A simplicidade do diagrama só sublinha a riqueza do seu conteúdo. Um exemplo ilustrativo de que visitar o Coyote com frequência é altamente recomendável.
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terça-feira, 16 de setembro de 2014
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Prossegue, impetuosa, a reforma do estado em versão über-liberal
Artur Trindade: "Nós temos um debate cacofónico em relação ao custo dos combustíveis".
Vai daí, para acabar com a cacafonia (o que quererá o homem dizer com isto?), lá nos saiu na rifa mais uma "entidade" reguladora fiscalizadora - Entidade Nacional para o Mercado dos Combustíveis -, algo que tanta falta nos fazia, à semelhança dos utilíssimos painéis sobre os preços dos combustíveis que alguém obrigou a "plantar" ao longo das auto-estradas. O mesmo governante, que há dias nos tinha deixado com esta muito reveladora pérola, ainda acrescentou: "o que é importante é que os consumidores participem no debate técnico que está na origem do preço"! (realce meu).
terça-feira, 5 de novembro de 2013
Salário mínimo, disparate máximo
A mais recente investida governamental (ou, talvez melhor, da componente que provém do auto-denominado "partido dos contribuintes") no sentido de decretar incentivar o aumento dos salários e, em particular, ainda que enviesadamente, do salário mínimo (que segundo o socialista centrista Mota Soares só não aumentará porque a troika não deixa mas também não diminui porque, aí, é o governo que se recusa a aceitar a sugestão da troika), leva-me a revisitar o tema do salário mínimo. Para o efeito, e porque é particularmente importante nesta questão o apelo à didáctica, socorri-me de um artigo recentemente publicado no Washington Times, da autoria do Prof. Dominick T. Armentano, cuja tradução, de minha responsabilidade, abaixo reproduzo e de onde roubei o título deste post.
É espantoso que sobre um assunto que há muito está esclarecido continue a persistir na opinião pública, com a ajuda inestimável de um punhado deactivistas políticos economistas (?), a ideia de que é possível iludir reescrever a lei da procura. Mas este é também o tempo em que, mesmo ao arrepio da lógica mais elementar, os mitos se acumulam e se reforçam (mesmo que muito antigos). Por algum motivo se explica o generalizado desprezo por Aristóteles.
Curioso, por fim, que após 9 (nove) meses consecutivos de quedas na taxa de desemprego (que está agora - dados de Setembro do corrente - aos níveis de Agosto de 2012), o governo tenha achado oportuno vir falar no assunto nos termos em que o fez, quando não lhe cabe a si nenhum mérito no sucedido.
É espantoso que sobre um assunto que há muito está esclarecido continue a persistir na opinião pública, com a ajuda inestimável de um punhado de
Curioso, por fim, que após 9 (nove) meses consecutivos de quedas na taxa de desemprego (que está agora - dados de Setembro do corrente - aos níveis de Agosto de 2012), o governo tenha achado oportuno vir falar no assunto nos termos em que o fez, quando não lhe cabe a si nenhum mérito no sucedido.
No seu discurso do estado da União de 2013, o presidente Obama sugeriu ao Congresso que aumentasse o salário mínimo federal do actual valor de 7,25 dólares por hora para, pelo menos, 9 dólares. Vários estados estão também debatendo um aumento; com efeito, a Assembleia Legislativa da Califórnia aprovou recentemente, e o governador Jerry Brown acaba de assinar, uma lei que elevará o salário horário mínimo no estado de 8 para 10 dólares no espaço de três anos. Na Flórida, onde resido, o mínimo legal (com algumas excepções importantes) é de 7,79 dólares e é reajustado anualmente pela inflação.
Dominick T. Armentano
Será que o actual alvoroço nacional para "fazer alguma coisa" quanto aos salários mínimos constitui mais um erro governamental [federal e estatal]? Sim, absolutamente. As leis do salário mínimo fazem diminuir as oportunidades de emprego para os trabalhadores (em particular os adolescentes e os trabalhadores não qualificados) e prejudicam alguns dos próprios indivíduos que, conceptualmente, era suposto ajudar - os trabalhadores pobres. Aumentar o salário mínimo substancialmente, a nível estadual ou federal, seria um erro de política pública.
Para se ver por que assim é, coloquemos a nós próprios a seguinte pergunta: o que é provável que aconteça quando aumentamos o preço da cerveja, das casas de férias, dos livros, dos jornais ou de quase tudo, mantendo as outras variáveis constantes? Resposta: menos unidades de cerveja, de férias, de livros ou de jornais são vendidos no mercado. Na teoria económica, a isto se denomina como a "lei da procura" a funcionar; a preços mais elevados, menos unidades de um dado bem ou serviço serão comprados.
sábado, 26 de outubro de 2013
As economias não são destruídas num único dia
O texto abaixo é uma tradução minha do artigo de Nicolás Cachanosky, "Economies are Not Destroyed in a Day" (de onde roubei o título para o post), publicado ontem no Mises Institute. Originalmente escrito em língua espanhola e ainda que direccionado ao público argentino, porque nele se inspeccionam conceitos comummente invocados no linguajar comunicacional de hoje (entre outros, "crescimento económico", "recuperação económica", "capacidade de produção", etc.), creio que a sua leitura também permite lançar luz sobre a leitura da evolução verificada na realidade económica portuguesa. Em particular, indicando razões para o medíocre crescimento económico verificado na década passada apesar dos elevados níveis de investimento.
"No começo deste mês, o principal jornal conservador da Argentina, La Nación, publicou um editorial não assinado comparando a economia da Argentina à da Venezuela. A publicação concluiu que à medida que a liberdade económica na Argentina diminui, e que prossegue a adopção do que Chávez designou por "socialismo do século XXI", a Argentina está cada vez mais parecida com a Venezuela. Será isto verdade? Irá a Argentina sofrer o mesmo destino que a Venezuela, onde a pobreza está a aumentar e o papel higiénico pode ser considerado um luxo?
As semelhanças das regulamentações e problemas económicos que ambos os países enfrentam são realmente impressionantes, apesar das diferenças óbvias entre os dois países. No entanto, quando as pessoas são confrontadas com as semelhanças, é comum ouvir respostas como "mas a Argentina não é a Venezuela, temos mais infra-estruturas e recursos".
São as transformações institucionais, no entanto, que definem o destino a longo prazo de um país, não a sua prosperidade no curto prazo.
Imaginemos que Cuba e a Coreia do Norte se tornavam, de um dia para o outro, nos dois países que em todo o mundo mais defendiam o livre mercado e a intervenção estatal limitada. Os dois países alcançariam de imediato as liberdades civis e a liberdade económica, mas teriam ainda que acumular riqueza e desenvolver as suas economias. A mudança institucional afecta imediatamente a situação política, mas uma nova economia exige tempo para que possa ganhar forma. Por exemplo, quando a China abriu partes da sua economia aos mercados internacionais, o país começou a crescer, e estamos agora a assistir aos efeitos de décadas de relativa liberalização económica. É verdade que em muitas áreas na China continuam em falta liberdades significativas, mas hoje haveria uma China muito diferente caso [o governo chinês] se tivesse recusado a mudar as suas instituições há décadas atrás.
O mesmo ocorreria se um dos países mais ricos e desenvolvidos do mundo adoptasse as instituições cubanas ou norte-coreanas de um dia para o outro. A riqueza e o capital não se desvaneceriam em 24 horas. O país iria passar de um processo de acumulação de capital para um processo de consumo de capital e poderia levar anos ou até mesmo décadas a esgotar os cofres da riqueza anteriormente acumulada. No interim, o governo teria os recursos para jogar o jogo do socialismo populista bolivariano (i.e., venezuelano) e desfrutar da riqueza, das estradas, da infra-estrutura eléctrica e das redes de telecomunicações que foram o resultado das realidades institucionais do passado, mais orientadas à economia de mercado.
De acordo com o Índice de Liberdade Económica no Mundo do Instituto Fraser, a Argentina ocupava o 34º lugar no ano de 2000. Em 2011, no entanto, a Argentina caíra para 137º, ao lado de países como o Equador, o Mali, a China, o Nepal, o Gabão e Moçambique. Não há nenhuma dúvida de que a Argentina desfruta de maior desenvolvimento e riqueza do que aqueles outros países. Mas poderemos continuar a ter a certeza de que essa será a situação daqui a 20 ou 30 anos? A presidente argentina é conhecida por ter afirmado que gostaria de tornar a Argentina num país parecido com a Alemanha, mas o caminho para se tornar numa Suíça ou numa Alemanha implica a adopção de instituições do tipo das suíças e das alemãs, que não é o que a Argentina está a fazer.
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
Concorrência sim, mas não tanta!
Jornal de Negócios:
Os deputados franceses aprovaram um decreto-lei que impede o gigante americano Amazon de acumular a gratuitidade nos portes de envio com os descontos autorizados de 5% que os consumidores franceses usufruam de preços mais baixos nos produtos comprados na Amazon.
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
Mais más notícias para os trabalhadores com baixos salários
Em "More Bad News for Low Wage Workers" Robert Wenzel antecipa as (mais que prováveis) consequências de mais uma estúpida regulamentação que irá produzir efeitos contrários aos pretendidos (supondo a existência de boa-fé) pelos seus promotores. Todo o controlo de preços sobre um bem ou um serviço distorce o senão destrói de significado o "sinal" que o preço de mercado veicula aos que nele participam. No caso do mercado de trabalho, não é apenas a fixação de salários mínimos que provoca essa distorção. O mesmo sucede com a fixação, directa ou indirecta, de salários máximos. (A tradução que segue é da minha responsabilidade).
Em breve as empresas americanas terão de divulgar a relação existente entre a remuneração dos seus CEO e a da média dos trabalhadores das suas empresas, como prevê uma proposta revelada pela SEC [link] segundo notícia do Guardian.
A proposta refere-se a uma das duas principais regulamentações ainda pendentes na sequência da lei Dodd-Frank, de 2010, da reforma de Wall Street.
Neste ambiente politicamente carregado, onde abundam os intervencionistas, se eu fosse o CEO de uma empresa de capital aberto, iria fazer tudo o que pudesse para manter constante, tanto quanto possível, o rácio entre o que eu ganho e o que ganham os meus trabalhadores .
Isso poderia significar o fecho das operações que envolvessem muitos trabalhadores com baixos salários. Também poderia significar a automatização de tarefas hoje desempenhadas por trabalhadores com baixos salários. Os trabalhadores com baixos salários tornar-se-iam párias a ser evitados a todo custo pelas empresas de capital aberto. Com menor procura de trabalhadores com baixos salários, os seus salários iriam diminuir.
Bem-vindos ao mundo das consequências não intencionais da demente intervenção governamental.
terça-feira, 3 de setembro de 2013
2 novos livros 2
Dei-me hoje conta lendo o Circle Bastiat. Pareceu-me valer a pena traduzir as sinopses dos dois novos livros de Hunter Lewis (o segundo vai para a minha lista de compras). É o que se segue:
Em "Free Prices Now!" [link] começa-se por indagar da razão que leva a que a raça humana seja ainda tão pobre. Como é possível que milhares de milhões ainda não tenham sequer o suficiente para comer? De seguida, é fornecida a resposta. Uma sociedade próspera é uma sociedade de cooperação. A cooperação, por sua vez, depende da confiança. E a confiança requer honestidade.
O barómetro mais fiável da honestidade económica é o proporcionado pelos preços. Preços honestos, que não sejam manipulados nem controlados, proporcionam a investidores e consumidores sinais económicos confiáveis. Eles constituem a fundação da prosperidade económica.
Uma sistema económico corrupto não pretende preços honestos, informação honesta, ou resultados honestos. A verdade pode não ser vantajosa para os poderosos líderes governamentais, para os interesses privados a eles aliados , ou para os "especialistas" económicos cujas carreiras têm sido dedicadas à manipulação e controlo de preços.
A Reserva Federal dos EUA e outros bancos centrais criaram um sistema de "empréstimos mentirosos" ["liar loans"] e falsos preços. Outras partes da administração têm igualmente contribuído . Com efeito, os reguladores de quem dependemos tornaram-se desreguladores.
Será que a resposta possa ser tão simples, que a prosperidade económica e o crescimento do emprego estejam dependentes da permissão que os preços económicos digam a verdade, livres de teorias de regulação ao serviço de poderosos interesses especiais?
Sim.
E em "Crony Capitalism in America"[link]:
Quando os interesses privados necessitam de favores políticos, eles sabem com quem devem contactar. Quando os políticos necessitam de dinheiro, também sabem com quem devem contactar. As pessoas envolvidas tentam manter o essencial desta troca de favores de forma bem escondida atrás de portas cerradas.
Este é o sistema que prevalece na Rússia após a queda do comunismo. Mas é cada vez mais o sistema dos Estados Unidos.
Muita gente considera Wall Street como sendo o epicentro do capitalismo americano. Na realidade é o epicentro do "crony capitalism" [capitalismo de compadrio] americano. É impossível dizer onde pára Wall Street e começa Washington. Esta situação não foi provocada, como muitos supõem, pelo crash de 2008. Pelo contrário, o crash foi causado pela parceria de longa data entre Wall Street e Washington. Mas o problema vai muito para além de Wall Street e vai a todos os cantos da América.
Se pretendermos fazer alguma coisa acerca dos nossos actuais problemas económicos, e também proporcionar aos pobres uma oportunidade de uma vida melhor, teremos de eliminar o crony capitalism e restaurar uma economia honesta.
Embora cheio de histórias de arrepiar os cabelos, este livro endereça também as soluções. Em termos claros e simples, diz-nos o que está errado e o que é necessário fazer a esse respeito.
quarta-feira, 31 de julho de 2013
Sector eléctrico - benchmarking à espanhola
Alguns indicadores notáveis:
- Capacidade instalada: 108.296 MW (2/3 em regime especial - eólicas, solar, etc. -, 1/3 em regime ordinário)
- Pontas (picos) de procura: 45.000 MW
- 30 mil milhões de défice tarifário (actualmente)
Estes são alguns dos resultados das 33 (trinta e três) reformas no sector eléctrico desde 1998 que os nossos vizinhos levaram a cabo no sector.
As minhas expectativas que, entre nós, o novel ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Ambiente, aporte alguma sanidade às políticas energéticas que têm vindo a ser seguidas entre nós são, falando claro, inexistentes. O consenso (particularmente o do silêncio) verificado após a sua nomeação acentuou esse sentimento. Oxalá me engane.
segunda-feira, 8 de julho de 2013
O quadro mental da esquerda (4)
Termino hoje a publicação da Parte IV (depois das Partes I, II e III) da série de artigos assinados por Thomas Sowell, sob o título The Mindset of the Left que pedi emprestado para encimar os quatro posts das respectivas traduções que entendi poderem ser interessantes aos leitores deste blogue.
Nesta derradeira parte, Sowell evoca a sua experiência pessoal para ilustrar, através de um exercício contrafactual - simples, mas poderoso - como as políticas "abelhudas/metediças" da esquerda (o mesmo é dizer, da esmagadora maioria da intelligentzia) acabam quase invariavelmente por produzir resultados opostos àqueles inicialmente propagandeados.
No cerne da visão da esquerda do mundo está a suposição implícita de que mentes nobres e magnânimas - como as dos seus defensores e intérpretes - podem tomar melhores decisões relativamente às outras pessoas do que essas pessoas podem alcançar por si próprias.
Esta arbitrária e infundada asserção está subjacente ao vasto espectro de leis e políticas criado ao longo dos anos, que vai desde a reabilitação urbana ao ObamaCare.
Uma das muitas cruzadas internacionais levadas a cabo pelos "abelhudos" ["busybodies"] da esquerda tem sido a de exercer pressão para limitar as horas de trabalho das pessoas de outros países - especialmente dos países mais pobres - em negócios operados por empresas multinacionais. Um grupo de acompanhamento internacional assumiu a tarefa de assegurar que as pessoas na China não trabalhem mais que as 49 horas semanais legalmente prescritas.
Por que razão grupos de acompanhamento internacionais, dirigidos por americanos ou europeus ricos, poderiam imaginar saber o que é melhor para as pessoas que são muito mais pobres do que eles, e com muito menos opções à sua disposição, é um dos muitos mistérios da elite abelhuda.
Como alguém que saiu de casa aos 17 anos de idade, sem diploma do ensino secundário, sem experiência de trabalho e sem competências específicas, passei vários anos aprendendo da maneira mais difícil o que é realmente a pobreza. Um dos tempos mais felizes durante esses anos foi um breve período em que eu trabalhava 60 horas por semana - 40 horas entregando telegramas durante o dia e 20 horas de trabalho a tempo parcial numa oficina durante a noite.
Por que estava eu feliz? Porque, antes de ter encontrado esses empregos, eu tinha despendido semanas desesperadamente à procura de um qualquer emprego, enquanto as minhas parcas economias minguavam, literalmente, até ao meu último dólar, até ter finalmente encontrado o emprego a tempo parcial, à noite, na oficina mecânica.
Eu tinha que andar vários quilómetros da pensão onde morava no Harlem até à oficina que ficava logo abaixo da ponte de Brooklyn, de modo a poupar até ao último dólar para comprar pão à espera que chegasse o dia de pagamento.
Quando depois encontrei um emprego a tempo inteiro para entregar telegramas durante o dia, o dinheiro conjunto dos dois empregos era mais do que eu alguma vez antes tinha conseguido. Eu pude pagar a renda em atraso que estava a dever pelo meu quarto, e comer e andar de metro na ida e volta do trabalho.
Eu consegui até mesmo pôr algum dinheiro de lado, por precaução, para acorrer a uma hipotética dificuldade futura. Foi a coisa mais próxima do nirvana para mim.
Graças a Deus que não houve abelhudos que me impedissem de trabalhar mais horas do que eles achassem que eu deveria trabalhar.
quinta-feira, 27 de junho de 2013
Os extraordinários e inestimáveis benefícios da regulação
Em contraponto aos Tenebrosos malefícios da concorrência e da desregulação, desaparecida (para sempre?) que foi "la grandeur", é tempo de Hollande accionar o "excepcionalismo cultural". Para isso, não encontra nada melhor que fixar descontos máximos para os livros, justificando o injustificável, alegando o que no plano histórico se verificou ser comprovadamente falso desde o início das teorias intervencionistas estatais - de que o "excesso" de concorrência é uma prática predatória tendente a afastar os outros competidores do mercado, momento a partir do qual os preços, agora de monopólio, voltariam a subir para patamares superiores aos iniciais. Há pois que impedir que semelhante malfeitoria se concretize. Os únicos monopólios que existiram com carácter duradouro foram os constituídos, legalmente, pelo próprio estado. É certo que haverá grupos beneficiados com isto: os livreiros tradicionais, Mas não é menos certo que totalmente à custa de todos os consumidores de livros.
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Palavras para quê? É um regulador a funcionar!
Tenho publicado alguns posts sob o título de "mitos persistentes". Tenciono continuar a fazê-lo (sobre temas de economia ou outros). Hoje, agora, e a propósito desta notícia, procurarei aflorar alguns aspectos elementares de um tópico gigantesco - a "regulação" - onde os mitos abundam e as terríveis consequências dos seus efeitos também.
Referia por aqui, há perto de ano e meio, o curioso fenómeno da falta recorrente de determinados nas farmácias devido à sua exportação "ilegal" (de que eu próprio sou "vítima"). O que se passava (e continua a passar) era algo de simples, ainda que talvez não intuitivo para muitos. Como não existe um mercado do medicamento (falo dos medicamentos comparticipados), os preços dos mesmos não são resultam do "encontro" entre a procura e a oferta dos mesmos. De facto, são preços burocráticos e, consequentemente, arbitrários (sim, sei que se tomam para referência na sua fixação os seus preços médios em outros países embora, também aí, os preços sejam administrativos). Não admira pois que, caso no mercado internacional for possível obter ao fabricante/grossista/retalhista preços mais favoráveis do que aqueles que consegue no país, uma parte da produção seja "desviada" para a exportação. Nada disto constitui rocket science. Simples funcionamento das leis da oferta e da procura. De efeitos previsíveis para quem não as ignore (ou as tente contrariar, assim como se se ensaiasse criar o vácuo para escapar à gravidade).
Reconhecendo por fim, pelo menos em parte, as consequências não intencionais das suas próprias acções, parece que o Infarmed pretende agora adoptar uma política de preços mínimos(!). Palavras para quê?
Referia por aqui, há perto de ano e meio, o curioso fenómeno da falta recorrente de determinados nas farmácias devido à sua exportação "ilegal" (de que eu próprio sou "vítima"). O que se passava (e continua a passar) era algo de simples, ainda que talvez não intuitivo para muitos. Como não existe um mercado do medicamento (falo dos medicamentos comparticipados), os preços dos mesmos não são resultam do "encontro" entre a procura e a oferta dos mesmos. De facto, são preços burocráticos e, consequentemente, arbitrários (sim, sei que se tomam para referência na sua fixação os seus preços médios em outros países embora, também aí, os preços sejam administrativos). Não admira pois que, caso no mercado internacional for possível obter ao fabricante/grossista/retalhista preços mais favoráveis do que aqueles que consegue no país, uma parte da produção seja "desviada" para a exportação. Nada disto constitui rocket science. Simples funcionamento das leis da oferta e da procura. De efeitos previsíveis para quem não as ignore (ou as tente contrariar, assim como se se ensaiasse criar o vácuo para escapar à gravidade).
Reconhecendo por fim, pelo menos em parte, as consequências não intencionais das suas próprias acções, parece que o Infarmed pretende agora adoptar uma política de preços mínimos(!). Palavras para quê?
segunda-feira, 6 de maio de 2013
Sound money - a pedra angular para o retomar de uma sã prosperidade
Em Federal Reserve Blows More Bubbles, Ron Paul volta a sublinhar a importância central que representa o restaurar de uma moeda forte (sound money), peça absolutamente essencial para que possa cessar a manipulação permanente que os governos e os respectivos bancos centrais sujeitam os seus cidadãos assim lhes impondo as respectivas consequências. Esta não é uma posição que vise um particular quadrante do espectro político do mainstream. Ainda há pouco ouvi na televisão (enquanto jantava num restaurante), uma parte do discurso de Paulo Portas acerca de linhas insusceptíveis de serem cruzadas, assim interpretando o papel do parceiro "compassivo" do actual governo. Ocorreu-me que não foi um democrata, nem sequer Jorge Sampaio, que sentenciou que "deficits don't matter", mas sim o über-falcão-republicano Dick Cheney, quando era vice-presidente de Reagan. Curioso, não é?
A tradução do texto é da minha responsabilidade.
A tradução do texto é da minha responsabilidade.
Na semana passada, na sua sessão regular de definição de políticas, a Reserva Federal anunciou que iria dobrar a dose das políticas que até agora não conseguiram obter quaisquer resultados para além de uma economia estagnada. Foi uma decisão decepcionante ainda que não surpreendente.
A Fed afirmou que está preparada para aumentar as suas aquisições mensais de obrigações do Tesouro e títulos garantidos por hipotecas caso as coisas não comecem a melhorar. Mas, na realidade, a Fed já vem adquirindo mais do que os anunciados 85 mil milhões (85 seguido de nove zeros ou, em notação científica, 85 x 109) de dólares mensais. Entre Fevereiro e Março, os títulos detidos pela Fed aumentaram de 95 mil milhões de dólares. De Março para Abril, elas aumentaram em 100 mil milhões de dólares. Ao todo, a Fed injectou mais de 500 mil milhões de dólares na economia desde que anunciou a mais recente ronda de "alívio quantitativo" (QE3), em Setembro de 2012.
Embora tenha havido muita gente em pé de guerra quando a Fed anunciou que iria comprar títulos da dívida pública no montante de 600 mil milhões de dólares, aquando da ronda anterior (QE2), todos parecem estar tranquilos relativamente à magnitude do programa QE3 pois ele não vem acompanhado, à cabeça, de uma etiqueta com um preço enorme. Mas, no final do ano, o balanço da Fed poderá atingir os 4 milhões de milhões de dólares (4 x 1012) ou, na terminologia norte-americana, 4 trillions.
Sem recuperação à vista, para onde está indo todo este dinheiro? Ele está gerando bolhas. Bolhas no sector da habitação, no mercado accionista e na dívida pública. A dívida pública está a aproximar-se rapidamente dos 17 milhões de milhões de dólares (17 x 1012, um número composto de 14 algarismos) estando a Fed a monetizar [isto é, a criar dinheiro a partir do nada para financiar os défices públicos] a maior parte da dívida recentemente emitida. O mercado de acções vem batendo recordes nos últimos dois meses, com os investidores a procurar tirar partido do dinheiro barato e abundante. Afinal, enquanto a Fed mantiver as torneiras abertas, os lucros nominais estarão ali ao seu alcance. Mas isto é um castelo de cartas. Num dado momento, tal como ocorreu em 2008-2009, o mercado irá castigar as más actuações da Fed enquanto busca a retoma de uma real normalidade.
Enquanto isso, as famílias estão sofrendo. Enquanto Wall Street e o governo tiram proveito do acesso ao novo dinheiro "grátis" vindo da Reserva Federal, a Fed afirma que não há inflação. Mas quem é que não pagou preços mais altos no supermercado, na bomba de gasolina, nas propinas, nos seguros? Já é suficientemente mau que os rendimentos familiares tenham estagnado, mas o poder de compra real diminuiu tanto que um em cada sete americanos - 47,3 milhões de pessoas -, vivem hoje dos "vales alimentares" . Cinco milhões estão recebendo subsídio de desemprego, ascendendo a 21,5 milhões o número de desempregados, de acordo com os números do próprio governo. Isso corresponde a 13,9% - perto de dobro da taxa de desemprego de 7,5% anunciada na semana passada.
Seguramente nós não estamos em recuperação. Nós não vemos o desemprego de longa duração e as filas das sopas dos pobres como sucedeu na Grande Depressão, mas isso apenas se deve ao facto de as filas serem hoje electrónicas .
Não é de surpreender que a Reserva Federal tenha decidido agraciar o povo americano com mais das mesmas fracassadas políticas. Mas é decepcionante. Sabemos qual é a verdadeira solução: permitir que o mercado funcione. Permitir aos empreendedores a oportunidade de criar ao invés de sufocar a inovação através de regulamentações arbitrárias. Permitir que as taxas de juro subam para igualar os riscos na economia. Permitir que as dívidas incobráveis sejam [reconhecidas como tal e] liquidadas para que seja possível construir sob uma base sólida. Parar de imprimir dinheiro para beneficiar o governo e os grandes bancos. Restaurar um sistema de moeda forte para a economia e para o povo americano. Uma moeda forte e não manipulada é a base para a prosperidade e o melhor controlo sobre o big government e o crony capitalism.
domingo, 4 de novembro de 2012
Receita infalível para o racionamento
é impedir que os preços reflictam, dinamicamente, as condições reais de oferta e procura num dado mercado, num dado lugar. É por essa razão que persiste a falta de combustível em Nova Iorque. Esta gente não aprende mesmo.
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
Steve Forbes apela ao regresso ao padrão-ouro
A política monetária levada a cabo pela generalidade dos bancos centrais tem visado, sistematicamente, sustentar o preço dos activos e o aparecimento cíclico de cada vez maiores bolhas especulativas. Para o efeito, têm fixado administrativamente as taxas de juro a níveis próximos de zero (política conhecida pela sigla ZIRP) daí decorrendo a efectiva destruição da poupança e dos aforradores, tudo isto levando a uma gigantesca redistribuição da riqueza em favor dos tubarões protegidos pelas promessas de bailouts.
Vai, felizmente, crescendo a voz dos que se opõem a esta insanidade cleptocrática. Steve Forbes é um nome de peso que se junta à causa daqueles que defendem o retorno a um regime monetário fundado no padrão-ouro - Gold Can Save Us From Disaster.
terça-feira, 25 de setembro de 2012
França: continua o combate pelo desemprego
Há uma dúzia de anos atrás, por terras gaulesas, o governo socialista da altura (de Lionel Jospin) defendia que a redução do horário semanal de trabalho para as 35 horas seria uma excelente medida legislativa para combater os altos níveis de desemprego que então persistiam (e que ainda hoje permanecem). A "lógica" do raciocínio parecia irrefutável: baixando-se o horário semanal de trabalho, mais trabalhadores seriam necessários contratar para que a mesma "produção" pudesse ocorrer!
Este tipo de raciocínio(?), muito comum entre os partidos socialistas latinos, volta agora a presidir à mais recente iniciativa do extraordinário François Hollande em mais um exercício de tapar o sol com uma peneira: França vai encarecer despedimentos para combater o desemprego de 10%.
Ora vejamos: como será possível acreditar que acções que de imediato aumentam o custo do factor trabalho, podem vir a ajudar a combater o desemprego? Eis algo que, humildemente confesso, vai para além da minha, admito que limitada, capacidade racional.
Não! Como devia ser evidente para qualquer pessoa que não se recuse a pensar, se o preço de um bem sobe (no caso, o do factor trabalho) o resultado, inevitável em 99.99% dos casos, será que a procura desse bem diminua (ou seja, as empresas estarão interessadas em ter menos trabalhadores do que sucedia quando o custo do trabalho era menor). Prosseguir nesta insanidade é contribuir para o crescente declínio relativo da França, nomeadamente face à Alemanha.
Mas, não. Hollande, ao mesmo tempo que enche a boca de discursos inflamados em prol do "crescimento" e do "emprego", não cessa de prosseguir exactamente o contrário do que afirma transformando-se, isso, sim, num acérrimo defensor do combate pelo desemprego. E vai ser bem sucedido. Que diabo! Não conviria que as acções fossem congruentes com os fins pretendidos?
Ora vejamos: como será possível acreditar que acções que de imediato aumentam o custo do factor trabalho, podem vir a ajudar a combater o desemprego? Eis algo que, humildemente confesso, vai para além da minha, admito que limitada, capacidade racional.
Não! Como devia ser evidente para qualquer pessoa que não se recuse a pensar, se o preço de um bem sobe (no caso, o do factor trabalho) o resultado, inevitável em 99.99% dos casos, será que a procura desse bem diminua (ou seja, as empresas estarão interessadas em ter menos trabalhadores do que sucedia quando o custo do trabalho era menor). Prosseguir nesta insanidade é contribuir para o crescente declínio relativo da França, nomeadamente face à Alemanha.
Mas, não. Hollande, ao mesmo tempo que enche a boca de discursos inflamados em prol do "crescimento" e do "emprego", não cessa de prosseguir exactamente o contrário do que afirma transformando-se, isso, sim, num acérrimo defensor do combate pelo desemprego. E vai ser bem sucedido. Que diabo! Não conviria que as acções fossem congruentes com os fins pretendidos?
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Querida y cara electricidad
Antón Uriarte explica como, de Zapatero a Rajoy, no domínio da produção de energia eléctrica, pouco ou nada mudou. Lá como cá, de Sócrates a Passos Coelho:
Los parques eólicos erigidos durante la era de las burbujas en los campos de España se vieron acompañados de la construcción de centrales de gas de ciclo combinado ... (que se encienden rápidamente cuando no hay viento y nos evitan tener que soplar, como en el chiste).
Esta estrategia duplicó las inversiones y provocó un exceso de oferta eléctrica, lo que acabó resultando en que la potencia instalada en España sea hoy muy superior a la necesaria. El gran impulso a las energías renovables, sin embargo, se basó en una presunta escasez y en presentar a las tradicionales —los combustibles fósiles— como energías agotables. Las inversiones fueron enormes (...)
Los combustibles fósiles, sin embargo, no se agotaron y sus precios no subieron demasiado. Esto llevó al gobierno, basándose en las directrices de Bruselas, a seguir una política económica de apoyo a las renovables frente a las demás, presentándolas como el mejor freno al supuestamente sucio y nocivo dióxido de carbono.
La política de Zapatero se prolonga hoy con Rajoy, que hace lo posible para que no se desplome el tinglado montado de ecología y de prebendas de unos y otros. El resultado es una electricidad cara y que va a más. No sólo para los hogares, también para las industrias. La electricidad industrial en España es la séptima más cara de Europa. A este paso alcanzaremos el de las que lo tienen más alto, el de las islas de Chipre y Malta.
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Também não será o "alívio quantitativo" que irá salvar o Estado social
(Sequência de "A austeridade é a perestroika do estado social")
Qual hidra de inúmeras cabeças, a receita keynesiana ortodoxa, que consiste em "estímular" a "procura agregada" através da despesa pública (mesmo que desbragada), falhou estrondosamente como tentativa de obviar ao Apocalipse que, assim nos era asseverado, recairia sobre nós sob a forma de recessão e desemprego, não tivesse o Estado agido1 ("[s]e não tomássemos estas medidas, a recessão seria muito maior", dizia Sócrates). Sabemos no que deu, no Japão, na Europa ou nos EUA. Sabemos no que deu, em Portugal.
Instalado um consenso, ainda que circunscrito no tempo (a memória é curta...), de que a receita keynesiana ortodoxa não funcionou, o passo seguinte costuma ser o de deslocar a atenção para o banco central, os "estímulos monetários". Não temos visto e ouvido de outra coisa nestes últimos meses. Trata-se de, através da criação de moeda e da manipulação das taxas de juro, na tentativa de promover o crédito (outra forma de criar moeda) criar prosperidade. Nisto reside, no essencial, a doutrina monetarista. Assim formulada, ela não é muito diferente da keynesiana no sentido em que continua a ser uma outra modalidade de planeamento central.
Qual hidra de inúmeras cabeças, a receita keynesiana ortodoxa, que consiste em "estímular" a "procura agregada" através da despesa pública (mesmo que desbragada), falhou estrondosamente como tentativa de obviar ao Apocalipse que, assim nos era asseverado, recairia sobre nós sob a forma de recessão e desemprego, não tivesse o Estado agido1 ("[s]e não tomássemos estas medidas, a recessão seria muito maior", dizia Sócrates). Sabemos no que deu, no Japão, na Europa ou nos EUA. Sabemos no que deu, em Portugal.
Instalado um consenso, ainda que circunscrito no tempo (a memória é curta...), de que a receita keynesiana ortodoxa não funcionou, o passo seguinte costuma ser o de deslocar a atenção para o banco central, os "estímulos monetários". Não temos visto e ouvido de outra coisa nestes últimos meses. Trata-se de, através da criação de moeda e da manipulação das taxas de juro, na tentativa de promover o crédito (outra forma de criar moeda) criar prosperidade. Nisto reside, no essencial, a doutrina monetarista. Assim formulada, ela não é muito diferente da keynesiana no sentido em que continua a ser uma outra modalidade de planeamento central.
Conforme tinha referido no post que refiro acima, volto a socorrer-me de outra passagem do mesmo texto de Jacques Raiman para sustentar por que razão o QE da Fed ou o OMT do BCE não irão funcionar e que também não será por aqui que os nossos problemas se resolverão (minha tradução):
"Os bancos centrais são confrontados com uma tarefa impossível: eles são supostos deter o conhecimento que permitiria definir e executar uma política monetária adequada (taxas de juros, massa monetária). Mas por que razão o planeamento central, que é incapaz de determinar os preços dos outros bens e das quantidades produzidas, seria capaz de o fazer com a moeda? Esta é uma façanha impossível, apesar de todos os talentos reconhecidos aos especialistas. Por exemplo, sob aplausos praticamente unânimes, os bancos centrais declararam que conseguiram proporcionar um longo período de "Grande Moderação". Este último, aferido pelo índice de preços ao consumidor, cegou os meios de comunicação, os economistas de todos os quadrantes políticos, e até mesmo os bancos centrais. Eles foram incapazes de medir ou levar em conta o crescimento espectacular tanto do valor dos activos quanto dos preços das matérias-primas, dos imóveis e dos produtos alimentares. Este crescimento foi a consequência do excesso de moeda emitida pelos bancos centrais que alimentou a explosão do crédito financiado pelos bancos e pelos sistemas de crédito paralelo.__________________________________
O financiamento do boom foi apresentado pelos bancos centrais como resultado do excesso de poupança de que não foram responsáveis, não da explosão do crédito. No entanto, a análise de Jacques Rueff, no seu livro "O pecado monetário do Ocidente" há muito que demonstrou que o fim do padrão-ouro, e a sua substituição por um sistema em que utiliza a dívida americana como moeda de reserva, engendram inevitavelmente um mecanismo de duplicação do dinheiro criado pelos bancos centrais, acompanhado de uma expansão ilimitada do volumes de crédito produzidos nos Estados Unidos e nos países superavitários, como acontece com a China de hoje. Esta avalanche de crédito, por exemplo em Espanha, financiou o boom imobiliário, e também o do sector público. Foi desta forma que a Espanha conta hoje com mais quilómetros de linhas de comboio de alta velocidade que a França e bem mais aeroportos que a Alemanha (incluindo um aeroporto novinho em folha livre de qualquer tráfego aéreo). Na maioria dos casos, estes sobreinvestimento foram financiados pelo endividamento que o Estado já não pode honrar por falta de receitas suficientes."
1Este é um tipo de afirmação que é insusceptível de ser verificada ou falsificada. Porém, há vários exemplos históricos bem conhecidos, como a forte recessão de 1920-1921 nos EUA, de que muito poucos ouviram falar talvez porque o governo de então entendeu nada fazer. A recuperação da economia foi notável logo no ano seguinte.
Um outro exemplo embaraçante para os intervencionistas keynesianos, pode formular-se por uma pergunta: por que razão, logo a seguir à II Grande Guerra, com a desmobilização em massa dos exércitos e o fortíssimo decréscimo na despesa pública, a economia americana não só não entrou em recessão como, pelo contrário, revelou um fulgor extraordinário?
Um outro exemplo embaraçante para os intervencionistas keynesianos, pode formular-se por uma pergunta: por que razão, logo a seguir à II Grande Guerra, com a desmobilização em massa dos exércitos e o fortíssimo decréscimo na despesa pública, a economia americana não só não entrou em recessão como, pelo contrário, revelou um fulgor extraordinário?
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
Associação de consumidores ou de vendedores?
Banca está a fazer concorrência desleal na venda de casas.
"A associação de consumidores [?!] Sefin considera que as condições preferenciais que os bancos oferecem no crédito para a compra das casas que têm no balanço estão a distorcer a concorrência, penalizando os particulares que querem vender os imóveis."
A regra prática a observar, sempre que alguém invoca "concorrência desleal", é que esse alguém pretende ir à carteira do consumidor e/ou do contribuinte, através da obtenção de um qualquer favor do aparelho estatal em prol dos que sofrem a tal "distorção da concorrência". Este é mais um desses casos.
O vazio extremo (2)
François Hollande, que começou por prometer congelar os preços dos combustíveis (por três meses), viu-se obrigado a adiar a oportunidade de uma tão estrutural medida, quando os preços começaram a cair nos mercados internacionais. Apontei, em devida a altura, o seu azar. Evidenciando um apurado jogo de cintura, logo então aproveitou a oportunidade para falar da introdução de um imposto uma taxa sobre a gasolina para proteger as famílias de aumentos conjunturais!!
Eis senão quando os preços do crude retomam a trajectória ascendente (ver widget na coluna à direita, no final da página), assim se materializando a oportunidade para retomar a opção inicial de "congelamento", que tinha aliás sido prometida em campanha eleitoral. Mas não. O governo francês convenceu as petrolíferas a baixar, durante três meses, as suas margens em três cêntimos; e, num passo de magia distributiva trapaceira, decidiu subsidiar os consumidores de combustíveis com os impostos dos contribuintes, em outros três cêntimos. A coisa vai custar 300 milhões de euros que irão, direitinhos, acrescer ao défice do orçamento. Para quê? Para absolutamente nada (como Guterres terá acabado finalmente por perceber quando fez, ou deixou que se fizesse, uma patetice semelhante).
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Tapando o sol como uma peneira
Espanha proíbe 'short-selling' por três meses.
ACTUALIZAÇÃO (18:03):
ACTUALIZAÇÃO (18:03):
Dei agora conta que também a Itália proibiu hoje esta prática que consiste em vender títulos que não se possuem para os voltar a comprar, pouco tempo depois, a um preço, supostamente, mais baixo. Mas como o Coyote aqui explica, com uma clareza meridiana, trata-se de um péssimo serviço dos "reguladores" (meus realces):
[B]anning short selling [as a response to economic problems] is roughly equivalent to banning criticism of the government during a political crisis. Or perhaps more accurately, its like trying to improve poll results by not polling people with negative opinions. Short-selling has utility for the actual traders involved because it helps them achieve whatever financial or risk-management goals they might have. Short-selling has utility for the rest of us because it allows the full range of opinions to be expressed about the value of a particular company or asset. Nothing in a market economy is worse than having prices that have no meaning.
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