quinta-feira, 19 de setembro de 2013

A demência do salário mínimo - parte II

Continuação do artigo de Thomas Sowell publicado no dia 17 de Setembro na Townhall (1ª parte):
Thomas Sowell
Os resultados de um inquérito levado a cabo junto de economistas norte-americanos mostraram que 90% deles consideraram que as leis do salário mínimo conduzem ao aumento da taxa de desemprego entre os trabalhadores menos qualificados. A inexperiência é, frequentemente, o problema. Apenas cerca de 2% dos americanos com mais de 24 anos de idade ganhava o salário mínimo.

Os defensores das leis do salário mínimo justificam normalmente o seu apoio a essa legislação pelas suas estimativas de quanto "necessita" um trabalhador de modo a que tenha "um salário digno", ou pela utilização de um qualquer outro critério que preste pouca ou nenhuma atenção ao nível de saber-fazer do trabalhador, à experiência ou à produtividade geral. Deste modo, não é de estranhar que as leis de salário mínimo fixem salários que expulsam muitos jovens do mercado de trabalho.

O que é surpreendente é que, apesar da acumulação de evidências ao longo dos anos dos efeitos devastadores das leis do salário mínimo sobre as taxas de desemprego dos adolescentes negros, os membros do Conclave dos Congressistas Negros (CBC) continuem a votar a favor de tais leis.

Certa vez, há anos atrás, durante uma discussão confidencial com um membro do CBC, perguntei-lhe como era possível que eles apoiassem as leis do salário mínimo.

A resposta que obtive foi que os membros do CBC faziam parte de uma coligação política e, como tal, eram supostos votar a favor das iniciativas que os outros membros da coligação pretendessem, tais como as leis de salário mínimo, para que dessa forma os outros membros da coligação viessem a votar favoravelmente as iniciativas pretendidas pelo CBC.

Quando perguntei o que poderiam os membros negros do Congresso obter em troca do apoio às leis do salário mínimo que compensasse sacrificar gerações inteiras de jovens negros a enormes taxas de desemprego, a discussão terminou rapidamente. Talvez tenha sido veemente quando fiz aquela pergunta.



A mesma pergunta poderia ser feita aos funcionários públicos negros em geral, incluindo Barack Obama, que tomaram partido pelos sindicatos dos professores, que se opõem aos vales-educação ou às charter schools [link] que permitem aos pais negros (entre outros) tirar os filhos das más escolas públicas.

As leis do salário mínimo podem mesmo afectar o nível de discriminação racial. Noutra  época, quando a discriminação racial era legal e socialmente aceite, as leis do salário mínimo eram, com frequência, abertamente usadas para excluir [pelo preço do trabalho] as minorias do mercado de trabalho.

Em 1925, foi aprovada uma lei do salário mínimo na província canadiana da Colômbia Britânica com a intenção e o efeito de expulsar os imigrantes japoneses do mercado de trabalho na indústria madeireira.

Um considerado professor de Harvard daqueles tempos referiu-se em termos aprovadores à lei do salário mínimo da Austrália como um meio de "proteger os padrões de vida do australiano branco da injusta concorrência das raças de cor, particularmente dos chineses", que estavam dispostos a trabalhar por menos dinheiro.

Na África do Sul, durante a era do apartheid, os sindicatos dos trabalhadores brancos pressionaram por uma lei do salário mínimo que fosse aplicada a todas as raças, para evitar que os trabalhadores negros tirassem postos de trabalho aos trabalhadores brancos sindicalizados ao aceitar trabalhar por menos do que estipulava a tabela salarial dos sindicalizados.

Alguns defensores da primeira lei do salário mínimo federal nos Estados Unidos - a Lei de Davis-Bacon de 1931 - utilizaram exactamente a mesma justificação, citando o facto de que as empresas de construção do Sul, pelo facto de empregarem trabalhadores negros não-sindicalizados, foram capazes de vir para o Norte e ganhar empreitadas às empresas de construção que utilizavam trabalhadores brancos sindicalizados.

Estes apoiantes das leis do salário mínimo compreendiam há muito algo que os adeptos de hoje de tais leis parecem não se ter incomodado a reflectir. As pessoas cujos salários são aumentados por lei não são necessariamente beneficiadas porque, frequentemente, elas têm menor probabilidade de vir [ou continuar] a ser contratadas ao salário mínimo imposto.

Os sindicatos têm sido partidários, por todo o mundo, das leis do salário mínimo uma vez que estas leis afastam do mercado de trabalho os trabalhadores não sindicalizados, assim deixando mais empregos para os membros dos sindicatos.

As pessoas que se contentam em defender políticas que soam bem, quer por motivos políticos ou simplesmente para se sentirem bem consigo mesmas, frequentemente não se preocupam em pensar de antemão nas consequências, ou em verificar depois os resultados.

Se reflectissem de modo sério, como poderiam elas imaginar que ter um grande número de adolescentes ociosos a vaguear juntos pelas ruas seria algo de bom para qualquer comunidade - especialmente em lugares onde a maioria destes jovens foram criados por mães solteiras, outra consequência involuntária, neste caso, de políticas sociais bem-intencionadas?

1 comentário:

Antonio Cristovao disse...

não entendo saudavel aplicar "regras" iguais em situações diferentes (o que fazem os fanaticos religiosos de todos as variantes com consequentes que estão a vista). Na India, Bangladesh..nada do que é bem explicado no texto têm relevancia e diria até contraprudecente. Advinho que devido a automatização e Tic quando bem aplicadas temos que ter novas soluçoes para o desemprego (diferentes de andar a fazer autoestradas paralelas ou rotundas atras de rotunda)