Mostrar mensagens com a etiqueta Religião. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Religião. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 21 de março de 2014

Citação do dia (158)

Agradecendo a CN pela chamada de atenção.
"Os ricos do topo da pirâmide são keynesianos. São devotos do templo de Keynes. (...) O keynesianismo tem as características de uma religião. Tem uma confissão: "A moeda fiat supera as recessões". Tem uma agenda: a salvação através do crescimento económico. Tem uma doutrina da omnisciência: o planeamento central monetário. Tem um clero: os economistas doutorados. Tem um movimento evangélico: o levado a cabo pelo Congresso, pelas universidades e pelos media do mainstream."

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Gramsci, o papa Francisco, jesuítas e proselitismo

Patrick J. Buchanan, uma presença frequente neste blogue, ainda que não pelos seus pontos de vista sobre economia (bem pelo contrário), não é um optimista. Explana longamente esse pessimismo informado, por exemplo, em Death of the West (2002) como no recente Suicide of a Superpower (2012). Como explica em artigo publicado na semana passada, Papal Neutrality in the Culture War, o papado de Francisco em nada contribuiu para moderar o seu pessimismo. Creio compreender o seu ponto de vista partilhando muitas das suas perplexidades perante a actuação do papa Francisco. A tradução que se segue é da minha responsabilidade.
Sexta-feira, 15 de Novembro de 2013

"O papa Francisco não quer guerreiros culturais; ele não quer ideólogos", disse o bispo Blase Cupich, de Spokane, Washington:

"O núncio disse que o Santo Padre pretende bispos com sensibilidade pastoral, pastores que conheçam o odor das ovelhas."

O bispo Cupich estava a veicular as instruções que o núncio papal havia trazido de Roma para guiar os bispos dos EUA no processo de escolha de um novo líder.

Eles escolheram o arcebispo Joseph Kurtz, de Louisville, Kentucky, detentor de um mestrado em assistência social, para suceder ao arcebispo Timothy Dolan que Laurie Goodstein, do New York Times, descreve assim [link]:
"Um loquaz evangelista, confortável em frente a uma câmara, que liderou os bispos no confronto de grande notoriedade contra a administração Obama quanto a uma disposição na legislação sobre cuidados de saúde que exige à maioria dos empregadores que tenha um seguro que cubra [a despesa com] os anticoncepcionais dos seus empregados."
Essa legislação exige igualmente aos empregadores a cobertura das drogas indutoras do aborto bem como das esterilizações.

Eis aqui mais uma confirmação que Sua Santidade procura mover a Igreja Católica para uma postura de não-beligerância, se não mesmo de neutralidade, na guerra cultural em curso pela alma do Ocidente.

Há um pequeno problema com a neutralidade. Como Trotsky observou, "Você pode não estar interessado na guerra, mas a guerra está interessada em você". Para a igreja, a sua auto-exclusão da guerra cultural não visa pôr termo a essa guerra, significa perdê-la.

sábado, 29 de setembro de 2012

O Boykinism, o novo Macarthismo

Andrew J. Bacevich é um antigo coronel do exército americano que, após abandonar a carreira das armas  viria a dedicar-se ao estudo das matérias relativas às relações internacionais e, em particular, da política externa norte-americana. No texto, longo, publicado na American Conservative, sob o título Boykin’s World ("O mundo de Boykin"), Bacevich introduz-nos ao "Boykinism" doutrina que lhe parece ser "um novo macarthismo, mas mais perigoso que o antigo". Do meu ponto de vista, um artigo bem importante para a compreensão dos contornos da Guerra Global contra o Terrorismo por parte dos EUA. A tradução, algo livre, é minha.
Primeiro veio o alarido sobre a "mesquita no Ground Zero". Depois, foi o pastor Terry Jones, de Gainesville, Flórida, que conseguiu manchetes enquanto promovia o "Dia Internacional da Queima do Corão". Mais recentemente, tivemos um americano que publicou um insultuoso vídeo anti-muçulmano na internet com toda a agitação que se lhe seguiu.

Durante tudo isto, a posição oficial dos EUA manteve-se fixa: o governo dos Estados Unidos condena a islamofobia. Os americanos respeitam o Islão como uma religião de paz. Os incidentes sugerindo o contrário são o trabalho de uma pequena minoria de loucos, promotores de ódio e que apenas procuram publicidade. Entre os muçulmanos de Benghazi a Islamabad, este argumento tem provado ser difícil de vender.

E não sem razão: embora possa ser reconfortante tomar os surtos anti-islâmicos nos EUA como o trabalho de um grupo de fanáticos, o quadro é na realidade muito mais complicado. Essas complicações, por sua vez, ajudam a explicar por que a religião, outrora considerada um activo da política externa, se tornou, nos últimos anos, num passivo líquido.

Comecemos com uma breve lição de história. Do final dos anos 40 aos finais dos anos 80, quando o comunismo fornecia a abrangente fundamentação ideológica ao globalismo americano, a religião figurou, com proeminência, como tema da política externa dos EUA. A antipatia comunista em relação à religião ajudou a investir na Guerra Fria uma política externa consensual de uma notável durabilidade. O facto de que os comunistas serem ateus bastou para os colocar numa posição para além do admissível. Para muitos americanos, a Guerra Fria derivou a sua clareza moral da convicção de que se estava numa competição que colocava os tementes a Deus contra os que O negavam. Como estávamos do lado de Deus, parecia evidente que Deus deveria retribuir o cumprimento.

De tempos a tempos, durante as décadas em que o anticomunismo forneceu muito do espírito animador da política dos EUA, os estrategistas judaico-cristãos de Washington (não necessariamente, eles próprios, crentes), partindo da proposição teologicamente correcta de que os cristãos, judeus e muçulmanos adoram todos o mesmo Deus, procuraram recrutar muçulmanos, por vezes de convicções fundamentalistas, para a causa da oposição aos ímpios. Um exemplo especialmente notável foi a guerra soviético-afegã de 1979-1989. Para infligir dor nos ocupantes soviéticos, os Estados Unidos lançaram todo o seu peso por trás da resistência afegã, denominada em Washington de "combatentes da liberdade", e canalizaram ajuda (via sauditas e paquistaneses) aos religiosos mais extremistas de entre eles. Quando esse esforço resultou numa pesada derrota soviética, os Estados Unidos celebraram o seu apoio aos Mujahideen afegãos como prova do génio estratégico. Foi quase como se Deus tivesse anunciado um seu veredicto.

E todavia, sem que tenham passados assim tantos anos sobre a retirada soviética sob derrota, os combatentes da liberdade transformaram-se em Talibans ferozmente anti-ocidentais, proporcionando um santuário para a Al-Qaeda enquanto esta conspirava para atacar os Estados Unidos.

sábado, 15 de setembro de 2012

A Primavera Árabe complica-se para os EUA

Pat Buchanan, na sequência do cerco às embaixadas americanas e do assassínio do embaixador americano na Líbia, pergunta: Time To Come Home? A tradução é de minha responsabilidade.
Não terá passado já suficientemente tempo para fazer uma análise custo-benefício do nosso envolvimento no Médio e Próximo Oriente?

Contando apenas este breve século, foi lá que travámos as duas mais longas guerras de nossa história, que colocámos a nossa autoridade moral por trás de uma "Primavera Árabe"que derrubou aliados na Tunísia, no Egipto e no Iémen, e que fornecemos o poder aéreo que salvou Benghazi e derrubou Muammar Khadafi.

Contudo, esta semana, as embaixadas dos EUA estiveram sob cerco na Tunísia, no Egipto e no Iémen, e diplomatas norte-americanos foram massacrados em Benghazi.

O custo das nossas duas guerras é de 6.500 mortos, 40.000 feridos e 2.000 milhões de dólares que foram empilhados sobre uma dívida nacional que é de 16 milhões de milhões de dólares, maior do que toda a economia dos EUA. E o que é que, em nome de Deus, temos nós para mostrar em troca?

Enfrentamos o ódio pandémico sobre o nosso país de Marrocos ao Paquistão. A visão de bandeiras americanas a serem rasgadas em pedaços e queimadas por turbas tornou-se tão comum por lá que quase parece que nos acostumámos a ela.

Quais são as raízes deste ódio árabe e islâmico?

Osama bin Laden, na sua declaração de guerra contra nós, deu três razões para o seu casus belli.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Uma notícia de que não dei notícia


Foi no dia 16 de Março que foi publicada. Imaginemos, por um momento, o berreiro que por aí andaria se tivesse sido o Papa que, numa alocução na praça de São Pedro, tivesse apelado à destruição de todas as mesquitas nos países de matriz cultural judaico-cristã... É assim particularmente notável a preocupação humanitária (!) dos sauditas com a situação na Síria, já não falando da perplexidade que causa o abundante e generoso apoio financeiro com que os norte-americanos presenteiam Riade.

sábado, 23 de julho de 2011

24 horas depois, sequer um pedido de desculpas

Veja-se o Telegraph:
22-07-2011 - Norway attacks: who is responsible?
As of June 2011, there were still six F16 fighters from the Royal Norwegian Air Force operating in Libya, which is a possible motive for the attack... 
Norway has deployed around 500 troops in Afghanistan, and three Norwegian newspapers (Aftenposten, Dagbladet and Magazinet) published the controversial Prophet Muhammad cartoons in 2005-2006, providing another possible motive... 
One possible culprit is the Pakistan-based core al-Qaeda group, which has previously shown interest in attacking Norway... 
A further possibility, therefore, is that the attack was led by Norwegian jihadist sympathisers acting on their own initiative, possibly after receiving basic training from jihadist groups overseas.
 23-07-2011 - Norway attacks: profile of suspect Anders Behring Breivik
Anders Behring Breivik, the main suspect in the Norwegian bomb attacks and shootings, has been described by police as a Christian fundamentalist with right-wing views... 
Police chief Svinung Sponheim said that internet posting by Breivik suggested he has "some political traits directed toward the right, and anti-Muslim views".

segunda-feira, 20 de junho de 2011

O Arcipreste Avvakum

Estou a acabar de ler o livro exposto na vitrina motivado pela curiosidade de conhecer melhor a vida do sanguinário Trotsky (aprecio o género biográfico). O livro, muito recente, não será extraordinário, mas parece-me constituir um trabalho honesto na sequência de obras similares do mesmo autor relativos às vidas de Lenin e Stalin (que não li).

Hoje à noite irei começar a ler o capítulo referente à última etapa do exílio de Trotsky: o México. No capítulo imediatamente anterior, o autor conta a história do arciprestre Avvakum, nomeadamente o episódio relativo à sua punição com o exílio siberiano, na sequência da sua não aceitação de reformas na liturgia e teologia da igreja ortodoxa russa da época (séc. XVII). A "pena acessória" foi a ter de se dirigir, com a sua mulher, para o exílio, a pé. A certa altura, a sua mulher cai numa vereda cheia de neve, clamando: "Até quando durará este sofrimento?". Avvakum, ofegante, respondeu que duraria até à morte. Ao que a sua mulher retorquiu, sem hesitar: "Seja, Petrovitch, continuemos o nosso caminho".

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Sem emenda?

VPV, hoje, no Público
Tenho seguido, com atenção, a troca de argumentos entre aqueles que manifestam cepticismo, quando não anunciam terríveis apocalipses, à la Hobbes,  quanto ao que resultará da queda da ordem estabelecida em consequência do vendaval que se abateu sobre as autocracias árabes.

Pedro Correia tem sido talvez o mais caústico crítico dos cépticos que, em vez de celebrarem as vitórias da liberdade, acenam com os perigos da imprevisibilidade do desconhecido, isto é, do futuro.

Certamente não por acaso, têm sido historiadores como Vasco Pulido Valente (também por feitio) ou Pacheco Pereira que, irritantemente, escrevem antes sobre os perigos  resultantes da queda da ordem conhecida, não embarcando, pelo menos publicamente, na defesa activa da causa da liberdade, atitude que lhes tem merecido de alguns o epíteto de catastrofistas denegadores do direito dos povos à liberdade. Chega-se até a evocar frases dos anos 60/70 do século passado, do género daquela onde se afirmava  que "os portugueses não estavam preparados para a democracia", para "provar" que todos (?) têm o direito à liberdade e à democracia.

JPP, ontem no Público
A História, particularmente a história económica, é uma disciplina a que tenho progressivamente dedicado cada mais tempo à leitura. Não me canso de me espantar com tanta ideia / "medida" apresentadas ao longo dos tempos como "novas" que não eram mais do que a reciclagem de repetidas instâncias antecedentes. Dois livros que chamei à vitrina - "The New Deal in Old Rome" ou "Forty Centuries of Wage and Price Controls" são disso excelente exemplo.

Mesmo numa dimensão temporal completamente diferente, trabalhando há quase vinte e cinco anos na mesma empresa, frequentemente sinto-me obrigado a transmitir a novos colaboradores, meus subordinados ou meus chefes, o caminho que a empresa percorreu ao longo dos anos com o intuito não de justificar o presente mas de ajudar a compreendê-lo à luz do anteriormente sucedido.
Dito isto, não será surpresa para quem tenha seguido este blogue desde que nasceu ainda não há seis meses, que o seu autor se confesse crescentemente atraído pelas teses libertárias, Deste modo, não posso deixar de aplaudir o que parece (a informação é pouca ao contrário do que muitos dizem) estar a acontecer - a contestação (e subsequente queda na Tunísia e no Egipto) às lideranças autocráticas, sustentadas pela força das armas dos respectivos exércitos e de polícias secretas que nada devem às antigas SAVAK e KGB, para citar apenas dois exemplos, apoiadas activamente pelas forças do Império (antes, ao tempo da URSS, no plural).

Em duas palavras: esperança e prudência nas expectativas.
________________
Nota: nunca concordei com a tese de Vasco Pulido Valente de que "o mundo ficou mais perigoso" com a queda do Império Soviético. Já era crescidinho nessa altura com a maior parte dos meus fantasmas exorcizados.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Quando os preços sobem (muito) e a inflação não...(2)

Jornal de Negócios: "Os preços dos alimentos a nível mundial atingiram um novo recorde em Janeiro, o sétimo aumento consecutivo, devido à escalada no preço das matérias-primas, indicou hoje a Organização das Nações Unidas (ONU)."

Alguns dos países mais débeis tentam evitar a emergência de agitação social. Ver, por exemplo, Nations Seek to Prevent Uprisings by Controlling Food Prices . E entretanto, hoje mesmo no Iemen, 20.000 marcham no 'Dia da Raiva’.

Será que o próximo país a ser atingido por motins venha a ser a República Islâmica do Paquistão como teme Marc Faber? O país islâmico com armas nucleares?

domingo, 2 de janeiro de 2011

Religião e Totalitarismo

Clicar para aumentar
Nota: logo que tenha conhecimento de um mapa que evidencie proibições ou violências dirigidas a uma qualquer religião, publicá-lo-ei com igual sentido de repúdio com que agora o faço relativamente ao cristiniamismo. Imagem retirada daqui.