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quinta-feira, 5 de julho de 2012

De encomenda não viria melhor para o Governo

E assim se foram também os subsídios de Natal e de férias dos que trabalham no sector privado. Satisfeito deve ter ficado Cavaco, mas o Governo é, de longe, o principal beneficiado com a decisão do Tribunal Constitucional. O país, esse, ficou uma vez mais a perder. A título da "equidade", calcule-se!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Uma pergunta pertinente

Há uns meses, depois disto, escrevi: "[h]oje, o "combate" ao "enriquecimento ilícito" dos políticos. Amanhã, de todos nós. Obsceno." Não imaginava, que apenas poucas semanas volvidas, a (fácil) "profecia" já se teria concretizado. É pois caso para perguntar, como faz Carlos Guimarães Pinto, Onde estão os liberais?

Esperemos que Cavaco Silva faça o mínimo que se impõe: suscitar a apreciação da lei pelo Tribunal Constitucional.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

De "agenda" em "agenda"

até ao desastre final: Cavaco Silva quer “agenda para o crescimento da economia e para o emprego”.

Não cabe ao governo - a este ou outro qualquer - determinar uma "agenda" para o crescimento económico. Os governos não criam riqueza, destroem-na. A única "agenda" útil é a que corresponderia ao desmantelamento dos disformes edifícios regulatório e fiscal existentes que não cessam de crescer (apesar da fantasmática "agenda" neoliberal que nos teria governado desde Reagan e Thatcher). E este é tanto um problema português, quanto europeu (alguém se lembra já da "agenda de Lisboa?) e mesmo do mundo ocidental (a "agenda verde" de Obama ou de Cameron, por exemplo).

domingo, 27 de novembro de 2011

A ascensão de Cavaco ao céu

por Vasco Pulido Valente, no Público de hoje:
O sr. doutor Cavaco Silva, professor de finanças, que, na sua primeira campanha para a Presidência, prometeu um Portugal próspero e moderno, nada fez desgraçadamente no seu primeiro mandato para, pelo menos, garantir que Portugal não acabava na miséria. Ao contrário do frenesim em que anda hoje, quase só saiu de Belém para cerimónias sem utilidade ou sentido e não abriu a boca para avisar o país do sarilho em que se estava a meter. O exímio professor de finanças, que presumivelmente não ignorava a dimensão do défice e da dívida, não preveniu o público do que se passava, nem das desgraças que daí lhe podiam vir. Havia uma boa razão para isso. O doutor Cavaco queria, em primeiro lugar, ser reeleito para Belém e não lhe convinha perder um único voto à esquerda ou à direita.
Mas depois, livre de eleições, resolveu meter a colher na sopa. Talvez seja bom perceber o que lhe interessa. Em primeiro lugar, ele gostava de sair da política com a reputação de ser um homem ecuménico, estimado e respeitado pela maioria dos portugueses. Em segundo lugar, como agora se vê, pretende adquirir uma autoridade na "Europa" que não o reduza indefinidamente às dimensões de um político de província. Se hoje o ouvimos preopinar constantemente sobre a intolerável existência do "directório" Merkel-Sarkozy, sobre o papel passivo do BCE, ou sobre eurobonds, a razão não é outra. Cavaco tenta sobressair e, com alguma sorte, apesar da insignificância de Portugal, ascender ao estatuto de consciência e mestre da "Europa". A sua vertiginosa vaidade precisa de consolo.

De resto, para pôr as coisas no seu devido pé, o prof. Cavaco não hesitou em repreender Merkel e Passos Coelho pelo seu desconhecimento em economia e finanças. Segundo ele, não existe o menos risco em transformar o BCE num lender of last resort, como os bancos centrais da América, da Inglaterra ou do Japão. Quem por aí se angustia, ou se assusta, com o espectro da inflação, jura ele, só consegue revelar a sua lamentável ignorância dos princípios básicos da teoria monetária. O doutor Cavaco com certeza não notou ainda que a América, a Inglaterra e o Japão têm uma moeda própria e que a "zona euro" não tem; e que dois terços da Alemanha se recusam a financiar o exercício de misericórdia que ele aconselha ao BCE. Mas para quê perder tempo em pormenores? Cavaco é grande.
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Nota: ao ler Pulido Valente, lembrei-me de ter escrito isto.

domingo, 13 de novembro de 2011

Constatações, perplexidades e conjecturas

Luís Rocha (LR), num denso mas estimulante post que só agora li: "Uma gordura chamada função pública" ou a possibilidade, remota, de Passos conseguir, contra o establishment de que Cavaco é parte integrante, reduzir o peso do Estado.

O combate entre Passos e Cavaco continua, ultrapassado que parece estar (estará mesmo?) o episódio da "equidade subsidiadita". Agora, terçando armas num combate de palavras que o comum dos cidadãos não entende, Passos faz questão de não se intimidar face a Cavaco e sobe a parada discursiva: "se o BCE tivesse por função resolver o problema dos países indisciplinados, imprimindo mais euros, pura e simplesmente esse seria um péssimo sinal".

sábado, 12 de novembro de 2011

Agora sem tergiversações (cont.)

Robert Wenzel, escreve, sob o título "Portuguese President: Mad Money Printing Needed to Solve Eurozone Crisis". Vale a pena ler na íntegra a perspectiva de um adepto da Escola Austríaca (Wenzel) sobre as propostas de um Cavaco Silva  neo-keynesiano (realce meu):
The European Central Bank can stop the spread of the Eurozone crisis with “foreseeable, unlimited” purchases of Italian and other government bonds,says Portuguese President Anibal Cavaco Silva. This, of course, means huge money printing by the European Central Bank.

Imagem retirada daqui
“The European Central Bank has to go beyond a narrow interpretation of its mission and should be prepared for foreseeable intervention in the secondary market, not as the central bank has done up to now,” Cavaco Silva said yesterday in an interview at Bloomberg headquarters.

“It has to be able to be a lender of last resort,” said Cavaco Silva, who as Portugal’s prime minister presided over the 1992 signing of the Maastricht Treaty, which cleared the way for the euro common currency. “It has to be a foreseeable, unlimited intervention.”

In an insane sort of way,Cavaco Silva is correct. The only way the Eurozone is going to be "saved" is through ECB money printing. There is no other source capable of funding the bailouts required by the Eurozone. Of course, the problem with money printing is that in addition to distorting the structure of an economy, the amount of money that would be required to be printed is so massive that price inflation would start to gallop follow the printing of such sums---and ultimately destroy the euro completely.

The only real solution is bankruptcy for the governments that can't pay their debt. The only reason this option is not being considered is because the banksters own too much of the government paper and they don't want to take the hit.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Agora sem tergiversações

Cavaco: "BCE tem de ser um emprestador de último recurso".


Ou, repristinando uma expressão conhecida, "Deixem-nos trabalhar!"


Tirar o cavalo da chuva

é o título do artigo de Vasco Pulido Valente, hoje, no Público. Destaco o seguinte trecho:
Que querem eles - Seguro, Cavaco e Policarpo? Amolecer o duríssimo coração de Passos Coelho e Vítor Gaspar? Salvar o povo português de um destino imerecido e horrendo? Não parece. Eles querem, na essência, e para usar um imperdoável plebeísmo, tirar o cavalo da chuva.

António José Seguro quer demonstrar que "não se rende" ao PSD e CDS e que, sem prejudicar o seu notório sentido de responsabilidade (imprescindível para voltar ao poder), continua de esquerda. Entretanto, as propostas para amaciar o Orçamento sossegam o partido e, com sorte, se as coisas correrem mal, talvez lhe arranjem um lugarzinho na coligação. Numa coligação PSD-PS-CDS era onde Cavaco gostava de os ver aos três, sob o alto patrocínio dele e sem sarilhos (principalmente na rua) que o perturbassem até ao fim do mandato. A isto chama ele "equidade". E a Igreja concorda, porque a reforma ou o conflito a põem num dos sítios onde ela sempre odiou estar. Mais precisamente, de um lado ou do outro. Passos Coelho que fique com o odium. Estes três santinhos ficarão com as rezas.
Subscrevo.

domingo, 23 de outubro de 2011

Contorcionismo

é o que me parece ser o exercício que Marcelo está a fazer na televisão para tentar concluir que não há problema nenhum entre o governo e o presidente da república, após a intervenção de Cavaco Silva esta semana a criticar os cortes nos salários dos funcionários públicos (e empresas públicas). O mesmo se diga deste post do meu amigo João Gonçalves.

sábado, 22 de outubro de 2011

Revisitando as forças de bloqueio

Henrique Monteiro, no Expresso de hoje. Um excerto:

Quem nos quer confundir mistura duas coisas que Silva Lopes separa: uma é saber se os cortes devem ser deste modo; outra, diferente, é saber se os cortes devem ser deste modo.
Cavaco referiu um limite aos sacrifícios, como se os cortes pudessem ser menores. Fê-lo com um timing deplorável, permitindo ao PS pôr-se de fora do OE e dando aos nossos credores mais motivos e dúvida. Para quem se queixou de forças de bloqueio...

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Uma lição

é o que António Lobo Xavier está neste momento está a proporcionar na SIC-N. Uma crítica elegante mas demolidora relativamente à intervenção de ontem do Presidente da República.

Leitura complementar: pobre e discriminado?

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Entrevista de Cavaco na televisão

Irrelevante. Falou apenas um membro de uma escola económica, sucedendo que não é a minha escola (ainda que tenha sido meu professor de finanças públicas).