Mostrar mensagens com a etiqueta Ron Paul. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ron Paul. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

O programa de Tom Woods - 1000

"A liberdade de ser inteligente"

Partilhamos com os nossos leitores o programa de celebração dos mil programas de Tom Woods. Não me é possível recomendar mais a audição e o acompanhamento dos programas e do pensamento de Tom Woods e dos seus convidados.
O registo de conversa frontal, irónica e inteligente não tem, para mim, nada que lhe compare. É um bálsamo para pensar, sendo capaz de manter uma relação natural com os patronos e patrocinadores do programa que inspiram todos aqueles que pretendem - de modo independente e crítico - produzir conteúdos e analisar ideias. Por muito polémicas que elas possam ser aos olhos do asfixiante politicamente correcto.
Com introduções de Ron Paul e Hermann Hoppe, entre outros, o programa é imperdível. Uma excelente celebração da palavra e pensamento livres, com muito humor.

Que Woods continue por muitos mais programas, livros e artigos. Quem sabe - até - dando um contributo qualitativo mais directo ao domínio da política. Quem sabe? Será que... alô, Eduardo?



quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Lições de Paris

Do mesmo modo que, agora que os preços do petróleo não param de afundar, não surpreende que surjam vozes a defender o aumento dos impostos sobre os combustíveis ("porque não seria doloroso"), parece-me evidente que o resultado último do obsceno e intolerável ataque terrorista à Charlie Hebdo consistirá, em nome da "nossa segurança", numa ainda maior redução da liberdade e privacidade de todos. Como Jonathan Turley escreveu no Washington Post, "a maior ameaça à liberdade de expressão provém não do terrorismo mas dos governos" (atente-se na evolução do Índice de Liberdade de Imprensa, nomeadamente, nos EUA, em França ou no Reino Unido.)

As acções têm consequências, sendo que estas últimas são com frequência não-intencionadas e tantas vezes contraproducentes relativamente aos objectivos anunciados pelos governos que as iniciaram. Com a autoridade de alguém que há bem mais de 40 anos chama a atenção para este facto, o texto de Ron Paul que achei por bem partilhar (minha tradução) merece a nossa reflexão.

12 de Janeiro de 2015
Por Ron Paul

Ron Paul
Após o trágico tiroteio numa revista de índole provocatória em Paris na passada semana salientei, atentas as posições francesas na política externa, que é necessário considerar o blowback [efeito de bumerangue não previsível - NT] como um factor. Aqueles que não compreendem o blowback lançaram-me a ridícula acusação de estar a desculpar o ataque ou mesmo a culpar as vítimas. O que é um absurdo, uma vez que abomino a iniciação da força para além de que a polícia não culpa as vítimas quando investiga o motivo de um criminoso.

Os media convencionais imediatamente decidiram que o tiroteio foi um ataque à liberdade de expressão. Muitos nos EUA preferiram esta versão de "eles odeiam-nos por causa das nossas liberdades", a afirmação proferida pelo presidente Bush após o 11 de Setembro. Eles expressaram solidariedade para com os franceses e prometeram lutar pela liberdade de expressão. Mas não repararam essas pessoas que a Primeira Emenda é rotineiramente violada pelo governo dos EUA? O presidente Barack Obama fez mais vezes uso da Lei de Espionagem [de 1917 - NT] que todas as administrações anteriores no seu conjunto para silenciar e encarcerar os denunciantes. Onde estão os protestos? Onde estão os manifestantes a exigir a libertação de John Kiriakou, que denunciou a utilização pela CIA do waterboarding [simulação de afogamento - NT] e de outras formas de tortura? O denunciante foi preso enquanto que os torturadores não serão processados. Protestos? Nenhum.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Iraque e Irão: aprender com os erros ou voltar a repeti-los?

Minha tradução do texto de Ron Paul, Iraq: The "Liberation" Neocons Would Rather Forget (Iraque: a "libertação" que os neocons prefeririam esquecer). Por cá, a par do cada vez mais "progressista" Público, também há quem sustente, aparentemente em quadrantes diversos, que se devia ter insistido ainda um "pouco" mais, à semelhança do que se perspectiva para o Afeganistão. Nada aprenderam. Também aqui, segundo eles, e à semelhança do dogma keynesiano, o problema não está - nunca está - na medicina, antes na dose prescrita.
5 de Janeiro de 2014

Recordam-se de Falluja? Pouco depois da invasão do Iraque, em 2003, os militares dos EUA dispararam sobre manifestantes desarmados, tendo matado pelo menos 20 pessoas e ferido dezenas de outras. Em retaliação, os iraquianos locais atacaram uma coluna de "contratados" [neste contexto, figuras entre civis e mercenários pertencentes a empresas privadas(?)] pelos militares dos EUA, matando quatro deles. Os EUA, de seguida, lançaram um ataque em força sobre Falluja para retomar o controlo, o que provocou a morte a, talvez, 700 iraquianos e praticamente à destruição da cidade.

Ron Paul
De acordo com às notícias da imprensa do passado fim-de-semana, Falluja está agora sob o controlo de grupos afiliados da Al-Qaeda. A província de Anbar, onde se localiza Falluja, está sitiada pela Al-Qaeda. Durante a "surge" ["onda"] de 2007, mais de mil militares americanos foram mortos na "pacificação" da província de Anbar. Apesar de Al-Qaeda não estar presente no Iraque antes da invasão dos EUA, ela está agora a efectuar a sua própria surge em Anbar.

Para o Iraque, a "libertação" dos EUA está a revelar-se muito pior que o autoritarismo de Saddam Hussein, e continua a piorar. O ano que passou foi o mais letal no Iraque nos últimos cinco anos. Em 2013, os combates e as explosões de bombas custaram a vida a 7.818 civis e a 1.050 membros das forças de segurança. Só em Dezembro, perto de mil pessoas foram mortas.

Lembro-me de estar presente em muitas audições no Comité de Relações Internacionais da Câmara [dos Representantes] onde se elogiava a "surge", a qual, diziam-nos, assegurou aos EUA uma vitória no Iraque. Eles também elogiaram o chamado "despertar", que foi realmente um acordo firmado com insurgentes [sunitas] para pararem de lutar em troca de dólares. Eu sempre me perguntei o que sucederia quando os dólares deixassem de surgir.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Citação do dia (150)

"Não constitui um acaso que o século da guerra total tenha coincidido com o século da banca central."
Ron Paul

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

"Depois de 100 anos de fracasso, é hora de acabar com o Fed!"

Minha tradução do texto de um homem, Ron Paul, que pôs milhões na América a gritar "End the Fed" e cujas sementes continuam a germinar.

Por cá, volto a fazer notar que aqueles que mais têm os pobres na boca e na pena são exactamente os mesmos que eregem os banqueiros centrais aos novos deuses do Olimpo. A bem da redistribuição da riqueza dos pobres para os ricos.
Ron Paul
De hoje a oito dias, o Sistema da Reserva Federal irá celebrar o 100º aniversário da sua fundação. Resultado das negociações secretas entre os banqueiros e os políticos em Jekyll Island, a criação do Fed estabeleceu um cartel bancário e um conselho de supervisores de nomeação governamental cujo poder não tem parado de crescer ao longo dos anos. Poder-se-ia pensar que este aniversário pudesse vir a desencadear alguma espécie de tomada de consciência pública do crescimento do Fed de um quase-agente do Departamento do Tesouro com a missão de proporcionar uma moeda elástica, a uma instituição independente de facto que assumiu o controlo total da economia por via do seu planeamento central monetário. Mas tal como sucedeu com a criação do Fed, o seu 100º aniversário corre o risco de passar quase despercebido.

Tal como sucedeu com muitas outras peças legislativas terríveis e inconstitucionais, o projecto de lei que criou o Fed, o Federal Reserve Act, foi aprovado sob uma grande pressão, em 23 de Dezembro de 1913, nos momentos que antecederam a suspensão das actividades do Congresso pelo Natal, quando muitos dos seus membros já não estavam presentes aquando das votações finais. Este método dissimulado de pressionar o Congresso para aprovar o Federal Reserve Act num tal prazo forneceria um prenúncio dos efeitos insidiosos do Fed sobre a economia dos EUA - com acções levadas a cabo sem transparência.

Formado ostensivamente com o objectivo de prevenir a eclosão de crises financeiras como o Pânico de 1907 [link], o Fed veio a tornar-se cada vez mais poderoso ao longo dos anos. Em vez de prevenir crises financeiras, porém, o Fed tem constantemente provocado novas crises. Poucos anos depois da sua criação, a política monetária inflacionária do Fed para ajudar a financiar a I Guerra Mundial levou à Depressão de 1920 [link]. Depois da economia ter recuperado daquele episódio, uma nova injecção de dinheiro fácil e de crédito por parte do Fed levou aos Loucos Anos 20 [link] e à Grande Depressão, a pior crise económica da história americana.

Mas muito embora o Fed tenha continuado a cometer os mesmos erros repetidamente, nunca ninguém em Washington questionou a sabedoria da existência de um banco central. Pelo contrário, na sequência de cada episódio, mais e mais poder sobre a economia foi concedido ao Fed. Apesar do Fed ter provocado a estagflação [link] da década de 1970, o Congresso decidiu atribuir formalmente à Reserva Federal, em 1978, o mandato de manutenção do pleno emprego e de preços estáveis combinando-o com o constante adicionar de regulamentações horrendamente prejudiciais. Caso para falar dos loucos a tomar conta do asilo!

Estamos agora a colher os efeitos nocivos de um século de política monetária acomodatícia, quando a nossa economia continua atolada na mediocridade e está totalmente dependente de um fluxo de dinheiro fácil proveniente do banco central. Há um século atrás, os políticos não conseguiram compreender que os pânicos financeiros do século XIX foram causados pelo conúbio entre o governo e o sector bancário. O monopólio crescente do estado sobre a criação da moeda, as elevadas barreiras à entrada no sector bancário para proteger os incumbentes politicamente favorecidos, e o tratamento preferencial para a dívida pública combinaram-se para criar um sistema bancário frágil e propenso a pânicos. Soubessem então os legisladores o que sabemos agora, poderíamos esperar que nunca teriam criado o Sistema da Reserva Federal.

Hoje, todavia, já não nos deixamos levar. Sabemos que a Reserva Federal continua a reforçar o conluio entre os bancos e os políticos. Sabemos que a política monetária inflacionária do Fed continua a proporcionar lucros a Wall Street enquanto empobrece a Main Street. E sabemos que o actual regime monetário está à beira de um precipício. Cem anos é tempo suficiente. End the Fed.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

O Fed é o Robin Hood às avessas

De modo algum fico espantado pelo facto de não conseguir encontrar, em páginas portuguesas na internet, uma referência a esta confissão pública no Wall Street Journal (Andrew Huszar: Confessions of a Quantitative Easer), publicada no passado dia 11 de Novembro do corrente. Isto porque creio ser bem provável que tal "esquecimento" não seja alheio à visão hagiográfica dos nossos media relativamente aos banqueiros centrais, partilhada por todos aqueles (por exemplo, "Mario Draghi, uma vez mais, esteve à altura da situação") que acham têm fé em que uns adequados passes de alquimia possam substituir as dores próprias de enfrentar a realidade. Não surpreende pois que se procure evitar o que quer que seja que ponha em causa a imensa e inestimável sabedoria e compaixão dos pontífices em exercício (aqui bem patentes).

Ron Paul há décadas que vem dedicando boa parte da sua vida pública a desmontar esta tão idílica quanto falsa perspectiva da prestidigitação monetária dos supostos illuminati. Volta a fazê-lo em Federal Reserve Steals From the Poor and Gives to the Rich, texto de que achei útil proporcionar uma tradução.
18 de Novembro de 2013

Na quinta-feira passada, o Comité de Assuntos Bancários do Senado iniciou a audição de Janet Yellen no seguimento da sua indigitação para presidente da Reserva Federal. Como se esperaria, a Sra. Yellen referiu que iria continuar a política de "flexibilização quantitativa" do Fed (QE [Quantitative Easing]), apesar do fracasso da QE na melhoria da economia. Por coincidência, dois dias antes das audições a Yellen, Andrew Huszar, um ex-funcionário do Fed, pediu publicamente desculpas [link acrescentado] ao povo americano pelo seu papel na QE. O Sr. Huszar chamou à QE "o mais secreto resgate a Wall Street de todos os tempos".

Há não mais de cinco anos atrás [alusão à primeira candidatura de Ron Paul à presidência dos EUA, em 2008], teria sido inédito ouvir um conhecedor [do funcionamento por dentro] de Wall Street e ex-funcionário do Fed a falar tão abertamente do modo como o Fed age como um Robin Hood às avessas. Mas um rápido olhar para os números mais recentes do desemprego mostra que a QE não está a beneficiar o americano médio. É cada vez mais óbvio que a política de resgates do Fed pós-2008, a "impressão" de dinheiro [a partir do nada] e a compra de obrigações beneficiou os grandes bancos e as sociedades de investimento com [fortes] ligações políticas. A QE é um exemplo tão flagrante de capitalismo de compadrio [crony capitalism] que faz com que o caso Solyndra [link] pareça um luminoso exemplo de funcionamento de um puro e livre mercado!

Seria um erro pensar que com a QE seria a primeira vez que as políticas do Fed beneficiaram aqueles que vivem com desafogo à custa do americano médio. As políticas do Fed beneficiaram sempre os capitalistas de compadrio e os políticos defensores da grande despesa pública em prejuízo [e às expensas] do americano médio.

Através da manipulação da oferta monetária e da taxa de juro, as políticas da Reserva Federal criam inflação e desse modo corroem o valor da moeda. Desde que a Reserva Federal abriu as suas portas, há cem anos atrás, o dólar perdeu mais de 95% do seu poder aquisitivo - sim, é isso mesmo, hoje são necessários 23,70 dólares para comprar o que um dólar comprava em 1913!

domingo, 8 de setembro de 2013

A intervenção militar americana na Síria: Cui bono?

Num esforço continuado, revelador de uma energia aparentemente inesgotável, o Ron Paul Institute for Peace and Prosperity, fundado há uns meses atrás e dedicado à análise das matérias de política externa, tornou-se rapidamente numa referência para a concentração de esforços, numa lógica não partidária, para todos aqueles que acham que é imperioso pôr fim ao aventureirismo bélico americano pelos quatro cantos do mundo e, muito em particular, no Médio Oriente. Foi lá que ontem encontrei uma peça, a que atribuo grande credibilidade pela lista dos subscritores do "Memorando", e que me levou a fazer o esforço de o traduzir numa matéria que não me é suficientemente familiar. Porquê conferir credibilidade a ex-espiões, ou pelo menos a ex-insiders (link), perguntarão. Bem, entre outras razões socorro-me do relato de Daniel Ellsberg, na sua Memória sobre o Vietname e sobre os Papéis do Pentágono (livro ainda na vitrina), onde ele pôde constatar, a começar por si próprio, que os analistas profissionais do seu tempo, que trabalhavam para as sucessivas administrações americanas, convergiam praticamente todos na conclusão pela futilidade da intervenção americana no Vietname e, em particular, da escalada da guerra por Lyndon Johnson e Richard Nixon (como antes por JFK). Os políticos, esses, tinham porém planos próprios, impermeáveis à análise e à informação proveniente dos serviços de intelligence. Vejo muitos paralelos com a situação presente relativamente à Síria.

Os Profissionais de Intelligence Veteranos para a Sanidade [VIPS na sigla em inglês] emitiram um memorando dirigido ao presidente Obama desafiando directamente as alegações da sua administração sobre a utilização pela Síria de armas químicas:

MEMORANDO PARA: O Presidente

DE: Profissionais de Intelligence Veteranos pela Sanidade (VIPS)

ASSUNTO: Será a Síria uma armadilha?

Prioridade: IMEDIATA

Lamentamos informá-lo que alguns dos nossos antigos colegas de trabalho nos estão a dizer, de forma categórica, que contrariamente às afirmações da sua administração, as informações mais credíveis mostram que Bashar al-Assad não foi responsável pelo incidente químico que matou e feriu civis sírios em 21 de Agosto, e que os funcionários dos serviços secretos britânicos também sabem que assim foi. Ao escrever este breve relatório, optámos por assumir que V. não tenha sido plenamente informado porque os seus conselheiros decidiram dar-lhe a oportunidade daquilo que é comummente conhecido como "desmentido plausível".

Nós já enveredámos por este caminho noutra ocasião - com o presidente George W. Bush, a quem dirigimos os nossos primeiros memorandos VIPS, imediatamente após Colin Powell, no discurso que proferiu na ONU, a 5 de Fevereiro de 2003, em que impingiu "intelligence" fraudulenta para sustentar o ataque ao Iraque. Na altura, optámos também por dar ao presidente Bush o benefício da dúvida, pensando que ele estava a ser enganado - ou, no mínimo, muito mal assessorado.

A detecção da natureza fraudulenta do discurso de Powell não exigia particular inteligência. E assim, naquela mesma tarde, instámos veementemente o V. antecessor que "ampliar a discussão para além... do círculo daqueles conselheiros que se inclinam de forma evidente para uma guerra para a qual não vemos nenhuma razão convincente e da qual acreditamos que as consequências não intencionais poderão vir a ser catastróficas". Nós oferecemos-lhe o mesmo conselho hoje.

As nossas fontes confirmam que um incidente químico de algum tipo causou de facto mortos e feridos no dia 21 de Agosto, num subúrbio de Damasco. Elas insistem, no entanto, que o incidente não foi o resultado de um ataque do Exército [regular] Sírio utilizando armas químicas do seu arsenal. Esse é o facto mais saliente, de acordo com agentes da CIA que trabalham no tema da Síria. Dizem-nos que o director da CIA, John Brennan, está a perpetrar uma fraude do tipo pré-guerra-do-Iraque junto dos membros do Congresso, dos media, e do público - e talvez até mesmo junto de si.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Are We Rome?

Ron Paul emitiu mais uma notável declaração agora relativamente ao que está em causa no pedido de autorização que Obama vai endereçar ao Congresso a propósito do anunciado ataque com mísseis à Síria. Pela sua importância, achei relevante traduzir o texto, o que faço mais abaixo. Antes dele, porém, uma chamada de atenção para um notabilíssimo livro da autoria de Cullen Murphy, com uma estrutura narrativa invulgar (talvez até única), cujo título, "Are We Rome?: The Fall of an Empire and the Fate of America", é em boa medida glosado no texto de Ron Paul.
O presidente Obama anunciou neste fim-de-semana que ele decidiu usar a força militar contra a Síria e que solicitaria autorização do Congresso quando este voltar a reunir após a pausa de Agosto. Cada membro tem a obrigação de votar contra esta utilização irresponsável e imoral da força militar dos EUA. Mas mesmo que cada um dos representantes e senadores venha a votar a favor de uma outra guerra, isso não melhorará essa terrível ideia pelo simples facto de se verificar uma espécie de aceno de cumprimento da Constituição. De resto, o presidente deixou claro que a autorização do Congresso é supérflua, ao afirmar, falsamente, que ele tem a autoridade para agir sozinho, com ou sem o Congresso. Que o Congresso se permita a si próprio ser tratado como uma montra de decorações pelo presidente imperial é algo de simplesmente espantoso.

O presidente afirmou no Sábado que o suposto ataque químico na Síria, a 21 de Agosto, significou "um grave perigo para a nossa segurança nacional". Discordo da ideia de que cada conflito, cada ditador e cada revolta, em qualquer parte do mundo, seja de alguma forma crítica para a nossa segurança nacional. Esse é o raciocínio de um império, não de uma república. É o tipo de pensamento que este presidente partilha com o seu antecessor e que está a conduzir-nos à falência e à destruição das nossas liberdades na nossa própria terra.

De acordo com recentes notícias da comunicação social, os militares não têm dinheiro suficiente para atacar a Síria pelo que haveria que ir ao Congresso para obter uma autorização de despesa suplementar para levar a cabo os ataques. Parece que o nosso império está no fim das suas possibilidades financeiras. Os ataques limitados que o presidente defendeu para atacar a Síria custariam aos EUA algo na casa das centenas de milhões de dólares. O chefe do estado-maior conjunto das forças armadas, General Martin Dempsey, escreveu ao Congresso no mês passado a dizer que só o treino dos rebeldes sírios e dos mísseis em número "limitado" e dos ataques aéreos significariam uma verba na "ordem dos milhares de milhões" de dólares. Devemos compreender com clareza o que uma outra guerra irá significar para a economia dos EUA, para não mencionar os efeitos dos custos desconhecidos adicionais, tais como um aumento brusco nos custos dos combustíveis em resposta ao disparo dos preços do petróleo.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Happy 78th Birthday, Mr. Ron Paul!

Despendendo um pouco mais de cinco minutos a visionar o vídeo abaixo, perceber-se-á melhor que, depois dos romances de Ayn Rand, é a Ron Paul que se deve, muito justamente, o enorme crescendo e popularidade do movimento libertário nos últimos anos e compreender que há pelo menos onze anos atrás era possível antecipar o que viria a acontecer, nos EUA e no mundo, em consequência dos caminhos escolhidos pelo establishment bipartidário americano.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Citação do dia (120)

"A segurança perfeita não constitui o objectivo do estado. O que pretendemos do estado é que faça valer a lei para proteger as nossas liberdades. O estado não precisa saber mais sobre o que nós fazemos. Somos nós que precisamos saber mais sobre o que o estado está a fazer. Necessitamos virar as câmaras na direcção da polícia e do estado, e não o contrário. Devemos estar gratos por autores como Glenn Greenwald, que divulgou a história da semana passada, estarem dispostos a correr riscos para nos informar sobre o que está a fazer o estado. Há apelos para a perseguição a Greenwald e aos outros denunciadores e jornalistas. Eles devem ser defendidos, pois o seu trabalho defende a nossa liberdade."
Ron Paul

terça-feira, 18 de junho de 2013

De Bush a Obama, do Iraque à Síria: intervencionismo fútil e destruidor

Ron Paul já não é membro da Câmara dos Representantes mas continua a manter uma presença cívica notável, nomeadamente e quanto a questões de política externa, através do novel Instituto para a Paz e Prosperidade a que empresta o seu nome. Nesse âmbito, anteontem, Ron Paul produziu uma declaração pública a propósito da decisão de Obama de fornecer, oficialmente, armas aos rebeldes sírios. A Síria é um atoleiro, como talvez até Recep Erdogan já terá compreendido. Outros só o compreenderão quando o desastre assumir proporções ainda mais calamitosas e finalmente se derem conta - mais uma vez - da futilidade da intervenção externa (apesar da propaganda que alguns títulos tentam transparecer). A tradução do texto é minha.
O presidente Obama anunciou na semana passada que a "comunidade" dos serviços de informações dos EUA acabara de estabelecer que o governo sírio usou gás venenoso em pequena escala assim matando cerca de 100 pessoas numa guerra civil que já levou à perda de cerca de 100 mil vidas. Devido a esta utilização de gás, alegou o presidente, a Síria havia cruzado a "linha vermelha" e, como tal, os EUA têm de começar a armar os rebeldes que lutam pelo derrube do governo sírio.

Deixando de lado a questão do porquê de 100 mortos por meio de gás serem algo mais importantes do que os 99900 mortos por outros meios, a verdade é que a sua explicação tem tantos furos quanto um passador. O Washington Post noticiou esta semana que a decisão de, publicamente, fornecer armas aos rebeldes sírios foi tomada "há semanas atrás". Por outras palavras, foi tomada num momento em que a comunidade dos serviços de informações não acreditava, "com um alto grau de confiança", que o governo sírio tivesse usado armas químicas.

Mais: este plano de cedência de armas aos rebeldes sírios tornara-se a política adoptada muito mais cedo que isso, como noticiava o Washington Post informando que a CIA havia expandido ao longo do ano passado as suas bases secretas na Jordânia para preparar a transferência de armas para os rebeldes na Síria.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Sound money - a pedra angular para o retomar de uma sã prosperidade

Em Federal Reserve Blows More Bubbles, Ron Paul volta a sublinhar a importância central que representa o restaurar de uma moeda forte (sound money), peça absolutamente essencial para que possa cessar a manipulação permanente que os governos e os respectivos bancos centrais sujeitam os seus cidadãos assim lhes impondo as respectivas consequências. Esta não é uma posição que vise um particular quadrante do espectro político do mainstream. Ainda há pouco ouvi na televisão (enquanto jantava num restaurante), uma parte do discurso de Paulo Portas acerca de linhas insusceptíveis de serem cruzadas, assim interpretando o papel do parceiro "compassivo" do actual governo. Ocorreu-me que não foi um democrata, nem sequer Jorge Sampaio, que sentenciou que "deficits don't matter", mas sim o über-falcão-republicano Dick Cheney, quando era vice-presidente de Reagan. Curioso, não é?
A tradução do texto é da minha responsabilidade.
Na semana passada, na sua sessão regular de definição de políticas, a Reserva Federal anunciou que iria dobrar a dose das políticas que até agora não conseguiram obter quaisquer resultados para além de uma economia estagnada. Foi uma decisão decepcionante ainda que não surpreendente.

A Fed afirmou que está preparada para aumentar as suas aquisições mensais de obrigações do Tesouro e títulos garantidos por hipotecas caso as coisas não comecem a melhorar. Mas, na realidade, a Fed já vem adquirindo mais do que os anunciados 85 mil milhões (85 seguido de nove zeros ou, em notação científica, 85 x 109) de dólares mensais. Entre Fevereiro e Março, os títulos detidos pela Fed aumentaram de 95 mil milhões de dólares. De Março para Abril, elas aumentaram em 100 mil milhões de dólares. Ao todo, a Fed injectou mais de 500 mil milhões de dólares na economia desde que anunciou a mais recente ronda de "alívio quantitativo" (QE3), em Setembro de 2012.

Embora tenha havido muita gente em pé de guerra quando a Fed anunciou que iria comprar títulos da dívida pública no montante de 600 mil milhões de dólares, aquando da ronda anterior (QE2), todos parecem estar tranquilos relativamente à magnitude do programa QE3 pois ele não vem acompanhado, à cabeça, de uma etiqueta com um preço enorme. Mas, no final do ano, o balanço da Fed poderá atingir os 4 milhões de milhões de dólares (4 x 1012) ou, na terminologia norte-americana, 4 trillions.

Sem recuperação à vista, para onde está indo todo este dinheiro? Ele está gerando bolhas. Bolhas no sector da habitação, no mercado accionista e na dívida pública. A dívida pública está a aproximar-se rapidamente dos 17 milhões de milhões de dólares (17 x 1012, um número composto de 14 algarismos) estando a Fed a monetizar [isto é, a criar dinheiro a partir do nada para financiar os défices públicos] a maior parte da dívida recentemente emitida. O mercado de acções vem batendo recordes nos últimos dois meses, com os investidores a procurar tirar partido do dinheiro barato e abundante. Afinal, enquanto a Fed mantiver as torneiras abertas, os lucros nominais estarão ali ao seu alcance. Mas isto é um castelo de cartas. Num dado momento, tal como ocorreu em 2008-2009, o mercado irá castigar as más actuações da Fed enquanto busca a retoma de uma real normalidade.

Enquanto isso, as famílias estão sofrendo. Enquanto Wall Street e o governo tiram proveito do acesso ao novo dinheiro "grátis" vindo da Reserva Federal, a Fed afirma que não há inflação. Mas quem é que não pagou preços mais altos no supermercado, na bomba de gasolina, nas propinas, nos seguros? Já é suficientemente mau que os rendimentos familiares tenham estagnado, mas o poder de compra real diminuiu tanto que um em cada sete americanos - 47,3 milhões de pessoas -, vivem hoje dos "vales alimentares" . Cinco milhões estão recebendo subsídio de desemprego, ascendendo a 21,5 milhões o número de desempregados, de acordo com os números do próprio governo. Isso corresponde a 13,9% - perto de dobro da taxa de desemprego de 7,5% anunciada na semana passada.

Seguramente nós não estamos em recuperação. Nós não vemos o desemprego de longa duração e as filas das sopas dos pobres como sucedeu na Grande Depressão, mas isso apenas se deve ao facto de as filas serem hoje electrónicas .

Não é de surpreender que a Reserva Federal tenha decidido agraciar o povo americano com mais das mesmas fracassadas políticas. Mas é decepcionante. Sabemos qual é a verdadeira solução: permitir que o mercado funcione. Permitir aos empreendedores a oportunidade de criar ao invés de sufocar a inovação através de regulamentações arbitrárias. Permitir que as taxas de juro subam para igualar os riscos na economia. Permitir que as dívidas incobráveis sejam [reconhecidas como tal e] liquidadas para que seja possível construir sob uma base sólida. Parar de imprimir dinheiro para beneficiar o governo e os grandes bancos. Restaurar um sistema de moeda forte para a economia e para o povo americano. Uma moeda forte e não manipulada é a base para a prosperidade e o melhor controlo sobre o big government e o crony capitalism.

domingo, 21 de abril de 2013

Os três pilares de um consenso tenebroso

Gary North, que, recorde-se, fez parte do gabinete do congressista Ron Paul, explica de modo sucinto  porque não há razões para supor que uma alteração na cor do estandarte desfraldado no Congresso possa levar a uma mudança nos fundamentos do estado americano do welfare/warfare. Eis aqui explicitados os princípios essenciais por que se bateu (e continua a bater) Ron Paul e explica a solidão a que o status quo o votou.

De referir que Gary North, a par de Tom Woods, é uma das figuras mais influentes de uma importante iniciativa directamente patrocinada por Ron Paul (que está a escrever um livro sobre o tema) desde que deixou o Congresso: "The Ron Paul Curriculum", iniciativa desenvolvida para auxiliar as famílias que optem por educar os seus filhos em suas casas - o designado "homeschooling" ou "ensino doméstico", movimento que observa um muito significativo crescimento nos últimos anos nos EUA. Outra iniciativa directamente ao conteúdo do texto de Gary North é o relativo ao "Institute For Peace and Prosperity", lançado esta semana. A ambos os temas voltarei logo que possa.

A tradução do texto de North é da minha responsabilidade.
RAZÕES PELAS QUAIS OS CONSERVADORES ACEITAM IMPOSTOS ALTOS, O SISTEMA DE RESERVA FEDERAL E A MOEDA FIAT

Recentemente, escrevi um artigo no qual argumentava que existem três pilares políticos do militarismo [warfare] moderno: elevadas taxas de imposto progressivo, um banco central e a abolição do padrão moeda-ouro. Chamei-lhe "O Triunvirato do Militarismo Moderno" [artigo disponível apenas para assinantes].

Desde o dia em que Ron Paul prestou juramento como deputado em 1976, os seus críticos no interior do Congresso foram consistentes. Eles opuseram-se à sua posição quanto às relações externas e à defesa. Ele era contra a expansão do Império Americano. Ele pretendia um sistema estritamente defensivo quanto às despesas militares. Ele não aprovava a constante intromissão do governo americano nas políticas internas das outras nações. Assim, ele foi criticado pelos conservadores dentro do Congresso como sendo suave para com o comunismo, ou por ser ingénuo quanto à necessidade de uma política externa agressiva, ou por ser anti-defesa.

Estes mesmos conservadores consideravam-se a si próprios duros adversários do moderno estado social. Mas o estado social moderno é também suportado pelos três pilares do militarismo moderno, ou seja, altas taxas marginais de imposto, o banco central e a abolição do padrão moeda-ouro. A estrutura de todos os governos modernos favorece a expansão do militarismo e do estado social.

O QUE CONTA É O SENTIDO DOS SEUS VOTOS

sexta-feira, 22 de março de 2013

Uma tradução do discurso de despedida do Congresso de Ron Paul

Um leitor do EI, remeteu-me o link para o vídeo (editado) do discurso de despedida de Ron Paul do Congresso em Novembro último, legendado em português na variante brasileira. Isto fez-me recordar que tinha deixado por concretizar, na altura, um compromisso público - o de proporcionar uma tradução do magistral discurso que Ron Paul então proferiu (a partir daqui). Concretizo-o agora lamentando não poder proporcionar aos leitores interessados a qualidade que gostaria ter conseguido neste empreendimento.

Esta pode muito bem ser a última vez que falo na Câmara. No final do ano irei deixar o Congresso após 23 anos de mandatos ao longo de um período de 36 anos. Os meus objectivos em 1976 eram os mesmos que são hoje: promover a paz e a prosperidade através da estrita adesão aos princípios da liberdade individual.

Era minha opinião que o rumo que os EUA iniciaram na última parte do século XX nos iria levar a uma grave crise financeira e nos mergulharia numa política externa que nos iria sobrecarregar enormemente e comprometer a nossa segurança nacional.

Para atingir os objectivos que procurava, o governo teria que reduzir a despesa, em dimensão e no âmbito, de mudar o sistema monetário e de rejeitar os custos insustentáveis ​​de policiar o mundo e expandir o Império Americano.

Os problemas pareciam ser esmagadores e impossíveis de resolver e porém, do meu ponto de vista, o simples respeito pelas limitações impostas sobre o governo federal pela Constituição teria sido um bom lugar para começar.

Quanto é que consegui realizar?

De muitos pontos de vista, segundo a sabedoria convencional, a minha intermitente carreira no Congresso, de 1976 a 2012, conseguiu muito pouco. Nenhuma legislação tem o meu nome, nem nenhum edifício federal, nem nenhuma auto-estrada - felizmente. Apesar dos meus esforços, o governo cresceu exponencialmente, os impostos permanecem excessivos, e o prolífico aumento de regulamentações incompreensíveis continua. As guerras são constantes e são iniciadas sem que sejam declaradas pelo Congresso, os défices sobem até ao céu, a pobreza está desenfreada e a dependência do governo federal é agora pior do que em qualquer outro momento da nossa história.

Tudo isto com preocupações mínimas para com os défices e responsabilidades não cobertas [pensões futuras, etc.] que o senso comum nos diz que não poderão continuar por muito mais tempo. Um grande, embora nunca mencionado, acordo bipartidário permite manter o segredo bem guardado que consente a manutenção dos níveis de despesa [pública federal]. Um dos lados não abre a mão de um cêntimo nos gastos militares, o outro não desiste de um cêntimo nas despesas sociais, enquanto ambos os lados apoiam os resgates e subsídios à elite bancária e corporativa. E o despesismo continua enquanto a economia enfraquece e continua a espiral descendente. Como o governo continua a tergiversar, as nossas liberdades e a nossa riqueza estão a ser incineradas nas chamas de uma política externa que nos torna menos seguros.

O maior obstáculo para uma mudança real em Washington está na resistência total em admitir que o país está falido. Isso tem implicado que o compromisso, exclusivamente para tornar inevitável o aumenta da despesa, uma vez que nenhum dos lados tem qualquer intenção de a diminuir.

O país e o Congresso continuarão divididos uma vez que já "não há saque para repartir" [com a intensificação da crise financeira e económica].

Sem o reconhecimento deste facto [da falência do estado] os despesistas em Washington vão continuar a sua marcha em direcção a um abismo fiscal muito maior do que o antecipado para Janeiro do ano que vem.

Eu tenho pensado muito sobre o por quê de aqueles de nós que acreditam na liberdade como uma solução, têm tido tão pouco sucesso em convencerem os outros dos seus benefícios. Se a liberdade é o que nós afirmamos ser - o princípio que protege todas as decisões pessoais, sociais e económicas necessárias para a prosperidade máxima e a melhor oportunidade para a paz - deveria ser uma tarefa fácil. Todavia, a história tem mostrado que as massas têm sido bastante receptivas às promessas de autoritários, que raramente ou nunca são cumpridas.

domingo, 10 de março de 2013

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Ron Paul - Discurso de despedida ao Congresso

Lew Rockwell classifica-o de um dos grandes discursos da História americana. Robert Wenzel concorda. Das intervenções que conheço de Ron Paul, esta (talvez a par daquela outra que proferiu este Verão em Tampa) é uma peça extraordinária. A transcrição do discurso está disponível aqui sendo que procurarei, logo que me for possível, disponibilizar uma versão em português. Em honra deste homem, íntegro e impoluto, apresento publicamente a minha homenagem e espero bem que este pré-anúncio se confirme.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Ron Paul: a voz da sanidade

Ron Paul, em entrevista à Bloomberg, explica por que motivo a decisão de injectar ainda maiores quantidades de dinheiro na economia americana, por um período virtualmente ilimitado, conjugada com a manutenção da política de taxas de juro de 0%, não só não ajudará em nada à recuperação económica como, pelo contrário, limitar-se-á a aproximar a "Grande Implosão".