O primeiro-ministro visita a Índia por estes dias. Pouca atenção pude dar a tal facto, mas não posso deixar de notar, não obstante a pequena pesquisa que fiz, a ausência de tratamento jornalístico, pelos meios de comunicação portugueses, da situação económica e social indiana depois da decisão de Modi de banir 87% da massa monetária em circulação.
Pude ver uma reportagem acerca de um modelo de camisa muito célebre, pois é igual ao que Modi usa. Uma outra envolvia a camisola da selecção portuguesa de futebol. E, claro, várias digressões acerca das raízes familiares do pm português.
Alguma referência à actualidade da economia e sociedade indianas? Alguma referência a isto? A isto? Ou ainda a isto?
Alguma análise ao recrudescimento do nacionalismo indiano? Manobra de aparente contenção do Paquistão pela hostilidade, que Modi tão perigosamente conduz?
Assim vai a narrativa em mais um acto ensaiado. E ainda há quem se questione por que razões enfrenta profunda crise o serviço jornalístico? Este "lapso" é apenas uma centelha brilhante da impossibilidade da neutralidade jornalística e da sua subserviência ao poder político.
E não é apenas pelos EUA ou a propósito de Trump e da sua eleição.
Fake News? É isto. Fabricadas e transmitidas pelos meios de comunicação convencionais, esses "guardiões da verdade", essas soberbas "instituições vigilantes dos agentes do poder"...
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sexta-feira, 13 de janeiro de 2017
Cogitações (6)
sábado, 10 de dezembro de 2016
Radar
No seguimento dos nossos artigos acerca da manobra de ilegalização e mudança de mais de oitenta por cento do papel moeda na Índia, deixamos aqui uma ligação para um conjunto de relatos do que se passa, efectivamente, na sociedade indiana por estes dias (ver aqui).
Depois do beneplácito dado por Rogoff, a ideia decerto ganhará adeptos mais intensamente numa Europa falida e refém de políticos desejosos de "novidade tecnológica" para fazer disparar o crescimento.
De quê, saberemos depois.
terça-feira, 22 de novembro de 2016
Derradeiros Propósitos
Estaremos atentos?
A recente manobra de Modi (pm indiano) de proceder à proibição e ilegalização de 86% das notas em circulação na Índia está completa. O balanço não é completo mas, depois de registadas mortes e muita tensão nas filas para trocar as notas, um dos cérebros desta tendência - Kenneth Rogoff - já procedeu à sua celebração.
O artigo do seu blogue é exemplar. Aponta, com clareza é preciso sublinhá-lo, a direcção que "os mercados avançados" devem seguir. Ou seja, temos um Missionário a dizer o que acontecerá.
Estamos atentos?
Traduzo um dos parágrafos do artigo que Rogoff publicou (ver aqui), pela clareza das razões que estão - de facto - na base de todas as iniciativas desta natureza (sublinhados meus).
Veja-se:
"Estará a Índia a seguir o roteiro expresso em "The Curse of Cash"? A sua motivação parece ser essa, de facto. Um tema central nesse livro é que ainda que os cidadãos dos países avançados (sic) usem papel-moeda extensivamente (no caso dos EUA 10% das transacções), a maior parte da moeda física é mantida na economia paralela, alimentando a fuga aos impostos e o crime."
Ou ainda:
"De facto, os países em vias de desenvolvimento partilham dos mesmos problemas e a corrupção e a falsificação (de moeda - NT) é ainda pior. Simplesmente trocar as notas velhas por notas novas tem tantas vantagens quanto a intenção de eliminar, por completo, as notas de maior denominação. Qualquer pessoa que apareça para trocar largos montantes de papel-moeda torna-se vulnerável às autoridades legais e fiscais."
Ora o que estas inteligências não parecem ver (vêem mas não dizem, só pode) é que, a coberto da luta contra o crime, estas decisões são, na sua essência, manobras de confisco. É esse o seu derradeiro propósito.
Por mais que o repitam estas inteligências, é impossível não entender o seguinte: a hipótese de eliminar a economia paralela e reduzir, como causa, a carga fiscal é falsa.
O que se vê, tanto no presente como num contexto histórico mais alargado, é que o aumento da carga fiscal é constante (acompanha o crescimento do estado) e nem a melhoria na eficácia da máquina fiscal possibilita a diminuição da carga fiscal.
Mas as inteligências tanto repetem a mentira que ela se impregna na mente de todos como verdade.
Aliás, o título do livro de Rogoff é bem claro a revelar o pressuposto por detrás de toda a manobra: a maldição do papel-moeda.
É claro, não é?
O artigo do seu blogue é exemplar. Aponta, com clareza é preciso sublinhá-lo, a direcção que "os mercados avançados" devem seguir. Ou seja, temos um Missionário a dizer o que acontecerá.
Estamos atentos?
Traduzo um dos parágrafos do artigo que Rogoff publicou (ver aqui), pela clareza das razões que estão - de facto - na base de todas as iniciativas desta natureza (sublinhados meus).
Veja-se:
"Estará a Índia a seguir o roteiro expresso em "The Curse of Cash"? A sua motivação parece ser essa, de facto. Um tema central nesse livro é que ainda que os cidadãos dos países avançados (sic) usem papel-moeda extensivamente (no caso dos EUA 10% das transacções), a maior parte da moeda física é mantida na economia paralela, alimentando a fuga aos impostos e o crime."
Ou ainda:
"De facto, os países em vias de desenvolvimento partilham dos mesmos problemas e a corrupção e a falsificação (de moeda - NT) é ainda pior. Simplesmente trocar as notas velhas por notas novas tem tantas vantagens quanto a intenção de eliminar, por completo, as notas de maior denominação. Qualquer pessoa que apareça para trocar largos montantes de papel-moeda torna-se vulnerável às autoridades legais e fiscais."
Ora o que estas inteligências não parecem ver (vêem mas não dizem, só pode) é que, a coberto da luta contra o crime, estas decisões são, na sua essência, manobras de confisco. É esse o seu derradeiro propósito.
Por mais que o repitam estas inteligências, é impossível não entender o seguinte: a hipótese de eliminar a economia paralela e reduzir, como causa, a carga fiscal é falsa.
O que se vê, tanto no presente como num contexto histórico mais alargado, é que o aumento da carga fiscal é constante (acompanha o crescimento do estado) e nem a melhoria na eficácia da máquina fiscal possibilita a diminuição da carga fiscal.
Mas as inteligências tanto repetem a mentira que ela se impregna na mente de todos como verdade.
Aliás, o título do livro de Rogoff é bem claro a revelar o pressuposto por detrás de toda a manobra: a maldição do papel-moeda.
É claro, não é?
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