O Brasil ao rubro. Temer vai cair?
Parece que sim. É questão de tempo. A bolsa já começou a dar esse sinal.
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quinta-feira, 18 de maio de 2017
Radar
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
Curtas e grossas
Sob o título em epígrafe, Jürgen Stark, um antigo economista-chefe do BCE, de onde saiu com grande estrondo em 2011, publicou na passada 4. feira no Financial Times um artigo (requer registo) onde retoma as teses da "linha dura" da (relativa) ortodoxia financeira do que ele caracteriza como "o economista alemão". Seguem-se alguns excertos desse artigo que noutras circunstâncias - de indignação vituperante diante a presença num governo de coligação de um partido de extrema-esquerda com um outro de extrema-direita num ministério sem uma única mulher! - seria considerado politicamente incorrecto ao ponto de ser alvo de uma saraivada de fatwas sobre o seu autor e todos aqueles que o citem (via Juan Ramón Rallo):
«[…] A verdade é que, em contraste com muitos países da zona euro, a Alemanha tem consistentemente prosseguido uma política económica prudente. Enquanto outros viviam acima das suas possibilidades, a Alemanha evitou os excessos. Estas são diferenças culturais profundas que a união monetária faz emergir uma vez mais.
A questão não é a de um país impor austeridade a outro. As elites políticas da periferia da zona euro são responsáveis por terem perdido o acesso aos mercados financeiros em 2010. Anos de má gestão e de inobservância da lei conduziram a défices orçamentais crescentes e à acumulação de dívida. Os prémios de risco dispararam. […]
A UE não é uma federação (como não é a zona euro). Estamos muito longe desse nível de integração na Europa. Não há, portanto, base constitucional para concretizar maiores transferências para os países mais débeis. Em todo o caso, essas transferências não resolvem os problemas económicos e levam ao risco moral. Anteriores programas de transferências, como os dos fundos para pagar investimentos em infra-estruturas nos estados membros mais pobres da UE, nem sempre conduziram a uma melhoria sustentável no desempenho económico. A Grécia, por exemplo, recebeu transferências da UE correspondentes a 3 a 5% do seu produto interno bruto durante décadas, dos quais aproximadamente um terço foram pagas pela Alemanha. Mas grande parte desse dinheiro escoou-se através do poroso edifício de um estado frequentemente corrupto.
A política económica alemã não se destina a punir os países da periferia da zona euro. A chanceler Angela Merkel quer ver todos os países da zona euro a criarem as circunstâncias necessárias a um crescimento económico que seja real e sustentável - do tipo que gera empregos. Isto exige finanças nacionais sólidas. O que não tem nada a ver com um fetiche quanto ao défice zero. Os economistas alemães opõem-se ao tratamento dos sintomas. Eles alertam contra aparentes soluções que funcionam como tranquilizantes políticos no curto prazo, mas que apenas se limitam a ocultar os verdadeiros desafios económicos.
Os apelos a estímulos macroeconómicos adicionais ignoram as causas da doença europeia. É vital que sejam removidas as barreiras estruturais ao crescimento. Isso inclui sanar os balanços dos bancos para desbloquear a criação de crédito. Não é por causa da Alemanha que a França enfrenta a estagnação económica e a Itália está
há três anos em recessão. Os problemas têm origem doméstica. Eles não podem ser eliminados nem pelo Banco Central Europeu nem pelos estímulos fiscais.
As reformas exigem coragem política e forte liderança. Essas são reformas dolorosas mas são necessárias para retornar a um caminho de crescimento sólido. O verdadeiro défice é o fracasso da elite política em muitos países bem como a falta de instituições credíveis. […]»
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
No pasa nada! Que são vinte anos, afinal?
O Tribunal e Contas da UE (European Court of Auditors) recusou apor a sua assinatura no relatório da execução orçamental de 2013 apresentada pela burocracia de Bruxelas. Há vinte anos consecutivos(!) que tal sucede sem que nada de relevante aconteça para além de palavras pias e vagas promessas de introdução de mais
sábado, 4 de outubro de 2014
Transversalidade
O Mal e a natureza do arranjo
A presente entrevista mostra, com detalhe, franqueza e humor por que razões, não obstante mudem as caras e as vozes dos personagens que exercem o poder, a narrativa se vai concretizando. Sem sobressaltos no centro da peça. Por muitos tumultos e distracções pelos quais a periferia e respectivos personagens secundários vá passando, o guião é para seguir.
É muito salutar que haja quem desvele, com esta simplicidade, os meandros das relações entre negócios (neste caso a banca) e o poder político. Quem dê a cara mostrando os contornos, nomeando as pessoas e os actos, e que leve ao fim as consequências desse seu conhecimento. Enfrentando, para além das reacções dos crentes e amigos, os solavancos de uma máquina de Justiça que mais parece uma debulhadora que encrava a cada grande passo.
Mais do que a agitação jornalística, oportunisticamente sincronizada com episódios de ascensão e queda de personagens políticos, a medida da maturidade da sociedade que somos pode fazer-se pelo exercício de cidadania que o entrevistado, aqui, evidencia.
Alguns dirão que essa conduta é, na sua essência, a verdadeira forma de estabelecer os controlos e os balanços da máquina e do sistema institucional e político. Pergunto se, ainda assim, esses esforços são suficientes?
E se o Mal, porque transversal, faz parte do arranjo?
A presente entrevista mostra, com detalhe, franqueza e humor por que razões, não obstante mudem as caras e as vozes dos personagens que exercem o poder, a narrativa se vai concretizando. Sem sobressaltos no centro da peça. Por muitos tumultos e distracções pelos quais a periferia e respectivos personagens secundários vá passando, o guião é para seguir.
É muito salutar que haja quem desvele, com esta simplicidade, os meandros das relações entre negócios (neste caso a banca) e o poder político. Quem dê a cara mostrando os contornos, nomeando as pessoas e os actos, e que leve ao fim as consequências desse seu conhecimento. Enfrentando, para além das reacções dos crentes e amigos, os solavancos de uma máquina de Justiça que mais parece uma debulhadora que encrava a cada grande passo.
Mais do que a agitação jornalística, oportunisticamente sincronizada com episódios de ascensão e queda de personagens políticos, a medida da maturidade da sociedade que somos pode fazer-se pelo exercício de cidadania que o entrevistado, aqui, evidencia.
Alguns dirão que essa conduta é, na sua essência, a verdadeira forma de estabelecer os controlos e os balanços da máquina e do sistema institucional e político. Pergunto se, ainda assim, esses esforços são suficientes?
E se o Mal, porque transversal, faz parte do arranjo?
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
Radar
Este programa de rádio é uma viagem obrigatória aos centros nevrálgicos da decisão e regulação financeira. Para compreender como são as relações entre os reguladores e agentes bancários e financeiros em pouco mais de uma hora. É uma análise feita nos EUA, à FED e, neste caso, ao Goldman Sachs. As dúvidas avolumam-se quanto à qualidade do papel dos reguladores, à transparência de todo o sistema financeiro. Atente-se na descrição do que significa, para a FED e nas palavras de um alto quadro da instituição, credibilidade. Ou no caso apresentado acerca do Goldman Sachs e Santander. Alguém se lembra do comportamento recente do nosso Banco de Portugal?
sábado, 14 de junho de 2014
A bolsa ou a vida
Considerando a blogosfera nacional, há quem escreva com muita qualidade sobre a actual realidade financeira, económica e política. Essas análises podem partir de pressupostos ideológicos muito diversos, mas há um ponto fundamental que partilham. Mesmo se o fazem segundo discursos que dão, a esse elo, tonalidades e intensidades diferentes.
Estou a fazer referência à natureza intrinsecamente boa do estado e da acção dos seus agentes. O pequeno vídeo que a seguir se apresenta demonstra que, não obstante as delicadas arquitecturas de "controlo e balanço" das instituições políticas, estando os incentivos presentes pela própria natureza monopolizadora do estado, o Mal não pode deixar de ter lugar.
Um breve enquadramento do convidado de Bill Moyers: Neil Barosfky é procurador federal e foi escolhido por Obama para acompanhar o TARP. Arrisco que o convidado partilharia do consenso que assinalei atrás, mesmo se viu, por dentro, esse Mal.
Que trilogia é sugerida por este pequeno vídeo?
Estou a fazer referência à natureza intrinsecamente boa do estado e da acção dos seus agentes. O pequeno vídeo que a seguir se apresenta demonstra que, não obstante as delicadas arquitecturas de "controlo e balanço" das instituições políticas, estando os incentivos presentes pela própria natureza monopolizadora do estado, o Mal não pode deixar de ter lugar.
Um breve enquadramento do convidado de Bill Moyers: Neil Barosfky é procurador federal e foi escolhido por Obama para acompanhar o TARP. Arrisco que o convidado partilharia do consenso que assinalei atrás, mesmo se viu, por dentro, esse Mal.
Que trilogia é sugerida por este pequeno vídeo?
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
O plano inclinado dos aquecimentistas
Durante anos (décadas, na realidade) as legiões da fé aquecimentista, aka "alterações climáticas", fustigaram todos aqueles que se atreveram a sugerir a existência de um constatado desfasamento empírico entre o que era possível assistir pelas janelas e se sentia nos ossos (para além das imagens e medições dos satélites) com o que os "modelos" climáticos continuavam a profetizar ("é mais grave do que supúnhamos!"). Esse era o tempo em que, do alto da cátedra cuja lema era "science is settled", se ensinava, com cada vez menos paciência para uns quantos tão teimosos quanto ignaros, que uma coisa era "o tempo" e outra, completamente diferente, era "o clima". E ai de quem misturasse uma coisa com outra!
| Wikipedia |
Foi pois com muito interesse que dei conta deste artigo: As dúvidas em relação aos modelos climáticos (no original, aqui), através do qual me dei conta que aquela distinção, que se julgava definitivamente estabelecida, talvez não seja tão distinta assim. Depois de se admitir a existência da "pausa" e do embaraço do IPCC perante os "recentes desenvolvimentos" (leia-se, a não subida das temperaturas) confessa-se algo pior que o embaraço: a preocupação com a possibilidade de os políticos deixarem de acreditar na "ciência estabelecida". Que fazer então para recuperar a credibilidade abalada? Pois, é isso mesmo: há que "transferir a tecnologia" da meteorologia para a climatologia até porque aquela melhorou em muito na última dúzia de anos a sua capacidade de previsão a... 3, 5, 7 e 10 dias.
E o artigo termina procurando
Significa isto que se pode confiar nas previsões climáticas? Sim. [Como não?]
O sistema da Terra é tão complicado e é regido por tantos retornos [efeitos de retroacção] subtis que é um feito deslumbrante conseguir-se fazer previsões realistas. Ainda assim, muitas previsões climáticas importantes foram confirmadas [Assim mesmo. Ponto final!]. Reduzir os modelos climáticos – ou as complexas técnicas de previsão do estado do tempo em que eles se baseiam – a algo como "fundamentalmente imperfeito" pelo facto de não terem previsto o menor aumento das temperaturas globais na última década seria uma patetice.
Podemos não estar inclinados para confiar nos políticos, mas temos de levar muito a sério a produção destes algoritmos aperfeiçoados. Ao contrário de muitos de nós, os nossos modelos climáticos são cada vez mais capazes de aprender com os seus próprios erros.
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
Ciência ou mero lobby?
Poucas pessoas como Christopher Booker terão tamanha autoridade para perspectivarem o "drama" a que assistimos nas duas últimas semanas, relativamente à publicação do novo Assessment Report do IPCC (o 5º, ou AR5, depois dos de 1991, 1996, 2001 e 2007), em particular quando em boa parte se trata de mera reprise, como faz recordar na sua mais recente crónica no Telegraph. Presença frequente por aqui, Booker, em mais de 50 anos de profissão, sempre se reclamou como perseguindo o senso comum, rejeitando todo o injustificado alarmismo. (A tradução que se segue da sua crónica é da minha responsabilidade.)
"No fim-de-semana passado, algo de muito estranho aconteceu. Na Sexta-feira, fomos informados que em Estocolmo o Painel Intergovernamental da ONU para as Alterações Climáticas (IPCC) havia publicado um relatório onde se afirmava que era agora "extremamente provável" que o mundo venha a enfrentar alterações climáticas desastrosas provocadas pela actividade humana. Mas este era apenas um "sumário" destinado aos políticos e aos media de um relatório científico que só viria a ser publicado três dias depois.
Em seguida, ficámos a saber que este "sumário para decisores políticos" tinha sido debatido ao longo de dias e noites sem dormir por centenas de políticos, funcionários e cientistas, mas, estranhamente, que o relatório científico que ele supostamente resumia tinha sido posteriormente alterado para ficar "alinhado" com o sumário. Uma alteração evidente face a versões anteriores foi a acentuada minimização da importância ou a qualquer referência à forma notável como, nos últimos anos, as temperaturas globais se recusaram a subir segundo as previsões dos modelos computacionais do IPCC.
Esta foi uma misteriosa repetição do primeiro escândalo a atingir o IPCC, em 1996, quando mais uma vez o "sumário" brandido pelos políticos e por alguns cientistas-chave foi modificado para o tornar mais alarmista do que o próprio relatório ao inserir a alegação de que havia agora "uma influência humana perceptível" sobre o clima do mundo.
Cientistas que tinham aprovado o relatório protestaram por nada haver no seu texto que justificasse aquela inserção. Mas, para seu espanto, descobriram que a versão com que tinham concordado tinha sido alterada para incluir esta mesma frase, citando como [fonte de] autoridade dois trabalhos que não tinham ainda sido publicados, da autoria de Ben Santer, um cientista americano que também tinha desempenhado um papel fundamental na elaboração do sumário.
Há alguns anos atrás, quando estava a fazer investigação para uma história detalhada do alarme em relação ao aquecimento global, poucas coisas me surpreenderam mais do que descobrir quão descontroladamente enganadora era a imagem transmitida ao mundo do IPCC como um corpo genuinamente científico, que desapaixonadamente avaliava o conhecimento actual de todos os factores que afectam o nosso clima. O IPCC foi criado em 1988 por um pequeno grupo de cientistas que já então estavam totalmente convencidos de que o aumento dos níveis de CO2 era o factor primordial que causava a subida das temperaturas globais. Eles eram liderados pelo Prof. Bert Bolin, nomeado como o primeiro presidente do IPCC, e pelo Dr. John Houghton, então chefe do UK Met Office, o qual, durante 14 anos, permaneceu à frente do seu central Grupo de Trabalho 1, responsável pela elaboração de relatórios sobre a ciência climática.
No futuro isto será visto retrospectivamente como o mais espantoso exemplo na história de como o prestígio da "ciência" pode ser utilizado para promover um específico sistema de crenças, no caso com a ajuda daqueles distorcidos modelos computacionais cada vez mais em dissonância com a evidência observada.
Tudo isto não seria tão grave se o IPCC não tivesse sido vendido ao mundo, e com tanto sucesso, como um organismo científico objectivo e não apenas como um grupo de pressão política, porque ninguém tão prejudicialmente atingido como todos aqueles crédulos políticos que utilizam o falso prestígio do IPCC para justificar fazer recair sobre nós algumas das mais desastrosas e infundadas políticas a que o mundo alguma vez assistiu."
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
Mais alguns contornos da grande golpada climática
No Daily Mail:
De facto, quando um conjunto de cientistas-activistas, exclusivamente dependentes do financiamento estatal nas suas actividades, conseguem influenciar a definição de políticas públicas em ordem a, supostamente, evitar o Apocalipse climático, criam-se as condições para uma espiral de demência. Com efeito, a partir de um dado momento, os cientistas-activistas financiados por meios públicos e os políticos que eles influenciaram, vêem-se numa situação que não lhes permite encarar a possibilidade de que tenham errado (quem se lembra do "bug do ano 2000", da "gripe aviária" ou da "encefalopatia espongiforme bovina"?). Também aqui há quem esteja a ganhar muito, mas muito dinheiro, à custa do brutal e desnecessário aumento da factura energética, devido à interferência estatal e subsequente introdução de distorções no mercado pela alteração do mix energético, não por razões económicas, mas exclusivamente por razõescientíficas políticas com favorecimento directo aos cronies (os detentores das tais "rendas excessivas", recordam-se?).
Não é só na finança que há muito decorre um entrelaçado e indecoroso conúbio entre o estado e as instituições financeiras "privadas", extremamente lucrativo para uns quantos à custa do sacrifício de muitos e do progressivo desaparecimento da classe média. A adopção da doutrina "too big to fail", mediante a qual, pela invocação de um tal "risco sistémico" (ou seja, da instalação do medo entre o público) se socializam os prejuízos decorrentes de comportamentos especulativos ou simplesmente ineptos (no sector financeiro, automóvel, energético, etc.), constitui provavelmente a mais séria ameaça ao que ainda resta do sistema capitalista.
De facto, quando um conjunto de cientistas-activistas, exclusivamente dependentes do financiamento estatal nas suas actividades, conseguem influenciar a definição de políticas públicas em ordem a, supostamente, evitar o Apocalipse climático, criam-se as condições para uma espiral de demência. Com efeito, a partir de um dado momento, os cientistas-activistas financiados por meios públicos e os políticos que eles influenciaram, vêem-se numa situação que não lhes permite encarar a possibilidade de que tenham errado (quem se lembra do "bug do ano 2000", da "gripe aviária" ou da "encefalopatia espongiforme bovina"?). Também aqui há quem esteja a ganhar muito, mas muito dinheiro, à custa do brutal e desnecessário aumento da factura energética, devido à interferência estatal e subsequente introdução de distorções no mercado pela alteração do mix energético, não por razões económicas, mas exclusivamente por razões
Não é pois de estranhar que após milhões de milhões de dólares despendidos na luta contra o dióxido de carbono (que chegou a ser apodado de "poluente"!), sejam agora os próprios governos que venham tentar influenciar a redacção do que é suposto ser o "estado da arte" da ciência climática! Pudera! De que outra forma poderiam justificar, a posteriori, os "investimentos" feitos para, uma vez mais, "salvar a humanidade"?
Assim, segundo se pode ler no artigo (minha tradução livre) e relativamente à divulgação do mais recente relatório (Assessment) do IPCC, a "Alemanha solicitou que as referências ao declínio do aquecimento fossem apagadas"; "a Hungria manifestou preocupação pelo facto do relatório proporcionar munições aos que negam as alterações climáticas induzidas pela actividade humana"; "a Bélgica objectou à utilização do ano de 1998 como início da série estatística, porque esse foi um ano excepcionalmente quente fazendo com que o gráfico [da evolução das temperaturas] surja horizontal pelo que sugeriu usar, em alternativa, 1999 ou 2000 de modo a que a curva de tendência surja inclinada para cima"; já "a delegação dos Estados Unidos insistiu com que os autores do relatório explicassem a falta de aquecimento pela utilização da "hipótese mais avançada" entre os cientistas que o menor aquecimento se deva à sua absorção pelos oceanos (que aqueceram)".
Absolutamente extraordinário!
Assim, segundo se pode ler no artigo (minha tradução livre) e relativamente à divulgação do mais recente relatório (Assessment) do IPCC, a "Alemanha solicitou que as referências ao declínio do aquecimento fossem apagadas"; "a Hungria manifestou preocupação pelo facto do relatório proporcionar munições aos que negam as alterações climáticas induzidas pela actividade humana"; "a Bélgica objectou à utilização do ano de 1998 como início da série estatística, porque esse foi um ano excepcionalmente quente fazendo com que o gráfico [da evolução das temperaturas] surja horizontal pelo que sugeriu usar, em alternativa, 1999 ou 2000 de modo a que a curva de tendência surja inclinada para cima"; já "a delegação dos Estados Unidos insistiu com que os autores do relatório explicassem a falta de aquecimento pela utilização da "hipótese mais avançada" entre os cientistas que o menor aquecimento se deva à sua absorção pelos oceanos (que aqueceram)".
Absolutamente extraordinário!
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
Watergate à espanhola?
"Veo todo lo que haces y oigo todo lo que dices". É a ameaça que, segundo Carlos Floriano, na altura deputado do Partido Popular, lhe terá sido dirigida por Alfredo Pérez Rubalcaba, actual líder do PSOE, à época (18 de Novembro de 2009) Ministro do Interior, como resultado da insistência do primeiro em fazer perguntas sobre a utilização do sistema de escutas telefónicas SITEL em utilização naquele Ministério.
Este episódio voltou agora à baila no quadro de uma investigação em curso pela polícia sobre suspeitas de corrupção que, segundo o El Mundo, envolve altos quadros do Ministério do Interior àquela mesma época.
domingo, 11 de março de 2012
Governo Dilma Roussef: a remodelação permanente (2)
E lá foi mais um, na 6ª feira passada. Chegou a vez de Afonso Florence, ministro do Desenvolvimento Agrário (novilíngua para redistribuição de terras), que terá feito um número de assentamentos inferior aos que a presidenta esperaria que ele conseguisse e estará sob investigação das autoridades. Há quem escreva que Dilma bobeou por tê-lo escolhido para o gabinete (ver a nota do palácio do Planalto).
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Nota: uma sorte que já tenhamos aderido ao (ainda que juridicamente inexistente) Acordo Ortográfico para nos ajudar à compreensão destes episódios da política brasileira.
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Nota: uma sorte que já tenhamos aderido ao (ainda que juridicamente inexistente) Acordo Ortográfico para nos ajudar à compreensão destes episódios da política brasileira.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Por que será (corrigido)
que a família de um fugitivo traficante de droga est(á)ava a financiar a campanha para a reeleição de Obama? A história está no New York Times da edição de hoje. Convido os leitores a especular sobre o facto.
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Dos "fabricantes de velas" do século XIX ao Google Maps de hoje
Via Coyote e Cato, fiquei a saber que a filial francesa da Google foi condenada em tribunal (em primeira instância) por, supostamente, ter "abusado da sua posição dominante" ao oferecer, de borla, o serviço de mapas conhecido por Google Maps. A entidade queixosa é uma empresa francesa, uma tal Bottin Cartographes que, pretendendo obter uma contrapartida monetária da disponibilização de um outro serviço de web mapping, se acha vítima de concorrência "desleal"! Esta particular história ainda não acabou (a Google recorreu da sentença) mas a argumentação da autora da acção é já muito velha. Tão velha que já Frédéric Bastiat lhe dedicou expressamente um capítulo no seu elenco de sofismas económicos: uma sátira intitulada A petição dos fabricantes de velas, candelabros, lanternas, etc. Vale a pena lê-la na íntegra mas não resisto a transcrever a seguinte passagem que bem ilustra o ridículo do costumeiro arrazoado argumentadeiro e como tudo sempre acaba por se resumir à tentativa de influenciar o poder do Estado em favor dos "peticionários", dos lobbys, dos grupos de pressão, dos corruptores do poder:
«Sofremos a intolerável concorrência de um rival estrangeiro que beneficia, ao que parece, de condições tão superiores às nossas, para a produção de luz, que dela inunda o nosso mercado nacional a um preço fabulosamente baixo; pois, assim que ele surge, a nossa venda cessa, todos os consumidores se lhe dirigem, e um ramo da indústria francesa, cujas ramificações são inumeráveis, é subitamente atingido pela mais completa estagnação. Este rival, que não é senão o sol, faz-nos uma guerra tão encarniçada, que suspeitamos ser incitado pela pérfida Albion (boa diplomacia nos tempos que correm!), tanto mais que tem por essa ilha orgulhosa uma deferência que se dispensa de ter para connosco.
Pedimo-vos pois a gentileza de criardes uma lei que ordene o encerramento de todas as janelas, lucernas, frestas, gelosias, portadas, cortinas, postigos, olhos-de-boi, estores, numa palavra, de todas as aberturas, buracos, fendas e fissuras pelas quais a luz do sol tem o costume de penetrar nas casas, para prejuízo das boas indústrias de que nos orgulhamos de ter dotado o país, que não poderia sem ingratidão abandonar-nos hoje a uma luta tão desigual.»
Já poucos se recordarão, mas foi o que ficou conhecido como "a guerra dos browsers" que quase levou à destruição da Microsoft - e de Bill Gates - durante o segundo mandato da administração Clinton. O "crime" da Microsoft? Atrever-se a oferecer, de borla, o seu browser integrado no sistema operativo Windows quando outros, como a Netscape, pretendiam ganhar dinheiro vendendo o seu próprio browser.
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Leitura complementar: France Fines Google: Is Atlas Shrugging?
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Leitura complementar: France Fines Google: Is Atlas Shrugging?
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Governo de Dilma Roussef: a remodelação permanente
Talvez inspirada noutros momentos do seu currículo político, foi hoje anunciada a sétima demissão (ligada a outras tantas acusações de corrupção) do seu ministério, a que se acrescentam duas outras saídas por outros motivos. Em pouco mais de um ano de governo, é obra.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
E lá foi mais uma
Quatro meses e meio após o grande escândalo da bancarrota da Solyndra, e a consequente perda do empréstimo de 535 milhões de dólares que a administração Obama (Departamento de Energia) lhe tinha concedido, sucedem-se os processos de falências das incensadas (e subsidiadas) empresas "verdes". Esta semana, especial destaque para a Ener1, fabricante de baterias para automóveis eléctricos, alvo da atribuição de um subsídio de 118 milhões de dólares em Janeiro de 2010. Com esta mais recente bancarrota foram atingidos os mil milhões de euros de subsídios e ou empréstimos espatifados à custa dos contribuintes americanos.
Como é dito aqui de forma lapidar: "Government trying to pick energy winners instead has picked energy losers—and picked the taxpayer’s pocket".
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Por que será que menos subsídios = menos eólicas?
Segundo o JNegócios, a Iberdrola suspende novos parques eólicos nos EUA caso não seja assegurada a continuação dos benefícios fiscais para além de 2012.
Quase 40 anos após o reavivar das eólicas, ainda há quem tenha lata para justificar a continuação da atribuição de subsídios públicos, isto é, de dinheiro dos contribuintes (mais impostos) e dos consumidores (tarifas eléctricas mais altas), através da justificação - de resto, falaciosa - de que é importante proteger as indústrias "nascentes", da autoria de - não se surpreendam! - Alexander Hamilton.
É um pouco como se as tias, já entradotas, achassem que o "menino" - o sobrinho já na casa dos "quarentas" - ainda precisa de uma ajudazinha pois, coitado, com tantos azares que teve ao longo da sua vida, ainda não teve tempo de rentabilizar os seus activos pelo que merece (ainda) mais uma oportunidade ...
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Da (in)utilidade dos PDM
ou seja, dos Planos Directores Municipais, é do que trata este oportuno post. Subscrevo tudo o que Gabriel Silva escreve anotando apenas o papel de autêntica cortina de fumo que a construção dos sistemas de informação geográfica representaram na generalidade dos municípios, tema a que hei-de voltar.
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Espatifando o dinheiro dos contribuintes
é o que os governos inevitavelmente fazem quando decidem subsidiar o sector A ou escolher penalizar o sector B, aquilo que os americanos designam por "picking winners and loosers". E talvez nunca como agora seja tão visível que essa escolha de "quem deve ganhar e quem deve perder" não possa senão conduzir ao desperdício monumental de recursos, quando se olha para os resultados da massiva intervenção estatal nos mercados de energia. Subsídios gigantescos às energias ditas "limpas" e penalizações fiscais e administrativas às energias fósseis. O resultado, por todo o lado, é o mesmo: aumento exponencial do custo da energia produzida (como o candidato Obama, aliás, não escondia) e consequente perda de competitividade onde essas "apostas" foram mais vincadas. Portugal e Espanha são dois "bons" exemplos (subida dos preços da electricidade, défice tarifário, etc.).
Entre muitas das loucuras levadas a cabo sob o "chapéu-de-chuva" da eco-teocracia, surgem inclusivamente o que à partida seria tido por anedota como seja a de, nos Estados Unidos, multar refinarias por não colocarem no mercado combustível com mistura de etanol celulósico. A razão é simples: é que não existe oferta comercial de etanol celulósico. Até o New York Times se apercebe do absurdo na sua peça A Fine for Not Using a Biofuel That Doesn’t Exist (no WSJ, aqui)! Porém, este absurdo não obstou a que este ano a EPA (o regulador ambiental dos EUA) não venha exigir que se dobre essa mistura em 2012!!!
Ademais, como sempre acontece quando o Estado estabelece uma nova "plataforma" de distribuição de subsídios, um outro subproduto inevitável é o aumento dos níveis de corrupção. O vídeo seguinte, da CBS, bem ilustra este problema:
Entre muitas das loucuras levadas a cabo sob o "chapéu-de-chuva" da eco-teocracia, surgem inclusivamente o que à partida seria tido por anedota como seja a de, nos Estados Unidos, multar refinarias por não colocarem no mercado combustível com mistura de etanol celulósico. A razão é simples: é que não existe oferta comercial de etanol celulósico. Até o New York Times se apercebe do absurdo na sua peça A Fine for Not Using a Biofuel That Doesn’t Exist (no WSJ, aqui)! Porém, este absurdo não obstou a que este ano a EPA (o regulador ambiental dos EUA) não venha exigir que se dobre essa mistura em 2012!!!
Ademais, como sempre acontece quando o Estado estabelece uma nova "plataforma" de distribuição de subsídios, um outro subproduto inevitável é o aumento dos níveis de corrupção. O vídeo seguinte, da CBS, bem ilustra este problema:
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Bruxelas a nu
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| (PDF) |
Conta Andreasen que se deparou com uma situação em que nem sequer recebeu do seu antecessor as contas do ano transacto (2001) devidamente assinadas mas que, não obstante, se viu pressionada pelo seu chefe directo para que ela própria as assinasse assim se responsabilizando por algo que não conhecia nem podia conhecer; que os saldos finais de um ano não eram iguais aos saldos iniciais do ano seguinte; que não existia sistema informático único nem interesse pela sua introdução, apesar de já ter sido anteriormente comprado; que lhe pediam para dar autorização à efectivação de pagamentos sem que lhe fossem presentes os documentos que os justificassem, etc, etc. Depois de um relato impressionante que revela o total desprezo dos burocratas de Bruxelas pelo dinheiro dos contribuintes, vem a via sacra do processo disciplinar e da sua tramitação, prova duríssima a que foi sujeita. Talvez por isso Marta Andreasen, hoje membro do parlamento europeu eleita nas listas do UKIP, depois de Bernard Connolly, autor de "The Rotten Heart of Europe" (a quem José Manuel Fernandes aqui recentemente aludiu) e Paul van Buitenen, que viria a desencadear o escândalo que daria origem ao despedimento da Comissão Santer, tenha sido a última dos whistleblowers vinda do interior da impenetrável burocracia da União Europeia, responsável perante ninguém.
1Já em Setembro de 1957 Monnet sintetizava assim o significado de uma união monetária: "Via money, Europe could become political in five years".
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