Indícios da geopolítica do futuro
Tem vindo a mostrar-se no palco da verdade oficial, lenta mas paulatinamente, a criação do Banco Asiático de Investimento e Infraestruturas (AIIB). Este banco, que já ultrapassa os quarenta países subscritores, é a resposta chinesa ao Banco Mundial, por um lado, e ao facto dos americanos não terem dado cumprimento às mudanças no regime de quotas e composição dos Direitos Especiais de Saque (SDR´s) do FMI a que estão obrigados desde 2010 (referências nossas aqui, aqui e aqui).
O AIIB terá um capital inicial de cinquenta mil milhões de dólares e a China é, para já, o seu maior accionista. Mas a China não está a liderar um esforço exclusivamente asiático. O Reino Unido, a Alemanha, a Itália, a Austrália, o Canadá, Israel e a Suíça são alguns dos países não-asiáticos a fazerem parte dos membros fundadores. E mesmo que estes países estejam limitados a 25% da totalidade accionista, este facto não apaga a ideia que, julgo, está por detrás de toda esta manobra: não é um clube exclusivamente asiático, mas o centro de controlo mantém-se na Ásia.
Os EUA estão fora deste projecto para já, uma vez que falharam a data de 31 de Março para submeter a candidatura. Ambrose Evans-Pritchard assinala já o erro dessa decisão. Assim como Madeleine Albright.
Se considerarmos todos os acordos que os chineses já fizeram nos últimos anos para promover o yuan – o mais recente com a Agência Canadiana para as Exportações – não devemos ignorar a magnitude destas manobras. Mesmo aqueles que sempre se manifestam cépticos acerca da natureza e capacidade dos BRICS, não podem ficar indiferentes a estas movimentações. É que Toronto juntou-se na segunda-feira passada a Paris, Londres, Moscovo, Singapura, Tóquio (surpresa!), Seoul e Sidney como plataformas (Swap Agreements) financeiras e de comércio oficial em yuan.
Estes episódios marcam o caminho que a moeda, a economia e o poder chineses têm feito na reorganização dos centros de poder globais. A intenção é evidente e tem duas manifestações: disputar o lugar do dólar como moeda de referência e, mais importante, satisfazer mais adequadamente as necessidades dos novos centros de poder globais.
Após ter assumido o primeiro lugar na produção de ouro (entre outros metais raros) e já levar vários anos de acumulação frenética do mesmo metal, estas recentes movimentações financeiras e comerciais mostram-se como um grande esforço na promoção de mudanças à escala global que não podemos ignorar.
A minha dúvida, todavia, persiste: será que é vontade última dos chineses levar a cabo estas mudanças contra os EUA e os seus interesses?
E os EUA já andam a "testar as águas". Atrasados e às arrecuas como é próprio da "juventude" que administra a coisa americana.
Tem vindo a mostrar-se no palco da verdade oficial, lenta mas paulatinamente, a criação do Banco Asiático de Investimento e Infraestruturas (AIIB). Este banco, que já ultrapassa os quarenta países subscritores, é a resposta chinesa ao Banco Mundial, por um lado, e ao facto dos americanos não terem dado cumprimento às mudanças no regime de quotas e composição dos Direitos Especiais de Saque (SDR´s) do FMI a que estão obrigados desde 2010 (referências nossas aqui, aqui e aqui).
O AIIB terá um capital inicial de cinquenta mil milhões de dólares e a China é, para já, o seu maior accionista. Mas a China não está a liderar um esforço exclusivamente asiático. O Reino Unido, a Alemanha, a Itália, a Austrália, o Canadá, Israel e a Suíça são alguns dos países não-asiáticos a fazerem parte dos membros fundadores. E mesmo que estes países estejam limitados a 25% da totalidade accionista, este facto não apaga a ideia que, julgo, está por detrás de toda esta manobra: não é um clube exclusivamente asiático, mas o centro de controlo mantém-se na Ásia.
Os EUA estão fora deste projecto para já, uma vez que falharam a data de 31 de Março para submeter a candidatura. Ambrose Evans-Pritchard assinala já o erro dessa decisão. Assim como Madeleine Albright.
Se considerarmos todos os acordos que os chineses já fizeram nos últimos anos para promover o yuan – o mais recente com a Agência Canadiana para as Exportações – não devemos ignorar a magnitude destas manobras. Mesmo aqueles que sempre se manifestam cépticos acerca da natureza e capacidade dos BRICS, não podem ficar indiferentes a estas movimentações. É que Toronto juntou-se na segunda-feira passada a Paris, Londres, Moscovo, Singapura, Tóquio (surpresa!), Seoul e Sidney como plataformas (Swap Agreements) financeiras e de comércio oficial em yuan.
Estes episódios marcam o caminho que a moeda, a economia e o poder chineses têm feito na reorganização dos centros de poder globais. A intenção é evidente e tem duas manifestações: disputar o lugar do dólar como moeda de referência e, mais importante, satisfazer mais adequadamente as necessidades dos novos centros de poder globais.
Após ter assumido o primeiro lugar na produção de ouro (entre outros metais raros) e já levar vários anos de acumulação frenética do mesmo metal, estas recentes movimentações financeiras e comerciais mostram-se como um grande esforço na promoção de mudanças à escala global que não podemos ignorar.
A minha dúvida, todavia, persiste: será que é vontade última dos chineses levar a cabo estas mudanças contra os EUA e os seus interesses?
E os EUA já andam a "testar as águas". Atrasados e às arrecuas como é próprio da "juventude" que administra a coisa americana.
7 comentários:
Portugal já manifestou interesse em ser mais um subscritor do Banco Asiático de Investimento e Infraestruturas (AIIB).
Maria Rebelo
Vai ser normal que o país com mais população a prazo se torne na maior potencia economica e finaceira. Anormal é que ainda não seja.
Cara Maria Rebelo,
A informação que aqui deixa é, para mim, uma surpresa. Pode dar-me alguma indicação da fonte que consultou?
À partida e sem mais informações, considero um feito difícil de levar a cabo por parte de Portugal. Mesmo se foi o Reino Unido que despoletou uma adesão crescente e intensa de inúmeros países da esfera de influêcia dos EUA, nós não temos demonstrado a visão de charneira de outros tempos. Adorava, todavia, estar enganado.
Caro António Cristóvão,
De facto, há algum tempo que estas mudanças se esperam. No entanto, há quem diga que o início de todo este processo de descentramento, permita-me a expressão, do poder é a oportunidade que a China não pode desperdiçar para evitar graves problemas internos. A China necessita de dinamizar toda a sua economia num esforço de grande alcance para mudar a natureza da sua economia, especialmente a caminho da sua tercialização. Sem perder totalmente a vocação industrial que tem. Por isso é que é necessário criar uma estrutura financeira que responda às suas necessidades, do momento e do futuro próximo, para acomodar as alterações que se vão operar. Necessidades que acabam por ser também as dos países da sua esfera de influência, na construção de infraestruturas e desenvolvimento de capacidade produtiva, dando fôlego às economias da região.
Saudações a ambos,
LV
http://www.portugal.gov.pt/pt/os-ministerios/ministerio-dos-negocios-estrangeiros/mantenha-se-atualizado/20150402-mene-banco-asiatico.aspx
Lv,
Segundo o Observador:
http://observador.pt/2015/04/02/portugal-aderiu-ao-novo-banco-internacional-proposto-pela-china/
Caros Pi-Erre e inphinitorum,
Muito obrigado pelas importantes ligações. Ainda não ultrapassei a estupefação, confesso.
Que importante que é proceder a este tipo de partilhas. Obrigado, mais uma vez.
Saudações,
LV
A AIIB é um conceito que se impôs, quiçá com pontos positivos, e a realizar.
Boa sorte para as gerações vindouras.
A Eurozona também foi, a seu tempo, um conceito (só?) positivo. Hoje é uma discutível amalgama de interesses díspares, uma discutível realidade.
A velha, (natural?), tendência que os (incontroláveis) funcionários de estas poderosasas organizações têm, com a conivência dos poderes políticos, para as tornarem nas suas dóceis, úteis, criaturas....
Mais uma vez excelente post.
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