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segunda-feira, 23 de março de 2015

Mercado e regulação estatal - lições a tirar da guerra dos browsers

Confirmando vários rumores que há algum tempo circulavam, a Microsoft oficializou esta semana o processo de descontinuação (phasing out) da mítica marca Internet Explorer e a decisão tomada de rumar noutras direcções embarcando num projecto significativamente designado de "Espartano". Foi este o pretexto para revisitar a épica guerra dos browsers (navegadores na Internet); recordar a intervenção estatal e judicial que, como sempre, pretendeu ditar vendedores e vencidos em nome da "sã concorrência"; e, por fim, e mais importante, retirar as riquíssimas lições do sucedido. É este o foco do artigo de Jeffrey Tucker que hoje vos proponho.

Mas primeiro um breve interlúdio para contextualizar a minha leitura do sucedido. Na faculdade, tivera uma cadeira introdutória de Informática - de papel e lápis. Uns bons anos depois, num momento de maior desafogo financeiro, comprei um ZX Spectrum com o qual, para além de jogar (muito), me divertia a fazer umas habilidades com a sua versão de Basic (pouco). O meu primeiro PC doméstico foi adquirido em 1991 (mediante empréstimo bancário). Juntamente com a impressora, a coisa importou em 500 contos, à volta de 5500 euros a preços de hoje! Com ele viria pouco depois o primeiro Windows a sério - o 3.1. Dois anos antes, tivera contacto profissional com o salto gigantesco que representava o passar da estação de trabalho individual para um ambiente colaborativo assente numa rede (com partilha de impressoras!) e tomo contacto com a extraordinária beleza e facilidade de utilização dos (porém caríssimos) Apple Macintosh. Desde então, que o portátil passou a fazer parte da minha bagagem permanente. Depois, creio que foi em 1995, durante as férias de Verão, ao "digerir" um breve manual, que finalmente compreendi o poder da internet - e o sentido de urgência que Bill Gates tentava então incutir em toda a Microsoft - quando me apercebi da extraordinária facilidade em criar páginas web que a linguagem HTML permitia. Foi uma autêntica epifania. "A rede era o computador", proclamava-se na Sun Microsystems. Foi mais ao menos por essa altura que me recordo de ler nos jornais o caso da guerra dos browsers a que alude o artigo de Jeffrey Tucker. Recordo-me de ter achado um absurdo a acusação de monopólio que se imputava à Microsoft. Já tivera até então experiência bastante para perceber, que máquinas e software não só não paravam de melhorar, em qualidade e desempenho, como o seu preço (real e nominal) tinha descido vertiginosamente (e assim tem continuado até hoje). Se algo caracterizava a indústria era a sua duríssima competitividade em benefício dos consumidores, traduzida na extraordinária ascensão e queda de protagonistas (Wang, Digital, IBM, etc.). Só bem mais tarde viria a compreender a lenda criada à volta das leis "antitrust" da época "progressiva" nos EUA e o posterior surgimento do suporte teórico "justificativo" do intervencionismo regulatório estatal cujo orwelliano lema se pode resumir em algo como: "A melhor defesa da concorrência é a sua eliminação". A guerra dos browsers, e o apelo que então foi dirigido ao poder (por competidores directos e prospectivos, auxiliados pela histeria mediática dos media convencionais), é um exemplo eloquente da verdadeira utilidade da regulação estatal: servir compadrios. A inevitável consequência é a destruição, ou pelo menos, o sério prejuízo da criatividade e pujança do mercado. Uma última nota para voltar a sublinhar, aspecto que não é endereçado no artigo, que o sector das TIC há bem mais de 30 anos que demonstra à evidência a falácia do papão deflacionista.

20 de Março de 2015
Por Jeffrey Tucker


Sem muito alarde, a Microsoft anunciou este mês que irá descontinuar progressivamente o seu muito conhecido navegador web - o Internet Explorer (IE). Nas notícias, o foco principal tem incidido nas razões que o levaram a ser suplantado pelo Chrome, Safari e Firefox, entre muitos outros navegadores existentes no mercado. Além disso, as aplicações móveis estão a dar passos gigantescos na navegação web em geral.

Imagem daqui

Isto é de facto verdade. Nas plataformas com que lidei, assisti à forma como o IE passou de uma quota de utilização dos 95 para os 20%, um crash espectacular e bem merecido, do pináculo em que se tinha instalado, que demorou uns bons 20 anos. A Microsoft nunca foi capaz de corrigir os seus infindáveis problemas de segurança. Cada nova versão, da 1 à 10, parecia corrigir alguns problemas da versão anterior ao mesmo tempo que introduzia outros mais.

Não foi inteiramente culpa da Microsoft: a condição de navegador dominante do IE tornou-o num alvo incessantemente submetido aos ataques de todos os criadores de malware no mundo. Mesmo uma equipa de mil programadores da Microsoft foi incapaz de ultrapassar esse problema. Não ajudou que a própria Microsoft estivesse tolhida pela sua gigantesca dimensão e estrutura de gestão burocrática.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Como ensinar História sem recorrer a manuais

Entre 10 e 12 de Fevereiro do corrente mês, morreram três conhecidos jornalistas americanos que estavam envolvidos numa investigação aos acontecimentos de 11 de Setembro: Bob Simon (CBS), 73 anos, num acidente de automóvel; Ned Colt (NBC), 56 anos, de ataque cardíaco; e David Carr (NYT), 58 anos, que sofreu um colapso súbito na redacção do New York Times (a autópsia viria a atribuir a causa de morte a cancro de pulmão e insuficiência cardíaca). Este último, horas antes, havia moderado um painel em que participaram, entre outros, Glenn Greenwald, Laura Poitras e Edward Snowden (por vídeo-conferência), a propósito do CitizenFour, um documentário nomeado para os Óscares de 2015, onde a realizadora Poitras conta a história do whistleblower Snowden. Meras coincidências semelhantes a estas 103? Talvez. Em todo o caso, foram estas circunstâncias que me motivaram a traduzir um recente artigo de Gary North onde se aborda o tema do revisionismo histórico e a estratégia para estimular os alunos a aguçar a sua curiosidade relativamente à História e, em particular, às histórias que se contam sobre ela (bem como as que não se contam...).
17 de Fevereiro de 2015
Por Gary North


O cerne da história revisionista reside nisto: a versão do manual escolar está errada.

Gary North
Ela poderá estar errada por razões meramente técnicas pois é possível que determinados documentos tenham sido suprimidos, perdidos, ignorados. Poderá suceder que um dado acontecimento seja bem mais complexo do que os manuais escolares indicam. Mas, em algumas matérias, nomeadamente as relativas à banca, à guerra e à despesa pública, a história narrada no manual foi deliberadamente escrita por historiadores da corte. Os historiadores da corte suprimiram deliberadamente informação quando esta apontava para origens conspiratórias do acontecimento. É crucial para os historiadores do establishment poder ignorar investigações desse tipo catalogando-as de história conspirativa, como se as conspirações não existissem na história, e como se elas não controlassem os acontecimentos do passado.

Deste modo, o historiador revisionista deve começar com esta pergunta: quais são os aspectos de um acontecimento particular que jamais poderiam ter tido lugar? O que leva à pergunta seguinte: quais foram as perguntas que a guilda dos historiadores se recusou deliberadamente a colocar? Porquê?

Quase todas as guerras na história dos Estados Unidos são elegíveis para uma história revisionista. Já anteriormente afirmei que o que precisamos é de um estudo, em múltiplos volumes, das guerras em que a América interveio. Cada volume deveria analisar uma guerra e responder a três perguntas.
  1. Como é que os Estados Unidos entraram na guerra?
  2. Como é que a guerra foi paga?
  3. Quais foram os resultados sociais e económicos da guerra?

sábado, 11 de outubro de 2014

Por que é importante a privacidade

Glenn Greenwald estilhaça a usurpação do dito "quem não tem nada a esconder, não teme" para tentar justificar a tolerância, complacência e submissão perante o Estado de Vigilância e, em consequência, a aceitar o fim da privacidade de cada um de nós, o mesmo é dizer, da Liberdade. De caminho não poupa, como Julian Assange, estrelas do firmamento cibernético como Eric Schmidt (ex-CEO e actual Chairman da Google) ou Mark Zuckerberg (CEO da Facebook) de facto coniventes com a ilegal e maciça recolha cega de dados sem que para tal exista mandado judicial ou, sequer, "causa provável".


Um excelente fim-de-semana!

terça-feira, 29 de abril de 2014

Em defesa da internet e da liberdade

Uma entrevista (legendada em português do Brasil) centrada na substância das revelações da espionagem maciça e ilegal por parte de agências de informações governamentais, entre as quais a NSA, que as acções de Edward Snowden já permitiram documentar (e irá haver ainda mais segundo o próprio). Que, após Manning (condenado a 35 anos de cadeia num processo de que se não conhecem vítimas), e Assange (há quase dois anos confinado à embaixada do Equador em Londres), só em Moscovo Snowden tenha encontrado um lugar de fuga ao braço policial americano é algo, a meu ver, terrivelmente revelador. (Filmado em Março passado talvez já antevendo o merecido Pulitzer)


Transcrição da entrevista: aqui

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

As 10 piores previsões económicas de sempre

Traduzido por mim do Zero Hedge, onde se poderá tirar partido das ilustrações que acompanham o texto original (aconselhável até porque será bem mais divertido). Sem ter acesso a qualquer espécie de inside information, nem conhecendo Tyler Durden (o autor do post) de lado nenhum, apostaria que a oportunidade deste artigo não é alheia à extrema exuberância que se vem verificando na generalidade das principais bolsas, em muitos mercados imobiliários, em leilões de arte, etc., sem esquecer as bitcoins... Para não voltar a socorrer-me de Peter Schiff para sublinhar as semelhanças com a situação de 2007/2008, veja-se que também Nouriel Roubini, um keynesiano, vê bolhas no sector imobiliário (17!) pelo mundo fora [em português, aqui]. Os links abaixo foram por mim acrescentados.
10) Ben Bernanke, em 10 de Janeiro de 2008 - "Nas circunstâncias actuais, a Reserva Federal não prevê uma recessão".

Poucos meses depois, os Estados Unidos entraram numa das piores recessões de sempre.

9) Herbert Hoover, em 1928: "Os Estados Unidos estão mais perto do triunfo final sobre a pobreza do que alguma vez sucedeu na história de qualquer país."

A Grande Depressão começou um ano depois. As cotações das acções perderam quase 80% sob a sua presidência [1929-1933].

8) James Glassman e Kevin Hassett (autores do livro: DOW 36.000), em 1999: "As acções estão agora no meio de uma escalada única até atingirem um patamar muito mais elevado - na vizinhança dos 36.000 pontos do índice industrial Dow Jones."

Segundo as suas estimativas, o Dow Jones deveria chegar aos 36.000 pontos. Os anos seguintes ficaram marcados pela bolha da internet, com o Dow a cair dos 10.000 para os 7.200 pontos.

7) George W. Bush, em 15 de Julho de 2008: "Podemos ter confiança nos alicerces de longo prazo da nossa economia ... Penso que o sistema está basicamente sólido. É verdadeiramente o que penso."

Esta frase foi pronunciada exactamente dois meses antes da falência do Lehman Brothers.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

The Man With the Plan

Não é de agora que Robert P. Murphy percebeu que o combate pela liberdade passa, necessária e nuclearmente, pela educação. Quando escreveu, em 2010, Lessons for the Young Economist (e respectivo livro do professor), era nisso que estava a pensar ao dirigir o seu esforço para a população pré-universitária. E que diferença abissal que ele representa para os miseráveis manuais de Economia ministrados no secundário! De algum modo, antecipou-se ao ambicioso Ron Paul Curriculum, agora em construção (com especial contributos de Gary North e Thomas E. Woods Jr.), que pretende abranger todos os graus de ensino, incluindo o "pré-escolar", até ao ingresso no ensino universitário. A Internet é, naturalmente, o canal privilegiado.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Por que o establishment tudo faz e fará por ignorar os austríacos

Chris Rossini é um dos meus bloggers preferidos. Neste seu artigo, ilustra com clareza e acutilância que, ao contrário da narrativa única convencional veiculada pelos media de "referência", existe de facto uma escola de pensamento económico alternativa à amálgama indiferenciadora como os "economistas" são frequentemente apresentados. De facto, a Escola Austríaca, porque explicitadora de relações de causa e efeito fundadas no estudo da acção humana, é capaz de fornecer explicações ricas e intelegíveis (não fundadas em animal spirits nem apelar à providencial acção de alienígenas) e, centralmente, porque está dotada de uma capacidade preditiva que será surpreendente para muitos. Para os "austríacos", por exemplo, a ocorrência de "consequências não intencionais", na sequência de práticas intervencionistas governamentais, nada tem de misterioso sendo tudo menos surpreendentes (porque são previsíveis). E, sobretudo, mercê da designada teoria austríaca dos ciclos económicos, antecipar a eclosão de bolhas e subsequentes e inevitáveis estouros. Numa altura em que se sucedem os recordes bolsistas (nos EUA, de todos os tempos apesar, por exemplo, disto e disto) e sem que se observem nas economias sinais reais de pujança económica (muito pelo contrário), seria bom atender ao que vozes como Marc Faber, Jim Rogers ou Peter Schiff vêm insistentemente chamando a atenção. Para que não voltemos a assistir a coisas como esta. A tradução, como habitualmente, é da minha responsabilidade.
Sábado, 16 de Novembro de 2013

Da Bloomberg View:
Os economistas há muito que sustentam não se dever esperar deles que prevejam crises, como a que quase afundou a economia global, há cinco anos atrás.
Será que todos os "economistas" pensam em uníssono? Claro que não. Os economistas "austríacos" previram os estouros dos mercados imobiliários e bolsistas mas, infelizmente, [os media] fizeram orelhas moucas às suas previsões. Quando não foram ridicularizados.

Depois das bolhas terem rebentado, aos economistas austríacos não lhes foram solicitados conselhos quanto à forma de evitar situações semelhantes no futuro. Pelo menos por parte dos media do mainstream [de "referência"]. Inversamente, o interesse público pela escola austríaca tem vindo a explodir na internet.

Deve sublinhar-se que os economistas austríacos não caíram agora das nuvens para prever a eclosão das bolhas mais recentes. Dois austríacos muito bem conhecidos (Ludwig Von Mises e F. A. Hayek) alertaram para o crash de 1929, aviso que também à época caiu em saco roto.

F. A. Hayek e Ludwig von Mises

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Por que razão o estado gosta de amedontrar as pessoas

Aproveitando a boleia proporcionada pela citação do dia, cabe fazer notar que um dos temas recorrentes aqui pelo blogue - a devastação económica causada pelas políticas "verdes" em prol da "descarbonização" - só existe pela conjugação, sequencial e acumulada, de três factores: 1) a sedimentação da ideia que o Homem é, pelo menos desde os alvores das revoluções industrial e agrícola, o maior inimigo da Mãe Natureza e, aliás, de si próprio, o que "justifica" a necessidade de o controlar (se necessário for, de forma drástica, limitando o seu número); 2) a periódica instalação na opinião pública de crenças em desastres iminentes, imputáveis à actividade humana, de proporções bíblicas (nas últimas décadas, o expoente máximo é o "aquecimento global" convenientemente embrulhado num falso "consenso científico") que obrigam a "medidas imediatas e continuadas"; e, por fim, 3) a captura do estado pelos grupos de interesse especial fazendo valer a coerção legal que só aquele proporciona para atingir os fins quepretendem, alavacando princípios bem conhecidos da messiânica burocracia estatal.

Poderia referir vários outros exemplos mas este bastará para ilustrar o ponto de que o medo é o veículo por excelência da instalação do "estado de necessidade", da "emergência", de que "algo tem que ser feito, e JÁ!". Recorrendo novamente a H. L. Mencken:
"The urge to save humanity is almost always only a false-face for the urge to rule it. Power is what all messiahs really seek: not the chance to serve."
Chris Rossini, em Why The State Likes To Frighten You, glosa este tema, na realidade o tema do Leviatã. Segundo ele, só pensando a prazo - jogando o "jogo longo" - será possível inverter o longo ciclo ascendente do estatismo. À semelhança de Gary North, também deixa uma nota de optimismo. Pareceu-me interessante poder proporcionar uma tradução do seu texto.
Chris Rossini
30 de Outubro de 2013

"Muitos libertários e economistas da escola austríaca afirmam consistentemente que a batalha na qual estamos empenhados é uma batalha de ideias. A educação é fundamental. Por outras palavras, aqueles que subscrevem este ponto de vista acreditam convictamente em ganhar o "jogo longo" [a longo prazo]. Aquele que vencer  o jogo longo, ganha.

O Estado é impotente contra um público educado (motivo pelo qual os seus defensores apreciam de modo tão vincado o monopólio da "educação pública").

A internet proporcionou um meio para tornear esse monopólio, pelo que muitos libertários se dedicam a tentar mudar uma mente de cada vez, com os olhos postos no futuro. A internet também tornou global o campo de jogo. É tão importante para um neozelandês entender as ideias do livre mercado e da liberdade como o é para um americano. O poder das ideias não tem fronteiras geográficas.

A oposição, por outro lado, é com frequência muito orientada para o "jogo curto". Se alguém estiver sedento de poder, procurará exercer esse poder agora. Pretenderá que as pessoas obedeçam agora. A educação é demorada. Mas só há 4 anos de mandato. O que não é muito tempo. Com frequência, as pessoas ficam presas nos caminhos que trilharam, para o bem e para o mal. A educação necessita de muito esforço e persistência.

Por isso, não deveria constituir nenhuma surpresa que aqueles que ocupam o poder optem por um caminho rápido para conseguir o que pretendem. Qual é a maneira mais rápida, perguntar-se-á? O medo... e não apenas um qualquer medo antigo, mas um medo que leve as pessoas a agir, a submeter-se, e a obedecer agora mesmo.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

A Stasi encontra Steve Jobs

Não querendo de todo contribuir para desvalorizar o a todos os títulos intolerável "estado de vigilância" deixando "cair" o assunto como muitos "especialistas" de geopolítica vêm tentando, propus-me partilhar agora um texto recente de Eric Margolis cujo título me apossei para encimar este post. Sem quaisquer comentários adicionais, destacaria apenas a pergunta final do texto que Margolis enuncia: [C]omo é possível que a política externa dos EUA esteja num tal caos considerando que o Tio Sam está a escutar o telefone de todos e de cada um e a ler o seu correio?
Eric Margolis
26 de Outubro de 2013

"Os cavalheiros não lêem o correio de outros cavalheiros", fungou o secretário de Estado Henry Stimson EUA, em 1929, quando foi informado que os criptógrafos americanos tinham decifrado os códigos militares navais e diplomáticos do Japão.

Stimson, que mais tarde dirigiu o Departamento da Guerra, viria a ordenar o encerramento das actividades de descodificação.

Infelizmente, já não restam nenhuns cavalheiros da velha escola em Washington nos dias que correm. As revelações da espionagem electrónica levada a cabo pelos EUA denunciadas por Edward Snowden provocaram um furor na América Latina e agora na Europa.

O alvoroço desta semana foi intensificado por alegações de que a Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA) tinha escutado o telemóvel da chanceler alemã, Angela Merkel, a mais importante e influente líder da Europa. Uma dose adicional de ultraje surgiu em França após relatos de que os seus líderes e diplomatas tinham sido escutados pelos grandes ouvidos da NSA [ontem mesmo, ficou-se a saber que também a Espanha foi alvo das escutas maciças da NSA].

Sem surpresa, o presidente Obama negou oficialmente a existência de escutas às conversas telefónicas de Merkel. Uma fonte dos EUA procurou mitigar os danos alegando que a NSA apenas tinha escutado o telefone do seu gabinete oficial, não o seu telemóvel. A ira alemã não se apaziguou.

Em tempos, os ministros franceses do Interior - nomeadamente Nicholas Sarkozy - costumavam ficar acordados noite fora a vasculhar as escutas telefónicas relativas aos pecadilhos dos seus próprios colegas. Tratava-se de uma boa diversão. Em contraste, hoje, a NSA e a CIA estão a "varrer" todas as comunicações de supostos aliados como uma componente do estado de segurança nacional dos EUA. Chamemos-lhe: a Stasi encontra o falecido Steve Jobs da Apple.

Consta que, só no mês passado, a NSA vasculhou 70 milhões de chamadas telefónicas de franceses, mensagens de texto e correio electrónico sob o pretexto, coxo, do combate ao terrorismo. O que realmente a NSA estava a descobrir eram os números de telefone das amantes ou namorados de proeminentes franceses - muito úteis para operações de chantagem por parte da CIA - e informações comerciais importantes. O terrorismo constitui uma manobra de diversão. A adopção pela NSA de uma actividade de espionagem descontrolada, alegadamente para combater o "terrorismo", está a fazer com que muitos americanos se questionem novamente acerca dos acontecimentos do 11 de Setembro que desencadearam a explosão do estado de espionagem americano, da legislação restritiva, e das guerras no estrangeiro.

domingo, 9 de junho de 2013

Elogio aos whistleblowers em pleno Estado de Vigilância

A torrente de escândalos que vem varrendo estrondosamente a administração de Obama (por que razão só agora?) não conheceu limites ao longo desta semana. Glenn Greenwald, de nacionalidade americana, colunista regular do The Guardian desde o Verão do ano passado (antes escrevia na Salon) que muito aprendi a apreciar, "ameaça" no seu texto de sexta-feira, dia 7 - On whistleblowers and government threats of investigation - que não iremos ficar por aqui. Trata-se, a meu ver, de matéria tão fundamentalmente importante que não é demais sublinhar a dimensão dos insidiosos ataques à liberdade que as fugas de informação revelaram. Não que seja ingénuo ao ponto de ter tido agora uma epifania tardia quanto à natureza do Estado mas para sublinhar a importância do que até agora já se soube.

A tradução do texto de Greenwald é, como habitualmente, da minha responsabilidade.

ACTUALIZAÇÃO: Autor da fuga de informação sobre espionagem nos EUA revela identidade. O seu nome é Edward Snowden.

Assistimos à sucessão da história de quarta-feira, relativa à recolha massiva de registos de chamadas telefónicas por parte da NSA [National Security Agency], por uma outra ontem [quinta-feira, dia 6 de Junho] agora dizendo respeito ao acesso directo, pela mesma agência, aos servidores das maiores empresas prestadoras de serviços de internet em todo o mundo. Não tenho tempo de momento para abordar todas as repercussões destas revelações pois - pedindo emprestada uma frase de alguém - estou ansioso pelas futuras revelações que estão por surgir (o que acontecerá em breve), e não em olhar para trás para aquelas que já vieram à luz.

Mas pretendo assinalar dois pontos. Um acerca dos whistleblowers, e o outro relativamente às ameaças de investigação emanadas de Washington:

Daniel Ellsberg
1) Desde que a administração Nixon assaltou o escritório do psicanalista Daniel Ellsberg, a táctica do governo dos EUA tem sido a de atacar e demonizar os denunciantes, como forma de desviar a atenção da exposição das suas próprias prácticas preversas, tentando destruir a credibilidade do mensageiro para que todo o mundo não ligue à mensagem. Sem sombra de dúvida, essa manobra também aqui será tentada.

Direi algo mais adiante, mas por agora: como estes actos de denúncia são cada vez mais demonizados ("repreensíveis", como ontem os classificou o Director da National Intelligence, James Clapper), disponha o leitor por favor de um momento para considerar as opções disponíveis a alguém com acesso a numerosos documentos classificados de Top Secret [Muito Secreto].

Poderiam enriquecer facilmente vendendo esses documentos em troca de enormes somas de dinheiro a serviços secretos estrangeiros. Eles poderiam tentar prejudicar o governo dos EUA dirigindo-se a um adversário estrangeiro e, secretamente, transmitindo-lhe esses segredos. Poderiam, gratuitamente, expor a identidade de agentes secretos.

Nenhum dos denunciantes perseguidos pela administração Obama, no seu ataque sem precedentes aos denunciantes, fez nada disso: nenhum deles. Nem nenhum daqueles que são responsáveis pela divulgação dos factos correntes.

Eles não agiram com qualquer interesse próprio em mente. A verdade está no pólo oposto: eles incorreram em grandes riscos pessoais e sacrifícios por uma razão abrangente: tornar os seus concidadãos cientes de que o seu governo está a fazer nos bastidores. O seu objectivo é educar, democratizar e responsabilizar os que estão no poder.

Bradley Manning
As pessoas que fazem isto são heróis. Elas são a personificação do heroísmo. Elas fazem isto sabendo exactamente o que é provável que lhes venha a acontecer pela mão do governo mais poderoso do planeta, mas fazem-no não obstante. Elas não retiram quaisquer benefícios para si destes actos. Eu não pretendo simplificar excessivamente: os seres humanos são complexos e geralmente agem sob motivos mistos e múltiplos. Mas leia-se este notável ensaio sobre as revelações desta semana do especialista em segurança do The Atlantic, Bruce Schneier, para entender por que são esses bravos actos tão cruciais.

Aqueles que tomam a iniciativa de expor estes casos raramente retiram daí qualquer benefício . Aqueles que beneficiam são vocês que descobrem o que se deveria saber mas que vos é ocultado : nomeadamente, os actos de maiores consequências que são levados a cabo por aqueles com o maior dos poderes, e de como essas acções estão afectando a sua vida, o seu país e o seu mundo.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Bitcoin - cuidado!

A evolução da cotação Bitcoin/Dólar abaixo graficada (no Blasfémias podem ver a mesma coisa, embora invertida, para a cotação Euro/Bitcoin) não me parece poder deixar de ser classificada como a de uma descomunal bolha. Não que não haja muitas e boas razões para desconfiar - muitíssimo! - das moedas fiat. Não que não seja muito saudável - e necessário - o aparecimento de moedas não manipuláveis pelos governos e respectivos bancos centrais. Não que a Bitcoin não seja - que o é - uma extraordinária inovação que o mercado livre produziu na ainda largamente não-regulada internet
A minha questão é outra.

Ainda que se estejam a multiplicar rapidamente os fornecedores de bens e serviços dispostos a serem pagos em Bitcoin, esta moeda está ainda muito, mas muito longe de ser um meio de pagamente "largamente aceite" (sim, é verdade que a sua "capitalização" - número de bitcoins existentes vezes a sua cotação unitária face ao dólar - já ultrapassa hoje a respeitável fasquia dos mil milhões de dólares). Ora, muito simplesmente, não acredito que os Estados estejam dispostos a ceder na reserva que fizeram sua - para nossa desgraça, é certo - da emissão monetária. E se é verdade que a "arquitectura" da Bitcoin a torna muito difícil de a controlar - na sua produção, armazenagem, distribuição e pagamento - a verdade é que, como Robert Wenzel não se cansa de assinalar, o ponto mais frágil da Bitcois reside na sua conversão em moeda corrente (dólares, euros, etc.). Assim, bastará que os Governos tornem ilegal a transacção bitcoin para moeda fiat para que a cotação da moeda virtual caia na vertical, não sendo de excluir que possa descer até ZERO. Esta probabilidade, na minha modesta opinião, é muito elevada pelo que aconselharia muito cuidado aos especuladores de ocasião.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Um excelente exemplo de serviço público, sem extorsão e com qualidade

Por razões que não vêm agora ao caso, tenho vindo a aperceber-me pessoalmente de uma multiplicidade de adolescentes, inteligentes e provenientes de famílias funcionais cujos pais são até licenciados, que se encontram numa situação de ignorância gritante em disciplinas cujo saber se constrói necessariamente de modo cumulativo, ano após ano.

Nos casos a que me refiro, há um padrão que se repete, quase na perfeição: de um momento para o outro, os pais dão-se conta que os seus filhos, alunos com um percurso continuado de (aparentes) boas notas no Básico (4's e 5's), sinal aparente de que não existiriam problemas, afinal quase nada sabem. De Português, de Inglês e, claro, de Matemática. Como o problema se arrasta há anos, a Escola não tem, agora, meios para lidar com situações desta natureza. A única resposta resposta possível, para aqueles que ainda conseguem, passa pelo recurso às aulas particulares, ou seja, às "explicações".

Os preços de mercado, do informal claro está, no que respeita à Matemática, são surpreendentes: pelo menos 30€/hora no Secundário mas não são incomuns tarifas que atingem os 50€/hora. Dizem-me que não se verificou nenhuma descida generalizada de preços, como talvez se pudesse supor no meio da crise que atravessamos, pelo que só consigo interpretar tal situação como mais um sinal do descalabro de muitas das escolas públicas, acelerado pela saída recente, por reforma antecipada, de muitos professores da "velha guarda".

Mas agora, na pessoa do professor Vítor Pereira, e a título gratuito, ainda que apelando a doações, está sendo construída uma resposta na internet para a Matemática (facebook) e, pelo que leio, a convidar outros colegas a produzirem conteúdos para outras disciplinas para além da Matemática. Excelente exemplo de serviço público! Sem extorsão e com qualidade!

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O que pretende Rupert Murdoch com este tweet?


Constatar que uma internet livre, e portanto incontrolável, está a matar os jornais reconhecendo, em modo contemplativo-filosófico, mais uma emergência da famosa destruição criadora de que falava Schumpeter?

Ou o famoso magnata dos media estará antes a apelar à intervenção "reguladora" (dos Estados, pois quem mais?) para defender (a todo o custo?) a indústria criada por Gutenberg, da "concorrência selvagem" e do "caos" que a acompanha, em proveito próprio?

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

A polícia do Pré-crime e do Pensamento na América de Obama

Orwell, em 1984, antecipou a thinkpol (polícia do pensamento). No filme "Minority Report", de Steven Spielberg, a brigada policial PreCrime prendia criminosos antes dos crimes serem cometidos a partir Da presciência de três "Precogs". As redes sociais surgiram posteriormente a estas obras. Mas foi por uma página privada, no Facebook, que tudo terá começado.

Aqueles "ingredientes" (não sei quem seriam os "Precogs") estiveram reunidos na prisão e confinamento psiquiátrico, durante 6 dias, do ex-marine de 26 anos, veterano das guerras do Iraque e do Afeganistão, Brandon Raub, arrastado de sua casa no dia 16 de Agosto, em tronco nu, sem que tenha sido alvo de qualquer acusação. Presentes estavam elementos de três corpos policiais: a polícia local, agentes do FBI e dos Serviços Secretos. Finalmente, ontem, 5ª feira, um juíz declarou a sua detenção "inválida" e Brandon foi libertado.

Dirão uns que se tratou de um episódio singular e, portanto, sem significado. Discordo. Não tivesse a mãe de Brandon imediatamente recorrido ao poderoso amplificador da internet para contar o o que se tinha passado com o seu filho e colocasse o vídeo da sua prisão online, o que possibilitou a rápida intervenção do Instituto Rutherford e a defesa legal do ex-Marine, e talvez quase ninguém tivesse sabido de nada durante muito tempo (lembram-se de "A Troca"?). Proponho-vos pois ouvir o presidente do Instituto, John W. Whitehead sobre este assunto. Partilho a qualificação de Whitehead: chilling.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Na América, durante o turno de Obama

é pelos vistos possível prender um cidadão em sua casa, algemá-lo sem o deixar sequer vestir uma camisa, enfiá-lo num carro da polícia local, na presença de agentes do FBI e dos Serviços Secretos, e conduzi-lo... a um hospital psiquiátrico onde ficou internado por prazo indefinido, sem que tenha sido acusado de nada. Brandon Raub, de 26 anos, é um ex-marine com comissões de serviço no Iraque e no Afeganistão. Permanece até ao momento sem ser formalmente acusado. Aliás, refira-se que a polícia recusa classificar de prisão o regime em que se encontra sujeito Brandon Raub.

Raub terá cometido o "crime" de ter publicado, na sua página do Facebook, várias mensagens de índole política que, alegadamente, as autoridades terão considerado de natureza potencialmente terrorista. O Instituto Rutherford assumiu a defesa legal de Raub e fez publicar um comunicado sobre este assunto.

Julgava que episódios desta natureza eram uma imagem de marca de anteriores, e felizmente já desaparecidos, "paraísos na terra". Mas não. Pelo que me parece assistir a Robert Wenzel toda a razão quando agora os invoca: Welcome to The Soviet United States of America. E atenção: a sua página do Facebook pode, potencialmente, tornar-se num pré-crime.

domingo, 19 de agosto de 2012

Declaração de Assange na embaixada do Equador em Londres

ACTUALIZAÇÃO: Robert Wenzel disponibilizou hoje, 20-8-2012, uma cronologia que, creio, muito pode contribuir para a compreensão do que está a acontecer com Assange e a Wikileaks.
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Nunca escondi as minhas simpatias pela organização Wikileaks e, por consequência, pelo seu primeiro responsável, Julian Assange. Na esteira de outros importantes whistleblowers como Daniel Ellsberg (Pentagon Papers), "Deep Throat" (Watergate), Mordechai Vanunu (programa nuclear israelita), Bernard Connolly ou Marta Andreason ([ir]responsabilidade política e financeira na UE), etc., é minha firme convicção a superioridade moral da sua posição até pelos tremendos riscos pessoais que incorrem quando tomam a iniciativa de proceder à denúncia pública.

Há hora que escrevo, em interpol.org, continua o "Aviso Vermelho" contra Assange na homepage da Interpol (Robert Wenzel guardou um snapshot aqui). Ora, não tenho memória de criminosos como um Khadafi (ou um Assad...) terem tido um tratamento semelhante mas tenho bem presente a especial dificuldade de cooperação dos aparelhos judiciais português e britânico relativamente a um certo ex-presidente de um clube de futebol português, novela que há anos se arrasta, que gritantemente contrasta com a celeridade e a histrionice das autoridades que, na pátria da Magna Carta, se verificam no caso Assange.

Os detractores de Assange, que inicialmente o acusaram de "ter destruído para todo o sempre o instrumento diplomático" e de ter "posto em risco a vida de milhares (de espiões americanos)", desvalorizam agora o caso remetendo-o para meros casos de violação de duas cidadãs suecas ainda que, após os actos, estranhamente, as supostas "violadas" tenham continuado a conviver socialmente com Assange. Estranhíssimo que, logo após a queixa ter sido apresentada pelas vítimas(?) e Assange se ter, voluntariamente, apresentado numa esquadra da política sueca, ele ter sido expressamente autorizado a sair da Suécia por não haver razões para o reter no país. Este trabalho - Sex, Lies and Julian Assange - do programa Four Corners da televisão ABC australiana, deveria ser suficiente para afastar, de vez, tão conveniente leitura.

Pelo que  precede, a declaração de Assange fez, há umas horas atrás, numa varanda da embaixada do Equador em Londres, é um acto político revelador de grande coragem na defesa da liberdade.


Transcrição:

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Da relação com a verdade

Por duas vezes, a primeira delas aqui, fiz eco da polémica sobre a nacionalidade de Barack Obama. Da segunda vez, há pouco mais de um ano atrás, deixava a pergunta Por que foi necessário esperar três anos? para que fosse produzida uma prova documental que, em definitivo, matasse a questão. Recorde-se que foi do lado democrata, concretamente da candidatura adversária pela nomeação pelo partido democrata à corrida presidencial, a de Hilary Clinton, que foi lançada a dúvida inicial e que outros democratas (até jornalistas) se esforçaram por a manter acesa.

Leio agora, via Obamatório, que a dúvida persiste e, aparentemente, com fundadas razões. Veja-se o que o Breitbart foi descobrir numa pequena brochura promocional de 1991: uma súmula biográfica de Obama onde o actual presidente dos EUA é dado como tendo nascido no... Quénia o que, a ser verdade, significaria que a sua eleição teria sido nula.

sexta-feira, 30 de março de 2012

E por que não mais do que um?

A APAN [Associação Portuguesa de Anunciantes] defende que "não é aceitável a existência de dois sistemas de medição de audiências de um mesmo meio no mercado".

A concorrência é mesmo uma chatice para alguns...

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Defender a internet dos Estados (3)

é, do meu ponto de vista, um dever moral. Quando na quarta-feira passada se protestava contra os projectos de lei SOPA e PIPA, em apreciação no Congresso americano, projectos entretanto arquivados (temporariamente?), no dia seguinte, 5ª feira, era fechado o site MegaUpload. Não é que tenha ficado surpreendido com o sucedido, mas uma coisa é certa: se já é possível fazer o que fizeram com o MegaUpload, para quê então (ainda) mais legislação?


sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Defender a internet dos Estados (2)

Foi oficialmente anunciado o arquivamento dos projectos de lei SOPA e PIPA, da Câmara dos Representantes e do Senado, respectivamente. Por  ora, o ataque foi repelido. Mas não haja ilusões: irão tentar uma e outra vez.