quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Uma lição

é o que António Lobo Xavier está neste momento está a proporcionar na SIC-N. Uma crítica elegante mas demolidora relativamente à intervenção de ontem do Presidente da República.

Leitura complementar: pobre e discriminado?

8 comentários:

EcoTretas disse...

Demolidora mesmo!

Se eu estivesse lá, o Pacheco Pereira e o António Costa iam-se embora, e corados de vergonha...

Só tinha de lhes mostrar dois gráficos: um pie-chart do total da despesa do País durante um ano, e o custo das PPP durante as próximas duas décadas.

Deixei na wall do Presidente uma pergunta que penso poucos têm feito: onde estava a equidade de Cavaco Silva, quando permitiu o aumento dos funcionários públicos, em véspera de eleições???

Jorge Oliveira disse...

Peço desculpa mas eu vi o programa e não me pareceu que o Lobo Xavier estivesse a dar uma lição a quem quer fosse.

O que tive foi pena dele, coitado, quando se referiu, embora suavemente e quase em surdina, às “penas” por que estaria a passar com a austeridade. Ele então que ganha pouco... E em poucos carrinhos... Vergonha na cara é o que falta à nossa elite bem remunerada.

Mas no que respeita a lições sobre o assunto em apreço, se alguém as deu até foi o António Costa. E considero-me insuspeito porque gosto pouco de socialistas.

O que considero inaceitável neste processo é a existência de um conjunto de comentadores que faz os possíveis por lançar portugueses contra portugueses, acenando velhas críticas e acusações contra os funcionários públicos. Os ricos devem estar a rir-se e a agradecer tanta fumaça. Embora eu acredite que os portugueses não se deixarão ludibriar. Todos têm funcionários públicos na família e ricos nem tanto...

E se tudo isto está a acontecer é apenas porque nem o Primeiro Ministro nem o nazi das finanças tiveram a capacidade de prever as consequências de tentar sacrificar de forma brutal uma parte dos portugueses. Se o Presidente da República lhes chamou a atenção, apenas fez o que devia.

Evidentemente, são válidas as críticas ao PR por não ter puxado as orelhas ao Sócrates há muito mais tempo, para evitar chegar onde chegámos, mas isso não invalida as intervenções correctas que agora venha a ter.

Eduardo F. disse...

Caro Jorge Oliveira,

Tomo boa nota da sua leitura da "quadratura" de ontem que é, ao que agora leio, diferente da minha.

Sem querer polemizar, esta nossa discordância atesta - em demarcação de Pacheco Pereira (com quem estou frequentemente de acordo) - não há, felizmente, "pensamento único" sobre a matéria.

Anónimo disse...

Caro Jorge Oliveira,
Dois factos e deixemo-nos de argumentos bizantinos para camuflar a realidade:
1. este País tem (aproximadamente) 700.000 desempregados. Neste número não há nem um só - repito - NEM 1 SÓ (!) que lá se encontre, por ter sido despedido da Função Pública!...
2. perante a ameaça de ficarem sem o 13º e 14º mês, não conheço um único caso - e repito de novo - NEM 1 SÓ CASO (!!!!) de um Funcionário Público que tenha vindo declarar: «Este Estado paga-me menos do que aquilo que eu mereço, e portanto despeço-me, que vou ali para o Privado ganhar mais do que aquilo que ganho aqui!...».
Equidade? Mas onde é que está a equidade?????......
Em 2009 a Irlanda desceu os salários 5% (os dos políticos desceram 15%) e despediu 30.000 funcionários públicos. Aqui aumentámos 2,9% os funcionários públicos e admitimos mais gente... A população irlandesa é aproximadamente 4.500.000. Faça uma regra 3 simples e imagine o que estou a sugerir... E se pensa que é impossível atente no seguinte: no dia da Greve Geral eu (e adivinhe mais quem...) vou trabalhar para lhes pagar ordenados... E pagar a quem?
a) Ministério da Agricultura: 1 funcionário por cada 3 agricultores,
b) Ministério da Defesa: generais às «pázadas» sem tropa, e tropa sem armas,
c) Ministério da Saúde: médicos e enfermeiros em regime de rebaldaria completa (mas é possível conceber que um médico a trabalhar no SNS não prescreva exclusivamente genéricos? Se não prestam a Ordem que denuncie o caso e se prontifique a testemunhar isso mesmo em Tribunal)
d) Ministério da Justiça: tenho um processo colocado há 10 anos que ainda não chegou à barra do tribunal uma só vez... E viva o velho! Porque um familiar tem um há 20 anos na mesma situação!!!
e) Ministério da Educação: por cada professor a dar aulas tem 1 Sr. Dr. a desconstruir a Educação no Ministério...
É preciso continuar, ou já percebeu que isto é insustentável, inaceitável, e - que para pessoas que olham para Portugal como eu olho - a «mama» tem mesmo de acabar?
AM

Jorge Oliveira disse...

Caro Anónimo AM

Embora reconheça a validade de algumas das suas observações, não vou alimentar uma discussão que vai precisamente no sentido que acima lamentei e critiquei.

Apenas lhe pergunto se as coisas erradas que aponta se corrigem mediante cortes de salários e subsídios de Natal e férias.

É que, nos discursos do Primeiro Ministro, do ministro das Finanças e no próprio OE 2012, não me apercebi de que o objectivo destes cortes dramáticos fosse corrigir os malandros dos funcionários públicos que vivem à “mama”, recorrendo à sua terminologia.

Por outro lado, também não percebi que a extensão dos cortes aos pensionistas também tinha esse objectivo correcional.

Porque, se os pensionsitas oriundos do sector público trazem com eles os pecados que acima apontou, já no caso dos pensionistas oriundos do sector privado, os quais certamente o caro Anónimo não acusa de andarem a viver à “mama”, custa perceber por que razão foram também atingidos por esta fúria de redução de pensões e cortes de subsídios.

Jorge Oliveira disse...

Peço desculpa. No penúltimo parágrafo queria escrever "correccional". Eu não aderi ao Acordo Ortográfico.

Anónimo disse...

Caro Jorge Oliveira,

Vou usar o espaço com parcimónia porque não quero abusar da hospitalidade do EI, e até porque me parece, que o que nos une é mais do que o que nos separa. No entanto um dos aspectos que refere não pode passar sem uma observação. Quando menciona os pensionistas - no meu entendimento - há que distinguir entre os que auferem de uma pensão compatível com os descontos que fizeram durante uma vida de trabalho, dos que auferem uma pensão num valor muito superior aquilo que lhes corresponderia se utilizássemos o mesmíssimo critério para a determinar.

Para os primeiros a decisão do Governo é um roubo - até porque o dinheiro da SS (num Estado de Direito) é dos Contribuintes, não é dos Sr.s Cavaco, Guterres, e Sócrates. Para os segundos não é. Aliás os segundos fazem parte de um dos dois subconjuntos de portugueses que (por este mesmo motivo) viveram acima das suas possibilidades nos últimos anos. O segundo subconjunto é, obviamente, o dos funcionários públicos, por serem em número superior ao estritamente necessário à realização das funções, que o Estado Português supostamente deve realizar.

Bom Domingo,

AM

Jorge Oliveira disse...

Caro AM

Parece que, de facto, estamos a convergir.

Ressalvo, no entando que os funcionários públicos não têm responsabilidade pelo facto de o seu número ser excessivo.

Cumprimentos
JO