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sexta-feira, 15 de maio de 2015

Citação do dia (186)

“Na análise de casos históricos e presentes de excessivo endividamento, notamos algumas tendências transversais que importa sublinhar:

- em primeiro lugar, quando todas as grandes economias enfrentam um elevado crescimento da sua dívida, nenhuma delas pode ser um motor para o crescimento económico mundial; esta condição está tão presente agora como estava nos anos de 1920-1930;

- em segundo lugar, as desvalorizações monetárias resultam enquanto os países tentam estimular o crescimento à custa uns dos outros; os países são forçados a fazer isso, porque a política monetária é, na verdade, ineficaz;

- em terceiro lugar, estas desvalorizações providenciam um estímulo à actividade económica, mas os benefícios são transitórios, porque os outros países estão do lado que perde e vão retaliar; no fim, cada uma das partes acaba por ficar numa pior condição e este processo é perturbador para os mercados;

- em quarto lugar, as economias historicamente mais avançadas só puderam curar o seu endividamento através de um período de significativo aumento da poupança e da austeridade; e historicamente a austeridade começa por uma das seguintes causas: quando é auto-imposta, por exigências externas ou por circunstâncias imprevistas. ”

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Citação do dia (167)

"No seu “World Economic Outlook” de Outubro de 2012, o FMI analisa com detalhe as provas práticas da austeridade e não gostou do que encontrou. Em particular, o FMI concluiu que o multiplicador associado ao aumento da carga fiscal pareceu maior do que tinham, previamente, assumido. Ou seja, por cada aumento da carga fiscal há uma contracção económica correspondente, que é maior do que se esperava. Isto resulta numa maior diminuição da actividade económica e ao, infeliz, desfecho de aumentar a percentagem da dívida pública face ao PIB. Que seria o oposto do esperado e desejado. Enquanto o FMI prefere não usar o termo, o que acabei de descrever é a armadilha da dívida.
A partir de um certo ponto, uma economia acumula mais dívida do que aquela que pode pagar sem recorrer a uma desvalorização da moeda. No caso desses países terem recorrido a crédito numa moeda estrangeira, então nem a desvalorização funcionará e alguma forma de reestruturação ou incumprimento se tornam necessários para liquidar a dívida.
O FMI está, tacitamente, a admitir que aquelas economias da zona euro que estão em esforço – e para já a falhar – na aplicação da auteridade, são vítimas da armadilha da dívida."

As novas roupas dos keynesianos” – John Butler