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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Como ensinar História sem recorrer a manuais

Entre 10 e 12 de Fevereiro do corrente mês, morreram três conhecidos jornalistas americanos que estavam envolvidos numa investigação aos acontecimentos de 11 de Setembro: Bob Simon (CBS), 73 anos, num acidente de automóvel; Ned Colt (NBC), 56 anos, de ataque cardíaco; e David Carr (NYT), 58 anos, que sofreu um colapso súbito na redacção do New York Times (a autópsia viria a atribuir a causa de morte a cancro de pulmão e insuficiência cardíaca). Este último, horas antes, havia moderado um painel em que participaram, entre outros, Glenn Greenwald, Laura Poitras e Edward Snowden (por vídeo-conferência), a propósito do CitizenFour, um documentário nomeado para os Óscares de 2015, onde a realizadora Poitras conta a história do whistleblower Snowden. Meras coincidências semelhantes a estas 103? Talvez. Em todo o caso, foram estas circunstâncias que me motivaram a traduzir um recente artigo de Gary North onde se aborda o tema do revisionismo histórico e a estratégia para estimular os alunos a aguçar a sua curiosidade relativamente à História e, em particular, às histórias que se contam sobre ela (bem como as que não se contam...).
17 de Fevereiro de 2015
Por Gary North


O cerne da história revisionista reside nisto: a versão do manual escolar está errada.

Gary North
Ela poderá estar errada por razões meramente técnicas pois é possível que determinados documentos tenham sido suprimidos, perdidos, ignorados. Poderá suceder que um dado acontecimento seja bem mais complexo do que os manuais escolares indicam. Mas, em algumas matérias, nomeadamente as relativas à banca, à guerra e à despesa pública, a história narrada no manual foi deliberadamente escrita por historiadores da corte. Os historiadores da corte suprimiram deliberadamente informação quando esta apontava para origens conspiratórias do acontecimento. É crucial para os historiadores do establishment poder ignorar investigações desse tipo catalogando-as de história conspirativa, como se as conspirações não existissem na história, e como se elas não controlassem os acontecimentos do passado.

Deste modo, o historiador revisionista deve começar com esta pergunta: quais são os aspectos de um acontecimento particular que jamais poderiam ter tido lugar? O que leva à pergunta seguinte: quais foram as perguntas que a guilda dos historiadores se recusou deliberadamente a colocar? Porquê?

Quase todas as guerras na história dos Estados Unidos são elegíveis para uma história revisionista. Já anteriormente afirmei que o que precisamos é de um estudo, em múltiplos volumes, das guerras em que a América interveio. Cada volume deveria analisar uma guerra e responder a três perguntas.
  1. Como é que os Estados Unidos entraram na guerra?
  2. Como é que a guerra foi paga?
  3. Quais foram os resultados sociais e económicos da guerra?

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Delícias para as noites de Verão

A educação para a prudência

No pequeno vídeo de hoje, a atenção está centrada na educação das gerações mais jovens relativamente ao tema da poupança e da criação de uma reserva de valor. Que atravessa, e vence, o teste do tempo.
O episódio alude ao processo de educação do filho do próprio autor, mas centra-se nos esforços prévios para traduzir um conjunto de ideias relevantes. E se esses esforços se revelam esclarecedores! Que, neste caso, ainda ganham mais clareza através das respostas inteligentes e realistas do seu filho.
O autor mantém um canal (aqui) onde vai publicando material de profundo alcance pedagógico. Sejam os aspectos históricos, económicos ou meramente estatísticos da relação entre o ouro e o petróleo ou das diferentes formas de investir e poupar. Mas há mais, muito mais. Fica a sugestão para que se percorram os arquivos, verificando o alcance do acervo disponível.

Votos de uma tranquila e proveitosa noite de Verão.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Uma certa Educação

Na primeira pessoa, a explicação de como se pode tirar proveito das fragilidades "montadas" no sistema financeiro. Com benefícios, pessoais e sociais - económicos e políticos. E o relato inclui, pelo menos, dois dilemas morais explícitos.
Respostas e atitudes reveladoras de uma certa Educação. O vídeo que se apresenta é uma parte da entrevista, cujo visionamento completo se aconselha vivamente.


sexta-feira, 23 de maio de 2014

Citação do dia (164)

Motivada por um esclarecedor comentário de um nosso leitor acerca dos caminhos de doutrinação (a que nem a Matemática escapa) numa escola que, em simultâneo, promove a mediocridade com afinco (veja-se a prova de exame do 4º Ano).
«Toda uma geração de norte-americanos (por esta altura, talvez até mais que uma) foi educada na crença que os seus membros têm o direito a não ser alvo de ofensas, muito embora também tenham sido educados a ofender-se com muito do que se passa na vida social comum. Se pertencer a esta geração, tenho novidades para si, leitor: enganaram-no. Na realidade, não lhe assiste esse direito, e se não superar as suas reaçcões epidérmicas ao que quer que seja que considere ofensivo - como até mesmo as mais ténues insinuações de racismo, sexismo, "idadismo", "capacitismo", classismo, patriarquismo, e a todos os outros "ismos" de que os seus delicados olhinhos e olhos foram cuidadosamente protegidos - você estará destinado a viver a vida numa dor e frustação constantes e a dar ajuda e conforto às piores espécies de demagogos políticos esquerdistas. Crianças, fortaleçam-se! Vocês têm um mundo de maturidade para conquistar e nada têm a perder à excepção das vossas correntes ideológicas.»

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Sistema educacional e falência moral

Coisas deste tipo (como deste) têm vindo a reproduzir-se como uma praga infestante cujo único antídoto - o garrote financeiro - não descortino coragem para fazer accionar. Um dos produtos resultantes é um certo tipo de jornalismo (?), de que o extraordinário Público é um expoente, como novamente se evidenciou na edição de hoje em mais uma extraordinária peça. Salvaguardadas algumas proporções (embora sem exagerar), foi a leitura de uma "experiência educativa" no New York Times Magazine que levou Thomas Sowell a escrever o artigo que me propus traduzir. É a minha forma - oblíqua, é certo - de me afastar do unanimismo, explícito e implícito, à "obra" de Veiga Simão e seus seguidores. 
7 de Maio de 2014
Por Thomas Sowell
Falência Moral

Caso se pretenda ficar com uma ideia da falência moral do nosso sistema educacional, é ler um artigo da edição de 4 de Maio da New York Times Magazine, intitulado "A História de Duas Escolas".

Thomas Sowell
O artigo não endereça o tema da falência moral. Mas é ele próprio um exemplo da falência moral que está por trás dos muitos falhanços da educação na América de hoje.

Alguém teve a brilhante ideia de pôr em contacto crianças de uma escola secundária pública de uma zona habitacional de pessoas de baixo rendimento no Bronx com crianças de uma escola secundária privada cujo custo de frequência ascende a 43 mil dólares anuais.

Quando os jovens de origem social modesta visitaram a escola privada chique "ficaram simplesmente esmagados”, de acordo com o New York Times. Uma criança correu pelo campus fora a chorar. Aparentemente, as outras sentiram-se “profundamente desencorajadas com as suas próprias circunstâncias".

Que tipo de bem terreno obtiveram estes jovens com esta experiência? Felizmente que ninguém se mostrou suficientemente insensível para me levar a uma excursão a uma escola particular chique durante o tempo em que eu crescia no bairro de Harlem.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Da recusa de uma teleologia do homem arquitectada por ateus activistas que querem fazer de Deus

Ainda que algo serôdias, julguei relevante partilhar as resoluções de Ano Novo de Greg Lentz e, sobretudo, as reflexões que a elas conduziram. É um texto longo mas estou convencido que o leitor, que preza a liberdade e tenta entender o mundo, terá algo a ganhar em lê-lo até ao fim (no original, de preferência). O título do post que escolhi, que me insatisfaz, bem poderia ser o de uma famosa obra de Hayek - "A Arrogância Fatal" (The Fatal Conceit). Em jeito justificativo, diria que preferi o risco da verbosidade à tentativa de ombrear com a simplicidade própria dos verdadeiramente grandes. Não tenho essa arrogância e deploro os que dela se arrogam. A tradução, como habitualmente, é minha.
"A resolução de problemas é como a caça; é um prazer selvagem no qual somos muito talentosos."
Thomas Harris, Silêncio dos Inocentes

Há algo de viciante no processo de resolução de um problema. Nos últimos tempos, tenho dado comigo a pensar no mesmo problema uma e outra vez: se o homem almeja o autogoverno, por que razão tão prontamente aceita as grilhetas da governação colectiva? Onde estão os homens que se recusaram a ser governados e conseguiram ser bem sucedidos?

Não aceito que o homem seja incapaz de se autogovernar, mas, para o observador casual, parecerá de facto ser esse o caso.

Num raro momento de clarividência, enquanto congeminava soluções para as minhas próprias problemáticas resoluções de Ano Novo, ocorreu-me que talvez ao homem não seja inadequado o autogoverno mas antes que este seja um viciado na resolução de problemas. Afinal de contas, o homem é um caçador. A satisfação de criar e pôr em prática uma solução, constitui algo de tão gratificante que é necessário prosseguir na busca do próximo desafio a superar.

Onde irá o viciado na resolução de problemas procurar a sua próxima conquista? No mundo ao seu redor. A sua dependência leva-o a uma perseguição interminável na procura de problemas cada vez maiores para resolver, de modo a que possa sentir novos "picos" psicológicos. Eventualmente, perde todo o sentido de autoconsciência. Perguntas como "Será isto realmente um problema? Quem sou eu para pensar que poderei resolver este problema? Serão os benefícios obtidos na resolução deste problema superiores aos seus custos?", caíram no esquecimento. A sua caçada transforma-se em arrogância e a arrogância conduz à loucura.

Abraham Maslow escreveu:
"Suponho que seja tentador, se a única ferramenta que se possui for um martelo, que se trate tudo à nossa volta como se fossem pregos."
Julgo ser próprio de um académico emitir uma tão presciente afirmação sobre a condição humana. O meio académico está para o solucionador de problemas como a Fábrica de Chocolate está para Willy Wonka [link]. A terra da experimentação livre das teorias e suas consequências. É um lugar onde as ideias reinam, supremas. No mundo académico, toda a existência humana constitui um prego à procura de um martelo mental.
- o sentido da vida: a filosofia
- a pobreza: as ciências sociais
- a moralidade: a ética
É um lugar onde há pouca ênfase na humildade, no pragmatismo, ou nas consequências.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Citação do dia (152)

"O mais premente não é que o Estado ensine, mas que deixe ensinar. Todos os monopólios são detestáveis​​, mas o pior de todos é o monopólio da educação."

Frédéric Bastiat (in "Maudit Argent!", 1849)

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

The Man With the Plan

Não é de agora que Robert P. Murphy percebeu que o combate pela liberdade passa, necessária e nuclearmente, pela educação. Quando escreveu, em 2010, Lessons for the Young Economist (e respectivo livro do professor), era nisso que estava a pensar ao dirigir o seu esforço para a população pré-universitária. E que diferença abissal que ele representa para os miseráveis manuais de Economia ministrados no secundário! De algum modo, antecipou-se ao ambicioso Ron Paul Curriculum, agora em construção (com especial contributos de Gary North e Thomas E. Woods Jr.), que pretende abranger todos os graus de ensino, incluindo o "pré-escolar", até ao ingresso no ensino universitário. A Internet é, naturalmente, o canal privilegiado.

sábado, 16 de novembro de 2013

Dos autoproclamados e extenuantes sacrifícios dos governantes

Dei-me conta1 que um dos textos tipificados como "argumentativos" que, supostamente, ajudaria a preparar os alunos do 11º Ano para o estudo do intemporal Sermão de Santo António aos Peixes, do Padre António Vieira, é um discurso de Barack Obama, proferido em 12 de Setembro de 2009, na abertura do ano escolar. Desse discurso, extraí o seguinte excerto, nitidamente inspirado numa indígena criatura, também ela tecnologicamente parola, cujo-nome-não-estou-interessado-em-repetir, que creio merecer devida reflexão (meus realces):
"Estou a trabalhar duramente para equipar as vossas salas de aulas e pagar os vossos livros, o vosso equipamento e os computadores de que vocês precisam para estudar. E por isso espero que trabalhem a sério este ano, que se esforcem o mais possível em tudo o que fizerem. Espero grandes coisas de todos vocês."
_______________________
1No livro "Plural 11", da Raíz Editora, 1ª edição, 3ª reimpressão

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Por que razão o estado gosta de amedontrar as pessoas

Aproveitando a boleia proporcionada pela citação do dia, cabe fazer notar que um dos temas recorrentes aqui pelo blogue - a devastação económica causada pelas políticas "verdes" em prol da "descarbonização" - só existe pela conjugação, sequencial e acumulada, de três factores: 1) a sedimentação da ideia que o Homem é, pelo menos desde os alvores das revoluções industrial e agrícola, o maior inimigo da Mãe Natureza e, aliás, de si próprio, o que "justifica" a necessidade de o controlar (se necessário for, de forma drástica, limitando o seu número); 2) a periódica instalação na opinião pública de crenças em desastres iminentes, imputáveis à actividade humana, de proporções bíblicas (nas últimas décadas, o expoente máximo é o "aquecimento global" convenientemente embrulhado num falso "consenso científico") que obrigam a "medidas imediatas e continuadas"; e, por fim, 3) a captura do estado pelos grupos de interesse especial fazendo valer a coerção legal que só aquele proporciona para atingir os fins quepretendem, alavacando princípios bem conhecidos da messiânica burocracia estatal.

Poderia referir vários outros exemplos mas este bastará para ilustrar o ponto de que o medo é o veículo por excelência da instalação do "estado de necessidade", da "emergência", de que "algo tem que ser feito, e JÁ!". Recorrendo novamente a H. L. Mencken:
"The urge to save humanity is almost always only a false-face for the urge to rule it. Power is what all messiahs really seek: not the chance to serve."
Chris Rossini, em Why The State Likes To Frighten You, glosa este tema, na realidade o tema do Leviatã. Segundo ele, só pensando a prazo - jogando o "jogo longo" - será possível inverter o longo ciclo ascendente do estatismo. À semelhança de Gary North, também deixa uma nota de optimismo. Pareceu-me interessante poder proporcionar uma tradução do seu texto.
Chris Rossini
30 de Outubro de 2013

"Muitos libertários e economistas da escola austríaca afirmam consistentemente que a batalha na qual estamos empenhados é uma batalha de ideias. A educação é fundamental. Por outras palavras, aqueles que subscrevem este ponto de vista acreditam convictamente em ganhar o "jogo longo" [a longo prazo]. Aquele que vencer  o jogo longo, ganha.

O Estado é impotente contra um público educado (motivo pelo qual os seus defensores apreciam de modo tão vincado o monopólio da "educação pública").

A internet proporcionou um meio para tornear esse monopólio, pelo que muitos libertários se dedicam a tentar mudar uma mente de cada vez, com os olhos postos no futuro. A internet também tornou global o campo de jogo. É tão importante para um neozelandês entender as ideias do livre mercado e da liberdade como o é para um americano. O poder das ideias não tem fronteiras geográficas.

A oposição, por outro lado, é com frequência muito orientada para o "jogo curto". Se alguém estiver sedento de poder, procurará exercer esse poder agora. Pretenderá que as pessoas obedeçam agora. A educação é demorada. Mas só há 4 anos de mandato. O que não é muito tempo. Com frequência, as pessoas ficam presas nos caminhos que trilharam, para o bem e para o mal. A educação necessita de muito esforço e persistência.

Por isso, não deveria constituir nenhuma surpresa que aqueles que ocupam o poder optem por um caminho rápido para conseguir o que pretendem. Qual é a maneira mais rápida, perguntar-se-á? O medo... e não apenas um qualquer medo antigo, mas um medo que leve as pessoas a agir, a submeter-se, e a obedecer agora mesmo.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Meditação e fecho (por hoje)

Recuso-me - recusar-me-ei sempre - a catalogar uma classe profissional no seu todo, especialmente se muito numerosa, como se de uma amálgama se tratasse. Como em todas as profissões, há uns bons (uns deles muito bons), há os maus profissionais (alguns mesmo demasiado e irremediavelmente péssimos) e há, depois, a grande massa dos "medianos" cujos comportamentos e atitudes dependem em muito da liderança (ou falta dela) de que forem alvo. Parafraseando Alberto Gonçalves, fabricar uma imagem idílica de uma dada actividade profissional é equivaler as fraudes aos profissionais sérios - e caluniar estes. "Pior: nivelar os professores por cima é uma burla idêntica à padronização por baixo que há décadas se aplica aos alunos e que, de resto, torna anacrónica a conversa acerca das virtudes e defeitos do ensino". Não é preciso acrescentar mais nada.

Coisa diferente é apreciar as organizações que reclamam para si a legitimidade de representar uma dada classe na sua totalidade (ou mesmo de parte dela). Como terei sido dos poucos bloggers que ainda não abordou o tema da greve dos professores às avaliações, agora ao que parece suspensa, chegou a altura de escrever algo sobre o tema.

Já fui, numa encarnação recuada, professor do ensino básico e secundário ("provisório", segundo a nomenclatura da altura) e conheci muitos bons professores ou que o foram tendo entretanto deixado a profissão. Como aluno, tive muitos professores ao longo do percurso escolar, mas não consigo lembrar-me de cinco professores de excepção. Em contrapartida, lembro-me perfeitamente de um numeroso grupo de professores que não hesitaria em classificar de maus, particularmente na Universidade (e não me licenciei eu em Sociologia, como sucedeu a Alberto Gonçalves...). Mas a minha "amostra" não é representativa pelo que não pretendo sugerir qualquer  tipo de extrapolação.

Ao longo do ano lectivo que agora termina, acasos da vida conduziram-me a uma reaproximação do ensino, em particular, do ensino da Matemática. Através do contacto directo com um pequeno grupo de alunos de diferentes escolas da proximidade, e de vários graus de ensino (9º, 10º e 12º), fiquei estarrecido com a iliteracia  demonstrada. Desde logo, com o domínio muito incipiente da língua materna que em muito dificultava, quando não impossibilitava, a compreensão de um enunciado. "Isto é para fazer o quê?", "Estou baralhado" ou o mais sincero "Não percebo" foram expressões frequentes. À pergunta relativa a uma qualquer definição lá vinha a inevitável resposta (???) "É quando...". Depois, a dependência da máquina de calcular que constatei foi algo de absolutamente doentio e criminoso particularmente no ensino básico. A promoção da sua utilização apenas serve para tentar protelar a emergência da verdade: a ausência de competências de cálculo mental, incapacidade de aferir um resultado, desconhecimento das operações numéricas e algébricas elementares e por aí fora. Uma galeria de horrores que por várias vezes me fez lembrar a "crónica" de Olavo de Carvalho justamente intitulada A Imbecilização Desde a Infância.

O exame, qualquer exame, é um momento definidor do sucesso/insucesso, do "passei"/"chumbei", do "consegui" do "não consegui" (namorado/namorada, homem/mulher, emprego/desemprego, etc.). Perturbar terceiros num momento desta natureza ainda por cima invocando que a greve também era por eles ("em defesa do ensino"), por motivos afinal puramente corporativistas, é inqualificável.

Quando à substância - para que serve um sistema de ensino -, isto basta:
A Associação de Professores de Matemática chumba exame do 12.º ano. "Um aluno médio terá certamente muitas dificuldades na resolução desta prova".

Matemáticos [da Sociedade Portuguesa de Matemática] aplaudem prova A (do 12º Ano). "Verifica-se que a distribuição do nível de dificuldade das várias questões permite a distinção dos bons alunos, possibilitando também que o aluno médio, que se tenha preparado devidamente, obtenha uma classificação que reflicta adequadamente o seu nível de conhecimentos".
Está na altura de fechar a meditação. Boa noite.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Revisitando o fim do ensino técnico

No Porta da Loja propõe-se uma revisitação (muito bem documentada, como sempre nos habituou o seu editor) aos tempos já recuados em que, por sentença sumária, o então denominado Ensino Técnico foi, esse sim, implodido (ao contrário do que sucedeu com a "promessa" de um pusilânime ministro). Recomendo vivamente uma visita até  (tanto mais proveitosa quanto maior tempo e atenção se lhe puder dedicar).

A tese, a que não custa aderir, é a de que terá sido o PCP o responsável por lavrar e executar a sentença, sendo que actor central nesse drama nessa trama teria sido o já falecido pedagogo e governante Rui Grácio (indubitavelmente coerente nesta matéria no "antes" e no "depois"). Ainda não há um ano, ainda que de forma mais breve e oblíqua e sem recorrer a personalizações, o Prof. Carlos Fiolhais, em artigo publicado no Público e reproduzido no blogue Rerum Natura, sob o título Uma herança do PREC, atribuía àqueles conturbados tempos (e portanto aos responsáveis da altura) a situação de descalabro a que a massificação escolar unitária - e em consequência embrutecedora para os mais desfavorecidos - inevitavelmente nos conduziu.

Dito isto, porém, há que que lembrar (pelo menos) dois marcos anteriores ao 25 de Abril.

O primeiro está vertido no Decreto-Lei 47480, de 2 de Janeiro de 1967, era ministro da Educação Inocêncio Galvão Teles (e António de Oliveira Salazar ainda não tinha caído da cadeira), que institui o 1º ciclo do ensino unificado fundindo o então 1º ciclo do ensino liceal com o até aí vigente ciclo preparatório do ensino técnico. (Por sinal, fui um dos integrou o contingente inicial, corria o ano lectivo de 1968/69). Vale a pena ler o longo preâmbulo do diploma.

O segundo é, evidentemente, a Lei 5/73, de 25 de Julho, já sob o consulado do "moderado" Veiga Simão, era Marcello Caetano Presidente do Conselho (onde se mantinha desde que o antecessor caíra da sobredita). Embora esta fosse uma Lei de Bases e, portanto, carecedora de legislação complementar para a concretizar, ela é, não obstante, de leitura imprescindível porque é à sua luz que melhor se pode compreender o que sucedeu no pós 25 de Abril. Com efeito, nela se previa a instituição de um "ensino básico", compulsório, composto pelo "ensino primário" e pelo "ensino preparatório", cada um deles com uma duração de quatro anos. Dito de outra forma, a ideia era alargar o "ensino unificado" (sinónimo de obrigatório) entre os alunos entre os 6-12 anos, como definido seis anos antes, para os 6-14 anos. Assim, em consequência, a componente "técnica" do ensino seria adiada pelo menos de dois ano face à anterior reforma. Mas a leitura da Base IX, referente ao ensino secundário, de duração igualmente prevista de quatro anos, permite uma leitura retrospectiva de que o Ensino Técnico, tal como os menos novos o conheceram, teria os anos contados (para além de conformar o ensino não superior aos 12 anos de escolaridade (o ocorreria no ano lectivo de 1978-1979). O que duvido, ao contrário de outros, é que a sua morte fosse inevitável por inadequação funcional, relativamente ao mercado de trabalho, com o país de então (como de resto, com o de agora). Antes suspeito que foi cuidadosamente premeditada (e bem antes do reviralho).

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Mitos persistentes: a "Idade das trevas"

Já antes assinalei o agrado que tenho pela lema da Prager University: "Undoing the damage of the University... five minutes at a time". Eis um outro exemplo desse esforço.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Desfazendo as lavagens ao cérebro aos universitários

Para conseguir anular o ideário politicamente correcto veiculado na generalidade das universidades, a proposta de Thomas Sowell, em Undoing the Brainwashin, é "simples": levando-os a leituras selectivas e decisivas. Não podendo falar por experiências de vida que não a minha, não escondo o meu cepticismo quanto à possibilidade de a "receita" fornecida poder chegar ao grosso da população universitária (e com certeza que o mesmo se passará com Sowell). A única batalha que poderá fazer a diferença centra-se na intelectualidade e essa "avança" (ou recua) de uma forma, a meu ver muito semelhante, à que Thomas Kuhn descreve em A Estrutura das Revoluções Científicas - por "paradigmas". De qualquer modo, pelo menos para a pequena comunidade que frequenta estas paragens, parecem-me úteis as referências de Thomas Sowell que já incluí (quase todas) no meu pipeline de leituras futuras. A tradução é minha.
Nesta altura do ano, com o regresso a casa dos estudantes universitários para as férias de Verão, muitos pais poderão aperceber-se de quantas ideias politicamente correctas os seus filhos adquiriram no campus. Alguns desses pais poderão perguntar-se sobre como anular algumas das lavagens ao cérebro que se tornaram tão comuns no que são supostas ser instituições de ensino superior.

A estratégia utilizada pelo general Douglas MacArthur, que tanto êxito obteve no Pacífico durante a Segunda Guerra Mundial, pode ser útil neste bem diferente tipo de batalha. O General MacArthur conquistou as suas vitórias, minimizando as vítimas - algo que também é desejável nos confrontos de ideias no seio da família.

Em vez de combater os japoneses em cada uma das ilhas-fortaleza à medida que os norte-americanos avançavam em direcção ao Japão, MacArthur enviou as suas tropas em batalha apenas para aquelas ilhas que eram estrategicamente cruciais. Com o mesmo espírito, os pais que pretendam conseguir devolver os seus endoutrinados filhos à realidade não necessitam de tentar combater cada uma das ideias loucas que lhes foram transmitidas pelos seus professores politicamente correctos. Bastará demolir algumas crenças cruciais, expondo o seu absurdo, para que possam desferir um golpe na credibilidade geral dos professorais flautistas [alusão à personagem dos irmãos Grimm].

sábado, 11 de maio de 2013

Onde já se viu tamanha anormalidade?

O Ministério da Educação, as organizações de professores do ensino público e umas algo bizarras organizações de pais, têm muito mais em comum do que as respectivas retóricas deixam transparecer aos mais incautos - a partilha da defesa de um sistema desenhado por "especialistas" através do planeamento central da "escolarização" e da "educação" (coisas bem diferentes entre si). Na verdade, a discórdia, ainda que frequentemente inflamada, apenas traduz a defesa do "bom"  contra o "mau" planeamento central de uns e de outros.

Um dos afloramentos recentes dessa cíclica discórdia foi o relativo à reintrodução dos exames no fim do 1º ciclo do ensino básico (ou seja, a antiga 4ª classe). Como não podia deixar de ser, as organizações dos professores do ensino público, com o ser proverbial e insuperável horror relativo a qualquer forma de avaliação externa, que incida sobre os conhecimentos dos "seus" estudantes, estiveram frontalmente contra a  "medida" governamental. Os exames são, na sua opinião, evidentemente desnecessários e até mesmo prejudiciais para o "desenvolvimento harmonioso das crianças". Este ano, porém, e para alguma infelicidade de certa imprensa de "referência", a anunciada perturbação escolar acabaria por não se verificar embora s louros pela acalmia fossem, à cabeça, reclamados.

Enfim, tudo muito trivial e cansativamente repetitivo. Apenas me refiro a este tema para destacar um pequeno mas divertido excerto das considerações que a Associação de Professores de Matemática entendeu expender a propósito da prova realizada ontem. Cito, da notícia do Público:
A direcção da Associação de Professores de Matemática (APM) considerou a prova adequada ao nível etário das crianças e ao programa em vigor, mas contestou a sua realização por, entre outras razões, incidir "num conjunto de capacidades e conhecimentos muito restritos e centrados em aspectos mensuráveis".
Sim, calculem só: um exame de Matemática "centrado em aspectos mensuráveis". Onde já se viu tamanha anormalidade?

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Citação do dia (99)

"The majority of the students espouse without any inhibitions the interventionist panaceas recommended by their professors."

Ludwig von Mises, Human Action

domingo, 4 de novembro de 2012

Citação do dia (91)

‎"Innovators and creative geniuses cannot be reared in schools. They are precisely the men who defy what the school has taught them."
Ludwig von Mises

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Um excelente exemplo de serviço público, sem extorsão e com qualidade

Por razões que não vêm agora ao caso, tenho vindo a aperceber-me pessoalmente de uma multiplicidade de adolescentes, inteligentes e provenientes de famílias funcionais cujos pais são até licenciados, que se encontram numa situação de ignorância gritante em disciplinas cujo saber se constrói necessariamente de modo cumulativo, ano após ano.

Nos casos a que me refiro, há um padrão que se repete, quase na perfeição: de um momento para o outro, os pais dão-se conta que os seus filhos, alunos com um percurso continuado de (aparentes) boas notas no Básico (4's e 5's), sinal aparente de que não existiriam problemas, afinal quase nada sabem. De Português, de Inglês e, claro, de Matemática. Como o problema se arrasta há anos, a Escola não tem, agora, meios para lidar com situações desta natureza. A única resposta resposta possível, para aqueles que ainda conseguem, passa pelo recurso às aulas particulares, ou seja, às "explicações".

Os preços de mercado, do informal claro está, no que respeita à Matemática, são surpreendentes: pelo menos 30€/hora no Secundário mas não são incomuns tarifas que atingem os 50€/hora. Dizem-me que não se verificou nenhuma descida generalizada de preços, como talvez se pudesse supor no meio da crise que atravessamos, pelo que só consigo interpretar tal situação como mais um sinal do descalabro de muitas das escolas públicas, acelerado pela saída recente, por reforma antecipada, de muitos professores da "velha guarda".

Mas agora, na pessoa do professor Vítor Pereira, e a título gratuito, ainda que apelando a doações, está sendo construída uma resposta na internet para a Matemática (facebook) e, pelo que leio, a convidar outros colegas a produzirem conteúdos para outras disciplinas para além da Matemática. Excelente exemplo de serviço público! Sem extorsão e com qualidade!

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Um duche (frio) de bom senso

Pedro Schwartz, um mui distinto economista e cientista social de nacionalidade espanhola, ganhou recentemente uma enorme visibilidade mundial com a desassombrada interpelação que dirigiu a Paul Krugman, durante um evento em Madrid, em 3 de Julho passado, a propósito do lançamento do mais recente livro deste último. As "ondas de choque", chegaram longe, como se pode ver e ouvir aqui.

No vídeo seguinte, Pedro Schwartz, actualmente presidente do Conselho Económico e Social de Madrid, entrevistado por James Turk, um frontal opositor das doutrinas keynesianas, que se classifica a si próprio um defensor da teoria económica no sentido clássico (pré-keynesiano, "para-austríaco" senão mesmo "escolástico"), discute as grandes questões que impedem uma retoma, não-artificial, das economias dos países ocidentais (e do Japão). A sua conclusão aponta para a necessidade de "que ocorra uma mudança na mentalidade social - para que as pessoas compreendam que nada é grátis e que o Estado tem que encolher."