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sábado, 26 de julho de 2014

E se a democracia for uma fraude?

O título do post, que roubei de um artigo do juiz Andrew Napolitano recentemente publicado no Washington Times, dispensa uma apresentação elaborada. Trata-se de um convite à reflexão relativamente ao "endeusamento democrático" em que vivemos, ainda que ilustrado com a realidade e história americanas. A tradução que se segue desse artigo, da minha responsabilidade, é um substituto possível para aqueles que, como vivamente se aconselha, não o puderem ler no original.
23 de Julho de 2014
Por Andrew P. Napolitano
E se a democracia for uma fraude?

E se se desse o caso de ser permitido votar apenas porque isso não faz diferença? E se, independentemente de como se votar, as elites conseguirem sempre os seus intentos? E se o conceito de "uma pessoa, um voto" fosse apenas uma ficção criada pelo estado para induzir a complacência?
Andrew P. Napolitano

E se a democracia, sob a forma que veio a adquirir hoje na América, for perigosa para a liberdade pessoal? E se se der o caso de a nossa alegada democracia corroer o entendimento por parte do povo dos direitos naturais e das razões de ser da existência do governo e, em vez disso, transformar as campanhas políticas em concursos de beleza? E se a democracia americana permitir ao governo fazer o que bem entender, enquanto houver mais pessoas a preocupar-se em aparecer na cabina de voto para apoiar o governo do que a surgir a dizer não?

E se o propósito da democracia contemporânea for o de convencer as pessoas de que poderiam prosperar não por via da criação voluntária de riqueza mas do roubo de outros? E se a única forma moral de adquirir riqueza for através da actividade económica voluntária? E se o estado tiver persuadido as pessoas que poderiam adquirir riqueza através da actividade política? E se a actividade económica incluir todas as coisas que são produtivas e pacíficas que fazemos de forma voluntária? E se a actividade política incluir todas as coisas parasitas e destrutivas que o estado faz? E se o estado nunca tiver criado riqueza? E se tudo o que o que o estado detém tiver sido roubado?

sexta-feira, 7 de março de 2014

Juiz Napolitano: O monstro Putin

De há muito que o Andrew Napolitano é uma presença assídua neste blogue quer através de clips do saudoso programa televisivo da Fox, Freedom Watch, quer pelos seus artigos e livros que publica regularmente. Antigo juiz do equivalente a um tribunal da Relação, fervoroso defensor do espírito e letra da Constituição americana e dos Pais Fundadores, Napolitano faz valer as suas qualidades de jurisconsulto na veemente defesa da Liberdade. Rigoroso e eloquente, mas sempre didáctico, Napolitano explica no artigo que se segue (minha tradução) porque não devem os EUA imiscuir-se num conflito onde nada têm a defender que lhes seja, sequer remotamente, vital ainda que o comportamento imperial do governo do ex-KGB seja, como é, abjecto. Para o efeito, irá também convocar o 6º presidente dos EUA, John Quincy Adams. Tomara que Woodrow Wilson tivesse seguido os conselhos que aquele proferiu ao invés de ter adoptado a "progressiva" e catastrófica doutrina segundo a qual os EUA têm a missão (divina?) de "tornar o mundo seguro para a democracia". As centenas de milhões de mortos que ocorreram no século XX têm aí a sua raiz. Por essa razão, importa retomar em breve a série de posts relativos à mãe de todas as catástrofes a que o século passado assistiu. O que faremos nos próximos dias.
6 de Março de 2014
Por Andrew P. Napolitano

O monstro Putin (Monster Putin)

O que sucede quando o governo dos Estados Unidos participa, de modo significativo, no derrube de governos estrangeiros em nome da difusão da democracia? Esse comportamento resulta geralmente em consequências não-intencionais e, com frequência, resulta em desastres.

Andrew P. Napolitano
Quando os Estados Unidos invadiram o Iraque em 2003, inicialmente para procurar armas de destruição maciça que, sabemo-lo agora, o governo Bush sabia não existirem, e promover a mudança de regime, os EUA conseguiram mudar profundamente a governação iraquiana. Mas, nesse processo, perdemos a vida de 4,500 soldados norte-americanos, sofremos 45 mil feridos, pedimos emprestados e gastámos - e não pagámos - mais de 2 milhões de milhões de dólares, causando a morte a 650 mil iraquianos e o desalojamento a 2,5 milhões, e abrimos o caminho no Iraque ao nosso inimigo público - a Al-Qaeda. A Al-Qaeda não estava no Iraque antes da nossa invasão. Hoje, ela controla um terço do país tornado instável.

Em 2010, o presidente Barack Obama decidiu que já não gostava do ditador favorito da América no Médio Oriente, o presidente Hosni Mubarak do Egipto, muito embora ele e os seus quatro antecessores imediatos tenha dado ao governo Mubarak, anualmente, cerca de 4 mil milhões de dólares. Foi assim que os nossos agentes fomentaram a revolução nas ruas, enquanto Obama sugeria abertamente que chegara a hora de Mubarak deixar o poder. Em seguida, as ansiadas e prometidas eleições livres tiveram lugar, e o inimigo declarado do Ocidente e um islâmico fanático, Mohammed Morsi, tornou-se no primeiro presidente eleito pelo povo na história do Egipto. Depois, os EUA decidiram que não o queriam na cadeira do poder independentemente da legalidade e da legitimidade moral da sua eleição, levando assim a administração Obama a incentivar um golpe militar.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Uma vasta conspiração bem real, desta vez não precedida de nenhuma "teoria"

Tenho, com frequência e não menos veemência, procurado fazer eco da atenção que se exige a todo o amante da liberdade para o progressivo caminhar em direcção a Estados de Vigilância cuja sofisticação e, sobretudo, abrangência indiscriminada fariam uma qualquer STASI ficar roxa de inveja. Tal como já tinha sucedido com o caso Manning, também Edward Snowden mereceu entre nós muito mais acinte que aplauso e, lamento dizê-lo, não apenas nos media do mainstream, o que já se esperaria, mas também na generalidade da blogosfera e, claro está, da esmagadora maioria da intelligentsia doméstica. Parece-me evidente existir uma relação entre a extrema leniência com que a cobertura destes casos foi tratada e tem sido tratada com o facto de o actual ocupante da Casa Branca ser quem é.

Ao nível dos estados europeus a hipocrisia com que têm tratado as revelações de Snowden é imensurável. Depois dos "arroubos" iniciais quanto ao carácter "intolerável" da espionagem levada a cabo pela NSA a residentes - e politicos! - desses países, eis que rapidamente se percebeu que realmente de meros arrufos se tratavam passadas umas semanas. Pois se até se ficou a saber que a NSA espiava por conta de serviços secretos europeus! Como de costume em matérias de "indignação", a França, pela voz do locatário do Eliseu, foi das primeiras e mais contundentes na retórica. Viu-se, agora mesmo, o que ela valia. Uma vergonha. (Ver, a propósito, o contundente e certeiro post de Gabriel Silva).

Perceba-se, de uma vez, que este não é um assunto próprio dos que se interessam pelo exotismo americano. Diz-nos respeito a todos, ou pelo menos àqueles que se opõem à servidão. Que este texto do juiz Andrew Napolitano possa contribuir para melhor esclarecer o que está em causa. Foi com esse intuito que o procurei traduzir.
«Os leitores desta página estão bem cientes das revelações que se foram sucedendo nos últimos seis meses sobre a espionagem levada a cabo pela Agência de Segurança Nacional (NSA). Edward Snowden, um ex-empregado de um fornecedor da NSA, arriscou a vida e a liberdade para nos informar da existência de uma conspiração governamental para violar o nosso direito à privacidade, um direito garantido pela Quarta Emenda.

Andrew P. Napolitano
A conspiração que ele revelou é vasta. Envolve o antigo presidente George W. Bush, o presidente Obama, membros dos seus gabinetes, cerca de uma dúzia de membros do Congresso, juízes federais, gestores e técnicos de empresas americanas de computadores servidores e de telecomunicações, e milhares de empregados da NSA e dos seus fornecedores que manipularam os seus companheiros de conspiração. Todos os conspiradores concordaram entre si que qualquer deles cometeria um crime caso revelasse a conspiração. O sr. Snowden violou esse acordo de modo a respeitar o seu juramento de ordem superior de defender a Constituição.

O objectivo da conspiração é o de emascular todos os americanos e muitos estrangeiros quanto ao seu direito à privacidade a fim de prever o nosso comportamento e tornar mais fácil encontrar aqueles que entre nós estão a planear provocar o mal.

Uma conspiração é um acordo entre duas ou mais pessoas para cometer um crime. Os crimes consistem na captura de mensagens de correio electrónico, SMS e telefonemas de todos os americanos, no seguimento dos movimentos de milhões de americanos e de muitos estrangeiros através do sistema GPS nos seus telemóveis, na apreensão dos registos bancários e das facturas dos serviços das utilities [electricidade, gás, água, etc.] da maioria dos americanos em violação directa da Constituição, e em pretender estar a agir no quadro da lei. O pretexto é que o Congresso de algum modo terá reduzido o padrão para definir espionagem que está estabelecido na Constituição. É, obviamente, inconcebível que o Congresso possa mudar a Constituição (só os estados o podem fazer), mas os conspiradores queriam fazer-nos acreditar que isso tivesse sucedido.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

A difícil relação do Papa Francisco com a Economia

está bem ilustrada nas palavras que se seguem do juiz Andrew Napolitano, em tradução minha, publicadas no Washington Times de ontem com o título Pope Francis should be saving souls, not pocketbooks ("O Papa Francisco devia estar a salvar as almas, não as carteiras"). Napolitano, um assumido membro da igreja católica romana, que lamenta em particular os caminhos que esta tomou no pós-Vaticano II, é duro mas piedoso para com Francisco. Por isso, vai rezar por ele.

Não sendo eu religioso (embora tenha há muito abandonado um implícito activismo ateísta), não posso evidentemente negar a matriz judaico-cristã da civilização ocidental que nos marca e a importância, a que devemos reverência, em justa medida, da Tradição. Não há, ou não creio que haja, qualquer contradição no reconhecimento deste facto e na simultânea defesa vigorosa da livre interacção entre as pessoas. É este o aspecto que mais me interessa neste artigo (como também já sucedera aqui). Regressarei em breve ao tema a propósito de um excerto da encíclica Rerum Novarum, de 1891, que João Miguel Tavares esta semana recordava.
Qual é o problema mais grave no mundo de hoje? Será que é a guerra, a fome, o genocídio, a violência sectária, o assassinato, a matança de bebés no útero? Qualquer uma destas respostas seria considerada racional. Quando recentemente fizeram esta pergunta ao papa Francisco, ele respondeu: "O desemprego dos jovens".

Andrew P. Napolitano
É evidente que o desemprego entre os jovens é um problema sério. Em algumas regiões dos Estados Unidos, o país mais rico do mundo, atingiu os 25%. Estas são pessoas que já não frequentam a escola a tempo inteiro e ainda não têm 30 anos de idade. É um problema para eles e para as suas famílias, para as suas comunidades e para os estados sociais que os estão sustentando. Será este, todavia, o pior problema no mundo? Será um problema da Igreja Católica Romana? Será algo para o qual o papa tem competência para comentar ou resolver?

Os comentários do papa ao desemprego dos jovens foram recentemente retirados do site do Vaticano. Mal isso sucedeu, logo o Santo Padre fez publicar a sua primeira exortação apostólica - uma doutrina papal formal, por oposição aos agora famosos comentários feitos de improviso na parte de trás de um avião mas porém feitos on-the-record -.

A sua exortação diz respeito à economia e revela uma ignorância perturbadora. Digo isso com respeito e deferência. Digo isso também como um católico romano tradicionalista que lamenta a diluição pós-Vaticano II de tradições sagradas, do enfraquecimento do ensinamento moral e da trivialização das práticas litúrgicas. Digo igualmente isto, porém, como um firme crente de que o Papa Francisco é o Vigário de Cristo na Terra e, como tal, personifica a autoridade magisterial da Igreja. Ele é moral e juridicamente capaz de falar ex cathedra - isto é, de modo infalível - mas apenas após exame e depuração dos ensinamentos tradicionais da Igreja e somente em matérias que afectem a fé e a moral.

Graças a Deus, por assim dizer, que a sua autoridade de magistério está limitada à fé e à moral, porque em matéria de economia, ele anda bem longe do alvo.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Espiando o presidente dos Estados Unidos

Num esclarecedor texto dotado do vigor usual do juíz Andrew P. Napolitano - Spying on the President -, passa-se em revista o que já se conhece do mega-escândalo da espionagem levada a cabo pela NSA. Este terá agora conhecido um pico (não digo zénite porque há ainda muito por conhecer) quando se concluiu que até o presidente dos EUA foi espiado pela própria NSA! (Não recordo que George Orwell ou Joseph Heller tenham chegado a tanto!) Napolitano proporciona-nos ainda uma perspectiva histórica da espiral vertiginosa em direcção ao Estado de Vigilância focando dois momentos notáveis da história americana: um mais recente - a "Guerra ao Terrorismo" lançada em sequência dos acontecimentos de Setembro de 2001 -, que justificaria o infame "Patriot Act" e um outro que nos leva a recuar 100 anos até à "Era Progressiva" em que, e por exemplo, foi criada legislação como o Sedition Act (em 1918) que serviu, para condenar (em 2013!) Chelsea (ex-Bradley) Manning.

Lamentando as limitações da minha tradução, aconselho vivamente a leitura do original.
Quando a chanceler alemã, Angela Merkel, comemorou a inauguração da nova embaixada dos EUA em Berlim, em 2008, ela não poderia imaginar que estava a abençoar o local de trabalho do maior e mais eficaz magote de espiões americanos fora dos EUA.

Andrew P. Napolitano
Isto parece saído de um filme de série B, mas é o que tem acontecido nos últimos 11 anos: a NSA tem vindo a usar Merkel para espiar o presidente dos Estados Unidos. Sabemos agora que a NSA escuta e grava as chamadas telefónicas do telemóvel de Merkel desde 2002. Em 2008, quando a nova embaixada abriu, a NSA começou a utilizar técnicas mais sofisticadas que incluiam não apenas a sua escuta, mas também o seu seguimento. Merkel usa o seu telemóvel com mais frequência que o telefone fixo, e utiliza-o para comunicar com o marido e com os seus famíliares, com a liderança do seu partido e com os seus colegas e funcionários do governo alemão.

Ela também usa o telemóvel para falar com líderes estrangeiros, entre os quais terão estado o presidente George W. Bush e o presidente Obama. Pelo que se conclui que a NSA - que Bush e Obama ilegal e inconstitucionalmente autorizaram a obter e a conservar cópias digitais de todas as conversas telefónicas, mensagens de texto e e-mails de toda a gente nos EUA, bem como de centenas de milhões de pessoas na Europa e na América Latina - tem escutado os telefonemas de ambos os presidentes americanos sempre que estes conversaram com a chanceler.

Poder-se-ia entender a propensão da NSA para escutar as conversas daqueles líderes estrangeiros que nos quisessem fazer mal. E seria de esperar que o fizessem. Mas o ímpeto em escutar a liderança dos nossos aliados não tem qualquer utilidade perceptível. Pelo contrário, alimenta a desconfiança entre as nossas nações e, no caso de Merkel, exacerba as memórias da Stasi que tudo via e tudo escutava, organização que era a versão alemã oriental da KGB que comandava o estado policial desde o final da II Guerra Mundial até ao seu colapso em 1989. Merkel foi criada na Alemanha de Leste e tem uma repulsa pessoal pelo conceito de estado de vigilância omnipresente.

Obama aparentemente não tem essa repulsa. Poder-se-ía pensar que ele não esteja contente com o facto de os seus próprios espiões o terem estado a escutar. Esperar-se-ia que ele tivesse conhecimento disso. Não por mim, afirma o general Keith Alexander, o director da NSA, que contestou alegações dos media segundo as quais ele informara Obama acerca da rede de espionagem da NSA na Alemanha no Verão passado. Ora, ou o presidente soube disto e nega-o, ou ele é insuperavelmente ignorante quanto às forças que lançou sobre nós e sobre si mesmo.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Síria: uma interpretação do que aconteceu nos últimos dias

Num estilo inconfundível, o juíz Andrew Napolitano faz uma leitura interpretativa dos mais recentes acontecimentos na Síria, nomeadamente o recuo a que Obama foi obrigado (também pela sua própria e extraordinária inépcia). Como é habitual, trata-se de mais um brilhante texto por parte de Napolitano que, se possível, deve ser lido no original - "Obama’s Incompetent and Unconstitutional Case for War". A tradução que se segue, de minha responsabilidade, empalidece a qualidade do texto mas tenho esperança que possa ser, não obstante, um contributo para difundir uma interpretação dos acontecimentos (que estão longe de terem estabilizado) que é muito diferente da transmitida pelos media portugueses.
Quando o secretário de Estado John Kerry, aparentemente irritado pela falta de sono, respondeu de uma forma arrogante mas que pensava ser realista, à pergunta de um repórter numa conferência de imprensa em Londres, no fim-de-semana passado, ele dificilmente poderia imaginar qual seria a reacção do mundo. Questionado sobre se existiria alguma coisa que o presidente sírio, Bashar al-Assad, poderia fazer àquela hora relativamente tardia para evitar uma invasão americana, Kerry disse a uma audiência internacional que se Assad desistisse de todas as armas químicas que o seu governo possui, os EUA renunciariam a uma invasão.

Mas tal não constituía uma preocupação, acrescentou Kerry. Assad não irá fazer isso, e nós acabaremos por invadir a Síria de modo a cumprir a ameaça do presidente Obama. Durante dois dias, Obama manteve-se em silêncio sobre isto enquanto o seu arqui-inimigo, o presidente russo, Vladimir Putin, se colocava sob os holofotes arrogando-se da superioridade moral.

Putin, parecendo-se mais com um laureado com o Nobel da Paz do que com o assassino por que é conhecido, ofereceu-se para mediar um acordo segundo o qual o stock químico sírio seria entregue às Nações Unidas, o governo sírio poderia continuar a defender-se dos esforços da Al-Qaeda para tomar o poder, e os EUA não interviriam na Síria.

Obama é normalmente firme quanto à sua convicção de que necessita fazer valer a ameaça que proferiu no Verão passado, quando tentava superar Mitt Romney na dureza da retórica. Foi nessa altura que Obama ameaçou intervir na guerra civil da Síria se fossem usadas armas químicas pelo governo. Não obstante, e odiando o embaraço internacional que viu desabar sobre si, quando subitamente Putin parece ser mais razoável que ele, Obama admitiu à minha colega da Fox News, Chris Wallace, que a ideia inspirada por Kerry e pressionada por Putin parecia merecer ser considerada. E de seguida o governo sírio concordou.

Ainda na semana passada, o presidente argumentava que só a força militar poderia mostrar ao mundo que os EUA não falam em vão. Ainda na semana passada, ele deu-se conta que precisava de cobertura política para justificar uma invasão impopular, e por isso pediu ao Congresso autorização para invadir a Síria, mesmo sabendo que já detém a autoridade legal para ordenar uma invasão. Ainda na semana passada, enviou a sua equipa política, incluindo a ex-secretária de Estado, Hillary Clinton, para defender que a guerra é a única saída. E ainda na semana passada, insinuou que poderia bombardear a Síria mesmo que o Congresso dissesse que não.

O que aconteceu?

domingo, 28 de julho de 2013

Liberdade e segurança

Num belo texto que merece uma leitura completa, se possível no original, o juiz Andrew Napolitano desmonta a tentativa, abusiva, daqueles que pretendem equiparar a liberdade e a segurança a propósito do "caso" Edward Snowden. A tradução, particularmente arriscada, é minha.
"Quando Edward Snowden revelou que o governo federal, num desafio directo à Quarta Emenda da Constituição, estava ilícita e inconstitucionalmente a espiar todos os americanos que usam telefones, mensagens de texto ou e-mails para comunicar com outras pessoas, ele abriu uma caixa de Pandora de alegações e recriminações. As alegações que desencadeou são as de que os americanos têm um governo que assalta as nossas liberdades pessoais, actua em segredo e viola a Constituição e os valores em que ela se baseia. As recriminações são as de que a segurança é um bem maior do que a liberdade, e Snowden interferiu na capacidade do governo para nos manter seguros, expondo os seus segredos, e por isso deve ser silenciado e punido.

No decorrer deste debate, já se ouviu o argumento de que todos nós precisamos de sacrificar alguma liberdade de modo a garantir a nossa segurança, que a liberdade e a segurança são contrapesos que, quando chocam entre si, é ao governo que deve assegurar um novo equilíbrio decidindo qual deverá prevalecer. Este é, naturalmente, um argumento que o governo adora, pois pressupõe que o governo tem o poder moral, legal e constitucional para fazer esse rearranjo satânico.

Ora ele não tem esse poder.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

O Presidente-Sol e ambientalmente correcto

Para além desta via, o juiz Napolitano explica no video como se vem processando nos EUA o esvaziamento do Legislativo em favor do crescente protagonismo proto-absolutista do presidente. De especial realce o papel das agências regulatórias neste processo e, dentro destas, o da omnipresente e omnipotente agência de protecção do ambiente (EPA) cuja última liderança terminou envolta em densa nebulosa ainda por deslindar. Como já Václav Klaus assinalava aqui, a propósito do declínio económico europeu e de como inverter: "[w]e should stop the creeping but constantly expanding green legislation. The greens must be stopped from taking over much of our economy under the banner of such flawed ideas as the global warming doctrine"

sábado, 29 de setembro de 2012

Da Primavera Árabe ao Inverno Ocidental

O Juíz Andrew Napolitano assina um artigo na Reason sob o título The Arab Spring Becomes a Western Winter (tradução minha):
Está o Médio Oriente árabe pronto para a democracia? Sabemos como os dois últimos presidentes americanos responderam a esta pergunta.

O objectivo declarado e revisto por trás das invasões do Afeganistão e do Iraque pelo presidente George W. Bush foi o da construção de uma nova ordem mundial, impondo a democracia a populações que lhe eram inteiramente estranhas. O propósito original anunciado para invadir o Afeganistão era destruir as pessoas que forneceram abrigo aos agressores do 11/9, e o propósito original anunciado para invadir o Iraque foi o de nos livrarmos de um governo que possuía e poderia usar armas de destruição maciça.

Mas quando soubemos que o apoio efectivo para os ataques do 11/9 veio de pessoas protegidas pelos nossos supostos amigos na Arábia Saudita, e quando soubemos que as únicas armas de destruição maciça na posse do Iraque eram as que os EUA venderam a Saddam Hussein, em meados dos anos 1980, que ele já não possuía, a administração Bush mudou a retórica, mas não a violência ou o seu custo.

Uma vez que o termo dessas guerras surgiu após a instalação de regimes fantoches em ambos os países, e atendendo a que esses regimes reivindicam agora legitimidade porque foram eleitos pelo povo que foi autorizado a votar, temo-nos recordado que a democracia é mais do que o resultado de uma maioria de votos. É o respeito pelo primado do direito e do reconhecimento dos direitos inalienáveis ​​do indivíduo. Não é a tortura, as execuções extra-judiciais, ou a violação sancionada pelo governo e a supressão legal de mulheres e meninas; não é o ódio e a perseguição racial, religiosa e étnica; e não é a lei da força das turbas nas ruas.

Quando o Egipto estava num turbilhão há um ano atrás, o presidente Obama empurrou Hosni Mubarak para fora da cadeira. Ele era a marionete americana de longa data e o homem-forte egípcio que se chamava a si mesmo de presidente, mas que nunca foi realmente eleito. A sua queda foi seguida por uma ditadura militar de curta duração, a que se seguiu a eleição popular de radicais islâmicos para o governo. Eles odeiam o Ocidente, os EUA e Israel.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

As últimas palavras de Napolitano no 'Freedom Watch'



A FOX decidiu cancelar o programa do Juíz Andrew Napolitano, 'Freedom Watch', de onde retirei muitos clips para outros tantos posts. No Facebook, Napolitano assevera os seus fãs que continuará a ser uma voz activa na defesa da liberdade. Assim espero que aconteça. Na televisão e na escrita onde aprendi a apreciá-lo.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

EUA: dois partidos = diferença zero

Lew Rockwell e Jacob Hornberger, no programa do juiz Napolitano, Freedom Watch, não encontram diferenças de substância entre Republicanos e Democratas:

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

What if (3)

Ex-chefe da CIA apoia Ron Paul

Uma das críticas mais insistentemente dirigidas a Ron Paul por parte do establishment americano, republicano ou democrata, e insistentemente replicada nos meios de comunicação social europeus, respeita ao suposto "isolacionismo" que representaria a adopção da política externa defendida por Paul, ou seja: recusa em prosseguir o papel de polícia mundial e correspondente defesa do regresso das tropas americanas hoje espalhadas pelo mundo fora em 900 bases em 150 países e promoção do comércio entre as nações. Michael Scheuer, ex-chefe da equipa que na CIA esteve no encalce de Osama bin Laden (entre 1996 e 1999), autor da biografia em exposição na vitrina, explica como a adopção de uma política externa assente naqueles dois pilares levaria não a prejudicar mas antes a melhorar a defesa dos Estados Unidos, nomeadamente das suas próprias fronteiras. Palavras particularmente importantes num momento em que o rufar dos tambores de guerra se volta a sentir ouvir e se assiste ao regresso em força, nos democratas e republicanos, dos advogados da doutrina da guerra preventiva.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

O embuste da dívida

Com a dívida pública dos EUA já a ultrapassar os 100% do PIB e esse facto suscitar uma preocupação crescente na opinião pública (fundamentalmente, via Ron Paul), é muito útil ao presidente em exercício que um nobelizado economista, dotado de um poderoso altifalante no New York Times, produza escritos como o "Nobody Understands Debt" para "explicar" que a dívida pública seria essencialmente diferente da dívida privada, pois na primeira, observado um pequeno detalhe(*), tratar-se-ia apenas de "dívida que devemos a nós próprios" («we owe it to ourselves»)! Já aqui tinha aludido aos fretes que uma determinada (e numerosa) escola de economistas pressurosamente apresenta para justificar políticas advogadas por políticos (Krugman amparando Obama como o "grande" Keynes justificou ex-post as políticas de Franklin Delano Roosevelt hoje). Robert Murphy, no programa do juíz Andrew Napolitano, desmonta a falácia de Krugman e sublinha a vitória do senso comum do cidadão leigo mas consciente perante as construções habilidosas de doutorados com paramentos mais ou menos vistosos.


(*)- Nas palavras de Krugman, "all they [the Governments] need to do is ensure that debt grows more slowly than their tax base". Não foi bem isso que sucedeu em Portugal. Por isso, Sócrates, depois de justificar o despilfarro despesista dos seus governos com o credo krugmanita, teve agora que ler - hélas! -, pela pena do próprio Krugman, a desautorização da política que seguiu. Daí o nítido incómodo de um certo jovem deputado, ao que dizem muito promissor.

domingo, 27 de novembro de 2011

Um poderoso apelo à Liberdade

Todas as semanas, no seu programa televisivo "Freedom Watch", o juíz Andrew Napolitano, em cada intervenção sob o mote "Toda a verdade" (The Plain Truth),  pergunta à sua audiência, incitando-a a reflectir: «Does the government work for us or do we work for the government?». O programa que passou no dia 24 de Novembro passado, que só agora vi (via Karen de Coster), constitui um dos mais pujantes hinos à Liberdade que tenho conhecimento.

Obrigatório ver. E reflectir.

domingo, 30 de outubro de 2011

O Juíz Napolitano no programa de Jon Stewart

A propósito do lançamento deste livro - It Is Dangerous to Be Right When the Government Is Wrong: The Case for Personal Freedom, de que já tinha dado um apontamento aqui - Jon Stewart assume o papel de um entrevistador que não pretende facilitar o argumentário de um defensor do libertarianismo como é Andrew Napolitano. Nas suas três partes, especialmente a terceira, um excelente programa.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O truque mais velho do mundo

é o que consiste em simular uma ameaça assim justificando iniciar uma luta para a combater:


No seu programa de ontem, o Juíz Napolitano recorda-nos vários destes casos de prestidigitação de ameaças...