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segunda-feira, 22 de outubro de 2012
segunda-feira, 23 de julho de 2012
A inversão dos termos
Segundo noticia o Expresso, para o líder do PS, António José Seguro, "A austeridade não pode destruir o Estado Social". Pias palavras.
Pelo contrário: será a tentativa de manter o Estado "social" em níveis semelhantes aos actuais, coisa que o governo actual, de resto, prossegue com afinco, que nos irá impor crescentes doses de "austeridade", ou seja, de realidade. Lembram-se de Medina Carreira?
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Mais umas doses de verdade dos Velhos do Restelo
Medina Carreira:
«[A ideia de] de excesso da austeridade é uma tontice à portuguesa» pois «[a] austeridade é uma fatalidade porque não há dinheiro».Henrique Neto:
«Apesar do desemprego e das falências (...) o distrito de Leiria está numa situação mais favorável [com] as exportações a crescer[em] ao dobro da média nacional» e com o número de empresas criadas a superar o daquelas que encerram sendo que a explicação para este sucesso reside no facto de «[a] economia de Leiria não depender do Estado.»
domingo, 8 de janeiro de 2012
Medina Carreira: um homem incómodo
Há muita coisa com que eu não concordo com Medina Carreira, mas admiro a liberdade e a independência das suas opiniões decorrentes da sua não subserviência perante o poder:
sábado, 22 de outubro de 2011
Um pensamento para nos acompanhar nestes tempos
«Que os optimistas nacionais percebam o colapso do Estado Social que se avizinha mais depressa do que perceberam o colapso das Finanças Públicas que estamos a viver.»
Henrique Medina Carreira, Expresso, 22-10-2011
sábado, 1 de outubro de 2011
A lúgubre ciência e seus intérpretes
«Os economistas e espécies análogas, com a sua incerta ciência1 e a sua prática de explicar o inexplicável, têm feito muito mal ao mundo. A crise, infelizmente, multiplicou a espécie ou, pelo menos, fê-la sair dos buracos universitários e outros por onde andava escondida, escrevendo livros e artigos que ninguém lia ou a que ninguém ligava. Agora, pontifica pela televisão e pelos jornais, onde vende opiniões com a convicção com que antigamente os boticários e os médicos vendiam ervas para doenças incuráveis. O público, aterrorizado, ouve e acredita e não pergunta por que razão aqueles sábios dizem isto em vez daquilo ou, mais precisamente, porque ainda se atrevem a dizer seja o que for, quando, com toda a sua erudição e importância, nos levaram a um enorme desastre, que era seu dever evitar.
O único que nos preveniu, durante anos e com a força que as circunstâncias mereciam, acabou por ser o dr. Medina Carreira. Ora, Medina Carreira, para a agente que se acumulava nos bancos, nas universidades e no Estado (quando nãos nos três sítios ao mesmo tempo), era um excêntrico e um desequilibrado e não se devia tomar a sério.»
Vasco Pulido Valente, Público, 2011-10-01
Certíssimo no que aos media tradicionais respeita. Injusto para a não consideração de um punhado largo de bloggers (que devem inexistir, suponho, para Pulido Valente) nomeadamente os próximos da escola austríaca. Esta realidade é, também, um sinal da ortodoxia keynesiana e da "síntese neoclássica" que se mantêm, intocáveis, nos pedestais das nossas faculdades de ensino da Economia. Hoje, como há 35 anos atrás.
________________________________1 Thomas Carlyle designou-a de "dismal " que talvez se possa traduzir por "lúgubre".
sábado, 24 de setembro de 2011
Da decadência do Ocidente
Na sua coluna de opinião de ontem, sexta-feira, Vasco Pulido Valente (VPV), reconhecendo Medina Carreira (MC) como "uma das pessoas que hoje vale a pena ouvir em Portugal", examina a asserção deste último que anuncia a decadência económica do Ocidente. VPV diz que o auto-denominado "jurista que sabe fazer contas" foi inquietante. Infelizmente, não pude ouvir MC apesar da chamada de atenção que eu próprio fiz para o seu regresso regular à televisão. De qualquer modo, e com o devido respeito, creio que MC, como sempre, se limita a ser clarividente, enunciando a evidência indesmentível resultante, digo eu, da destruição sistemática e progressiva do capitalismo ocidental, numa autêntica autofagia do seu potencial de prosperidade. A meu ver, é daqui que decorre a decadência política da Europa e da América que VPV, ainda que por outra via, diagnostica. Causa e efeito. Por esta ordem.
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
terça-feira, 12 de abril de 2011
A verdade e a cantiga do bandido
Foi pedido o resgate, por Henrique Medina Carreira
«(...)Estou convencido que aquilo a que assistimos nos últimos dias é uma verdadeira operação militar e um crime contra a pátria (mais um). Como sabem há muito que ando nos mercados (quantos dos analistas que dizem disparates nas TVs alguma vez estiveram nos ditos mercados?) e acompanho com especial preocupação (o meu Pai diria obsessão) a situação portuguesa há vários anos. Algumas verdades inconvenientes não batem certo com a "narrativa" socialista há muito preparada e agora posta em marcha pela comunicação social como uma verdadeira operação de PsyOps, montada pelo círculo íntimo do bandido e executada pelos jornalistas e comentadores "amigos" e dependentes das prebendas do poder (quase todos infelizmente, dado o estado do "jornalismo" que temos).
Ora acredito que o plano de operações desta gente não deve andar muito longe disto:
Narrativa: Se Portugal aprovasse o PEC IV não haveria nenhum resgate. Verdade: Portugal já está ligado à máquina há mais de 1 ano (O BCE todos os dias salva a banca nacional de ter que fechar as portas dando-lhe liquidez e compra obrigações Portuguesas que mais ninguém quer – senão já teriamos taxas de juro nos 20% ou mais). Ora esta situação não se podia continuar a arrastar, como é óbvio. Portugal tem que fazer o rollover de muitos milhares de milhões em dívida já daqui a umas semanas só para poder pagar salários! Sócrates sabe perfeitamente que isso é impossível e que estávamos no fim da corda. O resto é calculismo político e teatro. Como sempre fez.
Narrativa: Sócrates estava a defender Portugal e com ele não entrava cá o FMI. Verdade: Portugal é que tem de se defender deste criminoso louco que levou o país para a ruína (há muito antecipada como todos sabem). A diabolização do FMI é mais uma táctica dos spin doctors de Sócrates. O FMI fará sempre parte de qualquer resgate, seja o do mecanismo do EFSF (que é o que está em vigor e foi usado pela Irlanda e pela Grécia), seja o do ESM (que está ainda em discussão entre os 27 e não se sabe quando, nem se, nem como irá ser aprovado).
Narrativa: Estava tudo a correr tão bem e Portugal estava fora de perigo mas vieram estes "irresponsáveis" estragar tudo. Verdade: Perguntem aos contabilistas do BCE e da Comissão que cá estiveram a ver as contas quanto é que é o real buraco nas contas do Estado e vão cair para o lado (a seu tempo isto tudo se saberá). Alguém sinceramente fica surpreendido por descobrir que as finanças públicas estão todas marteladas e que os papéis que os socráticos enviam para Bruxelas para mostrar que são bons alunos não têm credibilidade nenhuma? E acham que lá em Bruxelas são todos parvos e não começam a desconfiar de tanto óasis em Portugal? Recordo que uma das razões pela qual a Grécia não contou com muita solidariedade alemã foi por ter martelado as contas sistematicamente, minando toda a confiança. Acham que a Goldman Sachs só fez swaps contabilísticos com Atenas? E todos sabemos que o engº relativo é um tipo rigoroso, estudioso e duma ética e honestidade à prova de bala, certo?
Narrativa: Os mercados castigaram Portugal devido à crise política desencadeada pela oposição. Agora, com muita pena do incansável patriota Sócrates, vem aí o resgate que seria desnecessário. Verdade: É óbvio que os mercados não gostaram de ver o PEC chumbado (e que não tinha que ser votado, muito menos agora, mas isso leva-nos a outro ponto), mas o que eles querem saber é se a oposição vai ou não cumprir as metas acordadas à socapa por Sócrates em Bruxelas (deliberadamente feito como se fosse uma operação secreta porque esse aspecto era peça essencial da sua encenação). E já todos cá dentro e lá fora sabem que o PSD e CDS vão viabilizar as medidas de austeridade e muito mais. É impressionante como a máquina do governo conseguiu passar a mensagem lá para fora que a oposição não aceitava mais austeridade. Essa desinformação deliberada é que prejudica o país lá fora porque cria inquietação artificial sobre as metas da austeridade. Mesmo assim os mercados não tiveram nenhuma reacção intempestiva porque o que os preocupa é apenas as metas. Mais nada. O resto é folclore para consumo interno. E, tal como a queda do governo e o resgate iminente não foram surpresa para mim, também não o foram para os mercados, que já contavam com isto há muito (basta ver um gráfico dos CDS sobre Portugal nos últimos 2 anos, e especialmente nos últimos meses). Porque é que os media não dizem que a bolsa lisboeta subiu mais de 1% no dia a seguir à queda? Simples, porque não convém para a narrativa que querem vender ao nosso povo facilmente manipulável (julgam eles depois de 6 anos a fazê-lo impunemente)(...)»
terça-feira, 5 de abril de 2011
Silva Lopes: "Tenho mais medo" que o FMI não venha
Silva Lopes foi outro dos meus professores na Faculdade, salvo erro, da cadeira de Política Monetária (de zero utilidade directa para nós, hoje, por termos abandonado o escudo). É um homem encantador, profundamente conhecedor da economia portuguesa, que nunca fala de cátedra e evita o recurso ao economês. Mas Silva Lopes que, agora e bem, afirma o titulado, desvalorizou durante muito tempo o nosso problema. Recordo-me até, num dos programas "Plano Inclinado", em que recusava a visão "catastrofista" de Medina Carreira relativamente à indispensável redução do nosso Estado "social", "apelava" à ocorrência de um milagre. As suas declarações de que a crise actual não é da responsabilidade "deste Governo", porque "já foi criada por governos anteriores", não pode deixar de ser vista como contribuindo para a desresponsabilização do insofismável grande culpado: o trampolineiro José Sócrates
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Mais uma voz a falar alto
Já talvez há um par de anos que Daniel Bessa (ministro da Economia num governo Guterres) se tem vindo a demarcar, de forma crescente, da governação Sócrates. Porém, creio que nunca foi "brutal" (à Medina Carreira) quanto agora: «[n]este momento, a economia portuguesa não só não consegue sustentar esse Estado, como está a ser aniquilada por ele».
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Uma verdade muito inconveniente
O Inenarrável(*) que desgraçadamente nos governa(?) descobriu agora que "o crescimento económico e a redução do endividamento externo de Portugal" resultarão do aumento das exportações portuguesas. Para tal, entendeu dar "um primeiro sinal" ao reunir-se com as maiores empresas exportadoras "nacionais" (Repsol, Autoeuropa, Bosh Car Multimedia, Peugeot Citroen...) para "delinear" uma estratégia que "potencie" as exportações nacionais. Anunciou também que o objectivo do governo é "facilitar o emprego e o trabalho" mas através de medidas "exequíveis" e "pragmáticas".
Potenciar, dinamizar, delinear, facilitar. Estes são os verbos socráticos, os do desgoverno. O que o país precisa, isso sim, é que o governo não atrapalhe, não esteja permanentemente a mudar as regras do jogo e desista de intervir em todos os sectores aos diferentes níveis.
Hoje instalou-se entre nós uma explicação relativamente cómoda para explicar a estagnação em que vivemos nos últimos 10 anos: a adesão ao euro, ao tornar impossível o recurso à desvalorização, retirou-nos o único mecanismo verdadeiramente eficaz para repormos a nossa competitividade externa. Este facto, conjugado com o deslumbramento de um "acréscimo" de riqueza motivado pela a brutal descida da taxa de juro, transportou-nos para o descalabro em que temos vivido, muito em especial, quanto ao desequilíbrio nas contas externas.
Mas o problema é, a meu ver, bem mais profundo e advém de termos construído um Estado "social" crescentemente incompatível com a debilidade do nosso tecido económico. É, aliás, o que Medina Carreira não se tem cansado de chamar a atenção.
Em Welfare state crack-up, o articulista, George Bragues, da Universidade de Guelph-Humber em Toronto, num artigo inteiramente dedicado ao nosso país, termina-o escrevendo:
(*) - Na sintética e feliz cunhagem de José, do blogue PortadaLoja.[As] Portugal's ranking in the Heritage Foundation economic freedom index fell from 38th place in 1995 to its current standing at 62nd. The country's adoption of the euro also bought some time by reducing debt-servicing costs. Figuring that giving up its own currency would force the government to implement market reforms, instead of resorting to the previous ways of depreciation, the bond market lowered the risk premium charged on Portuguese debt. But few reforms were made.
Unlike other developed nations, Portugal built its welfare state on a relatively weak economic foundation. Hence, it is among the first to have run into difficulties, making it a harbinger of the coming crack-up in social democracy. What Portugal can, and must, do is show the way out of this morass by truly completing its revolution and extending the freedom that its people won in the political sphere to their economic lives as well.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Epifania e descida dos salários
Não é que seja homem para tal, mas há como que uma justiça divina que finalmente se aplica quando hoje, em pleno edifício da Assembleia da República, faz o seguinte alerta aos deputados da nação: «Estamos a caminhar para uma tragédia do Estado Social, são seis milhões de pessoas que estão penduradas nele. Se os senhores não fizerem nada vão enfrentar um problema social gravíssimo».
Adenda: através de Helena Matos, cheguei aqui (sugestão de Miguel Frasquilho no último congresso do PSD). Vem a propósito.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
A "vitória" que Medina Carreira não procurava
Gráficos da autoria de Luís Aguiar-Conraria (via Oinsurgente)
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