quarta-feira, 13 de maio de 2015

A "Guerra ao Terror" como instrumento de erosão da Liberdade

Ficámos hoje a saber, através de provas concludentes fornecidas pela inevitável Wikileaks (pois quem mais?), que também os serviços secretos alemães (à semelhança, entre outros, de britânicos, franceses ou espanhóis) colabor(ar)am activamente com a NSA no processo de recolha maciça de informações relativas a comunicações telefónicas e do tráfego de Internet. Ficamos assim com novos dados para melhor avaliar o alegado estado de choque com que a Sra. Merkel recebeu a notícia de estar a ser escutada pela NSA...

Público, edição de de 6 de Maio de 2015
Os estados agem hoje sob o pressuposto de que todos os seus cidadãos são potencialmente suspeitos - no presente, como no futuro. É do combate ao "pré-crime" que se trata, pois. Por isso, deixaram de considerar necessário o aborrecido procedimento do passado que consistia em obter um mandado judicial dirigido a indivíduos sobre os quais houvesse prévias e fundadas razões de suspeita de actividades ilícitas. Espantosa a facilidade com que a constitucionalidade da coisa foi remetida às urtigas por todo o lado. Se a isto aliarmos a intensificação da "guerra ao cash" que, recorde-se, já dura há décadas - o derradeiro reduto da privacidade do indivíduo - que os ocidentais, e em particular os franceses, vêm conduzindo, não é uma chalaça afirmar que, afinal, Orwell seria mesmo um optimista.

Inteiramente expectável, entretanto, o excepcional cuidado com que os media convencionais, para sua eterna vergonha, têm desvalorizado, quando não acarinhado - vide recorte lateral do Público - o avassalador assalto à Liberdade pela via da eliminação da privacidade.

E é aqui que a perversidade da "Guerra ao Terror" se insere ao impor um alegadamente inevitável trade-off entre liberdade e segurança que, com complacência, se foi instalando sem atender ao sábio conselho de Benjamin Franklin: «Aqueles que abrem mão da liberdade essencial por um pouco de segurança temporária não merecem nem liberdade nem segurança

A complacência, para usar um termo suave, com que os países europeus, e em particular a Alemanha, têm demonstrado para com o Tio Sam, sem mostrarem a capacidade de formular políticas autónomas ao serviço dos seus próprios interesses, tornam perfeitamente justificável as palavras certeiras, incisivas mas sempre educadas de Sahra Wagenknecht, líder do partido Die Linke e membro do parlamento (Bundestag), dirigidas a Frau Merkel. Está disponível a legendagem em inglês bastando activá-la. Vídeo de muito recomendável visionamento.

1 comentário:

Antonio Cristovao disse...

Para quando dirigentes europeus a deixarem de ser atrelados- apoiado.
E ainda por cima vão ter que lidar com a bagunça irresponsavel feita pelos ingleses(Libia) que é a primeira a dizer que manda navios para os obrigar a voltar para trás.