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terça-feira, 11 de setembro de 2012

Estudos e tretas ou tretas de estudos

Estudo da OCDE: baixas qualificações dos pais determinam percurso dos filhos

O título da "caixa" que reproduzo é-me intolerável.

Vivemos bombardeados de estudos estatísticos relativamente aos mais variados domínios da vida social, da fisiologia humana, etc. Os jornais e as televisões adoram-nos. Os activistas sociais, esses, são dos principais clientes destes "estudos" (e dos que mais deles beneficiam). Brandindo-os, apressam-se a pressionar os organismos estatais a "agir". Seja clamando por proibições ou punições (por exemplo, impostos) seja apelando à criação de "estímulos" positivos (por exemplo proporcionando tarifas acima das do mercado aos promotores das novas renováveis, pagando os ordenados a actores e a músicos, etc).

Ora o recurso à estatística, no domínio do social, seja para "fotografar" um momento ou para "filmar" uma sucessão de momentos, apenas permite (admitindo a não manipulação de dados...) medir o que já sucedeu. Trata-se de história, apenas isso e não mais do que isso. Aconteceu, é certo, mas nada garante que a identificação de algum padrão no passado signifique que o mesmo se repita no futuro. (Em ciências sociais, não existem coisas como, sei lá, a constante gravitacional universal.)

Acresce que é ilegítimo deduzir relações de causalidade a partir da mera detecção de correlações. Por exemplo: o facto de se ter observado uma estreita correlação entre o número de anos de ensino formal e o  nível de desenvolvimento económico não permite dizer que é o número de anos de ensino que o determina. Não será igualmente fácil defender o inverso? Ou seja, que foi o desenvolvimento económico que veio a possibilitar o desvio de recursos para, então, poder assegurar a educação formal generalizada?

Não é verdade que as baixas qualificações dos filhos DETERMINEM o percurso dos filhos. Só os robots estão pré-determinados. Os meus avôs eram camponeses de sequeiro; os meus pais têm o antigo Curso Geral do Comércio e dois dos meus tios mais jovens, irmãos da minha mãe, já foram capazes de chegar à universidade.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Citação do dia (56)

Much of the social history of the Western world over the past three decades has involved replacing what worked with what sounded good.

Thomas Sowell, Is Reality Optional?, 1993

sábado, 21 de julho de 2012

Educação e desenvolvimento económico

Ofertas para soldadores e mecânicos com salários mais altos que doutores e engenheiros.

Num país "normal", o título desta notícia do Correio da Manhã de hoje, não espantaria ninguém. Por cá, soa a escândalo. Então a geração "mais qualificada de sempre" não consegue um salário melhor que um "modesto" soldador ou pasteleiro? Então e os "direitos" que assistem aos jovens pelo esforço colocado no "queimar das pestanas"? E as "justas expectativas" que daí decorriam? E, numa formulação mais "moderna", por que não assistimos à rentabilização do "capital humano" que a frequência do ensino superior, inevitavelmente, teria constituído?

No Expresso de hoje (a que dei uma olhada em exemplar de pessoa amiga), Maria Filomena Mónica recomenda (sob o título que encima este post), ainda uma outra vez, a leitura de "Does Education Matter", de Alison Wolf, para contestar a suposta relação de causalidade entre uma maior extensão na frequência do ensino superior e  maiores níveis de desenvolvimento económico no que constitui um dos maiores mitos que se instalou em quase todas as sociedades ocidentais.

Através da preciosa ajuda de "modelos" estatísticos - que nunca poderão fornecer explicações de causa-efeito -, bibliotecas veiculadoras do sociologismo dominante justificaram a suposta inerente bondade da massificação da frequência universitária, e deram aos políticos do "Estado Social" a "legitimidade" da imposição dos correspondentes impostos para a financiar. Na mesma linha, num linguajar economês, a "rentabilização" económica dessa despesa pública estaria assegurada através da eclosão das famosas "externalidades positivas".

Tretas trágicas propagadas por ignorantes da História e da Acção Humana.

sábado, 19 de maio de 2012

As Novas Oportunidades e a bolha educativa

ACTUALIZAÇÃO: link para o programa 60 Minutes abaixo referido.
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A divulgação do estudo de avaliação do impacto na empregabilidade e na remuneração do programa Novas Oportunidades não terá trazido grandes novidades para quem não tenha sido inoculado (para todo o sempre?) com uma visão romantizada da bondade da acção do Estado. Ontem, pretendendo lutar contra este mal, pedia emprestadas as palavras de Don Boudreaux para voltar a fazer notar que intenções e resultados são coisas diferentes (como diz o adágio, «de boas intenções está o Inferno cheio, e o Céu de boas obras» ou, parafraseando James Madison, se os homens não são anjos, não há razão alguma para pensar que as organizações o sejam, por altruistas que se enunciem os seus fins).

Foram gastos 1800 milhões de euros no programa. Na prática, em pedaços de papel, em "canudos" de custo unitário efectivo estratosférico. Só os ingénuos se terão surpreendido. Aos crentes, claro, nada os abalará, pelo que não vale a pena  tentar rebatê-los quando se adiantam "argumentos" contra a "falta de competência" da equipa que realizou o estudo, como aqui faz o sociólogo Luís Capucha, anterior director da Agência Nacional para a Qualificação.

Há coisa de um ano atrás, o multimilionário Peter Thiel anunciava os 24 vencedores de um programa (entre mais de 400 candidatos), por si lançado no Outono de 2010, segundo o qual estava disposto a atribuir uma verba de 100 mil dólares a quem ousasse sair da universidade - tornando-se num(a) dropout - para prosseguir uma "aventura" pelo empreendedorismo desde que a tempo inteiro. Procurava assim sinalizar o que entende como tremendo erro: a ideia que se generalizou que a obtenção de um futuro melhor para cada jovem passa, quase necessariamente, pela obtenção de um grau académico universitário. Nos EUA em particular, os diferentes subsídios e incentivos atribuídos pelo governo federal, de acesso a crédito bancário para  financiar a frequência universitária, levaram já à formação de uma bolha monstruosa de um milhão de milhões de dólares (1 trillion). Não é assim de estranhar que se verifique um fenómeno crescente de incumprimento dos graduados que não conseguem empregos (quando conseguem) com uma remuneração suficiente que lhes permitam pagar as dívidas contraídas.

Amanhã à meia-noite, na CBS, no programa 60 Minutes, será abordada esta iniciativa de Peter Thiel e a ideia de que a bolha universitária será, provavelmente, a próxima a rebentar (depois da do imobiliário). No vídeo seguinte, entreve-se o conteúdo do programa (via CD):


Em Portugal, como em outros países, essa bolha também existe. Não sabemos quantificar é o tamanho dela, pois o ensino superior público, apesar das propinas, é quase "gratuito". Os números verdadeiros estão algures "enterrados" na dívida pública.
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Leitura complementar: Educação estatal e empreendorismoRobert Reich to New College Grads: "You're F*cked"

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Gostava de perceber

por que razões a subida da extrema direita [nas recentes eleições europeias] deve ser, segundo Cavaco Silva, uma causa de "grande preocupação" e a emergência de partidos ou personalidades com substanciais votações como os de Jean-Luc Mélenchon, em França, e do inacreditável Alexis Tsipras (líder do 2º partido (em rigor, coligação) mais votado) na Grécia, não causam preocupação alguma.

domingo, 6 de maio de 2012

A nacionalidade do prof. Boaventura

Perante esta notícia, penso confirmadas as minhas suspeitas de longa data que Boaventura Sousa Santos seja, afinal, um cidadão venezuelano, ou argentino, ou boliviano, ou equatoriano, ou brasileiro, ou... em qualquer caso, um cidadão centro/sul-americano. O que não obsta a que tenha um passaporte português.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Filhos de Marcuse

No Expresso online: "Divina Comédia" considerada uma obra ofensiva pois, de acordo com a ONG italiana Gerush92, o poema épico é "racista, antissemita e islamofóbico" e, como está bem de ver, "homofóbico".

sábado, 12 de novembro de 2011

Em louvor dos preconceitos

por Maria Filomena Mónica. Um trecho:
Claro que há preconceitos estúpidos, mas daí não se pode concluir que todos o sejam. O essencial é isolar os bons. É isso que tento praticar. Por vezes, basta-me saber de onde provêm certas afirmações para imediatamente me colocar do outro lado da barricada. Uma das razões porque gosto de ler os artigos do prof. Boaventura de Sousa Santos é porque me libertam da tarefa de pensar. Quando vejo o seu nome no fim de um texto, sei que devo afirmar o contrário.

Dir-me-ão que é um preconceito. Começou, de facto, por ser, mas já não é, uma vez que acabo de ler o seu último livro, "Portugal: Ensaio contra a Autoflagelação". Como se isto não bastasse, tomei conhecimento de que, a 7 de Outubro, proferiu a lição inaugural de uma cátedra, despudoradamente intitulada Boaventura de Sousa Santos em Ciências Sociais, criada pela Universidade de Coimbra. Segundo revelou o reitor, a instituição está em risco de encerrar por falta de verbas, pelo que espero que a nóvel cátedra esteja a ser financiada pelo sociólogo-mor do reino.
Leitura relacionada: "The Case For Discrimination" (PDF), de Walter Block.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Estado e moral hazard (1) - Escola pública e salário mínimo

A erupção de violência juvenil a que assistimos em Inglaterra não terá certamente uma explicação unidimensional não tendo eu dúvidas que iremos assistir nos próximos meses a vastos exercícios sociologistas, as mais das vezes promovendo a “compreensão” e “desculpabilização” dos bandos criminosos compostos de fedelhos [“No wonder these kids think stealing trainers is OK. Everyone makes excuses for them1].

Em todo o caso, parece-me não oferecer dúvidas que décadas continuadas de assistencialismo (welfare) por parte do estado social britânico tiveram como consequência a criação de um exército de subsídio-dependentes, incapazes de qualquer espécie de autonomia por terem perdido a sua individualidade e auto-estima. Aguardam apenas, mês após mês, o cheque da segurança social.

Foi na vivência desta cidadania de segunda que toda uma geração de jovens cresceu. Depositada diariamente numa escola pública “inclusiva” pela obrigatoriedade legal do K12 mas também, e sobretudo, pela ameaça de retirada dos subsídios aos seus pais em caso de “abandono escolar” precoce, esta é uma geração de pais ausentes incapazes de projectar uma cultura de responsabilidade e de premiar e castigar os seus filhos [“We've failed to teach our kids that an entitlement culture is wrong. Now we are paying the price 2].

Quando finalmente saem do sistema educativo, boa parte deles literalmente iletrados, é a crise económica conjugada com a absurda imposição de um salário mínimo que afasta a grande maioria de uma última possível saída deste inferno: a obtenção de um emprego e a correspondente autonomia financeira (ainda que parcial).
O “Welfare State” é o primeiro grande foco de moral hazard. Há que lancetá-lo.
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1 Grato ao Joaquim pela referência.
2 Idem ao Samuel Paiva Pires.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Incompreensível

a defesa que muitos fazem da imposição legal de quotas seja por género, raça, credo, orientação sexual ou o que quer que seja. Os(As) beneficiário(a)s das quotas sofrerão sempre perante si mesmos e perante os outros o estigma de terem sido escolhidos para este ou aquele lugar, para entrar numa profissão, numa universidade ou num conselho de administração, por razões que nada têm a ver com o mérito pessoal. Trata-se, pura e simplesmente, de intolerável engenharia social imposta pela força do Estado.

sábado, 23 de julho de 2011

24 horas depois, sequer um pedido de desculpas

Veja-se o Telegraph:
22-07-2011 - Norway attacks: who is responsible?
As of June 2011, there were still six F16 fighters from the Royal Norwegian Air Force operating in Libya, which is a possible motive for the attack... 
Norway has deployed around 500 troops in Afghanistan, and three Norwegian newspapers (Aftenposten, Dagbladet and Magazinet) published the controversial Prophet Muhammad cartoons in 2005-2006, providing another possible motive... 
One possible culprit is the Pakistan-based core al-Qaeda group, which has previously shown interest in attacking Norway... 
A further possibility, therefore, is that the attack was led by Norwegian jihadist sympathisers acting on their own initiative, possibly after receiving basic training from jihadist groups overseas.
 23-07-2011 - Norway attacks: profile of suspect Anders Behring Breivik
Anders Behring Breivik, the main suspect in the Norwegian bomb attacks and shootings, has been described by police as a Christian fundamentalist with right-wing views... 
Police chief Svinung Sponheim said that internet posting by Breivik suggested he has "some political traits directed toward the right, and anti-Muslim views".

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Ponto.

Interpelando o novo Ministro da Educação, Ana Benavente, no Público de ontem, perguntava:
Tem afirmado publicamente a sua conceção de uma Escola centrada em três pilares: exames (muitos), que servirão para avaliar alunos e professores, conteúdos disciplinares estritos e prova de entrada na profissão docente. Como garante que tais orientações trarão melhores aprendizagens para todos os jovens face aos desafios do mundo atual?
Como garantir que não nos caia um tijolo em cima da cabeça? Como garntir que não vou ganhar o euromilhões na próxima 6ª feira? Como garantir que o sector da Educação estaria melhor se Ana Maria Benavente nunca tivesse ocupado o cargo de Secretária de Estado da Educação? Perguntas difíceis estas.

Fácil é, porém, a resposta à Dra. Ana Maria Benavente: é ignorá-la. Ponto.

domingo, 19 de junho de 2011

Problemas com a realidade (2)

O Público constata  e titula (edição impressa) que o "Número de reclusos atinge [em Portugal] o valor mais alto dos últimos cinco anos". É a notícia escolhida para desenvolvimento "em destaque". Na página dois, o título escolhido é "Forças policiais associam aumento de presos ao agravamento da crise", fazendo-se notar que os "furtos nos supermercados ascendem a 80 milhões de euros". No desenvolvimento escreve-se que o presidente dos polícias da PJ entende que "existe o  perigo, com o avanço da crise, de que o que são furtos de bens essenciais (alimentos) se torne em algo mais violento, mais sofisticado e violento".

Até aqui, conversa habitual de pacotilha.

Na página 3 duas notícias, com destaque bem menor, claro. Numa, lê-se: "Crimes participados às polícias desceram 4,5 por cento no primeiro trimestre de 2011 (face ao período homólogo de 2010"; na outra, "Aumento da criminalidade geral rejeitado" sendo que, no corpo da mesma, citando-se Josefina Castro, directora-adjunta da Escola de Criminologia do Porto (ECP) que afirma "[p]arece que há uma relação entre desemprego e criminalidade, mas não se percebe bem em que sentido". Já Cândido Agra, director da ECB afirma que "[t]udo o quanto se diga sobre o aumento ou diminuição da criminalidade em tempos de crise é uma falácia" e que "não é linear que a crise, o desemprego e a pobreza resultem num aumento da criminalidade" pois, por exemplo, "[a] criminalidade aumentou a partir dos anos 60 no Ocidente em quase todos os países, enquanto se vivia um período de prosperidade".

Confesso ter ficado agradavelmente surpreendido com a humildade científica que estas declarações revelam. Vou procurar saber mais sobre a ECP.

Não sou sociólogo, mas continuo a ler e a reler, com muito afinco, Ludwig von Mises e os seus seguidores. Gostaria muito de conhecer estudos à escala mundial que relacionassem o proibicionismo (político, económico e cultural) e a evolução da criminalidade (função da lei vigente) e consequente população prisional.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Uma no cravo, outra na ferradura ideológica

Via Ecotretas, tomei conhecimento da tese de doutoramento (em português) de Daniela de Souza Onça. A tese, que "procura reunir provas e evidências científicas contrárias à hipótese do aquecimento global antropogénico" é-me simpática pois esgrimirá argumentos científicos (quiçá mesmo alguns novos) que ajudem a desmontar aquilo que levou Michael Crichton, em 2003, a escrever O Ambientalismo como Religião. Vou procurar lê-la com atenção.

De qualquer forma fiquei perplexo quando, "folheando" o texto (tem mais de 500 páginas), e logo no abstracto, se pode ler que a doutrina do aquecimento global antropogénico "exerce hoje a função de ideologia legitimadora do capitalismo tardio"!
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Nota: lendo o post "homotético" do Prof. Pinto de Sá, fiquei mais esclarecido sobre as origens desta última inovadora tese.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Lendo o Público a uma quinta-feira (6)

"As pessoas não têm vergonha de discriminar os idosos", por Ana RuHenriques (página 28, secção Local).

"As pessoas não têm vergonha de discriminar os idosos, ao contrário do que acontece com a discriminação por razões étnicas ou de género", diz uma especialista na matéria, Sibila Marques.
A investigadora, que lançou recentemente um livro sobre o assunto, explica que os preconceitos contra a terceira idade são socialmente aceites, mesmo quando partem da própria faixa etária.
(...)
«Em Portugal existe um alto grau de aceitação dos líderes mais velhos»

Lendo o Público a uma quinta-feira (4)

O artigo (página 8 da P2) é assinado por São José Almeida. Título escolhido, a propósito da notícia que constitui o lançamento de um novo livro de Boaventura Sousa Santos: "É preciso pensar e reinventar Portugal". A jornalista cita o sociólogo (realces meus):
[É] preciso quebrar a indiferença anestesiante, alerta Boaventura: "Estamos a assistir ao desenvolvimento do subdesenvolvimento do nosso país e aparentemente assistimos passivamente. Como se isso nos abalasse tanto quanto o recente maremoto do Japão. Como se o país fosse um lugar distante, habitado por gente por gente que conhecemos mal, por quem não temos especial estima e que certamente merece o fardo que lhe cabe carregar. (...) E quase todos flagelam o país, como se as causas da nossa crise financeira não fossem sistémicas e, portanto, em parte, estranhas à nossa acção, por mais desastrada que tenha sido."