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terça-feira, 4 de novembro de 2014

Compensa errar redondamente anos a fio (pelo menos € 125 milhões):

Assisti, observando uma recatada distância, aos vigorosos protestos das entidades domésticas "produtoras de ciência" que se sentiram injustamente excluídas da fatia do orçamento do estado a que julgavam ter "direito" alegando deficiências no processo de avaliação encomendada pela FCT - Fundação para a Ciência e Tecnologia. O meu propósito não é o de questionar a bondade (ou falta dela, de tal processo - não tenho competência para tal. Todavia, não consigo - é superior a mim mesmo - deixar de achar estranhíssima a escala de avaliação utilizada ainda que saiba que ela é internacionalmente utilizada: "Insuficiente", "Razoável", "Bom", "Muito Bom", "Excelente" e "Excepcional". Mas com uma tal escala é de estranhar, neste país de excelência, que mais de 55% das 322 instituições avaliadas ocupem os três últimos graus da escala, por sinal aqueles que conferiam o "direito" ao bolo orçamental relevante? E ainda há quem se admire com a inflação nas classificações dos alunos ("grade inflation") dos bancos da escola primária até à universidade? Enfim.

Vem este longo intróito a propósito da recente decisão tomada pelo governo britânico de dotar o Met Office (uma agência estatal do Reino Unido) de um novo supercomputador, com o custo de 125 milhões de euros, para melhorar a qualidade das previsões meteorológicas e da "evolução do clima" a 100 anos de distância (!). Isto, cinco anos depois de os contribuintes britânicos terem pago 40 milhões de euros por um outro supercomputador invocando os mesmíssimos motivos. Um breve fact-checking referente à qualidade das previsões "climáticas" do Met Office - um dos mais notáveis centros de difusão alarmista do aquecimento global - nos últimos 10 anos, permite legitimar sérias dúvidas da sua razoabilidade, embora saiba que, nos tempos que correm, é uma heresia passível de excomunhão irrevogável duvidar da bondade de todo e qualquer "investimento em ciência". Para o efeito, irei socorre-me da excelente memória de Christopher Booker:

Imagem daqui
«Em 2004, [o Met Office] previu que o mundo em 2014 aqueceria 0.8ºC e que em 4 dos 5 anos após 2009 seria batido o recorde alcançado em 1998, "o ano mais quente de sempre". Em 2007, o computador do Met Office previu que aquele seria "o ano mais quente de sempre", justamente antes de as temperaturas globais terem baixado 0.7ºC, o equivalente a todo o aumento verificado no século XX. O Verão iria ser "mais seco que a média", precisamente antes das piores cheias de sempre.

De 2008 a 2010, os modelos previram consistentemente "Invernos mais quentes que a média" e "Verões mais quentes e secos que a média": três anos em que a maior parte do hemisfério norte registou recordes de frio e neve; no Reino Unido, salientando-se o prometido Verão de "churrasco" de 2009, verificaram-se Verões mais chuvosos e frescos do que o habitual. Um triunfo particular foi alcançado, em Outubro de 2010, quando foi anunciado que o Inverno iria ser "2ºC mais quente que a média", justamente antes do mais frio mês de Dezembro verificado desde que se iniciaram os registos em 1659.

domingo, 14 de setembro de 2014

25 anos depois, um novo muro na Europa agora subsidiado por Bruxelas

Em mais um episódio da cerrada floresta de decepções em que a Ucrânia se vem mostrando pródiga[1], a acusação que Kiev fazia a Moscovo, em Abril, de pretender construir um novo "muro de Berlim", transformou-se na intenção de efectivamente o materializar só que agora por parte de Kiev e com co-financiamento da União Europeia! É para este perigoso absurdo que Christopher Booker nos chama a atenção na sua coluna de ontem no Telegraph (minha tradução e anotação):
Quem poderia prever há uns meses atrás que o 25º aniversário da queda do Muro de Berlim seria marcado pela construção na Europa de um outro "muro", de quase 1600 km de comprimento, para impedir as pessoas de atravessar uma fronteira internacional?

Com o nome de código oficial de "Muro", é este o plano do periclitante regime de Kiev para construir valas, trincheiras e uma "vedação resistente a explosões" ao longo da fronteira entre a Ucrânia e a Rússia, que o presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko [2], tem esperança que a UE venha a co-financiar. Sem dúvida que Bruxelas ficará feliz em canalizar o nosso dinheiro para um projecto insano como este, até porque toda esta confusão foi desencadeada pelas suas movimentações imprudentes e provocatórias com a finalidade de absorver a Ucrânia na UE e na NATO.

Foi também por isto que aviões da NATO transportaram na semana passada duas rampas de lançamento de mísseis para Kharkov, para ajudar o exército ucraniano a chacinar ainda mais civis no leste da Ucrânia do que aqueles que já matou. Mas por que razão o nosso secretário da Defesa Michael Fallon – ao se encontrar com os seus colegas da UE em Milão na passada quarta-feira - se apressou a aplaudir este perigoso absurdo?
[1] Ontem, sábado, houve mais um segundo "comboio humanitário" que entrou na Ucrânia vindo da Rússia mas que passou, significativamente, despercebido ao contrário do furor ocorrido com o primeiro.

[2] Há poucos dias a Wikileaks divulgou este telegrama "diplomático", assinado pelo embaixador americano em Kiev em 2006, onde o agora presidente ucraniano era então designado de "nosso insider", isto é, um informador dos EUA.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

As acções de Putin na Ucrânia: "inaceitáveis" ou provocadas e previsíveis?

Independentemente de isto se vir a confirmar - caso em que, a meu ver, só acelerará a importância do eixo Moscovo-Pequim (tal como a intervenção no Iraque acabaria a reforçar a posição do Irão) -, parece-me pertinente a devida referência à coluna de sábado do insuspeitíssimo Christopher Booker, no Telegraph, relativa à situação na Ucrânia e da qual retirei o título que encima o post.[1] [2] A tradução é da minha responsabilidade bem como os realces de segmentos do texto.
É sempre revelador quando os políticos nos transmitem que algo é "inaceitável". O que eles querem dizer com isso é que, muito embora as pessoas possam ter a expectativa de que eles irão fazer alguma coisa a esse respeito, o facto é que não têm a menor ideia do quê. Foi por isso que os líderes ocidentais, incluindo David Cameron, reunidos para a cimeira da NATO no País de Gales, nos disseram que a intervenção do presidente Putin na Ucrânia era "inaceitável".

O verdadeiro problema aqui não é apenas o de os nossos dirigentes não saberem o que fazer relativamente a Putin e à horrível guerra civil na Ucrânia, que já matou quase 3,000 pessoas e que os russos parecem estar a ganhar sem grande esforço. A questão é que eles e muitos outros no Ocidente têm vindo a fazer uma leitura errada desta crise desde que ela começou no início do ano.

Nunca será demais repetir que o que desencadeou a crise não foi a vontade de Putin em restaurar as fronteiras da União Soviética, mas antes a ambição absurdamente insensata por parte do Ocidente em ver a Ucrânia ser absorvida pela UE e pela NATO. Nunca teria sido possível que Putin ou todos aqueles falantes de russo no leste da Ucrânia e na Crimeia amavelmente assistissem a que o país que foi o berço da identidade russa se tornasse parte de um bloco do poder ocidental. A Rússia ficaria ainda menos contente em ver os únicos portos de águas quentes da sua marinha nas mãos de uma aliança militar que tinha sido formada para, em primeiro lugar, para a conter.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Ciência ou mero lobby?

Poucas pessoas como Christopher Booker terão tamanha autoridade para perspectivarem o "drama" a que assistimos nas duas últimas semanas, relativamente à publicação do novo Assessment Report do IPCC (o 5º, ou AR5, depois dos de 1991, 1996, 2001 e 2007), em particular quando em boa parte se trata de mera reprise, como faz recordar na sua mais recente crónica no Telegraph. Presença frequente por aqui, Booker, em mais de 50 anos de profissão, sempre se reclamou como perseguindo o senso comum, rejeitando todo o injustificado alarmismo. (A tradução que se segue da sua crónica é da minha responsabilidade.)
"No fim-de-semana passado, algo de muito estranho aconteceu. Na Sexta-feira, fomos informados que em Estocolmo o Painel Intergovernamental da ONU para as Alterações Climáticas (IPCC) havia publicado um relatório onde se afirmava que era agora "extremamente provável" que o mundo venha a enfrentar alterações climáticas desastrosas provocadas pela actividade humana. Mas este era apenas um "sumário" destinado aos políticos e aos media de um relatório científico que só viria a ser publicado três dias depois.

Em seguida, ficámos a saber que este "sumário para decisores políticos" tinha sido debatido ao longo de dias e noites sem dormir por centenas de políticos, funcionários e cientistas, mas, estranhamente, que o relatório científico que ele supostamente resumia tinha sido posteriormente alterado para ficar "alinhado" com o sumário. Uma alteração evidente face a versões anteriores foi a acentuada minimização da importância ou a qualquer referência à forma notável como, nos últimos anos, as temperaturas globais se recusaram a subir segundo as previsões dos modelos computacionais do IPCC.

Esta foi uma misteriosa repetição do primeiro escândalo a atingir o IPCC, em 1996, quando mais uma vez o "sumário" brandido pelos políticos e por alguns cientistas-chave foi modificado para o tornar mais alarmista do que o próprio relatório ao inserir a alegação de que havia agora "uma influência humana perceptível" sobre o clima do mundo.

Cientistas que tinham aprovado o relatório protestaram por nada haver no seu texto que justificasse aquela inserção. Mas, para seu espanto, descobriram que a versão com que tinham concordado tinha sido alterada para incluir esta mesma frase, citando como [fonte de] autoridade dois trabalhos que não tinham ainda sido publicados, da autoria de Ben Santer, um cientista americano que também tinha desempenhado um papel fundamental na elaboração do sumário.

Há alguns anos atrás, quando estava a fazer investigação para uma história detalhada do alarme em relação ao aquecimento global, poucas coisas me surpreenderam mais do que descobrir quão descontroladamente enganadora era a imagem transmitida ao mundo do IPCC como um corpo genuinamente científico, que desapaixonadamente avaliava o conhecimento actual de todos os factores que afectam o nosso clima. O IPCC foi criado em 1988 por um pequeno grupo de cientistas que já então estavam totalmente convencidos de que o aumento dos níveis de CO2 era o factor primordial que causava a subida das temperaturas globais. Eles eram liderados pelo Prof. Bert Bolin, nomeado como o primeiro presidente do IPCC, e pelo Dr. John Houghton, então chefe do UK Met Office, o qual, durante 14 anos, permaneceu à frente do seu central Grupo de Trabalho 1, responsável pela elaboração de relatórios sobre a ciência climática.

No futuro isto será visto retrospectivamente como o mais espantoso exemplo na história de como o prestígio da "ciência" pode ser utilizado para promover um específico sistema de crenças, no caso com a ajuda daqueles distorcidos modelos computacionais cada vez mais em dissonância com a evidência observada.

Tudo isto não seria tão grave se o IPCC não tivesse sido vendido ao mundo, e com tanto sucesso, como um organismo científico objectivo e não apenas como um grupo de pressão política, porque ninguém tão prejudicialmente atingido como todos aqueles crédulos políticos que utilizam o falso prestígio do IPCC para justificar fazer recair sobre nós algumas das mais desastrosas e infundadas políticas a que o mundo alguma vez assistiu."

domingo, 10 de março de 2013

O alarmismo mais ruinoso de sempre

é, de longe, a grande distância do já poeirento (porque inóquo) bug milenar, aquele supostamente provocado pelo "aquecimento global de origem antropogénica", expressão que por sinal praticamente desapareceu nos meios alarmistas após uma bem orquestrada e bem sucedida campanha que os media se aprestaram a amplificar (como sempre ocorre em todo o movimento politicamente correcto).

Com muita mestria e igual perfídia - reconheça-se - foi substituída por uma outra, mais abrangente e pluralizada. Tinham chegado as "alterações climáticas" que depressa se instalaram de armas e bagagens (inclusivamente na denominação de ministérios em múltiplos governos). Esta "ligeira" alteração terminológica - exemplo perfeito do desenvolvimento da novilíngua activista e do sempre ávido intervencionismo governamental (sempre pronto a proteger-nos de nós próprios, seja à esquerda ou à "direita") - viria permitir que virtualmente qualquer desastre natural, furacão ou tornado, seca ou cheia, etc., constituísse "prova" evidente da mão humana e da sua "pegada carbónica". (Não me admiraria que se vulgarizasse a expressão "desastres climáticos" com que já alguns tentam "enriquecer" o léxico catastrofista).

De facto, quando nos últimos 15 anos, e usando as próprias estatísticas das temperaturas mundiais dessa instituição co-líder na eco-teocracia mundial que é o Hadley Centre do Met Office1 do Reino Unido, o que se obtém é o que está figurado, percebe-se melhor a o estado de necessidade da golpada semântica verificada.

Imagem daqui
Como Lawrence Solomon (o autor do gráfico) explica, de um ponto de vista estatístico, não está fácil ser-se verde  (via  Christopher Booker, na sua coluna de ontem no Telegraph).

O gelo do Árctico regressou a patamares de que não havia registo há já várias décadas e a teimosia do Antárctico em resistir aos profetas da desgraça é igualmente notável. Aliás, globalmente, a extensão de gelo das calotes polares é agora a maior desde que se iniciaram as mensurações por satélite, em 1979.

Quanto aos furacões e tornados, cheias e secas, as "novidades" são do mesmo teor. Não admira pois que a opinião pública, por todo o mundo, venha perdendo o entusiasmo pela coisa.

Quanto aos governos, capturados pelo complexo ambio-industrial e pela regulação que o  próprio promove, temo que só a bancarrota financeira os conseguirá afastar do caminho que têm vindo trilhando (Portugal incluído).

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1 - Se o leitor experimentar "googlar" a expressão Met Office (o equivalente ao nosso ex-Instituto de Meteorologia, o primeiríssimo link que lhe aparecerá tem este aspecto: Met Office: Weather and climate change. Todas as dúvidas ficam esclarecidas. Inclusive por parte do motor de busca (o resultado é bem diferente se usarmos o Bing...).

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Energia - da histeria ao fundado receio

Creio que será tão velha quanto a civilização ocidental a convivência com o anúncio, para um momento mais ou menos próximo na linha do tempo, da chegada do Apocalipse. A esta luz, a tese catastrofista do "aquecimento global" / "alterações climáticas" é apenas o seu mais  feroz afloramento.


É curioso assinalar que tenha sido precisamente em pleno take-off do sistema capitalista, que viria a proporcionar um tão extraordinariamente longo período de crescimento económico que, ironicamente, tivesse sido teorizada pelo economista Thomas Malthus, a tese da "inevitabilidade" da estagnação do crescimento do rendimento per capita - a armadilha malthusiana como viria a ficar conhecida. Supostamente, como Malthus enunciou, em 1798, no seu "An Essay on the Principle of Population" (pdf), de 1798, a combinação de um crescimento populacional inelutável (em progressão geométrica) com a escassez relativa de recursos (que cresceriam apenas segundo uma progressão aritmética) era fatal. Ainda no século XIX, um outro economista famoso, Stanley Jevons, num ensaio também célebre - The Coal Question (pdf), de 1865 -, pré-anunciava o "fim" do recurso fundamental em que assentava a revolução industrial - o carvão.

No século XX, as teorias catastrofistas ganharam novo fôlego a partir de Hiroshima e Nagasaki e acentuaram-se, a partir dos anos 60/70 do século passado, algures na intersecção entre a crise dos mísseis em Cuba (1962) e a emergência do "movimento verde" (com o livro "Silent Spring" da autoria de Rachel Carson também de 1962) e, posteriormente, com o acidente de Three Mile Island (1979). Pelo meio, Paul Ehrlich repescou os velhos (e errados) argumentos de Malthus em The Population Bomb (1968) e, uns anos depois (1972), foi o Clube de Roma quem se aprestou a repristinar Jevons com o volume "The Limits to Growth" que "provava" que quase todos os recursos materiais fundamentais iriam acabar dentro de poucas décadas nomeadamente os combustíveis fósseis (novamente a energia, cem anos depois). Quando lemos Christopher Booker e Richard North ou Matt Ridley, constatamos que a histeria do pânico se instalou entre nós. Os mais pessimistas dirão que se tornou mesmo endémica. A mais recente "crise", que ainda decorre - a carne de cavalo vendida por vaca -, aí está para o confirmar e irá terminar, pela certa, como todas as outras: com mais leis, mais "regulamentos", mais burocracia, mais batalhões de "inspectores", mais coimas, maiores custos de produção e comercialização e, consequentemente, um (ainda) menor crescimento económico.

Esta semana foi notícia de "caixa" nos jornais ingleses (por exemplo, aqui e aqui) a notícia veiculada pelo responsável pela Ofgem (o regulador britânico da área energética) que o Reino Unido enfrenta sérios riscos de apagões gigantescos com o fecho, já no próximo mês de Março, e por imposição de Bruxelas, de várias centrais a carvão que, no seu conjunto, representam uma capacidade equivalente a quase 1/6 do total das necessidades de energia eléctrica do país. E isto sem que, entretanto, tenha sido construída capacidade alternativa, seja de centrais térmicas a gás ou nucleares! Uma vergonha anunciada (que os media do mainstream, eles próprios promotores do "verde" politicamente correcto, patrocinaram) que atravessa os governos de Tony Blair e de Gordon Brown mas também o de David Cameron que vem prosseguindo a loucura diarreica dos subsídios às ventoinhas cuja produção de electricidade, sendo inerentemente intermitente, não assegura que exista electricidade quando ela é necessária. E ainda têm a lata de vir alertar os consumidores para se prepararem para o aumento significativo brutal da electricidade que aí vem. Christopher Booker, no Telegraph, ou Richard North, no seu blogue, relembram todos os avisos que foram fazendo desde 2004 e que quase todos preferiram ignorar.

Tudo isto devia ser bem conhecido pelos portugueses: em tempos, um secretário de Estado da Energia afirmou, em 2006, que "São os consumidores que devem este dinheiro [o défice tarifário]. Não é mais ninguém", a propósito da projectada subida do preço da electricidade para 2007, de 15,7%, proposta pela ERSE na altura comandada por Jorge Vasconcellos, aumento que Sócrates vetou (e que levou à saída de Vasconcellos que apresentou a sua demissão). Sabemos onde tudo isto já chegou mas ainda não sabemos até onde chegará. Tem receio? Seria irracional que o não tivesse.

Fonte: ERSE

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

BBC-A vaca sagrada (e desgraçada) do serviço público

ACTUALIZAÇÃO: via WUWT, está disponível a lista dos 28 participantes (obtida por meios lícitos) no encontro abaixo referido, até aqui secreta - e durante seis anos!

Vivemos e crescemos ouvindo e lendo que, ainda que individual ou colectivamente não soubéssemos definir (como ainda não o sabemos ou saberemos por mera impossibilidade lógica) o que era o "serviço público" de televisão e rádio, havia um farol que aspergia luz sobre este formidável tema. Falo, naturalmente, da BBC (a que já aludi em anteriores ocasiões aqui e aqui). O episódio singelo que Christopher Booker conta na sua crónica de 6ª feira passada no Telegraph, é bem mais luminoso que o mítico farol. Assim a modos de como esta "notícia" ser a negação do jornalismo. A responsabilidade da tradução é naturalmente minha.
Um notável drama legal desenrolou-se recentemente em Camden Town, em Londres, opondo um solitário reformado do País de Gales à poderosa BBC, representada por uma bateria de advogados altamente bem pagos. Foi travada uma batalha para determinar o direito da BBC, sob a Lei de Liberdade de Informação [Freedom of Information Act-FOIA], de manter em segredo a forma pela qual chegou à tomada de uma decisão política importante, a qual, desde há seis anos, lhe tem permitido operar em violação das suas obrigações legais impostas pelos seus Estatutos [Charter].

O BBC Trust não esconde o facto de que um seminário de "alto nível", em 2006, no qual participaram "cientistas peritos", conduziu à decisão de que a BBC deveria assumir uma posição vincadamente proactiva na promoção do alarme relativo ao aquecimento global, ignorando ou ridicularizando qualquer um que ouse questioná-lo. Isso foi feito com pleno conhecimento de que assim se contrariavam os Estatutos da BBC os quais prevêem que a sua cobertura de temas polémicos deva ser imparcial.

Tudo neste seminário, realizado em segredo no Centro de TV e que contou com a participação da cúpula da BBC, foi estranho. Foi organizado por um pequeno grupo de pressão criado pelo jornalista da BBC, Roger Harrabin, para promover o alarme do aquecimento global nos media, financiado por dinheiro público e por outros grupos de pressão sobre o clima.

domingo, 21 de outubro de 2012

É a energia eólica que fará disparar a conta da electricidade

Christopher Booker voltou da Índia e está zangado. A sua irritação radica no  problema que é também o nosso problema. Tudo isto amplificado pela pandilha burocrática de Bruxelas adepta do politicamente correcto. Roubei-lhe o título do seu artigo para o usar no post procurando traduzi-lo o melhor que pude.
Imagem daqui
Na semana passada,  regressei de uma visita à Índia - que em Julho passado sofreu o maior apagão da sua história, afectando 600 milhões de pessoas - para encontrar a nossa própria política energética num desastre pior que nunca. Respondendo às crescentes facturas energéticas, que recentemente aumentaram em mais de 13 por cento, David Cameron exibiu novamente a sua espantosa ingenuidade em tais assuntos prometendo obrigar as empresas produtoras de energia a cobrar apenas os seus preços mais baixos para o gás e a electricidade que produzam - exactamente quando até mesmo a Ofgem [o regulador britânico do sector energético britânico] nos vem alertando que também nós enfrentamos a perspectiva de cortes de energia massivos, graças ao encerramento iminente de muitas das nossas centrais eléctricas.

Já passaram mais de cinco anos desde que comecei a alertar aqui [na coluna semanal que Booker mantém no The Telegraph] que as luzes na Grã-Bretanha corriam o perigo de se apagarem graças à loucura dos sucessivos governos ao fecharem os olhos a esta crise. Contudo, a única resposta de Cameron é a de se entregar a uma jogada política que provoca gritos quase universais de escárnio, e que apenas serve para mostrar que ele sabe ainda menos do mundo real da energia que o seu tecnicamente iliterato secretário de Estado da Energia e das Alterações Climáticas, Ed Davey.

Por tudo isso, somos nós que teremos de pagar, através das facturas sempre crescentes da energia. Não está o Sr. Cameron ciente, por exemplo, que o objectivo declarado da "taxa de carbono" de George Osborne, devida no próximo mês de Abril (o que por si só irá eventualmente dobrar as nossas facturas energéticas) é tornar a energia dos combustíveis fósseis tão cara que os seus amados parques eólicos possam um dia parecer competitivos, apesar de termos de pagar subsídios de 100 por cento (em terra) e 200 por cento (em offshore) para as quantidades patéticas de energia que produzem?

Estas são as razões pelas quais as nossas empresas produtoras de energia não têm alternativa senão elevarem constantemente as tarifas, levando mais milhões de famílias para uma situação de "pobreza energética". E nós vamos tendo que pagar por tudo este faz-de-conta em nome do combate à ameaça do aquecimento global, num momento em que até mesmo o Met Office  [Instituto Meteorológico britânico] timidamente admite que não houve qualquer aquecimento significativo do planeta nos últimos 15 anos; quando o gelo da Antárctida acaba de atingir a maior extensão desde que há registos; e quando os meteorologistas nos dizem que a Europa e os EUA poderão vir a atravessar o quarto inverno glacial seguido.  E todavia, aqueles que nos governam estão tão perdidos na sua bolha de fantasia que tudo o que o Sr. Cameron nos pode oferecer é uma promessa para aprovar uma lei que irá manter as nossas contas energéticas baixas.

Semelhante loucura provoca-me uma irritação tão grande quanto a que me sucedeu com a descoberta , quando recentemente paguei 244 libras pelo meu bilhete de avião para a Índia, que eu tinha que pagar 386 libras a mais [meu itálico] em impostos - a maioria deles desenhados para salvar o planeta do aquecimento global.

sábado, 14 de julho de 2012

O segredo do shale gas

ou por que razões se verifica um extraordinário  boom na exploração de gás de xisto nos EUA (e correspondente espectacular quebra no seu preço) enquanto no passa nada na Europa, como Christopher Booker assinalava na semana passada. Do editorial de hoje do WSJ, via Carpe Diem (meus realces):
"One of the few bright patches in the Obama economy is the booming production of shale gas and, increasingly, oil. The U.S. ranked 159th in GDP growth last year. But in natural gas production, it's now No. 1.

How did that happen? Partly it's the luck of geology, though plenty of other countries have abundant shale resources. Partly, too, it's American technological leadership in developing hydraulic fracturing (fracking) and horizontal drilling. But those techniques are now widely understood the world over.

What gave the U.S. its edge is that the early development risks were largely borne by small-time entrepreneurs, drilling a lot of dry holes on private land. These "wildcat" developers were gradually able to buy up oil, gas and mineral leases from private owners while gathering enough geological data to bring in commercial producers.

Now compare this to Europe, which sits on an estimated 639 trillion cubic feet of shale gas yet remains heavily dependent on Russian imports. The governments of France and Bulgaria have banned fracking on dubious safety grounds, with nary any pushback from their publics. That might not be the case if French farmers, for example, were able to profit from the riches underneath their terroir.

Countries such as Poland and Great Britain are willing to develop their shale potential. Yet in both places the absence of private mineral rights has delayed exploration and production.

In time, perhaps even the French will recognize their lost opportunity and lift their ban on fracking. But the deeper lesson is that this is a revolution that came about not through government planning or foresight, but through a combination of individual risk-taking and private property. Europeans could benefit by doing more to broaden the latitude for both."

domingo, 8 de julho de 2012

A ruína energética e a religião verde

Certeiro como poucos, Christopher Booker: You can’t have shale gas – it might halve your bills. A tradução e o link que introduzi são meus.
Uma das coisas mais notáveis que neste momento está ocorrendo no mundo é a revolução no mercado energético dos EUA provocada pelo barato gás de xisto. Em quatro anos, esta revolução reduziu a metade o custo do gás, possibilitando poupar aos consumidores de energia nos EUA cerca de 100 mil milhões de dólares. Graças à crescente substituição do carvão pelo gás, também as "emissões de carbono" dos Estados Unidos, admitindo que tenham alguma importância, caíram para o nível mais baixo nos últimos 20 anos.

Na Grã-Bretanha, graças à absoluta incompetência dos responsáveis pela nossa política energética, aconteceu o oposto. O aumento do custo do gás importado levou as nossas empresas produtoras de electricidade a voltar ao carvão, o qual, nas últimas duas semanas, vem contribuindo com pelo menos 40 por cento da produção total de electricidade. Por mais de uma ocasião, no entanto, o contributo de todas as nossas 3500 turbinas eólicas, por junto, tem sido tão pouco quanto 0,2%, com as centrais eléctricas a carvão a representar 200 vezes mais.

Quanto ao gás de xisto, do qual também possuímos enormes reservas, o nosso Governo parece despender todos os esforços para desencorajar a sua exploração. Isto é assim porque se trata de outro combustível fóssil que não nos irá ajudar a cumprir a nossa meta (totalmente inatingível), via UE, de gerar 32% da nossa electricidade, em 2020, a partir de "renováveis" - tais como daqueles inúteis moinhos de vento. Deste modo, a nossa factura energética continuará a subir e, com metade de nossas centrais de produção de electricidade a carvão condenadas a encerrar obedecendo a uma directiva da UE, a perspectiva de as lâmpadas da Grã-Bretanha se apagarem e os computadores se desligarem vai-se aproximando a cada mês que passa. Será que alguma vez houve, na história do nosso país, uma fuga mais louca da realidade?
A loucura a que Booker se refere é exactamente a mesma que subjaz a esta inanidade inspirada e expirada pelas metástases da religião verde e politicamente correcta de Bruxelas. Anunciar que Portugal pode (reparem no "pode") poupar 1200 milhões de euros em energia se se concretizarem os cenários cor-de-rosa do Roteiro Nacional do Baixo Carbono 2050 (!!!) é pura ficção e total desperdício de tempo e dinheiro ao mesmo tempo que se deixam acumular custos cada vez mais incomportáveis na factura energética e na segurança da sua disponibilidade. Caramba! Até a Quercus reconhece que ter gasto 50 milhões de euros com o carro eléctrico (250 exemplares em todo o país até agora) foi "exagerado".

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Sentido das proporções e do ridículo, no esfumar doutra bolha

Escreve Christopher Booker, citando o autor deste livro, um australiano (tradução minha):
«Se imaginarmos que o comprimento da atmosfera da Terra é de um quilómetro, 780 metros são constituídos por azoto, 210 por oxigénio e 10 metros por vapor de água (o mais abundante gás com efeito de estufa). O dióxido de carbono corresponderá apenas a 0,38 metros para os quais as emissões de origem humana contribuirão com um milímetro. A parte correspondente à Austrália1 será de 0,015 de um milímetro, a largura de um cabelo humano, e é para a reduzir que Gillard [Julia Gillard, a primeira-ministra australiana] está prestes a infligir danos à economia do seu país que custarão milhares de milhões de libras por ano.»
Agora que até a União Europeia finalmente percebeu, provavelmente através dos alemães, que o céu não é o limite para a demência subsidiatória, o mais provável é que os profissionais do alarmismo se desloquem, de mansinho, para outras paragens, agora mais calmas (mas não menos alucinadas). O RioD'oiro, há pouco, já chamava a atenção para esse sempre afinado anemómetro em matéria ambiental que são as Nações Unidas e para um dos seus arautos principais: o Guardian. Ao que parece, as baterias vão ser agora assestadas para salvar as espécies, à excepção da humanidade, claro, até porque, como lembrava há um par de dias, para esta gente "o inimigo real é a própria humanidade".
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1Usando os dados daqui, referentes a 2007, e admitindo uma proporcionalidade simples, teriámos para Portugal algo como 0,0024 de um milímetro. Foi para evitarmos 24 milionésimos de um milímetro de CO2 (e "estimular" a economia) que se enxameou o país de ventoinhas e entregámos de bandeja brutais "rendas excessivas" (às empresas e bancos do regime) de que agora tanto se fala (mas só com a troika) e que, no essencial, se irão manter, apesar da retórica de Álvaro Santos Pereira.

domingo, 1 de abril de 2012

Sinais (10)

Ao ler a coluna semanal de Christopher Booker, deparei-me com uma referência à vergonha sentida por determinados funcionários públicos e à total falta dela por parte dos seus governantes. Falo do Governo australiano presentemente dirigido pela eco-teócrata Julia Gillard.

terça-feira, 13 de março de 2012

Renováveis insanidades (2)

Zurzo, com frequência, na política energética de Obama. Mas será bom lembrar que a inspiração "verde" que lhe subjaz adveio dos "sucessos" europeus na matéria. Já começamos a conhecer o "sucesso" português, como de resto o espanhol, o dinamarquês, o holandês, o alemão, etc, bem aferido na conta da electricidade de todos os consumidores. Mas a loucura atinge o paroxismo no Reino Unido, o único país no mundo que inscreveu em forma de lei uma auto-imposição quanto à "descarbonização". Reparem nesta passagem do artigo de Christopher Booker, no Telegraph do sábado passado:
«So, in order to reduce our CO2 emissions, we subsidise power companies to burn wood which ends up emitting much more CO2 than the fossil fuels it replaces, so that the Government is now told that this should only be allowed if the firms then remove that CO2 by a process so CO2 intensive that it doubles the cost of the electricity, in order to bury it under the sea using technology not yet commercially developed and which, according to various scientific studies, will never work anyway, Yet according to the Department for Energy and Climate Change, ''biomass’’ is going to be as important to meeting our EU targets as those useless windmills. Thus in every direction do the ''green dreams’’ of those who rule us in London and Brussels collide with reality.»
Michael Ramirez ilustra a inanidade de tudo isto em mais um belo cartoon.


sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

À atenção dos que têm a BBC como modelo de serviço público de rádio e televisão

Richard North, em "A triple betrayal" a propósito da publicação ontem do escrito "The BBC And Climate Change: A Triple Betrayal", de Christopher Booker. Um excerto:
«O que Booker fez por nós... foi demonstrar que a actuação errada da BBC sobre as alterações climáticas não foi simplesmente um reflexo da sua incompetência inata e deferência natural para com a autoridade corporativa.

Tem sido de facto o resultado de uma política deliberada, desde o meados da década passada, quando altos executivos da BBC, incluindo os responsáveis dos noticiários e actualidades, juntamente com a sua equipa de jornalistas de temas ambientais, tomaram a decisão que a cobertura sobre as questões relacionadas com as alterações climáticas deveria ser mais abertamente sectária.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Variantes do fim da Civilização

No artigo de hoje no Telegraph, Christopher Booker estabelece um paralelismo, para alguns talvez inesperado, entre os horrores anunciados decorrentes de um não-acordo sobre aquecimento global ou os efeitos, igualmente pavorosos, de um eventual fim do euro. E porém, como não achar uma total sobreposição entre as seguintes afirmações (realces meus)?
Gordon Brown, 20-10-2009, nas vésperas da Conferência de Copenhaga:" We have fewer than fifty days to save our planet from catastrophe"

Olli Rehn, 01-12-2011: "We are now entering the critical period of 10 days to complete and conclude the crisis response of the European Union"

domingo, 23 de outubro de 2011

Demência energética na Grã-Bretanha

Por razões de ordem diversa, a menor das quais não terá sido a do puro oportunismo político, os Tories tudo fizeram - o que não foi fácil - para ultrapassar o Labour, pela esquerda, proclamando-se como os campeões do ambientalismo aceitando até ultrapassar as metas vindas de Bruxelas na sua cruzada pela descarbonização. Ganho o poder aos trabalhistas, o resultado foi o estabelecimento de uma carregada agenda tendo em vista combater o aquecimento global (rebaptizado entretanto de "alterações climáticas").

Ora sucede que um dos itens dessa agenda "[w]e will continue public sector investment in carbon capture and storage (CCS) technology for four coal - or gas- fired power stations" parece ter acabado de ser declarado morto e enterrado, como conta Christopher Booker.

E que dizer deste outro "[w]e will push for the EU to demonstrate leadership in tackling international climate change" quando, finalmente, é agora até a própria Comissão Europeia que se questiona quanto ao sentido de prosseguir numa estratégia [suicida] de descarbonização quando ninguém mais se mostra preocupado com o assunto?


Loucuras, loucuras, loucuras: inúteis ventoinhas por todo o lado que são pagas ora pela (pouquíssima) electricidade produzida ora para não a produzirem, brutais taxas de emissão de carbono impostas sobre as empresas produtoras de electricidade e todo um red tape associado ao Climate Change Act, apenas conseguiram aumentar, de forma consistente e crescente o preço da electricidade (18% mais do que há um ano) assim atirando para a "fuel poverty" [limiar de pobreza associada ao dispêndio de mais 10% do rendimento no aquecimento residencial] britânicas (6,3 milhões de lares, segundo a Wikipedia, ou seja, 25% da totalidade). A coisa é de tal ordem que até a Inquilina de Buckingham corre o risco ser abrangida na referida categoria, conforme relata o Finantial Times.

domingo, 18 de setembro de 2011

Loucura eólica no Reino Unido

Tradução minha de "Fraude eólica: agora pagamos para não ter energia", por Christopher Booker:
«Não apenas entregamos mil milhões de libras por ano em subsídios aos proprietários de 3500 turbinas eólicas na Grã-Bretanha, em troca de quantidades miseráveis de electricidade, mas agora também temos de lhes pagar, através das nossas facturas, para não produzir electricidade. Durante os ventos fortes da semana passada, 13 parques eólicos foram instruídos para desligar as suas turbinas porque estavam injectando energia em excesso na rede ameaçando a segurança da mesma. Por esse facto, receberão, a título de "restrições", pagamentos potencialmente no valor de milhões de libras. Em Maio último, foi necessário pagar 2,6 milhões de libras para desligar parques eólicos escoceses pela mesma razão.

Assim, nos dias sem vento do gelado inverno do ano passado, as turbinas contribuíram com quase nenhuma energia em alturas de pico de procura; e quando o vento soprar, teremos de lhes pagar pelo contribuir de nada. Sir Reginald Sheffield, o sogro do primeiro-ministro , que ganha cerca de 1000 libras por dia com o parque eólico na sua propriedade de Lincolnshire, está seguramente no negócio certo.»

domingo, 4 de setembro de 2011

Parábola do nosso tempo

Por Christopher Booker (tradução minha):

«[Uma] pequena parábola do nosso tempo é a história da recusa da Suécia em alugar o seu mais poderoso quebra-gelos [o Oden] para ajudar os Estados Unidos no abastecimento à sua base [científica] de McMurdo na Antárctica. Os suecos disseram a Hillary Clinton que precisam do Oden em casa, após dois anos de gelo anormalmente espesso no Inverno que provocaram enormes perturbações e mesmo a paragem do tráfego marítimo no norte do Báltico. Os americanos têm contado com os serviços do Oden desde há cinco anos, porque, como revelado pelo blogue Autonomous Mind, deixaram degradar a sua frota própria de quebra-gelos, acreditando que o aquecimento global os tornaria desnecessários.

As nações do Báltico, incluindo a Suécia, a Rússia, a Finlândia e a Estónia, perceberam agora que precisam de todos os quebra-gelos que consigam obter, para evitar a repetição do horror da Primavera passada, quando mais de 100 navios ficaram presos em placas de gelo anormalmente vastas e espessas em ambas as extremidades da Rússia.

Enquanto isso, a BBC - como de costume, no auge do degelo de Verão do Árctico - tagarela acerca dos navios que navegam entre a parte superior da Rússia e do Canadá, e que em breve o gelo irá desaparecer completamente. Enfiada dentro da sua estranha bolha, a BBC parece ignorar que os navios pudessem fazer isto há 70 anos atrás, antes de "aquecimento global", e que a verdadeira história é a crise criada pelo retorno maciço, em dois Invernos sucessivos, de gelo ao Golfo da Finlândia e ao Mar de Okhotsk.»

domingo, 21 de agosto de 2011

Alarmismo, ursos polares, a BBC e o "serviço público"

A propósito de um ataque de urso polar em Svalbard, Christopher Booker escreve (tradução e realces meus) uma parábola do Ártico para o nosso tempo:
Quanto mais aprendemos sobre a história infeliz de Chapple Horatio, esquartejado até a morte por um urso polar em Svalbard, mais ela se torna uma arrepiante parábola do nosso tempo.

Primeiro, foi a triste notícia do ataque em si, da morte do rapaz e dos ferimentos graves em outras quatro pessoas, antes de o animal ter sido finalmente abatido a tiro. Depois, fomos informados que a expedição tinha ido para Spitzbergen para estudar os efeitos das alterações climáticas. Nesta altura, a BBC entrou inevitavelmente em cena, com um longo artigo no seu website explicando que, "devido às alterações climáticas, o número de ursos polares poderá diminuir rapidamente", e que cada vez mais os turistas acorrerão ao Árctico "para conseguir um último vislumbre final destes animais ".

Finalmente, ficámos a saber que o a instituição de que organizou a expedição fatal foi alertada seis meses antes para a necessidade de tomar todas as medidas de protecção contra aos ursos polares, desde a colocação de vigias à necessidade de verificação de as espingardas e pistolas de sinalização estarem em boas condições de funcionamento. Parece que a importância destas precauções não foi tida em conta. O arame perimétrico não fez disparar os foguetes de sinalização, a pistola de sinalização não funcionou de todo e a espingarda apenas funcionou à quinta tentativa.

Assim, uma geração de jovens está sendo educada para ver os ursos polares como criaturas carinhosas cuja sobrevivência está ameaçada pelo aquecimento global - não sendo informada que na metade do século passado, a população de ursos polares facto quadruplicou. Desligadas da dura realidade da natureza, as crianças perdem de vista o facto de estas duras realidades poderem literalmente virar-se para as morder. Um resultado é a tragédia que, há duas semanas, fez manchetes em todo o mundo.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

A grande e desastrosa histeria

Via SPPI blog, cheguei ao artigo de Christopher Booker, de que traduzo alguns excertos:

Global warming? A new ice age? The only certainty is that YOU'RE paying for the hysteria of our politicians 
«(...) A última novidade é que o mundo poderá ser ameaçado por uma queda acentuada nas temperaturas, possivelmente tão grave que pode pressagiar uma nova mini era glaciar. 
E um dos motivos que está a ser apresentado para isso é que toda a poluição que está a ser emitida por milhares de centrais produtoras de energia eléctrica a carvão poderá estar a bloquear o calor do Sol de atingir a Terra. 
O Dr Robert Kaufman da Universidade de Boston culpou a China nesta semana. "Durante a expansão económica chinesa houve um enorme aumento das emissões de enxofre", disse ele. E esta seria a causa de arrefecimento global. (...) 
Mas talvez que a coisa mais bizarra desta última reviravolta nesta história continuada de pânico climático seja que ela nos leva precisamente de volta ao ponto onde tudo começou há 40 anos atrás. 
Hoje torná-mo-nos tão acostumados à noção de aquecimento global que é difícil acreditar que nos anos setenta, cientistas dos EUA começaram a alertar que o mundo estava a caminhar para um arrefecimento tão grave que podia até anunciar uma nova era glaciar.

Isso aconteceu porque durante 30 anos, após um aumento acentuado no início do século XX, as temperaturas globais caíram acentuadamente.

E a causa desse arrefecimento, segundo a argumentação de cientistas americanos, liderados pelos climatologistas Stephen Schneider e James Hansen, foi todo o dióxido de enxofre e outras partículas resultantes da queima de combustíveis fósseis - nomeadamente a efectuada nas centrais eléctricas a carvão.

Quinze anos depois, os mesmos cientistas estavam na vanguarda do grande pânico do aquecimento global.
 
Schneider, que se tornou professor de biologia ambiental e mudança global na Universidade de Stanford, argumentou desta vez que o dano estava a ser feito não por fuligem e enxofre impedindo o calor do sol que atinge a Terra, mas pelo dióxido de carbono e outros "gases estufa", que foram reter o calor.

Foram homens como Schneider e Hansen que, no final dos anos oitenta, aterrorizaram de tal modo os políticos com a sua teoria que o CO2 implicava o aquecimento global que, dentro de poucos anos, os líderes mundiais se reuniam em grandes conferências no Rio e em Kyoto para assinar tratados pelos quais se comprometiam a efectuar cortes maciços nas emissões de CO2 de que a economia mundial dependia.(...)»