"A ´tirania` de Pisístrato fazia parte de um movimento mais alargado que se estava a desenvolver nas cidades comercialmente mais activas da Grécia do século sexto, para substituir o poder feudal de uma aristocracia proprietária pelo domínio político de uma classe média temporariamente aliada aos pobres. Tais ditaduras brotavam tanto de uma patológica concentração da riqueza, como de uma incapacidade dos ricos em alcançar um compromisso.
Forçados a escolher, o pobres - como os ricos - amam o dinheiro mais do que a liberdade política. E a única liberdade política capaz de perdurar é aquela que é preparada e cuidada para evitar que os ricos privem os pobres pela capacidade ou pela subtileza, e os pobres de roubarem os ricos pela violência ou pelos votos.
Assim, o caminho para o poder nas cidades comerciais gregas era simples: atacar a aristocracia, defender os pobres e alcançar um entendimento com a classe média. Chegado ao poder, o ditador abolia as dívidas e créditos, confiscava grandes propriedades, lançava impostos aos ricos para financiar obras públicas ou redistribuía a riqueza excessivamente concentrada. Depois de ganhar o consentimento das massas através de tais medidas, importava garantir o apoio da comunidade dos negócios promovendo o comércio, a emissão de moeda, a assinatura de tratados comerciais, ou aumentando o prestígio da burguesia.
Forçadas a depender da popularidade mais do que do poder hereditário, as ditaduras, na sua maior parte, mantiveram-se afastadas de guerras, suportavam a religião, mantinham a ordem, promoviam a moralidade, favoreciam um estatuto elevado para as mulheres, encorajavam as artes e despendiam avultados recursos a aprimorar as suas cidades.
E faziam isto, em muitos casos, enquanto mantinham procedimentos de governo popular de maneira a que, mesmo debaixo de um governo despótico, as pessoas aprendessem as maneiras da liberdade."
Will Durant, "The Story of Civilization II, The Life of Greece", pp. 122, 123
Tradução e itálicos da nossa responsabilidade.
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segunda-feira, 10 de abril de 2017
Citação do Dia (198)
terça-feira, 6 de outubro de 2015
Nevoeiro do deleite
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| Fonte |
A novela política está a começar. A promoção da ansiedade no presente, que resulta da intriga e jogo políticos, terá como desfecho uma solução apresentada e aceite como necessária. Como fundamental para salvar o país da instabilidade, dando continuidade a uma narrativa que suporta a mais disparatada tentativa alquímica de desatar o nó do presente. Político e económico.
A imagem (ver nota) que dá início a este comentário ilustra bem que direcção seguimos para concretizar a inflação de sucesso a nível europeu. Que teima em não chegar. Nem o sucesso nem a inflação! E Portugal também está à mesa a jogar. Muito exposto às consequências negativas de tais políticas.
Depois de ler e reler os números, alguém aceita que teremos pela frente um futuro de "esperança e sucesso"? A sério?
Há alguém que defenda a loucura desta política monetária e financeira, esperando corrigir os males feitos? A sério?
Que farão os próximos a sentar-se na cadeira do "poder" quando este foguetão queimar todo o seu combustível? Alguém responde?
Do outro lado do Atlântico, pouco falta para que se retome a loucura das políticas monetárias expansionistas. Hipótese que, dado o adiamento relativo às taxas de juro e às "coincidências" a vermelho no gráfico abaixo, parece muito credível.
Os cérebros procuram, avidamente, a velocidade de cruzeiro. No meio do nevoeiro...
Nota: o artigo que enquadra o primeiro gráfico (e está acessível na ligação) é, julgo, de leitura obrigatória para acender um farol contra o nevoeiro.
sábado, 3 de outubro de 2015
Respaldo e reparação
Dedicação
Partilho com os leitores, uma recente descoberta musical. Para além do mérito musical que facilmente se reconhece, a experiência tem, do meu ponto de vista, uma dimensão imaterial importante. Como pano de fundo para os trabalhos e os dias do presente.
Votos de um excelente fim-de-semana.
Partilho com os leitores, uma recente descoberta musical. Para além do mérito musical que facilmente se reconhece, a experiência tem, do meu ponto de vista, uma dimensão imaterial importante. Como pano de fundo para os trabalhos e os dias do presente.
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