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sábado, 1 de novembro de 2014

Instrutivo

A propósito de uma solicitação de um leitor surgida na caixa de comentários do post anterior e da velha ladainha segundo a qual, não sendo possível extrair "rendimento" da posse de ouro físico, a constituição de poupanças materializadas em metal amarelo constituiria uma aplicação sempre especulativa. 


Gráfico da Gold-Eagle, via EPJ

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Conspiracões versus coincidências

Sempre descartei com rapidez, fora das salas de cinema ou dos romances, as designadas teorias da conspiração, inclusive aquelas que me pareciam ultrapassar um limiar mínimo de credibilidade. Recentemente, várias leituras levaram-me por fim a aceitar perceber que, em certos casos (e não são tão poucos assim), a única alternativa a uma determinada "teoria da conspiração" é uma correspondente "teoria da coincidência".

Ontem, durante uma ida ao cinema para ver o último filme de Ridley Scott, “O Conselheiro” (fraquinho, fraquinho...), um dos personagens refere-se a um alguém (colectivo, creio) que não acreditava em coincidências pois nunca se tinha deparado com uma. Não chego tão longe, mas, sabendo-se que a probabilidade da ocorrência conjunta de muitos acontecimentos independentes entre si (só assim poderão ser considerados coincidências) é dada pelo produto das probabilidades de cada um deles, daí resulta necessariamente que o valor dessa probabilidade conjunta tende para algo próximo do infinitamente pequeno.

Deste modo, pelo menos em alguns casos, por baixa verosimilhança que se atribua a uma certa “teoria da conspiração” ela terá de ceder perante uma alternativa cuja probabilidade de ocorrência é infinitesimal (a correspondente “teoria da coincidência”). Assim, e pela aplicação cumulativa do princípio do terceiro excluído, só me resta adoptar o que antes descartava.

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Nota: a objecção mais eficaz contra a plausibilidade de uma qualquer vasta teoria da conspiração, talvez possa ser resumida numa pergunta: “Se ela fosse verdade, não surgiria necessariamente alguém que a denunciasse?”. No entanto, se nos lembrarmos, por exemplo, do Projecto Manhattan, iniciado em 1939, e onde estiveram envolvidas 130 mil pessoas, a resposta é: não necessariamente. Um outro exemplo que ocorre, que envolveu igualmente larguíssimas centenas de pessoas, foi o da decifração do principal código diplomático do Japão e de outros códigos militares navais ocorrida até ao final de 1940, e portanto disponíveis aquando do ataque a Pearl Harbor (7 de Dezembro de 1941), situação que se manteve até ao final da guerra no caso do código diplomático.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Citação do dia (128)

"Emergencies" have always been the pretext on which the safeguards of individual liberty have been eroded."
Friedrich Hayek

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Pat Buchanan: Depois de 58 mil mortos, saímos do Vietname. Quantos americanos mataram os vietnamitas desde que partimos?

É com esta simples pergunta, que roubei para título do post, que termina mais um lúcido artigo de Patrick J. Buchanan - To Stop al-Qaeda, Stop Bombing & Occupying Muslim Lands. A tradução é minha.

ACTUALIZAÇÃO: afinal, parece que a ameaça global terrorista se circunscreve ao Iémen.
Aparentemente, a ameaça é séria e específica.

Os Estados Unidos ordenaram o fecho de 22 missões diplomáticas e emitiram um alerta mundial para os cidadãos norte-americanos em viagem.

A ameaça vem da Al-Qaeda na Península Arábica (a AQPA), o ramo mais letal da organização terrorista.

"Depois de Benghazi", disse o senador Lindsey Graham (Republicano, da Carolina do Sul), "esses elementos da Al-Qaeda estão realmente 'sob esteróides' e pensam que nós estamos mais fracos e que eles estão mais fortes. (...)

"Eles querem expulsar o Ocidente do Médio Oriente e tomar o poder nesses países muçulmanos e criar uma entidade religiosa à imagem da Al-Qaeda (...) e, se nós alguma vez mordermos o isco e tentarmos voltar para casa e transformar a América numa fortaleza, haverá outros 11 de Setembro."

Na momento em que esta coluna for publicada, a América poderá já ter sido atingida. E no entanto, não será já tempo de colocar a Al-Qaeda em perspectiva e examinar se a nossa política no Médio Oriente está a criar mais terroristas do que aqueles que estamos a matar?

Em 2010, a América perdeu 15 cidadãos devido ao terrorismo. Treze deles morreram no Afeganistão. O pior ataque resultou no assassinato de seis americanos numa missão médica cristã na província de Badakhshan.

E no entanto, em 2010, nem uma morte aqui na América resultou de terrorismo.

Naquele ano, porém, 780 mil americanos morreram de doenças cardíacas, 575 mil de cancro, 138 mil de doenças respiratórias, 120 mil em acidentes (35 mil em acidentes de automóvel), 69 mil de diabetes, 40 mil induzidas por drogas, 38 mil por suicídio, 32 mil por doenças do fígado, 25 mil por mortes induzidas pelo álcool, 16 mil por homicídio e 8 mil pelo HIV/SIDA.

Será o terrorismo o assassino que mais devemos temer, nele investindo a parte de leão dos nossos recursos de combate?

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

7 coisas com que estou mais preocupado do que com um ataque terrorista

A propósito da "chuva" de notícias quanto à "iminência" de ataques terroristas (num timing muito conveniente para uma administração fortemente abalada por sucessivos escândalos, em particular o da revelação da extensão das actividades de espionagem interna sobre a generalidade dos seus próprios cidadãos), e com a permissão de Robert Wenzel (que há pouco mais de um ano atrás foi convidado a dar uma palestra na Reserva Federal de Nova Iorque), de seguida traduzo o seu post de hoje (ontem) - 7 Things I Am More Concerned About Than a Terrorist Attack:
"O que estou a fazer na sequência do novo alerta terrorista lançado pelo governo dos EUA? Absolutamente nada.

A probabilidade de vir a ser alvo de um ataque terrorista é inferior a 0,0000000001%. Todavia, há coisas com que estou realmente preocupado:
  1. Com o caminhar pelas ruas, noite dentro, com medo de ser assaltado por jovens praticamente iletrados saídos de uma escola pública, que são impedidos de dar os primeiros passos para conseguir um emprego, devido às leis do salário mínimo.
  2. Com o Obamacare que outra coisa não irá fazer que não seja introduzir o socialismo no sector médico e, em última análise, conduzir ao declínio da esperança de vida nos EUA.
  3. Com o crescimento do estado de vigilância. Edward Snowden tinha toda a razão ao salientar que aquilo que temos é um estado  que, de um momento para o outro, pode mudar a agulha da espionagem para a tirania. Essa mudança não ocorreu, ainda, de uma forma que impacte com a maioria de nós. Mas é uma mudança que pode acontecer a qualquer momento.
  4. Com os negócios crony capitalist/governo que sufocam o sistema de mercado livre e movimentam mais poder para as mãos dos crony capitalists, que se alimentam cada vez mais à conta do estado.
  5. Com o activismo das operações por parte do governo para silenciar os whistleblowers e outros desmascaradores de actividades governamentais ( Bradley Manning, Edward Snowden, Julian Assange), de modo a tornar mais difícil de compreender aquilo que o governo anda a fazer.
  6. Com a emissão de moeda por parte da Reserva Federal que pode levar à explosão de uma muito forte inflação a qualquer momento.
  7. Com a emissão de moeda por parte da Reserva Federal resultando numa economia manipulada que leva a economia a entrar em cíclicos estados maníaco-depressivos.
Estes são todos perigos reais criados pelo estado. Quando o estado nos adverte para um potencial ataque terrorista, tenham em mente o que o estado está a fazer-nos diariamente - coisas que têm um impacto muito real sobre as nossas vidas diárias. O estado representa uma ameaça muito maior para nós que uma probabilidade inferior a 0,0000000001% de sermos afectados directamente por um ataque terrorista.

Aqui fica o meu alerta: TEMAM O ESTADO, ELE ESTÁ-NOS ATACANDO AGORA."

sábado, 3 de agosto de 2013

Nada a esconder, nada a temer? Cuidado!

Para aqueles que subscrevem  a ideia que subjaz ao título do post - que também creio serem a larga maioria -, Simon Black, o editor do Sovereign Man, apela aqui a que se exerça a faculdade de pensar ao mesmo tempo que se veja o que se passa à nossa volta.

Porque me revejo na sua análise,  porque a liberdade não pode submeter-se à segurança, pois esta deriva daquela, procurei traduzir os excertos que se seguem, convidando ainda os leitores, mesmo que tecnologicamente mais avessos, a ler - e a seguir -, os conselhos que aqui se elencam para conseguir um melhor grau de protecção da sua privacidade na utilização de meios digitais (e que já em Perigo Público, num filme de 1998, se podia antever (ou seria já então realidade?)).
Em qualquer discussão sobre a privacidade, há invariavelmente alguém que diz: "Bem, se não se tem nada a esconder, nada se tem a temer."

Que treta pegada! Esta, que talvez seja uma das mais ignorantes declarações jamais proferidas, é, porém, aceite pela grande maioria das pessoas que ainda confia nos seus governos.

Ontem, o jornal britânico The Guardian publicou mais um exemplo da falácia total que constitui esta maneira de pensar .

Na quarta-feira desta semana, Michele Catalano e o seu marido, ambos residentes em Long Island, foram saudados por um bater à sua porta por uma brigada de luta anti-terrorista.

Aparentemente, as suas pesquisas no Google haviam despertado uma suspeita intensa. Ela estava pesquisando panelas de pressão. O seu marido estava à procura de mochilas.

Normalmente esses dois itens pareceriam completamente inofensivos. Mas, num mundo tão absurdo, dominado por uma consciência securitária, onde os corta-unhas são considerados armas mortíferas, uma panela de pressão e uma mochila são vistos como instrumentos vitais no kit de ferramentas de um terrorista... praticamente, Armas de Destruição Maciça.

E assim, uma equipa de seis agentes do governo Big Brother chegou à casa da família com armas no coldre e dispondo tacticamente os seus veículos para bloquear qualquer saída do local.

O marido foi interrogado e os agentes revistaram a casa à procura de quaisquer outras pistas terroristas.

No decorrer da troca de palavras, os agentes declamaram levar a cabo actividades como aquela "cerca de 100 vezes por semana".

Aparentemente, é isto que passa por ser uma sociedade livre nos dias de hoje, onde até mesmo as interacções online mais inofensivas acabam sendo escrutinadas por agentes armados.

E graças a um aparato interminável e crescente de vigilância online, os governos têm os meios para monitorizar... quase toda a gente.

É claro que eles querem que nós achemos que nada temos a temer desde que não tenhamos nada a esconder. Mas uma pessoa que exercite o pensamento e seja racional não pode neste momento ignorar os múltiplos sinais que estão diante de si sem compreender o quão fora de controlo se tornou o estado policial." (...)

domingo, 28 de julho de 2013

Liberdade e segurança

Num belo texto que merece uma leitura completa, se possível no original, o juiz Andrew Napolitano desmonta a tentativa, abusiva, daqueles que pretendem equiparar a liberdade e a segurança a propósito do "caso" Edward Snowden. A tradução, particularmente arriscada, é minha.
"Quando Edward Snowden revelou que o governo federal, num desafio directo à Quarta Emenda da Constituição, estava ilícita e inconstitucionalmente a espiar todos os americanos que usam telefones, mensagens de texto ou e-mails para comunicar com outras pessoas, ele abriu uma caixa de Pandora de alegações e recriminações. As alegações que desencadeou são as de que os americanos têm um governo que assalta as nossas liberdades pessoais, actua em segredo e viola a Constituição e os valores em que ela se baseia. As recriminações são as de que a segurança é um bem maior do que a liberdade, e Snowden interferiu na capacidade do governo para nos manter seguros, expondo os seus segredos, e por isso deve ser silenciado e punido.

No decorrer deste debate, já se ouviu o argumento de que todos nós precisamos de sacrificar alguma liberdade de modo a garantir a nossa segurança, que a liberdade e a segurança são contrapesos que, quando chocam entre si, é ao governo que deve assegurar um novo equilíbrio decidindo qual deverá prevalecer. Este é, naturalmente, um argumento que o governo adora, pois pressupõe que o governo tem o poder moral, legal e constitucional para fazer esse rearranjo satânico.

Ora ele não tem esse poder.

domingo, 9 de junho de 2013

Elogio aos whistleblowers em pleno Estado de Vigilância

A torrente de escândalos que vem varrendo estrondosamente a administração de Obama (por que razão só agora?) não conheceu limites ao longo desta semana. Glenn Greenwald, de nacionalidade americana, colunista regular do The Guardian desde o Verão do ano passado (antes escrevia na Salon) que muito aprendi a apreciar, "ameaça" no seu texto de sexta-feira, dia 7 - On whistleblowers and government threats of investigation - que não iremos ficar por aqui. Trata-se, a meu ver, de matéria tão fundamentalmente importante que não é demais sublinhar a dimensão dos insidiosos ataques à liberdade que as fugas de informação revelaram. Não que seja ingénuo ao ponto de ter tido agora uma epifania tardia quanto à natureza do Estado mas para sublinhar a importância do que até agora já se soube.

A tradução do texto de Greenwald é, como habitualmente, da minha responsabilidade.

ACTUALIZAÇÃO: Autor da fuga de informação sobre espionagem nos EUA revela identidade. O seu nome é Edward Snowden.

Assistimos à sucessão da história de quarta-feira, relativa à recolha massiva de registos de chamadas telefónicas por parte da NSA [National Security Agency], por uma outra ontem [quinta-feira, dia 6 de Junho] agora dizendo respeito ao acesso directo, pela mesma agência, aos servidores das maiores empresas prestadoras de serviços de internet em todo o mundo. Não tenho tempo de momento para abordar todas as repercussões destas revelações pois - pedindo emprestada uma frase de alguém - estou ansioso pelas futuras revelações que estão por surgir (o que acontecerá em breve), e não em olhar para trás para aquelas que já vieram à luz.

Mas pretendo assinalar dois pontos. Um acerca dos whistleblowers, e o outro relativamente às ameaças de investigação emanadas de Washington:

Daniel Ellsberg
1) Desde que a administração Nixon assaltou o escritório do psicanalista Daniel Ellsberg, a táctica do governo dos EUA tem sido a de atacar e demonizar os denunciantes, como forma de desviar a atenção da exposição das suas próprias prácticas preversas, tentando destruir a credibilidade do mensageiro para que todo o mundo não ligue à mensagem. Sem sombra de dúvida, essa manobra também aqui será tentada.

Direi algo mais adiante, mas por agora: como estes actos de denúncia são cada vez mais demonizados ("repreensíveis", como ontem os classificou o Director da National Intelligence, James Clapper), disponha o leitor por favor de um momento para considerar as opções disponíveis a alguém com acesso a numerosos documentos classificados de Top Secret [Muito Secreto].

Poderiam enriquecer facilmente vendendo esses documentos em troca de enormes somas de dinheiro a serviços secretos estrangeiros. Eles poderiam tentar prejudicar o governo dos EUA dirigindo-se a um adversário estrangeiro e, secretamente, transmitindo-lhe esses segredos. Poderiam, gratuitamente, expor a identidade de agentes secretos.

Nenhum dos denunciantes perseguidos pela administração Obama, no seu ataque sem precedentes aos denunciantes, fez nada disso: nenhum deles. Nem nenhum daqueles que são responsáveis pela divulgação dos factos correntes.

Eles não agiram com qualquer interesse próprio em mente. A verdade está no pólo oposto: eles incorreram em grandes riscos pessoais e sacrifícios por uma razão abrangente: tornar os seus concidadãos cientes de que o seu governo está a fazer nos bastidores. O seu objectivo é educar, democratizar e responsabilizar os que estão no poder.

Bradley Manning
As pessoas que fazem isto são heróis. Elas são a personificação do heroísmo. Elas fazem isto sabendo exactamente o que é provável que lhes venha a acontecer pela mão do governo mais poderoso do planeta, mas fazem-no não obstante. Elas não retiram quaisquer benefícios para si destes actos. Eu não pretendo simplificar excessivamente: os seres humanos são complexos e geralmente agem sob motivos mistos e múltiplos. Mas leia-se este notável ensaio sobre as revelações desta semana do especialista em segurança do The Atlantic, Bruce Schneier, para entender por que são esses bravos actos tão cruciais.

Aqueles que tomam a iniciativa de expor estes casos raramente retiram daí qualquer benefício . Aqueles que beneficiam são vocês que descobrem o que se deveria saber mas que vos é ocultado : nomeadamente, os actos de maiores consequências que são levados a cabo por aqueles com o maior dos poderes, e de como essas acções estão afectando a sua vida, o seu país e o seu mundo.

sábado, 27 de abril de 2013

Leis de controlo de armas: mais pensamento mágico em acção

Thomas Sowell, em The Fact-Free Gun-Control Crusade, desmantela os argumentos (?) daqueles que periodicamente ensaiam, em cada episódio de matança pública levada a cabo por loucos e terroristas de múltiplas matizes, a proibição efectiva de meios de defesa pessoal e da propriedade dos cidadãos contra as acções de criminosos que atentem contra a sua vida e a dos seus bem como da sua propriedade.

Num mundo onde a estatística de há muito reina, tentando "vender" relações de causa-efeito a partir de meras correlações (onde o impulso para a batota é por vezes irresistível..,), Sowell sublinha a notável ausência de "estudos" na oratória dos promotores do desarmamento dos cidadãos ("para o seu próprio bem", claro). O pensamento mágico que subjaz  ao estatista segundo o qual um qualquer papel, proibindo isto ou aquilo, levará (!) os facínoras e criminosos a absterem-se de se comportar segundo a sua natureza - acaba invariavelmente por levar a resultados opostos aos anunciados. Por vezes, caso da Lei Seca ou da Guerra às Drogas, o resultado trágico é o de transformar milhões de pessoas, até então pacíficas, em "criminosos"; simultaneamente,  surgem e desenvolvem-se os gangs que são os directamente beneficiados pelo proibicionismo.

A tradução é da minha responsabilidade.
No meio de toda a acalorada e emocional defesa do controlo de armas, já alguém ouviu falar de uma única pessoa que tenha apresentado provas convincentes de que leis mais rígidas de controlo de armas tenham efectivamente reduzido os homicídios?

Thomas Sowell
Pense-se em todos os estados [dos EUA] e comunidades no seu seio, bem como nos países estrangeiros, que tenham leis de controlo de armas muito apertadas ou, pelo contrário, sejam pouco restritivas ou até mesmo inexistentes. Com tantas variantes e tantas fontes de informação disponíveis, certamente que, algures, haveria provas irrefutáveis de que leis mais restritas de controlo de armas reduziriam de facto a taxa de homicídios. E se leis mais rígidas de controlo de armas, na realidade, não reduzem a taxa de homicídios, por que razão estamos então correndo em direcção a tais leis após cada tiroteio que obtém a atenção dos media? Já alguma vez os meios de comunicação social mencionaram estudos que tenham apresentado evidências de que as taxas de homicídio tendam a ser maiores em locais com leis de controlo de armas mais restritas?

O inconfessável segredo está em que as leis de controlo de armas, na realidade, não controlam armas. Elas desarmam os cidadãos cumpridores da lei, tornando-os mais vulneráveis perante os criminosos, que permanecem armados em desrespeito a tais leis. Na Inglaterra, os crimes à mão armada dispararam com o quase desaparecimento da posse legal de armas sob as leis cada vez mais severas de controlo de armas nos finais do século 20 (ver o livro Guns e Violence [: The English Experience] [link], de Joyce Lee Malcolm). Mas o controlo de armas tornou-se numa daquelas cruzadas, baseadas em suposições, emoções e retórica onde os factos são dispensáveis.

O que quase ninguém menciona é que as armas são utilizadas para defender vidas assim como para ceifar vidas. Na realidade, muitos dos horrendos massacres a que assistimos através dos meios de comunicação social terminaram quando alguém apareceu munido de uma arma e pôs fim à matança. O Instituto Cato estima que aconteçam mais de 100 mil utilizações defensivas de armas de fogo por ano. Impedir que cidadãos cumpridores da lei se defendam a si próprios pode custar muito mais vidas do que as que se perdem nos episódios de tiroteio que os media divulgam. As vidas salvas por armas de fogo não são menos preciosas apenas pelo facto de os media não lhes prestarem atenção.

Muitas pessoas que nunca dispararam uma arma nas suas vidas e nunca enfrentaram perigos que ameaçassem a sua vida sentem-se, não obstante, qualificadas para impor restrições legais que podem vir a revelar-se fatais para outros. E os políticos, ansiosos por "fazer algo" que lhes confira publicidade, sabem que os votos dos ignorantes e dos ingénuos continuam a ser votos.

Virtualmente nada do que está sendo proposto na legislação de controlo de armas é susceptível de reduzir as taxas de homicídio. Restringir a capacidade dos carregadores   das armas à disposição dos cidadãos cumpridores da lei não irá restringir a capacidade dos carregadores dos que não são cidadãos cumpridores da lei. Essas restrições apenas significam que é mais provável que seja o cidadão cumpridor da lei a ser o primeiro a ficar sem munições. Qualquer um teria que ser um atirador de eleição para afastar três invasores da sua casa com apenas sete tiros dirigidos contra alvos móveis. Mas sete é o número mágico de balas permitido num carregador segundo as novas leis de controlo de armas do estado de Nova Iorque.

As pessoas que apoiam tais leis parecem despreocupadamente assumir que estão a limitar os danos que podem ser causados ​​por criminosos ou doentes mentais - como se os criminosos ou os loucos se preocupassem com tais leis.

Proibir as chamadas armas de assalto não passa de uma farsa, para além de uma fraude, porque não existe uma definição concreta do que é uma arma de assalto. É por isso que têm que ser especificadas pelo nome tantas armas nestas proibições - e as especificadas como sendo a banir não são tipicamente mais perigosas do que as outras não especificadas. Algumas pessoas pensam que "armas de assalto" significam armas automáticas. Mas as armas automáticas foram proibidas há décadas. A proibição de armas de feia aparência, parecidas com "armas de assalto", pode trazer benefícios de ordem estética, mas não reduzirá minimamente os perigos para a vida humana. Ficar-se-á tão morto quanto acontecerá se se for assassinado com uma arma de aparência muito simples.

Uma das perigosas inconsistências de muitos, se não da maioria, dos cruzados pelo controlo de armas é que aqueles que são os mais entusiastas por retirar as armas do alcance dos cidadãos cumpridores da lei frequentemente não estão tão preocupados em manter os criminosos violentos atrás das grades. A indulgência para com os criminosos há muito que faz parte do padrão dos fanáticos pelo controlo de armas de ambos os lados do Atlântico. Quando o desejo insaciável para reprimir os cidadãos armados cumpridores da lei se combina com uma atitude de indulgência para com os criminosos, dificilmente pode ser surpreendente quando as leis de controlo de armas cada vez mais restritas forem acompanhadas pelo aumento dos índices de criminalidade, incluindo assassinatos.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Citação do dia (96)

"In the end, more than freedom, they wanted security. They wanted a comfortable life, and they lost it all - security, comfort, and freedom. When the Athenians finally wanted not to give to society but for society to give to them, when the freedom they wished for most was freedom from responsibility then Athens ceased to be free and was never free again."
Edward Gibbon

domingo, 30 de dezembro de 2012

Ignorância e leis de controlo de armas

Há uma tendência que parece irresistível na generalidade das sociedades ocidentais, a meu ver crescentemente suicidária para a liberdade, para pretender mudar os comportamentos das pessoas através do poder estatal (pela força) recorrendo a uma infinitude de adjectivos "positivos" como "saudável", "seguro", "(não) discriminatório", "harmonizado", "humanitário", "solidário", "civilizacional", etc. A cada vez mais maior profusão (e confusão) legal e para-legal é, simultaneamente, o melhor indicador da consequente diminuição da liberdade de actuação do indivíduo. Há pouco, muito apropriadamente, Austin Petersen socorria-se do título do livro de Joel Salatin para constatar: "Everything I want to do is illegal".

Confesso que me escapa como pessoas inteligentes e de boa-fé continuam a alimentar a crença romântica e jacobina de que é possível mudar o comportamento das pessoas através de uma cada vez maior diarreia legislativa que diariamente jorra das folhas oficiais. No que deram as diferentes "Leis Secas"? No que deu e continua a dar a guerra às drogas? Na criminalização e encarceramento de milhões, na formação de gangs criminosos e assassinos de monstruosa violência que não mostram quaisquer dificuldade em adquirir todas as armas que acham necessárias (quando não com apoio estatal, vide fronteira EUA/México...), tudo isto produzindo enormes manchas endémicas de corrupção venal, quando não activamente criminosa, bem no centro das agências estatais.

Que não se entenda (ou queira entender) o significado histórico da 2ª Emenda, enquanto direito fundamental do cidadão americano para impedir o regresso de tiranias como a britânica, percebe-se embora se lamente. Já me espanta a olímpica indiferença dessas pessoas - e em especial dos intelectuais - face a conhecidas declarações de Hitler ou Estaline sobre a matéria e a recusa em delas retirar as únicas conclusões lógicas.

O muito incómodo, para o establishment "liberal" americano, Thomas Sowell, por ser negro, por ter nascido na Carolina do Norte, por ser filho de uma criada, por ter vindo depois viver para o bairro de Harlem em Nova Iorque, por ter tido de abandonar os estudos aos 17 anos, etc., e por ser um crítico feroz de Obama, desmonta aqui, ainda uma vez mais, a tese de que a publicação de leis de controlo de armas mais severas significariam menores crimes nas ruas e menos assassinatos. Nada mais falso, sustenta Sowell. Como sempre, eventuais erros de tradução do artigo são da minha inteira responsabilidade.

Será que de cada vez que acontece um trágico tiroteio é inevitável que ressurja a estridente ignorância estridente dos defensores do "controlo de armas"?

A falácia chave das chamadas leis de controlo de armas reside no facto de tais leis não as controlarem na realidade. Elas simplesmente desarmam os cidadãos respeitadores da lei, enquanto as pessoas propensas à violência com facilidade encontram armas de fogo.

Se os zelotas do controlo de armas tivessem algum respeito pelos factos, há muito que teriam descoberto isto pois, ao longo dos anos, demasiados estudos factuais se sucederam para que reste alguma dúvida que as leis do controlo de armas não apenas são inúteis como contraproducentes.

Lugares e épocas com as mais severas leis de controlo de armas foram, frequentemente, lugares e épocas com altas taxas de homicídios. Washington, D.C., é um exemplo clássico, mas é apenas um entre muitos.

A taxa de posse de armas é maior nas áreas rurais que nas urbanas, mas a taxa de homicídios é maior nas áreas urbanas. A taxa de posse de armas é maior entre os brancos do que entre os negros, mas a taxa de homicídios é maior entre os negros. Para o país como um todo, o número de pistolas [registadas] dobrou nos finais do século XX, enquanto a taxa de homicídios caiu.

Os poucos contra-exemplos apresentados pelos zelotas do controlo de armas não resistem a um escrutínio. O seu ponto referido mais convicto talvez seja o de a Inglaterra ter leis de controlo de armas mais restritas que os Estados Unidos e menores taxas de homicídio.