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sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Masterclass - Grant Williams

"Coisas que te fazem exclamar: hmmmm"

O vídeo que hoje publicamos é mais uma pérola de Grant Williams. Este trabalho foi apresentado no evento "Mines & Money" que decorreu em Londres em Dezembro último.
O título da apresentação encapsula a ideia principal do estado presente da percepção comum acerca do mercado dos metais preciosos: "Ninguém quer saber".
A qualidade (quantitativa e qualitativa) na apresentação dos dados, o humor e a ironia com que Williams desarma qualquer apaixonado-pela-economia-de-papel são razões mais do que suficientes para justificar o exercício reflexivo de Williams.

A análise coloca em contexto vários dados, comparando especialmente os diferentes veículos de investimento comuns face aos riscos implícitos do presente económico e financeiro. Bem como os mecanismos do estabelecimento do preço dos metais preciosos, especialmente do ouro e das acções das empresas de mineração e dos seus activos.

Atravessando a análise está a ideia de que, de algum modo e a qualquer altura, a disponibilidade e a oferta dos metais no Ocidente tem de mudar radicalmente. É a matemática... e é neste ponto que relembro o facto de metade das reservas de ouro portuguesas (aproximadamente 191 toneladas) estarem depositadas no Banco de Inglaterra. Mas - atenção - estão depositadas segundo o estatuto de "Depositado", ou seja, não fazem parte de uma reserva física. Esse é que é o problema.
Dado o estudo e os dados aqui perspectivados, a hipótese desse ouro poder estar a fazer parte de um grande jogo de papel ou geringonça contabilística deve ser equacionado.

Esperemos que antes do dia em que a matemática se fizer sentir. Ou antes que todos passem a querer saber.


sexta-feira, 15 de maio de 2015

Citação do dia (186)

“Na análise de casos históricos e presentes de excessivo endividamento, notamos algumas tendências transversais que importa sublinhar:

- em primeiro lugar, quando todas as grandes economias enfrentam um elevado crescimento da sua dívida, nenhuma delas pode ser um motor para o crescimento económico mundial; esta condição está tão presente agora como estava nos anos de 1920-1930;

- em segundo lugar, as desvalorizações monetárias resultam enquanto os países tentam estimular o crescimento à custa uns dos outros; os países são forçados a fazer isso, porque a política monetária é, na verdade, ineficaz;

- em terceiro lugar, estas desvalorizações providenciam um estímulo à actividade económica, mas os benefícios são transitórios, porque os outros países estão do lado que perde e vão retaliar; no fim, cada uma das partes acaba por ficar numa pior condição e este processo é perturbador para os mercados;

- em quarto lugar, as economias historicamente mais avançadas só puderam curar o seu endividamento através de um período de significativo aumento da poupança e da austeridade; e historicamente a austeridade começa por uma das seguintes causas: quando é auto-imposta, por exigências externas ou por circunstâncias imprevistas. ”

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Delícias para as noites de Verão

Toda uma outra História

Recentemente mão amiga fez-me chegar um exemplar da revista Exame (Julho 2014). Não foi o tema de capa ou o teste a um Maserati ("de luxo" escreveram, mas há de outro tipo?) que motivou essa chamada de atenção, mas o dossiê "Os grandes banqueiros da História". Para lá do tom deslumbrado das descrições e da narrativa focada em oposições superficiais (para enaltecer o carácter dos "vencedores", digamos), uma passagem deixou-me perplexo. Não sei se pela perigosa simplificação (mal de que padecem publicações convencionais) ou da (muito pior) deturpação histórica que essa passagem encerra. A passagem é a seguinte (com edição minha):

"O ouro e a operação de salvamento
(…) Durante o pânico euro-americano de 1890-1895, on investidores europeus vendem os seus dólares. O Estado Federal arrisca uma crise de liquidez, senão mesmo entrar em incumprimento. J.P.Morgan monta, na Casa Branca, a operação de salvamento (…) A confiança recuperada permite a revenda dos títulos com lucro e depois de propor um empréstimo público de 67 milhões de dólares, em 1896, montado por J.P.Morgan. A sua capacidade transatlântica e, sobretudo, a sua habilidade jurídica e financeira entram para a história da banca. Isto conduzirá ao estabelecimento oficial do gold standard (padrão-ouro) nos Estados Unidos, em 1900."

Esta passagem é uma evidência da simplificação a que estamos sujeitos através dos meios de comunicação convencional. Tom deslumbrado? O título desta secção ("O ouro e a operação de salvamento") é tudo o que basta para o evidenciar. Exemplo de oposições superficiais? Repare-se na oposição entre entre os "investidores europeus" (os maus) e "J.P.Morgan" (o bom). Mas se alguém perguntar porque vendiam os europeus os seus dólares, fica sem saber. Conclui pelo papel absolutamente altruísta e desinteressado de J.P.Morgan. Simples, não é?
Mas o banqueiro "monta operações de salvamento" a partir da Casa Branca! Haverá maior sinal do conluio entre poder político e financeiro? Que perdura até hoje. Com as consequências que todos conhecemos.
E a última afirmação relativa ao padrão-ouro? Inacreditável.
O vídeo que proponho hoje na rubrica das "Delícias" é um esforço para colocar os últimos cem anos de história política e financeira americana (com ramificações para todo o mundo) numa perspectiva crítica, mostrando a verdadeira natureza da narrativa oficial (sejam os seus silêncios ou as suas deturpações) acerca de temas tão relevantes como o papel dos bancos centrais, a criação da moeda e do crédito ou os interesses de estado que se relacionam com certos personagens como J.P.Morgan, por exemplo.
O autor James Corbett apresenta toda a investigação que suportou este filme à disposição dos leitores (muitas das fontes são oficiais). Os dados apresentados e a sua relação não andam longe do que Rothbard (e outros) já descreveram.
Em conclusão: simplificação ou deturpação?
Os leitores que decidam.

Votos de uma tranquila e proveitosa noite de Verão.