“Party Hardy ou Festa Rija
(...)Os fundos de pensões ou já estão em incumprimento ou precisam de encontrar financiamento de qualquer maneira e a maneira como o estão a fazer é procurando financiar-se com mais dívida e a assumir mais risco em investimentos bolsistas.
Um ponto preocupante que não me canso de sublinhar é o seguinte: os investidores estão a conduzir a valorizações de activos para que entidades que não enfrentam consequências pessoais por pagarem excessivamente os possam comprar: os bancos centrais e as próprias empresas a recomprar os seus títulos."
Northman Trader, "2016 Market Review: Party Hardy".
Mostrar mensagens com a etiqueta Risco moral. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Risco moral. Mostrar todas as mensagens
domingo, 8 de janeiro de 2017
Citação do Dia (196)
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
Curtas e grossas
Sob o título em epígrafe, Jürgen Stark, um antigo economista-chefe do BCE, de onde saiu com grande estrondo em 2011, publicou na passada 4. feira no Financial Times um artigo (requer registo) onde retoma as teses da "linha dura" da (relativa) ortodoxia financeira do que ele caracteriza como "o economista alemão". Seguem-se alguns excertos desse artigo que noutras circunstâncias - de indignação vituperante diante a presença num governo de coligação de um partido de extrema-esquerda com um outro de extrema-direita num ministério sem uma única mulher! - seria considerado politicamente incorrecto ao ponto de ser alvo de uma saraivada de fatwas sobre o seu autor e todos aqueles que o citem (via Juan Ramón Rallo):
«[…] A verdade é que, em contraste com muitos países da zona euro, a Alemanha tem consistentemente prosseguido uma política económica prudente. Enquanto outros viviam acima das suas possibilidades, a Alemanha evitou os excessos. Estas são diferenças culturais profundas que a união monetária faz emergir uma vez mais.
A questão não é a de um país impor austeridade a outro. As elites políticas da periferia da zona euro são responsáveis por terem perdido o acesso aos mercados financeiros em 2010. Anos de má gestão e de inobservância da lei conduziram a défices orçamentais crescentes e à acumulação de dívida. Os prémios de risco dispararam. […]
A UE não é uma federação (como não é a zona euro). Estamos muito longe desse nível de integração na Europa. Não há, portanto, base constitucional para concretizar maiores transferências para os países mais débeis. Em todo o caso, essas transferências não resolvem os problemas económicos e levam ao risco moral. Anteriores programas de transferências, como os dos fundos para pagar investimentos em infra-estruturas nos estados membros mais pobres da UE, nem sempre conduziram a uma melhoria sustentável no desempenho económico. A Grécia, por exemplo, recebeu transferências da UE correspondentes a 3 a 5% do seu produto interno bruto durante décadas, dos quais aproximadamente um terço foram pagas pela Alemanha. Mas grande parte desse dinheiro escoou-se através do poroso edifício de um estado frequentemente corrupto.
A política económica alemã não se destina a punir os países da periferia da zona euro. A chanceler Angela Merkel quer ver todos os países da zona euro a criarem as circunstâncias necessárias a um crescimento económico que seja real e sustentável - do tipo que gera empregos. Isto exige finanças nacionais sólidas. O que não tem nada a ver com um fetiche quanto ao défice zero. Os economistas alemães opõem-se ao tratamento dos sintomas. Eles alertam contra aparentes soluções que funcionam como tranquilizantes políticos no curto prazo, mas que apenas se limitam a ocultar os verdadeiros desafios económicos.
Os apelos a estímulos macroeconómicos adicionais ignoram as causas da doença europeia. É vital que sejam removidas as barreiras estruturais ao crescimento. Isso inclui sanar os balanços dos bancos para desbloquear a criação de crédito. Não é por causa da Alemanha que a França enfrenta a estagnação económica e a Itália está
há três anos em recessão. Os problemas têm origem doméstica. Eles não podem ser eliminados nem pelo Banco Central Europeu nem pelos estímulos fiscais.
As reformas exigem coragem política e forte liderança. Essas são reformas dolorosas mas são necessárias para retornar a um caminho de crescimento sólido. O verdadeiro défice é o fracasso da elite política em muitos países bem como a falta de instituições credíveis. […]»
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
O Fed é o Robin Hood às avessas
De modo algum fico espantado pelo facto de não conseguir encontrar, em páginas portuguesas na internet, uma referência a esta confissão pública no Wall Street Journal (Andrew Huszar: Confessions of a Quantitative Easer), publicada no passado dia 11 de Novembro do corrente. Isto porque creio ser bem provável que tal "esquecimento" não seja alheio à visão hagiográfica dos nossos media relativamente aos banqueiros centrais, partilhada por todos aqueles (por exemplo, "Mario Draghi, uma vez mais, esteve à altura da situação") que acham têm fé em que uns adequados passes de alquimia possam substituir as dores próprias de enfrentar a realidade. Não surpreende pois que se procure evitar o que quer que seja que ponha em causa a imensa e inestimável sabedoria e compaixão dos pontífices em exercício (aqui bem patentes).
Ron Paul há décadas que vem dedicando boa parte da sua vida pública a desmontar esta tão idílica quanto falsa perspectiva da prestidigitação monetária dos supostos illuminati. Volta a fazê-lo em Federal Reserve Steals From the Poor and Gives to the Rich, texto de que achei útil proporcionar uma tradução.
18 de Novembro de 2013
Na quinta-feira passada, o Comité de Assuntos Bancários do Senado iniciou a audição de Janet Yellen no seguimento da sua indigitação para presidente da Reserva Federal. Como se esperaria, a Sra. Yellen referiu que iria continuar a política de "flexibilização quantitativa" do Fed (QE [Quantitative Easing]), apesar do fracasso da QE na melhoria da economia. Por coincidência, dois dias antes das audições a Yellen, Andrew Huszar, um ex-funcionário do Fed, pediu publicamente desculpas [link acrescentado] ao povo americano pelo seu papel na QE. O Sr. Huszar chamou à QE "o mais secreto resgate a Wall Street de todos os tempos".
Há não mais de cinco anos atrás [alusão à primeira candidatura de Ron Paul à presidência dos EUA, em 2008], teria sido inédito ouvir um conhecedor [do funcionamento por dentro] de Wall Street e ex-funcionário do Fed a falar tão abertamente do modo como o Fed age como um Robin Hood às avessas. Mas um rápido olhar para os números mais recentes do desemprego mostra que a QE não está a beneficiar o americano médio. É cada vez mais óbvio que a política de resgates do Fed pós-2008, a "impressão" de dinheiro [a partir do nada] e a compra de obrigações beneficiou os grandes bancos e as sociedades de investimento com [fortes] ligações políticas. A QE é um exemplo tão flagrante de capitalismo de compadrio [crony capitalism] que faz com que o caso Solyndra [link] pareça um luminoso exemplo de funcionamento de um puro e livre mercado!
Seria um erro pensar que com a QE seria a primeira vez que as políticas do Fed beneficiaram aqueles que vivem com desafogo à custa do americano médio. As políticas do Fed beneficiaram sempre os capitalistas de compadrio e os políticos defensores da grande despesa pública em prejuízo [e às expensas] do americano médio.
Através da manipulação da oferta monetária e da taxa de juro, as políticas da Reserva Federal criam inflação e desse modo corroem o valor da moeda. Desde que a Reserva Federal abriu as suas portas, há cem anos atrás, o dólar perdeu mais de 95% do seu poder aquisitivo - sim, é isso mesmo, hoje são necessários 23,70 dólares para comprar o que um dólar comprava em 1913!
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
Do ruído à substância ou a miséria do jornalismo que temos
Tal como foram os políticos gregos que, coitados, que sucumbiram ao canto da sereia daqueles malvados (Goldman Sachs e quejandos) que lhes propuseram maquilhar as contas públicas para que o regabofe na despesa do estado pudesse continuar, também o governo anterior - particularmente, José Sócrates, Teixeira dos Santos e Costa Pina - parece terem sido hipnotizados pelos cantos das ninfas domésticas pelo que não vale sequer a pena mencionar a sua responsabilidade - que é toda - na matéria dos swaps contratados depois do grande crash de 2008, como ficou evidente aqui.
Isto, independentemente da veracidade de "notícias" como esta e das necessárias consequências a retirar caso correspondam à verdade.
quarta-feira, 8 de maio de 2013
Notícias que não são notícia (2 de muitas)
Parecem ser infindáveis os desastres verdes de Obama e, consequentemente, a economia e os "empregos" da mesma coloração. À lista que aqui deixei há tempo, juntou-se, já há uns dias1, o processo de falência da Fisker Automative produtora de umas centenas de viaturas de luxo Karma (New York Times ou no Washington Post), outra das "visionárias" empresas que surgiram, única e exclusivamente, à custa do erário público, entre subsídios e empréstimos. (Para uma análise circunstanciada do caso Fisker e das lições a retirar, ver aqui.)
Nos EUA ou na Alemanha, os grandes defensores da economia e "empregos" verdes (como António Mexia é exemplar paradigmático), nomeadamente os ligados à energia solar, há muito que vêm acusando as empresas chinesas de práticas de dumping (nome "chique" e politicamente correcto para designar concorrência) com a consequente onda de falências de empresas do sector, na Europa e nos EUA. Pois bem, parece que terão agora uma boa oportunidade para reganhar quota de mercado (ironia, ironia..) com a queda da solar Suntech no tribunal de falências na China (grato ao Fiel Inimigo pela chamada de atenção). Como adivinharão, a nota1 é replicável para esta outra não-notícia no que respeita à imprensa portuguesa de "referência". Por que será, por que será?
____________________________
1 Bem que me contive aguardando pela publicação na nossa imprensa de "referência" de uma menção quanto a este assunto. Este post é, evidentemente, a constatação, sem surpresa, da sua
terça-feira, 16 de abril de 2013
O estertor aquecimentista
Via Reuters, reconfirmam-se as manobras a que aqui me referia: Climate scientists struggle to explain warming slowdown. Chega um momento - após 15 anos de estagnação da subida das temperaturas - em que a "narrativa" catastrofista dificilmente se consegue manter.
Godfrey Bloom, com a sua habitual acutilância, não precisa de mais de um minuto para lavrar oralmente a sentença, ontem no Parlamento Europeu. O Público ficou pesaroso.
sexta-feira, 12 de abril de 2013
Citação do dia (108)
"The ultimate result of shielding man from the effects of folly is to people the world with fools."
Herbert Spencer
domingo, 31 de março de 2013
sexta-feira, 29 de março de 2013
O acordo do Chipre e o desemaranhar do sistema bancário de reservas fraccionárias
Praticamente todos os analistas concordam que, após o ocorrido em Chipre, "nada será como dantes". O abalo telúrico que percorreu a zona euro tornou evidente, para um significativo número de pessoas, que, afinal, os bancos não eram - não são - um oásis de segurança para os valores lá "depositados" (as aspas são propositadas). Joseph Salerno, um especialista em questões monetárias da Escola Austríaca, dá-nos a sua perspectiva, num texto publicado em 27-03-2012, de quais poderão ser esses efeitos no seu texto The Cyprus Deal and the Unraveling of Fractional-Reserve Banking (abaixo traduzido por mim1), assinalando um facto que qualifica de "feliz", assim acompanhando a análise de Detlev Schlichter de que aqui fiz eco.
O tema do sistema bancário de reservas fraccionárias tem sido visto em Portugal como um tema desinteressante, do domínio do esotérico, de que só alguns excêntricos falam e escrevem (e só em ambientes "controlados"). Um caso notável na blogosfera, pela persistência denodada e praticamente solitária, tem sido Carlos Novais o qual, desde que ingressou no "quadro" dos bloggers do Portugal Contemporâneo, vem amplificando o seu significado (e respectivas consequências). Também ele viu uma oportunidade "feliz" para agora animar agora uma recolha de assinaturas para uma petição tendo em vista definir legalmente que os depósitos à ordem sejam cobertos a 100% por reservas - e, portanto, não tenham risco associado - e não, como hoje acontece, constituam na realidade empréstimos aos bancos e, consequentemente, estejam sujeitos aos riscos correspondentes. Eu já a assinei e convido todos os leitores a fazê-lo também.
_______________________1 - Dei entretanto conta da existência de uma outra tradução no Mises Brasil.
O "acordo do Chipre", como tem sido amplamente designado nos meios de comunicação social, poderá assinalar algo próximo do último acto do lento colapso do sistema bancário de reservas fraccionárias o qual começou com a implosão da indústria das sociedades de poupança e empréstimos [S&L] nos EUA nos finais dos anos 80. Essa tendência continuou com as crises cambiais na Rússia, no México, na Ásia Oriental e na Argentina nos anos 90 onde o sistema de reservas fraccionárias desempenhou um papel decisivo. O desmoronamento do sistema de reservas fraccionárias tornou-se visível, até mesmo para o depositante comum, durante a crise financeira de 2008 que desencadeou corridas a bancos em algumas das maiores e mais veneráveis instituições financeiras do mundo. O colapso final só foi evitado pelo resgate, no montante de milhões de milhões de dólares, dos bancos americanos e estrangeiros levado a cabo pela Reserva Federal.
Mais do que a crise financeira sem precedentes de 2008, no entanto, os recentes acontecimentos no Chipre podem ter desferido o golpe mortal no sistema bancário de reservas fraccionárias. Isto porque o sistema bancário de reservas fraccionárias apenas pode existir enquanto os depositantes tiverem uma total confiança de que, independentemente das dificuldades financeiras que vierem a suceder ao banco a que confiaram os seus "depósitos", serão sempre capazes de os levantar em dinheiro, à sua ordem, a qualquer momento e integralmente. Desde a II Guerra Mundial que o seguro governamental de depósitos bancários, assegurado pelo poder emissor do banco central, foi tido como a garantia inabalável que justificava essa confiança. Com efeito, o sistema bancário de reservas fraccionárias foi percebido como sendo um sistema de reservas a 100 por cento pelos depositantes, que agiam como se o seu dinheiro estivesse sempre "no banco", graças à capacidade dos bancos centrais de fabricar dinheiro a partir do nada (ou no ciberespaço). Perversamente, as diversas crises envolvendo o sistema bancário de reservas fraccionárias, que emergiram uma e outra vez desde os finais dos anos 80, apenas reforçaram essa crença entre os depositantes, porque os bancos problemáticos e as instituições de poupança sempre foram resgatados entre grande animação, especialmente os maiores e os menos estáveis.
Foi assim que surgiu a doutrina do "grande demais para falir" [too big to fail]. Sob esta doutrina, os depositantes e obrigacionistas não segurados foram geralmente resgatados por inteiro sempre que um grande banco faliu, porque era amplamente entendido que a confiança em todo o sistema bancário era algo frágil e evanescente que se poderia quebrar e dissipar por completo em resultado da falência de uma única grande instituição.
segunda-feira, 25 de março de 2013
Próximo!
Ok, o "Armagedeão" terá sido, por agora, adiado evitado. De um modo algo surpreendente (?), devo dizer, através de um arranjo moralmente mais defensável do que o inicialmente previsto (as perdas dos depositantes e accionistas - a componente "bail-in" do pacote de resgate - circunscrever-se-ão aos dois bancos falidos em maiores dificuldades e não a todos os depositantes de todos os bancos, o que indiciava uma punição colectiva de ressonância calvinista).
Há quem tenha ficado entusiasmado com o feito. Afinal de contas, com o S&P nos píncaros, as coisas só podem estar, agora, muito bem encaminhadas. Próximo!!
![]() |
| Imagem retirada daqui |
domingo, 17 de março de 2013
Se pensava que o seu dinheiro estava seguro no banco pense outra vez
Se pensava que o Chipre ficava numa distante ilha na Micronésia não longe da República de Palau, está na altura de rever os seus conhecimentos de Geografia. E se também pensava que acabar com o dinheiro físico era o "ideal" porque, dessa forma, se evitariam, por se terem tornado inúteis, os assaltos aos bancos, conclua pela necessidade de rever esse entendimento já que os sujeitos passivos de assaltos podem facilmente tornar-se em agentes activos dos mesmos.
segunda-feira, 4 de março de 2013
As eleições em Itália e o pânico da elite
Quando ontem anotei isto, não tinha dado conta da vergonhosa capa da Economist que a revista dedicou ao resultado das eleições italianas e que reproduzo de seguida:
Faço minhas as palavras de Robert Wenzel: "It's not at all clear that Grillo or Berlusconi have any idea how a currency or economy should be run, but it is always fun to see the banksters in panic.The Economist cover signals they are in serious panic".
_______________________
Nota 1: conforme se recorda no Zero Hedge, será de ter em conta que a revista The Economist é detida pelo Finantial Times, pela Cadbury e pelas famílias Rothschild, Schroder e Agnelli;
Nota 2: assim se vai reforçando a ideia da justeza do meu "divórcio" com a revista centenária cujo património os seus responsáveis (accionistas e redacção) vão destruindo.
Nota 2: assim se vai reforçando a ideia da justeza do meu "divórcio" com a revista centenária cujo património os seus responsáveis (accionistas e redacção) vão destruindo.
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Charlatões e charlatonas
"Muito simplesmente [dentro de uns quantos anos] as crianças não irão saber o que é a neve", afirmava, entrevistado pelo jornal The Independent, em 20 de Março de 2000, o Dr. David Viner, cientista sénior da universidade de East Anglia (sede do "Climategate 1.0" em 2009), no Reino Unido, embalado pelos tremores e fervores da eco-teocracia do aquecimento global.
Ontem, o Telegraph, titulava que cerca de 5000 escolas se encontravam fechadas em resultado do caos provocado pela violenta queda de neve por quase todo o Reino Unido.
![]() |
| Foto daqui |
Mas, dirão, o que importa o que pensava (ainda pensará?) o dr. Viner? Bem, se consultarem esta lista de profecias catastróficas, agrupadas nos clássicos temas do "esgotamento de recursos naturais", "da população e da pobreza" e das "alterações climáticas", haverá que concluir que este não é um caso isolado, perdido num qualquer anedotário da asneira. Não! Há uma série bem numerosa de "eminentes" personalidades, provenientes do meio académico e mediático, que, há décadas, proferem dislates gigantescos sem que, estranhamente, sofram as consequências, académicas e mediáticas dos seus estrondosos e repetidos fracassos na previsão do Apocalipse.
Se pensarmos nos muitos billions já gastos com as "novas renováveis" e com as sucessivas e cada vez mais onerosas restrições "verdes" ao funcionamento das economias, isto é, com impacto nas empresas, nos contribuintes e nos consumidores e, portanto, no bem-estar geral; e se pensarmos nos trillions que os mesmíssimos profetas continuam a tentar convencer os governos (e a opinião pública) a despender para "salvar" a Terra de supostos horrores inomináveis que teimam em não acontecer, perceberemos o quão importante é desmontar a arrogância infinita destes profetas da desgraça, afinal, meros charlatões e charlatonas, como a realidade empírica vem demonstrando.
O quinteto que se segue , de "O Charlatão", de José Mário Branco, parece-me bem ilustrar o que precede fazendo ainda lembrar-me de um certo ex-candidato a presidente dos Estados Unidos que sempre tem conseguido, na perfeição, conduzir os seus (bem) proveitosos negócios enquanto anuncia o Armagedeão ambiental:
O quinteto que se segue , de "O Charlatão", de José Mário Branco, parece-me bem ilustrar o que precede fazendo ainda lembrar-me de um certo ex-candidato a presidente dos Estados Unidos que sempre tem conseguido, na perfeição, conduzir os seus (bem) proveitosos negócios enquanto anuncia o Armagedeão ambiental:
Na travessa dos defuntos
charlatões e charlatonas
discutem dos seus assuntos
repartem-s'em quatro zonas
instalados em poltronas
charlatões e charlatonas
discutem dos seus assuntos
repartem-s'em quatro zonas
instalados em poltronas
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
A captura dos reguladores pelos regulados
Via O Insurgente, o pequeno vídeo que se segue explica, sucintamente, como ocorre a "captura" dos reguladores, exactamente por aqueles que seriam supostos "regular". Enquanto isso, a "nossa" Autoridade de Concorrência, publicou as suas prioridades para 2013. Por sinal, não li lá nada quanto a aeroportos...
Relacionados:
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Mais um ambiogate?
A czarina eco-teócrata que chefiava a Environmental Protection Agency (EPA) apresentou a sua demissão a Obama no final de Dezembro passado, segundo a própria, por sua iniciativa, conforme se relata no New York Times do passado dia 27 de Dezembro. O artigo - um longo panegírico à acção da primeira afro-americana na condução da EPA - lá concede, no seu 18º parágrafo (!), que está a decorrer uma investigação, conduzida pela própria inspecção-geral da EPA, que tem por finalidade apurar qual a efectiva utilização de uma segunda conta de email (usando o pseudónimo Richard Windsor) na eventual condução dos assuntos da agência. Segundo aqui se lê (não no NYT, claro!) estão em causa 12 000 mensagens de correio electrónico relativas à "guerra ao carvão" que Jackson conduziu ao longo quatro anos em que ocupou o cargo. O que teria Jackson a esconder?
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
Equívocos, também papais
Segundo leio, Bento XVI, lamentou na sua homilia de hoje que o mundo de hoje esteja ainda "muito marcado por focos de tensão e confronto causados por crescentes desigualdades entre ricos e pobres, pelo prevalecer de uma mentalidade egoísta e individualista, que se exprime também por um capitalismo financeiro sem regras".
Duas breves notas:
1) Como compaginar o reforço da prevalência de uma "mentalidade egoísta e individualista" quando o Estado absorve uma cada vez maior parcela da riqueza gerada para - assim é propagandeado pelos seus defensores -, "promover a solidariedade" através da sempre crescente subida de impostos, em ordem a precisamente atenuar a desigualdade de rendimentos? Não ocorrerá que esteja precisamente na engenharia social de uma "solidariedade" imposta, e necessariamente da sua despersonalização e burocratização, que promove precisamente comportamentos inversos aos que os "humanitários" pretendiam perseguir? Não reside aí, afinal, a real fonte da sanha persecutória contra Isabel Jonet?
2) Como é possível continuar a sustentar a suposta existência de um "capitalismo financeiro sem regras" quando são os Estados, porque não lhes convém, que não permitem que os bancos entrem em falência em resultado da má gestão de que foram alvo (ou das fraudes que lá ocorreram) tal como acontece a qualquer empresa que não seja de "regime"? Porque havemos de continuar a aceitar que seja sempre o contribuinte a suportar os custos de resgatar zombies como, entre muitos, o banco franco-belga Dexia (o terceiro resgate vem a caminho), as Cajas espanholas, o BPN ou agora o Banif?
Nada disto tem a ver com o capitalismo. É antes o seu contrário.
sábado, 20 de outubro de 2012
Os desastres verdes de Obama
O descalabro económico e ético do activismo "verde" de Barack Obama, perseguindo uma absurda política energética, prossegue. Agora foi a vez da A123, uma empresa dedicada à produção de baterias para carros eléctricos, se colocar sob o regime de protecção de credores. Claro que não sem antes ter recebido cerca de 250 milhões de dólares em empréstimos federais no quadro da mirífica "visão" de Obama de conseguir pôr em circulação "um milhão de veículos eléctricos em 2015". A Toyota, por exemplo, já oficializou o "pousio" das suas iniciativas quanto ao carro eléctrico, apontando para o facto de haver ainda muito que criar/descobrir de modo a que os carros eléctricos consigam chegar ao mercado a preços competitivos e com autonomia comparável à dos carros convencionais ou híbridos.
A lista abaixo, retirada daqui, é bem eloquente do desperdício gritante de recursos dos contribuintes levada a cabo pelo governo de Obama em nome de uns miríficos "empregos verdes" e da luta contra o "aquecimento global" escolhendo vencedores (os que recebem os subsídios) e perdedores (os que vêem a sua actividade posta em causa pelas acções governativas e regulatórias). O resto que se lixe, que se danem os contribuintes. É esta a verdadeira política. Lá como cá.
- Evergreen Solar ($25 million)*
- SpectraWatt ($500,000)*
- Solyndra ($535 million)*
- Beacon Power ($43 million)*
- Nevada Geothermal ($98.5 million)
- SunPower ($1.2 billion)
- First Solar ($1.46 billion)
- Babcock and Brown ($178 million)
- EnerDel’s subsidiary Ener1 ($118.5 million)*
- Amonix ($5.9 million)
- Fisker Automotive ($529 million)
- Abound Solar ($400 million)*
- A123 Systems ($279 million)*
- Willard and Kelsey Solar Group ($700,981)*
- Johnson Controls ($299 million)
- Schneider Electric ($86 million)
- Brightsource ($1.6 billion)
- ECOtality ($126.2 million)
- Raser Technologies ($33 million)*
- Energy Conversion Devices ($13.3 million)*
- Mountain Plaza, Inc. ($2 million)*
- Olsen’s Crop Service and Olsen’s Mills Acquisition Company ($10 million)*
- Range Fuels ($80 million)*
- Thompson River Power ($6.5 million)*
- Stirling Energy Systems ($7 million)*
- Azure Dynamics ($5.4 million)*
- GreenVolts ($500,000)
- Vestas ($50 million)
- LG Chem’s subsidiary Compact Power ($151 million)
- Nordic Windpower ($16 million)*
- Navistar ($39 million)
- Satcon ($3 million)*
- Konarka Technologies Inc. ($20 million)*
- Mascoma Corp. ($100 million)
* - indicador de solicitação de protecção de credores (bancarrota)
terça-feira, 16 de outubro de 2012
Por que razão os muito ricos estão cada vez mais ricos?
Por razões que suponho do domínio do romantismo, o simples facto de alguém adoptar um discurso político "solidário" significa, para a grande maioria das pessoas, colocá-lo automaticamente num patamar moral politicamente correcto. Já um qualquer (ultra/neo)liberal cujas ideias, se levadas à prática, conduziriam a um "recuo civilizacional", é necessariamente tido por um pária desprovido de quaisquer sentimentos pelos mais desfavorecidos. E ponto, fica o assunto resolvido! É por isso extraordinário que um homem como Warren Buffet, de quem os media não se cansam de elogiar por clamar que lhe sejam aumentados os seus impostos sobre o rendimento, seja inequivocamente catalogado entre os "bons" sem que os mesmos media se dêem ao trabalho de avaliar o que verdadeiramente defende (pelos actos que pratica e de que beneficia, não pelas palavras que profere ou escreve). Um cartoon animado presta-nos esse serviço público de desmistificação.
Subscrever:
Mensagens (Atom)









