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sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Constantes


Quando estamos num barco e contemplamos a orla marítima, não é esta que se mexe e oscila. Antes, é o barco onde estamos que baloiça. .

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Pelo espelho retrovisor

Certos cenários não passam de cantigas de embalar

Julgando olhar para a frente, os demiurgos que comandam e controlam o sistema parecem ver apenas o reflexo do espelho retrovisor. Os próximos metros que temos pela frente, na estrada sinistra que percorremos, revelam-se muito difíceis.
Esta breve entrevista a Kyle Bass demonstra que não estamos plenamente conscientes do que há ainda para corrigir nos mercados emergentes, preciosos auxiliares da bolha financeira e exportadores de bens que por cá compramos.
Até quando conseguiremos ouvir ou ler as previsões de "crescimento moderado" ou "consolidação da situação macroeconómica", que os demiurgos não se cansam de projectar para a Europa ou para os EUA, sem resposta crítica?
Terá sido a decisão de Yellen um primeiro sinal do falhanço da Narrativa?



quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Citação do dia (190)

Hoje em dia, o sistema financeiro global é um complexo sistema de redes electrónicas motivadas pela fé. À medida que progridem as bolhas globais, um grande conjunto de dogmas financeiros será exposto por aquilo que é: uma ilusão. E muitos desses dogmas foram usados como simples truques.
A finança global não passa, na sua maior parte, de um labirinto de ´promessas de pagamento`. E o valor dessas promessas depende da confiança e da fé. (...)
A crise nessa confiança acelerou nesta última semana.
Os últimos sete anos mostram-nos uma expansão da dívida nos mercados emergentes, liderada por aquela que deveria ser muito assustadora bolha no crédito na China.(...)
Esta semana vimos indicações do que tem potencial para despoletar essa crise de confiança no sistema bancário na Ásia e nos restantes mercados emergentes. A fé de que as autoridades chinesas (ou as autoridades desses mesmos mercados emergentes) têm a situação sob controlo está, seriamente, posta em causa. (...)
De acordo com a SNL Financial, os bancos chineses ocupam agora quatro dos cinco lugares de topo na lista dos maiores bancos mundiais. Analisando os balanços no final de 2014, os quatro grandes bancos chineses – Banco de Comércio e Indústria da China, Banco de Construção da China, Banco de Agricultura da China e Banco da China – terminaram 2014 com activos na ordem dos 87,59 triliões de yuan ou 13,7 triliões de dólares. Os activos totais destes bancos cresceu 64% em quatro anos. (...)
Na semana que passou ficou visível o desenvolvimento nas grandes rachas do sistema financeiro global. Fiz as contas às descidas dos títulos bolsistas dos dez maiores bancos mundiais: 1) Banco de Comércio e Indústria da China perdeu 6,1%; 2) Banco de Construção da China perdeu 6,9%; 3) Banco de Agricultura da China perdeu 4,9%; 4) HSBC perdeu 6,6%; 5) Banco da China perdeu 6,1%; 6) JP Morgan Chase perdeu 6,2%; 7) BNP Paribas perdeu 4,4%; 8) Mitsubishi UFJ Financial Group perdeu 7,5%; 9) Banco da América perdeu 9,0% e 10) Barclays perdeu 6,4%.(...)
A visão do abrandamento global foi confirmada esta semana.
É sempre pior do que tu pensas.

Doug Noland, "É sempre pior do que tu pensas", 22 de Agosto de 2015

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Radar

Procurei, com a diligência que a meteorologia dos últimos dias permitiu, alguma informação acerca da variação do preço do ouro nos meios de comunicação convencional nacionais. Não encontrei.
Especialmente depois de, nas últimas semanas, se terem multiplicado títulos de objectividade duvidosa, mas intenção bem clara.
Assim, e sem preocupação especial, mostra-se o gráfico abaixo. Dada a guerra monetária em curso por esse mundo fora (que não tem tratamento crítico no comentário publicado), assim como a quebra em vários índices bolsistas (o mesmo para o preço do petróleo), o ouro continua a cumprir o seu papel.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Farol no mar revolto

Segundo a tese do iminente rebentar global das bolhas, o Brasil tem estado no topo das minhas preocupações. Lamentavelmente, está a tornar-se a imagem de marca das consequências globais da “Finança Selvagem”, livre de constrangimentos, sob a qual vivemos: fluxos financeiros instáveis, excessos na especulação e no crédito, corrupção e más práticas, desajustamento estrutural, tensões sociais crescentes e instabilidade política.
Esta semana pudemos ver o Brasil publicar um maior do que o esperado défice nas Contas Correntes (2.5 biliões de dólares). A inflação está acima dos 9%, a sua moeda está em apuros e o banco central terá de saldar uma grande quantidade de contratos que envolvem moedas estrangeiras (currency swaps). O maior banco dirigido pelo estado está cada vez mais vulnerável. E a economia brasileira deverá contrair 2% este ano. O índice Bovespa desceu 6% esta semana para um mínimo de quatro meses. E os contratos de risco de crédito (CDS) brasileiros subiram para o nível mais elevado desde Março.
Com a atenção recentemente focada na China e na sua bolsa, ou no fiasco Grego, o Brasil tem voado por debaixo do radar.
Depois de um duro 2014, o Brasil tem sido visto no mercado como um beneficiário dos estímulos chineses e da expectativa da recuperação dos preços das matérias-primas. O rebentamento da bolha no índice e nos títulos chineses está a forçar uma grande revisão na visão optimista mais generalizada. As matérias-primas estão em queda livre e o mercado está a ser forçado a rever em baixa as expectativas para as economias dependentes de matérias-primas e respectivas moedas. Daí que o Brasil tenha de estar no topo da lista, tem de estar no nosso radar.

Doug Noland, "O velho. O mesmo velho", 25 de Julho de 2015.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Citação do dia (187)

Quais são as principais lições que os legisladores devem retirar da análise do ano de 1944, quando se preparam para discutir a reforma do sistema financeiro internacional?

Na essência, Bretton Woods foi um acordo entre duas nações cujas políticas eram cruciais para o sistema financeiro internacional daquela época: os Estados Unidos, a dominante nação credora, e a Grã-Bretanha, o seu maior devedor. Aquele concordou em dar assistência às nações que lutavam com défices nas contas correntes, e o último negando insistentemente desvalorizações competitivas.
Actualmente, um roteiro para a cooperação nas reformas necessárias ao sistema monetário parece estar fora da agenda política. O maior credor mundial (a China) e o seu maior devedor (os EUA) não parecem disponíveis para sublimar as suas prerrogativas na esfera monetária – a China em controlar a sua taxa de câmbio e os EUA em controlar as taxas de juro em dólares - numa qualquer concepção abstracta de bem comum. Isto significa que as mudanças ao sistema serão, muito provavelmente, desordenadas e confrontacionais.
Por exemplo, as moedas dos mercados emergentes e a venda apressada das suas obrigações, logo após o planeado abrandamento das políticas de injecção de liquidez da Reserva Federal em Maio do ano passado, irão incentivar as nações emergentes a evitar a apreciação das suas moedas quando os tempos estão bons, a programar um superavit permanente nas suas contas correntes e a aumentar fortemente as suas reservas em dólares. Os responsáveis americanos referem-se a estes pacotes de medidas como “manipulação monetária” e estão já a exigir provisões que tornem ilegais estas práticas em todos os futuros acordos comerciais.