Mostrar mensagens com a etiqueta Wikileaks. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Wikileaks. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 13 de maio de 2015

A "Guerra ao Terror" como instrumento de erosão da Liberdade

Ficámos hoje a saber, através de provas concludentes fornecidas pela inevitável Wikileaks (pois quem mais?), que também os serviços secretos alemães (à semelhança, entre outros, de britânicos, franceses ou espanhóis) colabor(ar)am activamente com a NSA no processo de recolha maciça de informações relativas a comunicações telefónicas e do tráfego de Internet. Ficamos assim com novos dados para melhor avaliar o alegado estado de choque com que a Sra. Merkel recebeu a notícia de estar a ser escutada pela NSA...

Público, edição de de 6 de Maio de 2015
Os estados agem hoje sob o pressuposto de que todos os seus cidadãos são potencialmente suspeitos - no presente, como no futuro. É do combate ao "pré-crime" que se trata, pois. Por isso, deixaram de considerar necessário o aborrecido procedimento do passado que consistia em obter um mandado judicial dirigido a indivíduos sobre os quais houvesse prévias e fundadas razões de suspeita de actividades ilícitas. Espantosa a facilidade com que a constitucionalidade da coisa foi remetida às urtigas por todo o lado. Se a isto aliarmos a intensificação da "guerra ao cash" que, recorde-se, já dura há décadas - o derradeiro reduto da privacidade do indivíduo - que os ocidentais, e em particular os franceses, vêm conduzindo, não é uma chalaça afirmar que, afinal, Orwell seria mesmo um optimista.

Inteiramente expectável, entretanto, o excepcional cuidado com que os media convencionais, para sua eterna vergonha, têm desvalorizado, quando não acarinhado - vide recorte lateral do Público - o avassalador assalto à Liberdade pela via da eliminação da privacidade.

E é aqui que a perversidade da "Guerra ao Terror" se insere ao impor um alegadamente inevitável trade-off entre liberdade e segurança que, com complacência, se foi instalando sem atender ao sábio conselho de Benjamin Franklin: «Aqueles que abrem mão da liberdade essencial por um pouco de segurança temporária não merecem nem liberdade nem segurança

A complacência, para usar um termo suave, com que os países europeus, e em particular a Alemanha, têm demonstrado para com o Tio Sam, sem mostrarem a capacidade de formular políticas autónomas ao serviço dos seus próprios interesses, tornam perfeitamente justificável as palavras certeiras, incisivas mas sempre educadas de Sahra Wagenknecht, líder do partido Die Linke e membro do parlamento (Bundestag), dirigidas a Frau Merkel. Está disponível a legendagem em inglês bastando activá-la. Vídeo de muito recomendável visionamento.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

A desnudação do império e do seu imperador

Discurso de Obama aos novos diplomados da Universidade Estatal do Ohio, no Ohio Stadium, em 5 de Maio de 2013, em Columbus, Ohio. Desse discurso, destaca-se o seguinte trecho (tradução minha):
PRESIDENTE OBAMA: «Infelizmente, vocês cresceram ouvindo vozes que, incessantemente, alertam que o governo nada mais é do que uma espécie de entidade sinistra e separada que está na raiz de todos os nossos problemas. Algumas destas mesmas vozes também fazer o seu melhor para tudo estragar. Eles advertem que a tirania está sempre à espreita ao virar da esquina. Vocês devem rejeitar essas vozes. Porque o que elas sugerem é que a nossa experiência única, corajosa e criativa, de autogoverno de alguma forma não passa de um logro em que não se pode confiar.

Nós nunca fomos um povo que colocasse toda a nossa confiança no governo para resolver os nossos problemas. Nem deveríamos desejar tal coisa. Mas também não achamos que o governo seja a fonte de todos os nossos problemas. Porque entendemos que esta democracia é nossa. E, como cidadãos, entendemos que não se trata de saber o que poderá a América fazer por nós, mas sim o que pode ser feito por nós, em conjunto, através do trabalho duro e frustrante, mas absolutamente necessário do autogoverno. E, classe de 2013, vocês têm que estar envolvidos nesse processo.»
Apenas uns dias depois, iniciou-se uma torrente de escândalos que ontem culminaram (?) com a divulgação de uma monstruosa e inominável operação de espionagem à escala das dezenas de milhões de... cidadãos americanos que, como apropriadamente aqui se escreve, fariam Richard Nixon corar de vergonha de tal modo que mesmo o obamaniaco New York Times, em editorial, assinale: "Mr. Obama is proving the truism that the executive branch will use any power it is given and very likely abuse it". Pois é. Mesmo um Prémio Nobel (da Paz, calcule-se). Mesmo um ex-professor de direito constitucional. Nada mudou depois de Bush. Ou por outra: afinal, no domínio da liberdade, tudo piorou com Obama.

Por um qualquer alinhamento astral ditado pelos deuses, tudo isto se acontece quando se iniciou esta semana o julgamento (?) do whistleblower e, esse sim verdadeiro herói, Bradley Manning, acusado de traição por ter ajudado (!) o inimigo (através do The Guardian, do New York Times, do El Pais, do le Monde e da Der Spiegel, via Wikileaks) divulgando factos inconvenientes para as administrações americanas. Vergonha!

domingo, 19 de agosto de 2012

Declaração de Assange na embaixada do Equador em Londres

ACTUALIZAÇÃO: Robert Wenzel disponibilizou hoje, 20-8-2012, uma cronologia que, creio, muito pode contribuir para a compreensão do que está a acontecer com Assange e a Wikileaks.
--------------
Nunca escondi as minhas simpatias pela organização Wikileaks e, por consequência, pelo seu primeiro responsável, Julian Assange. Na esteira de outros importantes whistleblowers como Daniel Ellsberg (Pentagon Papers), "Deep Throat" (Watergate), Mordechai Vanunu (programa nuclear israelita), Bernard Connolly ou Marta Andreason ([ir]responsabilidade política e financeira na UE), etc., é minha firme convicção a superioridade moral da sua posição até pelos tremendos riscos pessoais que incorrem quando tomam a iniciativa de proceder à denúncia pública.

Há hora que escrevo, em interpol.org, continua o "Aviso Vermelho" contra Assange na homepage da Interpol (Robert Wenzel guardou um snapshot aqui). Ora, não tenho memória de criminosos como um Khadafi (ou um Assad...) terem tido um tratamento semelhante mas tenho bem presente a especial dificuldade de cooperação dos aparelhos judiciais português e britânico relativamente a um certo ex-presidente de um clube de futebol português, novela que há anos se arrasta, que gritantemente contrasta com a celeridade e a histrionice das autoridades que, na pátria da Magna Carta, se verificam no caso Assange.

Os detractores de Assange, que inicialmente o acusaram de "ter destruído para todo o sempre o instrumento diplomático" e de ter "posto em risco a vida de milhares (de espiões americanos)", desvalorizam agora o caso remetendo-o para meros casos de violação de duas cidadãs suecas ainda que, após os actos, estranhamente, as supostas "violadas" tenham continuado a conviver socialmente com Assange. Estranhíssimo que, logo após a queixa ter sido apresentada pelas vítimas(?) e Assange se ter, voluntariamente, apresentado numa esquadra da política sueca, ele ter sido expressamente autorizado a sair da Suécia por não haver razões para o reter no país. Este trabalho - Sex, Lies and Julian Assange - do programa Four Corners da televisão ABC australiana, deveria ser suficiente para afastar, de vez, tão conveniente leitura.

Pelo que  precede, a declaração de Assange fez, há umas horas atrás, numa varanda da embaixada do Equador em Londres, é um acto político revelador de grande coragem na defesa da liberdade.


Transcrição:

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

O desmoronamento moral

Quando assistimos a que um indivíduo como Jim Corzine, um bom amigo de Obama, ex-presidente executivo da falida MF Global, se vai livrar, aparentemente, de uma acusação criminal apesar da fraude maciça que lá ocorreu ("desapareceram" 200 milhões de dólares das contas de clientes) e que, em contrapartida, Julian Assange, o principal responsável pela Wikileaks, organização que permitiu desvendar inúmeras verdades inconvenientes, entre as quais crimes de guerra (como este ou este), enfrenta, na pátria onde surgiu a Magna Carta, através da ameaça de destruição de séculos de negociações que conduziram à Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, via Estocolmo, uma provável entrega aos americanos (onde o esperaria um Grande Júri), a bússola moral perdeu-se.

Nota: Bradley Manning, o alegado fornecedor à Wikileaks de 250 mil telegramas diplomáticos - caso que ficou conhecido pelo Cablegate - está preso, sem julgamento, desde Maio de 2010; desde então enfrentou um regime de prisão solitária durante onze meses consecutivos, durante os quais foi mantido numa cela de 1,8m de largura por 2,4m de comprimento, 23 horas por dia, na qual lhe impediam que dormisse entre as 5 da manhã e as 10 da noite, sem que sequer pudesse usar as paredes ou o chão para se exercitar e onde era obrigado a dormir nu. Para se perceber até onde pode chegar um regime durante o turno de um Nobel da Paz, leia-se isto. Hediondo.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Verdades inconvenientes

Ao contrário de outros (por exemplo, aqui e aqui) sempre achei que a organização Wikileaks, no essencial das suas acções, contribuiu em muito para desacreditar as acções (e os motivos que lhes subjazeram) que, num passado recente, levaram muitos governos ocidentais a prosseguir aventuras imperialistas para além de desnecessárias, imorais, quando não criminosas.

Essa avaliação, voltou a reforçar-se hoje, depois de ter lido isto (detalhe aqui). E, entretanto, porque não me recordo de ter lido cá pelo burgo nenhuma referência à atribuição, pela australiana Walkley Foundation, do prémio 2011, na categoria "Most outstanding contribution to journalism", à organização Wikileaks. E este foi o  discurso de aceitação do prémio por parte de Julian Assange:

sábado, 3 de setembro de 2011

Porquê o ouro? (3)

Creio que os receios manifestados por alguns segundo que a actual cotação do ouro (novamente perto dos US$ 1900/onça depois desta correcção "técnica") não seriam sustentáveis, não estão a ver bem a coisa. Há múltiplas razões para supor que a cotação tem, pelo contrário, amplo espaço para subir. Uma delas remete para o comportamento do governo chinês que este telegrama, revelado pela Wikileaks, e oriundo da embaixada americana em Beijing, confirma e reforça:
3. CHINA'S GOLD RESERVES
"China increases its gold reserves in order to kill two birds with one stone"

The China Radio International sponsored newspaper World News Journal (Shijie Xinwenbao)(04/28): "According to China's National Foreign Exchanges Administration China 's gold reserves have recently increased. Currently, the majority of its gold reserves have been located in the U.S. and European countries. The U.S. and Europe have always suppressed the rising price of gold. They intend to weaken gold's function as an international reserve currency. They don't want to see other countries turning to gold reserves instead of the U.S. dollar or Euro. Therefore, suppressing the price of gold is very beneficial for the U.S. in maintaining the U.S. dollar's role as the international reserve currency. China's increased gold reserves will thus act as a model and lead other countries towards reserving more gold. Large gold reserves are also beneficial in promoting the internationalization of the RMB."

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Império e guerra

Quando se fica a saber, graças à Wikileaks, coisas como esta -  U.S. Troops Handcuffed, Shot Iraqi Children in Raid, não é apenas mais uma mentira que se revela em toda a sua brutalidade. É a re-confirmação de que a acusação de Farrakhan - "That's A Murderer In The White House!' - não é um excesso de linguagem.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Wikileaks: Petróleo, Khadafi e guerra "humanitária"

Apesar das fúrias anti-Wikileaks de alguns  (por exemplo, aqui e mais recentemente aqui)  e da mortandade, próxima do Apocalipse, que se abateu sobre os exércitos e  espiões americanos, o fim do papel das embaixadas e do pessoal diplomático (sem ou com aspas) e, genericamente, das agruras da política externa americana traduzidas aliás na extraordinariamente moderada intervenção em cinco - apenas cinco - guerras em simultâneo, convém ir ouvindo opiniões diversas. Por exemplo, os recentemente divulgados telegramas sobre a indústria petrolífera ocidental e um tal de Khadafi que me parecem muito curiosos:

domingo, 1 de maio de 2011

Obama declara Bradley Manning culpado

No passado dia 21, Obama pronunciou-se acerca do alegado divulgador à organização Wikileaks de um conjunto de cerca de 250 mil telegramas diplomáticos, por parte de Bradley Manning. O presidente americano afirmou que Manning  "infringiu a lei" (ver video em http://youtu.be/IfmtUpd4id0) o que indica que a sorte do suspeito já está escrita: CULPADO!

Na entrevista volante, Obama declara ainda que o que Manning fez é mais grave do que sucedeu com Daniel Ellsberg, responsável pela divulgação dos Pentagon papers, porque o grau de confidencialidade destes últimos documentos era inferior aos agora (alegadamente) divulgados por Manning. Ora sucede que tal não corresponde à verdade pois os "Papéis do Pentágono" estavam classificados com o mais elevado nível de confidencialidade ao contrário daqueles divulgados através da Wikileaks que, ao invés, estavam classificados com o nível mais baixo de confidencialidade.

Transcrição parcial da entrevista:
Obama: “So people can have philosophical views [about Bradley Manning] but I can’t conduct diplomacy on an open source [basis]… That’s not how the world works. And if you’re in the military… And I have to abide by certain rules of classified information. If I were to release material I weren’t allowed to, I’d be breaking the law. We’re a nation of laws! We don’t let individuals make their own decisions about how the laws operate. He broke the law.” [Emphasis added]
Q: “Didn’t he release evidence of war crimes?”
Obama: “What he did was he dumped…”
Q: “Isn’t that just the same thing as what Daniel Ellsberg did?”
Obama: “No it wasn’t the same thing. Ellsberg’s material wasn’t classified in the same way.”
Para quem deixou que Manning fosse tratado da forma que foi - fechado numa cela 23 horas por dia, impedido de dormir durante o dia, obrigado a dormir nu durante a noite e acordado hora a hora - este comportamento por parte de Obama reforça a atitude e os actos absolutamente desprezíveis cometidos contra Manning.

(Via Antiwar.blog)

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Quem assim aje actua sem razão ou moral

Esta peça do New Yorker relativa aos documentos que a Wikileaks revelou sobre Guantánamo sumariza brilhantemente a política de detenção de Bush — e agora de Obama (tradução minha via American Conservative):

Eis algumas das razões por que temos pessoas detidas em Guantánamo, de acordo com os documentos obtidos pelo WikiLeaks e, na sequência, por muitos outros jornais e televisões: um agricultor (rendeiro) porque familiarizado com os caminhos de montanha; "um afegão, em virtude do seu conhecimento geral das áreas de Khost e Cabul em resultado das suas frequentes viagens pela região como motorista de táxi"; um uzbeque, porque poderia falar sobre os serviços secretos do seu país, e um do Bahrein sobre a família real do seu país (ambos os países são aliados da América); um homem de oitenta e nove anos, padecendo de demência, para explicar documentos que, segundo ele, eram do seu filho; um imã, para especular sobre o que os crentes frequentadores da sua mesquita estariam a preparar; um operador de câmara da Al Jazeera para pormenorizar as suas operações; um britânico, que tinha sido um prisioneiro dos talibãs, porque "se supunha que ele conhecesse as formas de tratamento dos prisioneiros por parte dos talibãs e as suas tácticas de interrogatório"; recrutas talibãs para que pudessem explicar as técnicas de recrutamento dos Talibãs; um miúdo de catorze anos de idade, de seu nome Nagib Ullah, descrito no seu processo como uma "vítima de sequestro", que poderia conhecer os talibãs que o raptaram (Ullah passou um ano na prisão). As nossas razões, em resumo, nem sempre involvem a convicção que um prisioneiro representa um perigos para nós ou tenha cometido algum crime; por vezes (e isto é o mais degradante) basta-nos pensar que ele possa vir a ser-nos útil.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Wikileaks e Hipocrisias (3)


Noto, espantado, a prática ausência na imprensa, na televisão mas também na blogosfera, da referência às Guantánamo Files com revelações escandalosas quanto à forma como foram obtidas suspeitas(?) contra muitos dos detidos assim como o facto do Whitehall ignored warnings about 'Londonistan’ danger.

Observo que todas as hecatombes anunciadas pelo "fim da diplomacia" e dos "milhares de pessoas" que ficaram expostas correndo perigo de vida, são substituídas por vagas sucessivas de informações relevantíssimas sobre os governos que estes escondem dos seus cidadãos.

sábado, 19 de março de 2011

Hackers procuram-se

Excelente documentário (em sete partes), onde o narrador é Kevin Spacey, sobre a história do hacking e seus mais recentes desenvolvimentos. O documentário foi produzido antes que o caso de Wikileaks/Bradley Manning tivesse sido revelado não deixando de ser irónico que o famosíssimo hacker Adrian Lamo, personagem central do documentário, viesse posteriormente a ser conhecido como o whistleblower relativamente a Bradley Manning.

domingo, 13 de março de 2011

A tortura ao soldado Bradley Manning (2)

Eric Garris, no Antiwar a propósito da demissão, hoje mesmo, de P.J. Crowley, dias depois de ter apelidado de ridícula e contraprodutiva a forma como Bradley Manning tem vindo a ser tratado na prisão militar a aguardar julgamento:
Michael van Poppel at BNO News noted on Twitter after the story broke, “Crowley released a statement on Yemen just 2 hours ago. Seems really abrupt.”

CNN reports that Crowley came under pressure from the White House to quit after making comments about the Pentagon’s treatment of Army private Bradley Manning, who is suspected of leaking documents to WikiLeaks.

Crowley, speaking at an MIT seminar in Boston, Assistant Secretary of State For Public Affairs P.J. Crowley said Manning is being “mistreated” in the military brig at Quantico, Virginia. “What is being done to Bradley Manning is ridiculous and counterproductive and stupid on the part of the department of defense,” he said.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Vergonha

Bradley Manning
O rapaz da foto, de 23 anos, é suspeito de ter "ajudado o inimigo" ao passar documentos à Wikileaks pondo em "risco de vida" milhares de agentes diplomáticos (formais e "informais") americanos. A ser verdade a suspeição, Manning foi veículo de divulgação de cerca de 250 mil telegramas "diplomáticos" no que ficou conhecido pelo cablegate.

Ora sucede que, desde 28 de Novembro de 2010, data em que os primeiros telegramas foram publicados, não há registo de se ter registado nenhuma hecatombe diplomática ou de redes  de espionagem americana ou "ocidental", exceptuando a queda (ou a ameaça de derrube) de ditaduras cleptocratas no norte de África e Médio Oriente. Há até mesmo razões para supor que o cablegate possa ter sido elemento importante no desencadear das primeiras centelhas da revolução pela liberdade que se operou na Tunísia.

Seja ou não verdade que Manning foi co-autor da divulgação dos telegramas, nada - mas mesmo nada -justifica o regime de prisão solitária a que está sujeito desde Agosto de 2010, 23 horas por dia, numa cela de seis metros quadrados sem janelas nem luz natural, sem acusação deduzida. Dede o passado dia 2 de Março, segundo os responsáveis da base militar onde está detido, passou igualmente a ser obrigado a dormir nu para "garantir a sua segurança e assegurar que está em condições de se apresentar a julgamento".

Vergonha. Suma vergonha.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A Queda do Faraó - quem ganha e quem perde

«Why are the United States and Israel seemingly certain losers from the fall of Mubarak? Because in any free and fair election in the Middle East, a majority will vote for rulers who will distance the country from America and sever ties to Israel.

When it comes to America and Israel, there is little doubt where the “Arab street” stands. And the freer the elections, the more the views of the Arab street will be reflected in the new Arab regime.

But why do they hate us? Is it because of who we are?

Surely, it is not our freedom of speech, freedom of the press, freedom of assembly or free elections for which we are hated. For this is what the demonstrators are clamoring for. Indeed, it is in the name of these freedoms that the Egyptian people are demanding that we cease standing behind Mubarak and stand with them.

No, the United States is not hated across the region because of the freedoms we enjoy or even because of the lectures on democracy we do not cease to deliver. We are hated because we are perceived as hypocrites who say one thing and do another.

The Arabs say we support despots who deny them the rights we cherish. They say we preach endlessly of human rights but imposed savage sanctions on Iraq for a dozen years before 2003 that brought premature death to half a million children. They say we use our power to invade countries that never attacked us.

They say we have provided Israel with the weapons to crush the Palestinians and steal their land, and that we practice a moral double standard. We condemn attacks on Israelis, but sit silent as Israel bombs Lebanon for five weeks and conducts a war on Gaza, killing 1,400 and wounding thousands, most of them civilians.
Any truth to all this? Or is this just Arab propaganda?

After losing Turkey as an ally, Israel has just seen Hezbollah come to power in Beirut and the Palestinian Authority stripped of its credibility by the Wikileaks exposure of its groveling to America and Israel. Now Israel faces the near certainty of a more hostile Egypt.

As for America, if we are about to be thrown out of the Middle East, it would be neither undeserved nor an unmitigated disaster.

After all, it’s their world, not ours.»

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Uma salutar sugestão de leitura

Leon Trotsky
A propósito dos acontecimentos no Egipto e da súbita preocupação dos EUA com a inexistência de democracia no país comandado com mão-de-ferro por Hosni Mubarak há quase trinta anos(*), Jim Fedako convida-nos a reler Da Revolução de Outubro a Brest-Litvosk, de Leon Trotsky. Com esta referência, Fedako relembra-nos aqueles que "espreitam, esperando, para preencher o vazio". Com os resultados trágicos que se conhecem quando são bem sucedidos.

(*) - A propósito, parece-me oportuno ir ao baú do cablegate / Wikileaks e retirar de lá este telegrama, para vermos como o recém-nomeado vice-presidente, Omar Suleiman, até aqui director dos serviços secretos do país, tem sido um activo precioso do Pentágono.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Brasil, Líbano, Hezbollah e Wikileaks

O que Filipe Nunes Vicente aqui escreve só pode surpreender os incautos. Também no Afeganistão, por exemplo, é nas papoilas que os taliban se financiam.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Há quem apelide de traição o que é apenas a verdade

Ron Paul explica como se fez do Iraque um inimigo com o propósito de "redesenhar o Médio Oriente" e como a informação tornada pública pelo cablegate, divulgado pelo Wikileaks, sustenta a sua leitura.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Bradley Manning and Mohamed Bouazizi

«If it is true that Manning turned State Department documents over to Wikileaks, then he played a small role in the Tunisian Jasmine Revolution, which overthrew the brutal and grasping dictator, Zine el-Abidine Ben Ali, whom the US government had been coddling and the French government actively supporting.

Mohamed Bouazizi
Desperation at the policies of the Tunisian government had driven college graduate turned vegetable peddler Mohammad Bouazizi to set himself on fire in protest. The government had supplied him no job, then had confiscated his vegetable cart, then slapped and humiliated him when he protested. (...)  In the midst of this “Jasmine Revolution,” a leaked US embassy cable about the corruption of President Ben Ali came to the attention of the Tunisian public, lending legitimacy and urgency to their efforts to unseat him. It may have been leaked by Manning.

Manning, like Bouazizi, is young. He also faced, with all his youth and inexperience and impatience, a political situation that was the result of criminality. Dick Cheney and John Yoo and Karl Rove and George W. Bush were responsible for creating a public image of government lawlessness that encouraged whistle blowing. They went to war against Iraq on false pretenses and in contravention of international law. They themselves tried to leak the identity of Valerie Plame, a covert CIA operative, to the press. They set up Guantanamo and Abu Ghraib and Bagram as black torture facilities. They lied repeatedly to the American people (there was no looting in Iraq, no guerrilla war in Iraq, no civil war in Iraq, no torture practiced by the US in Iraq, no more than 30,000 civilian dead in Iraq, no need for more armored vehicles for our troops in Iraq).

Bradley Manning
The political situation Manning faced was also unyielding. Long after the American public turned against Washington’s Forever Wars, they are still being pursued, and are killing thousands of innocent civilians for war goals that range from the highly unlikely to the utterly phantasmagoric. Manning’s leak was an act of desperation no different in intent from Bouazizi’s self-immolation. He intended to protest, by putting himself on the line. He wrote in chat room, “god knows what happens now — hopefully worldwide discussion, debates, and reforms — if not & we’re doomed.” He did not intend to get caught, but he must have known the risks. His was a cyberspace form of self-immolation, a career-ending, decisively life-changing act that, however foolhardy or possibly illegal, was certainly courageous.

President Obama belatedly praised “the courage and dignity of the Tunisian people” and said,
“The United States stands with the entire international community in bearing witness to this brave and determined struggle for the universal rights that we must all uphold, and we will long remember the images of the Tunisian people seeking to make their voices heard.”
So one of the universal human rights the Tunisians wanted was freedom from harsh conditions of detention when charged with thought crimes.

As a service member under arrest in preparation for a military trial, Manning lacks many of the protections of US civilians charged with wrongdoing, but there are military regulations about pre-trial treatment that his defense alleges are being violated. There are also provisions in international law to which the US is signatory and which may be being violated.»
(...)

Extractos de Bradley Manning and Mohamed Bouazizi do Professor Juan Cole

domingo, 2 de janeiro de 2011

Dislates em 2011: um começo luxuriante (2)

«Mas o WikiLeaks tem algumas debilidades. Uma que é conhecida é que Israel foi poupado. Toda a gente esperava que, havendo uma libertação de documentos, Israel fosse o país mais embaraçado. Suspeita-se hoje que havia um acordo entre o Julian Assange e o primeiro-ministro israelita.» - Boaventura Sousa Santos, entrevista ao i publicada em 01-01-2011.