terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Examinando o nosso "frágil planeta"

Foi o que se propôs fazer Walter Williams em Our Fragile Planet onde desmonta alguns dos mitos que, na ausência de qualquer espécie de contraditório, são continuamente inoculados pelo monólito que constitui o sistema estatal escolar, do jardim infantil à universidade, pela doutrina do politicamente correcto e, muito em particular, do ambientalismo. A argumentação, como sempre acontece com Williams, é apresentada de forma simples (que não simplista) mas nem por isso menos poderosa. A tradução do texto é da minha responsabilidade.
"Examinemos algumas declarações que reflectem uma visão tida por completamente inquestionável. "O mundo é belo mas frágil." "O 3 º calhau a contar do Sol é um frágil oásis." E ainda um par de citações do Dia da Terra: "Lembremo-nos que a Terra precisa de ser salva a cada dia que passa." "Lembremo-nos da importância de cuidarmos do nosso planeta. É a única casa que temos!" Tais declarações, associadas a previsões apocalípticas, são uma especialidade dos ambientalistas, extremistas ou não. Pior ainda é o facto desta doutrinação da "frágil Terra" ser alimentada à nossa juventude desde o jardim de infância pela universidade fora. Examinemos o quão frágil é a Terra.

Walter E. Williams
A erupção de 1883 do vulcão de Krakatoa, situado na actual Indonésia, teve uma potência equivalente a 200 megatoneladas de TNT. Isso é o equivalente a 13.300 bombas atómicas de 15 quilotoneladas, do tipo que destruiu Hiroshima em 1945. Precedendo essa erupção, em 1815 deu-se a erupção do Tambora, igualmente na actual Indonésia, que detém o recorde da maior erupção vulcânica conhecida. Foi então expelida uma tal quantidade de detritos na atmosfera, bloqueando a luz solar, que 1816 se tornou conhecido pelo "Ano Sem Verão" ou "O Verão Que Nunca Aconteceu". Isso levou à perda de colheitas e à morte de gado em grande parte do Hemisfério Norte e provocou a pior fome do século XIX. A erupção do Krakatoa, ocorrida em 535 d.C., teve uma força tal que fez desaparecer grande parte da luz e do calor do sol durante 18 meses e diz-se que conduziu à Idade das Trevas. Os geofísicos estimam que em apenas três erupções vulcânicas, Indonésia (1883), Alaska (1912) e Islândia (1947), foram expelidos para a atmosfera mais dióxido de carbono e dióxido de enxofre do que em todas as actividades da humanidade ao longo de toda a nossa história.

Como é que a nossa frágil Terra lidou com as cheias? A China é, provavelmente, a capital mundial das inundações gigantescas. As cheias do Rio Amarelo, de 1887, custaram a vida a um número de pesoas estimado entre os 900 mil e os 2 milhões. As cheias na China, em 1931, foram ainda piores, provocando um número de mortos situado entre 1 milhão e 4 milhões. Mas a China não detém um monopólio sobre as inundações. Entre 1219 e 1530, a Holanda sofreu cheias que levaram a vida de cerca de 250.000 pessoas.

E que dizer do impacto dos terramotos na nossa frágil Terra? O terramoto de Valdivia, no Chile, em 1960, atingiu os 9,5 graus na escala de Richter, uma potência equivalente a mil bombas atómicas a detonar em simultâneo. O mortífero sismo de 1556, na província chinesa de Shaanxi, devastou uma área de 840 km2. Mais recentemente, o sismo de Dezembro de 2004 no Oceano Índico, de magnitude 9.1, causou um fatídico tsunami no dia seguinte ao Natal, e o mortal terramoto de Março de 2011, de 9,0 graus de magnitude, atingiu o leste do Japão.



Imagem retirada daqui
A nossa frágil Terra enfrenta ainda o terror do espaço sideral. Há dois mil milhões de anos atrás, um asteróide atingiu a Terra, criando a cratera Vredefort na África do Sul. Ela tem um raio de 190 quilómetros, o que a torna a maior cratera de impacto do mundo. No Ontário, existe a Bacia do Sudbury, que resultou de uma queda de meteoros há 1 milhão e 800 mil anos atrás, que tem um diâmetro de 130 quilómetros, o que faz dela a segunda maior estrutura de impacto na Terra. A cratera de Chesapeake Bay, em  Virgínia, é um pouco menor, cerca de 85 quilómetros de largura. Depois, há a famosa mas insignificante Cratera do Meteoro, no Arizona, com pouco mais de 1 quilómetro de largura.

Assinalei apenas uma ínfima parcela dos eventos cataclísmicos que atingiram a Terra - ignorando categorias inteiras, tais como tornados, furacões, queda de raios, incêndios, tempestades, deslizamentos de terra e avalanches. Apesar destes eventos cataclísmicos, a Terra sobreviveu. A minha pergunta é: quais dessas forças da natureza podem ser igualadas pela humanidade? Por exemplo, pode a humanidade duplicar os efeitos poluentes da erupção vulcânica do Tambora de 1815 ou o impacto do asteróide que exterminou os dinossauros? Constitui o cúmulo da arrogância pensar que a humanidade pode provocar alterações paramétricas significativas na Terra ou igualar as forças destrutivas da natureza.

Ocasionalmente, os ambientalistas deixam cair a máscara e revelam a sua verdadeira agenda. Barry Commoner [link] afirmou que "O capitalismo é o inimigo número um da Terra." [link] O professor do Amherst College, Leo Marx, disse: "Por motivos ecológicos, a razão de ser de um governo mundial é indiscutível" [link]. Com o declínio da União Soviética, o comunismo perdeu uma considerável respeitabilidade e está agora reembalado como ambientalismo e progressismo."

8 comentários:

Floribundus disse...

de Agadir ao Pacífico ocorreram inúmeros terramotos na Itália e países Muçulmanos.
sem falar nos de Lisboa das décadas de 60 e 90

erupções na Itália, Filipinas, etc

os cu-er-cus e peves procuram ignorar que vivemos num planeta vivo.

tem particular interesse para mim o do Vesúvio em 79AD pela destruição de Pompeia e Herculano, morte de Plínio, o Velho e descrição publicada pelo Novo.

por causas genéticas estudo a alimentação dos hominideos por via química dos coprolitos e dos residuos ósseos por isotop+os estáveis

BC disse...

Creio que o ambientalismo já atingiu o pico da popularidade e entrou na fase de declínio. A estagnação da temperatura da Terra nos últimos 15 anos tem sido uma dura prova para as teorias do aquecimento.

O comunismo durou cerca de 70 anos e o ambientalismo já leva cerca de 35. Se estabelecermos um paralelismo entre os dois movimentos a minha assunção anterior faz sentido.

A última conferência das Nações Unidas para as alterações climáticas foi um fiasco para as pretensões dos ambientalistas (se calhar por isso os jornais não lhe deram grande importância).

É pena todo o dinheiro que já foi desperdiçado (nomeadamente em fontes renováveis de energia) e todas as oportunidades que já foram perdidas em nome da "salvação" do planeta.

Mas confesso estar cada vez menos preocupado com a ameaça ambientalista. Será cada vez mais complicado, com a actividade solar a abrandar nas próximas décadas e a Terra a arrefecer, manter a narrativa do aquecimento global.

Anónimo disse...

Este "artigo" carece de profundidade intelectual.
Não podemos excluir o poder de recuperação da Terra que ninguém o nega, o que podemos é minorar os efeitos negativos do homem na Terra!

Precisamos de saber que a terra não vai acabar para a poluir?!

A poluição em todas as suas vertentes não mata só a terra, mata quem habita nela, prejudica a saúde de TODOS os SERES VIVOS.

Dai a apregoar o fim da Ecologia ou assumir que tal é uma moda só pode ser uma piada.

Anónimo disse...


e já agora... este "iluminado" que escreveu o livro tem uma agenda muito própria...

Advoga o capitalismo sem regras... que tem tido bons resultados!

As an economist, Williams is a proponent of free market economics and opposes socialist systems of government intervention.[12] "I praise lassez-faire capitalism as being the most moral and most productive system man has ever devised. Capitalism is relatively new in human history. Prior to capitalism, the way people amassed great wealth was by looting, plundering and enslaving their fellow man. Capitalism made it possible to become wealthy by serving your fellow man."[13][not in citation given] In advancing these theories, Williams has said "That's a challenge I love: making economics fun and understandable."[14]

In: wikipedia

Josevanio Cruz disse...

Eu não duvido que o ser humano pode ocasionar mudanças climáticas. Mas analisando: não podemos fazer o mesmo estrago que o meteoro dos dinossauros, mas podemos destruir a camada de Ozônio de matar e matar todos os pobres com câncer de pele ( eles não compram filtro solar), podemos poluir os rios e matar os pobres intoxicados com mercúrio ou seja lá o que for ( eles não vão comprar água destilada)... Que o planeta vai se recuperar, isso é totalmente lógico, sempre se recuperou. A pergunta é: ainda existirão humanos nesse planeta recuperado? O planeta é forte e todos os seres vivos seriam abençoados se os humanos morressem. Acredito que mais cedo ou mais tarde, esse primatas de cérebro enorme vão se matar cruelmente. Apenas isso.

Eduardo Freitas disse...

Caro Josevanio Cruz,

Antes de mais, obrigado pelo seu comentário.

Quem estiver de boa-fé e for minimamente informado não pode negar que o conjunto das actividades humanas não interfira no sistema de que faz parte, nomeadamente no clima da Terra. A questão sempre foi e continua a ser, apesar dos que teimam em afirmar que a "ciência está estabelecida e que é preciso agir e já não debater", qual é a magnitude desse impacto. Ora, há muitas razões científicas para supor que esse impacto (a "derivada", para usar um conceito matemático) é muito mais baixo que aquele apontado pelos catastrofistas. Entre muitos outros e em termos muito acessíveis (embora escrito em Inglês), Warren Meyer tem um bom artigo sobre este tema.

E depois, para já não falar dos comportamentos éticos inaceitáveis e da utilização de truques estatísticos mistificadores por parte de cientistas que actuam como ayatholas fundamentalistas e assim negam o que deviam ser os seus pergaminhos, há uma singela questão - usem-se quaisquer das séries disponíveis de registo de temperaturas, em particular as disponibilizadas pelas medições por satélite (RSS) as temperaturas não têm subido de há 15/17 a esta parte... Está na altura de analisar outras hipóteses. Por exemplo, esta.

Saudações

Eduardo Freitas

Josevanio Cruz disse...

Passarei a acompanhar o seu blog.
Não me considero de esquerda nem de direita, pois acho essa divisão muito limitada ( um Estado misto seria o mais praticável, com instituições comunitárias dentro de um capitalismo). De modo que entender ao máximo os mais diferentes pontos de vista. De qualquer forma, já guardei a página nos favoritos.

Eduardo Freitas disse...

Caro Josevanio Cruz,

Ficamos gratos pelo facto de termos ganho um leitor mesmo que possamos discordar nos nossos pontos de vista. Mas é do contraste de posições e da sujeição das mesmas a debate, de forma civilizada e sempre de boa-fé, que a luz da verdade acaba por emergir.

Saudações,

Eduardo Freitas