sábado, 12 de julho de 2014

(In)Tranquilidade


As nuvens já vêm de longe, mas estão a avolumar-se rapidamente. Por cá, para além das manobras de tranquilização (sedação) a que se prestam os meios de comunicação social convencional, nada mais do que a apresentação da composição accionista do grupo Espírito Santo parece interessar. Pergunto-me que utilidade isso terá para o cidadão comum.
Não sei se não será apenas uma forma de desviar as atenções, concentrando-as apenas no BES (ou GES), evitando assim que se analise o contexto em que o problema ocorre.

São satisfatórias as declarações do regulador? O que fez o Banco de Portugal para antecipar a tempestade que parece formar-se?
São satisfatórias as declarações dos responsáveis políticos?
Como está - na substância, na qualidade e não na aparência - o sector bancário nacional ou europeu?

Tomando as palavras de Maximilian Zimmerer (CIO Allianz) acerca da zona euro e do seu sistema bancário e financeiro, "os problemas fundamentais não estão resolvidos e toda a gente sabe disso".
Recentemente tornaram-se visíveis casos problemáticos na banca búlgara (neste caso há um banco que vai mesmo cair), austríaca e holandesa.

À luz destes acontecimentos, repito, são satisfatórias as escassas (e ambíguas) declarações do responsável do Banco de Portugal? Se não há, em sua opinião, razões para alarme e considera tudo ter feito para que não houvesse turbulência no sistema, a missão parece ter falhado. Certo?
É que até as "vozes de dentro" parecem assobiar algo de diferente.

3 comentários:

Miguel Loureiro disse...

Caro Eduardo
Passando das teorias às práticas, chegamos à conclusão que não há teorias e que as práticas estão "avacalhadas"...
Talvez se esteja a discutir o que e como se está para não se chegar às áreas de intervenção, que não devem estar muito ligadas ao Vaticano...

Eduardo Freitas disse...

Caro Miguel,

Começo por pedir desculpa pelo atraso com que publico o seu comentário situação que só a mim se deve.

Depois, e não obstante subscrever o seu conteúdo, faria notar que a autoria do post não é minha mas sim do meu parceiro de blogue.

Quanto à substância do seu comentário - que saúdo após o que julgo ter sido uma longa ausência - alinhavaria apenas uma nota: apesar da mitologia há muito instalada, a actividade bancária é altamente regulada através de numerosas legiões burocratas (a maior parte economistas) a "velarem" (pelo dinheiro dos outros) nos bancos centrais e nas bolsas oficiais. Mas o que uma e outra vez acontece segundo as explicações oficiais - e se revela em cada crise - é que houve deficiências na regulação pelo que a solução "não pode" deixar de ser a de regular ainda mais. Mas será mesmo assim?

LV disse...

Miguel Loureiro,

Se entendi a parte final do seu comentário, há, efectivamente, uma preocupação em focar a atenção de todos para "o que está", impedindo a intenção de escrutinar, livre e responsavelmente, a natureza operante do Mal que graça na ligação entre a banca e o poder político, por debaixo da pele.
E a escolha dos nomes para a liderança do BES não me parece inocente, isto é, há a necessidade de acautelar a possibilidade de ter - TODOS NÓS - de injectar dinheiro no balanço. Assim se escolhem nomes com afinidade, com ethos simpáticos à coisa política/pública.

O que andou o regulador a fazer, é pergunta que não me abandona a cabeça. Serão necessários mais exemplos da inutilidade destas instituições?

Saudações,
LV