O extraordinário recrudescimento na exploração de gás natural e petróleo nos EUA, tornado possível pelo desenvolvimento do fracking (fracturação hidráulica) e da perfuração horizontal, vem ocorrendo em terrenos na posse de privados e dos estados federados. Ao invés, nos terrenos federais, o que se tem verificado é a redução dos níveis de produção. E, ironia das ironias, tudo isto sem prejuízo de, em simultâneo, se ter verificado uma acentuada redução nas emissões de dióxido de carbono um poluente alimento das plantas. Obama reclama para si créditos por estes resultados (entre os quais as novas centenas de milhar de empregos) pretendendo com isso fazer passar a ideia falsa que as "novas renováveis" tenham tido algum impacto significativo nesta evolução. Uma dúzia de minutos fascinantes. (Via Carpe Diem)
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domingo, 23 de março de 2014
terça-feira, 13 de novembro de 2012
A falácia do esgotamento de recursos (legendado)
Já aqui tinha feito eco deste clip protagonizado por Steve Horowitz. Por se tratar de uma recorrente falácia, parece-me fazer todo o sentido republicá-lo agora que, via Fakeclimate, me apercebi da existência de uma versão legendada em português do Brasil.
domingo, 19 de agosto de 2012
A recorrente vitória de Julian Simon
50 anos após a publicação, pelo Clube de Roma, do deplorável, alarmista e totalmente errado The Limits to Growth, Steven Horowitz assina Julian Simon Wins Again, But Will Anyone Learn? (tradução minha):
Talvez tenha dado conta desta história da AP, sobre a "surpreendente" redução nas emissões de CO2, que regressaram aos níveis de 1992. Uma explicação para esta diminuição está no número de centrais americanas produtoras de electricidade que migraram do carvão para o gás natural. Este último reduz drasticamente as emissões de CO2. O que explica então esta mudança?
Bem, para os economistas, não é surpresa: foram os preços relativos.
O gás natural tornou-se significativamente mais barato, levando a que mais centrais levassem a cabo a reconversão. Uma razão para que o gás seja mais barato, é evidente, está na tecnologia da fracturação [fracking]. Deste modo, os nossos amigos ambientalistas têm aqui um pequeno dilema: a oposição ao fracking significa oposição (ao mais barato) gás natural, o que significa oposição à substituição das poluidoras centrais alimentadas a carvão, grandes produtoras de CO2. Uma vez mais, os sinais emitidos pelos lucros levam os empresários a encontrar substitutos para os caros e poluidores processos e, por essa via, ao desenvolvimento de novas tecnologias que criam recursos utilizáveis e valiosos onde eles não existiam anteriormente. Isto conduz à redução de preços desse substituto, o que conduz à substituição da tecnologia antiga e poluidora.
Julian Simon, aceite uma vénia.
Se ler a reportagem da AP, encontrará o ambientalista do costume, relutante e vacilante, afirmando que "esta não é realmente uma solução" e observando a "ironia" do gás natural reduzir as emissões de CO2. Não é ironia, pessoal! Pensar que se trata de ironia apenas se deve à recusa em ouvir o que os economistas e pessoas como Julian vêm dizendo há décadas: os mercados solucionam estes problemas melhor do que os decretos governamentais.
De notar igualmente a surpresa pelo facto de que as centrais eléctricas se tenham convertido tão rapidamente do carvão para o gás. Isto não é surpresa para ninguém com um conhecimento básico da economia. Os sinais emitidos pelos lucros são poderosos e as pessoas respondem às mudanças de preços relativos. Isso faz parte da cadeira de Introdução à Economia logo na sua 2ª semana. As mesmas pessoas que estão surpreendidas por isto também foram surpreendidas pela rápida reconversão após a Segunda Guerra Mundial. A surpresa neste caso é apenas uma palavra rebuscada para "ignorância".
A prova dos argumentos de Julian Simon e de outros talvez nunca tenha sido mais evidente do que a transmitida nesta história, mas os verdadeiros dogmáticos não são aqueles de nós que são cépticos não da ciência das alterações climáticas mas da acompanhante ciência social e política, os dogmáticos são os que continuam a negar o poder dos processos de mercado, mesmo quando a evidência está bem à sua frente.
É pedir muito para que exemplos como este possam levar a um repensar do seu dogma? Provavelmente.
Etiquetas: Ambiente, Aquecimento global, Capitalismo, Carvão, Economia, Gás, Julian Simon, Recursos naturais
domingo, 12 de agosto de 2012
A tecnologia da fracturação hidráulica
conjugada com a da perfuração horizontal, torna hoje possível chegar às formações de xisto a uma profundidade média de cerca de 2500 metros e explorar as jazidas de gás e petróleo que há muito se sabia lá existirem (mas que não constituíam reservas provadas enquanto não foi desenvolvido o conjunto de tecnologias necessárias). A animação que se segue, da responsabilidade da Marathon Oil, procura ilustrar como decorre o processo.
(Via Carpe Diem)
sábado, 16 de junho de 2012
Pico quantos? (2)
A figura abaixo representa a evolução das reservas provadas de petróleo nos últimos 20 anos à escala mundial (cf. dados disponibilizados pela BP). Se de 2001 para 1991 o acréscimo foi de 22,7%, já de 2011 relativamente a 2001 ele foi de 30,4%. Particularmente interessante é também a perda da importância relativa do Médio Oriente nestes 20 anos: de 64% para 48,1% da produção mundial, essencialmente em contrapartida do continente sul-americano.
Por diversas vezes tendo por aqui afirmado que não há nenhuma razão para, ao contrário do que veiculam os alarmistas, pensar que o esgotamento do petróleo (como aliás de qualquer outro recurso natural) esteja iminente. Mas mesmo que se verifique uma escassez relativa de um dado recurso natural, e com isso se verifique um aumento do seu preço, o mercado (o resultado da interacção humana) tratará de encontrar uma solução (normalmente pelo desenvolvimento de novas e/ou mais eficientes tecnologias). Nesta linha de pensamento, poder-se-ia dizer que a evolução recente dos preços do petróleo traduz exactamente essa escassez relativa (apesar dos volumes absolutos acima graficados). Mas será mesmo assim?
Num mundo que, especialmente nos últimos 40 anos, se habituou a viver em regime de inflação permanente (ainda que "moderada" nos últimos 15/20 anos), será talvez melhor usar um outro padrão para aferir da evolução dos preços reais do petróleo. É o que se faz no gráfico seguinte (retirado daqui):
Reparem como a leitura dos preços actuais do barril de petróleo (WTI) é radicalmente diferente. Afinal, relativamente ao ouro, os preços actuais, reais, são sensivelmente idênticos aos que se verificavam nas vésperas do 1º "choque" petrolífero!
Assim sendo, e por muito que custe aos alarmistas de profissão, quer no volume conhecido de reservas provadas, quer no preço real - indicador fundamental do mercado para informar os seus participantes da "escassez" - o petróleo não dá mostras de se esgotar. Temos pena.
terça-feira, 15 de maio de 2012
Pico quantos?
De acordo com os dados da Energy Information Association (EIA), foi a seguinte a evolução da produção de petróleo de 1973 aos dias de hoje. Em Janeiro último, foi mesmo batido o recorde de produção mensal correspondente a 75,580 milhões de barris por dia (via Carpe Diem):
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| Clicar para ver melhor |
Julian Simon continua assim a ganhar apostas, mesmo que postumamente. Apesar da violenta barragem alarmista por parte dos profissionais do anúncio do desastre iminente do esgotamento dos recursos naturais, os combustíveis fósseis, muito em particular, teimam em não se esgotar.
É verdade que há políticos como Obama mas também, entre outros, David Cameron e Julia Gillard, que teimam em tudo fazer para evitar que, nas áreas sob sua jurisdição directa, novas prospecções sejam levadas a cabo. Chega-se ao ponto de proibir, por exemplo, a prospecção de gás e petróleo no offshore, em toda a costa leste e oeste dos EUA, como aqui se documenta (apesar de Obama oferecer a Dilma Roussef os seus préstimos para o desenvolvimento da actividade ao largo da costa do Brasil...). Mas, pelo menos por enquanto, nem todas as terras são propriedade de estados governados por tolos. E é fácil ver o que acontece quando ao mercado não é retirada a oportunidade de funcionar.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
A treta costumeira
MIT researchers predict the end of the world as we know it.
Lá por volta de 2030. É pelo menos o que um "modelo" concluiu(?!), misturadas que foram, devidamente massajadas, as variáveis do costume: recursos naturais, crescimento populacional, produtividade agrícola, etc. O resultado é uma autêntica reprise do "Limits of Growth" do Clube de Roma, em 1972, como se constata nesta citação:
“Only drastic measures for environmental protection proved to be suitable to change this systems behavior, and only under these circumstances, scenarios could be calculated in which both world population and wealth could remain at a constant level. However, so far the necessary political measures were not taken”Deveras familiar, não é?
quarta-feira, 28 de março de 2012
Julian Simon reemerge em Moçambique e em África
Boom time for Mozambique, once the basket case of Africa, no Guardian. Um excerto (realce meu):
A construction boom is under way here, concrete proof of the economic revolution in Mozambique. Growth hit 7.1% last year, accelerating to 8.1% in the final quarter. The country, riven by civil war for 15 years, is poised to become the world's biggest coal exporter within the next decade, while the recent discovery of two massive gas fields in its waters has turned the region into an energy hotspot, promising a £250bn bonanza.
The national currency was the best performing in the world against the dollar [!]. Investment is pouring in on an unprecedented scale; as if to prove that history has a sense of irony, Portuguese feeling Europe's economic pain are flocking back to the former colony, scenting better prospects than at home. Increasingly this is the rule, not the exception in Africa, which has boasted six of the world's 10 fastest-growing economies in the past decade. The first oil discovery in Kenya was confirmed on Monday, while the British firm BG Group announced that one of its gas fields off the Tanzanian coast was bigger than expected and could lead to billions of pounds of investment.
terça-feira, 27 de março de 2012
Um mistério que se adensa para os alarmistas de profissão
Mark Perry, editor do Carpe Diem, proporciona-nos excelentes gráficos (isto é, informativos). A figura abaixo denota a evolução recente do número de perfurações em busca de gás (a azul) e de petróleo (a vermelho:
Notável que num espaço de pouco mais de dois anos se tenha invertido a proporção (de 1/3 e 2/3). Mais notável ainda que essa inversão tenha ocorrido sem que - vejam só! - tenha havido qualquer programa federal de "estímulo" à pesquisa e extracção de petróleo. Não! A explicação reside, tão e só e apenas, na evolução dos preços relativos entre os dois produtos. E é este o mecanismo que explica alguns aparentes paradoxos que os alarmistas neo-malthusianos são incapazes de compreender (ou se recusam a compreender).
Vejam, por exemplo, este outro boneco retirado daqui, a propósito do patético papagueio que Obama vem fazendo (até mais ou menos um mês e meio atrás quando o preço da gasolina começou a interferir nas suas possibilidades de reeleição...). Segundo Obama, porque os EUA apenas possuem actualmente 2% do total de reservas mundiais, a resolução (?) do problema energético dos EUA, a médio e longo prazo, não poderá estar no petróleo. Num primeiro instante, poderá parecer um argumento válido. Mas depois, olhando para este boneco...
Então os EUA tinham em 2010 o mesmo volume de reservas de petróleo (reservas conhecidas por extrair) das existentes em 1944 e, nesse período, a produção foi de 8 vezes o total dessas reservas então conhecidas? A conclusão que podemos retirar a posteriori é que, afinal, as "reservas" de 1944 eram efectivamente mais de nove vezes maiores. O primeiro gráfico, ao evidenciar com clareza o efeito da evolução dos preços relativos, dá uma pista sobre o que irá suceder proximamente. Se a ela aliarmos o efeito da (r)evolução tecnológica, os resultados podem ser portentosos - já estão a sê-lo - tanto que Obama, hipocritamente, tenta agora chamar a si os méritos do fantástico recrudescimento da extracção de petróleo e muito especialmente do gás natural quando, na realidade, tudo ocorreu apesar das suas políticas que tudo fizeram para dificultar essa extracção ao mesmo tempo que, de forma insane e economicamente criminosa, promovia as sucessivas Solyndras, Volt e& Cia admiravelmente aqui retratadas.
Julian Simon lives.
sexta-feira, 23 de março de 2012
Matt Ridley: O Optimista Racional
Um ataque frontal - mas civilizado - aos neo-malthusianos, profetas de um Apocalipse que teima em não se concretizar (apesar dos esforços de muitos...). O debate que se segue aos primeiros 15 minutos do video é igualmente bem interessante.
Etiquetas: Acção Humana, Ambiente, Crescimento económico, Economia, Matt Ridley, Recursos naturais, Tecnologia
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Aposto que será uma surpresa para muitos
Produzir gráficos legíveis é uma arte. Mark Perry domina-a. No caso, é extraordinariamente interessante constatar que desde 1920, a preços de 2011, o preço de um galão de gasolina (cerca de 3.785 litros) nos EUA tenha variado num intervalo de preços tão reduzido (essencialmente entre 2 e 4 dólares). Sabendo isto, talvez se possa perceber melhor porque Perry não considere o preço actual uma catástrofe. Já Obama, considera-o um perigo para a sua reeleição. Regressarei a este tema amanhã.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
O eterno sorriso de Julian Simon
ou, de um modo mais combativo, como ideias feitas são, frequentemente, ideias parvas, em particular quanto se referem ao pretenso "esgotamento" de recursos naturais. Vem isto a propósito deste artigo (via Carpe Diem) onde se volta a evocar o princípio segundo o qual "Peak oil is peak idiocy", desta vez com a forte e continuada inversão da tendência decrescente de extracção de petróleo na província de Alberta no Canadá.
Mas, porque a evidência empírica tanta vez nos engana (as denominadas não-evidências) vale a pena explicitar uma vez mais o raciocínio económico daquele princípio. Explorando os links acima, fui dar com este post ("Peak idiocy"), de Mike Munger (aka Mungowitz), que o explica de forma cristalina (realces meus):
«Of all the idiotic things that people believe, the whole "peak oil" thing has to be right up there. It is literally impossible for us to run out of oil. We have never run out of anything, and we never will.
If we did start to use up the oil we have...(though, counting shale oil, we still haven't used even 10% of the total KNOWN reserves on earth, and there are lots of places we haven't looked)...but suppose we were on our way to using it up. Three things would happen.
1. Prices would rise, causing people to cut back on use. More fuel effcient cars, better insulation on houses, etc. Quantity demanded goes down.
2. Prices would rise, causing people to look for more. And they would find more oil, and more ways to get at it. Quantity supplied goes up.
3. Prices of oil would rise, making the search for substitutes more profitable. At that point (though not now!) alternative fuels and energy sources would be economical, and would not require gubmint subsidies, because they would pay for themselves. The supply curve for substitutes shifts downward and to the right.
This is econ 101. Even Paul ("I sold my soul to become a wanker") Krugman would credit this scenario.»
sábado, 17 de dezembro de 2011
Tudo o que há a saber sobre o shale gas
Com a frequência condizente com o (elevado) ritmo a que se sucedem as sucessivas descobertas de novas e gigantescas jazidas um pouco por todo o mundo, tenho vindo a fazer no blogue múltiplas referências ao shale gas (gás de xisto), a última das quais aqui. Hoje pretendo dar conta do ensaio "The Shale Gas Schock", da autoria de Matt Ridley, ainda que a sua publicação tenha já ocorrido em Abril último. Não obstante, e porque se multiplicam as tentativas de ignorar esta "dádiva" da "Mãe Terra" por parte dos eco-teócratas, parece-me útil contribuir para a desmistificação dos riscos que a sua exploração comercial encerra. Nas palavras do próprio Ridley: «não há dúvidas que a sua exploração comporta riscos ambientais, o que pode ser explorado para gerar preocupação pública suficiente para impedir a sua expansão em grande parte Europa Ocidental e em partes da América do Norte, embora os indícios sugiram que esses riscos são muito menores do que os das indústrias concorrentes». Compreender-se-á assim porque há quem não queira celebrar as boas notícias:
Importantes parecem-me também ser as palavras de Freeman Dyson, que assina o prefácio de que traduzo o seguinte excerto:
«As melhorias mais importantes da condição humana causadas pelas novas tecnologias são frequentemente inesperadas antes de ocorrerem e rapidamente esquecidas depois. A minha avó nasceu por volta de 1850 na industrial West Riding de Yorkshire. Ela dizia que a mudança realmente importante nas casas da classe trabalhadora quando ela era jovem foi a mudança das velas de sebo para as velas de cera. Com as velas de cera era possível ler confortavelmente à noite. Com as velas de sebo não era. Em comparação, a posterior mudança das velas de cera para a luz eléctrica não foi tão importante. De acordo com a minha avó, as velas de cera fizeram mais do que as escolas do governo para produzir uma classe trabalhadora letrada .
O gás de xisto é como as velas de cera. Não é uma solução perfeita para os nossos problemas económicos e ambientais, mas está cá quando é necessário, e isso faz uma enorme diferença para a condição humana. Matt Ridley dá-nos um relato justo e equilibrado dos custos e benefícios ambientais do gás de xisto. As lições a serem aprendidas são claras. Os custos ambientais do gás de xisto são muito menores que os custos ambientais do carvão. Por causa de gás de xisto, o ar em Pequim vai ser limpo como o ar em Londres foi limpo há 60 anos atrás [quando foram proibidas as lareiras domésticas a carvão]. Por causa do gás de xisto, o ar puro deixará de ser um luxo que apenas os países ricos podem pagar. Por causa de gás de xisto, a riqueza e a saúde serão distribuídas mais equitativamente à face do nosso planeta.»
______________________________
Nota: os meus avós maternos nasceram cerca de 60 anos depois da avó de Dyson. Não conheci assim já as velas de sebo mas ainda me recordo das lamparinas de azeite e da pequena revolução que foi, na casa dos meus avós, a introdução do candeeiro "a petróleo", acontecimento que também permitiu aos netos ler umas páginas de noite.
domingo, 11 de dezembro de 2011
Gigantesca descoberta de gás de xisto na China
Via MacLeans.Ca (tradução e realces meus):
A China - o maior consumidor mundial de energia - descobriu grandes quantidades de gás de xisto [shale gas] na sua província de Sichuan, de acordo com o Financial Times. Com esta descoberta, espera-se que a indústria chinesa de energia vá dotar o país de uma fonte de combustível "barata e abundante" para algo como os próximos 300 anos, de acordo com as estimativas e o padrão de consumo actual. Este tipo de gás não convencional é extraído de formações xistosas utilizando água altamente pressurizada e produtos químicos, técnica conhecida como "fracking" que se tem vindo a tornar cada vez mais popular, revolucionando os mercados por todo o mundo, incluindo os Estados Unidos, hoje o maior produtor mundial de gás de xisto.
Nota: vejo frequentemente confundido aquilo que necessita ser destrinçado. Refiro-me à confusão, às vezes premeditada, que se estabelece entre "reservas" e "recursos" falando de produtos minerais. Por "reservas" de uma dada fonte energética dever-se-á entender o volume existente dessa fonte energética num país, isto é, o volume já provado e cuja extracção é actualmente economicamente viável; já por "recursos" energéticos de um país se deve entender o total do potencial energético de um país, aqui se incluindo, por exemplo, depósitos de hidrocarbonetos de que se sabe a existência mas que não podem ainda ser consideradas reservas por, por exemplo, não existir tecnologia, por enquanto, tecnologia que permita extraí-los a preços economicamente sustentáveis. É assim que se explica o aparente paradoxo que, brevemente, aqui expus e que vem permitindo, desde Malthus, que o Apocalipse anunciado do "esgotamento de recursos" esteja sempre a ser adiado.
sábado, 10 de dezembro de 2011
O sucessivo adiamento do Apocalipse
que as Cassandras teimam em continuar anunciando,

tem aspecto de continuar aí ainda por umas larguíssimas décadas...
(Extraído de "North American Energy Inventory", Dezembro de 2011)
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
A mente humana como recurso inesgotável
é a tese de Julian Simon na sua famosa obra "The Ultimate Resource". É essa extraordinária capacidade que nos tem proporcionado novas ideias, novas tecnologias, novos e maiores mercados que, no seu conjunto, têm tornado possível o julgado impossível e melhorado os níveis gerais de vida no mundo (à excepção, talvez, dos países totalitários). E tal como Simon sempre antecipou nas suas famosas apostas (primeira e a proposta segunda) com o alarmista neo-malthusiano Paul Ehrlich, não se verificou nenhuma das tenebrosas teses dos "iminentes esgotamento de recursos" materiais (ver, por exemplo, Julian Simon continua a vencer mesmo postumamente).
E todavia, o discurso do "iminente" desastre continua presente nos jornais, nas televisões e nos políticos e constitui um dos "pilares" justificativos do recurso às novas renováveis. Ou seja, mesmo que (supostamente) não houvesse problema com a "progressiva carbonização" da atmosfera seria a (supostamente) "iminente" e "inevitável" exaustão de recursos naturais que justificaria a massiva intervenção estatal - à custa dos contribuintes, claro - nas novas energias renováveis. E como, por exemplo, o declínio na exploração de combustíveis fósseis nos EUA seria "inevitável" (a partir do suposto "peak oil"), para quê manter a ilusão por mais alguns anos autorizando novas perfurações e novas áreas de prospecção? Tem sido essa a posição, em particular, das duas últimas administrações americanas que tudo têm feito para dificultar, e mesmo impedir, a exploração de novas jazidas de hidrocarbonetos (quando expulsa as plataformas de pesquisa petrolífera do Golfo do México e depois as vai aplaudir quando operam ao largo da costa brasileira).
E eis senão quando... se multiplicam as notícias de novas descobertas de combustíveis fósseis que a evolução tecnológica, tornou entretanto economicamente viáveis e não dependentes de subsídios estatais. E é assim que são divulgados estudos após estudos que apontam para que os EUA voltem a liderar a produção mundial de combustíveis fósseis e consigam aproximar-se senão mesmo atingir a autosuficiência energética?
É também neste sentido que um novo estudo, agora da responsabilidade do Institute of Energy Research, e já divulgado já este mês (clicar na imagem para o obter) volta a apontar. Como Thomas J. Pyle escreve na introdução:
E eis senão quando... se multiplicam as notícias de novas descobertas de combustíveis fósseis que a evolução tecnológica, tornou entretanto economicamente viáveis e não dependentes de subsídios estatais. E é assim que são divulgados estudos após estudos que apontam para que os EUA voltem a liderar a produção mundial de combustíveis fósseis e consigam aproximar-se senão mesmo atingir a autosuficiência energética?
É também neste sentido que um novo estudo, agora da responsabilidade do Institute of Energy Research, e já divulgado já este mês (clicar na imagem para o obter) volta a apontar. Como Thomas J. Pyle escreve na introdução:
Yet even with steadily increasing rates of economic and population growth, as well as increasing energy consumption, the United States today possesses greater recoverable supplies of oil, natural gas and coal than at any point in its recorded history. How can that be? Have vast new sources of hydrocarbon fuels magically materialized beneath our feet over the past 100 years? Or is it possible that, despite what you’ve read, heard and have been told, our continent has always had a lot more energy available to it than some would have us believe?
E é isto que se vai lendo e ouvindo um pouco por todo o mundo. Obama a impedir a construção de um novo pipeline (Keystone XL) entre o Canadá e o Texas (para a exploração de enormes jazidas de areias betuminosas); e novas e importantes descobertas de gás e petróleo, agora também em Moçambique. Entretanto os chineses e indianos constroem centrais eléctricas a carvão todas as semanas.
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Contrariando ideias feitas
Este artigo no Wall Street Journal constituiu como que o lançamento do novo livro de Daniel Yergin, "The Quest: Energy, Security and the Remaking of the Modern World". Yergin, vencedor de um prémio Pulitzer, é provavelmente, o maior especialista vivo em economia e história da energia, e tem-se dedicado em particular em desmistificar o "iminente" fim das fontes energéticas de origem fóssil relembrando, por exemplo, que já nos anos 80... do século XIX(!), se falava em "peak oil". Escreve Yergin :
«This is actually the fifth time in modern history that we've seen widespread fear that the world was running out of oil. The first was in the 1880s, when production was concentrated in Pennsylvania and it was said that no oil would be found west of the Mississippi. Then oil was found in Texas and Oklahoma. Similar fears emerged after the two world wars. And in the 1970s, it was said that the world was going to fall off the "oil mountain." But since 1978, world oil output has increased by 30%.
Just in the years 2007 to 2009, for every barrel of oil produced in the world, 1.6 barrels of new reserves were added. And other developments—from more efficient cars and advances in batteries, to shale gas and wind power—have provided reasons for greater confidence in our energy resiliency. Yet the fear of peak oil maintains its powerful grip.»
Sempre que um dado grupo de pressão consegue influenciar um governo no sentido de este, pela força da coerção e dos impostos, "acelerar" o ritmo da história, é de socialismo que estamos a falar. De promoção activa da pobreza, portanto. Nunca nos esqueçamos desta verdade elementar.
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Desafiando os limites estabelecidos
'«[N]atural resources are not finite in any meaningful economic sense, mind-boggling though this assertion may be. The stocks of them are not fixed but rather are expanding through human ingenuity.»
Julian Simon (página 24 do livro figurado), via Café Hayek
«Here’s to the crazy ones. The misfits. The rebels. The troublemakers. The round pegs in the square holes. The ones who see things differently. They’re not fond of rules. And they have no respect for the status quo. You can quote them, disagree with them, glorify or vilify them. About the only thing you can’t do is ignore them. Because they change things. They push the human race forward. While some may see them as the crazy ones, we see genius. Because the people who are crazy enough to think they can change the world, are the ones who do.»(Texto que acompanhou o celebérrimo anúncio televisionado, Think Different, da Apple, em 1997, pouco tempo depois do regresso de Steve Jobs à companhia que co-fundou.)
domingo, 30 de outubro de 2011
Notícias manifestamente exageradas sobre uma morte sucessivamente anunciada (2)
Depois do New York Times, chegou agora a vez do Washington Post: Oil’s new world order. Alguns excertos deste último artigo (tradução e realces meus):
«(...) O esboço de um novo mapa mundial de petróleo está a formar-se e não é centrado no Médio Oriente mas no hemisfério ocidental. O novo eixo energético vai de Alberta, no Canadá, para sul através de Dakota do Norte e do Texas meridional, passando por uma nova e importante descoberta na costa da Guiana Francesa até aos enormes depósitos de petróleo offshore encontrados nas proximidades do Brasil.
Esta mudança tem um enorme significado para o fornecimento e a política do petróleo mundial. E também para todos os debates e discursos sobre a independência da energia ao longo dos anos: a transformação não está acontecendo como parte de um grandioso projecto político, mas de forma essencialmente acidental. Esta mudança não foi planeada - é antes um produto de uma série de iniciativas independentes e avanços tecnológicos decisivos que, no seu conjunto, estão decididamente a moldar esta nova realidade hemisférica (...)»
Nota: como James Delingpole perguntava aqui, por que razão será que não estamos a celebrar o adiamento, por largas décadas, do Apocalipse energético anunciado pelo menos desde 1972 com o Clube de Roma? Será porque os Zapateros, Sócrates, Milibands, Obamas, etc.,) deste mundo não tiveram qualquer mérito na matéria e, pelo contrário, tudo fizeram para dificultar a explorar novas fontes de combustíveis fósseis e portanto conseguido apesar deles?
Etiquetas: Ambiente, Capitalismo, Carvão, Economia, Empreendedorismo, Energias renováveis, Gás, James Delingpole, Petróleo, Recursos naturais, Tecnologia
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Notícias manifestamente exageradas sobre uma morte sucessivamente anunciada
New Technologies Redraw the World’s Energy Picture, nem mais nem menos que no New York Times! Reservas em águas profundas (deepwater reserves), areias petrolíferas (oil sands), shale, Alto Árctico. O grande Julian Simon, mesmo postumamente, strikes back, once again! Alguns excertos (realces meus):
(...) From the high Arctic waters north of Norway to a shale field in Argentine Patagonia, from the oil sands of western Canada to deepwater oil prospects off the shores of Angola, giant new oil and gas fields are being mined, steamed and drilled with new technologies. Some of the reserves have been known to exist for decades but were inaccessible either economically or technologically.
Put together, these fuels should bring hundreds of billions of barrels of recoverable reserves to market in coming decades and shift geopolitical and economic calculations around the world. The new drilling boom is expected to diversify global sources away from the Middle East, just as the growth in consumption of fuels shifts from the United States and Europe to China, India and the rest of the developing world(...)
“The unconventional boom will guarantee that the competition is strong for years to come,” Mr. Burkhard said. “If oil costs $200 a barrel, that would provide more headroom for electric vehicles. But if oil is at $90, alternative, renewable energy will need to compete better on an economic basis.”(...)
Renewable energy will rise as a percentage of energy used, to 15 percent from 10 percent, but that will not provide for the growing demand.
“The fossil fuel age will be extended for decades,” said Ivan Sandrea, president of the Energy Intelligence Group, a research publisher. “Unconventional oil and gas are at the beginning of a technological cycle that can last 60 years. They are really in their infancy.”
Etiquetas: Ambiente, Energias renováveis, Gás, Julian Simon, Petróleo, Política energética, Recursos naturais
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