domingo, 12 de fevereiro de 2012

A verdade não pode resumir-se àquilo que se vê ou lê

Via LRC, estive a ler o relatório do responsável pelo Chefe da Missão de Observação que a Liga Árabe enviou à Síria no período entre 24 de Dezembro de 2011 a 18 de Janeiro de 2012 e devo dizer, secundando Daniel McAdams,  que também não recordo que os jornais e as televisões tenham feito eco de pelo menos algumas das suas mais relevantes constatações (pontos 26 a 29 na página 4 do relatório). Isto em muito reforçou a minha suspeita de existência de "assimetria informativa" relativamente aos acontecimentos do último ano na Síria. Como se escreve aqui, "[h]iding behind the rubric - "we are not able to verify these statistics" - the lack of integrity in reporting by the Western mainstream media has been starkly apparent since the onset of events in Syria. A decade after the Iraq war, it would seem that no lessons from 2003 - from the demonization of Saddam Hussein and his purported weapons of mass destruction - have been learnt".

Não que os al-Assad e o partido Baath, que impuseram aos sírios um estado de emergência permanente desde 1963(!), mereçam qualquer tipo de simpatia. Porém, há que ter atenção, como há dias o Público noticiava, que Bashar al-Assad tem também (ainda?) muitos adeptos (como se viu aquando da chegada do ministro russo dos Negócios Estrangeiros a Damasco, russos que têm particulares interesses estratégicos na Síria, nomeadamente uma grande base naval militar, a base de Tartus). As razões dos que pretendem fazer cair o regime sírio podem ser - e sê-lo-ão certamente - as mais diversas, tal como as consequências da sua queda. Recordem-se as palavras de Camille Otrakji, um blogger nascido em Damasco, citado pelo New York Times:
«Why do you think there aren’t millions in the street demonstrating against Bashar? It’s not because they’re afraid of the security forces. It’s because they’re afraid of what would replace Assad.»
É mais ou menos a mesmo ideia que Patrick J. Buchanan evocava quando perguntava: Quando os ditadores caem, quem se levanta?

1 comentário:

Miguel Loureiro disse...

Concordo plenamente e falta denunciar muitas estratégias e estrategas destas revoluções...
Vou fazer link.