quarta-feira, 23 de outubro de 2013

França: a desenfreada marcha para o abismo

Em texto de ontem, Simon Black acha difícil acreditar no que o governo francês se propõe tributar (é bem possível que não esteja completamente a par do que se vai passando aqui pelo Rectângulo e Adjacentes...). Mas como ainda ontem me referia a outra monstruosidade (para)fiscal, no caso em Espanha, o que abaixo se descreve (numa tradução livre,da minha responsabilidade) é mais outra indicação da propensão pelo abismo que se apossou de boa parte dos governos do Ocidente: apesar da "austeridade", a despesa pública continua descontrolada e por conseguinte, não obstante o contínuo aumento de impostos, vem continuando a acumular uma já monumental dívida pública. Os seus governantes, ao mesmo tempo que fazem alarde de uma retórica mais ou menos tonitruante de "promoção do crescimento" e vão acenando com sucessivas "estratégias", "desígnios" e "planos", teimam em associar a uma fiscalidade de confisco uma regulamentação, em intensidade e extensão, cada vez mais asfixiante. O espaço de liberdade económica, cada vez mais exíguo, vem cobrando o seu preço - a estagnação económica.

Decididamente, isto não vai acabar bem.
22 de Outubro de 2013
Sovereign Valley Farm, Chile

No workshop que promovemos no Chile há alguns meses atrás, o membro do parlamento europeu, Nigel Farage, criticou o presidente francês, François Hollande, enquanto líder do bloco "do moderno Panteão dos idiotas que estão a administrar países pelo mundo fora..."

As mordazes observações de Nigel podem ser apreciadas a partir dos 35s do seguinte clip:


É certo que o presidente francês tinha introduzido recentemente um "imposto de ódio" sobre as pessoas com maior sucesso profissional, expulsando algumas das pessoas produtivas que [ainda] permanecem em França.

Este imposto de ódio era apenas a ponta do icebergue.

Senão, atente-se no que fizeram ou anunciaram apenas no último mês:
  1. Dobraram a sobretaxa sobre as empresas
  2. Não é suficiente que a França tenha uma das maiores taxas de imposto sobre as sociedades [equivalente ao nosso IRC] do mundo desenvolvido. Incidindo sobre esta, existe também uma sobretaxa, ou seja, um imposto sobre o imposto [algo de semelhante à nossa "derrama" estatal].
    E no início deste mês anunciaram planos para a DUPLICAR.
  3. Aumento das obrigações de reporte ao fisco
  4. Qualquer pessoa que alguma vez tenha criado uma empresa sabe que a nova empresa é como um bebé recém-nascido. É crítico que o foco se dirija ao seu crescimento, não ao preenchimento de um monte de papelada.
    O governo francês não quer saber disso para nada. De facto, recentemente, baixou o limiar para as obrigações de reporte, exigindo às empresas com vendas superiores a apenas 80 mil euros o envio  às autoridades fiscais de morosos e onerosos relatórios relativos ao IVA.
  5. Aumento das contribuições para a segurança social
  6. A França tem um dos mais falidos... e insustentavelmente generosos... sistema de pensões em todo o mundo.
    Mas ao invés de reformar completamente o sistema e esperar que as pessoas... de facto trabalhem após os 55 anos de idade, o governo decidiu elevar as contribuições para a segurança social. Mais uma vez.
  7. Imposto sobre bebidas energéticas
  8. Para não ficar atrás do imposto de Michael Bloomberg sobre as bebidas doces, em Nova Iorque, a Assembleia Nacional francesa propôs recentemente tributar as bebidas energéticas... em UM EURO (1,37 dólares) por lata.
  9. Impostos mais altos sobre a propriedade imobiliária
  10. No mês passado, o governo francês anunciou planos para rever os valores de avaliação dos imóveis em todo o país, o que serve de base a vários impostos sobre os prédios.
  11. Imposto sobre dados (o meu favorito)
  12. Esta é quase inimaginável.
    Naquilo que é uma das propostas de imposto mais absurdas na história, o governo francês defende agora a ideia de que se devem tributar as transferências de dados para fora da União Europeia. Na realidade, planeiam fazer esta proposta na Cimeira Europeia desta semana.
    Estranhamente, porém, não parecem sequer entender o que isso significa. Eles estão simplesmente desesperados para lançar impostos sobre alguma coisa... qualquer coisa. Como se fossem agora meros macacos a lançar dardos contra a parede [link inserido].
E estão a preparar-se para mais.



Já há uns meses, o governo francês prometeu uma "pausa fiscal" em 2014, sugerindo que não iria aumentar os impostos no próximo ano.

No mês passado, porém, este compromisso foi revisto, dizendo que a "pausa fiscal",afinal, entraria em vigor em 2015.

Escusado será dizer que não haverá pausa alguma em 2015.

Por quê? Porque a França está falida. À semelhança de tantas outras nações no Ocidente, a França foi levada à insolvência completa devido a décadas de despesas insustentáveis.

A França já passou anteriormente por esta situação. No século XVIII, a monarquia francesa dos Bourbons era o pináculo da civilização.

Todavia, décadas de insustentáveis despesas cobraram o seu tributo na economia. Eles tentaram tudo - subida de impostos, desvalorização da moeda... mas não evitaram o inevitável. A Revolução.

E este período de turbulência, entre a tomada da Bastilha e o regresso da calma, demorou 26 anos.

Nesse intervalo, sofreram uma guerra civil interna, uma guerra externa contra a Áustria e a Prússia, a hiperinflação, e a ditadura genocida de Robespierre.

As condições são similares agora, tanto em França como pelo Ocidente. O que inclui a Terra dos Livres [The Land of the Free - os EUA].

Chegámos um tempo em que é imperativo procurar no estrangeiro opções e oportunidades diferentes. Ficar apegados a um patriotismo cego - ficando em casa, nada fazendo, e confiando no vosso governo - é algo de semelhante a levar uma torradeira para dentro da banheira.

A riqueza e o poder mudaram constantemente de mãos ao longo da história. E as transições raramente são suaves ou pacíficas. Será tolice supor que desta vez será diferente.

Simon Black

3 comentários:

Textículos disse...

Na Holanda até os cães pagam impostos

Supreme Court upholds councils' right to tax dogs
http://www.dutchnews.nl/news/archives/2013/10/high_court_upholds_councils_ri.php

Vivendi disse...

"Estamos vendendo impostos, não produtos".

(Frase de um empresário brasileiro do segmento de vestuário no Jornal Nacional da Rede Globo apontando a razão da falta de competitividade das indústrias brasileiras diante dos produtos chineses).

Antonio Cristovao disse...

só de imaginar que os eleitores se prepararm para eleger cáo nosso holandinho até fico com tonturas.deus nos proteja.