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quarta-feira, 17 de setembro de 2014

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

As acções de Putin na Ucrânia: "inaceitáveis" ou provocadas e previsíveis?

Independentemente de isto se vir a confirmar - caso em que, a meu ver, só acelerará a importância do eixo Moscovo-Pequim (tal como a intervenção no Iraque acabaria a reforçar a posição do Irão) -, parece-me pertinente a devida referência à coluna de sábado do insuspeitíssimo Christopher Booker, no Telegraph, relativa à situação na Ucrânia e da qual retirei o título que encima o post.[1] [2] A tradução é da minha responsabilidade bem como os realces de segmentos do texto.
É sempre revelador quando os políticos nos transmitem que algo é "inaceitável". O que eles querem dizer com isso é que, muito embora as pessoas possam ter a expectativa de que eles irão fazer alguma coisa a esse respeito, o facto é que não têm a menor ideia do quê. Foi por isso que os líderes ocidentais, incluindo David Cameron, reunidos para a cimeira da NATO no País de Gales, nos disseram que a intervenção do presidente Putin na Ucrânia era "inaceitável".

O verdadeiro problema aqui não é apenas o de os nossos dirigentes não saberem o que fazer relativamente a Putin e à horrível guerra civil na Ucrânia, que já matou quase 3,000 pessoas e que os russos parecem estar a ganhar sem grande esforço. A questão é que eles e muitos outros no Ocidente têm vindo a fazer uma leitura errada desta crise desde que ela começou no início do ano.

Nunca será demais repetir que o que desencadeou a crise não foi a vontade de Putin em restaurar as fronteiras da União Soviética, mas antes a ambição absurdamente insensata por parte do Ocidente em ver a Ucrânia ser absorvida pela UE e pela NATO. Nunca teria sido possível que Putin ou todos aqueles falantes de russo no leste da Ucrânia e na Crimeia amavelmente assistissem a que o país que foi o berço da identidade russa se tornasse parte de um bloco do poder ocidental. A Rússia ficaria ainda menos contente em ver os únicos portos de águas quentes da sua marinha nas mãos de uma aliança militar que tinha sido formada para, em primeiro lugar, para a conter.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Da legitimidade

A presença esparsa na blogosfera, cada vez mais condicionada pela minha errância no facebook, não impediu que lesse com atenção este post do rui a. e o subsequente troca de comentários, em especial na sequência das intervenções de Carlos Novais a contestar a tese de rui a., em mais um episódio no cerrado debate filosófico entre minarquistas e a anarco-libertários. Por outras palavras, da necessidade ou não da existência do Estado, ainda que sob uma forma mínima (a estritamente necessária, na senda do liberalismo clássico dos séculos XVIII e XIX e dos actos fundadores, de funções enumeradas, do estado federal da União dos Estados da América do Norte).

Robert Higgs (em excelente entrevista, aqui), presença frequente no EI, e que ultimamente também se "virou" para o fb onde mantém uma página muito activa, publicou ontem um pequeno mas muito interessante texto que me parece ser um bom contributo para (res)suscitar um debate que, em boa medida, não se inicia sequer porque se as coisas "sempre foram assim" para quê discuti-las?

Membro de organizações profissionais, enquanto trabalhador por conta de outrem, sempre lutei contra aquelas paredes, tidas por inexpugnáveis, do "sempre foi assim". Mais novo, as dificuldades do desafio de as ultrapassar serviam apenas para me alimentar de uma ainda maior vontade de o conseguir. Ao longo dos anos, à medida que o tempo foi passando e alguma sabedoria ia sendo adquirida, as tácticas de que me socorria diversificaram-se, mas o objectivo estratégico, esse - "tear down this wall", nas famosas palavras de Reagan -, creio nunca o ter perdido. Foi física e mentalmente esgotante esse percurso. Deixou sequelas. Permanentes.

Convido-vos, assim, a conhecerem mais um belo texto de Robert Higgs - Legitimacy -, numa tradução de minha responsabilidade, lamentavelmente muito pálida perante a qualidade do original:

Qual é a diferença entre um estado, uma quadrilha criminosa ou um prestador de serviços de protecção como a máfia? Numa palavra, a legitimidade [política]. Na prática, esta vaga noção sugere que as pessoas vêem o estado - a sua composição institucional, os seus funcionários e a sua conduta - como moralmente aceitável ou apropriado, enquanto vêem a máfia - pelo menos a sua conduta -, como moralmente inaceitável ou imprópria.

Muitos estados alegam que a sua legitimidade assenta no fundamento lockeano do consentimento dos governados mas, na prática, esse consentimento revela-se altamente problemático pois a população governada raramente é confrontada, se é que o é alguma vez, com a opção de ser ou não ser governada no quadro das instituições estatais estabelecidas. Os regimes utilizam a educação pública, a propaganda, as decisões judiciais (proferida por juízes do próprio estado), as eleições políticas, as audiências públicas e outros artifícios para imbuir as pessoas da ideia de que os seus governantes são autoridades legítimas que levam a cabo acções legítimas. Muitos desses esforços justificativos, talvez mesmo todos, são altamente questionáveis, se é que não são inteiramente falsos, e nenhum deles representa prova decisiva do consentimento do povo para ser governado tal como o é pelos governantes que os dominam.

Na realidade, o assim chamado consentimento dos governados consiste no essencial da mera aquiescência - uma resignação generalizada que significa apenas que a maioria das pessoas prefere suportar o roubo e a intimidação do estado do que abertamente lhe resistir pelos riscos de dano, de prisão e de morte. A aquiescência do povo, em muitos casos, uma espécie de rendição implícita, mal-humorada e ressentida, dificilmente confere aos governantes uma qualquer aprovação moral. Na verdade, mesmo nos países com os maiores graus de participação política popular, a maior parte das pessoas olhará para os políticos governantes e burocratas com um mal disfarçado desprezo e, por vezes abertamente, com um ódio expresso.

domingo, 27 de maio de 2012

Atavismo abrantino

Alberto Gonçalves em "O meu caso com o caso Relvas", na crónica de hoje no DN:
«...Portugal é um lugar onde as convicções derivam de simpatias partidárias, compadrio e arranjinhos à mesa do restaurante. De tão infantil, só a descrição da paisagem deprime: os que negavam os abusos do PS são os que hoje se indignam com os abusos do PSD; os que se indignavam com os abusos do PS são os que hoje negam os abusos do PSD. Contra toda a evidência e a favor de todo o compromisso, os apoiantes de uns perdoam-lhes o que condenavam noutros e os apoiantes dos outros indignam-se face ao que lhes era indiferente. Os primeiros perdem a razão que tinham. Os segundos não ganham razão nenhuma.

Gostaria, insisto, que Estrela Serrano não me julgasse pelos critérios que a orientam. Se digo que o presumível desvario do sr. Relvas não é inédito não pretendo dizer que o desvario é desculpável, mas que o indesculpável clima que o propiciou já vem de trás. O sr. Relvas faz o que quer na medida em que os seus parceiros de ofício sempre fizeram o que queriam. E o sr. Relvas sairá provavelmente impune na medida em que a impunidade tácita do ofício é regra da casa.»

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Muito obrigado e até sempre Ecotretas!

Leio aqui, pelo próprio, que o Ecotretas se vai reformar (da presença regular da blogosfera). Não que se trate de uma "reforma" imerecidamente conquistada. Pelo contrário: muito poucos fizeram tanto em Portugal pela desmontagem da mitologia da teocracia verde que nos "ajudou" a empurrar a todos para o monumental buraco em que estamos metidos. Bem haja, Ecotretas! 

Fica assim significativamente mais pobre a presença dos cépticos na blogosfera portuguesa. Este blogue, que tanto deve ao Ecotretas na difusão que conseguiu entre os internautas, tentará, modestamente, mitigar a sua falta.

Ao autor do Ecotretas, que não conheço pessoalmente e com quem apenas troquei um par de emails durante o ano e meio de vida que leva este blogue, desejo-lhe as melhores felicidades pessoais e profissionais.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Estatística vs causa-efeito

No Portugal Contemporâneo, Joaquim Sá Couto, médico de formação, de há muito que nos proporciona excelentes posts que veiculam a perspectiva do economista defensor da economia de mercado. Num contraponto que se diria perfeito, hoje assistimos, tanto quanto creio pela primeira vez, ao economista Pedro Arroja escrever sobre medicina, mais propriamente sobre o cancro, para tal evocando a sua qualidade, em "acumulação", de estaticista (sinónimo de estatístico, aquele que se ocupa de estatísticas).

No seu habitual estilo combativo e, com frequência, provocador, Pedro Arroja conclui, explicitamente invocando estudos estatísticos que o próprio levou a cabo, que a medicina hoje "trata" cancros que o não são e que o "tratamento-rei" - a quimioterapia -, é muito menos eficaz do que temos por adquirido.

Não sou estaticista de profissão mas a Estatística é uma disciplina a que não sou alheio, não tivesse eu frequentado um curso de Economia de extrema ortodoxia neoclássica e a associada e vasta canga estatística e econométrica... Digamos que creio saber o suficiente para a considerar como uma matéria muito, muito tricky.

O ponto que gostaria de destacar é outro: não existindo uma teoria que explique a relação causal (a fonte) do surgimento do cancro (o efeito), pouco mais resta que a Estatística, ou seja, o estabelecimento de correlações, para tentar escorar uma ortodoxia de tratamento do cancro, ortodoxia que vai variando no tempo. Ora, se a exercícios estatísticos que apontam num sentido se sucedem outros que apontam em sentido diferente, e talvez oposto... outra atitude que não seja a de uma profunda humildade científica (Popper) é, a meu ver, de uma sobranceria intolerável.

E se o que precede é válido nas ciências naturais e biológicas como a Medicina, que dizer então das ciências sociais onde a estatística só é útil para contar o que já sucedeu (Mises)?

sábado, 24 de março de 2012

Socialismo malsão

Hoje, quando saí para ir comprar os jornais, reparei que o meu carro e os demais à volta estavam sujíssimos. Em resultado de uma chuva esparsa, a poeira tinha assentado e o resultado não era bonito. Já no café, reparei que Passos Coelho, em pleno congresso do PSD, tentava explicar que o significado de uma moção anteriormente aprovada era contrário ao entendimento que outros congressistas (muitos?) faziam. Virei as costas, enfadado.

Já de volta a casa, li "Um Partido de Esquerda", de Ricardo Lima, e recordei-me do que escrevi no final de Agosto do ano passado, sob o título "Cobarde" , na sequência da divulgação pelo Governo do Documento de Estratégia Orçamental 2011-2015. Na altura, o pequeno escrito mereceu o epíteto de "disparatado", atribuível a uma "contaminação malsã" que pairava no ar e de que também eu seria vítima, pelo meu caro amigo João Gonçalves (por sinal também presente no Pavilhão Atlântico, a assistir à coisa). Na resposta que então lhe dirigi, já não mostrava grandes ilusões: «Já se me esgotou a capacidade de acreditar que deste governo virá mais do que uma gestão mais "competente" de, esse sim malsão, estado socialista que iremos continuar a ter. Para desgraça de todos nós.»

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

O agradecimento é nosso, Ecotretas!

E se prova adicional fosse necessária para além do blogue por si só, ela aí está sob a explícita forma digital  com o lançamento do livro Ecotretas (2007-2011). Aproveito também, mesmo com atraso, para endereçar os parabéns pelo prémio de Blogue do Ano, na categoria Natureza (onde dei uma ajuda equivalente a 1/1307 avos do total de votos).

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Tributo ao Profblog

O Profblog é um dos sítios de passagem obrigatória na minha deambulação blogosférica diária. A contra-corrente do socialismo reinante - desgraçadamente habitual nos blogues dedicados à educação -, usando sempre de forma galharda e porfiada na exposição dos seus pontos de vista e com total fair-play, inclusive para com os visitantes menos urbanos, visitar o blogue do professor Ramiro Marques é um must. Entretanto, numa das espreitadelas que hoje lhe dei na caixa de comentários, deparei-me com uma referência que a minha memória já tinha passado - injustamente - ao arquivo "morto". Resuscitemo-la, pois:

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Factualidades que nunca mudam

Ruicarmo acha que isto deve ser lido como demonstrador dos "apetites conspirativos" de Pacheco Pereira. Eu chamo-lhe factualidades persistentes.