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quinta-feira, 27 de julho de 2017

O reforço de um mundo de animação


Depois dos discursos e encenações desta semana por parte da equipa da FED, o mercado sabe com o que pode contar. Os índices bolsistas continuarão a sua ascensão como paradigmas de uma "economia de sucesso". E os curadores, quais mandarins ilustrados, mantêm a sua máquina de entorse perceptivo.
Lacy Hunt - que por aqui já recebeu a nossa atenção - cita Alan Meltzer acerca dos erros que a FED cometeu, comete e continuará a cometer quando segue os modelos e as ferramentas erradas para cumprir o seu mandato.
Traduzo: "O erro da FED é continuar a basear-se em modelos como a Curva de Phillips... que ignora a influência do papel da moeda, do crédito e dos preços". Esta teimosia, insiste Hunt, impede a FED de seguir tendências mais persistentes na moeda e no crédito, comprometendo o seu próprio papel estratégico no seio das exigentes componentes do seu mandato.

É caso para perguntar se esta gente acredita mesmo na sua poção mágica...

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Constantes


Quando estamos num barco e contemplamos a orla marítima, não é esta que se mexe e oscila. Antes, é o barco onde estamos que baloiça. .

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

O deleitoso faz-de-conta



Não esqueçamos que o Verão está a acabar. Que se aproxima a altura das colheitas. Não me refiro às vindimas, mas à colheita das tempestades que se semearam. De natureza política, económica e financeira.
Vai ser interessante ver as voltas que hão-de dar os curadores de serviço para preparar as negociações relativas ao próximo orçamento de estado português. Assim como a situação da banca europeia - e é necessário manter a atenção a todo o sector na Europa: Portugal, Espanha, Itália... Alemanha.
Por isso é que o faz-de-conta se vai intensificar. Em várias frentes.
Haja saúde!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Agora que já sabemos





Que os leitores me desculpem o exagero imagético.
Não é uma boa maneira para traduzir a ficção em que nos encontramos?
Yellen subiu as taxas de juro. À entrada de um abrandamento. Global.
E com a Europa à porta de taxas negativas...
Em que canal passa o "Twilight Zone"?

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Cogitações (3)

Esta semana Draghi fez das suas. Mais uma vez.
Estamos em plena Idade Dourada dos Bancos Centrais, mas esta última decisão política da equipa de burocratas do BCE teve efeitos contrários ao que era desejado.
O (ir)racional costumeiro é o seguinte: o BCE continua a comprar dívida mensalmente, conferindo liquidez ao sistema; junta-se-lhe uma taxa de juro interbancária um nadinha mais negativa para provocar uma resposta automática no crédito concedido pelos bancos à economia; pelo caminho, desvalorizava-se a moeda e isso traduzia-se numa melhoria nas exportações. E, pronto, a modos que era isto.
Mas o euro subiu mais de três por cento! E os índices bolsistas estão, no mínimo, anémicos!
Para quem está Draghi a trabalhar, afinal? Terá dado uma ajudinha a Yellen? Porquê?

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Cavalos Furtivos

Moldar percepções e expectativas

Gaston Phoebus, "Livre de Chasse" (1387)


O artigo que a seguir se publica foi traduzido e editado por mim a partir do original (mais longo e rico), cuja leitura se recomenda vivamente.
“O Cavalo Furtivo”, Ben Hunt - 21 de Julho de 2014

“Na guerra, a verdade é a primeira vítima” – Ésquilo

O cavalo furtivo é uma técnica de caça muito antiga onde o caçador consegue uma vantagem importante ao esconder-se atrás de um cavalo (ou da sua representação), levando a presa a considerar familiar ou natural o que está a ver. E a presa não sabe quantos pés tem o cavalo.
Os mercados de hoje estão atafulhados com cavalos furtivos, não para proceder a triviais aquisições hostis, mas para estabelecer objectivos macroeconómicos que são motivados politicamente. Seja o uso das palavras para criar representações furtivas ou o investimento num determinado activo para montar o mesmo cavalo furtivo, os governos são, hoje em dia, muito mais manipuladores do que em qualquer outra altura desde os anos 30. Muito pouco é o que parece nos mercados de hoje.
E sim, nós somos as presas. Somos nós os veados.