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sexta-feira, 24 de abril de 2015
sexta-feira, 13 de junho de 2014
A Conquista dos EUA pela Espanha
Como aqui se dá conta, a declaração que se segue (minha tradução), alegadamente proferida por Winston Churchill em entrevista dada em Londres em 1936 a William Griffin, editor do The New York Enquirer, viria posteriormente a ser desmentida pelo próprio Churchill. Tal facto levou Griffin a intentar-lhe uma acção cível que todavia não chegaria a ser apreciada em tribunal (estava-se então em 1942, e Churchill era primeiro-ministro da Grã-Bretanha em plena II Guerra Mundial).
«A América deveria ter-se preocupado com os seus próprios assuntos e ficado de fora da Guerra Mundial. Se vós não tivésseis entrado na guerra, os Aliados teriam feito a paz com a Alemanha na Primavera de 1917. Tivéssemos feito a paz, não teria havido o colapso na Rússia seguido do comunismo, a desagregação na Itália seguida do fascismo, e a Alemanha não teria assinado o Tratado de Versalhes, que entronizou o nazismo na Alemanha. Se a América tivesse ficado fora da guerra, todos esses "ismos" não estariam hoje a varrer o continente europeu e a destruir o regime parlamentar - e se a Inglaterra tivesse feito a paz nos inícios de 1917, teria salvo as vidas de mais de um milhão de britânicos, franceses, americanos e outros.»
Winston Churchill (Agosto de 1936)
Tenha ou não Churchill proferido esta declaração (cujos pontos de vista eram à época partilhados por outras personalidades como o líder trabalhista Ramsay MacDonald ou o historiador Harry Elmer Barnes), é preciso recuar a 1898 para localizar o ponto de viragem em favor de um assumido intervencionismo externo dos EUA - sempre crescente até hoje - assim abandonando as mais veementes advertências dos Pais Fundadores quanto às consequências que adviriam para a América caso esta alguma vez enveredasse pelo aventureirismo externo.
Com a macabra oportunidade que o reemergir de mais um surto de violência no dilacerado Iraque vem proporcionar, venho sugerir ao leitor uma incursão pela pouco referida guerra Hispano-Americana (que se estendeu a Cuba e Porto Rico, Filipinas e Guam). Para guionista proponho aquele que é um dos meus historiadores preferidos dos séculos XIX e XX, Ralph Raico, que irá invocar o injustamente esquecido William Graham Sumner. A tradução do texto (de uma alocução proferida de Raico na FEE em 1995, também disponível em áudio) é da minha responsabilidade bem como das imagens escolhidas.
Por Ralph Raico (1995)
O ano de 1898 constituiu um marco na história americana. Foi o ano em que a América entrou em guerra com a Espanha - o nosso primeiro envolvimento com um inimigo estrangeiro no amanhecer da era da guerra moderna. À parte uns escassos períodos de contenção, nunca mais deixámos de nos enlear nos conflitos externos.
Ralph Raico
Algures na década de 1880, um grupo de cubanos iniciou a luta pela independência da Espanha. Tal como sucedeu antes e depois com muitos revolucionários, tinham pouco apoio real entre a massa da população. Recorreram assim a tácticas terroristas: devastando zonas rurais, dinamitando ferrovias, e matando aqueles que lhes surgiram pela frente. As autoridades espanholas responderam com duras contramedidas.
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Brisa capitalista em Cuba
A possibilidade de promover a compra e venda de habitação em Cuba está a fazer (re)nascer o poder do mercado. São vários os sites (por exemplo, este) onde se promove compra e venda e aluguer de habitações. Yoani Sánchez, uma conhecida blogger, frequentemente acossada pelas autoridades, está atenta ao fenómeno e faz eco do seu significado (minha tradução e realce):
"O que também é interessante é a completa e pragmática avaliação que é feita de cada casa posta à venda. Os anúncios tornaram-se sofisticados, acompanhados por fotos e descrições favoráveis da casa quanto ao "bom abastecimento de água", à sua magnífica localização num bairro tranquilo, ou às possibilidades de a ampliar e construir sobre o telhado. Mas há um qualificativo que ninguém se esquece de acrescentar e que é, acaso a sua habitação o justifique, se se trata de uma "construção capitalista", isto é, se foi construída antes de 1959. Há uma separação clara das águas e uma divisão implacável entre a que foi construída antes da Revolução e a que foi construída durante a mesma. Se o prédio de apartamentos é dos anos 40 ou 50, o preço dispara , enquanto os apartamentos construídos pelas microbrigadas [link], cujas torres pré-fabricadas foram erigidas durante os anos da sovietização, são relegados para um patamar inferior de oferta. O mercado imobiliário traz à tona - com toda a dureza - uma escala de valores que está longe do discurso oficial e que reatribui um novo valor a tudo, um critério objectivo para aferir a qualidade."
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
O assalto neoliberal
Depois de no passado mês de Outubro ter sido legalizada a compra e venda de automóveis usados (adquirir veículos novos continuará a ser difícil), de ter sido permitido do exercício do trabalho por conta própria num determinado número de profissões previamente aprovadas (há que manter a cautela, nunca se sabe…) - e mesmo permitido a actividade de aluguer de quartos e carros, eis que o neoliberalismo assaltou de vez o Comité Central em Havana: ainda que com restrições, passou a ser possível aos cubanos vender e comprar propriedades imobiliárias e deixá-las aos seus descendentes!
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