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sábado, 14 de julho de 2018

Rápida Master Class

"As três teorias acerca do sector bancário"

Já por aqui demos conta de um magnífico estudo/documentário conduzido por Richard Werner (Príncipes do Yen) e encontrámos mais um belo documento deste autor, onde se procede à rápida exposição e análise do "negócio" (notem-se as aspas) bancário nas nossas economias. A apresentação dura cerca de quinze minutos e é elucidativa.

Alguns dos pontos fortes da apresentação são os seguintes:
- o sector bancário e a sua história mostram o carácter, simultaneamente, excepcional e perverso de uma ideologia política;
- não há consciência social da natureza das relações que julgamos estabelecer com as instituições bancárias e financeiras;
- se os governos quisessem - verdadeiramente - resolver alguns problemas, as soluções são conhecidas;
- centralização e descentralização das decisões financeiras;
- importa partilhar visões alternativas acerca das potencialidades destas instituições;
- o crédito e a moeda;
- o risco moral - dimensões política, monetária e social.

Pode assistir-se ao período de perguntas e respostas com os intervenientes na sessão (aqui).

Boas reflexões e bom fim-de-semana.

terça-feira, 7 de março de 2017

Terapia de choque ou uma conversa entre cavalheiros?

"Haverá uma maldição financeira?"

No vídeo que aqui partilhamos, muitos são os detalhes que importa sublinhar. Seja o nível intelectual, a cordialidade e a actualidade dos temas aqui tratados.

O anfitrião Ross Ashcroft (realizador do premiado "Os Quatros Cavaleiros do Apocalipse") dirige, com um ritmo, com uma qualidade e um tacto raro no jornalismo económico, uma entrevista/debate acerca da possibilidade da existência de uma maldição financeira. Os convidados são o académico Richard Werner (autor da expressão Quantitative Easing e já aqui lhe demos destaque) e David Buik, comentador económico londrino.

A verdadeira natureza do negócio bancário das últimas décadas é aqui explicada com uma facilidade estonteante. O papel do crédito e da moeda no contexto das necessidades produtivas do mercado e as suas consequências nas crescentes desigualdades sociais são aqui relacionadas de um modo muito esclarecedor.

A rematar uma consideração histórica: a cidade de Londres não é uma jurisdição britânica. Não faz parte do Reino Unido. A rainha tem de pedir autorização para lá se deslocar.

Imperdível para perspectivar o presente.



Por que haveremos de pagar tão caro por um "serviço de intermediação que funciona, ainda por cima, em circuito fechado"?
Uma pérola, certo?

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Farol no mar revolto

Segundo a tese do iminente rebentar global das bolhas, o Brasil tem estado no topo das minhas preocupações. Lamentavelmente, está a tornar-se a imagem de marca das consequências globais da “Finança Selvagem”, livre de constrangimentos, sob a qual vivemos: fluxos financeiros instáveis, excessos na especulação e no crédito, corrupção e más práticas, desajustamento estrutural, tensões sociais crescentes e instabilidade política.
Esta semana pudemos ver o Brasil publicar um maior do que o esperado défice nas Contas Correntes (2.5 biliões de dólares). A inflação está acima dos 9%, a sua moeda está em apuros e o banco central terá de saldar uma grande quantidade de contratos que envolvem moedas estrangeiras (currency swaps). O maior banco dirigido pelo estado está cada vez mais vulnerável. E a economia brasileira deverá contrair 2% este ano. O índice Bovespa desceu 6% esta semana para um mínimo de quatro meses. E os contratos de risco de crédito (CDS) brasileiros subiram para o nível mais elevado desde Março.
Com a atenção recentemente focada na China e na sua bolsa, ou no fiasco Grego, o Brasil tem voado por debaixo do radar.
Depois de um duro 2014, o Brasil tem sido visto no mercado como um beneficiário dos estímulos chineses e da expectativa da recuperação dos preços das matérias-primas. O rebentamento da bolha no índice e nos títulos chineses está a forçar uma grande revisão na visão optimista mais generalizada. As matérias-primas estão em queda livre e o mercado está a ser forçado a rever em baixa as expectativas para as economias dependentes de matérias-primas e respectivas moedas. Daí que o Brasil tenha de estar no topo da lista, tem de estar no nosso radar.

Doug Noland, "O velho. O mesmo velho", 25 de Julho de 2015.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Movimentações Tectónicas

Indícios da geopolítica do futuro


Tem vindo a mostrar-se no palco da verdade oficial, lenta mas paulatinamente, a criação do Banco Asiático de Investimento e Infraestruturas (AIIB). Este banco, que já ultrapassa os quarenta países subscritores, é a resposta chinesa ao Banco Mundial, por um lado, e ao facto dos americanos não terem dado cumprimento às mudanças no regime de quotas e composição dos Direitos Especiais de Saque (SDR´s) do FMI a que estão obrigados desde 2010 (referências nossas aqui, aqui e aqui).

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Radar

"Acumulam-se os relatos de investigações feitas aos maiores bancos do mundo. Das taxas interbancárias à negociação de futuros monetários, não deixando de parte as intervenções ilegais no mercado dos metais preciosos (aqui e aqui). Os verdadeiros negócios que estas "empresas" fazem devem ser de tal magnitude que permitem fazer face às multas como se de um simples custo de operação se tratasse.
Seguramente, desconhecemos muito do que se passa.
Fazer perguntas incómodas? Manter espírito crítico face à "realidade depurada"? "Isso é para amantes de teorias da conspiração".
Claro.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Citação do dia (167)

"No seu “World Economic Outlook” de Outubro de 2012, o FMI analisa com detalhe as provas práticas da austeridade e não gostou do que encontrou. Em particular, o FMI concluiu que o multiplicador associado ao aumento da carga fiscal pareceu maior do que tinham, previamente, assumido. Ou seja, por cada aumento da carga fiscal há uma contracção económica correspondente, que é maior do que se esperava. Isto resulta numa maior diminuição da actividade económica e ao, infeliz, desfecho de aumentar a percentagem da dívida pública face ao PIB. Que seria o oposto do esperado e desejado. Enquanto o FMI prefere não usar o termo, o que acabei de descrever é a armadilha da dívida.
A partir de um certo ponto, uma economia acumula mais dívida do que aquela que pode pagar sem recorrer a uma desvalorização da moeda. No caso desses países terem recorrido a crédito numa moeda estrangeira, então nem a desvalorização funcionará e alguma forma de reestruturação ou incumprimento se tornam necessários para liquidar a dívida.
O FMI está, tacitamente, a admitir que aquelas economias da zona euro que estão em esforço – e para já a falhar – na aplicação da auteridade, são vítimas da armadilha da dívida."

As novas roupas dos keynesianos” – John Butler

sexta-feira, 28 de março de 2014

A Morte da Moeda

Tenho trazido à consideração dos leitores a temática da reformulação do sistema monetário internacional. Assinalei também alguns dos contornos que este tema possui (aqui e aqui). Publica-se agora a tradução da entrevista realizada por Koos Jansen a James Rickards a propósito da publicação do seu livro - "The Death of Money" (lançamento internacional a 3 de Abril e sem tradução portuguesa prevista) - que tem, como pano de fundo, a situação difícil do sistema monetário e financeiro internacional e as possibilidades da sua evolução, articulando com precisão o papel das grandes potências económicas (presentes e futuras), a função disciplinadora do ouro e alguns dos argumentos da Escola Austríaca de economia.
A tradução é da minha responsabilidade, bem como algumas observações ou sublinhados.

Willem Middelkoop, Koos Jansen e James Rickards


James Rickards e "A morte do dinheiro" - 14 de Março de 2014

Koos Jansen – Considera que haverá um colapso do sistema monetário global, acompanhado de caos social e problemas nos bancos face ao que os políticos não estão a fazer ou farão tarde demais?
James Rickards – O meu livro mais recente – The Death of Money – é, justamente, acerca da morte do dólar. Um colapso monetário global e o colapso do dólar são uma e a mesma coisa. O dólar é a chave do actual sistema, ora se o mundo deixar de ter confiança nessa chave, então, o sistema como o conhecemos entra em derrocada.
Se ocorrerão distúrbios a acompanhar esse colapso? Bem, penso que eles já estão a acontecer. Veja-se a Ucrânia, a Crimeia. A China está a enviar navios para o largo das ilhas que disputa com o Japão. Podemos ver também tensões e conflitos associados à primavera árabe por causa disso. É inegável que há sinais preocupantes em diversas regiões. Considero que os políticos vão continuar a prosseguir políticas erradas, não julgo que façam as reformas e ajustes necessários: o desemprego continua alto, o crescimento continua anémico e o perigo de deflação está à espreita. Estes fenómenos potenciam a instabilidade social, as disparidades no rendimento e riqueza. Assistiremos ao agudizar destes problemas durante o definhar do sistema.
Os bancos centrais e os governos já disseram que os maiores bancos e instituições finaceiras não podem cair. Isto impedirá, igualmente, que as correcções aconteçam. Quais são as consequências que conhecemos dessas decisões? Bom, isso convida a práticas irresponsáveis e a posturas parasitárias por parte dos banqueiros. Isso permite que eles cresçam e que destabilizem o sistema. Julgo que não veremos, para já, falências de grandes bancos, no entanto, quando o colapso acontecer alguns deles vão cair. É a própria política dos grandes demais para cair que conduz ao agravamento das disfunções no sistema e isso levará ao colapso.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Qual destes não é como os outros?



O ouro é energia económica condensada
Michael Maloney

Apresentou-se no primeiro artigo desta série um conjunto de dados relativos às variações do preço do ouro. Evidenciou-se a volatilidade do preço, em papel-moeda, do ouro.
A partir do episódio da série que recomendámos podemos inferir uma das mais importantes razões para esta volatilidade. O dinheiro (verdadeiro, sólido) mede a expansão do papel-moeda que os governos proporcionam. Assim, quando se procede à criação de mais papel-moeda procede-se, simultaneamente, à dissolução do valor unitário de cada um desses papéis. O que provocará o efeito correspondente no aumento da quantidade de papel-moeda que cada um de nós tem de trocar para adquirir os bens de que necessita, assim como o ouro. Note-se que não é o valor intrínseco dos bens que aumenta, é o valor de cada uma das unidades de papel-moeda que diminui.
Consideremos noutra perspectiva a relação entre moeda e dinheiro. Alguns dirão que é esta a perspectiva que melhor expressa o mal que subjaz ao modo de organização política e económica das sociedades actuais.
As democracias manifestam uma tensão constitutiva que põe em causa a sua viabilidade como forma de governo. A democracia existirá enquanto os eleitores não compreendam que podem atribuir-se, pelo voto e acção de maiorias, benefícios de natureza monetária a partir do erário público. No momento em que o compreendam é fácil concluir o que acontece: a maioria vai eleger aqueles que garantam a atribuição de uma fatia maior desses benefícios. Colocando em contexto este raciocínio, o resultado desta estratégia resultará num desequilíbrio importante. E a questão que emerge é então: onde ir buscar moeda para satisfazer estas necessidades? As as soluções são conhecidas de todos – aumento de impostos ou... impressão de papel-moeda. Concentremo-nos na segunda, pois é ela que mais tem contribuído para aprofundar os problemas económicos e sociais das sociedades actuais. Importa compreender que a impressão de papel-moeda e criação de dívida são uma e a mesma coisa. E moeda não é dinheiro.
Compreenderão, então, os leitores onde estamos?
Tendo presente a questão que dá título a este desafio, considere-se uma pilha de notas do jogo “Monopólio”, uma pilha de notas de euro e uma moeda de ouro (1oz de ouro puro). Qual destes não pode ser impresso arbitrariamente? Qual deles não representa um crédito sobre outrem? Qual deles pode impedir a erosão da Liberdade que representa uma dívida galopante? 
Crianças de onze anos saberiam a resposta. E nós?


 
(imagem retirada daqui)