Passaram menos de duas semanas sobre a publicação deste artigo (registo necessário) no Wall Street Journal, e é espantoso o trajecto seguido pelas cotações do petróleo desde então. Veremos até quando e onde irão os tenebrosos especuladores na sua ganância no seu perturbador altruísmo... Para além de outras importantes questões - no domínio da geopolítica mundial e do eventual rebentar da provável "bolha", alimentada por cortesia da Fed através do "milagre" do crédito abundante e barato, em boa parte (que parte?) responsável pelo espectacular ressurgimento dos EUA como produtor de petróleo -, a minha intenção com a tradução deste artigo queda-se no revisitar do recorrente tema do esgotamento "iminente" do petróleo, para o voltar a negar pela n-ésima vez (o "paradoxo da finitude"). A oportunidade surge também com a confirmação entre nós de um novo aumento de preços nas tarifas da electricidade para 2015. Este, conforme se tornou vincado de 2009 para cá, tem uma componente visível e uma outra "invisível" (défice tarifário, leia-se, novos aumentos futuros nas tarifas) que ultrapassará os 5 mil milhões de euros no ano que vem! No edifício argumentativo dos promotores das irremediavelmente intermitentes, e por isso não confiáveis, "novas renováveis", faz parte uma suposta inevitabilidade: a de que os preços da energia de origem fóssil iriam subir muito. Daí que achem irrelevante, quando não impertinente ou "marialva" (Moreira da Silva dixit), discutir esta coisa dos aberrantes sobrecustos que a sua sobre-adopção impõe e que, no cair do pano, até mesmo dos submarinos surgem "contrapartidas".
The Wall Street Journal
4 de Dezembro de 2014
O "pico do petróleo" desmistificado uma vez mais ainda
Foi há 216 anos que Thomas Malthus criou a ideia de que o apetite do homem pelos recursos naturais iria ultrapassar a capacidade da natureza em fornecê-los. Desde então que ocorrem alertas regulares segundo os quais o mundo estaria a assistir ao esgotamento da soja, do hélio, do chocolate, do tungsténio, etc., e que o crescimento da população se teria tornado insustentável. Os alarmes provocam um pânico político ou social durante algum tempo, até que vêm a revelar-se errados.
O mais recente embate com a realidade é o fim da obsessão com o "pico do petróleo" que durante anos levou pessoas sérias a proclamar que estávamos a entrar numa era de permanente escassez de combustíveis fósseis. Não foi isso que se verificou.
Esta é uma lição central a retirar da dramática queda no preço do petróleo neste ano, que chegou aos 69,49 dólares no barril do Brent de quinta-feira vindo de um máximo em Junho de 112,12 dólares. Ainda recentemente, nos inícios de Novembro, quando o petróleo oscilava em torno dos 80 dólares, funcionários da OPEP advertiram que iriam intervir para "segurar" o preço nos 70 dólares. Mas as autoridades sauditas recusaram-se visivelmente a anuir num corte na produção na reunião da semana passada da OPEP, e o ministro saudita do Petróleo, Ali al-Naimi, deixou bem claro que se sentiria confortável com preços mais baixos.
Imagem do Wall Street Journal
