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sábado, 28 de abril de 2018

Vislumbre do Mal

"Então para si, só conta o lado moral da questão?"

Esta pequena pérola mostra em segundos o que, durante décadas, muitos evitam ver e outros tentam esconder. Evitar reconhecer as ramificações, as derivações e as esferas por onde se projectam o poder dos estados e de interesses especiais no seio dele (neste caso, claro, através dos meios de comunicação convencional) torna-se mais difícil. Deveria ser suficiente para promover uma "reacção popular" (notem-se as aspas) semelhante às que vamos assistindo globalmente acerca de questões de natureza e origem mais duvidosa.
Este vídeo é uma revelação da natureza de todo o sistema de poder. Em particular nos países que asseguram para si o estatuto de excepção no exercício do poder global, exibindo-se como paradigma de sociedades livres e justas.
Não reconhecer a extensão deste Mal é, só por si, participar dele.

Sem mais demoras, convidamos os leitores a ver o vídeo.


sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

A versão contemporânea da guilhotina humanitária

Rui Ramos está preocupado com o alheamento ("humanitário", claro) que antevê por parte do mundo ocidental com o fim da Pax Americana, que a expulsão dos terroristas (ele preferirá "rebeldes") de Alepo-Leste seria um seu indício, agora que Donald Trump protesta a sua vontade de acabar com a já antiga política de "mudança de regime", entretanto abertamente prosseguida com inaudita veemência no século XXI.

Pois desde a década de 1990 que o poder imperial não tem tentado fazer outra coisa. Desde os Balcãs e o Cáucaso na década de 1990, para onde caminharam os então excedentários "combatentes da liberdade" no Afeganistão, que logo aí se exercitaram no corte de cabeças, até ao paroxismo após o 11 de Setembro. Com o retomar da guerra no Afeganistão, agora contra os Talibã, e desencadeada que foi – na base de uma mentira convenientemente fabricada – a desastrosa (ou criminosa?) guerra no Iraque, os antigos “combatentes da liberdade” retomaram o seu estatuto de terroristas, até que tornaram à condição de “combatentes da liberdade” quando deram jeito. Primeiro na Líbia para ajudar ao derrube de Kadhafi e depois na Síria para alimentar convenientemente a farsa de uma “guerra civil”.

No ínterim, sob a inspiração teórica do cientista político Gene Sharp, decorreu toda uma longa campanha de “golpes suaves” que se iniciou em 2000 com o derrube de Slobodan Milošević pela actuação da Otpor (‘Resistência’, em sérvio). Aí foi criado o template e o conjunto de formadores para os activistas das revoluções coloridas (Geórgia, Ucrânia, Quirquistão, Birmânia) com a prestimosa ajuda de numerosas NGO, entre as quais a generosamente financiada OSI de George Soros. Este template, com a ajuda das novas tecnologias, esteve depois presente nas “primaveras árabes” com os resultados que se conhecem, e onde gigantes tecnológicos como a Google, o Facebook e o Twitter cumpriram papéis relevantes (no caso desta última, chegou ao ponto de ajustar as horas de manutenção da plataforma!).

Estamos assim, quinze anos volvidos sobre a “guerra ao terror”, com sete (7) países a serem bombardeados com regularidade – Afeganistão, Paquistão, Iraque, Síria, Líbia, Iémen e Somália. Só no Afeganistão e no Iraque estima-se que o custo das intervenções militares seja da ordem dos seis milhões de milhões de dólares (um ‘6’ seguido de doze zeros). As vítimas contam-se pelas dezenas de milhões, entre mortos, feridos e deslocados. Os países atingidos viram as suas infra-estruturas quase totalmente destruídas, o que significa longas décadas de reconstrução. E o que têm os intervencionistas e os supostamente afligidos por questões humanitárias para mostrar? Que Saddam Hussein e Kadhafi estão mortos?

É disto que Rui Ramos já está nostálgico? Do não alheamento ocidental?

quarta-feira, 13 de maio de 2015

A "Guerra ao Terror" como instrumento de erosão da Liberdade

Ficámos hoje a saber, através de provas concludentes fornecidas pela inevitável Wikileaks (pois quem mais?), que também os serviços secretos alemães (à semelhança, entre outros, de britânicos, franceses ou espanhóis) colabor(ar)am activamente com a NSA no processo de recolha maciça de informações relativas a comunicações telefónicas e do tráfego de Internet. Ficamos assim com novos dados para melhor avaliar o alegado estado de choque com que a Sra. Merkel recebeu a notícia de estar a ser escutada pela NSA...

Público, edição de de 6 de Maio de 2015
Os estados agem hoje sob o pressuposto de que todos os seus cidadãos são potencialmente suspeitos - no presente, como no futuro. É do combate ao "pré-crime" que se trata, pois. Por isso, deixaram de considerar necessário o aborrecido procedimento do passado que consistia em obter um mandado judicial dirigido a indivíduos sobre os quais houvesse prévias e fundadas razões de suspeita de actividades ilícitas. Espantosa a facilidade com que a constitucionalidade da coisa foi remetida às urtigas por todo o lado. Se a isto aliarmos a intensificação da "guerra ao cash" que, recorde-se, já dura há décadas - o derradeiro reduto da privacidade do indivíduo - que os ocidentais, e em particular os franceses, vêm conduzindo, não é uma chalaça afirmar que, afinal, Orwell seria mesmo um optimista.

Inteiramente expectável, entretanto, o excepcional cuidado com que os media convencionais, para sua eterna vergonha, têm desvalorizado, quando não acarinhado - vide recorte lateral do Público - o avassalador assalto à Liberdade pela via da eliminação da privacidade.

E é aqui que a perversidade da "Guerra ao Terror" se insere ao impor um alegadamente inevitável trade-off entre liberdade e segurança que, com complacência, se foi instalando sem atender ao sábio conselho de Benjamin Franklin: «Aqueles que abrem mão da liberdade essencial por um pouco de segurança temporária não merecem nem liberdade nem segurança

A complacência, para usar um termo suave, com que os países europeus, e em particular a Alemanha, têm demonstrado para com o Tio Sam, sem mostrarem a capacidade de formular políticas autónomas ao serviço dos seus próprios interesses, tornam perfeitamente justificável as palavras certeiras, incisivas mas sempre educadas de Sahra Wagenknecht, líder do partido Die Linke e membro do parlamento (Bundestag), dirigidas a Frau Merkel. Está disponível a legendagem em inglês bastando activá-la. Vídeo de muito recomendável visionamento.