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sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Do ruído à substância ou a miséria do jornalismo que temos

Tal como foram os políticos gregos que, coitados, que sucumbiram ao canto da sereia daqueles malvados (Goldman Sachs e quejandos) que lhes propuseram maquilhar as contas públicas para que o regabofe na despesa do estado pudesse continuar, também o governo anterior - particularmente, José Sócrates, Teixeira dos Santos e Costa Pina - parece terem sido hipnotizados pelos cantos das ninfas domésticas pelo que não vale sequer a pena mencionar a sua responsabilidade - que é toda - na matéria dos swaps contratados depois do grande crash de 2008, como ficou evidente aqui.

Isto, independentemente da veracidade de "notícias" como esta e das necessárias consequências a retirar caso correspondam à verdade.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Swaps - o Estado especulador

Via Blasfémias, cheguei ao Banda Larga que recorda uma didáctica intervenção do prof. João Cantiga Esteves quanto ao tema dos swaps. Nela, Cantiga Esteves separa a espuma da substância de um tema que, à boa maneira portuguesa amplificada pela generalidade da comunicação social, procura a todo o custo ofuscar o essencial - a especulação promovida pelo próprio Estado para, a qualquer custo e recorrendo a todo o tipo de artimanhas, encontrar financiamento para prolongar níveis de despesa insustentáveis em mais um exemplo de irresponsável e criminosa fuga (despesista) para a frente.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Jornais, jornalistas. notícias, títulos e substância

Escrevo, faltando uns poucos minutos para as 18 horas. Percorri os sites dos principais jornais à procura do caso Freeport e tirei fotografias das respectivas "capas". Ei-las:

Público: Freeport: tribunal absolve arguidos mas manda investigar Ambiente
Expresso: Freeport: fortes indícios de pagamentos ilegais
Sol: Arguidos do caso Freeport absolvidos
DN: Tribunal manda investigar José Sócrates
JN: Charles Smith e Manuel Pedro absolvidos no caso Freeport
i: Freeport. Arguidos absolvidos. Fortes indícios de pagamentos ilegais serão averiguados

Noto uma única referência à incontornável personalidade neste caso quando, sob qualquer critério estritamente jornalístico, teria que haver seis. Por que será?

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Desassombro e independência

O primeiro contacto que me recordo de ter tido com a figura de Miguel Cadilhe passou pelo recurso que fiz, já na universidade, a escritos seus no domínio da matemática financeira1. Por essa altura, creio que a única informação(?) que dele tinha era a fama que lhe advinha da elevadíssima taxa de reprovações com que brindava os seus alunos na universidade do Porto. Depois, claro, vem a sua nomeação para ministro das Finanças dos dois primeiros governos de Cavaco Silva e o seu abandono precoce (foi substituído por Miguel Beleza), em desacordo (ao tempo, de modo algo discreto) com o primeiro-ministro.

Cadilhe é um personagem desassombrado e, creio, ao longo de quase 30 anos de exposição pública, tem manifestado, como poucos, uma independência de pensamento assinalável, mesmo quando faz propostas, a meu ver, totalmente inaceitáveis. Recordo-me, por exemplo, da ideia que expôs de utilização das reservas de ouro para financiar rescisões de funcionários públicos por mútuo acordo e assim reduzir estruturalmente a despesa pública. Quer num caso como noutro se espelha a ideia de utilização das políticas one shot com o intuito de produzir resultados significativos num prazo curto.

Hoje, numa muito interessante entrevista ao Público ao i, Cadilhe é, como sempre directo: dois exemplos:
Sobre a adesão ao euro:

"[Foi] um erro estrutural... a opção política de entrar na união monetária e na moeda única(...) O erro histórico... foi a desproporção entre a moeda única e a nossa estrutura produtiva. (...) Avisei que, com a moeda única, iríamos ter mais défices externos, menos PIB efectivo, menos PIB potencial, menos emprego. Chamaram-me eurocéptico e outros mimos que me colocavam a nadar contra-a-corrente."

Sobre o BPN e respondendo à pergunta "O pior negócio para oso contribuintes chama-se BIC?", Cadilhe responde, retomando anteriores declarações:

"Não. Chama-se nacionalização. Ou se quiser, chama-se Sócrates, Teixeira dos Santos, Constâncio, a brilhante trindade que contemplou a coisa e contemporizou durante anos, agitou-se e assustou-se connosco no Verão de 2008, negou-se então a assumir o erro das omissões ou cumplicidades passadas, alegou um absurdo risco sistémico, decretou apagar todos os pecados, e nacionalizou. Um erro calamitoso."
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1Engraçado que, bem mais de 30 anos passados, tenha voltado às suas sebentas para dar uma ajuda aos meus filhos, já universitários.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Grave para quem?

Ainda na sequência disto, segundo o Jornal de Negócios, a Nissan terá considerado que a medida que põe "fim [a]os incentivos aos veículos eléctricos [no final do corrente ano] é grave". Grave para quem? Certamente que não para os contribuintes...

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Eu, votante em 5 de Junho, me confesso

Li, com atenção e interesse, este post e a troca de argumentos que se lhe seguiu na caixa de comentários. Como julgo que seria expectável, a quem por aqui passa com alguma regularidade, votei no domingo no PSD com o objectivo explícito de correr com a personalidade trapaceira, imoral e orwelliana que desgraçadamente comandou os destinos do país nos últimos 6 anos. Isso não obsta a que continue a pugnar por um crescente recuo do Estado (razão por ter escrito isto ainda no Domingo passado). O que está longe de estar assegurado, pelo menos num grau significativo, no quadro saído das eleições de Domingo.

Como escreve Ventura Leite, no Público de hoje:
[O] acontecimento político mais importante que deriva das eleições de 5 de Junho não é a escolha de uma maioria PSD/CDS, mas a libertação do país da presença mistificadora e profundamente ruinosa de José Sócrates.
(...) No dia 5 de Junho os portugueses ajudaram a libertar o país para podermos cuidar dos portugueses e tratar do futuro. Mas os partidos ainda não mudaram com estas eleições...

quinta-feira, 2 de junho de 2011

O dia depois

Pedro Lomba escreve hoje, no Público, mais uma magnífica crónica onde põe o dedo na maior ferida (entre tantas...) que Sócrates abriu em Portugal e que mais tempo irá demorar a sarar. Já por várias vezes me referi por aqui a esta questão embora em termos muito longe da elegância e profundidade da escrita de Lomba. A crónica de hoje termina assim (realce meu):
A crise que ele [José Sócrates] nos deixa não está apenas nos números da economia. É uma crise do nosso reduzido estado de consciência. Sócrates venceu, porque nos pôs a pensar como ele, semiconscientes, semiadormecidos, ouvindo e falando maquinalmente. É o que nos fez seguir esta campanha como analistas de percepções e de gaffes, obcecados com a eficácia, como se fôssemos o júri de um reality show de marketing político. 
De certa forma, o problema nunca foi Sócrates, mas saber que Sócrates explorou as brechas da nossa democracia, que o napalm está aí para quem o souber usar. Deixa-nos num tal desalento ético, numa tal fractura, que a reconstrução será mais difícil. Mesmo sem Sócrates, porque os seus vestígios não irão desaparecer tão cedo.

Dos limites da desfaçatez (21)

Memorando com o FMI: Governo acordou redução "significativa" da taxa social única com a troika

Durante a campanha eleitoral e nomeadamente durante o debate com Francisco Louçã, José Sócrates recusou uma descida significativa da TSU (posteriormente por ele classificada como "pequena" e "gradual" descida) pois tal signicaria "transferir a diminuição dos impostos das entidades patronais para um aumento dos impostos da generalidade dos portugueses, através de uma subida do IVA."