sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Em defesa das sweatshops

Um dos mais persistentes mitos, que perdura até hoje no Ocidente, consiste na vilificação do sistema económico que possibilitou o crescimento sustentado per capita, fenómeno desconhecido na História até às revoluções agrícola e industrial (por comodidade, digamos, antes de 1800).  Mais do que a Marx ou a Dickens, estou convicto que é ao "progressista" complexo ideológico-educativo estatal que cabem as maiores responsabilidades na manutenção desta nefasta porque errada leitura histórica. Perspectiva que transpõem para as sweatshops do século XXI quando estas são, afinal, o passaporte para uma prosperidade que de outro modo seria impossível (como sucedeu na migração para as cidades - e para as fábricas - do século XIX fugindo da miséria e morte prematura). Pouco mais de 10 minutos que creio valerem mesmo a pena (vídeo legendado em português europeu).


5 comentários:

Antonio Cristovao disse...

Percebo os argumentos, mas custa-me saber que um trabalhador indiano da CocaCola local( e que se desunha para anrranjar emprego lá)não ganha o suficiente para beber uma cocacola por dia.

JS disse...

Falando de justiça, social e não só, com um pedido de desculpas -porque aparentemente fora do tópico- tentemos, para variar, um pouco de futurologia.

Como foi cortada a carreira de Al Capone?.
Pelo fisco. A sempre poderosa Autoridade Tributária.
Wikipédia: "...During prior and ultimately abortive negotiations to pay the government any back tax he owed, Capone had made admissions of his income; the judge deemed these statements could be used as evidence at the trial, and also refused to let Capone plead guilty for a lighter sentence. The effect of such decisions by the judge was added to by the incompetence of Capone's defense attorneys. Capone was convicted...".

Subornos?. Esqueçam.
Quanto ao Fisco. Mesmo que condenado a uma penazita, sairá.
Se juntarmos a este dado o "timbre eleitoral" tão bem demonstrado em Oeiras, e a manter-se o presente (imbecil) sistema eleitoral, será re-eleito, ele e outros com o mesmo perfil. O sistema eleitoral gera e permite que subsista, inquestionavelmente, o fenómeno.

Não será tempo de re-atribuir o poder eleitoral, legítimo e necessário, aos portuguêses corrigindo este erro de há mais de 3 décadas e cujas graves consequências se amontoam ?. Quantas mais Assembleias da República partidocráticas, "elites(?!)", vamos ter que aturar?.

Ps. Não é preciso publicar o meu desabafo. Apenas, "your learned" certamente interessante e interessado "comment".

Anónimo disse...

Caro António Cristóvão,

Pela que ouvi nestes cerca de 14 minutos e reconheço que é uma maneira de ver o problema que ainda não tinha pensado, percebi que:
O trabalhador não valoriza a coca-cola pela mesma escala que nós ocidentais. O trabalhador não quer beber a coca-cola, quer outra coisa qualquer que não nos ocorre porque não estamos nas suas circunstancias.
Eu por exemplo não quero beber um "Porto Vintage" qualquer porque tenho outras prioridades.
Tenho as minhas próprias circunstancias.
Reconheço que há uma grande dose de egocentrismo nesta típica maneira de ver o trabalho na Asia.

cumps

Rui Silva

LV disse...

Rui Silva,

Excelente observação. Nas análises que fazemos (e nas consequências drásticas que tiramos dessas análises centradas na nossa perspectiva, sublinhe-se) inevitavelmente assumimos que outro indivíduo possui as mesmos objectivos que nós próprios. O mesmo será dizer que possui a mesma hierarquia valorativa, as mesmas expectativas de vida, as mesmas prioridades, e por aí fora. Até chegarmos às mesmas ideias!
E aí de quem se atreva a pô-las em causa.

Saudações,
LV

Alberto Sampaio disse...

Obrigado por partilhar este vídeo.
Realmente o que se nota em muitos discursos é o assumirem que os outros pensam como eles e, pior, especialmente nos baseados no marxismo, é quererem impor os seus pensamentos aos outros.
Tal como aconteceu na revoluçao industrial, é mais uma vez o capitalismo a tirar milhoes da maior miséria. Ninguém foi obrigado a sair dos campos para as fábricas, foi sim, a perspectiva de uma vida melhor. É imperfeito? Sim, mas foi o outro lado que produziu os milhoes que o capitalismo retira da miséria e/ou a quem dá liberdade para decidirem o seu futuro.