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quarta-feira, 30 de março de 2016

Importa-se de repetir?

A rapidez com que fazem passar a "realidade" tolda-nos a capacidade de percepcionar e compreender todas as dimensões do presente em que vivemos. Afinal este - não esqueçamos - não passa de um grande "Truman Show".

Considerem-se as seguintes palavras – que traduzo do artigo – do antigo responsável das Nações Unidas para as “Alterações Climáticas” (IPCC 2008-15), Ottmar Edenhofer:

“Todos temos de nos libertar da ilusão de que a política climática é política ambiental. A política climática não tem relação nenhuma com as preocupações ambientais, com problemas como a desflorestação ou a camada de ozono. O que fazemos [no IPCC] é uma redistribuição da riqueza mundial através da política climática.”

Fonte


Respire-se. Leia-se de novo.  Por momentos conseguimos ver para lá da cortina.

Nota aos Leitores:
A publicação tem sido parca aqui pelo Espectador Interessado. A riqueza avassaladora de detalhes decisivos do presente histórico global a que se junta uma fase profissionalmente mais difícil têm impedido a escrita e a partilha crítica de materiais, escritos e pensamentos com a regularidade que gostaria.
Mas, por aqui, a teimosia mantém-se. E por aí?

terça-feira, 24 de março de 2015

Em defesa, também moral, dos combustíveis fósseis

Mesmo quando não se concorda integralmente com Matt Ridley, é sempre um prazer lê-lo. Erudição, fluência narrativa e uma insuperável elegância são traços que o caracterizam. A acrescentar também, evidentemente, o optimismo "racional" que o próprio reivindica num tempo de onde ele me parece arredado e que eu próprio, devo confessar, nem sempre consigo adoptar. No texto que constituí a minha proposta de hoje, Ridley não foge ao seu registo habitual e - que diferença, caros leitores, para os alarmistas de profissão e conveniência! - constrói o caso que justifica o título do post (que mais não é que uma paráfrase do do seu artigo) com sistemático rigor de onde não está ausente um saudável "cepticismo metodológico" ou, pelo menos, a humildade de quem sabe poder não ter razão. Uma referência adicional para sublinhar a importância que também atribuo ao recente livro de Alex Epstein - The Moral Case For Fossil Fuels - que Ridley menciona e que já ocupou durante uns dias a vitrina das leituras aqui no blogue.

Continuação de uma boa semana.

22 de Março de 2015
Por Matt Ridley


Nos anos recentes, o movimento ambientalista avançou três argumentos para justificar o abandono dos combustíveis fósseis: (1) que, em qualquer caso, dentro em breve se esgotarão; (2) que as fontes alternativas de energia irão arredá-los, pelo preço, do mercado; e (3) que não podemos arcar com as consequências da sua queima para o clima.

Matt Ridley
Nos dias que correm, nenhum dos três argumentos parece gozar de boa saúde. Na verdade, uma avaliação mais realista da nossa energia e situação ambiental sugere que, nas próximas décadas, iremos continuar a depender esmagadoramente dos combustíveis fósseis que têm contribuído de forma tão dramática para a prosperidade e progresso do mundo.

Em 2013, cerca de 87% da energia que o mundo consumiu proveio dos combustíveis fósseis, um número que, de forma notável, se manteve inalterado face a 10 anos antes. E que se divide, aproximadamente, em três categorias de combustível e três categorias de utilização: o petróleo, usado principalmente nos transportes, o gás no aquecimento e o carvão na geração de electricidade.

Ao longo deste período, o volume global de consumo de combustíveis fósseis aumentou dramaticamente, mas segundo uma tendência ambientalmente encorajadora: uma quantidade cada vez menor de emissões de dióxido de carbono por unidade de energia produzida. O maior contributo para a descarbonização do sistema energético tem vindo da substituição do carvão, de alto teor de carbono, pelo gás, de baixas emissões de carbono, na produção de electricidade.

A nível global, as fontes de energia renováveis como a eólica e a solar quase nada contribuíram para a redução nas emissões de carbono, e o seu modesto crescimento limitou-se a compensar o declínio da energia nuclear que não produz emissões. (O leitor deve saber que eu tenho interesses indirectos no carvão pelo facto de ser proprietário de terras no norte da Inglaterra em que se faz extracção do minério, mas, não obstante, eu aplaudo a substituição do carvão por gás nos anos recentes.)

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

O plano inclinado dos aquecimentistas

Durante anos (décadas, na realidade) as legiões da fé aquecimentista, aka "alterações climáticas", fustigaram todos aqueles que se atreveram a sugerir a existência de um constatado desfasamento empírico entre o que era possível assistir pelas janelas e se sentia nos ossos (para além das imagens e medições dos satélites) com o que os "modelos" climáticos continuavam a profetizar ("é mais grave do que supúnhamos!"). Esse era o tempo em que, do alto da cátedra cuja lema era "science is settled", se ensinava, com cada vez menos paciência para uns quantos tão teimosos quanto ignaros, que uma coisa era "o tempo" e outra, completamente diferente, era "o clima". E ai de quem misturasse uma coisa com outra! 

Wikipedia
Eis senão quando, perante a passagem sucessiva dos anos sem que as temperaturas subissem (entre 14 a 17 anos, dependendo das diferentes séries estatísticas - "datasets" - utilizadas), o establishment não teve forma de evitar o reconhecimento de que existia de facto uma "pausa" apesar de, assim nos garantiam, isso em nada alterava a "ciência estabelecida" já que o calor em falta (?!) tinha que estar algures (nas profundezas dos oceanos, no espaço sideral, etc.). Mas isto não era afinal suficiente pelo que, para além da continuação das salvas de insultos sobre os "negacionistas" (até o Príncipe de Gales chegou ao ponto de apodar os cépticos de membros de "brigadas de galinhas sem cabeça"), havia que explorar novos (?) caminhos.

Foi pois com muito interesse que dei conta deste artigo: As dúvidas em relação aos modelos climáticos (no original, aqui), através do qual me dei conta que aquela distinção, que se julgava definitivamente estabelecida, talvez não seja tão distinta assim. Depois de se admitir a existência da "pausa" e do embaraço do IPCC perante os "recentes desenvolvimentos" (leia-se, a não subida das temperaturas) confessa-se algo pior que o embaraço: a preocupação com a possibilidade de os políticos deixarem de acreditar na "ciência estabelecida". Que fazer então para recuperar a credibilidade abalada? Pois, é isso mesmo: há que "transferir a tecnologia" da meteorologia para a climatologia até porque aquela melhorou em muito na última dúzia de anos a sua capacidade de previsão a... 3, 5, 7 e 10 dias.

E  o artigo termina procurando convencer os cépticos descansar os crentes:
Significa isto que se pode confiar nas previsões climáticas? Sim. [Como não?]

O sistema da Terra é tão complicado e é regido por tantos retornos [efeitos de retroacção] subtis que é um feito deslumbrante conseguir-se fazer previsões realistas. Ainda assim, muitas previsões climáticas importantes foram confirmadas [Assim mesmo. Ponto final!]. Reduzir os modelos climáticos – ou as complexas técnicas de previsão do estado do tempo em que eles se baseiam – a algo como "fundamentalmente imperfeito" pelo facto de não terem previsto o menor aumento das temperaturas globais na última década seria uma patetice.

Podemos não estar inclinados para confiar nos políticos, mas temos de levar muito a sério a produção destes algoritmos aperfeiçoados. Ao contrário de muitos de nós, os nossos modelos climáticos são cada vez mais capazes de aprender com os seus próprios erros.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Ciência ou mero lobby?

Poucas pessoas como Christopher Booker terão tamanha autoridade para perspectivarem o "drama" a que assistimos nas duas últimas semanas, relativamente à publicação do novo Assessment Report do IPCC (o 5º, ou AR5, depois dos de 1991, 1996, 2001 e 2007), em particular quando em boa parte se trata de mera reprise, como faz recordar na sua mais recente crónica no Telegraph. Presença frequente por aqui, Booker, em mais de 50 anos de profissão, sempre se reclamou como perseguindo o senso comum, rejeitando todo o injustificado alarmismo. (A tradução que se segue da sua crónica é da minha responsabilidade.)
"No fim-de-semana passado, algo de muito estranho aconteceu. Na Sexta-feira, fomos informados que em Estocolmo o Painel Intergovernamental da ONU para as Alterações Climáticas (IPCC) havia publicado um relatório onde se afirmava que era agora "extremamente provável" que o mundo venha a enfrentar alterações climáticas desastrosas provocadas pela actividade humana. Mas este era apenas um "sumário" destinado aos políticos e aos media de um relatório científico que só viria a ser publicado três dias depois.

Em seguida, ficámos a saber que este "sumário para decisores políticos" tinha sido debatido ao longo de dias e noites sem dormir por centenas de políticos, funcionários e cientistas, mas, estranhamente, que o relatório científico que ele supostamente resumia tinha sido posteriormente alterado para ficar "alinhado" com o sumário. Uma alteração evidente face a versões anteriores foi a acentuada minimização da importância ou a qualquer referência à forma notável como, nos últimos anos, as temperaturas globais se recusaram a subir segundo as previsões dos modelos computacionais do IPCC.

Esta foi uma misteriosa repetição do primeiro escândalo a atingir o IPCC, em 1996, quando mais uma vez o "sumário" brandido pelos políticos e por alguns cientistas-chave foi modificado para o tornar mais alarmista do que o próprio relatório ao inserir a alegação de que havia agora "uma influência humana perceptível" sobre o clima do mundo.

Cientistas que tinham aprovado o relatório protestaram por nada haver no seu texto que justificasse aquela inserção. Mas, para seu espanto, descobriram que a versão com que tinham concordado tinha sido alterada para incluir esta mesma frase, citando como [fonte de] autoridade dois trabalhos que não tinham ainda sido publicados, da autoria de Ben Santer, um cientista americano que também tinha desempenhado um papel fundamental na elaboração do sumário.

Há alguns anos atrás, quando estava a fazer investigação para uma história detalhada do alarme em relação ao aquecimento global, poucas coisas me surpreenderam mais do que descobrir quão descontroladamente enganadora era a imagem transmitida ao mundo do IPCC como um corpo genuinamente científico, que desapaixonadamente avaliava o conhecimento actual de todos os factores que afectam o nosso clima. O IPCC foi criado em 1988 por um pequeno grupo de cientistas que já então estavam totalmente convencidos de que o aumento dos níveis de CO2 era o factor primordial que causava a subida das temperaturas globais. Eles eram liderados pelo Prof. Bert Bolin, nomeado como o primeiro presidente do IPCC, e pelo Dr. John Houghton, então chefe do UK Met Office, o qual, durante 14 anos, permaneceu à frente do seu central Grupo de Trabalho 1, responsável pela elaboração de relatórios sobre a ciência climática.

No futuro isto será visto retrospectivamente como o mais espantoso exemplo na história de como o prestígio da "ciência" pode ser utilizado para promover um específico sistema de crenças, no caso com a ajuda daqueles distorcidos modelos computacionais cada vez mais em dissonância com a evidência observada.

Tudo isto não seria tão grave se o IPCC não tivesse sido vendido ao mundo, e com tanto sucesso, como um organismo científico objectivo e não apenas como um grupo de pressão política, porque ninguém tão prejudicialmente atingido como todos aqueles crédulos políticos que utilizam o falso prestígio do IPCC para justificar fazer recair sobre nós algumas das mais desastrosas e infundadas políticas a que o mundo alguma vez assistiu."

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Mais alguns contornos da grande golpada climática

No Daily Mail:


Não é só na finança que há muito decorre um entrelaçado e indecoroso conúbio entre o estado e as instituições financeiras "privadas", extremamente lucrativo para uns quantos à custa do sacrifício de muitos e do progressivo desaparecimento da classe média. A adopção da doutrina "too big to fail", mediante a qual, pela invocação de um tal "risco sistémico" (ou seja, da instalação do medo entre o público) se socializam os prejuízos decorrentes de comportamentos especulativos ou simplesmente ineptos (no sector financeiro, automóvel,  energético, etc.), constitui provavelmente a mais séria ameaça ao que ainda resta do sistema capitalista.

De facto, quando um conjunto de cientistas-activistas, exclusivamente dependentes do financiamento estatal nas suas actividades, conseguem influenciar a definição de políticas públicas em ordem a, supostamente, evitar o Apocalipse climático, criam-se as condições para uma espiral de demência. Com efeito, a partir de um dado momento, os cientistas-activistas financiados por meios públicos e os políticos que eles influenciaram, vêem-se numa situação que não lhes permite encarar a possibilidade de que tenham errado (quem se lembra do "bug do ano 2000", da "gripe aviária" ou da "encefalopatia espongiforme bovina"?). Também aqui há quem esteja a ganhar muito, mas muito dinheiro, à custa do brutal e desnecessário aumento da factura energética, devido à interferência estatal e subsequente introdução de distorções no mercado pela alteração do mix energético, não por razões económicas, mas exclusivamente por razões científicas políticas com favorecimento directo aos cronies (os detentores das tais "rendas excessivas", recordam-se?).

Não é pois de estranhar que após milhões de milhões de dólares despendidos na luta contra o dióxido de carbono (que chegou a ser apodado de "poluente"!), sejam agora os próprios governos que venham tentar influenciar a redacção do que é suposto ser o "estado da arte" da ciência climática! Pudera! De que outra forma poderiam justificar, a posteriori, os "investimentos" feitos para, uma vez mais, "salvar a humanidade"?

Assim, segundo se pode ler no artigo (minha tradução livre) e relativamente à divulgação do mais recente relatório (Assessment) do IPCC, a "Alemanha solicitou que as referências ao declínio do aquecimento fossem apagadas"; "a Hungria manifestou preocupação pelo facto do relatório proporcionar munições aos que negam as alterações climáticas induzidas pela actividade humana"; "a Bélgica objectou à utilização do ano de 1998 como início da série estatística, porque esse foi um ano excepcionalmente quente fazendo com que o gráfico [da evolução das temperaturas] surja horizontal pelo que sugeriu usar, em alternativa, 1999 ou 2000 de modo a que a curva de tendência surja inclinada para cima"; já "a delegação dos Estados Unidos insistiu com que os autores do relatório explicassem a falta de aquecimento pela utilização da "hipótese mais avançada" entre os cientistas que o menor aquecimento se deva à sua absorção pelos oceanos (que aqueceram)".

Absolutamente extraordinário!

domingo, 15 de setembro de 2013

A arrogância fatal do cientismo em sistemas caóticos

No WUWT, um artigo indispensável da autoria de Willis Eschenbach ("Um passo à frente, dois à rectaguarda") para ajudar a compreender a inutilidade das tentativas de modelar o sistema climático com o intuito de produzir previsões de longo prazo, apesar do exponencial aumento das capacidades computacionais postas ao dispor - com o dinheiro dos contribuintes - às instituições intrinsecamente alarmistas (de que outro modo conseguiriam o abundante financiamento estatal?).

Como se pode ler no website do Met Office (minha tradução), um dos antros ícones do alarmismo mundial climático, na página referente às sucessivas gerações dos seus famosos supercomputadores, cuja última actualização, à data de hoje, remonta a 7 de Novembro de 2011:
A investigação que levamos a cabo sobre as alterações climáticas está a ajudar os governos, empresas e indivíduos a planear antecipadamente os desafios que enfrentamos no futuro. As previsões que fazemos, e a orientação detalhada que proporcionamos, tem o potencial para proteger a vida numa escala gigantesca em todo o mundo, e, potencialmente, para permitir reduções ainda maiores [nas emissões de] CO2.
O mesmo Met Office, instituição alvo da crescente galhofa já não apenas no Reino Unido devido às suas previsões estrondosamente falhadas, de tal modo que resolveu cancelar a publicação de previsões de "longo prazo", ou seja, as que vão além de 30 dias, revistas todas as semanas. Não obstante, numa atitude em tudo semelhante à que Hayek, no contexto da disciplina de Economia, designou pelo "The Fatal Conceit - The Errors of Socialism" ("A arrogância/presunção fatal - os erros do socialismo"), o Met Office persiste em obter – com êxito - cada vez mais dinheiro poder computacional através da ampla generosidade dos governos. Por exemplo, depois de terem gasto 30 milhões de libras esterlinas em 2009 num novo supercomputador (que emite CO2 em profusão),  irá agora obter um outro, desta feita de 100 milhões de libras!

Imagem retirada daqui

Ora, regressando ao artigo de Willis Eschenbach, e nas suas palavras, "por volta de 1980 [quando os computadores eram, digamos, "a pedal"], foram divulgadas as primeiras estimativas do que é conhecido por "sensitividade climática de equilíbrio" (em inglês, ECS) ou seja, qual seria o aumento na temperatura global em resultado de um aumento para o dobro da concentração de CO2. Nessa altura, o intervalo de variação estimado apontava para algo entre 1.5ºC e 4.5º C".

33 anos depois, o avanço é extraordinário, conforme se evidencia no 5º Assessment Report do IPCC (AR5) agora "soprado" à imprensa. Na análise de Eschenbach: o intervalo estimado para a "sensitividade climática de equilíbrio" é agora de... 1,5ºC - 4,5ºC! Notável, não é?

sábado, 22 de outubro de 2011

A corrupção da ciência (4)

O que se segue, para o que Anthony Watts chama a atenção, é inqualificável:


Ou seja, mesmo ainda de o tão propalado peer review ter funcionado(?), já se sabe que certas conclusões irão fazer parte do próximo relatório do IPCC! O topete desta gente! E suspeito que o timing com que tudo isto sucede não é com certeza alheio à data da decisão a que esta notícia respeita.

É pois altura de voltar a invocar as questões epistemológicas essenciais da ciência [grato ao António Costa Amaral pela indicação da referência] que não da ideologia ou de qualquer igreja:
«[...] Scientific theories are never denied or believed, they are only corroborated or falsified. Scientific knowledge, by its very nature, is provisional and subject to revision. The provisional nature of scientific knowledge is a necessary consequence of the epistemological basis of science. Science is based on observation. We never have all the data. As our body of data grows, our theories and ideas must necessarily evolve. Anyone who thinks scientific knowledge is final and complete must necessarily endorse as a corollary the absurd proposition that the process of history has stopped.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Krugman e as alterações climáticas: uma treta pegada

Paul Krugman, no New York Times, 2011-08-28, Republicans Against Science. Um excerto:
[T]he scientific consensus about man-made global warming — which includes 97 percent to 98 percent of researchers in the field, according to the National Academy of Sciences — is getting stronger, not weaker, as the evidence for climate change just keeps mounting.

In fact, if you follow climate science at all you know that the main development over the past few years has been growing concern that projections of future climate are underestimating the likely amount of warming. Warnings that we may face civilization-threatening temperature change by the end of the century, once considered outlandish, are now coming out of mainstream research groups.
Ontem assinalava por aqui o que me parece ser uma evidência empírica tendo procurado resumir a coisa em "Alarmistas e estatistas: uma fortíssima correlação". Não tinha na altura lido a coluna de Krugman, mas que ela veio a propósito...

Analisemos então Paul Krugman, enquanto economista. Acaso alguém duvidará da sua condição de "estatista", entendida como favorecedora da sempiterna e crescente intervenção estatal na economia, ou seja, nos "estímulos", nos impostos, na dívida, na inflação, etc.? Creio ser pacífica esta "etiquetagem". Quanto a apodá-lo de "alarmista", também me parece adequado o epíteto pois Krugman não tem feito outra coisa nestes últimos dois anos que não seja profetizar desgraças tremendas caso a dimensão dos "estímulos" do Estado à economia americana (e europeia) não sejam suficientes. (Por "suficiente" entende-se o processo de aumento sucessivo da dose até que o paciente recupere afirmando depois que essa recuperação resultou dessa medicina que, como é bem de ver, é sempre a mesma, só variando a dosagem).

Como creio que Krugman não tem credenciais de cientista climático (como de resto o autor destas linhas) restará investigar Krugman, cidadão interessado em matéria científica. E aí, convenhamos, a pobreza da argumentação é confrangedora. Para Krugman, havendo consenso científico - quantificado, diz ele, entre 97 a 98% (and counting...) dos cientistas especialistas no estudo do clima - a ciência está estabelecida. Por amor de Deus, senhor prémio Nobel! Se a ciência fosse uma questão democrática (com maioria qualificada...), ainda hoje viveríamos no consenso científico contemporâneo a Cláudio Ptolemeu!

E por último, uma observaçãozita acerca de um tão propalado esmagador consenso (via Coyote):
Yes indeed, the number of people in the newly made-up profession of “climate science” that are allowed by the UN control the content of the IPCC reports and whose funding is dependent on global warming being scary probably is very high. The number of people in traditional scientific fields like physics, geology, chemistry, oceanography and meteorology who never-the-less study climate related topics that wholeheartedly are all-in for catastrophic man-made global warming theory would be very different.

domingo, 3 de abril de 2011

Clareza expositiva e humildade científica

é o que o Prof. Vincent Courtillot nos oferece na palestra seguinte onde defende a existência de uma forte correlação entre a actividade solar e a variabilidade da temperatura na Terra. Apresenta razões para duvidar dos modelos usados pelo IPCC nomeadamente o facto destes ignorarem factores que considera terem de estar presentes num modelo climatérico preditivo, tendo a expectativa de num prazo de cinco a dez anos se estabelecer uma certeza científica quanto à sua validação ou invalidação. São 30 minutos de seriedade argumentativa.

sábado, 20 de novembro de 2010

It’s About Looting, Not the Weather

Aproximando-se a reunião de Cancún no quadro de um nítido recuo de suporte da opinião pública pelas teses do "aquecimento global", o recurso ao newspeak acentua-se. Por exemplo, no video que postei aqui, aos 7'44" pode observar-se como a expressão "Global Climate Disruption" começa a emergir para substituir as crescentemente desacreditadas "Global Warming" ou "Climate Change". O texto que transcrevo em seguida vai também nesse sentido.


«"Distribution" refers to the crime of stealing wealth from those who created it and giving it to the dysfunctional collectivist dictatorships favored by the United Nations — and by our own liberal rulers.

Only a small child would think greedy bureaucrats can control the weather. "Climate change" is an obvious lie used as a pretext for massive theft.»

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Do silêncio dos crentes

À hora a que escrevo, é notável a ausência de referências na imprensa digital portuguesa à publicação, por parte de entidade independente, do relatório sobre a avaliação/auditoria do IPCC.

Muito resumidamente, como o Daily Telegraph anota, a entidade independente recomenda que o IPCC deixe de se dedicar ao lobbying e se centre na investigação científica. No Libertad Digital, sublinha-se a recomendação feita ao IPCC para adoptar mudanças bo seu comportamento, nomeadamente, limitando sus predicciones a los casos en que se tengan certezas científicas y evitando dar consejos a los políticos. Até o New York Times, conhecido pelos seus artigos alarmistas, sublinha a recomendação que  o IPCC «need to be more open to alternative views and more transparent about their own possible conflicts of interest».

Parece, afinal, que os designados cépticos tinham algumas(!) razões para questionarem muitos dos processos conduzidos pelo IPCC ao longo dos anos, nomeadamente o processo de revisão de textos científicos conhecido pelo peer review (revisão pelos pares).

O documento completo produzido pela entidade independente pode ser consultado aqui. Para os que têm pouco tempo (ou que são mais preguiçosos), aqui está disponível o sumário executivo.

Enjoy yourselves. E pensem.