O Brasil ao rubro. Temer vai cair?
Parece que sim. É questão de tempo. A bolsa já começou a dar esse sinal.
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quinta-feira, 18 de maio de 2017
Radar
quarta-feira, 29 de julho de 2015
Farol no mar revolto
Segundo a tese do iminente rebentar global das bolhas, o Brasil tem estado no topo das minhas preocupações. Lamentavelmente, está a tornar-se a imagem de marca das consequências globais da “Finança Selvagem”, livre de constrangimentos, sob a qual vivemos: fluxos financeiros instáveis, excessos na especulação e no crédito, corrupção e más práticas, desajustamento estrutural, tensões sociais crescentes e instabilidade política.
Esta semana pudemos ver o Brasil publicar um maior do que o esperado défice nas Contas Correntes (2.5 biliões de dólares). A inflação está acima dos 9%, a sua moeda está em apuros e o banco central terá de saldar uma grande quantidade de contratos que envolvem moedas estrangeiras (currency swaps). O maior banco dirigido pelo estado está cada vez mais vulnerável. E a economia brasileira deverá contrair 2% este ano. O índice Bovespa desceu 6% esta semana para um mínimo de quatro meses. E os contratos de risco de crédito (CDS) brasileiros subiram para o nível mais elevado desde Março.
Com a atenção recentemente focada na China e na sua bolsa, ou no fiasco Grego, o Brasil tem voado por debaixo do radar.
Depois de um duro 2014, o Brasil tem sido visto no mercado como um beneficiário dos estímulos chineses e da expectativa da recuperação dos preços das matérias-primas. O rebentamento da bolha no índice e nos títulos chineses está a forçar uma grande revisão na visão optimista mais generalizada. As matérias-primas estão em queda livre e o mercado está a ser forçado a rever em baixa as expectativas para as economias dependentes de matérias-primas e respectivas moedas. Daí que o Brasil tenha de estar no topo da lista, tem de estar no nosso radar.
Doug Noland, "O velho. O mesmo velho", 25 de Julho de 2015.
terça-feira, 29 de outubro de 2013
A Stasi encontra Steve Jobs
Não querendo de todo contribuir para desvalorizar o a todos os títulos intolerável "estado de vigilância" deixando "cair" o assunto como muitos "especialistas" de geopolítica vêm tentando, propus-me partilhar agora um texto recente de Eric Margolis cujo título me apossei para encimar este post. Sem quaisquer comentários adicionais, destacaria apenas a pergunta final do texto que Margolis enuncia: [C]omo é possível que a política externa dos EUA esteja num tal caos considerando que o Tio Sam está a escutar o telefone de todos e de cada um e a ler o seu correio?
Eric Margolis
26 de Outubro de 2013
"Os cavalheiros não lêem o correio de outros cavalheiros", fungou o secretário de Estado Henry Stimson EUA, em 1929, quando foi informado que os criptógrafos americanos tinham decifrado os códigos militares navais e diplomáticos do Japão.
Stimson, que mais tarde dirigiu o Departamento da Guerra, viria a ordenar o encerramento das actividades de descodificação.
Infelizmente, já não restam nenhuns cavalheiros da velha escola em Washington nos dias que correm. As revelações da espionagem electrónica levada a cabo pelos EUA denunciadas por Edward Snowden provocaram um furor na América Latina e agora na Europa.
O alvoroço desta semana foi intensificado por alegações de que a Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA) tinha escutado o telemóvel da chanceler alemã, Angela Merkel, a mais importante e influente líder da Europa. Uma dose adicional de ultraje surgiu em França após relatos de que os seus líderes e diplomatas tinham sido escutados pelos grandes ouvidos da NSA [ontem mesmo, ficou-se a saber que também a Espanha foi alvo das escutas maciças da NSA].
Sem surpresa, o presidente Obama negou oficialmente a existência de escutas às conversas telefónicas de Merkel. Uma fonte dos EUA procurou mitigar os danos alegando que a NSA apenas tinha escutado o telefone do seu gabinete oficial, não o seu telemóvel. A ira alemã não se apaziguou.
Em tempos, os ministros franceses do Interior - nomeadamente Nicholas Sarkozy - costumavam ficar acordados noite fora a vasculhar as escutas telefónicas relativas aos pecadilhos dos seus próprios colegas. Tratava-se de uma boa diversão. Em contraste, hoje, a NSA e a CIA estão a "varrer" todas as comunicações de supostos aliados como uma componente do estado de segurança nacional dos EUA. Chamemos-lhe: a Stasi encontra o falecido Steve Jobs da Apple.
Consta que, só no mês passado, a NSA vasculhou 70 milhões de chamadas telefónicas de franceses, mensagens de texto e correio electrónico sob o pretexto, coxo, do combate ao terrorismo. O que realmente a NSA estava a descobrir eram os números de telefone das amantes ou namorados de proeminentes franceses - muito úteis para operações de chantagem por parte da CIA - e informações comerciais importantes. O terrorismo constitui uma manobra de diversão. A adopção pela NSA de uma actividade de espionagem descontrolada, alegadamente para combater o "terrorismo", está a fazer com que muitos americanos se questionem novamente acerca dos acontecimentos do 11 de Setembro que desencadearam a explosão do estado de espionagem americano, da legislação restritiva, e das guerras no estrangeiro.
domingo, 28 de outubro de 2012
Futilidade estatista
O texto de que junto cópia digitalizada, da autoria de Paula Blank, inserto na edição em papel no Público de hoje, é um dos melhores exemplos que conheço em que se ilustra, com a crueza da realidade, a inutilidade do exercício voluntarista que constitui o Acordo Ortográfico de 1990. Falo dos propósitos enunciados pelos seus adeptos, em defesa da língua portuguesa, de um património que o Estado, na sua insuportável e aliás ilegítima presunção, entende ser de sua conta - e monopólio - tratar.
Andar há mais de 20 anos preocupados com algo de acessório, cuja adopção desfigura a forma escrita do português europeu (e africano) quando a evolução das variantes se vem realmente afirmando mas por uma cada vez maior dissemelhança vocabular e sobretudo sintáctica, é, também aqui, andarmos preocupados com o totalmente irrelevante e teimar em não querer ver a realidade. A tradução, de há muito, é uma das actividade em que a emergência das marcadas diferenças entre as variantes de português do Brasil e de Portugal é mais evidente. Trata-se de algo com que tenho lidado desde o tempo da faculdade e atravessou todo o meu percurso profissional. Hoje em dia, basta usar o Google (ou o Bing) para tentar traduzir um texto de uma qualquer língua que nos seja mais próxima. E retirar as devidas conclusões.
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
A Presidenta da República faz saber...
que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei1:
Art. 1º As instituições de ensino públicas e privadas expedirão diplomas e certificados com a flexão de gênero correspondente ao sexo da pessoa diplomada, ao designar a profissão e o grau obtido.Art. 2º As pessoas já diplomadas poderão requerer das instituições referidas no art. 1º a reemissão gratuita dos diplomas, com a devida correção, segundo regulamento do respectivo sistema de ensino.Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 3 de abril de 2012; 191º da Independência e 124º da República.
Dilma Roussef
Decreta assim o Estado brasileiro uma alteração à Língua a que os seus súbditos deverão obedecer. E ainda há quem ande, muito entretido, a preocupar-se com acordos(?) ortográficos...2
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1Lei Nº 12.605 que "Determina o emprego obrigatório da flexão de gênero para nomear profissão ou grau em diplomas". Agradeço à mão amiga que me fez chegar esta referência a que Maria do Carmo Vieira alude numa coluna que assina hoje no Público intitulada "Malefícios no ensino do Português".
2Não sei se deram conta que no art. 2º surge o vocábulo "respectivo" que, depois do Acordo(?), é suposto ser grafado em Portugal como "respetivo"...
domingo, 11 de março de 2012
Governo Dilma Roussef: a remodelação permanente (2)
E lá foi mais um, na 6ª feira passada. Chegou a vez de Afonso Florence, ministro do Desenvolvimento Agrário (novilíngua para redistribuição de terras), que terá feito um número de assentamentos inferior aos que a presidenta esperaria que ele conseguisse e estará sob investigação das autoridades. Há quem escreva que Dilma bobeou por tê-lo escolhido para o gabinete (ver a nota do palácio do Planalto).
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Nota: uma sorte que já tenhamos aderido ao (ainda que juridicamente inexistente) Acordo Ortográfico para nos ajudar à compreensão destes episódios da política brasileira.
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Nota: uma sorte que já tenhamos aderido ao (ainda que juridicamente inexistente) Acordo Ortográfico para nos ajudar à compreensão destes episódios da política brasileira.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Governo de Dilma Roussef: a remodelação permanente
Talvez inspirada noutros momentos do seu currículo político, foi hoje anunciada a sétima demissão (ligada a outras tantas acusações de corrupção) do seu ministério, a que se acrescentam duas outras saídas por outros motivos. Em pouco mais de um ano de governo, é obra.
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
terça-feira, 24 de maio de 2011
A política (?) de Obama e a energia de origem fóssil
No ano passado, a administração Obama impôs uma moratória de perfuração ao largo do Golfo do México. Tal significou parar todas as perfurações já autorizadas e congelar todos os pedidos para perfurar novos poços em águas profundas. Seis meses decorridos, a moratória foi suspensa, mas nada mudou na realidade. Foi somente após a perda de dezenas de milhares de empregos nas indústrias conexas à extracção petrolífera e preços da gasolina a subir rapidamente que levaram finalmente a administração Obama a aprovar um punhado de novas licenças.
Esta (ausência) de política é devastadora para a indústria de energia de origem fóssil que está a ter consequências bem negativas para todos os EUA. Em simultâneo, e inexplicavelmente, Obama anuncia no Brasil que está disponível para partilhar o know-how americano na extracção de petróleo e gás natural em águas profundas, no Brasil, anunciando que será dos principais clientes desse petróleo! E tudo isto num país - os EUA - que tem a base de recursos fósseis maior do mundo.
sexta-feira, 25 de março de 2011
O que Sócrates fez a Portugal
José Manuel Fernandes tem hoje, no Público, talvez o melhor libelo que um português já escreveu sobre o descalabro económico e financeiro mas, sobretudo, ético e moral em que deixa o país. (Recomenda-se a sua leitura logo que a habitual transcrição da sua crónica seja publicada no Blasfemias).
No Finantial Times de hoje, podemos ver uma opinião de um não português sobre o legado de Sócrates: que Portugal seja anexado pelo Brasil.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Raízes
Recebido por email ainda há pouco:
Em Latim | Em Francês | Em Espanhol | Em Inglês | Em Alemão | Velho Português (o que desleixámos) | Em Português Novo (da Terra Nova) |
Actor | Acteur | Actor | Actor | Akteur | Actor | Ator |
Factor | Facteur | Factor | Factor | Faktor | Factor | Fator |
Tact | Tacto | Tact | Takt | Tacto | Tato | |
Reactor | Réacteur | Reactor | Reactor | Reaktor | Reactor | Reator |
Sector | Secteur | Sector | Sector | Sektor | Sector | Setor |
Protector | Protecteur | Protector | Protector | Protektor | Protector | Protetor |
Selection | Seléction | Seleccion | Selection | Selecção | Seleção | |
Exacte | Exacta | Exact | Exacto | Exato | ||
Except | Excepto | Exceto | ||||
Baptismus | Baptême | Baptism | Baptismo | Batismo | ||
Exception | Excepción | Exception | Excepção | Exceção | ||
Optimum | Óptimo | Ótimo |
sábado, 5 de fevereiro de 2011
Aldrabando os aldrabões com aldrabices
A extraordinária história da guerra do algodão entre o Brasil e os Estados Unidos. Ou a insane e totalmente irracional política de subsídios a produtos, agrícolas ou industriais, favorecendo uns quantos à custa de todos os outros.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Dos governos "desalinhados"
Sob o título “Sinais de Esperança”, o Prof. Boaventura Sousa Santos (BSS), hoje, no Público (link não disponível), discorre sobre o significado profundo do resultado das recentes eleições presidenciais brasileiras.
Começa por opor ao que ele interpreta como declínio do modelo social europeu, ilustrado pela recente e pesada derrota do partido social-democrata sueco, o desfraldar da bandeira social-democrata nos últimos oito anos no Brasil que permitiu reduzir significativamente a pobreza e dar ânimo àqueles que, na Europa, lutam pela reforma do Estado Social!
No plano da geopolítica, BSS louva a “pulsão autonomista” de Lula da Silva quando este, opondo-se à política imperialista de Washington, ajuda Chávez, combate o bloqueio a Cuba, cria “relações de confiança” com a Bolívia e o Equador e procura um “relacionamento independente” com o Irão.
Já para os governos “desalinhados”, “as eleições brasileiras foram um sinal de esperança: há espaço para uma política regional com algum grau de autonomia e para um novo tipo de nacionalismo, apostado em mais redistribuição da riqueza colectiva”.
Cabe perguntar: o que está à espera BSS para se instalar de armas e bagagens, de vez, num desses países “desalinhados”?
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
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