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sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Contra um mundo infestado de auto-nomeados peritos

Ante-Scriptum: devo um pedido de desculpas por esta longa ausência sem uma palavra de explicação. O problema é que não há explicação, e, portanto, não pode haver desculpa. Hoje, senti que devia voltar. Veremos se para continuar. Em qualquer caso, um muito obrigado aos leitores do Espectador Interessado.

Eduardo Freitas
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Há dias, um colunista de esquerda protestava o seu total apoio à globalização deste que se assegurasse que todos ganhassem nesse processo, o que não estaria entretanto a suceder. Ora, que entidade existe que "assegura" o que quer que seja? Aquela salvaguarda mais não era que um novo apelo a um ainda maior intervencionismo estatal, seja no plano nacional através de compensações aos "deserdados" da globalização, seja no plano supranacional onde "peritos" desenhariam acordos de "livre" comércio onde prevalecesse a "equidade" na distribuição dos seus benefícios.

Uma monstruosidade deste calibre, uns bons furos acima dos tratados multilaterais de "livre" comércio que a elite globalista tem tentado fazer avançar, à semelhança da sua "gestão" da cada vez mais suspeita vaga migratória que vivemos, é obviamente inaceitável para qualquer espírito livre.

Por favor não me entendam mal. Eu sou inteiramente favorável à globalização entendida como o resultado natural da divisão e especialização do trabalho internacionais. Por exemplo, fui e sou, um defensor das sweatshops porque não me incomoda a alegada "exploração" dos seus trabalhadores por pérfidas multinacionais quanto é ela que permite retirar milhões da pobreza mais abjecta em que antes viviam. Isto enquanto a canalha progressista vociferava contra a concorrência "desleal", a "escravização" dos operários com soldos "miseráveis" e, pasme-se, a utilização de trabalho infantil (como se antes as crianças adolescentes não trabalhassem em condições muito piores e a ganhar muito menos ou, simplesmente, morressem à fome ou de doença).

quarta-feira, 16 de julho de 2014

17 anos e 10 meses depois, continua a narrativa marialva do CO2

Facto: as temperaturas registadas na baixa troposfera, medidas por recurso a satélite (série RSS), registam uma tendência ZERO no aumento da temperatura nos últimos 17 anos e 10 meses.

Retirado daqui
É à teimosa persistência desta realidade inconveniente que se deve o abandono do já quase esquecido "aquecimento global" que seria maioritariamente imputável à acção humana pela utilização da energia de origem fóssil (pelo aumento das concentrações de dióxido de carbono na atmosfera). Daí que houvesse que recauchutá-lo em alterações climáticas de que os "fenómenos extremos" - de furacões a calmarias, secas a inundações, desassoreamentos a assoreamentos, desertificação ou verdificação, calor ou frio, gelo ou degelo, enfim, o que quer que seja, constituiriam manifestações - seriam já tão evidentes que impunham a tomada de medidas "imediatas e severas" para evitar a anunciada catástrofe global.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Fronteiras (também a propósito da Ucrânia)

Uma confissão prévia: não só não me dei conta da passagem do "dia da Europa" (o que poderia passar por mera distracção) como - e mais "grave" - desconhecia mesmo a sua existência. De resto, não fora um outro cartaz na rua, dificilmente evitável ao olhar, e umas quantas fotografias sorridentemente indigentes no facebook (e também capa de um jornal) onde descortinei o que julgo ter sido um candidato a candidato a presidente da Comissão Europeia, e corria o risco de não me dar conta de a campanha eleitoral para as eleições "europeias" se ter iniciado. Bem, exagero um pouco pois não apenas sou um visitante frequente do Euro Referendum como procuro seguir o caminho que o UKIP e o seu líder, Nigel Farage, vão trilhando (e as sondagens prometem-lhe uns saborosos 20%!).

Agora que começam a chegar os primeiros resultados dos referendos de ontem em várias zonas da Ucrânia do Leste, parece-me oportuno sublinhar duas coisas relevantes para os europeus:
1) Que o "desafogo" a que agora assistimos no financiamento da dívida pública, que determinou ao governo português uma "saída limpa", é totalmente artificial (os "mercados" estão a exigir à república portuguesa um prémio menor do que fazem, por exemplo, à Austrália, um país de rating AAA);

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Não é o capitalismo, é a cupidez

Na esteira do último post, um excerto, em minha tradução, do final do artigo ontem publicado de Juan Rámon Rallo (conviria lê-lo todo) a propósito da ladainha do "capitalismo selvagem" que segundo alguns (muitos) andaria por aí, nomeadamente na boca do Sr. Martin Schultz o qual, como sabemos, há muito manobra, de resto às escâncaras, com o fito na cadeira de Durão Barroso:
Infelizmente, o que é realmente "selvagem" no Ocidente não é o capitalismo, mas a cupidez e a sede de poder dos nossos políticos e dos grupos de pressão que aqueles servem. Longe de recuperar os saudáveis princípios liberais ​​em que floresceu e prosperou a Europa - a descentralização institucional, o comércio livre, o dinheiro honesto baseado no ouro, a baixa tributação, a livre concorrência dos mercados e, acima de tudo, a preocupação em colocar limites ao poder político - a casta política eurocrática está a impor aqueles antivalores que já levaram, em repetidas ocasiões, a que a Europa sucumbisse - a centralização imperial, o mercantilismo, o monopólio monetário de carácter inflacionário, a tributação confiscatória, o colete de forças intervencionista e corruptor dos mercados e, acima de tudo, a demolição da maioria dos contrapesos institucionais que contribuíram para restringir a expansão do poder político.

A liberdade e o bem-estar dos europeus passa necessariamente por reduzir e limitar fortemente os seus mastodônticos Estados, começando com o desmantelamento desse nocivo megaEstado da UE enxameado de políticos que, como Schulz, apenas sabem atribuir o fracasso do estatismo desbocado  de que padecemos a um inexistente capitalismo selvagem, com o propósito de continuar a parasitar a riqueza gerada pelas famílias e empresas europeias.

O nosso modelo deveria ser a pacífica, descentralizada e próspera Suíça, não o dos militaristas, centralistas e estatistas dos impérios napoleónico e bismarckiano. Liberdade de circulação para as pessoas, mercadorias e capitais, sim; burocracia estatal bruxelense, não.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Examinando o nosso "frágil planeta"

Foi o que se propôs fazer Walter Williams em Our Fragile Planet onde desmonta alguns dos mitos que, na ausência de qualquer espécie de contraditório, são continuamente inoculados pelo monólito que constitui o sistema estatal escolar, do jardim infantil à universidade, pela doutrina do politicamente correcto e, muito em particular, do ambientalismo. A argumentação, como sempre acontece com Williams, é apresentada de forma simples (que não simplista) mas nem por isso menos poderosa. A tradução do texto é da minha responsabilidade.
"Examinemos algumas declarações que reflectem uma visão tida por completamente inquestionável. "O mundo é belo mas frágil." "O 3 º calhau a contar do Sol é um frágil oásis." E ainda um par de citações do Dia da Terra: "Lembremo-nos que a Terra precisa de ser salva a cada dia que passa." "Lembremo-nos da importância de cuidarmos do nosso planeta. É a única casa que temos!" Tais declarações, associadas a previsões apocalípticas, são uma especialidade dos ambientalistas, extremistas ou não. Pior ainda é o facto desta doutrinação da "frágil Terra" ser alimentada à nossa juventude desde o jardim de infância pela universidade fora. Examinemos o quão frágil é a Terra.

Walter E. Williams
A erupção de 1883 do vulcão de Krakatoa, situado na actual Indonésia, teve uma potência equivalente a 200 megatoneladas de TNT. Isso é o equivalente a 13.300 bombas atómicas de 15 quilotoneladas, do tipo que destruiu Hiroshima em 1945. Precedendo essa erupção, em 1815 deu-se a erupção do Tambora, igualmente na actual Indonésia, que detém o recorde da maior erupção vulcânica conhecida. Foi então expelida uma tal quantidade de detritos na atmosfera, bloqueando a luz solar, que 1816 se tornou conhecido pelo "Ano Sem Verão" ou "O Verão Que Nunca Aconteceu". Isso levou à perda de colheitas e à morte de gado em grande parte do Hemisfério Norte e provocou a pior fome do século XIX. A erupção do Krakatoa, ocorrida em 535 d.C., teve uma força tal que fez desaparecer grande parte da luz e do calor do sol durante 18 meses e diz-se que conduziu à Idade das Trevas. Os geofísicos estimam que em apenas três erupções vulcânicas, Indonésia (1883), Alaska (1912) e Islândia (1947), foram expelidos para a atmosfera mais dióxido de carbono e dióxido de enxofre do que em todas as actividades da humanidade ao longo de toda a nossa história.

Como é que a nossa frágil Terra lidou com as cheias? A China é, provavelmente, a capital mundial das inundações gigantescas. As cheias do Rio Amarelo, de 1887, custaram a vida a um número de pesoas estimado entre os 900 mil e os 2 milhões. As cheias na China, em 1931, foram ainda piores, provocando um número de mortos situado entre 1 milhão e 4 milhões. Mas a China não detém um monopólio sobre as inundações. Entre 1219 e 1530, a Holanda sofreu cheias que levaram a vida de cerca de 250.000 pessoas.

E que dizer do impacto dos terramotos na nossa frágil Terra? O terramoto de Valdivia, no Chile, em 1960, atingiu os 9,5 graus na escala de Richter, uma potência equivalente a mil bombas atómicas a detonar em simultâneo. O mortífero sismo de 1556, na província chinesa de Shaanxi, devastou uma área de 840 km2. Mais recentemente, o sismo de Dezembro de 2004 no Oceano Índico, de magnitude 9.1, causou um fatídico tsunami no dia seguinte ao Natal, e o mortal terramoto de Março de 2011, de 9,0 graus de magnitude, atingiu o leste do Japão.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

O "perigo" alemão ou o mundo às avessas

A insanidade grassa e parece mesmo estar em crescendo. Títulos como Os portugueses estão a poupar demais? ou Bruxelas ameaça abrir investigação contra Alemanha devido a excedente externo elevado ou ainda o de hoje "A César o que é de César". E a César das Neves o que é seu e merece! (em defesa do aumento do salário mínimo) concorrem entre si pelo ceptro da mais surreal contribuição de política económica. Muito do que sempre foi virtude é visto agora como formidável vício e vice-versa sendo que, em qualquer caso, se pretende convocar o estado para intervir e "consertar a disfunção" e deste modo, inexoravelmente, para alimentar as sucessivas "correcções" das subsequentes consequências não intencionais que deixam tudo pior do que estava quando a poeira assenta. Há mesmo quem queira fazer passar a percepção que o mundo está às avessas.

Procurarei regressar brevemente ao tema do salário mínimo para voltar a tentar mostrar por que tem o Prof. César das Neves carradas de razão quando afirmou recentemente que "É criminoso aumentar o salário mínimo nacional", afirmação que, ela própria, constitui para Victor Baptista um crime (intelectual, presume-se).

De momento, porém, e socorrendo-me de mais um excelente texto de Frank Hollenbeck, Germany’s "Dangerous" Current Account Surplus (O "perigoso" excedente alemão das transacções correntes), hoje publicado pelo Mises Institute, propus-me tentar contrariar o ruído crescente relativamente ao "perigo" alemão por via da tradução que se segue, de minha responsabilidade, do texto de Hollenbeck. (Aqui um outro artigo igualmente bem interessante sobre o "perigo" alemão, numa óptica político-histórica.)
O governo dos EUA e a Comissão Europeia (CE) criticaram recentemente a Alemanha pelos seus grandes excedentes na balança de transacções correntes. Paul Krugman juntou-se-lhes com esta pérola:
O problema é que a Alemanha tem continuado a manter custos do trabalho altamente competitivos e a manter enormes superavits desde que a bolha estourou  e isso, numa economia mundial deprimida,  faz com que a Alemanha seja uma parte significativa do problema.
Só no mundo surreal da política económica de hoje seria possível considerar prejudicial o facto de se ser altamente competitivo. Esta crítica à Alemanha não é nova, mas já não estamos a viver na década de 1950. A Alemanha não tem moeda própria, e há pouca coisa que seja "alemã" nas suas exportações.

Um BMW produzido na Alemanha mas vendido na Espanha contém peças provenientes de todo o mundo. A maior parte, mas não toda, dos postos de trabalho será alemã, mas as inovações tecnológicas reduziram o custo do trabalho a cerca de 10 por cento do preço de um automóvel. O retorno do capital irá para os detentores de obrigações e accionistas que podem estar em qualquer lugar do mundo. A BMW pode distribuir um dividendo a um accionista espanhol que pode usar esses euros na compra de mercadorias espanholas. Dizer que a BMW é um produto apenas da Alemanha é um [enorme e enganador] exagero.

Imagem retirada daqui

A Alemanha também faz parte de uma moeda comum. Criticar um excedente da balança corrente de uma região dentro de uma zona monetária comum é como reclamar do superavit das transacções correntes da Florida ou, do superavit bilateral de Jacksonville [a cidade mais populosa da Florida] para com Miami [capital do estado].

Se nos colocarmos no plano do indivíduo, é possível tornar esta argumentação cristalinamente clara e evidenciar as tontarias inerentes. Temos um superavit de transacções correntes com o nosso empregador e um défice de transacções correntes relativamente ao nosso supermercado. O nosso empregador compra-nos mais do que nós lhe compramos a ele e o inverso é verdadeiro quanto à nossa relação com o supermercado. No entanto, não nos aprestamos a ir a correr para o supermercado para exigir do seu gerente que nos compre mais bens ou serviços por nós produzidos.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

A bomba nuclear do FMI: um confisco generalizado

Recorro com frequência à leitura dos escritos de Juan Rámon Rallo, doutor em economia, colunista e director do Instituto Juan de Mariana, com sede em Madrid, para tentar não me deixar adormecer pelo torpor e engano. Tendo ainda ontem aqui recordado qual foi a origem do FMI (como já tinha feito com Rallo neste curto vídeo), vem a talhe de foice assinalar a publicação de dois documentos pelo FMI onde se aventa a hipótese de avançar com um imposto sobre a riqueza das famílias como forma de "resolver" a gigantesca dívida pública acumulada (que não pára de subir tanto em Espanha como em Portugal). Num artigo cujo título roubei para encimar este post, Rallo volta a profetizar que "a insustentável acumulação de dívida pública terminará com o saque dos cidadãos", encontrando nos próprios documentos do FMI uma sustentação à outrance dessa tese. Rallo escreve especificamente sobre o caso espanhol mas a situação espanhola não difere muito da nossa pelo que me pareceu útil promover a divulgação do seu artigo. A tradução é da minha responsabilidade.
"O FMI, essa daninha burocracia internacional que deveria ser encerrada o mais rapidamente possível, alertou na semana passada para os problemas de sustentabilidade da dívida das empresas em Espanha, Itália e Portugal. No juízo desta organização [documento 1], a alavancagem de uma parte das nossas empresas continua demasiado elevada para que possam, folgadamente, fazer frente às suas obrigações; debilidade financeira que, por sua vez, continua a comprometer a credibilidade e a solvência dos seus principais credores, ou seja, dos nossos bancos.

Documento 1
Não tardou que a imprensa aproveitasse as críticas do FMI para repetir essa litania tão recorrente nos últimos anos: os problemas de Espanha devem-se à sua dívida privada, não à sua dívida pública. Litania que, com o passar dos anos, se foi revelando bastante menos certeira: sim, a crise deveu-se a uma acumulação desproporcionada de dívida privada orquestrada por esse monopólio público chamado banco central; e sim, mesmo hoje o nosso sobreendividamento privado continua a ser um dos principais responsáveis pela nossa estagnação; mas o problema do endividamento privado irá permanecer, ano após ano, um problema comparativamente menor face ao cada vez mais explosivo problema da dívida pública.

Sem ir mais longe, no final de 2008, 48% de toda a dívida não financeira de Espanha era dívida das empresas; 34% era dívida das famílias e apenas 18% era dívida pública. Desde então, porém, a situação mudou radicalmente: a dívida das empresas e das famílias diminuiu em 325 mil milhões de euros, enquanto a do Estado aumentou em 515 mil milhões. Note-se, de resto, que se trata de dívida não financeira, ou seja, dívida que não inclui a dos bancos (não é verdade, portanto, que a dívida privada se tenha reduzido quando a dívida pública aumentou em resultado dos resgates [bancários]). Temos assim que a dívida das empresas representa hoje 36,3% do total, a das famílias 28,5% e a pública 35,2%. O mais preocupante, no entanto, é que esta última continua a crescer à velocidade de cruzeiro, sem que se antecipe um fim para esta tendência.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Ciência ou mero lobby?

Poucas pessoas como Christopher Booker terão tamanha autoridade para perspectivarem o "drama" a que assistimos nas duas últimas semanas, relativamente à publicação do novo Assessment Report do IPCC (o 5º, ou AR5, depois dos de 1991, 1996, 2001 e 2007), em particular quando em boa parte se trata de mera reprise, como faz recordar na sua mais recente crónica no Telegraph. Presença frequente por aqui, Booker, em mais de 50 anos de profissão, sempre se reclamou como perseguindo o senso comum, rejeitando todo o injustificado alarmismo. (A tradução que se segue da sua crónica é da minha responsabilidade.)
"No fim-de-semana passado, algo de muito estranho aconteceu. Na Sexta-feira, fomos informados que em Estocolmo o Painel Intergovernamental da ONU para as Alterações Climáticas (IPCC) havia publicado um relatório onde se afirmava que era agora "extremamente provável" que o mundo venha a enfrentar alterações climáticas desastrosas provocadas pela actividade humana. Mas este era apenas um "sumário" destinado aos políticos e aos media de um relatório científico que só viria a ser publicado três dias depois.

Em seguida, ficámos a saber que este "sumário para decisores políticos" tinha sido debatido ao longo de dias e noites sem dormir por centenas de políticos, funcionários e cientistas, mas, estranhamente, que o relatório científico que ele supostamente resumia tinha sido posteriormente alterado para ficar "alinhado" com o sumário. Uma alteração evidente face a versões anteriores foi a acentuada minimização da importância ou a qualquer referência à forma notável como, nos últimos anos, as temperaturas globais se recusaram a subir segundo as previsões dos modelos computacionais do IPCC.

Esta foi uma misteriosa repetição do primeiro escândalo a atingir o IPCC, em 1996, quando mais uma vez o "sumário" brandido pelos políticos e por alguns cientistas-chave foi modificado para o tornar mais alarmista do que o próprio relatório ao inserir a alegação de que havia agora "uma influência humana perceptível" sobre o clima do mundo.

Cientistas que tinham aprovado o relatório protestaram por nada haver no seu texto que justificasse aquela inserção. Mas, para seu espanto, descobriram que a versão com que tinham concordado tinha sido alterada para incluir esta mesma frase, citando como [fonte de] autoridade dois trabalhos que não tinham ainda sido publicados, da autoria de Ben Santer, um cientista americano que também tinha desempenhado um papel fundamental na elaboração do sumário.

Há alguns anos atrás, quando estava a fazer investigação para uma história detalhada do alarme em relação ao aquecimento global, poucas coisas me surpreenderam mais do que descobrir quão descontroladamente enganadora era a imagem transmitida ao mundo do IPCC como um corpo genuinamente científico, que desapaixonadamente avaliava o conhecimento actual de todos os factores que afectam o nosso clima. O IPCC foi criado em 1988 por um pequeno grupo de cientistas que já então estavam totalmente convencidos de que o aumento dos níveis de CO2 era o factor primordial que causava a subida das temperaturas globais. Eles eram liderados pelo Prof. Bert Bolin, nomeado como o primeiro presidente do IPCC, e pelo Dr. John Houghton, então chefe do UK Met Office, o qual, durante 14 anos, permaneceu à frente do seu central Grupo de Trabalho 1, responsável pela elaboração de relatórios sobre a ciência climática.

No futuro isto será visto retrospectivamente como o mais espantoso exemplo na história de como o prestígio da "ciência" pode ser utilizado para promover um específico sistema de crenças, no caso com a ajuda daqueles distorcidos modelos computacionais cada vez mais em dissonância com a evidência observada.

Tudo isto não seria tão grave se o IPCC não tivesse sido vendido ao mundo, e com tanto sucesso, como um organismo científico objectivo e não apenas como um grupo de pressão política, porque ninguém tão prejudicialmente atingido como todos aqueles crédulos políticos que utilizam o falso prestígio do IPCC para justificar fazer recair sobre nós algumas das mais desastrosas e infundadas políticas a que o mundo alguma vez assistiu."

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Mais alguns contornos da grande golpada climática

No Daily Mail:


Não é só na finança que há muito decorre um entrelaçado e indecoroso conúbio entre o estado e as instituições financeiras "privadas", extremamente lucrativo para uns quantos à custa do sacrifício de muitos e do progressivo desaparecimento da classe média. A adopção da doutrina "too big to fail", mediante a qual, pela invocação de um tal "risco sistémico" (ou seja, da instalação do medo entre o público) se socializam os prejuízos decorrentes de comportamentos especulativos ou simplesmente ineptos (no sector financeiro, automóvel,  energético, etc.), constitui provavelmente a mais séria ameaça ao que ainda resta do sistema capitalista.

De facto, quando um conjunto de cientistas-activistas, exclusivamente dependentes do financiamento estatal nas suas actividades, conseguem influenciar a definição de políticas públicas em ordem a, supostamente, evitar o Apocalipse climático, criam-se as condições para uma espiral de demência. Com efeito, a partir de um dado momento, os cientistas-activistas financiados por meios públicos e os políticos que eles influenciaram, vêem-se numa situação que não lhes permite encarar a possibilidade de que tenham errado (quem se lembra do "bug do ano 2000", da "gripe aviária" ou da "encefalopatia espongiforme bovina"?). Também aqui há quem esteja a ganhar muito, mas muito dinheiro, à custa do brutal e desnecessário aumento da factura energética, devido à interferência estatal e subsequente introdução de distorções no mercado pela alteração do mix energético, não por razões económicas, mas exclusivamente por razões científicas políticas com favorecimento directo aos cronies (os detentores das tais "rendas excessivas", recordam-se?).

Não é pois de estranhar que após milhões de milhões de dólares despendidos na luta contra o dióxido de carbono (que chegou a ser apodado de "poluente"!), sejam agora os próprios governos que venham tentar influenciar a redacção do que é suposto ser o "estado da arte" da ciência climática! Pudera! De que outra forma poderiam justificar, a posteriori, os "investimentos" feitos para, uma vez mais, "salvar a humanidade"?

Assim, segundo se pode ler no artigo (minha tradução livre) e relativamente à divulgação do mais recente relatório (Assessment) do IPCC, a "Alemanha solicitou que as referências ao declínio do aquecimento fossem apagadas"; "a Hungria manifestou preocupação pelo facto do relatório proporcionar munições aos que negam as alterações climáticas induzidas pela actividade humana"; "a Bélgica objectou à utilização do ano de 1998 como início da série estatística, porque esse foi um ano excepcionalmente quente fazendo com que o gráfico [da evolução das temperaturas] surja horizontal pelo que sugeriu usar, em alternativa, 1999 ou 2000 de modo a que a curva de tendência surja inclinada para cima"; já "a delegação dos Estados Unidos insistiu com que os autores do relatório explicassem a falta de aquecimento pela utilização da "hipótese mais avançada" entre os cientistas que o menor aquecimento se deva à sua absorção pelos oceanos (que aqueceram)".

Absolutamente extraordinário!

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Nigel Farage faz aquecer (ou gelar?) Durão Barroso

Hoje, no dia em que se conheceram os valores referentes a Agosto da série (iniciada em Novembro de 1996) de valores das temperaturas recolhidas por satélite por meio de sistemas de detecção remota (Remote Sensing Systems, ou RSS), é possível constatar - como o fez Christopher Monckton - que, com esta série de dados, há 202 meses (16 anos e 10 meses) que se verifica um aquecimento global da ordem dos... ZERO graus! Foi este o dia que Durão Barroso, alvo favorito de Nigel Farage no Parlamento Europeu (que o primeiro faz inteiramente por merecer), escolheu para invocar um "consenso albanês" de 99% (!) dos cientistas climáticos, poucos dias depois de o seu próprio Comissário para a Indústria ter denunciado o "sistemático massacre industrial" em boa parte imputável ao exorbitante custo da energia eléctrica na Europa, consequência de anos e anos de adopção e prática de uma fanática agenda "verde".

sábado, 10 de agosto de 2013

Armas, crimes e acidentes nos EUA nos últimos 20 anos

Continua animada a caixa de comentários a propósito do post O controlo de armas, e não a sua posse, é a principal causa do crime. Na troca de argumentos, a certa altura, é manifestada a preocupação com os acidentes com armas de fogo como razão relevante para circunscrever a sua posse (legal) a quem, a par das forças das seguranças, tenha "razões plausíveis para as transportar".

Não sendo eu um empirista, não deixo de registar a extraordinária ausência por parte dos proibicionistas (no caso, de armas de fogo) do recurso a estudos empíricos para sustentar a sua posição. Em contrapartida, existe muito material investigativo, inclusive académico, que sustenta a tese que o título do post citado veiculava. Sucede que acaba de ser publicada uma infografia que também endereça precisamente a matéria dos acidentes. Apresento-a abaixo.

Fonte: http://www.nssfblog.com/infographic-gun-crimes-plummet-even-as-gun-sales-rise/

terça-feira, 6 de agosto de 2013

O controlo de armas, e não a sua posse, é a principal causa do crime

Um virulento e assertivo artigo, assinado por Jon Christian Ryter, onde cheguei via Olavo de Carvalho (no facebook) que confirma, ainda que muito sinteticamente, por via empírica quanto aos EUA, a experiência histórica inglesa acolhida no livro que ocupa a vitrina "Guns and Violence" (indicação de Thomas Sowell). A tradução, é parcial e adaptada (os realces são do autor).
"Pense-se nisto. Os Estados Unidos da América têm a terceira maior taxa de homicídios do mundo. Mas, caso não se considerassem três das suas cidades -Chicago, Detroit e Washington DC -, os Estados Unidos ficariam com a quarta menor [itálico meu] taxa de homicídios do mundo. Aquelas três cidades, por sinal, têm as leis mais duras de controlo de armas dos Estados Unidos. Nenhuma delas, porém, é a capital dos assassinatos do país. Detroit é a número #2. A elevada taxa de criminalidade é devida à pobreza e à dependência das drogas. A sua vizinha, Flint, é a número #1. New Orleans é a número #3, St. Louis é a número #4 e Baltimore a número #5. A sexta é a Birmingham. Empatadas no sétimo lugar estão Newark e Oakland, Baton Rouge é a oitava. Cleveland é a nona e Memphis a décima. As doze cidades no topo da lista dos assassinatos (acima indicadas) têm uma coisa em comum. E não é a das violações dos progressistas sociais à 2 ª Emenda [Direito dos cidadãos à detenção de armas]. É a pobreza.

As cidades mais pobres do país têm as mais elevadas taxas de criminalidade. Detroit é a cidade mais pobre dos Estados Unidos. Cleveland é a 4ª mais pobre seguida por St. Louis, que é a 6ª e Newark como a 10ª cidade mais pobre. Entre as dez cidades mais perigosas dos Estados estão St. Louis (#1), Detroit (#2), Memphis (#3), Oakland (#4), Baltimore (#8), Cleveland (#9) e Baton Rogue (#10). Estas cidades estão entre as dez primeiras onde se tem a maior possibilidade de ser assaltado à mão armada - e morto. Quanto mais convictos estiverem os criminosos que as suas potenciais vítimas não estão armadas, mais provável será que aqueles cidadãos virão a ser atacados. O que significa isto quanto ao controlo de armas? O controlo de armas, e não a sua posse, é a principal causa do crime. Tornem-se os fortes fracos, através do seu desarmamento, e os fracos tornar-se-ão suficientemente fortes para os atacar. Isso não é uma declaração extravagante vinda do nada. Isto é um facto comprovado pelas estatísticas. Deste modo, sendo isto tão obviamente verdade, por que razão é que o governo federal - e os senhores da Nova Ordem Mundial - estão tão determinados nos seus esforços para proibir a posse privada de armas? Acreditem-me, não é para proteger os cidadãos da violência armada. Eles pretendem proibir a posse privada de armas de fogo não porque se esteja com medo de bandidos armados na rua, mas porque têm medo dos cidadãos honestos que detêm armas legais que já disseram ao governo dos Estados Unidos "já chega!" vezes demais.

Hoje, esses honestos cidadãos estão energicamente a recordar aqueles que o elegeram - o governo central - que ele deriva 100% do seu poder não dos príncipes da indústria e dos barões da banca que os subornam, mas do consentimento dos governados que, hoje, estão prontos a dissolver os laços políticos que unem os homens honestos aos políticos corruptos que desperdiçaram a riqueza da maior nação da Terra. Porque se "Nós, o Povo" não lidarmos com o governo politicamente mais corrupto na Terra - a Administração de Obama - os Estados Unidos da América deixarão de existir antes que "o poço de moeda fiduciária", que financia o nosso falido sistema de Segurança Social, venha a secar ou antes que a Avó vá a um hospital Obamacare para lancetar o furúnculo purulento na sua nádega e acabe por morrer na mesa de tratamento. Por outras palavras, quando o direito a possuir armas morrer, o mesmo acontecerá à nação."

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Querem ajudar? Estejam quietos!

A Comissão Europeia apresentou hoje uma estratégia para explorar o potencial do armazenamento 'online' de ficheiros e 'software'.

Esta frase encerra em si mesma a negação das intenções propaladas. Entre outros motivos, por este e por este. "Estratégias" e "Agendas" de governos e burocratas? É fugir, é fugir!

Aliás, se há sector que demonstra à evidência a inutilidade das acções "reguladoras" é o das tecnologias de informação. Que outro sector de actividade tem, ao longo dos últimos 25 anos, vindo a oferecer cada vez mais e melhores produtos e, simultaneamente, a preços cada vez mais baratos (quando não, e crescentemente, de borla) sem qualquer necessidade de intervenção estatal para "estimular" ou "defender" a concorrência?1

A ortodoxia dominante, através de quilómetros lineares de literatura económica "activista", justifica a suposta necessidade de intervenção do estado nos diferentes sectores da actividade económica para promover a aproximação ao suposto paradigma ideal da "concorrência perfeita" (uma abstracção desprovida de qualquer utilidade pois ignora o carácter essencialmente dinâmico da interacção humana e, portanto, do fenómeno económico).

Porém, o que vimos assistindo à escala mundial no sector das tecnologias de informação, é exactamente o contrário do que aquela teoria prescreve: apesar do número total de competidores ter diminuído de forma drástica, a concorrência não cessa de aumentar! Não há melhor maneira de assegurar a concorrência, em  todo e qualquer mercado, que não seja a não criação de barreiras legais à entrada de novos competidores.
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1 E não, não vale a pena ir buscar os tristes casos "antitrust" contra a Microsoft.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Em busca de um novo "Porreiro pá!"

Enquanto na Alemanha persistem, ainda, alguns vestígios de sanidade, Durão Barroso, no seu discurso do "estado da União" ontem, prosseguiu, autista, na fuga em frente: mais "Europa", mais "união", mais "união bancária", mais "união política", mais "economia verde", mais combate às "alterações climáticas", defesa reforçada das trincheiras da "irreversibilidade do euro", "criação de uma procuradoria-geral europeia", "mais competitividade", etc. Tudo sob os auspícios da entidade "independente" e iluminada da Comissão Europeia que vê como inevitavelmente necessário prosseguir na extinção diluição dos estados-nação e no consequente reforço do império burocrático.

Para tal, defende, será necessário tricotar um novo Tratado através do famigerado "método comunitário". O tal que, sempre que incomodado por resultados "inadequados" em países "relevantes" (referendos em França e na Holanda, mas não quando ocorrem na Irlanda...), prossegue não obstante, reptilíneo, gerando abortos do género do "Tratado de Lisboa" ou da famigerada e defunta homónima Estratégia. «Porreiro, pá!»

Nigel Farage, respondeu-lhe introduzindo alguma dose de realidade no hemiciclo e chamando os bois pelo nome ("An emerging, creeping euro dictatorship"). Mas enquanto houver quem continue a acreditar que o dinheiro nasce nas árvores, a fuga em frente irá continuar. A consequência, claro, é que o inevitável estrondo contra a parede provocará cada vez mais danos. Por cá já estamos a experimentar a coisa e não é bonito de se ver.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Para as burocracias suportadas pelos Estados, as crises são sempre oportunidades

Crise leva BCE a contratar 40 novos funcionários.

Poucos terão enunciado, de uma forma tão singela como Eric Rahm, ex-Chefe de Gabinete de Barack Obama, em entrevista ao WSJ:
"You never want a serious crisis to go to waste... Things that we had postponed for too long, that were long-term, are now immediate and must be dealt with. This crisis provides the opportunity for us to do things that you could not do before."
Mas para quem queira perceber o desenvolvimento secular deste fenómeno, na pátria de Thomas Jefferson (mas também de Alexander Hamilton...), e como já várias vezes por aqui assinalei, é obrigatório ler a indispensável obra do grande Robert Higgs:


sábado, 21 de julho de 2012

A falência do solar agora em pleno deserto

Catorze meses depois da sua abertura, financiada com 20 milhões de dólares entre subsídios e empréstimos, a Amonix  anunciou o encerramento da sua fábrica de painéis solares a norte de Las Vegas, juntando-se assim a uma longa lista de sucessivos falhanços "verdes" sempre à custa, claro dos contribuintes. É caso para dizer, como o faz Fred Thompson: "Amazing. Obama found a way to lose money investing in a solar company located in a desert."

domingo, 8 de julho de 2012

A Grande Farsa do Aquecimento Global

Via TvFakeClimate, um excelente documentário recapitulativo da, provavelmente, maior fraude alarmista de sempre que visou prosseguir uma agenda tendente à promoção de uma qualquer espécie de governo mundial, inevitavelmente totalitário (legendado em português).


Um documentário que continua a ser impensável que, tão cedo, mais de 5 anos após a sua produção sob o título The Great Global Warming Swindle, possamos ver nas nossas televisões.

domingo, 17 de junho de 2012

Preparando a Conferência Rio+20

Segundo o nosso bem conhecido e alinhado Público, o secretário-geral da ONU, Ban-Ki-moon, considera que a Rio+20 é demasiado importante para falhar e que, "[s]e não tomarmos acções firmes, podemos estar a caminhar para o fim."

Com esta preocupação em mente, considero seu meu dever recordar aqui algumas declarações de eminentes personalidades que nos alertam precisamente para que fim deveríamos, segundo elas, estar a caminhar. Por exemplo:
"Isn’t the only hope for the planet that the industrialized civilizations collapse? Isn’t it our responsibility to bring that about?"
-- Maurice Strong, Chairman da Cimeira da Terra, 1992

"We’re at 6 billion people on the Earth, and that’s roughly three times what the planet should have. About 2 billion is optimal."
-- Paul Ehrlich, Stanford University, biólogo

"A total population of 250-300 million people, a 95% decline from present levels, would be ideal."
-- Ted Turner, fundador da CNN

"The extinction of the human species may not only be inevitable but a good thing…This is not to say that the rise in human civilization is insignificant, but there is no way of showing that is will be much of a help to the world in the long run."
Editorial do The Economist

"My own doubts came when DDT was introduced. In Guyana, within two years, it had almost eliminated malaria. So my chief quarrel with DDT, in hindsight, is that it has greatly added to the population problem."
-- Alexander King, fundador do Clube de Roma
E para ilustrar que estas preocupações já estão presentes nas actividades preliminares da conferência (que se inicia dia 20), aqui deixo uma pequena súmula do que já se pôde ouvir: