (video). Ou seja: há uma sintonia entre as autoridades americanas relevantes quanto à inexistência de armas nucleares iranianas e quanto à não decisão, pelo menos por agora, de que tenha sido tomada a decisão de as construir (e de as conseguir lançar).

E todavia, como nota Anthony Gregory, uma maioria significativa [71% segundo a CNN] dos americanos acredita que os iranianos já as detêm, o que constitui uma tremenda semelhança com o que sucedia, em Setembro de 2003, quanto à crença segundo a qual Saddam Hussein estaria ligado ao 11 de Setembro (70% dos americanos, segundo sondagens de então), o que como sabemos não era verdade nem, de resto, alguma vez tal tenha sido afirmado pelas autoridades americanas. Como explicar esta contradição entre as posições oficiais das autoridades (políticas, de espionagem e militares) e a opinião pública?

Talvez que uma explicação possa residir em títulos de que este, do WSJ, Iranian Leader Promotes Nuclear Plans, seja paradigmático (assim como este do Telegraph). Esta notícia está construída em torno de dois "pilares": um que reflecte a suspeita decorrente de a missão da AIEA (Agência Internacional de Energia Atómica) não ter sido autorizada pelas autoridades iranianas a visitar um site militar que pretendia na passada 3ª feira; outro, de um discurso do próprio Ayatollah Khamenei, no dia seguinte (ontem), onde afirmou que o Irão não iria mudar a sua estratégia relativamente ao desenvolvimento do seu programa nuclear. Todavia, a par destas declarações, Khamenei afirmou igualmente (segundo a PressTV ligada ao regime) que "The Iranian nation has never pursued and will never pursue nuclear weapons" e que "considers the possession of nuclear weapons a grave sin and believes the proliferation of such weapons is senseless, destructive and dangerous".

Por que razão será que os media mainstream não fizeram eco destas declarações (pelo menos na forma) tão categóricas?

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Irão: Guerra ou Paz?

Mais um excelente artigo de Patrick J. Buchanan, na The American Conservative, que procurei traduzir na íntegra pela sua actualidade e importância. "Pat" Buchanan, que foi candidato à nomeação pelo partido republicano às eleições presidenciais de 1992 e 1996, é um paleoconservador, um homem da Old Right.
«David Petraeus, comparecendo ao lado do director da CIA, James Clapper, perante o Comité de Intelligence do Senado na semana passada, o director dos serviços secretos afirmou sobre o Irão: "Nós não acreditamos que eles na realidade tenham tomado a decisão de prosseguir com a construção de uma arma nuclear."

Antes da audiência, como relata James Fallows do The Atlantic, Clapper divulgou a sua "Avaliação de ameaças em todo o mundo." Nela lia-se: "Não sabemos ... se o Irão irá eventualmente decidir-se por construir armas nucleares."

Clapper reafirmou assim a avaliação de 16 serviços de informações dos Estados Unidos em 2007, alegadamente repetida em 2011, segundo a qual os EUA não acreditam que o Irão tenha decidido tornar-se num estado dotado de armas nucleares.

Em Dezembro, quando o secretário da Defesa Leon Panetta, disse que se o Irão apostasse tudo, talvez pudesse ser capaz de construir uma arma nuclear num ano, o porta-voz do Pentágono George Little apressadamente esclareceu aqueles comentários: "O secretário foi claro pois não temos qualquer indicação de que os iranianos tenham tomado a decisão de desenvolver uma arma nuclear".

Em 8 de Janeiro, o próprio Panetta disse à CBS: "(Está o Irão) tentando desenvolver uma arma nuclear? Não. Mas nós sabemos que eles estão tentando desenvolver capacidade nuclear. E é isso que nos preocupa. E a nossa linha limite para o Irão é: Não desenvolvam uma arma nuclear".

No Super Bowl no domingo, o presidente Barack Obama disse a Matt Lauer da NBC, que espera resolver o problema iraniano "diplomaticamente".

Do acima exposto, podemos concluir que a administração não acredita que o Irão tenha cruzado qualquer linha limite sobre a questão nuclear - e o presidente Obama não deseja a guerra com o Irão.

Quem, então, quer a guerra? O Ayatollah Ali Khamenei? O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad?

Julgando pelas suas acções, dir-se-ia que não. Se o Irão quisesse a guerra com os Estados Unidos, qualquer ataque terrorista no interior deste país ou sobre as forças dos EUA no Iraque ou no Afeganistão seria possível ser levado a cabo numa tarde.

A expulsão dos inspectores internacionais da Agência Internacional da Energia Atómica da unidade de enriquecimento de Natanz, a obstrução das câmaras da AIEA, o rompimento dos selos do urânio pouco enriquecido (UPE) lá armazenado, ou a remoção do UPE seria como que uma campainha de alarme para o Pentágono.

Mas os inspectores da AIEA e o UPE ainda lá estão.

Quando a alegada conspiração levada a cabo por um vendedor de carros usados ​​no Texas para contratar criminosos de um cartel mexicano para fazer explodir um restaurante em Washington D.C. e matar o embaixador saudita foi revelada, o Irão negou enfaticamente qualquer envolvimento e exigiu entrevistar o suposto mentor.

Além do mais, Teerão ainda não retaliou pelos assassinatos de cinco dos seus cientistas nucleares e dos quatro ataques terroristas levados a cabo pela Jundallah no Sistan-Baluquistão e pelo PJAK, uma organização curda terrorista que opera a partir do Curdistão iraquiano. O Irão alegou envolvimento de ocidentais e israelitas nesses ataques.

Agora que a secretária de Estado Hillary Clinton negou qualquer envolvimento dos EUA, a Mossad é o principal suspeito por trás do assassinato dos cientistas nucleares. E nos EUA o escritor Mark Perry, na Foreign Policy, alega que agentes do Mossad se fizeram passar por elementos da CIA e usaram dólares norte-americanos ​​em Londres para recrutar a Jundallah.

Se isto for verdade, esta seria uma operação clandestina para provocar o Irão a atacar a América. Aparentemente, o Irão não mordeu a isca.

Por que não prosseguiram os iranianos a sua ameaça de fechar o estreito de Ormuz e pelo contrário começaram a recuar nessa ameaça?

A guerra com os Estados Unidos seria um desastre. Embora o regime de Teerão pudesse sobreviver - como Saddam Hussein sobreviveu à "Tempestade no Deserto" - a marinha do Irão, a maior parte do seu armamento, das defesas anti-aéreas e anti-navio e a sua força de mísseis estratégicos seria destruída, como seria muita da infra-estrutura do país. O Irão recuaria anos.

Quem, então, quer a guerra com o Irão?

Todos aqueles que gostariam de a ver exactamente acontecer ao Irão.

E quem são eles? O governo de Netanyahu e a sua câmara de ressonância na política dos EUA e nos media, os neoconservadores, os membros do Congresso, Newt Gingrich e o Rick Santorum.

E como a administração Obama é a força principal na política dos EUA que se opõe à guerra com o Irão, a sua derrota em Novembro aumentaria, à quase certeza, a probabilidade de uma guerra dos EUA com o Irão em 2013.

No entanto, se o Pentágono dos EUA e os serviços de informações estão correctas - o Irão não tem uma bomba e não decidiu construir uma bomba - por que deveríamos entrar em guerra com o Irão?

Resposta: o Irão representa "uma ameaça existencial" para Israel.

Mas Israel tem 200 bombas atómicas e três formas distintas de as lançar, enquanto o Irão nunca construiu, testou ou armou um dispositivo nuclear. Quem é a ameaça existencial para quem aqui?

E apesar de que uma guerra dos EUA contra o Irão seria desastrosa para o Irão, ela não seria nenhum passeio para os americanos, que poderiam tornar-se alvos terroristas durante anos no Golfo, Afeganistão, Zona Verde de Bagdad, Líbano e mesmo aqui nos EUA.

O ano de 2012 está assim se configurando numa eleição de guerra ou paz, com os Republicanos a representarem o partido da guerra e os Democratas o partido da paz e da diplomacia.

E com o passar dos meses daqui até Novembro, tal tornará-se-á claro para a nação.»

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Ex-chefe da CIA apoia Ron Paul

Uma das críticas mais insistentemente dirigidas a Ron Paul por parte do establishment americano, republicano ou democrata, e insistentemente replicada nos meios de comunicação social europeus, respeita ao suposto "isolacionismo" que representaria a adopção da política externa defendida por Paul, ou seja: recusa em prosseguir o papel de polícia mundial e correspondente defesa do regresso das tropas americanas hoje espalhadas pelo mundo fora em 900 bases em 150 países e promoção do comércio entre as nações. Michael Scheuer, ex-chefe da equipa que na CIA esteve no encalce de Osama bin Laden (entre 1996 e 1999), autor da biografia em exposição na vitrina, explica como a adopção de uma política externa assente naqueles dois pilares levaria não a prejudicar mas antes a melhorar a defesa dos Estados Unidos, nomeadamente das suas próprias fronteiras. Palavras particularmente importantes num momento em que o rufar dos tambores de guerra se volta a sentir ouvir e se assiste ao regresso em força, nos democratas e republicanos, dos advogados da doutrina da guerra preventiva.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Irão - EUA: a escalada continua

Hoje: Iran shoots down US drone

Anteontem; Danielle Pletka, uma das principais responsáveis do think tank neocon sobre política externa, o American Enterprise Institute, desenvolveu a ideia de que, afinal, o problema relativamente ao Irão não é tanto a eventual utilização pelo Irão de uma bomba atómica:
«The biggest problem for the United States is not Iran getting a nuclear weapon and testing it, it's Iran getting a nuclear weapon and not using it. Because the second that they have one and they don't do anything bad, all of the naysayers are going to come back and say, "See, we told you Iran is a responsible power. We told you Iran wasn't getting nuclear weapons in order to use them immediately." ... And they will eventually define Iran with nuclear weapons as not a problem.»

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Zona Verde

Deambulando pela blogosfera, reparo que Henrique Raposo ilustra a "trapalhada" no Iraque (a coisa foi e é, em minha opinião, bem mais grave que uma mera trapalhada...) com uma referência ao filme "Zona Verde" cujo principal intérprete é Matt Damon. Sucede que vi o filme, pelo canto do olho, no Domingo passado, na televisão. Matt Damon, talvez esgotado pelos sucessivos Bourne, está um autêntico canastrão num filme que, também ele, devia ser cinematograficamente encanastrado. Porém, a afanosa procura(?), a que se resume o argumento, das "Armas de Destruição Maciça", baseada em anteriores "relatórios"/"denúncias" falsificados, estando obviamente condenada ao fracasso, constitui um quadro em tudo semelhante àquele que se anuncia com o novo rufar de tambores desta vez contra o Irão. Deste modo, o filme, por muito mau que seja (e é), não deixa de ter utilidade didáctica. Que assim tenha sucedido a quem o tenha visto ou ainda o venha a visionar.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

A propósito de um relatório que muito pouco relata

A propósito de um relatório que ainda não exist[e]ia, aproveito agora a oportunidade para o ajudar a divulgar. Está aqui. Estive a lê-lo com atenção e estou totalmente de acordo com Flynt Leverett, professor de Relações Internacionais na Universidade do Estado da Pensilvânia: "o relatório é, em termos substantivos, um colossal não-evento". Não há - ou eu não consigo encontrar -, qualquer prova veiculada no relatório que ateste que o Irão tenha tentado construir uma arma nuclear.

Aliás vale a pena, com a ajuda do Christian Science Monitor [realces meus], fazer uma pequena viagem pelos sucessivos episódios das iminentes ameaças nucleares provenientes do Irão. Começaram exactamente em 1979 com a queda do Xá, remember?
Late 1970s: US receives intelligence that the Shah had "set up a clandestine nuclear weapons development program."

1979: Shah ousted in the Iranian revolution, ushering in the Islamic Republic. After the overthrow of the Shah, the US stopped supplying highly enriched uranium (HEU) to Iran. The revolutionary government guided by Ayatollah Ruhollah Khomeini condemned nuclear weapons and energy, and for a time stopped all projects.

1984: Soon after West German engineers visit the unfinished Bushehr nuclear reactor, Jane's Defence Weekly quotes West German intelligence sources saying that Iran's production of a bomb "is entering its final stages." US Senator Alan Cranston claims Iran is seven years away from making a weapon.

1992: Israeli parliamentarian Benjamin Netanyahu tells his colleagues that Iran is 3 to 5 years from being able to produce a nuclear weapon – and that the threat had to be "uprooted by an international front headed by the US."