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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Novidades teóricas-práticas do crescimento e desemprego

Uma de índole doméstica, que deriva de uma inabalável fé nas virtudes da despesa pública já não apenas por "opção ideológica" mas agora também por mero "realismo". António José Seguro, resolveu escrever uma carta à troika queixando-se dos efeitos da política por ela prescrita (cujos termos, não o esqueçamos, foram no essencial fixados no "turno" de Sócrates/Teixeira dos Santos) e que classifica de austeridade expansionista recorrendo à figura, particularmente adequada, do oxímoro1. É mais um afloramento das teorias crescimentistas que tão boa conta têm dado de si - agora como no passado -, desta vez veiculadas sob forma epistolar. Enfim, já sabemos que do PS não vem muito mais que isto, para além da sua responsabilidade directa em 3 (três) pré-bancarrotas em pouco mais de 30 anos.

Além fronteiras, o fustigador-mor das políticas de "austeridade expansionista" (por exemplo, aqui onde cita "contra-evidências"1 ou aqui, entre as múltiplas investidas publicamente conhecidas) trouxe-nos ontem uma crónica histórica: Paul Krugman, pelo seu próprio punho, admite finalmente que já não é economista. Assim, e contrariamente ao que o próprio escreveu no seu manual universitário quanto aos efeitos não-intencionais (diminuição dos níveis de emprego) em consequência de aumentos mandatórios do salário mínimo, vem agora desdizer-se clamando que a recente proposta de Obama, anunciada no último discurso do Estado da União, de aumentar o salário mínimo é, afinal, uma "good policy".
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1Que os economistas empiricistas adoram criar e debater.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

As folgas de António José Seguro

António José Seguro, a 8 de Novembro de 2011, em entrevista à TVI, afirmava que o OE 2012 estava almofadado com uma "folga" de 900 milhões de euros pelo que seria possível, em 2012, "devolver" um dos subsídios aos funcionários públicos evitando assim esse desnecessário sacrifício (não era o próprio governo, afinal, que queria ir além da troika?). Esta teoria da "folga" tinha aliás sido, uns dias antes, divulgada por um grupo de trabalho do PS que apontava mesmo para um valor seguramente superior a mil milhões de euros e acusava ainda o governo de proceder a "um empolamento nas projecções para a queda das receitas fiscais"!

Com as sucessivas divulgações das sínteses da execução orçamental (hoje saiu a referente ao período de Janeiro a Agosto), esta "teoria da folga" foi compreensível e rapidamente engavetada (mas não morta). Adoptando o conhecido provérbio "enquanto o pau vai e vem, [o PS] folga as costas", Seguro reciclou-a numa outra variante: a da "teoria da folga externa". Nesta, será agora o recurso à generosidade  do BCE e às prestimosas "políticas de crescimento e emprego"(?!) de Bruxelas que nos evitarão "desnecessários" sacrifícios.

Pobre país!

segunda-feira, 23 de julho de 2012

A inversão dos termos

Segundo noticia o Expresso, para o líder do PS, António José Seguro, "A austeridade não pode destruir o Estado Social". Pias palavras.

Pelo contrário: será a tentativa de manter o Estado "social" em níveis semelhantes aos actuais, coisa que o governo actual, de resto, prossegue com afinco, que nos irá impor crescentes doses de "austeridade", ou seja, de realidade. Lembram-se de Medina Carreira?

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Descobrir as diferenças

António José Seguro, em entrevista ao Diário Económico, em 03-07-2012:
"A banca tem feito um grande esforço no sentido de cumprir os objectivos que estão fixados. Mas uma parte do cumprimento desses objectivos, nomeadamente no rácio entre depósitos e dinheiro na economia tem sido à custa de retirar dinheiro à economia. (...) [D]everiam ser identificados sectores e empresas onde, de uma forma muito criteriosa, se deveria ter emprestado e não deveria ter faltado crédito. Conheço empresas que tinham encomendas para exportar e que sentiram enormes dificuldades em aceder ao crédito. Ora, isto é um crime."
Argentina, 05-07-2012, via Reuters: banco central dá 6 meses aos bancos para concederem crédito às empresas. As taxas de juro a praticar devem estar abaixo da inflação e os empréstimos, no ontante equivalente a 5% dos depósitos bancários, têm de ser concedidos até 31 de Dezembro.
Argentine banks must offer to lend companies 15 billion pesos ($3.3 billion) by the end of the year at rates well below private inflation estimates, a central bank statement said on Thursday.

The statement came after President Cristina Fernandez announced on Wednesday that banks would have to lend cheaply to businesses to help bolster a flagging economy.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Vergonha! (corrig.)

Retirado daqui, hoje, às 13:25
É absolutamente inacreditável que o senhor na foto ainda não tenha anunciado a retirada da sua candidatura (por "escolha pessoal" de António José Seguro) ao Tribunal Constitucional. Alguém que tem o desplante de incluir na sua formação académica a qualidade de Candidato ao Doutoramento com início em 2011/2012 quando não há doutoramentos em curso na Faculdade de Direito da Católica; alguém que é dado como consultor da sociedade de advogados ABBC mas que, de acordo com o próprio Rogério Alves, conforme refere o Público na sua edição em papel, "é seu estagiário, encontrando-se na primeira fase do estágio [o que] significa que se inscreveu há menos de seis meses"; alguém que se intitula juiz mas cuja qualidade não pode invocar; alguém que, de acordo com o Tribunal de Contas (Público de hoje), não tinha competência, enquanto titular da Secretaria de Estado da Justiça, para autorizar um contrato de arrendamento na Amadora, pelo que violou a lei da despesa e contratação pública, a lei do enquadramento orçamental e a do património imobiliário público; que autorizou a compra de carros novos de que foi um dos "usufrutuários", etc.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Conúbios

Seguro: Nomeações demonstram apropriação pelas clientelas dos partidos do Governo.

O facto de Seguro e o PS não terem uma réstia sequer de autoridade para falar de "clientelas", não deverá impedir uma reflexão quanto às razões pelas quais, como reparava Marcelo Rebelo de Sousa há pouco, uma empresa privada - a EDP - nomeia para os seus órgãos sociais um conjunto de pessoas totalmente alinhadas com a actual Situação, como se a empresa permanecesse pública. A meu ver, a resposta é só uma e é velha de décadas: trata-se da antecipar uma troca de favores: o artigo de um decreto ou um parágrafo de uma portaria. 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Originalidades

Seguro defende sanções para países com excedente financeiro (realces meus)
"Não entendo porque não se fala em sanções para quem tem excedentes e não os coloca ao serviço da economia"

A propósito da emissão de moeda por parte do BCE: "o preço a pagar é muito inferior se for um bocadinho de inflação do que os sacrifícios que se estão a pedir as pessoas".

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Tirar o cavalo da chuva

é o título do artigo de Vasco Pulido Valente, hoje, no Público. Destaco o seguinte trecho:
Que querem eles - Seguro, Cavaco e Policarpo? Amolecer o duríssimo coração de Passos Coelho e Vítor Gaspar? Salvar o povo português de um destino imerecido e horrendo? Não parece. Eles querem, na essência, e para usar um imperdoável plebeísmo, tirar o cavalo da chuva.

António José Seguro quer demonstrar que "não se rende" ao PSD e CDS e que, sem prejudicar o seu notório sentido de responsabilidade (imprescindível para voltar ao poder), continua de esquerda. Entretanto, as propostas para amaciar o Orçamento sossegam o partido e, com sorte, se as coisas correrem mal, talvez lhe arranjem um lugarzinho na coligação. Numa coligação PSD-PS-CDS era onde Cavaco gostava de os ver aos três, sob o alto patrocínio dele e sem sarilhos (principalmente na rua) que o perturbassem até ao fim do mandato. A isto chama ele "equidade". E a Igreja concorda, porque a reforma ou o conflito a põem num dos sítios onde ela sempre odiou estar. Mais precisamente, de um lado ou do outro. Passos Coelho que fique com o odium. Estes três santinhos ficarão com as rezas.
Subscrevo.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

António José Seguro tem uma ideia

mas é péssima. O secretário-geral do PS, que anda por aí a insurgir-se contra os líderes europeus e mundiais por não promoverem "políticas de crescimento" nem criarem condições para injectar "liquidez" nas empresas, não compreende por que razão o BCE não põe as rotativas a trabalhar a grande velocidade. Está-se mesmo a ver que tipo de "crescimento" advirá de tais políticas...

domingo, 18 de setembro de 2011

Exotismos

Não, senhor. A palavra que melhor define o congresso do PS não é renovação. Nem humildade. Nem ética. A palavra é, com o devido respeito, lata. Ou, para os que não apreciam jargão, descaramento. Três meses após terem sido enxotados do poder por incompetência e coisas piores, os socialistas acham-se no direito de passear indignação face ao rumo do país como se a autoria do desastre lhes fosse alheia. Aparentemente, a substituição do eng. Sócrates por quem passou os últimos seis anos a esperar na sombra transforma imediatamente o PS numa agremiação de virgens.

Não transforma. Num lugar menos exótico, muitas das sumidades participantes do congresso de Braga, integrantes ou não das "listas" vencedoras, estariam sentadas num recinto, sim: o tribunal, a responder pelos erros, pelas mentiras, pela manipulação e pela prepotência que conspiraram para erguer o risonho Portugal de 2011.
Alberto Gonçalves, DN. 2011-09-18