quarta-feira, 16 de julho de 2014

17 anos e 10 meses depois, continua a narrativa marialva do CO2

Facto: as temperaturas registadas na baixa troposfera, medidas por recurso a satélite (série RSS), registam uma tendência ZERO no aumento da temperatura nos últimos 17 anos e 10 meses.

Retirado daqui
É à teimosa persistência desta realidade inconveniente que se deve o abandono do já quase esquecido "aquecimento global" que seria maioritariamente imputável à acção humana pela utilização da energia de origem fóssil (pelo aumento das concentrações de dióxido de carbono na atmosfera). Daí que houvesse que recauchutá-lo em alterações climáticas de que os "fenómenos extremos" - de furacões a calmarias, secas a inundações, desassoreamentos a assoreamentos, desertificação ou verdificação, calor ou frio, gelo ou degelo, enfim, o que quer que seja, constituiriam manifestações - seriam já tão evidentes que impunham a tomada de medidas "imediatas e severas" para evitar a anunciada catástrofe global.

É pois para "evitar o pior", e, de caminho, encher os bolsos dos que se propõem salvar a humanidade (a tal "economia verde"), que surge a "necessidade imperiosa" da "descarbonização". É em seu nome, em associação a um igualmente suposto esgotamento dos recursos naturais, que surgem as iniciativas das "novas renováveis" (mas "nuclear, não, obrigado"...). Como estas últimas, à parte a grande hídrica há muito utilizada, não conseguem produzir energia de uma forma economicamente interessante nem assegurar por si só,  face às alternativas fósseis, o abastecimento energético fiável e contínuo, houve primeiro que subsidiá-las de forma obscena. Depois, porque o escândalo era excessivo (entre nós, apesar da propaganda dos "cortes nas rendas", assim continua), a estratégia virou-se para a penalização fiscal das energias fósseis. É para este último estágio que o ministro do CO2 nos pretende dirigir uma vez que, segundo o próprio, já não haverá "rendas excessivas" (cf. p. 13) sob a sua tutela e se lhe esgotou a paciência para o "marialvismo energético" de alguns (ainda que entre eles estejam alguns dos mais eminentes especialistas nacionais da matéria). De resto, os efeitos dos temporais deste último Inverno no litoral são, para o ministro do CO2, a prova provada das "alterações climáticas".

É neste contexto que surge o recurso a uma tal de "Comissão para a Reforma da Fiscalidade Verde", presidida por Jorge Vasconcelos, antigo presidente da ERSE, que elencou um conjunto de propostas (eufemismo para aumento de impostos) onde pontifica uma taxa sobre o CO2 (o tal gás que é o alimento das plantas e que os animais, humanos incluídos, desgraçadamente exalam na "poluente" actividade que nos querem fazer querer constituir o acto de respirar).

Temos assim que, mais uma vez, em paralelo à propaganda da necessidade imperiosa reindustrialização, à "simplificação" administrativa, aos incentivos, aos subsídios e demais (e inumeráveis) "estímulos", aos apelos lancinantes ao investimento, o governo - este governo (tal como e em particular o anterior) - continua a fazer tudo ao seu alcance para penalizar as tais empresas industriais que protesta defender aprestando-se para voltar a aumentar o custo da energia que elas suportam e, em consequência, a degradar a sua competitividade (como igualmente sucede na generalidade dos países da UE e Obama teima em conseguir nos EUA)!

E como continuar a sustentar tudo isto se as temperaturas continuam sem aumentar e, sobretudo, a divergir cada vez mais do que os modelos "científicos" servidos por dispendiosíssimos supercomputadores afiançadamente prediziam? Para os alarmistas, o que conta não é a trivial e sensaborona realidade. O importante é a ciência (?) depositada nos "modelos". Episódios como este são espelho de uma crença politicamente correcta que nada tem a ver com a ciência. E não vai ser dos media de "referência" que virá a chamada de atenção para a realidade dos factos.

Retirado daqui

10 comentários:

Antonio Cristovao disse...

Deus lhe dê vida longa para que possa por si presenciar por si aquilo que apelida de propaganda oca.
Claro que em apontamentos bate certo mas globalmente mistura ciencia com aproveitamentos politicos da propaganda. Claro que o governo dos jotinhas não perde uma de sacar dinheiro para manter os tachos e o status.Mas a ciencia ensina-nos muito e as convicçoes são necessarias mas para as religioes.

Eduardo Freitas disse...

Caro António Cristóvão,

Repare o seguinte: se se estabelece uma tese - que uma maior concentração de dióxido de carbono na atmosfera, por si só, implica necessariamente um dado aumento da temperatura terrestre - o que as observações vão sucessivamente invalidando - há 214 meses consecutivos - como continuar a sustentar políticas intervencionistas cuja justificação assentava numa tese que se vê invalidada por aplicação do próprio método científico?

Um obrigado pelo desejo de uma vida longa que retribuo com fraternidade.

Saudações,

Eduardo Freitas

floribundus disse...

Caro Eduardo

férias sem Net
devido ao aquecimento global

'in oculum descansum est'

Eduardo Freitas disse...

Caro floribundus,

Umas óptimas férias acompanhadas de um conveniente aquecimento local!

Saudações estivais!

Eduardo Freitas

Pedro Cruz disse...

A sério?! Uma série histórica de 17 anos e 10 meses? Existem mais de 130 anos de dados!
Podem ver o segundo gráfico daqui:
http://www.forbes.com/sites/petergleick/2012/01/21/2011-climate-change-in-pictures-and-data-just-the-facts/
A tendência é clara. Volatilidade há sempre (a USSR também teve crescimento pujante!). E nem parece estar a aumentar.
Os negacionistas do aquecimento global são como os socialistas: Apesar da evidência mostrarem que estão errados, não há nada a fazer, resolveram acreditar naquilo e pronto.
Os limites do ridiculo acontecem com o 2º gráfico. Envolvem previsões de emissões, sempre sujeitas a falhas, e mesmo assim a temperatura bate certo com os modelos! E isso é usado como prova do mito!!!

Mas eu não estou minimamente preocupado. O mercado resolve. Como sempre! Amanhã os espectadores interessados podem assistir ao GP da Alemanha (Formula1) onde carros hibridos(!!) atingem os 330km/h, sujeitos a restrições de 100kg.combustivell/GP (menos 30% que aquilo que tinham o ano passado), restrição com que todas as equipas lidaram tão bem que os responsáveis da Mercedes já vieram pedir algo muito mais exigente que eles estão ali para desenvolver os carros e não pelo marketing.

Abraço,

Pedro

Eduardo Freitas disse...

Caro Pedro Cruz,

Obrigado pelo seu comentário o qual me merece as seguintes considerações:

1) O leitor descarta como irrelevante o facto (admito que aborrecido) de as temperaturas não terem aumentado no intervalo de tempo representado. Alega, todavia, que 17 anos e 10 meses não são significativos perante a existência de séries de dados com 130 anos de idade (ou seja, desde Svante Arrhenius) onde – aí sim! –, no seu conjunto, a tendência para a subida das temperaturas, em conjunto com maiores concentrações de CO2, seria “clara”. Então e que clareza lhe transmite o facto, bem conhecido, de as concentrações de CO2 na atmosfera terem sido iguais ou mesmo muito superiores às de hoje durante o Plioceno, há 2-5 milhões de anos (para não entramos já em unidades de tempo referentes ao domínio da Paleoclimatologia)? Ou que, em meados dos anos 70 do século passado os escaparates traduzissem o “arrefecimento global” que aí vinha? Seriam idiotas os cientistas de então? Não vou alimentar uma guerra de gráficos mas, de qualquer modo, deixe-me dizer-lhe que recorrer a Peter Gleick, um indivíduo acusado do de identidade e documentos, como um paladino da “verdade científica”, parece-me uma escolha pouco avisada;

2)Quem anda, há anos, à procura do calor “em falta” – dos motivos da “Pausa” - não são os cépticos; quem fixou em 10/15 anos o que seria uma “anomalia” significativa – que poderia implicar uma revisão da teoria do Catastrófico Aquecimento Global Antropogénico, em caso de ocorrência de uma paragem na tendência de subida das temperaturas, não foram os cépticos;

3)Abordando agora o que o Pedro Cruz classifica de “limites do ridículo” – o 2º gráfico – confesso ficar espantado como consegue concluir da sua leitura que a evolução das temperaturas “bate certo com os modelos”! (Mais, em http://www.drroyspencer.com/2013/10/maybe-that-ipcc-95-certainty-was-correct-after-all/). Faz-me lembrar, em situação inversa, aquele anúncio, já antigo, segundo o qual “9 em cada 10 estrelas usam LUX!”.

4)Protesta o Pedro Cruz não estar preocupado com a “cegueira” dos sépticos, já que o “mercado sempre resolve os problemas”. Por uma vez, estou veementemente de acordo consigo (assim os governos permitam que ele funcione), embora não possa deixar de notar a inconsistência desta afirmação com tudo o que até este ponto o seu comentário perpassa de apoio ao intervencionismo estatal.

5)Quando era jovem também gostava muito de assistir às corridas de Fórmula 1. E embora muito à distância, já tenho idade suficiente para reconhecer, de resto sem qualquer tipo de surpresa, que muitas das novidades tecnológicas introduzidas nos veículos comuns vêm exactamente do experimentalismo (descentralizado, empreendedor e não centralizado) que durante muitos anos foi característica da Fórmula 1 (há fortes razões para supor que os níveis de independência que gozou já não sejam os mesmos de hoje). Precisamente o oposto do que o Pedro Cruz, implicitamente apoia.

6)Nada me opõe aos carros híbridos, semi-híbridos, eléctricos ou outros quaisquer. O mesmo se diga das “novas renováveis”. Aliás foi o mercado que optou por não adoptar a propulsão eléctrica nos veículos automóveis (que surgiu primeiro que o motor de explosão). O mesmo ocorreu com a geração de electricidade eólica. Apenas me oponho que os governos subsidiem a operação do que têm por politicamente correcto à custa dos contribuintes penalizando SEMPRE, e em particular, os financeiramente mais débeis. Mesmo que se sirva do medo (o suposto Armagedeão climático que aí viria) para tentar justificar os cada vez mais obscenos impostos.

Cordiais saudações,

Eduardo Freitas

Pedro Cruz disse...

Olá de novo,

1,2 e 3:
Para ligação de actividade humana à tendência de médio prazo de aquecimento recomendo a visualização do penultimo episódio do cosmos.
Interessante ainda a tedtalk http://www.ted.com/talks/naomi_oreskes_why_we_should_believe_in_science.
Ainda: http://www.skepticalscience.com/global-warming-stopped-in-1998.htm
mais aqui: http://www.skepticalscience.com/argument.php

Quanto ao mito dos anos 70, é um desses pontos:
http://www.skepticalscience.com/ice-age-predictions-in-1970s.htm

E se o planeta foi mais quente e conteve mais CO2 outrora só nos diz que outros factores são importantes, não que eles actuem hoje.

4 e 5: Acho que é preciso bastante imaginação para entender do meu texto que eu apoio intervenção estatal. Seria o mesmo que reconhecer que existe fome no mundo e automaticamente estar implicito que apoio a criação de supermercados públicos. Não! Apenas não nego que ela existe apenas por saber que isso vai ser usado para aumentar o monstro.

Anónimo disse...

Pois, outros factores...

Tipo o ...

Sol!!!

http://ice-period.com/2012/09/solar-influences-on-the-climate/

http://www.biocab.org/Comparison_TT-CO2-Solar_Irradiance.jpg

Mas não te preocupes com o aquecimento global, preocupa-te mais com a poluição global, essa sim talvez te dê um fim.E claro está que o petróleo não é infinito, logo adeus aquecimento global e olá guerra global.

Anónimo disse...

Há e para resumir a coisa numa frase: Estamos a atravessar um período de aquecimento no curto prazo para verificarmos um período de arrefecimento no longo prazo.

Entendes-te?

Eu também não.

Já agora sabes como se conseguem fundos para uma pesquisa sobre as baleias do rio amazonas?

É fácil, só tens que relacionar a reprodução da espécie com o aquecimento global e pronto recebes os fundos para a pesquisa, porque será?

LV disse...

Pedro Cruz,

Será que tem, como modelo de progressão do trabalho científico, os procedimentos revelados pelos casos "climategate 1.0 e 2.0"? Nos quais os gabinetes de universidades (financiadas por quem?) afinavam os dados dos seus modelos para acomodar dogmas aquecimentistas. Que depois vão moldar, com o dinheiro dos contribuintes, as políticas públicas.
Quanto a socialismos, estamos conversados. Certo?
Por outro lado, é bom que se abandone o apelo a consensos como critério de cientificidade das teorias. A bem do respeito pela história da ciência e de um clima de sã discussão.

Saudações,
LV