quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Serão as armas o problema?

O Prof. Walter Williams volta a debruçar-se sobre o tema do controlo de armas em "Are Guns the Problem?" fazendo, como é nele habitual, recurso à hard evidence (à prova dos factos) para colocar perguntas incómodas aos estatistas (e.g., "progressistas") que têm a presunção de poder comandar e regular os comportamentos humanos pela via da legislação, o mesmo é dizer, da coerção, ao invés da promoção de valores morais que provaram com a decantação do tempo (a escola pública encarrega-se disso). Tal como com as drogas, vã tentativa. A tradução do seu texto é da minha responsabilidade.
Walter E. Williams
"De cada vez que acontece uma tragédia na sequência de um tiroteio, surgem mais apelos ao controlo de armas. Examinemos alguns factos históricos. Em 1910, a Associação Nacional de Armas [NRA] conseguiu criar 73 clubes de tiro, seus afiliados, no ensino secundário. A segunda edição do Manual do Escuteiro, de 1911, tornou a qualificação no programa de tiro júnior da NRA numa condição prévia para a obtenção de uma medalha de mérito de boa pontaria. Em 1918, a empresa Winchester Repeating Arms Co. estabeleceu a sua própria Winchester Junior [meu realce] Rifle Corps. O programa cresceu para 135 mil membros em 1925. Na cidade de Nova Iorque, abriram clubes de tiro em diferentes escolas secundárias - Boys, Curtis, Commercial, Manual Training e Stuyvesant. Com tantas armas nas mãos de jovens, observaram-se então os níveis de violência juvenil que vemos hoje?

E quanto à disponibilidade de armas? Os catálogos e revistas das décadas de 1940, 1950 e 1960 estavam cheios de anúncios de armas dirigidas às crianças e aos pais. Por exemplo, "O que cada pai deve saber quando um menino ou menina quer um arma" foi publicado pela Fundação Nacional dos Desportos de Tiro. O catálogo de vendas por correspondência da Sears, de 1902, tinha 35 páginas de anúncios de armas de fogo. As pessoas limitavam-se a enviar o seu dinheiro e a receber uma arma de fogo de volta pelo correio. Durante a maior parte da nossa história, uma pessoa podia simplesmente entrar numa loja, praticamente em qualquer lugar no nosso país, e comprar uma arma. Poucos estados se incomodavam sequer em impor restrições de idade relativas à compra de armas.

Estes e outros factos históricos deveriam fazer com que nos interroguemos: por que razão - num momento da nossa história quando as armas estavam prontamente disponíveis, quando a uma pessoa apenas bastava entrar numa loja ou encomendar uma arma pelo correio, quando não havia verificação de antecedentes criminais pelo FBI, nem períodos de espera, nem exigências de licenciamento - não havia então a frequência e o tipo de violência armada que às vezes observamos hoje, quando o acesso às armas está mais restringido? As armas são armas. Se elas fossem capazes de assumir comportamentos, como algumas pessoas parecem sugerir, deveriam ter feito então o que estão a fazer agora.

Os costumes, as tradições, os valores morais e as regras de etiqueta, e não apenas as leis e regulamentos governamentais, são o que fazem uma sociedade civilizada, não as restrições relativas a objectos inanimados. Estas normas de comportamento - transmitidas pelo exemplo, pela palavra boca a boca e pelos ensinamentos religiosos - representam um corpo de sabedoria destilada através de séculos de experiência, de tentativa e erro, e pela observação do que funciona. O benefício de haver costumes, tradições e valores morais como um meio de regular o comportamento é que as pessoas se comportam devidamente mesmo quando ninguém as está observando. Por outras palavras, é a moralidade que é a primeira linha de defesa da sociedade contra o comportamento incivilizado.

Os padrões morais de conduta, bem como a punição rigorosa e rápida de comportamentos criminosos, têm estado sob cerco no nosso país há mais de meio século. Os valores morais absolutos foram abandonados como um princípio orientador de vivência. Fomos ensinados a não fazer julgamentos, que um estilo de vida ou valor é tão bom como qualquer outro. Mais frequentemente do que não, o ataque aos padrões morais tem sido orquestrado pelo establishment educativo e pelos progressistas [progressives]. A polícia e as leis nunca poderão substituir essas restrições sobre a conduta pessoal de modo a produzir uma sociedade civilizada. Na melhor das hipóteses, a polícia e o sistema de justiça criminal são a última linha desesperada de defesa de uma sociedade civilizada. Quanto mais incivilizados nos tornamos mais leis são necessárias para regular o comportamento.

O pior é que, em vez de se tentar regressar ao que funcionava, os progressistas querem substituir o que funcionava com o que soa bem ou parece plausível, como mais cadeados nos armeiros, maiores períodos de espera e leis mais restritas relativas à posse de armas. Depois há as insanes "soluções" progressistas, como a "tolerância zero" para com os jogos no recreio das escolas nos intervalos das aulas como brincar aos polícias e ladrões e aos cowboys e aos índios e a gritar "bang bang", desenhar uma pistola, imitar uma arma a partir de peças de Lego, e cortar com os dentes um biscoito [Pop-Tart] na forma de uma arma [link]. Esse espécie de loucura pura - que se concentra sobre um objecto inanimado como uma arma ao invés de se concentrar na moralidade, auto-disciplina e carácter - irá continuar a produzir resultados decepcionantes."

1 comentário:

Antonio Cristovao disse...

as posições sobre as armas parecem-me exercicios de filosofia. Factos:nos EUA há quatro vezes mais assassinatos que na UE; há uma população prisional astronomica para os padroes europeus. Toda a outra propaganda de direitos disto e daquilo soa a hipocrisia: veja-se a arrazoada enorme com a eleiçaõ de Obama- por ter cor diferente do establishment, quando na UE ninguem(talvez os semiUE ingleses) considerem um facto relevante ou digno de nota.