Mostrar mensagens com a etiqueta Venezuela. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Venezuela. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Radar


A mão extensa e sombria do poder chinês nota-se em muitas das suas iniciativas, desde a sua política expansionista (veja-se a Belt and Road Initiative), até à espionagem industrial, económica e intelectual. Mas também na mãozinha que dá aos seus amigos.


Há sempre mais um degrau para descer. Ao inferno.

terça-feira, 17 de março de 2015

Quando já não se acredita nas suas próprias mentiras

Por razões que o comum dos americanos não merece conhecer, Barack Obama decidiu há dias anunciar (mais) uma situação de "emergência nacional". Trata-se agora do "extraordinário risco" que a situação política na Venezuela colocaria à segurança dos EUA. Como seria de esperar, Nicolás Maduro não enjeitou a ocasião para tornar a imputar aos inimigos externos a culpa pelas enormes dificuldades por que passa o país que desgraçadamente (des)governa - Maduro, com o petróleo venezuelano, fez jus a Friedman quanto este afirmava que caso se entregasse a gestão do deserto do Sahara ao governo federal, em cinco anos sobreviria uma escassez de areia...

Perante um pedido de comentário à reacção de Maduro às novas sanções impostas por Obama no decorrer de uma conferência de imprensa no passado dia 11, a porta-voz da secretaria de Estado, Jen Psaki, lendo uma declaração pré-preparada sobre o tema, refere a certa altura sem se rir:
«No que constitui uma política de longa data, os Estados Unidos não apoiam transições políticas concretizadas por meios não constitucionais. As transições políticas devem ser constitucionais, democráticas, pacíficas e legais.»

O leitor que faça a sua própria avaliação e, nomeadamente, que atente na linguagem corporal da porta-voz perante a incredibilidade que tais declarações suscitaram na assistência:


Mike Krieger, que conta a história, assinala o curioso facto de a ele lhe parecer que, ao longo da sua vida, a política externa dos Estados Unidos não tem visado outra coisa que não seja a iniciação de transições políticas concretizadas por meios não constitucionais. Não vejo como não o acompanhar nessa observação, especialmente válida para a América Latina.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Conheça o caminho das saídas para que, chegado seja o momento, ainda as consiga franquear

Douglas E. French, ex-presidente do Mises Institute e actual editor sénior da Laissez-Faire Books é, para além de um profundo conhecedor do funcionamento do sistema bancário, um estudioso do fenómeno das bolhas especulativas, tema que aliás abordou na sua tese de mestrado (sob orientação de Murray Rothbard) e que daria origem ao seu livro Early Speculative Bubbles and Increases in the Supply of Money (de borla, aqui, nos formatos pdf e ebook/.epub). Neste livro, Doug French aborda três episódios de especulação desenfreada que a história viria a registar, a saber: a "Tulipomania" ou "febre das tulipas", ocorrida na Holanda no século XVII (1634?-1637) e as temporalmente coincidentes bolhas da "Mississippi Company" (em França) e da "South Sea Company" (do lado de lá do Canal da Mancha), em 1719-1720, de resto interligadas entre si. Nos três casos, estabelece uma ligação de causa-efeito, espelhada no título do livro, entre uma aceleração continuada da expansão da oferta monetária, sem correspondência real a mais bens e serviços produzidos, e a consequente emergência e posterior estouro das respectivas bolhas especulativas que essa expansão provocou.

No artigo que achei interessante procurar ampliar a divulgação, através de tradução de minha responsabilidade, e cujo significativo título é Signs That It’s Time to Head for the Exits ["Sinais de Que Chegou a Altura de Nos Dirigirmos para As Saídas"], French descreve um desses episódios onde o escocês John Law [link], que aquele baptiza de "o primeiro keynesiano antes de Keynes", ensaia o recurso em grande escala da destruição do "dinheiro verdadeiro" com a intenção de "resolver" em definitivo as dificuldades do tesouro real francês (decorrentes de décadas contínuas de guerras) e acabar de vez com quaisquer restrições orçamentais à actividade governamental (se isto lhe parece familiar, tem o leitor toda a razão). Percorre de seguida o ainda recente episódio da hiperinflação no Zimbabwe (que culminou na destruição da moeda local), aborda em seguida a espiral que continua a decorrer numa Venezuela a caminho da implosão e também o pouco conhecido caso da África do Sul, todos eles exemplos do sério perigo que a instituição de sistemas de controlos de capitais sempre sinaliza, com os governos a tentar impedir a fuga às suas moedas fiat por parte dos cidadãos. Termina o artigo assinalando que os próprios americanos não estão isentos de perigos semelhantes até porque os primeiros sinais (e já são muitos) aí estão pelo que deixa um (avisado) conselho aos seus leitores. É minha convicção que, pese embora a sua extensão, a leitura integral do texto poderá proporcionar um retorno adequado ao esforço despendido. Só posso desejar que tal venha a suceder (como sempre, de preferência, no original). Os comentários e reflexões, também como sempre, serão bem-vindos.
17 de Janeiro de 2014
Por Doug French

O dinheiro verdadeiro, como o ouro e a prata, é adoptado pelo mercado e trocado por bens e serviços de modo voluntário. A moeda fiduciária governamental é algo de diferente. A maioria das pessoas esquece-se que vivemos sob leis de curso legal [link] que nos forçam a utilizar os pedaços de papel que a Reserva Federal e o Tesouro criam a partir do nada.

Fabricar notas, a um custo de cêntimos, para as trocar, em alguns casos, por uma centena de dólares, constitui um bom negócio. Criar lançamentos contabilísticos electrónicos tem um custo ainda menor. Os governos não desistirão deste negócio sem luta.

No final do processo, o governo irá fazer com que o valor do seu papel atinja o valor de, bem, do papel. Na sua essência, a impressão de dinheiro é uma forma silenciosa e sorrateira de tributar as pessoas. Eventualmente, elas aperceber-se-ão disso. Charles Mackay escreveu no seu livro, o clássico "Extraordinárias Ilusões Populares e a Loucura das Multidões" ["Extraordinary Popular Delusions and the Madness of Crowds"], "Como foi observado com sabedoria, os homens pensam em rebanho; viremos um dia a perceber que eles enlouquecem em rebanho enquanto só são capazes de recuperar a sanidade lentamente, e um de cada vez".

Estamos num processo composto de passos sucessivos e o governo sabe disso. Começaram a surgir [nos EUA] os primeiros sinais de imposição de controlos de capitais. Fazer sair do país activos financeiros no valor de 10.000 dólares é agora verboten [proibido]. O governo dos EUA estabeleceu acordos com países e bancos em todo o mundo para manter o dinheiro dentro dos EUA.

Mas o que é que acontece quando os cidadãos pretendem abandonar o dinheiro governamental? Se a História é boa indicação, o governo irá tornar-se pérfido.

John Law: o primeiro keynesiano no mundo

A França entrou em bancarrota em resultado das sucessivas guerras que travou, de 1689 a 1713, durante o reinado de Luís XIV. Como se isso não fosse punição suficiente, o povo francês teve que sofrer também as fomes de 1693 e 1694, e o extremamente frio Inverno de 1708-1709. As desvalorizações da moeda tornaram-se norma, e os franceses desenvolveram uma desconfiança para com o papel-moeda.

sábado, 26 de outubro de 2013

As economias não são destruídas num único dia

O texto abaixo é uma tradução minha do artigo de Nicolás Cachanosky, "Economies are Not Destroyed in a Day" (de onde roubei o título para o post), publicado ontem no Mises Institute. Originalmente escrito em língua espanhola e ainda que direccionado ao público argentino, porque nele se inspeccionam conceitos comummente invocados no linguajar comunicacional de hoje (entre outros, "crescimento económico", "recuperação económica", "capacidade de produção", etc.), creio que a sua leitura também permite lançar luz sobre a leitura da evolução verificada na realidade económica portuguesa. Em particular, indicando razões para o medíocre crescimento económico verificado na década passada apesar dos elevados níveis de investimento.
"No começo deste mês, o principal jornal conservador da Argentina, La Nación, publicou um editorial não assinado comparando a economia da Argentina à da Venezuela. A publicação concluiu que à medida que a liberdade económica na Argentina diminui, e que prossegue a adopção do que Chávez designou por "socialismo do século XXI", a Argentina está cada vez mais parecida com a Venezuela. Será isto verdade? Irá a Argentina sofrer o mesmo destino que a Venezuela, onde a pobreza está a aumentar e o papel higiénico pode ser considerado um luxo?

As semelhanças das regulamentações e problemas económicos que ambos os países enfrentam são realmente impressionantes, apesar das diferenças óbvias entre os dois países. No entanto, quando as pessoas são confrontadas com as semelhanças, é comum ouvir respostas como "mas a Argentina não é a Venezuela, temos mais infra-estruturas e recursos".

São as transformações institucionais, no entanto, que definem o destino a longo prazo de um país, não a sua prosperidade no curto prazo.

Imaginemos que Cuba e a Coreia do Norte se tornavam, de um dia para o outro, nos dois países que em todo o mundo mais defendiam o livre mercado e a intervenção estatal limitada. Os dois países alcançariam de imediato as liberdades civis e a liberdade económica, mas teriam ainda que acumular riqueza e desenvolver as suas economias. A mudança institucional afecta imediatamente a situação política, mas uma nova economia exige tempo para que possa ganhar forma. Por exemplo, quando a China abriu partes da sua economia aos mercados internacionais, o país começou a crescer, e estamos agora a assistir aos efeitos de décadas de relativa liberalização económica. É verdade que em muitas áreas na China continuam em falta liberdades significativas, mas hoje haveria uma China muito diferente caso [o governo chinês] se tivesse recusado a mudar as suas instituições há décadas atrás.

O mesmo ocorreria se um dos países mais ricos e desenvolvidos do mundo adoptasse as instituições cubanas ou norte-coreanas de um dia para o outro. A riqueza e o capital não se desvaneceriam em 24 horas. O país iria passar de um processo de acumulação de capital para um processo de consumo de capital e poderia levar anos ou até mesmo décadas a esgotar os cofres da riqueza anteriormente acumulada. No interim, o governo teria os recursos para jogar o jogo do socialismo populista bolivariano (i.e., venezuelano) e desfrutar da riqueza, das estradas, da infra-estrutura eléctrica e das redes de telecomunicações que foram o resultado das realidades institucionais do passado, mais orientadas à economia de mercado.

De acordo com o Índice de Liberdade Económica no Mundo do Instituto Fraser, a Argentina ocupava o 34º lugar no ano de 2000. Em 2011, no entanto, a Argentina caíra para 137º, ao lado de países como o Equador, o Mali, a China, o Nepal, o Gabão e Moçambique. Não há nenhuma dúvida de que a Argentina desfruta de  maior desenvolvimento e riqueza do que aqueles outros países. Mas poderemos continuar a ter a certeza de que essa será a situação daqui a 20 ou 30 anos? A presidente argentina é conhecida por ter afirmado que gostaria de tornar a Argentina num país parecido com a Alemanha, mas o caminho para se tornar numa Suíça ou numa Alemanha implica a adopção de instituições do tipo das suíças e das alemãs, que não é o que a Argentina está a fazer.

terça-feira, 5 de março de 2013

Uma oportunidade para a Venezuela

Morreu Hugo Chávez, um populista demagogo que, em nome da "igualdade" e da "justiça", apenas conseguiu arruinar o seu país. Como sempre aconteceu com personagens deste jaez, sempre conseguiu muitos peregrinos e uma atenção muito especial do inevitável Prof. Boaventura (ver, por exemplo, aqui). Muito boa sorte para os venezuelanos!

terça-feira, 24 de abril de 2012

Especuladores "maus" e especuladores "bons" (act.)

Sempre que os preços de algum bem de consumo corrente sobem significativamente e assim se mantêm durante um período alargado de tempo, a tese maioritária para explicar a alta do preço é, invariavelmente, atribuída aos vis especuladores (de ambos os sexos, bem entendido). Esta "narrativa" é alimentada, com um enlevo muito especial, pelos governantes em funções (nada como culpar um inimigo escondido na penumbra).

Se por um momento dermos um salto até à Venezuela, podemos constatar como Chávez abundantemente recorre à retórica exorcizante contra os especuladores. Primeiro, pela alta de preços tornada inevitável pelas rotativas do banco central; depois, após o governo ter decretado preços máximos para certos bens e serviços, pela escassez de bens daí decorrente. Bebendo nessas fontes inspiradoras que foram a escola soviética e nazi (e derivados diversos), os preços oficiais são muito baixos quando comparados com os do mercado (negro) com a consequente e inevitável escassez. Filas longuíssimas em lojas com para prateleiras escassamente povoadas e incongruências próprias do planeamento central nas "lojas do povo":  muitas galinhas e manteiga mas uma escassez tremenda de café (sim, na Venezuela!) e uma impossibilidade de obter papel higiénico. A cáfila responsável está bem identificada: os especuladores! E os ditos que se cuidem: Chávez ameaça nacionalizar todos os que se oponham aos seus planos de vender os bens e serviços aos preços que o estado achar convenientes.

Sucede, porém, que os especuladores não apostam apenas nas subidas de preços. Por estranho que a alguns possa parecer, também há quem aposte em futuras baixas de preços. É o exemplo dos contratos de futuros do crude que o gráfico seguinte evidencia (via Carpe Diem):


Vejam só que há especuladores que apostam que, lá para Dezembro de 2016, os preços do crude disponível irão baixar para menos de 90 dólares o barril (o preço spot hoje rondou os 104 dólares). Que acontecerá a estes especuladores se tal não vier a suceder? Irão perder dinheiro, claro. Mas desses especuladores os governos não falam.
__________________________
Leitura complementar: I Love Oil Speculators, por Charles Goyette.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Porquê o ouro? (2)

Por pura racionalidade:
Marc Faber: “I am not sure how high the price of gold or silver will increase but when I consider the further inevitable growth of the US and other governments’ debts, the creation of paper money in the world and especially at the low gold ownership rate in the world, I am confident that the price trend of gold is up,” Faber wrote in the August edition of his newsletter the Gloom Boom & Doom Report. - in The Jakarta Globe
Mas também por razões menos nobres:
Hugo Chávez nacionaliza produção de ouro na Venezuela

Em declarações à televisão estatal, Chávez afirmou que “[o] sector é dominado pela máfia. Nós vamos nacionalizar o ouro. Não podemos continuar a deixar que eles o roubem”

sábado, 13 de novembro de 2010

Do declínio (irreversível?) do Ocidente - IV

Via Portuguese Economy, crescimento projectado do PIB em 2010-2011 (fonte FMI)

Clicar na imagem para a aumentar

Revertendo a lógica que resultaria da aplicação do adágio chinês de que uma imagem vale mil palavras, este mapa fez-me recordar um video que por aí anda na internet e que parece ser uma paródia ao modo de vida francês, "paradigma" do país ocidental. Paródia ou não, o conteúdo das legendas (em francês) vai direito ao cancro de que padecemos e que o mapa acima ilustra à perfeição (a Venezuela também lá está a vermelho escuro mas por outras razões...).