Mostrar mensagens com a etiqueta Espírito do tempo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Espírito do tempo. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Citação do Dia (205)

"Há um temor errante no coração do homem de hoje e que ele depositou no mais fundo da sua consciência; todavia, como um fumo ele se evade, como um hálito fino como a luz, ele pretende subir à superfície. É um temor que sobrevive a toda a justiça feita, a toda a voz propagada; dissolve o pensamento mais provado, transforma a acção mais firmemente conduzida, para atravessar intacto até ao carácter mais implacável. Aquele que percebeu uma vez o temor, mover-se nessa região de trevas que todo o homem transporta em si próprio, nunca mais deixa de o reconhecer em todos os passos da sua vida. Nunca mais medita, escreve, contacta com os amigos, desfia ou tece intrigas, viaja, regressa, atraiçoa ou convence, sem ter esse companheiro resoluto e suave pousado na sua orelha direita, no contorno do seu dedo indicador, na pálpebra fechada, no lábio pronto a falar. Uma vez pressentido o temor, o homem precipita-se na sua autêntica condição com uma vocação tão ardente que o mundo a que se adaptou se desintegra e a realidade o assalta como algo de dinâmico e que se inicia pela primeira vez.

Alheio à significação do espaço como paisagem, se não como propriedade, desviado do ciclo elementar da vida com os seus acasos e períodos detalhados, habituado a dispor da distância, da imagem e do segredo, o homem encontra-se agora mais incapaz de compreender o temor. E, ao eliminar a dificuldade, ampliou também o domínio do temor; ao desprevenir-se dos seus azares, fez-se, ao mesmo tempo, campo de atracção duma cabala fulminante.

Assim, o traumatismo do temor atinge proporções prodigiosas numa colectividade que, por exemplo, se organizou em moldes rigorosos para destruir erros e defender direitos que ninguém se ocuparia em contestar numa sociedade natural. Mas, quanto mais uma actividade substitui uma fé, mais essa actividade, por legal e razoável que seja, está sujeita a ser vítima duma desintegração que só a interferência do temor explica. O que primeiro parecia um privilégio acabrunha como um castigo, o que se praticou como lei toma a aparência de sevícia. O homem vê-se naufragado do seu próprio movimento, não controla mais nem a razão, nem os sentimentos. Perplexo na sua realidade, ele depara com a face terrível, e no entanto salvadora do temor."


Agustina Bessa-Luís, "O Ramo de Ouro" in Ensaios e Artigos (1951-2007), FCG.

sábado, 23 de dezembro de 2017

Perspectivando Um Tempo Feliz

Ben Young


A realidade retorcida intensifica-se por debaixo de um nevoeiro encomendado. A aparência dócil e próspera dos dias é tão enganadora quanto um nevoeiro pode ser reconfortante e bucólico. Escondendo as sombras e os acidentes geográficos. Ou sociais.

Que possamos encontrar alguma perspectiva clarificadora - de frente para a clareza rude do mar, por exemplo.

Aos leitores do Espectador Interessado, os seus autores desejam Festas muito Felizes.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Tempo(s)


Edelmann


Reiterando, teimosamente, a ideia de que a realidade se-nos apresenta rugosa, assimétrica e plena de dimensões sombrias, desafiadora, esta exige-nos uma boa dose de sentido crítico.

Aos leitores do Espectador Interessado, os seus autores desejam Festas muito Felizes.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Que Tempo e que Modo?


Edelmann


Não obstante as manobras de curadoria da peça colectiva, a realidade teima em mostrar-se rugosa, assimétrica e plena de dimensões sombrias. Desafiadora.

Aos leitores do Espectador Interessado, os seus autores desejam Festas Felizes e um próspero ano de 2016. Pleno de realismo e espírito crítico.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015